A Catedral de Ávila: Parte 3

Nesta última matéria sobre a Catedral de Ávila veremos os demais lugares de interesse que podemos encontrar numa visita ao templo. A Girola, sua parte mais antiga, foi construída na época de Girald Frunchel, o arquiteto francês responsável pelo projeto inicial da Catedral de Ávila. Um de seus elementos mais característicos foi a utilização da pedra de arenito como material construtivo. Composta de óxido de ferro, proporciona uma tonalidade avermelhada que diferencia este espaço dos demais, nos quais foi empregado o granito.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Girola constitui a parte de uma catedral que rodeia o altar maior, junto ao ábside. Na Catedral de Ávila, foi belamente decorada com 5 painéis de relevos realizados por Lucas Giraldo e Vasco de la Zarza no estilo renascentista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAQuatros dos painéis foram  representados pelos apóstolos evangelistas, com seu respectivo animal simbólico, como o Apóstolo Marcos e o Leão, por exemplo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO painel central é a jóia do conjunto, obra prima de Vasco de la Zarza, responsável pelo sepulcro do Bispo de Ávila, Alonso del Madrigal. Realizado em alabastro como se fosse um retábulo, é considerado uma das grandes obras da Escultura Renascentista Espanhola. Alonso del Madrigal ocupou a cátedra entre 1449 e 1455, destacando-se por sua santidade e por seu trabalho como teólogo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa Girola foram abertas 9 capelas. A denominada Capela da Virgem da Piedade ou das Dores foi fundada no século XV no estilo renascentista por D.Rodrigo Dávila. A capela está presidida por uma cópia da magnífica Piedade de Miquelângelo, obra realizada por Juan Bautista Vázquez “El Viejo” em 1560.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANesta obra podemos apreciar uma das características do Renascimento Espanhol, menos apegado aos ideais de beleza clássicos do Renascimento Italiano. Esta capela também tornou-se famosa pela imagem da Virgem da Caridade, uma escultura do século XV especialmente venerada por Santa Teresa de Jesus. Abaixo vemos uma imagem geral da capela e da referida imagem, além de outra que representa a própria santa de Ávila.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA visita à Catedral de Ávila finaliza com o Museu Catedralício, imprescindível pelo conjunto de pinturas e esculturas de sua coleçao. Uma de suas salas corresponde à Sacristia, conhecida como Capela de San Bernabé, decorada com esculturas referentes à Paixao de Cristo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste espaço também exerceu a função de Sala Capitular. Nela podemos admirar um magnífico retábulo feito de alabastro, realizado por Isidro de Villoldo e Juan Frías, com cenas relativas à Flagelaçao de Cristo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO acesso à Sacristia é realizado por uma bela sala onde se situa outro impressionante retábulo, este do século XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA sala principal do Museu situa-se na denominada Capela del Cardenal, cuja construção foi ordenada pelo Arcebispo Quiroga em 1490, no  estilo gótico. Trata-se de uma capela funerária, onde foram enterrados personagens ilustres da história eclesiástica de Ávila, como o Cardeal Francisco Dávila Mújica. Em cima do túmulo, vemos um retrato anônimo do cardeal, do século XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado do sepulcro do cardeal situa-se o túmulo de D.Garcibáñez de Mújica, presidido por um retrato pintado por El Greco entre 1604 e 1614.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro da sala contemplamos  uma excepcional obra de arte, uma custódia realizada por Juan de Arfe em 1571. Com 1.70m e 70 kg de peso, foi feita totalmente em prata, e sai às ruas de Ávila durante as procissões da Semana Santa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma Sagrada Família pintada no atelier do famoso pintor italiano Rafael

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Museu exibe uma belíssima coleção de esculturas românicas, como este Cristo feito em marfim, no século XII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos a matéria sobre a Catedral de Ávila com uma foto da Sala de los Cantorales, onde se expõem livros de cânticos do século XV, fabricados em pergaminho.

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Museu Nacional de Escultura – Segunda Parte

Neste post, veremos algumas das obras do incomparável acervo do Museu Nacional de Escultura, em ordem cronológica, segundo o estilo que representam.

No entanto, começamos pela capela, um dos espaços mais autênticos do museu. Quando passou a integrar o museu em 1933, se instalaram algumas obras que evocassem seu antigo esplendor. Algumas dela são:

Retábulo Maior do Monastério de La Mejorada de Olmedo (Província de Valladolid). Realizado por Alonso Berruguete (1523/1526). Foi instalado onde situava-se o antigo retábulo original feito por Gil de Siloé para a decoraçao da capela, e que foi destruído durante a invasao napoleônica. De estilo renascentista, exibe cenas da vida de Jesus e Maria.

Sepulcro de alabastro de Diego de Avellaneda: Felipe Vigarny –  1536/1542. Procedente do Monastério de San Juan Bautista e Santa Catalina (Prov. De Sória).

Estátua orante de bronze do Duque de Lerma: Pompeo Leoni/Juan de Arfe (1601/1608). Procedente da Igreja Convento de San Pablo de Valladolid. A solenidade do retrato e o modo de conceber a imagem no contexto de uma atmosfera sacra e suntuosa forma parte do desejo de vencer a morte com a fama póstuma e perpetuar-se.

Iniciamos nossa visualização cronológica através do estilo românico. Depois de um largo período de tempo, que começou com a queda do império romano (séc. V) e prolongou-se até o surgimento do românico ( séc. XI), ocorreu um empobrecimento e até mesmo um desaparecimento da escultura como forma artística, e com a chegada do novo estilo houve um ressurgimento, propiciado pela integração da escultura de pedra com a arquitetura, que podemos observar nos templos e igrejas do período, bem como na escultura em madeira, da qual se conservam numerosos exemplos com sua policromia original. A iconografia básica destas talhas está representada pela Virgem com o menino Jesus, o cristo crucificado e o descendimento de seu corpo da cruz.

A finalidade destas obras não eram meramente decorativas ou narrativas, e sim comover o fiel, mostrando-lhes imagens concretas da divindade. No geral, as figuras são tratadas de forma pouco natural, sem proporções entre as diferentes partes do corpo e em posição rígida, hierática e frontal. Abaixo, vemos alguns exemplos de estátuas românicas do museu.

Na sala dedicada ao séc. XV, um período de transição do gótico ao renascimento, destacamos o retábulo da vida da Virgem, um anônimo flamenco. Procedente do Convento de San Francisco (Valladolid), é um exemplo de como eram apreciadas no Reino de Castilla a arte flamenca (Países Baixos). Na parte central, observamos o pranto da Virgem por seu filho morto.

Da época renascentista (séc. XVI), veremos várias obras:

Retábulo Maior de San Benito El Real (Valladolid): realizado por Alonso Berruguete entre 1526/1532, a obra revela o aprendizado adquirida pelo autor durante sua estância na Itália com os mestres renascentistas. Representa a imagem da Jerusalém Celestial, a cidade de Deus,com cenas do Novo e velho Testamento, em torno a San Benito.

Silhería do Coro do Monast. San Benito El Real: André de Nájera (1504/1533).

Enterro de Cristo: Juan de Juni (1541/1544), procedente do Convento de San Francisco(Valladolid). O conjunto oferece um marcado caráter cenográfico. O movimento e a atitude de uma figura é realizado de maneira similar nas figuras posicionadas no lado oposto, de forma a propiciar uma visualizaçao geral e frontal de toda a obra.

Tentações de San Antonio Abad: Diego Rodrigues e Leonardo de Carrión (1553/1559). Procedente do hospital de San Antonio Abad (Valladolid).

Redenção dos cativos por San Pedro Nolasco: Pedro De La Cuadra (1599). Fazia parte do retábulo maior do Convento de la Merced Calzada (Valladolid). A cena representa um fato freqüente no séc. XVI, a compra de cristãos, presos por africanos em batalhas ou através da pirataria, por frades da Ordem da Merced, fundada por San Pedro Nolasco, com esta intenção libertadora.

O barroco representou, no plano artístico, o que a contra-reforma significou no religioso, uma tentativa de deter o avance protestante pela Europa. Algumas das medidas utilizadas foram a propagação na crença dos milagres e o culto às relíquias, expostas em obras exuberantes. Impulsou também a canonização de santos mártires e popularizou as festas de devoção coletivas. Neste ambiente, as ordens religiosas, em especial a jesuíta, converteu-se em grandes patrocinadoras artísticas.

As artes plásticas, transformadas em um decisivo meio de propaganda, alcança uma dramática expressividade. Os temas religiosos incluem o arrebatamento do êxtase, as visões celestiais, a renúncia ao mundo profano, a ansiedade espiritual e, sobretudo, ao aspecto macabro da morte, através de formas violentas, insólitas e impressionantes.

Veremos, agora, algumas da obras do período expostas na coleção permanente do museu:

Retábulo Relicário de San Diego de Valladolid: Juan de Muniátegui e irmaos Vicente e bartolomé Carducho (pinturas). Os relicários expostos no interior refletem a relaçao entre estátuas e relíquias. A imagem foi o catalizador do seu poder, cuja veneração era o essencial, situando-a num cenário que cativasse a imaginação dos fiéis.

Paso de la Sexta Angústia: Gregório Fernández (1616), procedente da Confradia das Angústias (Valladolid). A composiçao adota a fórmula estabelecida em 1522, na qual Jesus não aparece situado no joelho da mãe, mas estendido no solo com a cabeça apoiada no seu regaço. Observamos a maneira naturalista das figuras, a expressividade nos rostos e mãos e a qualidade plástica anatômica, características deste que é considerado um dos maiores escultores espanhóis de todos os tempos. Além disso, detalhe para o contraste cromático e os excepcionais estudos anatômicos que podemos contemplar na figura dos dois ladrões.

Batismo de Cristo: Gregório Fernández (1624), procedente do Convento del Carmen Descalzo (Valladolid). Integrava o retábulo principal do convento, e magnífica é o detalhe da mão esquerda de Jesus.

San Juan Evangelista: Juan Martinez Montañés (1638), procedente do Convento de Santa María de la Pasión (Sevilha). Escultura pertencente ao retábulo a que estava destinada. Trata-se de uma visao de San Juan já maduro, como corresponderia à época de seu exílio na ilha grega de Patmos, onde redatou o Apocalipse, sentado e escrevendo, acompanhado de seu atributo habitual, a águia. Obra de grande qualidade técnica, deste artista que é conhecido como o “Deus da madeira”.

Alegoria da Virgem Imaculada: Juan de Roelas (1616), procedente do Monastério de San Benito El Real (Valladolid). O quadro reflete o documento fundamental para entender-se o dogma, no qual diz que a Virgem foi concebida sem o pecado original, e venerada na procissão que se celebra em Sevilha, em que participam todas as classes sociais.

Menino Jesus: Alonso Cano (séc. XVII).

Madalena Penitente: Pedro de Mena (1664), procedente da casa da Companhia de Jesus (Madrid). Inspirado em Gregório Fernández, é uma obra prima das artes plásticas espanholas por sua alta expressividade e soberba policromia naturalista.

Do séc. XVIII, admiramos a escultura de Sao Miguel Arcanjo, de Felipe Espinabete. Santo de grande devoção na época medieval, seu culto decaiu durante a contra-reforma, mas ganhou um novo impulso para defender o triunfo do catolicismo sobre o culto protestante. Obra plenamente rococó, personifica o triunfo do bem sobre o mal de uma forma preciosa.

Espero que tenham gostado. Quando de viagem por Espanha, nao deixem de visitar o museu e a cidade de Valladolid.