O Vinho da Rioja

Inegavelmente, o Vinho é o produto mais conhecido da elaborada gastronomia riojana. Produzido desde a época romana, e inclusive antes, era consumido na dieta habitual de seus habitantes. O foro obtido pela cidade de Logroño em 1095 concedia à populaçao o direito à proteçao das terras dedicadas ao seu cultivo. O desenvolvimento da cidade incrementou a multiplicaçao das vinícolas. Em 1635, a petiçao dos produtores, a prefeitura de Logroño proibiu a passagem de carruagens pelas ruas próximas às bodegas, para evitar a possível deterioraçao dos caldos, devido a vibraçao que produziam. No último quarto do séc. XVII, a capital da Rioja dispunha de uma capacidade de armazenamento de 5.6 milhoes de litros de vinho, uma quantidade exorbitante para a época e  populaçao, contabilizando, entao, mais de 50 vinícolas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitas delas situavam-se na parte inferior das construçoes. Em Laguardia, um maravilhoso pueblo localizado na comarca da Rioja Alavesa, por ex., se poderia realizar por quase toda sua extensao, um trajeto por galerias subterrâneas, que eram utilizadas como depósito de vinho. Cada casa possuía em seu subsolo uma bodega correspondente, no caso desta vila, construídas no  séc. XVI. É possível visitar uma destas bodegas na hospedaría Los Parajes, situada em pleno centro histórico do pueblo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1787, foi criada a Real Sociedade Econômica de Coletores da Rioja, cujo objetivo era incentivar o cultivo da uva, a elaboraçao do vinho, o desenvolvimento do seu comércio, uma organizaçao para a obtençao de maior rentabilidade e favorecer a exportaçao, através do rio Ebro aos portos de Cantabria. No séc. XIX, um fato transformou a história do vinho da Rioja. Uns botânicos ingleses “importaram” do continente americano às Ilhas Britânicas, um inseto desconhecido na Europa, denominado Filoxera, que ataca a raiz da uva, causando sua destruiçao. Mais tarde, o parasita arrasava os cultivos de todo o continente. Em Bordeaux, França, os cultivos agonizavam. Foi entao que os franceses buscaram desesperadamente uma terra próxima, com cultura vinícola, além de solo e climas similares. A Rioja foi a regiao escolhida e, gradativamente, os franceses começaram a produzir vinho, com uma técnica baseada no envelhecimento do produto em barris de roble, aumentando sua qualidade e conservaçao.

DSC07589Em 1852, foi fundada a primeira bodega da história moderna do Vinho Rioja, a Marquês de Murrieta. A “estrela” do citado vínculo riojano-bordolês nasce em Logroño com a fundaçao, em 1890, das bodegas Franco-Espanholas.

DSC07588Esta histórica vinícola recebeu, ao longo de sua dilatada história, inúmeros personagens famosos, entre os quais o escritor Ernest Hemingway.

DSC07600Em 1902, foi promulgada uma ordem real que definia a “origem” do nome Rioja, relacionada à qualidade de seus produtos, e em 1991 foi concedido o caráter de Denominaçao de Origem Qualificada (D.O.C., em espanhol) Rioja, a primeira obtida em toda a Espanha. Atualmente, a produçao média é de 250 milhoes de litros (85% de vinho tinto), cultivada em 3 zonas de produçao: a Rioja Alta, a Rioja Baixa e a Rioja Alavesa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA variedade principal das uvas produzidas é a denominada Tempranillo. A elaboraçao do vinho realiza-se em barris de roble de 225 litros, geralmente americano ou francês, durante um tempo que varia entre 1 e 3 anos e, posteriormente, na própria garrafa, durante um período de 6 meses a 6 anos. Dependendo do tempo de envelhecimento, os vinhos sao classificados como:

Jovem: é o chamado Vinho do Ano, que permanece pouco tempo nos barris.

Crianza: permanece, no mínimo, 6 meses nos barris de madeira de roble e, aprox.,18 meses na garrafa, totalizando 2 anos de envelhecimento.

Reserva: mínimo de 36 meses, dos quais 12 meses envelhecidos nos barris.

Gran Reserva: Ao menos 5 anos de envelhecimento, dos quais, no mínimo, 18 meses nos barris e o restante na garrafa.

Estes dados referem-se aos vinhos tintos. para os vinhos Branco e Rosé, sao necessários um tempo menor de envelhecimento.

DSC07593Existem atualmente 62 Denominaçoes de Origem espalhadas pelo país, cuja missao é controlar a qualidade do vinho nas distintas zonas de produçao. Deste total, apenas duas receberam a distinçao de qualificada, a D.O.C. Rioja e a D.O.C. Priorat (Catalunha). Calcula-se que existam, aproximadamente, entre 6800 e 7200 bodegas em todo o país. Em inúmeras, se podem realizar visitas guiadas, e algumas delas se destacam também por uma inusitada arquitetura vanguardista. A Universidade da Rioja possui, desde 1996, o grau e licenciatura de Enologia, curso ministrado na Faculdade de Ciências, Estudos Agroalimentícios e Informática. Pelo cuidado de sua histórica elaboraçao, clima e solos apropriados e seu aroma inconfundível, o Vinho Rioja tornou-se realmente um clássico da Gastronomia Espanhola.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Caminho de Santiago em Logroño

O Caminho de Santiago está intimamente ligado à história de Logroño, constituindo um dos motivos fundamentais para o seu desenvolvimento. O peregrino que chega a cidade proveniente da Comunidade de Navarra é recebido pelo Arco do Caminho, uma escultura realizada em 2005, que celebra a passagem da rota jacobea por Logroño.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm seguida, cruza a Ponte de Pedra, aproximando-se do centro histórico da capital riojana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAntes, porém, poderá refrescar os pés cansados numa fonte situada no Parque del Pozo Cubillas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA fonte está decorada com um dos símbolos associados ao caminho e também ao Apóstolo Santiago, a Concha. Pertence à espécie conhecida como Vieira, uma palavra do idioma galego, pois sao abundantes na regiao da Galícia. Existem muitas interpretaçoes acerca de seu significado e o simbolismo vinculado ao apóstolo. Passou, com o tempo, a denominar-se Concha de Santiago, pois os peregrinos que chegavam a Santiago de Compostela recebiam um pergaminho que confirmavam a finalizaçao do caminho, bem como uma concha, colocada no sombrero ou na capa que vestiam, demonstrando sua estância na cidade. Dessa forma, quando regressavam ao seu pueblo de origem, as pessoas podiam certificar-se que o peregrino havia sido capaz de completar a rota. Atualmente, a concha integra a idumentária daqueles que realizam o caminho, e se diz que protege o peregrino, sendo um amuleto contra os maus espíritos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro histórico, muitos lugares de interesse esperam o peregrino, como vimos nos posts anteriores. Existem, no entanto, outros de visita obrigatória, graças ao vínculo que possuem com o famoso caminho. Um deles é a Fonte do Peregrino, construída em 1675, situada ao lado da Igreja de Santiago El Real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado da fonte, aprecia-se no solo uma série de locais que integram o caminho, que representam um jogo elaborado com referências ao mesmo, denominado Jogo da Oca.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Igreja de Santiago é o templo com a maior vinculaçao histórica da cidade. Foi construída a partir de 1513 sobre uma antiga igreja românica, destruída por um incêndio. Conta a tradiçao que o templo primitivo foi levantado pelo rei Ramiro I, logo depois do desenlace da Batalha de Clavijo, localidade próxima à Logroño. Na mencionada disputa, os cristaos venceram os mouros graças à intervençao do próprio apóstolo, que apareceu no campo de batalha montado num cavalo branco, dando origem a lenda de Santiago Matamouros. Na fachada renascentista da igreja, realizada a modo de arco triunfal (séc. XVII), vemos a duas esculturas do apóstolo, representado como peregrino e como guerreiro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior da igreja está formada por uma única nave de grandes dimensoes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANela, destaca o Retábulo Maior, construído em 1649, com cenas representativas da vida do apóstolo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro, vemos uma escultura de Santiago Peregrino.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro dos símbolos associados ao apóstolo é a Cruz. Sua origem poderia estar relacionada com a época das Cruzadas, mas a hipótese mais aceita refere-se ao ano 844, quando sucedeu a Batalha de Clavijo. A Cruz de Santiago é facilmente reconhecida pela espada, adornada com  flores de Lis. Na igreja, podemos contemplá-la em vários locais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADesde o séc. XII, representa o emblema da Ordem dos Cavalheiros de Santiago, estando associada à sua condiçao cavalheiresca, bem como ao seu martírio, pois foi decapitado por uma espada. A concha também é visível em muitos pontos da igreja, inclusive como forma da Pia Batismal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois da dura jornada, o peregrino poderá tranquilamente encontrar repouso no Albergue a eles destinados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA próxima etapa do caminho, saindo de Logroño, é a cidade de Nájera, situada a 26km. Um curioso mural, situado próxima à Igreja de Santa Maria de Palácio, combina a reconhecida fama gastronômica da cidade com as etapas do caminho, dando adeus ao peregrino.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Concatedral de Logroño – Segunda Parte

No último post, vimos que o corpo central da Concatedral de Logroño foi construído no séc. XVI. No séc. XVIII, foi completada a estrutura principal com a construçao de duas belíssimas capelas. A Capela do Santo Cristo situa-se na parte traseira do presbitério, e  acolhe o sepulcro do bispo D.Pedro González del Castillo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO retábulo da capela foi realizado pelo artista Juan Bascardo, de inúmeras obras espalhadas pela Comunidade da Rioja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos maiores tesouros do templo é um quadro atribuído a Michelângelo, situado na mesma capela. Representa um calvário, com Cristo vivo, e foi pintado para Vittoria Colonna, esposa de D.Francisco de Ávalos, que faleceu em 1525 em decorrência das feridas sofridas durante a Batalha de Pávia. A obra encontra-se protegida por uma caixa blindada, dificultando as boas fotos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm frente ao quadro, vemos uma representaçao da Virgem da primeira metade do séc. XV. Embaixo, uma Pia Batismal datada de 1587.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA monumental Capela de N.Sra de los Ángeles, de 1762, é realmente maravilhosa. Nela, podemos admirar sua bela porta, no estilo rococó.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo retábulo dedicada à Virgem, apreciamos uma esplêndida imagem do séc. XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa foto que segue, vemos a decorada cúpula que adorna a capela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Coro, local da igreja onde os religiosos cantavam os ofícios religiosos, foi construído em 1607.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACoroando o Presbitério, o Retábulo Maior foi realizado no séc. XVII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANele, está representado a Árvore de José, que reconstitui a genealogia de Cristo, e presidido por uma imagem da Virgem titular do templo, do séc. XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte frontal do presbitério, encontram-se dois púlpitos octogonais, de estilo plateresco, esculpidos em 1540.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, uma foto dos vitrais que iluminam este inesquecível espaço religioso.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Concatedral de Logroño

O termo Concatedral significa um templo cristao com grau de catedral, mas que divide a sede bispal com outros templos catedralícios. Exatamente isso é o que sucede com a Concatedral de Logroño, que integra juntamente com as Catedrais de Calahorra e Santo Domingo de la Calzada, a diocése eclesiástica de Calahorra e La Calzada-Logroño. Situada no centro da parte histórica da cidade, está dedicada à Santa Maria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAssentada sobre um primitivo templo românico, foi uma colegiata desde 1453 e elevada à condiçao de concatedral em 1959. Devido ao seu formato poligonal circular, é conhecida como “La Redonda”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA atual construçao iniciou-se em 1516, sendo reformada e ampliada nos três séculos seguintes. Seu aspecto exterior, por exemplo, é plenamente barroco, e suas duas torres gêmeas sao uma boa mostra da monumentalidade dos campanários barrocos riojanos. Possui vários níveis superpostos, sendo o inferior de planta quadrada e o superior, octogonal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos grandes destaques da igreja é sua enorme fachada em forma de um grandioso retábulo, construída no séc. XVIII. Composta por 3 níveis, está decorada com esculturas dos evangelistas, anjos e de Cristo, que preside o conjunto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs fachadas laterais também foram construídas no séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua localizaçao, no centro de uma praça porticada, permite sua contemplaçao sob várias perspectivas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAÀ noite, o templo iluminado oferece um outro aspecto ao visitante.

DSC07566O interior está formado por 3 naves, girola e trascoro. Entre 1516 e 1598, foi construído o corpo central da igreja no estilo gótico, com 8 grandes pilares que culminam nas denominadas bôvedas de crucería.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, conheceremos mais do interior deste que é o principal templo religioso da cidade de Logroño.

Logroño – Segunda Parte

No aspecto religioso, a cidade de Logroño possui várias igrejas de interesse histórico e artístico, a começar por sua catedral, que devido à sua importância, falaremos num post à parte. No entanto, a mais antiga conservada na capital da Rioja é a Igreja de San Bartolomé, edificada nos séculos XII e XIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO templo conserva em parte o estilo românico, principalmente na cabeçeira e na parte inferior da torre. Porém, seu destaque maior é a portada, composta pelo melhor conjunto de escultura gótica de toda a comunidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior caracteriza-se pela sobriedade e ausência decorativa. A igreja foi catalogada como Monumento Nacional em 1866.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruída no séc. XIII, a Igreja de Santa Maria de Palacio recebeu este nome graças a doaçao que realizou o rei Alfonso VII de seu palácio, para que nele se fundasse o primeiro templo da Ordem do Santo Sepulcro no entao Reino de Castilla.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAÀ primeira vista chama a atençao sua bela torre octogonal, construída no período gótico, e conhecida pelo nome de “La Aguja” (a agulha).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cidade está repleta de belos edifícios, que adornam ainda mais a paisagem urbana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERALogroño é conhecida em toda a Espanha por sua rica e variada gastronomia. Seu produto por excelência é o renomado Vinho Rioja, que também comentaremos numa publicaçao exclusiva. Outro elemento de referência sao suas tapas e pintxos (como sao conhecidas as tapas servidas no palito, principalmente no norte do país). Neste aspecto, um local de visita obrigatória é a Calle del Laurel, com uma grande quantidade de bares e restaurantes.

DSC07561OLYMPUS DIGITAL CAMERADe noite a rua fica lotada de pessoas, que nela se dirigem para provar sua enorme variedade de verdadeiras delícias…

DSC07556A oferta gastronômica é tal que anualmente se realizam um concurso de tapas entre a infinidade de bares existentes.

DSC07565Em 2012, Logrono foi designada como a Capital Espanhola da Gastronomia. A data festiva mais importante do calendário da cidade é o 11 de Junho, quando se celebram as festas de San Bernabé. Nesta data, se comemora a vitória e a resistência da cidade diante das tropas francesas de Francisco I, que a sitiaram em 1521. Sao repartidos entre a populaçao peixe, pao e vinho, os alimentos consumidos durante a invasao.

Logroño – Capital da Rioja

Localizada ao norte da Península ibérica, a Comunidade da Rioja está delimitada pelas comunidades de Castilla-León, Navarra, Aragón e o País Vasco. Sua capital, Logroño, é uma cidade com um perfeito equilíbrio entre tradiçao e modernidade. Com aprox. 150 mil habitantes, concentra a metade de toda a populaçao da comunidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABanhada pelo Rio Ebro, historicamente a cidade sempre constituiu um local de passagem, um entroncamento de caminhos, e uma terra de fronteiras disputada pelos antigos reinos que formavam a península na Idade Média.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA origem de seu nome relaciona-se com a palavra celta Gronio, que significa Vau, pois a localidade era um lugar preferente para a travessia do rio. Uma de suas primeiras referências documentais corresponde a um trágico incidente, ocorrido em 1092, quando a cidade foi arrasada por El Cid Campeador. Sua restauraçao foi promovida pelo rei Alfonso VI, que concedeu o foro a vila em 1095.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA partir de entao, Logroño alcançou grande poder, graças aos privilégios outorgados por distintos monarcas. De transcendental importância para o desenvolvimento da cidade foi a decisao do rei Sancho de Navarra de incluir a cidade na rota do Caminho de Santiago.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, a capital riojana goza de excelente qualidade de vida e uma das mais altas rendas per capita de todo o país.  É conhecida pela animada vida noturna, sua rica e elaborada gastronomia e seu belo centro histórico, que deve ser percorrido a pé. Dessa forma, descubriremos seus inúmeros pontos de interesse, já que a maior parte do centro está habilitada para os pedestres.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Puerta del Revellín constitui o único resto conservado das fortificaçoes que possuiu a cidade na Idade Média. A mais importante delas foi realizada no séc. XVI, depois que a cidade resistiu ao assédio francês em 1521. A partir da segunda metade do mencionado século, a defesa da urbe deixou de ser uma prioridade, causando a deterioraçao das muralhas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Rio Ebro, considerado o curso fluvial mais caudaloso do país, pode ser atravessado em vários pontos da cidade. A Ponte de Ferro é a mais antiga de todas, construída em 1882.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Ponte de Pedra é uma estrutura construída em 1884, substituindo uma anterior, derrubada em 1871. É conhecida também pelo nome de Ponte de San Juan Ortega, uma referência a antiga capela existente na margem esquerda do rio, em honra ao santo que se atribui a construçao de uma ponte primitiva, no séc. XII. Um dos símbolos da cidade, por ela chegam os peregrinos que realizam o Caminho de Santiago.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado da ponte, podemos contemplar um belo parque, o chamado Paseo del Pozo Cubillas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJá o denominado Paseo del Espolón é uma popular área verde situada em pleno centro financeiro da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro da praça, vemos o monumento ao General Espartero (1793/1879), inaugurado em 1895. Este personagem  histórico viveu parte de sua vida em Logroño e nela faleceu, e teve um papel destacado no desenlace da primeira Guerra Carlista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO General Espartero viveu num palácio barroco construído em 1752, até sua morte em 1879. O edifício foi catalogado em 1962 como Monumento Histórico Artístico, e atualmente é a sede do Museu da Rioja. Nele, podemos admirar sua coleçao pictórica e escultórica, que compreende o período entre os séculos XII e XIX. De especial relevância sao as Tablas de San Millán, partes de um retábulo gótico (séc. XIV) originário do Monastério de San Millán de Suso.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém deste museu, a cidade oferece uma grande oferta cultural, representada por exposiçoes diversas, algumas delas apresentadas em edifícios reabilitados para tal fim, como uma antiga fábrica de tabacos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAInaugurado em 1880, e considerado um dos mais importantes do país, o Teatro Bretón de los Herreros presta uma homenagem ao escritor, dramaturgo e poeta riojano (1796/1873). Em 1979, o teatro foi vítima de um espetacular incêndio, sendo reconstruído a partir de 1986 e reinaugurado quatro anos depois.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA arquitetura contemporânea está representada pelo edifício da prefeitura, construído sobre um antigo quartel de grandes dimensoes. Projetado pelo arquiteto vencedor do Premio Priteker em 1996, Rafael Moneo (nascido em Tudela, em 1937), a obra foi realizada entre 1973/1980, estando, desde entao, presente nos mais célebres manuais deste estilo arquitetônico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitas de suas ruas estao protegidas por galerias, como as que vemos na cêntrica Calle de los Portales.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeguiremos com a matéria sobre esta encantadora cidade no próximo post…nao percam !!!

Caminho de Santiago – Rioja (Parte 1)

O peregrino que realiza o Caminho de Santiago de Compostela, em sua etapa riojana, descobre verdadeiras obras primas da arquitetura em pueblos salpicados de história e paisagens encantadoras, onde abundam os vinhedos que elaboram o famoso vinho da Rioja.

Depois de atravessar a Comunidade de Navarra, a primeira parada na Rioja é a sua capital, Logroño. Devido à sua importância, lhe dedicaremos uma publicação à parte. Em seguida, aparece a cidade de Nájera, cujo nome foi dado pelos árabes, que significa “cidade entre rochas”. Foi reconquistada pelo rei leonês Ordoño II em 923. Os reis navarros aqui tiveram seu palácio e declararam Nájera sede episcopal e capital do reino. O rei Sancho El Maior fez com que o Caminho de Santiago passasse pela cidade. Seu monumento principal e de visita imprescindível é o Monastério de Santa Maria La Real, fundado pelo rei Don Garcia, filho de Sancho El Maior, em 1032.

Em 1079, Alfonso VI de Castilla o incorporou à influente Abadia de Cluny, na França. As várias dependências que integram o monastério foram construídas entre os séc. XV/XVI. Na Guerra da Independência, foi saqueado e sofreu perdas irreparáveis pelas tropas napoleônicas. Foi declarado Monumento Nacional em 1889. Desde o exterior, o monastério surpreende por sua sobriedade, com um aspecto similar ao de uma fortaleza. A igreja, de belas proporções e constituída por 3 naves, foi construída no séc. XV.

O Retábulo Maior data de princípios do séc. XVIII, de estilo barroco. No centro aparece a imagem de Santa Maria La Real, segurando o menino Jesus em seu joelho esquerdo. Trata-se de uma talha policromada pré-românica de estilo bizantino, e acredita-se que foi encontrada em 1044 pelo rei Don Garcia.

Em uma de suas capelas, encontramos o sepulcro de D. Blanca de Navarra, mãe de Alfonso VIII. Se conserva apenas a tampa do sarcófago, que constitui uma verdadeira jóia da estatuária românica do séc. XII.

O coro gótico-isabelino foi talhado em madeira em 1492 e está considerado uma obra prima do estilo. As talhas representam a profetas e personagens do Antigo Testamento e virgens e santos do Novo Testamento, junto a motivos ornamentais e grotescos de inspiração profana.

O Panteão Real situa-se embaixo do coro e, no centro, escavado na rocha, se encontra a gruta onde foi achada a imagem da Virgem por Don Garcia. No local, estão sepultados os restos de 12 personagens reais pertencentes ao reino de Nájera-Pamplona. São obras de escultura renascentista do séc. XVI, sendo, portanto, bastante posteriores à época em que viveram os reis.

O denominado Claustro dos Cavalheiros foi levantado no princípio do séc. XVI. Em seu conjunto, harmonizam-se perfeitamente o estilo gótico das bôvedas com os suportes renascentistas. Historicamente, o claustro foi utilizado como Panteão Nacional, centro de enterramento dos nobres mais importantes do país, explicando desta forma a origem de seu nome.

Muitos peregrinos, depois de deixarem a cidade de Nájera, desviam o caminho até chegarem ao pueblo de San Millán de Cogolla, situado a 20km de Nájera. Nele, encontramos dois monastérios, que por sua importância, foram declarados Patrimônio da Humanidade.

O Monastério de Suso ( palavra relacionada com sua localização, no alto de uma colina) está intimamente vinculado à vida do santo Millán, que dá o nome ao pueblo.

Viveu como anacoreta em grutas, onde hoje se situa o monastério, e onde também foi sepultado em 574. Com sua vida eremítica, se inaugura a história de Suso. No edifício, podemos contemplar elementos estruturais do primeiro templo erguido na época visigoda (séc. VI) e o pórtico de acesso mozárabe do séc. XI.

Depois da morte do santo, criou-se uma comunidade de presbíteros, que se reuniam em um cenóbio. A afluência de peregrinos ao sepulcro do santo é contínua, incrementando o papel do monastério na comunidade. No seus auge, possuía uma valiosíssima coleção de manuscritos e códices, entre os quais uma cópia do Apocalipse do beato de Liébana, com a letra do séc. VIII, e a denominada Bíblia de Quiso, datada de 664.

No séc. XI, com a construção do Monastério de Santa Maria La Real de Nájera, decidiu-se pelo traslado dos restos do santo para o novo local. Conta-se que durante a viagem, os bois que transportavama carruagem com os restos do santo se detuveram, não havendo força humana capaz de fazê-los avançar nem retroceder. O rei entendeu o fato como um aviso divino, e ordenou a construção de um outro monastério no mesmo local, o chamado Monastério de Yuso, cuja história resumida veremos no próximo post.