Museu Nacional do Teatro – Almagro

A fundamental relação de Almagro com o teatro vai mais além de seu famoso Corral de Comédias, pois num dos extremos laterais de sua Plaza Mayor situa-se outro local de visita indispensável, o Museu Nacional do Teatro. Está sediado no Palácio Maestrales, construído a mediados do século XIII como residência dos membros mais importantes da Ordem de Calatrava.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVI, o palácio passou a ser a residência do governador de Almagro e no século XVIII converteu-se num quartel de cavalaria. Em 1802, uma parte do palácio acolheu um novo convento da Ordem de Calatrava, mas com a Desamortizaçao de Mendizábal (1836), o edifício passou a ser propriedade de particulares. De seu aspecto original conserva a robusta torre em uma de suas esquinas (foto acima) e um belo pátio central arqueado, formado por arcos de ferradura feitos de tijolo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre 1994 e 2001, o edifício foi reabilitado para acolher o museu, considerado um dos poucos Museus Nacionais situados fora de Madrid. Ocupa três andares, sendo o único museu dedicado exclusivamente à história do teatro no país. Está administrado pelo Instituto Nacional de Artes Cênicas e da Música, um organismo dependente do Ministério de Educação, Cultura e Deporte.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASuas salas nos mostram uma interessante trajetória histórica do Teatro Espanhol, desde seus inícios em época romana, até o século XX, passando por seus maiores dramaturgos, atores e atrizes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Museu Nacional de Teatro de Almagro possui um acervo de mais de 12 mil obras, entre desenhos, gravados, quadros, maquetes e esculturas. Abaixo, vemos um retrato do grande poeta e dramaturgo Federico García Lorca (1898/1936), realizado pelo pintor valenciano Alejandro Cabeza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA grande atriz María Guerrero (1867/1928) aparece retratada pelo pintor Anselmo Miguel Nieto (1881/1964) num quadro realizado em 1914.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir vemos um gravado realizado por Salvador Dalí (1904/1989) para a peça “Don Juan Tenorio“, sendo responsável por sua decoração e vestuário. A peça estreou em 1949 no Teatro María Guerrero de Madrid, sendo considerada uma das melhores adaptações do clássico de José Zorrilla (1817/1893), publicada por primeira vez em 1844.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO museu conta com inúmeras e formidáveis maquetes que retratam a história do teatro na Espanha. Abaixo, vemos uma delas, em que aparece o Parque do Retiro de Madrid, quando a partir do século XVII foi utilizado como cenário de representação teatral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO denominado Século de Ouro da Cultura Espanhola (XVII) está muito bem documentado no museu. Seus grandes dramaturgos realizaram obras eminentementes populares. Neste prolífico período cultural, todas as manifestações teatrais erm conhecidas como comédias, independente se a obra representada era um drama ou tragédia. A exceção constituíam os denominados Autos Sacramentais. A seguir, vemos um deles, realizado por Calderón de La Barca, um dos maiores expoentes do Teatro Espanhol.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo campo escultural, o museu conta com vários bustos, entre os quais o de Fray Gabriel Téllez (1579/1648), mais conhecido por seu pseudônimo, Tirso de Molina, considerado um dos grandes dramaturgos do Barroco Espanhol. O busto foi realizado pelo escultor Lorenzo Coullaut Valera (1876/1932).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos escultores espanhóis que mais admiro, o valenciano Mariano Benlliure (1862/1947), realizou esta bela obra em que retrata a bailarina sevilhana Pastora Rojas Monje (1889/1979), uma das figuras mais representativas da história do flamenco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAVários trajes também podem ser vistos, como o que vemos abaixo, utilizado pela atriz Cristina Higueras, nascida em 1961, para a representaçao da peça “Doña Rosita la Soltera“, de Federico García Lorca, em 1980.

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Menéndez Pelayo

Em todas as épocas e lugares existiram pessoas que contribuíram de forma significativa para o enriquecimento cultural da sociedade. Em muitos casos, a importância destas personalidades ultrapassaram seu local de origem, adquirindo um status nacional e mesmo universal. Este é o caso de Marcelino Menéndez Pelayo (Santander: 1856/1912), uma das figuras mais relevantes do âmbito intelectual, literário e político da história de Santander. Abaixo, vemos um busto deste grande homem no Palácio de la Magdalena, sede principal da universidade que leva seu nome.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMenéndez Pelayo foi escritor, crítico literário, historiador das idéias, da literatura espanhola e latino americana. Também foi político de grande relevância, cultivando a tradução, a poesia  e a filosofia. É considerado um dos mais importantes historiadores da Espanha, com um estilo incomparável e uma extraordinária capacidade crítica. Em Santander podemos conhecer a casa onde viveu junto com sua família, e nela também faleceu em 1912.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACom apenas 22 anos obteve a cátedra de História Crítica de Literatura Espanhola na Universidade Central de Madrid, onde se licenciou e fez doutorado em filosofia e letras. Com 25 anos, foi eleito acadêmico da Real Academia Espanhola. Posteriormente também  recebeu esta distinção nas Reais Academias de História, de Ciências Morais e Políticas e de Belas Artes de San Fernando, sendo o único espanhol de sua época que logrou fazer parte das quatro instituições. A seguir, vemos no jardim de sua casa monumentos em sua homenagem, recebidos de vários países americanos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA partir dos anos 90 do século XIX foi nomeado diretor da Biblioteca Nacional da Espanha, situada em Madrid, cargo que ocupou até sua morte. Seguiu a carreira política, e foi deputado e senador. Em 1905, este erudito de prestígio internacional foi nomeado ao Prêmio Nobel. Abaixo, vemos a estátua de Menéndez Pelayo realizada pelo escultor valenciano Mariano Benlliure e inaugurada em 1923, colocada em frente à Biblioteca Menéndez Pelayo de Santander.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta grande e impressionante biblioteca foi formada por Menéndez Pelayo ao longo de sua vida. Seu acervo está composto por mais de mil manuscritos e quase 42 mil livros, dos quais 22 do século XV, mais de 1000 dos século XVI e XVII, quase 3 mil do XVIII e cerca de 35 mil dos séculos XIX e princípio do XX. A seguir vemos uma foto da fachada principal da biblioteca, situada ao lado da casa onde viveu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo grande sábio que era, destacou-se por sua generosidade e sempre esteve disposto a comunicar seus enormes conhecimentos, além de abrir sua biblioteca a quem necessitasse. Em seu testamento, deixou sua biblioteca à Prefeitura de Santander, e hoje em dia é aberta ao público e investigadores para consultas. Fiz questão de conhecer seu interior, e abaixo publico uma foto…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, vemos  uma imagem deste intelectual fundamental da história espanhola, que pude fotografar dentro da biblioteca.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu sepulcro encontra-se no interior da Catedral de Santander….

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Palácio de la Magdalena

Na parte mais elevada da Península de la Magdalena situa-se certamente o edifício mais emblemático de Santander, o Palácio de la Magdalena. Esta construção foi realizada por iniciativa popular para ser a residência de verão do rei Alfonso XIII e sua família.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO palácio foi construído no estilo eclético, combinando elementos das arquiteturas francesa e inglesa e também da arquitetura regionalista da Cantábria. Em sua parte exterior destacam as duas torres octogonais de alturas diferentes, além de sua complexa cobertura rematada com pedra de ardósia (pizarra, em espanhol).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs obras iniciaram em 1909 e três anos depois o palácio foi entregue à família real. Durante a estadia do monarca no mês de julho, Santander se convertia na capital política do reino, fato que ocorreu entre 1913 e 1930.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a proclamação da Segunda República em 1931, a família real partiu para o exílio e o palácio acabou exercendo outras funções, como sede da Universidade Internacional de Verao, criada em 1932. Em 1977, a Prefeitura de Santander tornou-se a proprietária de toda a Península de la Magdalena e abriu o palácio para a visitação pública.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1982, o Palácio de la Magdalena foi declarado Monumento Histórico-Artístico. Atualmente é utilizado como museu e local para a celebração de congressos, eventos, casamentos e também como sede principal da Universidade Internacional Menéndez Pelayo. Abaixo, vemos o busto do rei Alfonso XIII (1886/1941) colocado no interior do palácio, realizado pelo grande escultor valenciano Mariano Benlliure (1862/1947).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAE o busto de Victoria Eugenia (1887/1969), esposa do rei e rainha consorte da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASe realizam visitas guiadas pelo interior do palácio, que exibe salas em perfeito estado de conservação. Abaixo vemos o comedor de gala, utilizado pelos reis…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Hall principal do palácio, decorado com o quadro intitulado “Retrato de Infantes“, obra de Manuel Benedito (1875/1963), outro artista valenciano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos elementos mais frequentes na decoração do palácio é a flor de liz, símbolo da Dinastia dos Bourbones, que continua sendo a dinastia real na Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir vemos imagens de outras dependências do Palácio de la Magdalena

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADentro dos limites do palácio também se conserva o local onde se guardavam os cavalos, carruagens, etc (na Espanha denominada Caballerizas). Foi construída em 1915 no estilo inglês e atualmente é usada como residência para estudantes, professores e profissionais da imprensa durante os cursos realizados pela Universidade Internacional Menéndez Pelayo.

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Um Passeio por Valencia – Parte 3

Nesta matéria veremos outros lugares de interesse histórico, cultural e gastronômico existentes em Valencia e que merecem ser conhecidos num passeio pela cidade. O primeiro deles é o Palácio Arcebispal, residência do Bispo de Valencia. Sua origem se remonta ao século XIII, mas foi continuamente reformado, principalmente no século XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a Guerra Civil Espanhola, o edifício foi incendiado, perdendo grande parte de seus tesouros literários e religiosos. Por este motivo, teve que ser reconstruído ao final da guerra, cujo projeto foi realizado no estilo eclético pelo arquiteto Vicente Traver Tomás, entre 1941 e 1946.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra construção interessante e importante do ponto de vista arquitetônico é a Antiga Fábrica “La Lanera”. Como o próprio nome indica, foi construída entre 1917 e 1921 pelo arquiteto Alfonso Garin como uma fábrica têxtil. O edifício ocupa quase todo o quarteirão, e foi construído no Estilo Art Noveau. De grande desenvolvimento horizontal, foi um dos primeiros edifícios da cidade em que se utilizou o concreto armado. Felizmente, permanece de pé, como um belo exemplo da Arquitetura Industrial.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPelo centro da cidade podemos admirar belas estátuas representativas de grandes personalidades valencianas, caso da estátua realizada pelo grande Mariano Benlliure em homenagem a outra figura imprescindível da cultura local, o pintor José de Ribera.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta estátua é considerada um dos melhores trabalhos de Mariano Benlliure (1862/1947), que a esculpiu quando tinha apenas 25 anos, consagrando-o como talentoso artista que era. Destaca-se por seu preciosismo técnico, e recebeu o primeiro prêmio de escultura da Exposição Nacional realizada em Madrid em 1887. Benlliure retrata o famoso pintor, mas também o típico cavalheiro espanhol do século XVII, com espada na mão. Como curiosidade, um dos botões da vestimenta do pintor encontra-se desabotoado, talvez pelo fato do escultor imaginar o pintor de forma descuidada, aspecto que muitas vezes caracterizam os gênios…

Em meus passeios pela cidades da Espanha, sempre que vejo um local que desperta minha atenção, entro para ver como é o interior do edifício, algo que me proporciona na maioria das vezes gratas surpresas. Este foi o caso do denominado Octubre Centro Cultural Contemporâneo, cuja sede ocupa um antigo armazém têxtil chamado Siglo Valenciano, que tornou-se famoso em sua época.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste espaço cultural realiza exposições relacionadas à Cultura da Catalunha, e também de Valencia, além de organizar atos públicos. Abaixo, vemos imagens de seu belo interior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm relação aos Comércios Históricos, um dos mais conhecidos da cidade é a Horchatería Santa Catalina, que recebeu este nome ao estar localizada praticamente em frente da Igreja de Santa Catalina, bem no centro da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA antiguidade do local se comprova pela visita de uma personalidade da família real, a Infanta Isabel, que esteve no lugar em 1907. Uma placa comemorativa assim o confirma…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADecorado por um belo conjunto de azulejos, neste estabelecimento tradicional da cidade se pode provar um delicioso chocolate quente ou então uma Horchata, uma refrescante bebida preparada com água, açúcar, canela, um pouco de limão e chufas, um tubérculo comestível.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO próximo post será o último dedicado a esta imprescindível cidade espanhola, e nele veremos uma arte genuína e popular, os Grafites

Museu de Belas Artes – Última Parte

Nesta última matéria sobre o Museu de Belas Artes de Valencia, veremos algumas das obras de seu acervo permanente relacionadas com a Pintura Neoclássica e outros artistas fundamentais do panorama espanhol dos séculos XIX e XX. O século XVIII ficou conhecido como o Século das Luzes, quando o racionalismo exerceu o princípio básico nas manifestações humanas. Como reação aos excessos barrocos, surge o movimento neoclássico, que se desenvolve em todos os campos artísticos. Surgido na França na primeira metade do século XVIII, transforma-se na estética da Ilustração, recuperando os valores da cultura greco-romana, especialmente nos aspectos relacionados à simplicidade, simetria e elegância. Na pintura, o neoclassicismo exalta a claridade compositiva e o predomínio do desenho sobre a cor. Devido a que os restos pictóricos da antiguidade não estavam disponíveis, a Pintura Neoclássica se inspira na escultura. Os principais temas abordados incluem os retratos, fatos históricos e a mitologia. Da mesma forma que sucedeu na arquitetura, os monarcas espanhóis da Dinastia dos Bourbons trouxeram artistas estrangeiros para que realizassem a decoração do Palácio Real. Um deles, o pintor de origem alemã Anton Raphael Mengs (1728/1779) foi o responsável pela difusão do neoclassicismo na Pintura Espanhola, principalmente depois que ocupou a direção da Real Academia de Bellas Artes de San Fernando de Madrid, instituição acadêmica que impôs as regras do novo estilo, exercendo uma grande influência na formação de muitos artistas, entre os quais o pintor valenciano Mariano Salvador Maella (1739/1819). Abaixo, vemos o quadro de Maella intitulado “Sueño de San José“, que podemos contemplar no Museu de Belas Artes de Valencia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Mariano Salvador Maella tornou-se pintor de câmara durante o reinado de Carlos III, que reconheceu seu grande talento como retratista. Em 1799, alcançou o apogeu como pintor real, junto com Goya. Com a queda do Rei Carlos IV e a chegada ao trono do francês José I, irmão de Napoleão Bonaparte, o pintor prestou seus serviços ao monarca francês, fato que lhe acabou causando sua decadência, pois foi considerado afrancesado. Abaixo, vemos a obra”Exequias do Beato Gaspar Bono“, uma das quatro obras que realizou para a capela do beato, situada no Convento de San Sebastián de Valencia. Gaspar de Bono (1530/1604) foi um beato pertencente à Ordem dos Mínimos que destacou-se por sua caridade, sendo beatificado em 1786.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom o final da Guerra da Independência e o retorno do rei espanhol Fernando VII ao trono, Mariano Salvador Maella foi afastado do cargo, sendo substituído pelo também valenciano Vicente López Portaña (1772/1850) como pintor de câmara a partir de 1815. Este pintor é considerado um dos maiores retratistas da pintura espanhola. Seu pessoal sentido realista dos personagens retratados foi herdado da tradição naturalista da escola valenciana, principalmente de Francisco Ribalta e José de Ribera. Além do mais, possuía uma excepcional capacidade para a reprodução dos tecidos e objetos de adorno. Durante uma visita do Rei Carlos IV à Valencia em 1802, Vicente López realizou um belo retrato do monarca, que vemos a seguir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos grandes mestres da História da Pintura, Francisco de Goya y Lucientes (1746/1828) também cultivou a pintura neoclássica, apesar de que o grande pintor aragonês não pode ser classificado dentro de um estilo determinado, devido a sua variedade e personalidade artística. Com ele se inicia a pintura contemporânea, sendo considerado o precursor das vanguardas artísticas do século XX. Como retratista foi excepcional, recebendo inúmeros encargos reais e da aristocracia espanhola. Um exemplo é o “Retrato de Mariano Ferrer y Aulet“, datado entre 1780 e 1783. Este personagem foi secretário da prestigiosa Real Academia de San Carlos de Valencia, origem do atual Museu de Belas Artes. O fundo negro do quadro ressalta seu rosto, que se mostra sereno e relaxado diante do pintor.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro quadro de Goya que representa sua enorme qualidade como retratista é o “Retrato de Joaquina Candado Ricarte“, pintado durante uma visita do pintor aragonês à Valencia. Realizado com grande desenvoltura técnica, existem controvérsias a respeito da verdadeira identidade desta personagem. Alguns afirmam que se trata da modelo utilizada por Goya nos famosos quadros “Maja Desnuda” e “Maja Vestida“, que podem ser vistos no Museu do Prado. Nesta obra, a retratada aparece de corpo inteiro e ricamente vestida, denotando sua elevada posição social. O retrato foi ambientado num espaço aberto, campestre. A dourada luz que inunda a personagem provoca um efeito de luz que anuncia o Impressionismo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalmente, algumas salas do Museu de Belas Artes de Valencia foram dedicadas exclusivamente a artistas valencianos de grande prestígio no final do século XIX e na primeira metade do XX. O primeiro deles é o pintor Joaquín Sorolla (1863/1923), a quem foi organizada uma excepcional exposição.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAArtista prolífico, Joaquín Sorolla deixou mais de 2200 obras catalogadas. Desde jovem mostrou interesse pela pintura ao ar livre, captando a luminosidade mediterrânea e o ambiente costeiro. Durante a fase final de sua vida, viveu em Madrid e sua casa foi transformado num museu cuja visita recomendo (ver post publicado em 8/11/2012).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos a matéria com Mariano Benlliure Gil (1862/1947), notável escultor valenciano, que possui um excepcional conjunto de obras no Museu de Belas Artes. Sua formação com o pintor Francisco Domingo Marqués lhe permitiu adaptar o realismo pictórico à escultura. Sua projeção internacional como escultor se consolidou com a Exposição Universal de Paris de 1900, quando obteve o Prêmio de Honra, a mesma distinção outorgada a Joaquín Sorolla. A grande coleçao de obras de Mariano Benlliure no museu se deve à generosidade do próprio artista, pois a maior parte das obras expostas foram doadas pelo escultor em 1940. Abaixo, vemos um “Autorretrato”, realizado em bronze para a Academia de Belas Artes de San Lucas, de Roma.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos artistas mais influentes de sua época, Mariano Benlliure dedicou-se aos temas populares, monumentos comemorativos e retratos, tanto de personagens da sociedade quanto da família real, como o “Busto de Alfonso XIII“, um encargo do monarca para o casamento com Victoria Eugenia de Battenberg, que também foi representado numa escultura equestre.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAMariano Benlliure foi o tema de duas matérias realizadas em 19/11 e 20/11/2015, pois muitas das esculturas mais famosas de Madrid foram esculpidas por ele. Existe inclusive um trajeto pela cidade em que é possível admirar muitas de suas obras mais conhecidas.

A Prefeitura de Valencia

O Edifício da Prefeitura de Valencia domina com sua grandiosidade a Plaza del Ayuntamiento (Praça da Prefeitura). Esta bela construção, declarada Monumento Histórico-Artístico em 1962, pode ser visitada, pois em seu interior  se encontra o Museu Histórico Municipal. A visita inclui outras dependências da prefeitura, e vale a pena entrar no edifício para descobri-las.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO edifício foi levantado sobre a antiga Real Casa de la Enseñanza (ensino, em português), uma instituição criada no século XVIII para a educação de crianças sem recursos. Várias reformas e ampliações foram efetuadas, como a que se realizou a partir de 1906, modificando em especial sua fachada, cuja obra foi encarregada aos arquitetos Francisco Mora Berenguer e Carlos Carbonell Pañella. Esta reforma fez com que o edifício adquirisse um aspecto de palácio, composto por elementos da arquitetura clássica. No corpo central, que vemos acima, situou-se a torre do relógio, franqueado por duas torres quadradas, em perfeita simetria. Quatro colunas sustentam o balcao de pedra, realizado entre 1965 e 1967. Mariano Benlliure, grande escultor valenciano, esculpiu dois relevos de mármore, representando a administração e a justiça.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJusto embaixo do relógio, vemos duas figuras femininas (imagem acima), também realizadas por Mariano Benlliure, uma referência às Artes e às Letras. No centro, foi colocado o Escudo da Cidade de Valencia. Nos extremos de cada lado, vemos torres circulares.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAQuando entramos no edifício, o primeiro que vemos é a imponente escada neoclássica que permite o acesso aos andares superiores. De 1924, foi reconstruída depois da Guerra Civil.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo teto, foi colocada uma clarabóia que permite a iluminação natural do espaço, composta por um estrutura acristalada plana, em cuja parte central vemos também o escudo da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMaravilhoso por sua bela decoração , o Salão de Festas, também denominado de Cristal, foi construído em 1929 e inaugurado pelo Rei Alfonso XIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta magnífica dependência é iluminada, tanto pelos vitrais coloridos, quanto pelos lustres feitos com cristal da Bohemia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO teto da sala foi decorado com pinturas a óleo, realizadas pelo pintor Salvador Tuset (1883/1951), que representam alegorias do céu, da terra e do mar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANas paredes laterais, vemos relevos de mármore de nus masculinos e femininos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo fundo da sala, outra vez aparece o Escudo de Valencia, amparado por dois meninos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro espaço que está incluído na visita gratuita pelo Edifício da Prefeitura, o Hemiciclo se destaca por seu formato semicircular, presidido por um quadro do atual Rei da Espanha, Felipe VI, filho de Juan Carlos I e da Rainha Sofia. O Hemiciclo é também conhecido como Salão de Plenos, onde se realizam sessões de caráter político.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO mais importante de tudo é que a Prefeitura de Valencia está aberta à visitação pública, possibilitando uma aproximação entre os cidadãos e as instituições públicas que representam.

 

Antigo Convento Carmelita – Valencia

A Ordem Carmelita chegou a Valencia em 1280, logo depois da morte do rei Jaime I. Os frades se estabeleceram num convento, hoje centro cultural, que engloba vários estilos arquitetônicos. O antigo convento se articula ao redor de dois claustros, sendo o mais antigo construído no estilo gótico, entre os séculos XIV e XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANuma das capelas do claustro gótico podemos ver o sarcófago do escritor, jornalista e político espanhol, nascido em Valencia, Vicente Blasco Ibáñez (1867/1928). A obra foi encarregada pela Prefeitura da cidade ao grande escultor, também valenciano, Mariano Benlliure Gil (1862/1947), que finalizou o sepulcro em 1935.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO outro claustro conventual foi edificado no estilo renascentista, entre os séculos XVI e XVII, cujo responsável da construção foi o frade carmelita Gaspar de Sent Martí.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma das galerias que compõem o claustro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO convento possuía todas as dependências necessárias para seu funcionamento, como refeitório, dormitórios, e a igreja que vemos a seguir, situada na Plaza del Carmen.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Paróquia de Santíssima Cruz, seu nome oficial, foi construída a partir de 1343. Da construção original nada resta, pois o templo foi reformado no século XVII, no estilo barroco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa primeira metade do século XIX, o Convento Carmelita foi desamortizado e abandonado pela comunidade religiosa, mas a igreja continuou realizando cultos após o fechamento do convento. A partir deste momento, o antigo espaço conventual passou a sediar várias instituições culturais, transformando-se na primeira sede do Museu de Belas Artes de Valencia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, o edifício sede do museu situa-se em outro local, mas o antigo convento carmelita realiza uma ampla atividade cultural com exposições temporárias, dependentes do Museu de Belas Artes. Pude presenciar uma exposição interessante de obras contemporâneas no local.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASua função como centro cultural fez com que o edifício fosse adaptado e ampliado, e novas dependências surgiram, como a Sala Ferreres, cujo nome é uma homenagem ao arquiteto que a projetou, Luis Ferreres Soler.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1983, o Antigo Convento Carmelita de Valencia recebeu o título de Monumento Histórico-Artístico, e vale a pena conhecê-lo, tanto por sua secular história, quanto pelas atividades culturais que organiza.