A Judería de Córdoba

Situada em pleno Centro Histórico de Córdoba, a Judería, ou antigo bairro judeu, constitui uma das grandes atrações da cidade por seus monumentos, lugares de interesse, museus, etc. Caminhar por suas ruas permite conhecer a história do povo judaico em Espanha, e também da própria cidade andaluza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAExistem testemunhos da presença judaica na Espanha que se remontam à época romana. Por este motivo, sua história está intimamente relacionada à própria evolução de Córdoba. Os judeus habitaram as ruas da Judería desde o século X até o XV, quando foram expulsos em 1492 pelos Reis Católicos. Durante um certo período de tempo, conviveram com as demais culturas, a cristã e a muçulmana. No século X, a comunidade judaica desempenhou um importante papel na organização do Califato de Córdoba como administradores, comerciantes, médicos e altos funcionários. O tolerante Califa Abderramán II se autoproclamava como o Senhor das Três Culturas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua extensão e a proximidade com o centro de poder denotam a importância da Judería de Córdoba em tempos passados. A parte que atualmente se conserva está repleta de pequenas e labirínticas ruas, além de lugares encantadores…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUma excelente forma de conhecer a história e as tradições da comunidade judaica na cidade e mesmo na Espanha é visitando a Casa de Sefarad, um museu aberto em 2005 e sediado numa casa judía do século XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de contar a história da Judería de Córdoba, o museu aborda uma série de elementos da cultura judaica relacionados a seus hábitos religiosos, costumes, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos antigos instrumentos musicais utilizados pelos Sefardíes, como são conhecidos os judeus espanhóis…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAObjetos litúrgicos e utilizados nas datas festivas integram o acervo do museu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA comunidade judaica espanhola falava um idioma conhecido como Ladino. Esta língua ainda sobrevive, sendo utilizada por cerca de 150 mil pessoas no mundo, principalmente em Israel e na Turquia. Procede do castelhano medieval, com algumas contribuições do hebreu e de outros idiomas falados na península, além de influências do turco e do grego.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo vemos o pátio da Casa de Sefarad, um dos inúmeros que podem ser vistos na Judería de Córdoba (sobre os pátios cordobeses realizarei uma série de posts exclusiva).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro aspecto interessante do museu é a parte ligada ao artesanato típico realizado pelos antigos judeus. Suas roupas, por exemplo, estavam decoradas com bordados feitos com fios de ouro, e eram usados tanto por homens, quanto pelas mulheres. Também adornavam os artigos complementares, como cintos e bolsas. Os motivos decorativos principais eram os elementos vegetais e geométricos, e algumas peças possuíam referências bíblicas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO museu realiza periodicamente atividades culturais e conta com uma biblioteca especializada. No  seio da Judería de Córdoba nasceu um dos grandes pensadores da cultura judaica de todos os tempos, Moses Ben Maimon, mais conhecido como Maimônides (Córdoba-1135/Cairo-1204). Médico, rabino e teólogo judeu, sua fama se deve mais a sua obra filosófica. Autor do famoso “Guia dos Perplexos“, escrito em 1190, obra principal de seu pensamento filosófico, nele estabelece uma conciliação entre a fé judaica e a filosofia de Aristóteles, em voga naquela época. Apesar de sua origem, a maior parte de suas obras foi escrita em árabe. Um monumento em sua homenagem pode ser visto na praça que recebe seu nome.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADele é a famosa frase, “Dê um peixe a um homem e o alimentará por um dia. Ensina-lo a pescar, e o alimentará pelo resto de sua vida.” Uma pena que nao tive a oportunidade de visitar a Sinagoga de Córdoba, pois está sendo reformada. Localizada na Calle de los Judíos, é de estilo mudéjar e foi construída no século XIV, a única desta época que se conserva em toda Andaluzia, e uma das três conservadas em Espanha (as outras duas encontram-se em Toledo).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir vemos uma das portas da Muralha de Córdoba, que permite o acesso à Judería.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, realizaremos outro passeio pela Judería de Córdoba

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Córdoba

Situada numa depressao às margens do rio Guadalquivir e aos pés da Serra Morena, Córdoba é a terceira maior cidade Andaluza, depois de Sevilha e Málaga.

Seu primeiro nome conhecido, Corduba, foi outorgado sob a forma de Colônia Patrícia Corduba, quando de sua fundação pelos romanos no séc. I aC. Outras referências, porém, ressaltam uma origem semítica, Qorteba, que significa moinho de azeite. Outras possibilidades seriam Qart-tuba, cidade boa, ou Kart-oba, cidade do rio.

O centro histórico da cidade foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1994, englobando uma das mais extensas áreas catalogadas com este título no mundo.

Seu primeiro momento de esplendor ocorreu quando foi a capital da província romana Hispania Ulterior Baética. A ponte romana que ainda hoje podemos contemplar foi durante 20 séculos a única existente, até que foi construída a ponte de San Rafael em mediados do séc. XX. Construída no séc. I dC, possui um comprimento de 331m e está formada por 16 arcos. Em 2004, tornou-se uma ponte exclusiva para pedestres e em 2008 sofreu a maior reforma de toda sua história, cujo objetivo foi devolver-lhe seu aspecto original.

Córdoba foi o local de nascimento de 3 grandes filósofos: o estóico Sêneca, em sua época romana, foi o primeiro. Averroes, cuja estátua vemos abaixo, é considerado por muitos, o maior filósofo árabe da Idade Média, e sua obra literária gira em torno de Aristóteles, definindo as relações entre religião e filosofia. Por último, o judeu Maimónides. Filósofo, rabino, intérprete da lei hebraica e médico, publicou várias obras em múltiplos campos do saber, das quais o Guia dos Perplexos, obra de filosofia aristotélica baseada na Torá, concilia o judaísmo com a razão.

Abaixo, vemos uma foto da antiga judería, formada por ruas de formato irregular e de casas brancas.

No ano de 711 dC, os árabes invadiram a península e em menos de dois séculos converteram Córdoba na maior cidade da Europa e uma das maiores do mundo e, possivelmente, a mais culta. No séc. X, finalizou-se a grande Mesquita, chegando a ser um importante centro de peregrinação para os muçulmanos. Contava com uma famosa universidade e uma biblioteca com mais de 400 mil volumes. O nível de alfabetização da população era alto e estava adornada com jardins, cascatas e lagos artificiais de grande beleza. Por toda parte se podia admirar suntuosos palácios, cheios de requinte, como por ex., o de Medina Azahara. Levou 25 anos para construir-se e suas ruínas são testemunho de sua antiga grandeza. Mais que um palácio, era uma cidade palatina, construída sob as ordens do primeiro califa de Córdoba, Abderramán III. Situada a 8 km da cidade, sua edificação foi realizada por motivos políticos-religiosos, pois seria uma mostra da superioridade da dinastia Omeya diante de seus inimigos, os Fatimíes, estabelecidos no norte do continente africano. Além disso, pertenciam à comunidade xiita, enquanto os omeyas eram sunitas, fato que supôs uma grande rivalidade entre ambos. A cultura popular, no entanto, diz que foi edificado em homenagem à favorita do califa, chamada Azahara.

Aproveitando o desnível do terreno, a cidade foi distribuída em 3 terraças separadas por muros. O palácio situava-se em sua parte mais elevada. No nível intermediário, estavam as casas dos funcionários mais ilustres da corte e no inferior, a cidade propriamente dita, com sua mesquita.

Os textos históricos e literários nos contam o elevadíssimo gasto de sua construção, do enorme esforço para realizá-lo e de sua monumentalidade e esplendor artístico, além do luxo e ostentação das recepções e cerimônias realizadas no palácio. Transcorrido menos de 100 anos, o conjunto ficou reduzido a um imenso campo de ruínas, pois foi destruído e saqueado no ano 1010, como conseqüência da guerra civil que colocou fim ao califato cordobês.

De todas suas dependências, destaca o salão de Abderramán III, também denominado Salão Rico, por sua qualidade artística e importância histórica. Sua parte central está separada das demais por um conjunto de arcadas de ferradura similar às encontradas na Mesquita de Córdoba.

As paredes estavam revestidas com finos painéis decorados em mármore.

Um de seus motivos principais é a Árvore da Vida, tema importado do oriente, e que tinham um grande simbolismo cosmológico, em concordância com o teto feito de madeira que cobria a estância, onde se representava um céu de estrelas.

A presença árabe na cidade esteve marcada por dois períodos. O primeiro foi o Emirato de Córdoba, proclamado por Abderramán I em 756 dC, no qual tornou-se independente do centro da dinastia, em Bagdá. Já o Califato foi fundado por Abderramán III, em 929 dC. Durante o reinado de seu filho, Hisham II (976/1016), o grande protagonista foi o hayib ou primeiro ministro Almanzor, gênio militar que em várias batalhas manteve aos reis cristãos do norte em xeque, chegando a invadir León, Pamplona, Barcelona e Santiago de Compostela. Depois de sua morte em 1002, os problemas sucessórios levaram a uma guerra civil que ocasionou a desintegração do califato em 1031 dC. Como conseqüência, surgiram os Reinos de Taifas, que devido à sua descentralização e fragilidade, fortaleceu os reinos cristãos e acelerou o processo de Reconquista.

Em 1236, Córdoba é reconquistada para o reino de Castilla y León, graças ao rei Fernando III “El Santo”. Na foto a seguir, vemos sua estátua, na entrada do Alcázar dos Reis Cristaos.

Um dos principais monumentos desta época, este edifício de caráter militar foi construído durante o reinado de Alfonso XI de Castilla, sobre os restos do Alcázar árabe anterior.

Tornou-se a residência dos monarcas em suas estâncias pela cidade, e os Reis Católicos nele permaneceram 8 anos, dirigindo da mesma a campanha contra o último reino muçulmano de Espanha, o Reino de Granada. Em suas dependências, Cristóvão Colombo solicitou os fundos para sua aventura marítima em 1486. Na imagem de abaixo, a estátua de Cristóvao Colombo, junto com os Reis Católicos.

Depois da conquista de Granada (1492), os Reis Católicos cederam o imóvel às autoridades eclesiásticas, que o converteram no Tribunal de Santo Ofício, perdendo seu ambiente palaciego. Com a abolição do Tribunal da Inquisição em 1812, foi transformado em prisão, até que em 1931 foi destinado a fins militares. Por fim, em 1955 foi cedido à prefeitura de Córdoba e, atualmente, é um museu e centro cultural. Na Sala dos Mosaicos, podemos ver alguns deles encontrados na cidade, como este, que pertenceu ao antigo circo romano.

O exterior do alcázar caracteriza-se por sua sobriedade, em contraste com o rico interior, repleto de jardins arborizados e pátios.

Este post apresenta uma pequena parcela do excepcional patrimônio desta cidade de Andaluzia. Recomendo, pois, sua visita, de preferência que nao seja no verao (julho/agosto), por que faz um calor de rachar…