Mercados de Santander

Um dos referentes comerciais, culturais e gastronômicos de Santander constituem seus  tradicionais mercados, alguns dos quais de grande importância não só na cidade, como também na Espanha. Dois dos mais conhecidos situam-se no centro, como o Mercado de la Esperanza, localizado atrás da Casa Consistorial.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi projetado pelos arquitetos Eduardo Reynals e Juan Moya em 1897, mas inaugurado somente em 1904. Está considerado como um dos melhores exemplos da denominado Arquitetura de Ferro existentes no país, que se desenvolveu no final do século XIX e que repercutiu principalmente nas estações ferroviárias e também nos mercados municipais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste mercado continua exercendo suas atividades como tal (muitos outros mercados antigos se converteram em centros gastronômicos ) principalmente em relação à venda de pescados e mariscos. O Mercado de la Esperanza foi declarado Monumento Histórico-Artístico em 1977 por sua importância histórica e arquitetônica. Abaixo vemos o Escudo de Santander na parte superior do mercado…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Mercado del Este é outro dos mercados famosos da cidade. Foi construído por Antonio Zabaleta em 1840, e hoje é considerado como uma das primeiras galerias construídas na Espanha para uso exclusivamente comercial.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Sua estrutura foi concebida segundo os critérios de ventilação e iluminação, bastante avançados para a época.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma pena que o mercado foi reformado no ano 2000, uma intervenção que causou polêmica, pois conservou poucos elementos originais. Atualmente, o Mercado del Este é um centro comercial, com sala de exposições, lojas que vendem quadros e inclusive uma Oficina de Turismo. Alberga também o Museu de Pré-História e Arqueologia da Cantábria. Na fachada vemos um painel publicitário antigo que foi preservado, convidando os habitantes da cidade a realizarem excursões de navio ao continente americano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo principal restaurante do mercado também podemos observar fotos e quadros curiosos relacionados à vida marítima e a atividade comercial ligada ao Porto de Santander.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERATive a oportunidade de comer duas vezes no restaurante, com uma excelente relação preço-qualidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMais afastado do centro e próximo à Praça de Touros de Santander se encontra o Mercado de México, que possui este nome devido à proximidade com a Praça do México. O mercado foi inaugurado em 1985, no mesmo local onde antes se erguia o matadouro da cidade, e continua exercendo sua atividade principal como local de abastecimento de alimentos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm minhas caminhadas pela cidade constantemente realizava o trajeto do Caminho do Norte, do qual a cidade faz parte…

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Neomudéjar em Madrid

O Neomudéjar é um estilo arquitetônico e artístico que se desenvolveu na Península Ibérica ao final do séc. XIX e começo do séc. XX, dentro do contexto da Arquitetura Historicista em voga naquela época, cuja finalidade era a recuperaçao das antigas correntes artísticas nacionais européias. Na Espanha, foi reivindicado como uma espécie de estilo nacional, por ter sido baseado num estilo exclusivamente hispânico, o Mudéjar. Na capital espanhola, sao abundantes as construçoes neomudéjares, sejam igrejas, colégios, etc. A Arquitetura Industrial também incorporou seus elementos, como vemos no Matadouro de Madrid, cujo post foi publicado em 27/9/2013.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA construçao que inaugurou o estilo foi a Antiga Praça de Touros de Madrid, finalizada em 1874, e derrubada para a construçao da atual e imponente Praça de Touros de Las Ventas (post publicado em 21/5/2012).

DSC07969DSC07970Esta histórica Praça de Touros serviu de modelo para as demais, inclusive para a atual, que vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Neomudéjar é o único dos estilos históricos europeus que está associado e inspirado na utilizaçao de um material construtivo que o identifica, o tijolo. No entanto, nem todos os edifícios construídos com o tijolo sao neomudéjares, apenas aqueles que combinam este material e cuja construçao está inspirada na arquitetura mudéjar, caracterizada pelo emprego de elementos da tradiçao islâmica. Um exemplo é a antiga Escola Aguirre, atual Centro Cultural Casa Árabe (post publicado em 3/7/2013).

OLYMPUS DIGITAL CAMERATanto a antiga Praça de Touros, quanto a Casa Árabe, foram projetados por Emilio Rodríguez Ayso, o arquiteto configurador do estilo neomudéjar. Esta corrente artística se converteu numa senha de identidade para os novos bairros que apareceram em Madrid no final do séc. XIX, com numerosos edifícios públicos e residenciais feitos ” a maneira mudéjar”. Num primeiro momento, nao foi incorporado ao âmbito religioso, devido aos demais estilos históricos como o neogótico e o neoromânico, ambos considerados estritamente cristaos, sem conotaçoes muçulmanas. Apesar disso, atualmente sobrevivem várias igrejas, algumas das quais de maior importância na capital, que foram erguidas exclusiva ou predominantemente, no Estilo Neomudéjar. Em breve, conheceremos algumas delas. Outro monumento em que o neomudéjar é visível é o Seminário Conciliar de Madrid, cuja construçao impressiona pelo seu tamanho.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA origem do Seminário Conciliar se relaciona com a criaçao da própria Diocece de Madrid em 1885, quando o Papa León XIII tornou independente a Província de Madrid da toda poderosa Arquidiocese de Toledo. Em 1891, com o projeto do arquiteto diocesano Francisco de Cubas, iniciou-se a construçao de um edifício destinado a formaçao de sacerdotes. Inicialmente, o local escolhido foi a Calle de Eduardo Dato, mas logo depois que as obras começaram, decidiu-se que o novo seminário seria levantado em “Las Vistillas”, num terreno ocupado pelo antigo Palácio do Duque de Osuna, derrubado em 1900.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs obras iniciaram em 1902 segundo o projeto dos arquitetos Miguel de Olabarría e Ricardo García Guereta, que modificaram o anterior projeto de Francisco de Cubas. Juan Moya substituiu Miguel de Olabarría, quando este falece em 1904. O Seminário Conciliar foi inaugurado dois anos depois.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO edifício, de uma forma geral, responde aos ditames da Arquitetura Eclética, com elementos do gótico, românico, da Arquitetura Herreriana (de Juan de Herrera, construtor do Monastério do Escorial) e também do mudéjar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de seminário, o edifício é a sede da Faculdade de Literatura Crista e Clássica da Universidade Eclesiástica de San Dámaso. Quando lá estive, um amável funcionário me permitiu que visitasse o edifício, e pude tirar fotos de sua monumental escada e da capela.

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Igreja de San José – Madrid

Situada na Calle Alcalá, próxiao à intersecçao desta com a Gran Vía, a Igreja de San José constitui um dos maiores tesouros barrocos de Madrid. O templo foi levantado sobre o antigo Convento de San Hermenegildo, pertencente à Ordem das Carmelitas Descalças. Dito convento foi concluído em 1605 e no séc. XVIII foi derrubado. A construçao atual iniciou-se em 1730 e finalizou-se doze anos depois, obra prima do arquiteto Pedro de Ribera, durante o reinado de Felipe V de Bourbon. Abaixo, vemos a fachada e sua ornamentada decoraçao.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Ordem das Carmelitas foi fundada no séc. XII por Sao Simao Stock na Palestina, apesar que suas origens míticas remontam ao profeta Elias. Santa Tereza de Jesus e San Juan de la Cruz, ambos espanhóis, reformaram a ordem, reconduzindo a vida conventual ao acetismo e à meditaçao. Por sua vez, a Paróquia de San José foi fundada em 1754 pelo XI Duque de Frías. Inicialmente, a igreja situava-se no palácio do mencionado duque. Com a Desamortizaçao de Mendizábal em 1836, se extingue todas as ordens de frades, e o antigo convento foi derrubado, permanecendo  somente a igreja, convertida  na Paróquia de San José. No local  do convento demolido, construiu-se o Teatro Apolo, lugar de estréia de famosas zarzuelas. Lamentavelmente, também foi derrubado em 1873. Na sequência, vemos outra foto da fachada da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro da fachada, vemos uma imagem de N.Sra do Carmen, realizada pelo escultor Roberto Michel no séc. XVIII (artista que também colaborou na decoraçao da Fonte de Cibeles).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1912, época em que a Gran Vía estava no início de sua construçao, o arquiteto Juan Moya reformou completamente a fachada, ampliando as partes laterais para igualar sua altura com os edifícios colidantes. Abaixo, vemos uma antiga foto da igreja de 1900, e se percebe as partes laterais originais, com uma altura mais baixa.

DSC07984Do lado direito da igreja, vemos a antiga casa do cura, onde o rei Alfonso XIII “cravou a piqueta”, um gesto simbolico que deu início à construçao da Gran Vía em 1910. Outras imagens decoravam a fachada, como as de San José e San Hermenegildo. Atualmente, ambas encontram-se no átrio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma foto do teto do átrio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERARecentemente, numa visita ao interior da igreja, um simpático e solícito senhor se aproximou de mim, e vendo meu interesse sobre o templo, me explicou com detalhes as muitas obras de arte existentes na igreja. Levou-me também a um local normalmente de acesso restrito, a Sacristia, cuja beleza divido com vocês.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa foto que segue, vemos o teto decorado da Sacristia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo recinto, admiramos belas imagens, como esta, representando a N.Sra do Rosário, executada por Ricardo Bellver. Este escultor tornou-se famoso pela escultura do Anjo Caído, que encontramos no Parque do Retiro. Meu companheiro recordou que o artista, depois de realizar a controvertida obra, passou a representar virgens…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo redor da nave central, encontramos duas naves laterais, que acolhem numerosas capelas, como vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, conheceremos com mais detalhes o interior da Igreja de San José…