Museu Lázaro Galdiano – Artes Decorativas

O Museu Lázaro Galdiano conta com uma incrível coleção de objetos decorativos, feitos dos mais variados materiais e de diversas procedências. Reflete o gosto pessoal artístico de Lázaro Galdiano, que foi capaz de organizar uma das melhores coleções de peças decorativas do país. Neste post, que encerra a matéria sobre este imprescindível museu, veremos alguns destes objetos. Abaixo, uma linda taça do séc. XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAExiste uma sala do museu dedicada a exposição de diversas armas adquiridas por Lázaro Galdiano

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm poço de água da época muçulmana na Espanha

OLYMPUS DIGITAL CAMERAObjetos feitos de marfim, de grande refinamento e raridade nos museus espanhóis…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA coleção inclui excelentes mostras de cerâmica e vasos gregos…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAArquetas feitas de esmalte fabricadas em Limonge (França), considerada o grande centro produtor destes objetos desde a Idade Média…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADos objetos feitos de madeira, vemos este maravilhoso escritório de gabinete feito na Alemanha no séc. XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPeças de tecido também podem ser admiradas, incluindo exemplares chineses dos séculos XVI e XVII…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitas outras peças poderão ser contempladas neste museu, cuja visita recomendo sem vacilar. Como vimos, está situado na Calle Serrano em pleno Bairro de Salamanca, uma das zonas mais nobres de Madrid. A partir do próximo post, conheceremos a Comunidade Murciana, local onde estive recentemente visitando sua capital, Murcia, e a histórica cidade de Cartagena. Até lá…

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Museu Lázaro Galdiano – Pintura Espanhola (Parte 2)

Lázaro Galdiano formou uma pinacoteca que, além de seu enorme valor, servisse de referência para avaliar a importância artística da Espanha e de sua própria história. Como outros grandes colecionadores da época, mostrou especial predileção pelos retratos de homens e mulheres ilustres, cuja coleção presente no museu é representativa de vários períodos, como veremos a seguir. O pintor Alonso Sánchez Coelho (1531/1588), por exemplo, tornou-se famoso por sua capacidade como retratista. Pintor de câmara do rei Felipe II, suas obras enaltecem os detalhes e a penetração psicológica do personagem, como neste quadro de Ana de Áustria (1549/1580), quarta esposa do rei Felipe II.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta obra é considerada uma das mais refinadas da pintura cortesana do reinado de Felipe II. Do período barroco, destacam os retratos de Sebastián Herrera Barnuevo (Madrid-1619/1671). Além de pintor de câmara do rei Carlos II, foi também escultor e arquiteto. Realizou o retrato do monarca quando menino, que vemos abaixo. Carlos II (Madrid-1661/1700) passaria a posteridade com o apelido de “El Hechizado” (O Enfeitiçado) por seus problemas de saúde, baixa estatura e esterilidade. Filho e herdeiro de Felipe IV e Mariana de Äustria, morreu sem descendência, fato que provocou a Guerra da Sucessão Espanhola e a chegada da Dinastia dos Bourbones ao trono espanhol, com o rei Felipe V.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs monarcas e rainhas de Espanha foram representados não só por pintores espanhóis, mas também por artistas estrangeiros, como Ticiano, por exemplo. Considerado um dos precursores do neoclassicismo, Anton Raphael Mengs (1728/1779) foi um grande  pintor alemão, além de teórico da arte, tornando-se célebre pelos retratos que realizou da corte europeia. Foi convidado pelo rei Carlos III para residir em Madrid, e nomeado pintor real. Retratou o monarca nesta importante obra que vemos na sequência. Carlos III (Madrid-1716/1788) era filho de Felipe V e Isabel de Farnesio. Entre 1734 e 1759 tornou-se o Rei de Nápoles e Sicília. Em 1759 foi proclamado Rei de Espanha, cujo reinado caracterizou-se pelas amplas reformas urbanas realizadas na capital. Por este motivo, passou a ser conhecido como o Rei Alcalde, sendo considerado até hoje como um dos melhores administradores que a cidade já teve em sua história.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA estética neoclássica na Espanha foi enriquecida com a obra de Zacarías González Velázquez (Madrid-1763/1834). Formado pela Real Academia de Belas Artes de San Fernando em Madrid, tornou-se posteriormente diretor desta instituição fundamental na vida artística do país. Sua capacidade criativa pode ser apreciada no refinamento de suas obras, que pode ser vista no quadro em que representa a Manuela González Velázquez tocando o piano, um quadro de forte influência francesa pintado entre 1820 e 1821.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos artistas espanhóis mais admirados por Lázaro Galdiano foi Francisco de Goya. Adquiriu várias obras do pintor aragonês, cujo conjunto representa uma das maiores atrações do museu. Abaixo, o Enterro de Cristo, realizado entre 1771 e 1772.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO quadro La Era ou El Verano, de 1786…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo período compreendido entre 1797 e 1799, o Museu Lázaro Galdiano conta com várias obras do pintor, como esta Madalena Penitente, de grande influência impressionista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa imagem abaixo, vemos a Santa Isabel curando as chagas de um enferma (esquerda) e San Hermenegildo na prisão (direita).

OLYMPUS DIGITAL CAMERADuas das obras mais apreciadas do acervo pictórico do museu representam o mundo tenebroso de Goya, como o quadro El Conjuro o las Brujas

OLYMPUS DIGITAL CAMERAE o Aquelarre, nome pelo qual se conhece as reuniões de bruxas para a realização de rituais e feitiços.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA presença de artistas estrangeiros na coleção de Lázaro Galdiano ampliaria o conhecimento do povo espanhol em relação à arte que se desenvolvia no continente, contribuindo para sua educação cultural. No próximo post, veremos algumas das principais obras das escolas italiana, flamenca, alemã, etc, presentes no museu.

Museu Lázaro Galdiano – Pintura Espanhola

Um dos melhores motivos para se visitar o Museu Lázaro Galdiano é sua excelente pinacoteca. Formada tanto por artistas estrangeiros quanto espanhóis, nele estão representados alguns dos melhores pintores que a Espanha produziu. O acervo abarca desde a pintura gótica até o séc. XIX. Em sua atividade colecionista, Lázaro Galdiano tinha especial apreço pelas obras góticas e renascentistas. Com grande oportunismo, conseguiu adquirir quadros de grande qualidade por um bom preço. Os pintores góticos, denominados os Primitivos Espanhóis, na época eram pouco valorizados em seu próprio país. Lázaro Galdiano, ao comprar estes quadros, procurou que o público espanhol pudesse conhecer seu passado artístico e os artistas relacionados aos séc. XV e XVI, possibilitando uma nova visão de sua história cultural. Abaixo, vemos um quadro de Blasco de Grañén, pintado em 1439 com a representação da Virgem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1500, o chamado Mestre de Manzanillo realizou esta obra, em que aparecem os Reis Católicos junto com Santa Elena e Santa Bárbara.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO século XVI representou uma fase de transição para a Pintura Espanhola, quando os novos modelos e influências renascentistas, tanto de Itália, quanto de Flandes, propiciaram uma mudança estética em sua arte. O Renascimento Italiano ofereceu uma reflexão científica da imagem representada, enquanto a Arte Flamenca enfatizava uma visão mais naturalista, com predomínio dos valores expressivos e emocionais. Um dos primeiros representantes do Renascimento em Castilla é conhecido como o Mestre de Astorga. No museu podemos admirar duas de suas obras, em que representa o desembarque do corpo do Apóstolo Santiago e seu transporte a Santiago de Compostela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA riqueza e expansão marítima nos séculos XVI e XVII possibilitaram o florescimento das artes, dando início ao apogeu da cultura espanhola, momento em que surgiram os grande nomes de sua literatura e de sua produção pictórica, com nomes mundialmente famosos. O denominado Siglo de Oro (Século de Ouro) está muito bem representado no museu, com obras fundamentais para sua apreciação. El Greco, por exemplo, realizou este quadro de São Francisco de Assis (1577/1580), um dos muitos que pintou, com um perfeito desenho do rosto, belos efeitos de luz, refinado colorido e uma bela expressão do olhar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Seu filho Jorge Manuel realizou o quadro que vemos abaixo, em sua parte superior, entre 1609 e 1612.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom o advento do barroco no séc. XVII, a Pintura Espanhola rompe com o idealismo do período anterior, mostrando um acentuado realismo. Um dos pintores que melhor definem o Barroco Espanhol foi Bartolomé Esteban Murillo (Sevilha:1617/1652). Em suas obras, predomina a temática religiosa, mas também cultivou a pintura de gênero. Seu nome está associado aos quadros de Virgens que realizou, puras e delicadas. Sempre foi um artista mais conhecido e apreciado fora da Espanha. Dele é a representação de Santa Rosa de Lima, pintado em 1670.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFrancisco de Zurbarán (Fuente de Cantos-1598/Madrid-1664) é outro dos maiores expoentes da Pintura Barroca Espanhola. É considerado o máximo representante do denominado naturalismo tenebrista na Espanha, com grande influência do pintor italiano Caravaggio. Contemporâneo e grande amigo de Velázquez, destacou-se na pintura religiosa, com obras de um intenso misticismo, característico do período da Contrarreforma. A seguir, vemos dois quadros de Zurbarán expostos no museu, um que representa a Imaculada Conceição e outro com a imagem da Virgem da Merced.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro dos grandes pintores do Século de Ouro foi José de Ribera (Xátiva-1591/Nápoles-1652). Desenvolveu sua carreira na Itália, precisamente em Nápoles, onde era conhecido como “Lo Spagnoletto“, devido a sua baixa estatura. Realizou este quadro de São Bartolomeu, exposto no Museu Lázaro Galdiano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPertencente ao Barroco Pleno, Cláudio Coelho (1642/1693) nasceu e morreu em Madrid, lugar onde realizou inúmeros altares para as igrejas e conventos da cidade e região. No governo do monarca Carlos II, foi nomeado pintor real. Abaixo, vemos um quadro da Imaculada Conceição.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, veremos alguns belos retratos da Pintura Espanhola e um dos pintores mais apreciados por Lázaro Galdiano, Francisco de Goya.

O Rastro de Madrid – Parte 2

Além dos ofícios relacionados com o trabalho do couro e os produtos derivados da pele dos animais, no Rastro de Madrid começaram a ser instalados muitos antiquários e sebos, uma marca registrada da zona que persiste até hoje. O costume de ir ao Rastro em busca de artigos de segunda mão tem sua origem nos mercados de rua que sempre foram abundantes na região. Estes mercados estão documentados desde o séc. XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComerciantes de móveis usados também se assentaram no Rastro, vendendo objetos inicialmente para os pobres, e posteriormente para as classes mais favorecidas. No pós guerra do séc. XX, houve uma grande oferta e demanda de móveis usados que propiciou a abertura de inúmeras lojas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitos dos estabelecimentos comerciais de antiguidades se situaram em galerias, como a que vemos acima, situada na Calle de Ribera de los Curtidores. Em 1947 se inaugurou a mais famosa delas, a Galeria Piquer, que encontramos na mesma rua.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Galeria Piquer foi fundada pela família da atriz Conchita Piquer, que vimos recentemente na matéria sobre La Dolores de Calayud, interpretando o papel da personagem num dos filmes mais conhecidos sobre a heroína. O estabelecimento foi construído pelo arquiteto José de Azpiroz, e impressiona pela grande torre que preside sua fachada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior da Galeria Piquer existem inúmeras lojas de antiguidade, que oferecem artigos realmente surpreendentes. Vale a pena entrar e admirar as peças expostas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo séc. XIX, o Rastro se converteu num ponto de encontro dos madrilenhos que buscavam antiguidades, e o hábito permanece atualmente. Nos anos 60 do século passado, seguindo a tradição artesanal do bairro na fabricação de botas e mochilas, apareceram as primeiras lojas de materiais para a prática do montanhismo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANos anos 70, jovens hippies passaram a se reunir no Rastro vendendo artesanato e fumando mais que cigarros…Também passou a ser um local em que membros dos partidos de esquerda distribuíam panfletos e revistas de suas ideias revolucionárias. Uma coisa que não mudou no Rastro é o hábito da pechincha. Em relação ao famoso Mercado do Rastro, seguramente seja a grande atração do bairro, e todos os domingos milhares de pessoas, incluindo muitos turistas, abarrotam as ruas próximas a Ribera de los Curtidores para comprar objetos antigos, ou simplesmente para desfrutar do animado ambiente que o envolve.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANão se sabe exatamente quando surgiu o Mercado de Antiguidades do Rastro. As primeiras referências literárias apareceram nos escritos de Lope de Vega e Cervantes, que no séc. XVII o relacionam com um mercado de carnes. Como local de venda de objetos usados, parece que surge a partir da metade do séc. XVIII. Abaixo, vemos algumas fotos antigas do Mercado do Rastro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAExistem muitas histórias curiosas sobre pessoas que encontraram verdadeiros tesouros escondidos nas lojas do Rastro. Dizem que Lázaro Galdiano, por exemplo, um grande colecionador de objetos de arte, cujo excepcional museu é uma das grandes atrações da Calle Serrano (situada no Bairro de Salamanca), encontrou um quadro de El Greco, que lhe foi vendido por um preço irrisório…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInfelizmente, muitos comércios tradicionais foram substituídos pelas mega lojas onde se vendem artigos “made in China” nos dias de hoje. De qualquer modo, uma visita ao Mercado do Rastro é mais que recomendável, pois ainda é possível encontrar coisas interessantes, provar as comidas típicas do bairro e curtir seu ambiente acolhedor, e de fato, realmente pitoresco….