Ciudad Real – Comunidade de Castilla La Mancha

Ciudad Real é a capital da província homônima, uma das 5 que compõem a Comunidade de Castilla La Mancha (as demais são Toledo, Guadalajara, Cuenca e Albacete). Com uma população de 75 mil habitantes, conta com um interessante patrimônio histórico, infelizmente muitas vezes não devidamente valorizado pelos próprios espanhóis. Num final de semana decidi conhecer a cidade, e encontrei um lugar agradável para passear e com muita coisa interessante para ver.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASomente em relação ao seu patrimônio religioso, a cidade possui três igrejas góticas, incluída a catedral, o que reflete sua importância histórica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi fundada pelo rei Alfonso X “El Sábio” em 1255, com a finalidade de deter o crescente poder das Ordens Militares, especialmente a de Calatrava, que dominava o território onde se localiza. Inicialmente chamada Villa Real, o objetivo do monarca era diminuir seu poder e influência, criando uma cidade de realengo, que estivesse submetida à sua autoridade. Abaixo, vemos a escultura em homenagem ao rei fundador, situada em plena Praça Maior de Ciudad Real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPara proteger a cidade, Alfonso X ordenou a construção de um recinto de muralhas formado por 130 torres, com 7 portas de acesso ao interior. A única que se conserva é a magnífica Porta de Toledo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInspirada na arquitetura muçulmana, está sustentada por duas torres. Possui uma grande complexidade em relação aos seus vários arcos. Os exteriores são ojivais, os intermediários são de ferradura e os internos, góticos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Porta de Toledo foi finalizada em 1328, como indica uma inscrição, e foi declarada Monumento Nacional em 1915.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERALogo depois de sua fundação, na cidade passaram a conviver cristãos, judeus e muçulmanos, estando dividida em três paróquias, a de Santa María, de San Pedro e de Santiago. Ciudad Real chegou a ter uma das mais importantes juderias, ou bairro judeu, do antigo Reino de Castilla.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1420, o rei Juan II lhe concedeu o título de cidade, por seu apoio contra as ordens militares, momento em que passou a ser denominada Ciudad Real. Sua época de maior esplendor se verificou na época dos Reis Católicos (final do século XV e princípio do XVI). O aumento populacional e das atividades comerciais relacionadas à produção de lã, couro e vinho fizeram com que os Reis Católicos ordenassem a construção de importantes órgãos administrativos. Em 1488 se estabelece o Tribunal do Santo Ofício da Inquisição e, seis anos mais tarde, a Real Chancelaría, o principal órgão de justiça do reino.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a expulsão das comunidades judia e muçulmana, a população diminuiu e a cidade entrou num período de decadência, do qual se recuperou apenas no século XIX, com a chegada da ferrovia. Em 1691, tornou-se a capital da Comarca de La Mancha e em 1833 criou-se a Província de Ciudad Real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a Guerra da Independência, ocorrida no princípio do século XIX, a cidade foi ocupada pelas tropas francesas até 1813, destruindo uma importante parte de seu patrimônio, especialmente religioso. A cidade se orgulha de ser conhecida como a “Capital del Quijote“, e as referências ao grande escritor Miguel de Cervantes e sua obra mais conhecida são abundantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANos próximos posts, vocês poderão conhecer um pouco mais sobre a cidade, e comprovar que ela merece uma visita, sem sombra de dúvida !

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Praça de Cervantes – Alcalá de Henares

Alcalá de Henares conserva um dos maiores conjuntos históricos de toda Espanha, razão pela qual foi incluída na lista dos lugares Patrimônios da Humanidade da Unesco. Um dos locais mais representativos do centro histórico é a Praça de Cervantes, ponto de encontro dos habitantes da cidade, e núcleo central ao redor do qual se localizam as principais atrações da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta belíssima praça possui uma origem medieval, já que nela se realizavam as feiras anuais da vila, privilégio concedido pelo rei Alfonso VII em 1184. Por este motivo, recebeu inicialmente o nome de Praça do Mercado e durante muito tempo esta foi sua denominação. Originalmente situada fora das muralhas da cidade, nos séculos XV e XVI a praça passou a integrar-se plenamente no seu urbanismo, com a ampliação do recinto de muralhas e com o desenvolvimento ocorrido com a fundação da Universidade. A partir de então, transforma-se no espaço público central da cidade, servindo de limite entre a jurisdição municipal e a universitária. No século XVI nela se instalou a sede do conselho, como antigamente se chamavam as prefeituras ou Casas Consistoriais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlcalá de Henares recebeu o título de cidade em 1687 durante o reinado de Carlos II e a Praça de Cervantes passou a acolher a sede da Prefeitura (Ayuntamiento) desde 1609. Num primeiro momento, a sede da prefeitura esteve no num antigo convento do século XVIII, chamado dos Agonizantes. Com a deterioração do edifício, se construiu um novo no final do século XIX (1870), atual sede do Palácio Consistorial de Alcalá de Henares.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra construção de relevância que encontramos no perímetro da praça é o Corral de Comédias, inaugurado em 1602 e considerado o mais antigo da Espanha. Este tipo de espaços culturais foram os precursores do Teatro Moderno, e sua estrutura estavam feitas de madeira. Em 1769, o Corral de Comédias foi reformado adquirindo um aspecto neoclássico e durante o século XX se transformou num cinema, atividade que durou até 1970. Depois de quase ser derrubado por seu péssimo estado, foi restaurado e atualmente se realizam excelentes visitas guiadas que mostram a beleza de seu interior e a importância de seu legado, que ainda perdura hoje em dia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANum dos extremos da praça observamos as ruínas da desaparecida Igreja de Santa María, lamentavelmente incendiada e destruída durante a Guerra Civil Espanhola.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo mesmo local existiu na Idade Média uma Ermita, dedicada a São João Batista. Em 1449, o arcebispo de Toledo Alfonso Carrillo decidiu trazer a Paróquia de Santa María La Mayor a este lugar e se construiu uma nova igreja em 1553, obra de Rodrigo Gil de Hontañón. Dez anos depois se levanta uma torre. No século XIX, esta torre primitiva foi derrubada e se ergueu uma nova, que acabou sendo uma das poucas partes que sobreviveu do antigo templo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs pessoas interessadas podem subir no alto da torre, com um dos melhores mirantes da cidade. Abaixo, vemos uma panorâmica da Praça de Cervantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior da torre pude apreciar uma foto da antiga Paroquia de Santa María, quando ainda se encontrava de pé…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro resquício da antiga igreja que se conservou é a Capilla del Oidor (Capela do Ouvidor), cuja construção foi ordenada por Pedro Díaz de Toledo, que ocupava o cargo de Oidor do rei Juan II de Castilla, como panteão familiar.  Como Oidor se denominavam os juízes membros dos tribunais castelhanos, que tinham como obrigação ouvir as partes num processo judicial. Atualmente é utilizada como sala de exposição. Na Paroquia de Santa María foi batizado Miguel de Cervantes em 1547, e atualmente podemos ver a Pia Batismal onde a cerimônia foi realizada, além do belo espaço decorado no estilo mudéjar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Praça de Cervantes recebeu seu nome atual no século XIX, período em que foi embelezada com uma estátua em homenagem ao grande escritor nascido na cidade, inaugurada em 1879 e esculpida pelo italiano Pedro Nicoli. Está situada sob um pedestal em que aparecem cenas da grande novela de Cervantes, El Ingenioso Hidalgo Don Quijote de La Mancha, feitas pelo artista Pepe Noja. Em 2009 a estátua foi restaurada e se colocou uma pluma na mão do escritor…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo final do século XIX se construiu um belíssimo coreto, colocado no centro da praça…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAinda hoje a Praça de Cervantes continua sendo palco para as festividades da cidade, como seu interessante mercado medieval, celebrado anualmente, com a tradicional exibição de aves de rapina e brinquedos para a criançada…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo outro extremo, a Praça de Cervantes desemboca na Calle Mayor, lugar de visita obrigatória num passeio pela cidade. Mas este é um local que veremos no próximo post…

Mudéjar em Calatayud – Parte 2

Dando continuidade a matéria sobre o estilo mudéjar em Calatayud, hoje veremos a principal igreja da cidade, a Colegiata de Santa María la Mayor. Este templo foi incluído, junto com a Paróquia de San Andrés, na lista dos monumentos mudéjares da Comunidade de Aragón declarados Patrimônio da Humanidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Colegiata de Santa María está documentada desde o séc. XII. Foi edificada sobre a mesquita maior de Calatayud. Depois da reconquista da cidade, a mesquita foi consagrada como templo católico, sob a advocaçao da Virgem Maria, em 1249. Porém, desta igreja primitiva não se conserva nada. O templo atual substituiu o anterior, construído em diversas épocas. Do estilo mudéjar, se conservam a torre, o ábside e o claustro. A torre da colegiata é o principal elemento identificativo de Calatayud. Com 70m de altura, é considerada a torre mais alta de Aragón, sendo levantada entre os séc. XIV e XV.

20150813_100522OLYMPUS DIGITAL CAMERADe notável beleza é a fachada, realizada a modo de retábulo, dentro da estética renascentista. Este conjunto arquitetônico-escultórico é considerado um dos melhores e mais preservados conjuntos platerescos de toda a comunidade (estilo renascentista espanhol caracterizado pela grande ornamentação).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta impressionante porta foi esculpida em 1528 por Juan de Talavera e o francês Esteban de Obray. Aberta num arco de meio ponto, sua rica iconografia está decorada por cabeças de querubins, personagens grotescos, motivos florais, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA cena principal está formada, em sua parte superior, por um relevo que representa  a Pentecostes. Embaixo, vemos a Anunciação da Virgem, franqueada por anjos. Nas laterais, aparecem as figuras de São Pedro (com a Bíblia) e São Paulo (com a espada).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACompletando a cena, na parte lateral inferior foram representados 3 santos de cada lado. Abaixo, vemos a São Prudêncio, São Roque e Santa Lúcia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior da igreja é barroco, mas atualmente não pode ser visitado devido as obras de restauração que estão sendo feitas. A Colegiata de Santa María foi declarada Monumento Nacional em 1984. Outro templo de importância em Calatayud que preserva elementos mudéjares é a Igreja de San Pedro de los Francos. Foi construída logo após a reconquista como paróquia para os francos que chegaram para repovoar a cidade. Como nas demais igrejas, o mudéjar, neste caso de maior simplicidade, também se conserva na torre.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta igreja possui uma grande importância histórica, pois nela se celebraram as cortes em 1461, quando foi proclamado o Príncipe Fernando, depois chamado de ·”El Católico“, como herdeiro do monarca Juan II. Construída no séc. XIV, a torre sofreu, ao longo dos séculos, uma incrível inclinação. Por isso, em 1840 demoliram a parte onde se situava os sinos, com a justificativa de proteger a segurança da família real que se encontrava hospedada justo em frente da igreja, no denominado Palácio do Barão de Wassage, herói da Guerra da Independência. A fachada da igreja é gótica , de grande simplicidade. Sua localização, numa rua estreita, dificulta a obtenção de imagens gerais, que ofereçam um panorama completo de sua estrutura.

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Cartuja de Miraflores – Parte 2

Continuando a visita pela Cartuja de Miraflores, no post de hoje veremos seus lugares mais conhecidos e as obras mais destacadas do monastério. Na igreja, papel fundamental teve o artista Gil de Siloé, que realizou o maravilhoso Retábulo Maior entre 1496 e 1499.

20150726_133649OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cena principal corresponde à Crucificação de Cristo, como podemos ver acima e abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm frente ao retábulo e ocupando boa parte do presbitério, vemos o soberbo Sepulcro de Juan II e Isabel de Portugal, os pais de Isabel La Católica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste sepulcro é considerado uma das obras funerárias mais impressionantes da arte europeia. Também foi realizado por Gil de Siloé, entre 1489 e 1493.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPossui uma planta com forma de estrela de 8 pontas e foi feito em alabastro. O rei aparece com um cetro, símbolo do poder monárquico e a rainha, um livro de horas. Além do mais, foram representados em seu riquíssimo conjunto de esculturas personagens do Antigo Testamento, figuras de profetas, a imagem da Virgem com o Menino Jesus e os escudos reais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado do sepulcro, foi colocada uma imagem do mesmo vista de cima, para que possamos ter uma ideia de sua beleza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte lateral do presbitério, situa-se o Sepulcro do Infante D. Alonso (filho de Juan II e Isabel de Portugal), igualmente esculpido por Gil de Siloé.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste espaço da Cartuja de Miraflores nos mostra a elegância e sofisticação alcançadas na última fase da Arte Gótica em Burgos. De fato, trata-se de um dos mais notáveis conjuntos da Escultura Gótica de todo o continente. Em seguida, passamos para a Capela da Virgem de Miraflores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta capela nos surpreende por estar totalmente decorada com pinturas murais barrocas do séc. XVIII, tanto no teto, quanto nos muros. Representam cenas marianas, inspiradas no livro Flores de Miraflores, escrito pelo cartujo burgalês Fray Nicolás de la Iglesia.

20150726_135737OLYMPUS DIGITAL CAMERAO monastério acolhe alguns dos quadros mais importantes da Arte Espanhola, como a Anunciação de Pedro Berruguete (1450/1503). O pintor foi um dos primeiros em refletir o Renascimento Italiano em suas obras no país. Este quadro foi por ele pintado em 1500.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Cartuja de Miraflores está sob a advocaçao da Anunciação da Virgem. Esta cena do Evangelho de São Lucas foi frequentemente representada pelos pintores castelhanos, influenciados pela Pintura Flamenca. Berruguete consegue um excelente ponto de vista da perspectiva, graças a utilização de formas arquitetônicas e da luz. O rosto da Virgem foi realizado com extrema delicadeza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConsiderada uma obra prima de Pedro de Berruguete, seu virtuosismo se manifesta nas roupas do Arcanjo Gabriel e na jarra de vidro com 3 lírios, uma homenagem a pureza da Virgem Maria. O quadro incorpora as formas góticas dentro de um âmbito espacial tipicamente renascentista.

Cartuja de Miraflores – Burgos

A Ordem dos Cartuxos é considerada uma das mais austeras de todas as ordens religiosas criadas na Idade Média. Durante toda sua existência, professou o voto de pobreza como nenhuma outra, não caindo na ostentação e no luxo de suas instituições. Foi fundada em 1084 por São Bruno (1030/1101), um monge alemão que mudou-se para a França, onde se fundou o primeiro monastério da ordem, situado na Provença, em 1147. Os monges cartuxos são, na realidade, eremitas que vivem em comunidade e suas vidas estão regidas pelos princípios da contemplação e oração. Abaixo, vemos uma estátua de São Bruno, realizada pelo escultor Manuel Pereira em 1652. Apesar de ter nascido no Porto (1588), em Portugal, viveu a maior parte de sua vida em Madrid, onde faleceu em 1667.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa Espanha, um dos principais conventos da ordem situa-se a 7 km da cidade de Burgos, a conhecida Cartuja de Miraflores. Para conhecer sua história, é necessário voltar ao ano 1401, quando o rei Enrique III decidiu construir um palácio de recreio. Depois, o monarca manifestou o desejo de transformá-lo num convento franciscano. Recebeu o nome de Miraflores, o nome tradicional de pagamento na época. Com sua morte, seu filho Juan II realizou o sonho do pai em parte, pois embora transformasse o palácio numa instituição religiosa em 1441, decidiu que seria governada pelos cartuxos.

20150726_141000Quando as obras começaram, um incêndio destruiu todo o conjunto em 1452. Dois anos depois foi reconstruído pelo arquiteto Juan de Colonia. Com a morte deste monarca, as obras foram retomadas somente durante o reinado de sua filha, a rainha Isabel La Católica. Esse fato sucedeu quando Isabel foi visitar o sepulcro de seu pai, que se encontra no interior do convento, e encontrou o local num estado deplorável. Para reformá-lo, contratou a Simon de Colonia, filho do arquiteto acima mencionado. Em 1488, as obras foram finalizadas.

20150726_141055A invasão napoleônica no início do séc. XIX resultou na perda de importantes peças artísticas, como o retábulo pintado por Juan de Flandes no final do séc. XV. No entanto, se conserva uma cópia do famoso retrato que o pintor realizou de Isabel la Católica, personagem que tanto se empenhou em terminar as obras da igreja, bem como o excepcional sepulcro de seus pais. O artista retrata a rainha em sua idade madura, sem qualquer tipo de idealização. O original se encontra no Palácio de El Pardo, em Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém no séc. XIX, a Desamortização de Mendizábal de 1836 fez com que a comunidade de religiosos abandonasse a Cartuja de Miraflores, retornando ao lugar somente em 1880. O interior nos mostra as características principais dos conventos da ordem, um claustro em torno dos quais são colocadas as celas dos monges, e a igreja, formada por apenas uma nave. Abaixo, vemos a fachada principal do templo, com o escudo de Juan II sustentado por dois leões. No tímpano, vemos uma expressiva imagem da Piedade, rematado com uma estrutura que acolhe as armas da Rainha Isabel La Católica, na parte superior da fachada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja se divide nos clássicos espaços das cartujas, dedicadas aos irmãos conversos e aos padres. Para entra ao coro dos padres, é necessário passar por uma estrutura de separação, constituída por dois retábulos barrocos do séc. XVII, que representam a Adoração dos Magos e a Sagrada Família.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro, uma porta rematada pela escultura da Imaculada com dois anjos, realizada pelo artista barroco Bernardo de Elcarreta. Na parte inferior, vemos a inscrição Felix Coeli Porta, cuja tradução significa Feliz Porta do Céu, uma frase utilizada no hino a Virgem Maria “Ave Maris Stella“.

20150726_133635A seguir, vemos o coro dos padres, uma excepcional obra de carpintaria realizada em madeira de nogal em 1498.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos alguns detalhes da igreja, como a bôveda e um dos vitrais que a decoram.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post veremos a segunda parte da matéria sobre a Cartuja de Miraflores, não percam…

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Palácio Real de Madrid – Parte 2

O Palácio Real de Madrid já foi tema de um post publicado em 5/10/2012. No entanto, este que é um dos principais monumentos da cidade, por ter sido a residência oficial dos Reis da Espanha, necessita de algumas informações complementares, que não foram abordadas na publicação inicial.  Foi dito que o atual Palácio Real foi construído no mesmo local do antigo Alcázar, que foi destruído sem misericórdia por um incêndio em 1734, durante o reinado do primeiro rei da Dinastia Burbônica do país, Felipe V. O Alcázar transformou-se na residência real depois que a cidade foi reconquistada em 1086, ocupando o local da antiga fortaleza árabe. Não se sabe ao  certo o início de sua construção, e o primeiro documento que a ele se faz referência data das reformas realizadas durante o reinado de Pedro I, a mediados do séc. XIV. A partir de Juan II, o Alcázar passou a ser a residência preferida dos reis da Dinastia dos Trastámaras. O edifício passou  a seu um palácio com as reformas e ampliações realizadas pelo rei Carlos I, que encarregou os arquitetos Luis de Vega e Alonso de Covarrubias para as obras. Com a chegada da corte em 1561 durante o reinado de Felipe II, o Alcázar se converteu na primeira residência real permanente do país. Não existem gravados nem planos do Alcázar anterior às reformas realizadas a partir do séc. XVI. Porém, abaixo vemos uma imagem do aspecto que possuía o Alcázar na primeira metade do séc. XVII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFelipe II prosseguiu com as reformas, acrescentando um novo pátio chamado Pátio de la Reina (Pátio da Rainha), já que o antigo Alcázar possuía apenas um. Dessa forma, a construção ficou dividida em duas: a ala oeste para o rei e a leste para a rainha. A seguir, vemos uma maquete do Alcázar, que mostra também o seu aspecto no séc. XVII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAmpliações e novas remodelações foram realizadas pelos demais reis da Dinastia dos Habsburgos. O incêndio que destruiu o Alcázar durou 3 dias, e lamentavelmente muitas obras de arte que o decoravam foram perdidas. O monarca Felipe V não gostava do antigo Alcázar (apesar de repleto de obras de arte, não possuía o mesmo conforto do Palácio de Versalhes, local onde viveu o rei ante de chegar ao trono espanhol), e este fato levantou suspeitas com respeito ao seu suposto vínculo com o incêndio. Atualmente, esta suposição parece infundada. Felipe V ordenou a construção do novo palácio ao melhor arquiteto da época, o italiano Filippo Juvara, que realizou um projeto de dimensões gigantescas que não contou com a aprovação real, já que Felipe V desejava que o novo palácio fosse construído no mesmo local que o alcázar destruído pelo fogo. Juvara, que chegou em Madrid em 1735, veio a falecer no ano seguinte. Felipe V contrata, então, seu discípulo Juan Bautista Sachetti, que modifica o projeto de seu mestre, adaptando-o ao gosto do monarca e à sua atual localização. Abaixo, vemos a fachada principal (sul), que dá de frente para a Catedral de Almudena.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA primeira pedra foi colocada em 1738 , e o Palácio Real finalizou-se em 1764 durante o reinado de Carlos III, que tornou-se o primeiro rei em habitá-lo. Abaixo, vemos a estátua do rei colocada logo na entrada do palácio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos um busto do rei que ordenou sua construção, Felipe V.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Palácio Real de Madrid possui uma planta quase quadrada, com 120m de comprimento e 28 de altura. Possui três níveis principais e dois subterrâneos, e se distribui em torno a um grande pátio. A fachada oeste oferece estupendas vistas do Campo del Moro e suas belas fontes…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA fachada norte tem como referência outra das áreas verdes que o circundam, os Jardins de Sabatini.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalmente, a fachada leste dá para a Praça do Oriente e o Teatro Real, de onde foi tirada a foto abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA construção combina o cinza do granito com o branco da pedra calcárea de Colmenar. Na sequência, vemos uma imagem do Palácio Real de Madrid visto desde as margens do Rio Manzanares.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, veremos a impressionante escada principal do palácio, que permite o acesso às dependências visitáveis do mesmo…

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Monastério de San Antonio El Real – Segovia

Outro lugar que tive a oportunidade de visitar em minhas viagens a Segovia foi o Monastério de San Antonio El Real, um local realmente surpreendente.Como já foi dito em outra ocasião, o séc. XV representou uma época de prosperidade para Segovia, cujo esplendor podemos observar neste monastério.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta instituição religiosa foi fundada em 1455 pelo rei Enrique IV, que manteve uma estreita ligação com a cidade de Segovia desde que nela passou a viver, sendo um de seus lugares favoritos, junto com Madrid. Em 1440, Juan II cedeu o senhorio de Segovia a seu filho Enrique IV, que contribuiu com várias obras para a cidade. O monastério foi construído numa zona de recreio que o rei possuía fora do recinto amuralhado da cidade, chamado El Campillo. O local foi cedido à Ordem dos Franciscanos para a construção de um convento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO documento fundacional de 1455 parece indicar a existência de uma construção prévia ao monastério, provavelmente a conhecida Casa do Príncipe, mandada construir por Juan II para seu filho. Com a construção do monastério, esta edificação passou a funcionar como enfermaria. Abaixo, vemos a porta principal do convento, atribuída aos arquitetos Juan Guas e Enrique Egas, onde podemos apreciar dois escudos de armas de Enrique IV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1488, Isabel la Católica, irmã de Enrique IV, cedeu o conjunto à Ordem das Clarissas, que realizou várias reformas para adaptar o espaço às suas necessidades conventuais. Uma outra porta foi erguida no séc. XVIII, e nela estão representados Enrique IV junto a San Antonio de Pádua e sua irmã Isabel, com Santa Clara. Ambos monarcas aparecem em atitude orante.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO estado de conservação do monastério é excelente, e podemos conhecê-lo da mesma forma em que foi concebido originalmente. A seguir vemos o Claustro dos Franciscanos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo final do séc. XV, se construiu um monastério independente, organizado em torno a outro claustro, que dividia com o Monastério das Clarissas a Capela Maior. No entanto, esta parte do conjunto foi abandonada e transformada num armazém, e em 2007 se converteu numa hospedaria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja do Monastério de San Antonio possui um aspecto sóbrio, em contraste com a Capela Maior, ricamente decorada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Retábulo Maior  foi  realizado em 1730, em madeira dourada. Um dos grandes tesouros do monastério é a grande quantidade de tetos decorados com artesanato mudéjar. Um deles decora Capela Maior, bem em cima do retábulo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO artesanato mudéjar está composto por estrelas de 5 e 10 pontas e policromado em azul, vermelho e ouro. Sua conotação simbólica está relacionado com a vitória do rei Enrique IV sobre os muçulmanos na Batalha de Jimena, além de ser também uma representação celestial. Na nave encontramos uma obra de arte excepcional, o Retábulo da Paixão. Realizado por um artista flamenco no séc. XV em madeira talhada e policromada, consta de 135 figuras que se caracterizam pela expressividade e individualização dos gestos e rostos, dotando o conjunto de um grande caráter teatral. Este retábulo foi inspirado nas obras dos geniais artistas flamencos Jan Van Eyck e Roger Van Der Weiden. Uma estrutura de vidro o protege e as fotos não saíram boas. mesmo assim, vale a pena reproduzi-las aqui, para que tenham uma ideia de sua beleza.

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