Um Passeio por Olmedo

Além de seu importante patrimônio mudéjar, Olmedo é conhecida também devido a uma obra de Lope de Vega (1562/1635) intitulada “El Caballero de Olmedo“, escrita em 1620 pelo autor madrilenho.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta novela do escritor, referência fundamental da Literatura Espanhola, foi inspirada numa canção popular e fala sobre o amor e a morte. Lope de Vega não chegou a ver a novela publicada, pois somente foi impressa depois de seu falecimento, em 1641. Em frente à estátua do cavalheiro que vemos acima, se encontra um museu dedicado não só a novela, como também ao teatro espanhol inserido dentro do chamado Século de Ouro (XVII), quando a cultura espanhola atingiu suas cotas mais elevadas em todos os campos  artísticos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComposto por 7 salas, a visita ao museu constitui uma viagem no tempo, somente possível através de técnicas avançadas de escenografia. O museu está sediado num palácio que pertenceu a Jerónimo de Alderete y Mercado, que nele nasceu em 1516. Foi governador do Chile, explorador e conquistador, participando da conquista do Peru, Venezuela e do próprio Chile. Em 1552, fundou a cidade de Villarica. Faleceu no Panamá em 1556. Um busto situado em frente ao palácio rende homenagem a ele.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm minha visita à Olmedo, me hospedei numa casa histórica de 1517, reconvertida em uma pousada, chamada “La Mesnada“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO imóvel foi restaurado em várias ocasiões, sendo a última realizada pelo atual proprietário. Várias inscriçoes sobre sua história foram colocadas nos muros da residência. Em uma delas, vemos as variadas nacionalidades dos trabalhadores que realizaram a última reforma…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm meus passeios pela cidade, descobri uma antiga lavanderia construída em 1929, um exemplo da arquitetura popular da cidade e um dos poucos conservados de toda a Província de Valladolid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERA Para aqueles (as) que preferem relaxar, Olmedo é um lugar ideal, graças ao excelente balneário que encontramos na cidade, instalado no antigo Convento de Sancti Spiritus, fundado no século XII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO balneário integra a rede Castilla Termal Hoteles, estando aberto tanto para hóspedes, quanto ao público em geral. Em suas belíssimas salas decoradas segundo a estética árabe e mudéjar (uma pena que as fotos não estavam permitidas) os clientes podem optar por Spa, piscinas, tratamentos estéticos e relaxantes.

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Museu Lázaro Galdiano – Madrid

Além do Museu Arqueológico Nacional, que vimos recentemente numa série de posts, na Calle Serrano de Madrid podemos visitar outro espaço cultural de referência na capital espanhola. O Museu Lázaro Galdiano acolhe uma das mais impressionantes coleções particulares do país, e sua visita é um verdadeira aproximaçao ao mundo da arte, em todos os âmbitos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJosé Lázaro Galdiano (Beire-Navarra: 1862/Madrid-1947) foi um grande colecionador de objetos artísticos, além de editor e um homem de negócios. Junto com sua esposa Paula Florido, formou uma imensa fortuna. Ao falecer em 1947, cedeu todos seus bens ao estado, que criou a Fundação Lázaro Galdiano um ano depois. Em 1951, se inaugurou o museu em que são expostos as obras adquiridas durante toda sua vida, no local que lhe serviu de residência, o chamado Palácio Florido.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Museu Lázaro Galdiano possui uma célebre pinacoteca, imprescindível para a história da Pintura Espanhola, bem como quadros pertencentes a várias outras escolas europeias. A coleção de esculturas e Artes Decorativas compreende um período que se prolonga do séc. VI aC ao século XX. No total, são mais de 13 mil objetos de imenso valor artístico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1903, Lázaro Galdiano casou-se em Roma com Paula Florido y Toledo (1856/1932), uma dama argentina. Durante a Guerra Civil Espanhola, o casal abandonou o país, passando a residir em Paris e depois em Nova York. Em ambas cidades, Lázaro Galdiano teve a oportunidade de ampliar a sua já vasta coleção. Em 1945, regressa a Madrid, instalando no Palácio Florido os objetos adquiridos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo editor, fundou e dirigiu a revista “La España Moderna” no final do séc. XIX, uma excelente alternativa cultural ao leitor espanhol da época, cuja publicação visava formar uma opinião pública sólida e crítica a respeito não só da arte, mas da própria história do país. Lázaro Galdiano reuniu também uma grande quantidade de livros raros, como a famosa Bíblia Poliglota do Cardeal Cisneros e vários códices medievais. Documentos de valor incalculável, como cartas de Goya e do escritor Lope de Vega, enriqueceram ainda mais sua coleção.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Palácio Florido foi assim denominado em homenagem a sua esposa. Em seu projeto e na direção das obras participaram vários arquitetos, no período compreendido entre 1903 e 1908. O resultado final da construção, segundo as palavras do próprio Galdiano, se caracteriza por um estilo renascentista bastante sóbrio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAÉ uma verdadeira delícia passear ao redor do jardim que circunda o palácio. Baseado nos princípios da jardinaria e do paisagismo do séc. XVIII, seu caráter francês se adapta ao gosto espanhol, produzindo um recanto onde a natureza e a arte se combinam de modo perfeito.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Na realidade, trata-se de um dos poucos conjuntos de palácio e jardim que sobreviveram em Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Fundação Lázaro Galdiano administra uma importante biblioteca, um gabinete de estampas e desenhos, além de ser responsável pela edição da prestigiosa revista “Goya“. Está sediada num edifício anexo ao palácio, conhecido como “La España Moderna”, cuja função inicial era de pavilhão destinado a escritório, centro administrativo e de armazém para a antiga revista. Como o palácio, possui um estilo clássico, mas do projeto original se conserva somente a fachada, pois o interior foi profundamente reformado pelo arquiteto Fernando Chueca Goitia para adaptá-lo como sede da fundação. Acolhe também um auditório e salas de exposições.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANas próximas matérias, vocês poderão conhecer algumas das principais obras do museu, bem como o interior do Palácio Florido, por si só, de grande interesse.

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O Rastro de Madrid – Parte 2

Além dos ofícios relacionados com o trabalho do couro e os produtos derivados da pele dos animais, no Rastro de Madrid começaram a ser instalados muitos antiquários e sebos, uma marca registrada da zona que persiste até hoje. O costume de ir ao Rastro em busca de artigos de segunda mão tem sua origem nos mercados de rua que sempre foram abundantes na região. Estes mercados estão documentados desde o séc. XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComerciantes de móveis usados também se assentaram no Rastro, vendendo objetos inicialmente para os pobres, e posteriormente para as classes mais favorecidas. No pós guerra do séc. XX, houve uma grande oferta e demanda de móveis usados que propiciou a abertura de inúmeras lojas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitos dos estabelecimentos comerciais de antiguidades se situaram em galerias, como a que vemos acima, situada na Calle de Ribera de los Curtidores. Em 1947 se inaugurou a mais famosa delas, a Galeria Piquer, que encontramos na mesma rua.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Galeria Piquer foi fundada pela família da atriz Conchita Piquer, que vimos recentemente na matéria sobre La Dolores de Calayud, interpretando o papel da personagem num dos filmes mais conhecidos sobre a heroína. O estabelecimento foi construído pelo arquiteto José de Azpiroz, e impressiona pela grande torre que preside sua fachada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior da Galeria Piquer existem inúmeras lojas de antiguidade, que oferecem artigos realmente surpreendentes. Vale a pena entrar e admirar as peças expostas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo séc. XIX, o Rastro se converteu num ponto de encontro dos madrilenhos que buscavam antiguidades, e o hábito permanece atualmente. Nos anos 60 do século passado, seguindo a tradição artesanal do bairro na fabricação de botas e mochilas, apareceram as primeiras lojas de materiais para a prática do montanhismo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANos anos 70, jovens hippies passaram a se reunir no Rastro vendendo artesanato e fumando mais que cigarros…Também passou a ser um local em que membros dos partidos de esquerda distribuíam panfletos e revistas de suas ideias revolucionárias. Uma coisa que não mudou no Rastro é o hábito da pechincha. Em relação ao famoso Mercado do Rastro, seguramente seja a grande atração do bairro, e todos os domingos milhares de pessoas, incluindo muitos turistas, abarrotam as ruas próximas a Ribera de los Curtidores para comprar objetos antigos, ou simplesmente para desfrutar do animado ambiente que o envolve.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANão se sabe exatamente quando surgiu o Mercado de Antiguidades do Rastro. As primeiras referências literárias apareceram nos escritos de Lope de Vega e Cervantes, que no séc. XVII o relacionam com um mercado de carnes. Como local de venda de objetos usados, parece que surge a partir da metade do séc. XVIII. Abaixo, vemos algumas fotos antigas do Mercado do Rastro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAExistem muitas histórias curiosas sobre pessoas que encontraram verdadeiros tesouros escondidos nas lojas do Rastro. Dizem que Lázaro Galdiano, por exemplo, um grande colecionador de objetos de arte, cujo excepcional museu é uma das grandes atrações da Calle Serrano (situada no Bairro de Salamanca), encontrou um quadro de El Greco, que lhe foi vendido por um preço irrisório…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInfelizmente, muitos comércios tradicionais foram substituídos pelas mega lojas onde se vendem artigos “made in China” nos dias de hoje. De qualquer modo, uma visita ao Mercado do Rastro é mais que recomendável, pois ainda é possível encontrar coisas interessantes, provar as comidas típicas do bairro e curtir seu ambiente acolhedor, e de fato, realmente pitoresco….

Casa-Museu Lope de Vega – Madrid

Félix Lope de Vega y Carpio (1562-Madrid/1635-Madrid) foi um dos mais importantes escritores e dramaturgos do denominado Século de Ouro Espanhol (séc. XVII). Conhecido como o “Fénix de los Ingenios”, renovou o Teatro Espanhol, numa época em que começava a ser um fenômeno de massa. É considerado o máximo expoente do Teatro Barroco do país, ao lado de Tirso de Molina e Calderón de la Barca. Em frente ao Monastério de la Encarnación de Madrid, vemos um monumento que homenageia o grande escritor e dramaturgo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstudou na Companhia de Jesus e na Universidade de Alcalá de Henares. Além de escritor, foi também militar, participando de algumas expediçoes, e secretário de personagens importantes, como o Duque de Sessa. Foi casado duas vezes, e depois da morte de Juana de Guardo em 1614, sua segunda esposa , tornou-se sacerdote. Sua vida sentimental foi deveras atribulada. Além das “esposas oficiais”, teve inúmeras amantes. Em 1587, devido a um desengano amoroso com Elena Osório, escreveu uns poemas insultantes a esta mulher, filha de um empresário teatral, que lhe causou 8 anos de desterro. Foi quando viveu em Valencia, Toledo e Alba de Tormes. Teve 15 filhos que estao documentados…Mesmo depois de tornar-se sacerdote, sua vida amorosa prosseguiu, sendo acusado de sacrilégio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo mesmo monumento acima citado, vemos algumas de suas principais obras. Lope de Vega foi um dos escritores mais prolíficos da Literatura Espanhola. Ele mesmo disse ter escrito mais de 1500 peças teatrais, das quais se conservam 500, ainda que apenas 314 delas estao confirmadas como sendo de sua autoria. Cultivou todos os gêneros literários de sua época, e ainda hoje suas obras sao frequentemente representadas pelos teatros do país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1610, com 48 anos de idade, passa a viver definitivamente em Madrid e compra uma casa, na qual passou seus últimos 25 anos de vida. Situada em pleno Bairro das Letras, é considerada uma das jóias deste bairro repletos de referências literárias (para conhecer um pouco mais sobre ele, foram publicadas duas matérias, em 27/11/2012 e 29/11/2012).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente transformada num museu, a casa onde viveu o escritor está localizada na Calle Cervantes, e pode ser visitada, mediante reserva em visitas guiadas. Durante muito tempo esteve abandonada e em mau estado, até que a Real Academia da Língua Espanhola se encarregou de sua restauraçao. Depois de sua morte, o imóvel foi vendido por seu neto, que vivia em Milao e que nao chegou a conhecer o famoso avô. Em frente a casa, uma inscriçao feita na própria rua, algo habitual no bairro, recorda o escitor e a casa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA restauraçao da casa foi cuidadosamente realizada, e hoje em dia podemos ver como viveu o escritor. Inclusive se recuperou uma inscriçao em latim que vemos na fachada, na qual lemos:

Parva propria magna, magna aliena parva“. Traduzida literalmente significa: A casa própria é grande, ainda que seja pequena. A casa alheia é pequena, ainda que seja grande. Nela, Lope de Vega reflete sua satisfaçao em possuir um lar próprio, algo bastante difícil numa época em que os poetas viviam em constantes dificuldades econômicas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1935, a Casa de Lope de Vega foi declarada Monumento Nacional durante a celebraçao do terceiro centenário de sua morte, abrindo-se ao público como museu. O inventário de seu testamento, realizado em 1627, e a documentaçao histórica do imóvel  foram as referências históricas utilizadas para sua restauraçao. Através de objetos pessoais, obras de arte e mobiliário antigo, foram recriados os diversos ambientes de uma típica residência madrilenha do séc. XVII. Infelizmente, as fotos interiores nao estao permitidas. Abaixo, vemos o jardim, situado no fundo da casa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, a parte traseira da casa, vista desde o jardim.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1635, Lope de Vega falece na casa onde viveu. Seu enterro constituiu uma das maiores manifestaçoes de dor que a cidade presenciou. Uma multidao acompanhou o cortejo fúnebre pelas ruas do Bairro das Letras de Madrid, e parou no conhecido Convento das Trinitárias, situado próximo a casa do escritor, para que sua filha Marcela, que havia entrado no convento como freira, pudesse do alto de seus muros de clausura dar o último adeus a seu pai. Recordamos que neste convento foi sepultado Miguel de Cervantes, cujos restos, que se haviam perdido, parece que foram encontrados…

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Igreja de San Ginés – Madrid

Na Calle del Arenal encontra-se um dos templos mais antigos de Madrid, a Igreja de San Ginés. Nao se sabe exatamente qual sua origem, mas já existia no séc. XII, sendo frequentemente visitada pelo santo padroeiro de Madrid, San Isidro. As primeiras referências datam de 1358, através de uma bula papal de Inocêncio VI, na qual concedia indulgências aos fiéis que realizassem doaçoes para a igreja. Na fachada lateral neoclássica do templo, vemos um relevo com o escudo do Papa Inocêncio VI.

DSC09326O titular da paróquia, San Ginés de Arlés, foi um santo francês nascido em data desconhecida e decapitado no início do séc. IV, sendo considerado o padroeiro dos notários, escrivaos e secretários. A igreja que vemos atualmente pouco se parece com o templo original, devido às muitas reformas realizadas e a sua dilatada história. Em 1641, por ex., foi parcialmente derrubada e reconstruída 4 anos depois. Sofreu três incêndios, em 1724, 1756 e 1824. Entre 1870 e 1872, a prefeitura ordenou a remodelaçao da fachada que dá para a Calle del Arenal, mudando por completo o estilo anterior, quando se constrói o átrio que vemos atualmente.

DSC09328Abaixo, vemos a Calle del Arenal, desde o átrio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a Guerra Civil Espanhola, a Igreja de San Ginés permaneceu fechada ao público, quando converteu-se num quartel militar republicano, sofrendo o impacto de vários disparos. Entre 1956 e 1964 foi realizada a última intervençao no templo, e a fachada exterior foi totalmente transformada, adquirindo o aspecto que tinha no séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante as reformas, foi mantida a torre, feita de tijolo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO antigo cemitério de San Ginés situava-se no patio de entrada do átrio. Debaixo dele, existe um poço com 9m de profundidade, que funcionava como crematório na época da Inquisiçao, e também onde eram enterrados os enforcados na Praça Maior. O interior está repleto de obras de arte, inclusive com um quadro de El Greco, situado na Capela do Santíssimo Sacramento, de grande veneraçao e que serviu de paróquia durante as reformas realizadas depois do incêndio de 1824. A atual decoraçao interior foi realizada pelo arquiteto Juan de Villanueva, encarregado pela Real Academia de San Fernando depois do referido incêndio. Abaixo, vemos algumas imagens das capelas do interior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADSC09330Acima, vemos a chamada Virgen de la Cabeza, uma talha do séc. XX, pois a original do séc. XII foi destruída no incêndio de 1824. Abaixo, vemos uma belíssima escultura de Cristo caído com a cruz, obra de Nicolo Fumo, que a realizou em 1698.

DSC09333Também queimado no incêndio de 1824 foi o Retábulo Maior, que representava o Martírio de San Ginés, realizado por Francisco Ricci. Foi refeito pelo artista José de San Martin. No entanto, existem estudiosos que afirmam que o retábulo é o original de Ricci, que pôde ser salvo das chamas. Duvidas à parte, o Retábulo é muito bonito.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa Igreja de San Ginés casou-se o famoso escritor Lope de Vega e foi batizado  Francisco de Quevedo, dois “gigantes” da Literatura Espanhola, como informa uma placa situada no átrio.

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Igreja de San José – Parte 2

O interior da Igreja de San José possui uma planta de cruz latina com 3 naves, a central e duas laterais. Vimos no post anterior que as naves laterais acolhem numerosas capelas. Abaixo, vemos uma imagem geral do interior do templo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Igreja de San José é riquíssima em obras de arte. Abaixo, vemos o famoso Cristo do Desamparo, obra do escultor barroco Alonso de Mena (1587/1646), que o esculpiu em 1631.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos mais destacados artistas do Barroco Espanhol, Luis Salvador Carmona (1708/1767), foi o responsável pela imagem de San José.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Retábulo Maior foi executado em 1832, e está presidido por uma escultura da Virgem do Carmo realizada por Roberto Michel no séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADentre as diversas capelas existentes, a que está dedicada a Santa Teresa é a mais importante. Constitui, por si só, uma pequena igreja, com inúmeras obras de alto valor artístico. Pertence ao séc. XVIII, e possui uma planta de cruz grega.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs pinturas das bôvedas e da cúpula da capela foram realizadas por Luis González Velázquez (1715/1763), autor de numerosas obras pelos templos de Madrid. Abaixo, vemos o altar dedicado a Santa Teresa, cuja imagem também foi talhada por Luis Salvador Carmona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA ambos lados da imagem de Santa Teresa, vemos as esculturas de San Elías e San Eliseo, fundadores do Carmelo (séc. XVII). Observamos, também, duas pinturas relacionadas a episódios da vida da santa. A seguir, vemos uma delas, que representa a Santa Teresa em sua condiçao de Doutora da Igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, vemos a cúpula.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das partes laterais da capela está decorada com um magnífico retábulo neoclássico do séc. XVIII. Dita obra foi executada por Juan Pascual de Mena, filho de Alonso de Mena, que se destacou no mundo artístico ainda mais que seu pai. No centro, vemos uma escultura de San Eloy.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, vemos mais uma imagem das belas pinturas que adornam o espaço da capela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Capela de Santa Teresa encontra-se em um excelente estado de conservaçao, algo que nao podemos dizer em relaçao à nave central, principalmente nas bôvedas. O progressivo escurecimento das pinturas que a  decoram tornam difícil sua leitura e apreciaçao.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos a matéria comentando que o dramaturgo Lope de Vega (um dos principais nomes do Século de Ouro da culltura espanhola) se ordenou padre nesta igreja, e que nela pronunciou sua primeira missa.

Calle Mayor – Madrid

Uma das ruas mais populares e transitadas de Madrid, a Calle Mayor é o elo de ligação entre a Porta do Sol com a Catedral de Almudena e o Palácio Real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASendo uma das ruas mais antigas da capital, sua história é um espelho da própria história de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo princípio denominava-se Calle Almudena em seu primeiro trecho, Calle de las Platerías no segundo, e somente recebia o nome de Calle Mayor em sua parte final.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Calle Mayor, por sua localização, sempre foi um passo obrigatório para as comitivas reais, tanto do período dos Áustrias (dinastia dos Habsburgos), quanto dos reis da dinastia francesa dos Bourbones. Foi escolhida, também, como local de residência de ilustres personagens da vida cultural, como os dramaturgos Lope de Vega e Calderón de la Barca, que viveu no edifício abaixo, como indica a inscrição na fachada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANela se fixavam a classe comerciante, estando agrupadas segundo o ramo de atividade. A maior parte das ruas que atravessam a Calle Mayor recebem o nome dos grêmios existentes na época, como Calle de los Bordadores, por exemplo. Atualmente, está abarrotada de lojas de souvenirs, que vendem todos os objetos imagináveis relacionados à cidade e ao país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAMesmo hoje em dia, é possível visitar inúmeros estabelecimentos comerciais de caráter histórico, situados em seu perímetro. A Livraria Madrid, por ex., está dedicada ao comércio e publicação de obras relacionadas somente à história da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA pastelaria El Riojano foi fundada pelo pasteleiro pessoal da rainha Maria Cristina em 1855. Chamava-se Dámaso Maza, e veio a Madrid procedente de sua terra natal, a Rioja. O local apresenta a típica fachada comercial do séc. XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior conserva em grande parte seu aspecto original.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA prefeitura de Madrid homenageia todos os estabelecimentos comerciais com mais de 100 anos com uma placa colocada no chão, em frente ao mesmo, pelos serviços prestados a comunidade, como é o caso do El Riojano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACuriosa é a história da Farmácia Reina Madre. Considerada a mais antiga de Madrid, foi fundada em 1576, e sua primeira atividade estava vinculada à alquimia. Seu nome se explica porque nela compravam seus medicamentos a rainha regente Maria Cristina, no séc. XIX, assim como a rainha Isabel de Farnesio, esposa de Felipe V. A tradição diz que ambas evitavam os serviços da Famácia Real existente no palácio devido ao temor de serem envenenadas. No interior, que conserva a decoração original realizada em 1914, conservam-se mais de 300 objetos de cerâmica e cristal, com seu conteúdo de remédios dentro, dos séc. XVI e XVII. A funcionária da farmácia me contou que ainda existe o túnel secreto que a ligava com o Palácio Real. Infelizmente, as fotos não estão permitidas em seu interior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm frente à porta de entrada vemos sua placa comemorativa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe vida mais recente, encontramos uma rede de restaurantes especializada em servir jamón e derivados, conhecida como Museo del Jamón.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACriado há mais de 20 anos por um senhor procedente de Extremadura, destaca-se por seus preços econômicos. Com somente 2 euros, se pode tomar uma cerveja e comer um delicioso bocadillo. No andar superior de belo edifício onde se encontra, existe também o restaurante, onde podemos comer mais tranquilamente, pois o local costuma estar sempre lotado de gente.

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