Parque Madrid Rio: Patrimônio Histórico

Além de sua importância ecológica, paisagística e de ócio para a população, o Parque Madrid Rio conserva em seus limites edificações históricas de grande relevância, que ficaram integrados a área do parque. Infelizmente, muitas destas construçoes foram duramente afetadas durante a Guerra Civil Espanhola (1936/1939), devido sua proximidade com as frentes de batalhas. Um exemplo é a Ermita de la Virgen del Puerto (post publicado em 13/7/2013).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEste belo templo religioso foi construído pelo grande arquiteto barroco Pedro de Ribera entre 1716 e 1718, que foi encarregado de seu projeto pelo então corregidor (uma espécie de prefeito da cidade na época, nomeado pelo rei) da Vila de Madrid, o Marquês de Vadillo, cujo sepulcro se encontra dentro da ermita.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPraticamente destruída durante a Guerra Civil, teve que ser reconstruída em 1945. Outro monumento interessante é o denominado Túnel de Bonaparte, construído por José Bonaparte, irmao do Imperador Napoleão, que governou o país entre 1808 e 1814. O túnel foi projetado pelo arquiteto Juan de Villanueva, responsável por importantes projetos históricos, como o Museu do Prado, por exemplo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste túnel tinha como finalidade servir de escapatória para o monarca francês, em caso de necessidade, ligando os jardins do Palácio Real com a Casa de Campo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA oferta cultural do parque está representado por um dos centros mais dinâmicos da cidade na atualidade, o antigo Matadouro Municipal de Legazpi (post publicado em 27/9/2013). Inaugurado em 1924, foi o principal matadouro da cidade no século XX e foi construído no estilo neomudéjar, com tijolos e cerâmica decorativa. Abaixo, vemos uma imagem panorâmica do local.

OLYMPUS DIGITAL CAMERARecentemente, tive a oportunidade de conhecer o Palácio de Cristal de Arganzuela, que fica no interior do antigo matadouro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAHoje em dia, o Palácio de Cristal se transformou numa grande estufa (invernadero, em espanhol), onde foram criados ecossistemas de diferentes partes do mundo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACasa ecossistema foi representado por uma grande quantidade de espécies características. Existem três deles, o tropical…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEcossistema subtropical…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAE ecossistema desértico…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o edifício da Torre do Relógio, originalmente local administrativo do matadouro e atualmente sede de um órgão público.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizo a matéria com mais uma foto do Estádio Vicente Calderón, em seu último ano de vida…

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Ayuntamiento de Madrid

Finalizando esta série sobre os Ayuntamientos de España, no post de hoje vocês conhecerão o edifício histórico da Prefeitura de Madrid. Está situado na Plaza de la Villa, um dos locais mais bonitos do centro histórico da capital, junto à Calle Mayor.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Plaza de la Villa ostenta esta denominaçao desde o século XV, quando Madrid recebeu o título de “Noble y Leal Villa“, outorgado pelo Rei Enrique IV. Antes, o local se chamava Plaza de San Salvador, em virtude da igreja homônima que se localizava em frente à praça. No átrio desta igreja se realizava o Conselho de Madrid desde o século XIV, função que exerceu até o final do século XVI, sendo que no século XIX foi derrubada. Atualmente, o espaço da igreja está ocupada por edifícios de finais do século XIX, e uma placa recorda a existência do templo religioso.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAMesmo sendo Capital da Espanha desde 1561, Madrid demorou em ter um edifício próprio como sede do Ayuntamiento. A construção da denominada Casa de la Villa iniciou-se em 1645, segundo o projeto do arquiteto Juan Gómez de Mora, um dos principais arquitetos da época, durante o reinado de Felipe IV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO processo construtivo durou 48 anos, e o Edifício do Ayuntamiento foi inaugurado em 1693. Depois da morte de Juan Gómez de Mora, outros arquitetos de importância retomaram o curso das obras, como José de Villareal, Sebastián Hurtado, José de Olmo e Teodoro Ardemans, que realizou os últimos detalhes do edifício e sua decoração exterior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Casa de la Villa foi edificada sobre as residências que pertenceram a D.Juan de Acuña, que recebeu o título de Marqués del Valle. O edifício se caracteriza por seu desenvolvimento horizontal, com duas torres cobertas com uma estrutura de pizarra nas esquinas (pedra de ardósia, em português). Os materiais construtivos se restringem à pedra de granito e o tijolo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO edifício foi alvo de algumas reformas, como a sucedida em 1798, quando o famoso arquiteto Juan de Villanueva construiu um balcão na fachada que dá para a Calle Mayor, para que os monarcas pudessem assistir as procissões de Corpus Christi.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de sua função principal como Casa Consistorial, na Casa de la Villa funcionou também a Prisão da cidade. No começo do século XX, o arquiteto Luis Bellido construiu uma passagem unindo o Ayuntamiento com o antigo Palácio de Cisneros (construído em 1537 por Benito Jiménez de Cisneros, sobrinho do famoso Cardeal Cisneros), que havia sido adquirido pela prefeitura em 1906 para ampliar suas instalações.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa fachada principal podemos ver no lado esquerdo o Escudo de Madrid, o “Urso e o Madroño“, e o Escudo Real no centro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, uma foto antiga da Plaza de la Villa e o Ayuntamiento de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAÉ uma pena que atualmente a Casa de la Villa não esteja  aberta à visitação pública, pois seu interior está formado por belas dependências e conta com uma rica coleção de obras de arte. No entanto, estas sim podem ser admiradas, pois muitas delas se encontram expostas no Museu de História de Madrid, situado na Calle de Fuencarral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Casa de la Villa foi a sede do Ayuntamiento de Madrid desde o final do século XVIII até 2007, quando foi transferido para outro belo edifício, o Palácio das Comunicações, situado na conhecida Plaza de Cibeles.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAntiga sede dos Correios e Telégrafos da Espanha, o Palácio das Comunicações foi construído no início do século XX pelos arquitetos Antonio Palacios e Joaquín Otamendi. Atualmente, funciona como um centro cultural, e em sua parte traseira se instalou o Ayuntamiento de Madrid. Abaixo, vemos o edifício iluminado e a parte traseira com sua imponente cúpula de cristal…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAHoje em dia, a Casa de la Villa é utilizada apenas como local de eventos oficiais e recepções.

Ampliação do Museu do Prado: Madrid

O Museu do Prado (post publicado em 17/5/2012) foi alvo de diversas obras de reformas ao longo de sua história. A mais importante delas finalizou em 2007, segundo um elogiado projeto do renomado arquiteto Rafael Moneo (1937). O plano levou em consideração os edifícios colidantes ao museu, como a Igreja de San Jerónimo La Real (matéria publicada em 7/7/2013). Dois edifícios emblemáticos de Madrid, um no plano artístico, e outro no religioso, foram integrados ao novo desenho de ampliação realizado.

DSC09098O edifício sede do Museu do Prado, um dos referentes da arquitetura neoclássica da Espanha, foi projetado pelo arquiteto Juan de Villanueva a partir de 1785, durante o reinado de Carlos III, com a função de acolher o Gabinete de História Natural. A Guerra da Independência contra os franceses no início do século XIX fez com que o edifício fosse duramente castigado em sua estrutura. Com o término da guerra, o edifício foi restaurado no reinado de Fernando VII e reinaugurado em 1819 como um Museu de Pinturas. Para tanto, contou com o esforço e dedicação da segunda esposa do rei, Maria Isabel de Bragança.

DSC03524DSC01970Já a Igreja de San Jerónimo La Real é uma das poucas construções de origem gótica existentes em Madrid. Formava parte do antigo Monastério de San Jerónimo, fundado pelo Rei Enrique IV no século XV. Originalmente, estava situado às margens do Rio Manzanares, mas as péssimas condições higiênicas do local fez com que os Reis Católicos ordenassem a construção de um novo edifício, situado em sua localização atual. Em 1502 se edificou a nova igreja no período final do gótico, que contava também com um quarto real situado junto ao presbitério, utilizado pelos reis durante sua estadia em Madrid. Dessa forma, os Reis Católicos podiam assistir a missa desde seu próprio aposento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja, desde suas origens, sempre esteve ligada à monarquia, pois em seu interior se celebram casamentos reais e os juramentos dos Príncipes de Asturias. As várias reformas realizadas ao longo de sua secular história eliminaram a maior parte de sua fábrica gótica. Também danificada durante a Guerra da Independência, seu aspecto atual se deve às reformas realizadas pelo arquiteto Enrique María Repullés em 1883.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO monastério, que já não existe mais, chegou a ter dois claustros de épocas distintas. O primeiro, de estilo renascentista, foi destruído e substituido por um barroco, construído entre 1672 e 1681. Devido às guerras e sua própria antiguidade, o claustro permaneceu abandonado no século XX, e abaixo podemos observar seu estado numa foto do século passado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos aspectos mais importantes da proposta de ampliação do Museu do Prado realizada por Rafael Moneo consistiu na recuperação do claustro e sua restauração. O claustro foi desmontado e recolocado dentro de um novo edifício, o chamado Cubo de Moneo.

DSC09095Feito de tijolo vermelho, o Cubo de Moneo acolhe hoje em dia o antigo claustro restaurado, e no novo espaço podemos contemplar uma série de esculturas históricas dos monarcas espanhóis, que será o tema do próximo post.

DSC09089O trabalho de Rafael Moneo incluiu também um novo vestíbulo situado na parte traseira do edifício histórico de Juan de Villanueva, que serve de entrada ao museu, denominado Puerta de los Jerónimos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO vestíbulo compreende vários espaços complementares ao museu, como cafeteria, loja, o acesso ao claustro e também salas onde se organizam exposições temporais de grande qualidade artística. Na parte superior do vestíbulo, Moneo projetou um belo jardim de formato geométrico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro destaque do Cubo de Moneo, a belíssima porta de acesso foi realizada pela artista Cristina Iglesias (1956). Realizada em bronze, possui 6m de altura e 22 toneladas de peso.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos a matéria com uma foto do Cubo de Moneo e, ao lado, a Igreja de San Jerónimo

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Comércios Históricos de Madrid – Pousadas

Hoje em dia, o termo Pousada é familiar para  todo mundo, mas principalmente para aqueles (as) que gostam de viajar pelo mundo. Este tipo de alojamento já era bem comum na Madrid do século XVII, evidentemente sem o conforto que atualmente dispomos em muitas delas. Algumas destas pousadas (em espanhol, posadas) se mantiveram, apesar  dos séculos, e integram o catálogo de Comércios Históricos de Madrid. Veremos, pois, algumas das mais antigas que se conservam na cidade. Iniciamos com a mais antiga delas, a Posada del Peine, situada bem próxima à Puerta del Sol e da Praça Maior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta pousada foi fundada em 1610 para servir de alojamento aos forasteiros que chegavam à corte, e que saltavam das carruagens numa das paradas próximas à Puerta del Sol. Sua antiguidade a converte num dos estabelecimentos hoteleiros mais antigos de todo o país. Em 1796, foi ampliada e dita reforma esteve supervisionada pelo arquiteto Juan de Villanueva, autor do Museu do Prado e da reconstrução da Praça Maior de Madrid, depois que sofreu um terrível incêndio em 1790.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu nome se explica porque nos lavabos da pousada sempre havia um peine (pente, em português) atado a uma cordinha. Em 1970 o estabelecimento fechou suas portas ao falecer seu último proprietário, e logo vendido a um comércio que fabricavam relógios. Desta época se conserva um deles instalado na antiga pousada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalmente em 2004 o local foi adquirido por uma cadeia de hotéis, que reformou e restaurou a antiga pousada. Outra zona onde podemos encontrar verdadeiras relíquias do passado é a Calle de la Cava Baja,  uma das portas de entrada ao Bairro de la Latina, uma zona muito frequentada pelos madrilenhos para comer Tapas. Nesta rua se situa a Posada de la Villa, fundada em 1642.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAntes de existir a pousada, havia no local um moinho de farinha, o único existente na cidade. Além do mais, era uma zona de passagem daqueles que vinham de Toledo, Segóvia e Ávila em busca de oportunidades ou realizar negócios na capital do reino. Depois que o moinho foi fechado se construiu a pousada, a primeira que dava comida e aposento aos viajantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitas destas hospedarias se situavam próxima à Praça Maior, então denominada Plaza del Arrabal, onde se realizava o mercado da vila. A maior parte delas desapareceram , e a Posada de la Villa foi uma exceção. Chegou, no entanto, aos anos 80 do século passado num estado precário. Uma pessoa do ramo hoteleiro adquiriu o edifício e o transformou numa taberna tipicamente madrilenha, onde se pode saborear as delícias da gastronomia regional.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERABem em frente se encontram outras duas pousadas históricas. A Posada del León de Oro  foi construída em 1825 pelo arquiteto Pedro Ávila, e parece que foi patrocinada pelo Convento de N.Sra de la Merced, situado nas proximidades, mas que foi demolido durante a Desamortização de Mendizábal ocorrida em 1836. Isso explica o escudo da instituição religiosa em sua fachada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA grande maioria das pessoas que passam pela rua em busca de bons lugares para tomar uma cerveja ou comer umas tapas não imaginam que dentro da pousada se preserva um verdadeiro tesouro da Madrid Medieval, os restos de sua muralha do século XII/XIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA muralha foi descoberta depois de uma reforma realizada na pousada, e atualmente uma estrutura de cristal a protege bem na zona do restaurante. A Calle de la Cava Baja se originou quando os fossos que existiam em cada um dos lados da muralha foram cobertos, depois que a muralha foi derrubada. Surgiram assim duas novas ruas, a Calle de la Cava Baja e a da Cava Alta. Ao lado da Posada del León de Oro se encontra a Posada del Dragón, também histórica, pois foi edificada em 1868.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFuncionou como pousada até o final do século XX, quando foi transformada num hotel. Também conserva partes da muralha

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAmbas pousadas, a do León de Oro e a do Dragón, constituem exemplos dos edifícios conhecidos como Corralas, pois possuem um pátio interior formado por um corredor, onde antigamente viviam as pessoas de baixa renda em Madrid. Para saber mais sobre as Corralas de Madrid, vejam o post publicado em 1/6/2015.

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Igreja de Santiago – Madrid

No post de hoje conheceremos a história da Igreja de Santiago de Madrid. Na realidade, trata-se da continuação do post anterior, não só pela localização da igreja, situada na Plaza de Santiago, que se encontra ao lado da Plaza de Ramales, mas também devido a mesma circunstância histórica, pois como sucedeu com a Igreja de San Juan Bautista, o antigo templo dedicado ao Apóstolo Santiago também foi derrubado durante o reinado de José Bonaparte em 1810.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Igreja de Santiago era uma das mais antigas da cidade, pois se encontra documentada no Foro de Madrid, outorgado pelo rei Alfonso VIII em 1202. José Bonaparte mandou derrubar boa parte das edificações situadas na fachada oriental do Palácio Real para a construção da Plaza del Oriente, condenando ambos templos, situados próximos um do outro. No entanto, a diferença da Igreja de San Juan Bautista, o rei francês ordenou a construção de uma nova igreja dedicada ao Padroeiro da Espanha. Para tanto, encarregou ao arquiteto Juan Antonio Cuervo um projeto arquitetônico, cujo resultado podemos apreciar hoje em dia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA construção da Igreja de Santiago foi inspirada no classicismo do arquiteto Juan de Villanueva, autor do projeto do Museu do Prado, entre outros edifícios emblemáticos da capital. Apresenta uma fachada sóbria, composta por pilares feitos de granito e o resto de sua estrutura em tijolo. No centro da fachada vemos um relevo em que aparece o Apóstolo Santiago auxiliando o exército cristão do rei asturiano Ramiro I na Batalha de Clavijo, travada contra os muçulmanos no ano de 844 ( ocorrida no atual território da Comunidade da Rioja). Dentro da iconografia do apóstolo, esta intervenção milagrosa nas batalhas da reconquista, quando Santiago aparecia montado num cavalo branco para derrotar o exército inimigo, é conhecida como Santiago Matamouros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO templo possui uma planta de cruz grega. O altar maior está presidido por um quadro que também representa a Santiago Matamouros. Realizado por Francisco Ricci, esta obra fazia parte da antiga igreja desaparecida.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre as colunas do retábulo foram colocadas esculturas dos denominados 4 Padres da Igreja Católica: Santo Agostinho (356/430), São Jerônimo (347/420), São Gregório Magno (540/604) e São Ambrósio (340/397).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Plaza de Santiago é o início do chamado Caminho de Santiago Madrilenho, que parte em sentido norte até a cidade de Sahagún (Castilla y León), quando então se une com o tradicional Caminho Francês. Na placa indicativa da praça, aparece o emblema desta histórica rota de peregrinação, bem como a indicação ao Convento de Uclés, situado na Província de Cuenca. Historicamente, este convento foi fundamental para a Ordem de Santiago, pois nele instalou sua sede central, e onde atualmente se guarda o importante arquivo desta ordem militar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa fachada do templo observamos elementos associados ao apóstolo, como a Cruz de Santiago e a Concha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo curiosidade, o arquiteto Juan Antonio Cuervo e seu sobrinho Tiburcio Pérrez Cuervo foram retratados pelo genial pintor Francisco de Goya, cujos quadros podem ser vistos no Museu de Arte de Cleveland e no Metropolitan de Nova York.

Oratório do Cavalheiro de Grácia – Madrid

O primeiro trecho da Gran Vía guarda um verdadeiro tesouro artístico-arquitetônico, o Oratório del Caballero de Grácia (original em espanhol). Esta construção foi a “culpada” pelo fato do traçado da avenida não ter sido reto nesta parte de sua extensão, pois foi desviada para preservá-lo. Felizmente, houve o bom senso de respeitar este monumento da Arquitetura Neoclássica de Madrid. A pequena igreja possui duas entradas, uma pela Gran Vía, e outra pela rua que passa detrás, denominada Caballero de Grácia. Mas quem foi ele?

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJacobo de Grattis, seu verdadeiro nome, e não como indica  a placa da rua, foi um sacerdote italiano que nasceu em Módena em 1517, e faleceu em Madrid no ano 1619, vivendo, portanto, 102 anos. Sua vida esteve cercada por muitas lendas e mistérios. O que se sabe com certeza, é que veio a Madrid durante o reinado de Felipe II, como representante do Papa Gregório XIII. O título de cavalheiro lhe foi oferecido por uma das filhas do monarca espanhol. Como era muito rico, comprou várias casas na rua que leva seu nome. Organizava festas, ocasiões em que podia satisfazer sua fama de sedutor. Em um dos imóveis, viva Dona Leonor Garcés, uma bela mulher, esposa de um fidalgo aragonês. Jacobo se apaixonou por ela e tratou de seduzi-la, sem êxito. Tentou, então, raptá-la, através de narcóticos. Quando estava ponto de cometer o abominável ato, recebeu um sinal de Deus, e imediatamente mudou seus hábitos dissolutos por uma vida religiosa. Logo depois, foi ordenado sacerdote em Roma, e regressou a Madrid em pregando sua fortuna em obras de caridade, construindo colégios para órfãos, hospitais, etc. Fundou também a Associação Eucarística de Grácia no final do séc. XVI. Em 1654, foi construído um oratório para dita associação, com o dinheiro de sua herança. No séc. XVIII, a igreja apresentava péssimas condições, e a associação encarregou ao famoso arquiteto Juan de VIllanueva sua reconstrução. A sóbria fachada da Calle Caballero de Grácia foi construída entre 1828 e 1831. Nela vemos uma representação da última ceia de Leonardo da Vinci, realizada pelo artista José Tomás.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior desta pequena igreja é realmente maravilhoso. Juan de Villanueva foi capaz de criar uma sensação de monumentalidade num espaço bastante reduzido. As magníficas colunas de estilo coríntio criam a ilusão da existência de naves laterais, que na realidade são um produto da pequena separação das colunas com o muro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO templo possui planta basilical com uma nave, ábside e uma incrível cúpula oval, cuja decoração foi realizada pelo pintor Zacarias González Velázquez no séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO pintor também realizou a decoração pictórica de vários retábulos, como o que representa São José com o Menino Jesus, de 1794.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a cobertura da nave e o órgão

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo altar, vemos um vitral sobre a Última Ceia elaborado pela prestigiosa Casa Maumejeán.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs restos de Jacobo de Grattis descansam no Oratório, e uma placa comemorativa assim o certifica…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFico devendo uma foto do Cristo da Agonia, escultura considerada uma obra prima do Barroco Madrilenho, que podemos admirar em seu interior. Desde a Gran Vía, vemos o ábside semicircular, guardado por um arco triunfal construído em 1991 por Javier Felduchi, que proporciona um aspecto único a este templo peculiar e, ao mesmo tempo, belíssimo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAQuando passeamos pela Gran Vía, é difícil não reparar neste singular edifício religioso de Madrid. Recomendo que não se contentem com a impressionante fachada, pois sua visita interior nos revela uma joia neoclássica realizada por um dos grandes arquitetos espanhóis de toda sua história, Juan de Villanueva, responsável pelo projeto do Museu do Prado, da reconstrução da Praça Maior de Madrid, entre outras obras admiráveis.

Palácio de Santa Cruz – Madrid

Como consequência do grande crescimento que  Madrid experimentou logo depois de tornar-se Capital da Espanha em 1561, a cidade transformou-se também na “Capital do Crime e da Delinquência”, com as taxas de delitos mais altas da Europa.Em 1650, por exemplo, durante 6 meses houve 160 mortes violentas, para uma cidade com cerca de 100 mil habitantes. Apesar da existência da Pena de Morte, estes números aterradores nao diminuiram. No séc. XVI, Madrid nao possuía nenhum edifício destinado a cadeia, motivo pelo qual eram requisitados de forma temporária imóveis para alojar os presos. Somente em 1543 foi construída a prisao da vila, derrubada em 1621. Já durante o governo de Felipe IV (1621/1665) foi levantado o edifício sede da Prisao de Madrid, digna para a capital do império, situada na Praça da Província.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de abrigar a prisao da vila, passou a sediar também uma instituiçao de origem medieval, o Tribunal de Alcaldes de Casa y Corte (original em espanhol). A primeira pedra foi colocada em 1629, sendo finalizado em 1636. O novo edifício centralizava todas as funçoes jurídicas e penais da Madrid de los Áustrias, denominaçao da dinastía monárquica na época.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANaquele período, a Justiça Civil  predominava, enquanto o Tribunal da Inquisiçao julgava os delitos de heresía. O Tribunal de Alcades era responsável por averiguar 90 % dos delitos cometidos. Com esta cifra, fica fácil perceber a importância deste edifício no séc. XVII. O denominado Alcalde exercía a funçao de juiz, e impunha as sentenças de condenaçao. O presidente da prefeitura chamava-se corregidor.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO edifício foi projetado por Juan Gómez de Mora, arquiteto real, e foi edificado num estilo herreriano (de Juan de Herrera, construtor do Monastério do Escorial), numa época já determinada pelos preceitos do barroco. Combina o tijolo, o granito e a pizarra (ardósia, em português), usada na parte superior das torres, situadas em cada esquina da construçao. Trata-se do edifício mais importante do reinado de Felipe IV, e um dos mais emblemáticos da capital espanhola. Abaixo, vemos uma inscriçao original na fachada que recorda o dito acima.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, vemos  o escudo de Felipe IV que preside a fachada, bem ocomo um retrato do monarca, realizado entre 1630/1635, por artistas pertencentes ao círculo do pintor Diego Velázquez.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs pessoas humildes que recebiam a pena máxima eram enforcados na Plaza de la Cebada, enquanto os nobres eram degolados pela frente na Plaza Mayor, situada a poucos metros da prisao. Já os bandoleiros tinham seus membros cortados e expostos em lugares públicos. Abaixo, vemos uma foto da Plaza Mayor de Madrid.

DSC02000Outro instrumento capital, de invençao espanhola, foi o Garrote Vil. O pobre condenado sentava-se num assento e um aro de ferro era colocado ao redor do pescoço. Um carrasco girava um tornilho situado na parte traseira do assento, e o réu falecia afixiado, de forma quase imediata. Os bancos feitos de bronze da Plaza Mayor contam a história da praça, e neles podemos observar o mecanismo do Garrote Vil.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA O edifício foi utilizado como prisao até o reinado de Felipe V, já no séc. XVIII. Um terrível incêndio, ocorrido em 1791, destruiu a quase totalidade do nível superior da construçao. O arquiteto Juan de Villanueva foi o encarregado de sua reconstruçao. Um pouco antes, em 1767, passou a abrigar apenas a Sala de Alcaldes, e a prisao foi levada a um edifício próximo. As execuçoes públicas foram abolidas somente em 1900. A partir de entao, foram realizadas nos quartéis. Desde 1938, tornou-se a sede do Ministério de Assuntos Exteriores e Cooperaçao, funçao que exerce até os dias de hoje. No ano seguinte, passa a ser conhecido como Palácio de Santa Cruz, dada a proximidade com a parróquia de mesmo nome. O Ministro de Assuntos Exteriores vive na parte lateral do edifício, no chamado Palácio do Duque de Rivas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu nome procede de um dos proprietários do palácio, Ángel de Saavedra y Ramírez de Baquedano, II Duque de Rivas. Personagem importante na época (séc. XIX), foi deputado, ministro, Presidente do Conselho de Estado e Prefeito de Madrid. Como humanista, foi poeta, dramaturgo e diretor da Real Academia Espanhola.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1939, quando era propriedade do Marquês de Viana, o Ministério de Assuntos Exteriores adquiriu o palácio, transformando-o em residência ministerial.