Obras Fundamentais do Modernismo em Madrid

Como conclusao desta matéria sobre o Modernismo em Madrid, reservei alguns posts enaltecendo as construçoes existentes na capital que contribuíram de forma significativa no desenvolvimento deste estilo artístico. Na matéria de hoje, veremos duas delas. A primeira é a denominada Colonia de la Prensa (Colônia da Imprensa, em português), considerado um dos melhores conjuntos modernistas da época, e construída entre 1911 e 1921 pelo arquiteto Felipe Mario López Blanco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta espécie de condominio fechado de princípio do séc. XX foi a primeira cooperativa residencial subvencionada pela Lei de Casas Baratas, instituída em 1911, sendo construída  por iniciativa de uma associaçao de jornalistas que adquiriram uns terrenos no antigo município de Carabanchel, atualmente um bairro de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFelipe López Blanco trabalhou quase que exclusivamente na colônia até sua morte em 1921. Dentro do espaço diversos detalhes modernistas adornam nao só as casas construídas, como também a portaria principal, cujas fotos vemos acima. Mençao à parte merecem os painéis de azulejos do famoso ceramista Juan Ruiz de Luna, de Talavera de la Reina (para maiores informaçoes sobra este tipo de cerâmica e a cidade onde se desenvolveu, ver os posts publicados entre 30/9/2013 e 1/10/2013). Um discípulo seu, Julián Montemayor, realizou as cerâmicas da portaria principal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs casas da colônia combinam diveras tendências artísticas, desde o naturalismo da Art Noveau até o geometrismo do Modernismo Vienense, passando por detalhes do Modernismo Catalao e da Arquitetura Regionalista. Uma lástima que grande parte das construçoes perderam seu aspecto original, e apenas alguns detalhes recordam sua decoraçao do início do séc. XX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das maiores contribuiçoes da arquitetura madrilenha para a História do Modernismo foi a construçao da denominada Necrópolis del Este (Necrópole do Leste, em português), um recinto que integra o Cemitério de Nossa Senhora de Almudena.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Necrópolis del Este foi considerada um dos melhores recintos funerários da Europa na época de sua construçao. Realizado pelo arquiteto Francisco García Nava entre 1905 e 1927, sob um antigo projeto de Fernando Arbós e José Urioste, ganhadores de um concurso para a construçao do cemitério em 1877. Francisco Garcia modificou o projeto anrterior, promovendo uma síntese inovadora, combinando aspectos do Modernismo Vienense, do Modernismo Catalao, além de detalhes autóctonos como lembrança à arquitetura local (neomudejarismo) e um simbolismo decorativo como recurso para caracterizar o espaço funerário.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO grande e monumental pórtico de entrada está composto por um conjunto de arcos levemente curvado em seus extremos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA maravilhosa capela é considerada uma verdadeira obra prima do Modernismo em Madrid

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua esbelta torre recorda alguns trabalhos do genial arquiteto catalao Antoni Gaudí.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Cemitério de N.Sra de Almudena é o maior de Madrid, e um dos maiores de toda a Europa Ocidental. O número de pessoas que nele receberam sepultura, cerca de 5 milhoes, é superior  à populaçao atual da capital espanhola. O recinto funerário recebeu o nome da Virgem de Almudena, padroeira da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo cemitério estao enterrados uma grande quantidade de personalidades ilustres que viveram na Espanha, além de outros notórios espanhóis destacados de sua cultura, como por exemplo:

Fernando Rey (1917/1994) – Ator, um dos mais importantes do Cinema Espanhol.

Santiago Ramón y Cajal (1852/1934) – Cientista Espanhol e Prêmio Nobel de Medicina. Um resumo de sua vida e sua importância na ciência foram abordados no post a ele dedicado, em 7/4/2014.

Benito Pérez Galdós (1843/1920) – Escritor Espanhol, que retratou em muitas de suas novelas a vida dos madrilenhos e a história de sua cidade.

Alfredo Di Stéfano (1926/2014) – Jogador de futebol argentino, durante a década de 50 e 60 transformou-se num dos maiores jogadores da história do Real Madrid, e um dos melhores de toda a história do futebol mundial. Recentemente falecido, ocupava o cargo de Presidente de Honra do clube madrilenho.

Museu de Cerâmica – Talavera de la Reina

Neste último post sobre Talavera de la Reina, conheceremos uma das maiores atrações turísticas da cidade, o Museu de Cerâmica Juan Ruiz de Luna, imprescindível para conhecer a evolução tipológica e artística da cerâmica talaverana. O museu situa-se num antigo Convento dos Agostinhos, construído no séc. XVII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO acervo incomparável deste centro cultural reúne peças dos séc. XV ao XX. A época de ouro de sua fabricação  compreendeu o séc. XVII, e a própria obra de Juan Ruiz de Luna, criador do museu, tinha como objetivo recuperar a antiga glória da cerâmica de Talavera de la Reina.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO museu esteve inicialmente sediado na antiga fábrica de Juan Ruiz, localizada na Plaza del Pan. Em 1997, foi levado e habilitado ao seu local atual. Ao longo dos 5 séculos de tradição, a variedade e riqueza de sua tipologia gerou a necessidade de classificá-la em séries, a fim de  facilitar seu estudo e catalogação.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADe origem muçulmana, a cerâmica de Talavera adquire status de produção industrial a partir do séc. XVI, sendo citada por Cervantes, Lope de Vega e Tirso de Molina, e representada em boa parte da Pintura Barroca Espanhola.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANas séries mais antigas, se percebem uma clara influência mudéjar. Ao final do séc. XVI, a essa característica inicial incorporam-se os elementos do Renascimento Italiano. A partir do século seguinte, as correntes orientais e o Barroco assumem o protagonismo das cenas representadas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a chegada do ceramista Jan Floris, procedente de Flandres, a cerâmica de Talavera adquire os métodos tradicionais utilizados na famosa cerâmica de Delft, cidade holandesa. Devido à grande quantidade de peças, foi necessária a ampliação do museu. O espaço escolhido foi o Convento de San Agustin El Viejo, a obra mais representativa do Barroco de Tijolo da cidade. Construído pelo frade Lorenzo de San Nicolás, está localizado ao lado do museu original.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo séc. XIX, com a destruição de várias fábricas pelo exército francês, entre 1810 e 1812, e a concorrência com a cerâmica sevilhana, iniciou-se um período de decadência.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA partir de 1908, Ruiz de Luna recupera a velha tradição renascentista e barroca, com um novo selo de qualidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo longo da história, a cerâmica tornou-se o motivo principal da fama  conquistada pela cidade. O rei Felipe II, por ex., incluiu várias peças para a decoração do Monastério do Escorial, que possui uma invejável coleção de cerâmica de Talavera, realizadas ao redor do ano 1500.

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Talavera de la Reina – Segunda Parte

O significado do nome “Talavera de la Reina” possui duas explicações: “Talavera” está relacionado à sua posição geográfica, enquanto “de la Reina”  alude ao ano 1328, quando o rei Alfonso XI de Castilla se casa com sua prima Maria de Portugal, e lhe concede, de presente, a cidade. Durante os séc. XV/XVI, a localidade alcançou grande fama, graças a prestigiosa fabricação da conhecida cerâmica talaverana. Nesta época, alguns de seus filhos mais ilustres participaram ativamente na conquista do continente americano, como Francisco de Aguirre e Juan de Orellana. O século XVI corresponde ao período áureo de Talavera de la Reina. Em muitos de seus principais monumentos encontramos, como elemento decorativo, sua famosa cerâmica. Tal é o caso do Centro de Artesanato, localizado no antigo mercado, construído sobre uma antiga igreja jesuíta.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO centro administrativo e político está concentrado na denominada Plaza del Pan, cujos bancos também estão adornados com cerâmica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém conhecida como Praça de Santa Maria, antigamente nela se situava a Calahorra, uma oficina municipal de venda de pão, colocada durante os tempos de carência. A Plaza del Pan sofreu modificações desde o séc. XVI, e até hoje funciona como a Praça Maior da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANela encontra-se o principal monumento religioso da cidade, a Colegiata de Santa Maria la Mayor.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe estilo gótico-mudéjar, sua existência está documentada desde o séc. XII, embora seu aspecto atual se deve às reformas realizadas entre os séc. XIV e XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa fachada, seu maior destaque é o rosetón gótico-flamígero, fabricado com técnicas mudéjares no séc. XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA torre foi finalizada no princípio do séc. XVIII, quando foram colocados os dois níveis superiores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInfelizmente, não pude conhecer o interior, pois o templo estava fechado, e admirar seu claustro gótico, que acolhe o sepulcro de Fernando de Rojas, célebre autor de um marco da Literatura Espanhola, “La Celestina”. A tradição pecuarista da cidade pode ser comprovada com um monumento localizado junto ao Ponte Romano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, uma placa comemorativa explica o significado do monumento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Já na época Moderna, cabe dizer que Talavera de la Reina foi uma das primeiras cidades espanholas em contar com uma Estação ferroviária. Plenamente modernista é o Teatro Victoria, construído em 1912 sobre um antigo Corral de Comédias do séc. XVII, e que foi derrubado em 1892.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO edifício está decorado com a tradicional cerâmica de Juan Ruiz de Luna, um dos principais nomes da cerâmica talaverana, cujo museu em breve veremos no blog. Estão representados retratos de vários autores e nomes de conhecidas obras de Zarzuela, bem como alegorias do teatro e da música.

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