Ponte de Toledo – Madrid

De todas as pontes que cruzam o Rio Manzanares, e que atualmente se encontram dentro dos limites do Parque Madrid Rio, a Ponte de Toledo é a mais bela, sem dúvida nenhuma.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAo longo dos séculos, várias pontes receberam esta denominação, mas foram destruídas pelas enchentes do rio. Em 1718, durante o reinado de Felipe IV, o Marquês de Vadillo, corregidor da vila, encarregou ao grande arquiteto barroco Pedro de Ribera a construção de uma nova ponte, finalizada em 1732, que felizmente se conserva atualmente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstá formada por 9 arcos e  foi construída de forma sólida e bem estruturada, para resistir à força das águas. O objetivo primordial de sua construção foi enlaçar a vila de Madrid com o antigo caminho à Toledo e Andaluzia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA outra função da Ponte de Toledo era que houvesse uma entrada digna à capital do reino desde o município de Carabanchel, hoje em dia integrado à cidade como um de seus distritos, uma zona em que foram edificados vários palácios aristocráticos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAQuando foi finalizada, a Ponte de Toledo sofreu várias críticas dos intelectuais e escritores da época, que comentavam que se tratava de “muita ponte para pouco rio…”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA ponte foi decorada com duas estruturas que acolhem as imagens do santo padroeiro de Madrid, San Isidro, e de sua esposa, Santa María de la Cabeza, que vemos acima e abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASan Isidro aparece realizando seu milagre mais conhecido, o chamado “Milagre do Poço“. Conta a tradição que seu filho caiu num poço profundo e o santo, através de suas orações e fé, conseguiu fazer com que a água do poço subisse, podendo desta forma resgatá-lo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABem em frente foi colocada a imagem de Santa María de la Cabeza

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Ponte de Toledo une duas rotatórias (em espanhol chamadas de Glorietas), a Glorieta de Pirâmides com a Glorieta do Marquês de Vadillo. Na Glorieta de Pirâmides vemos dois obeliscos, construídos em 1831.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADuas belas fontes construídas por Pedro de Ribera embelezam este lado da ponte….

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo outro lado, na Glorieta do Marquês de Vadillo, vemos duas torres também decoradas, uma espécie de porta de entrada a ponte.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o detalhe decorativo da parte superior das torres….

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante décadas, a Ponte de Toledo serviu de estacionamento para os jogos disputados no Estádio Vicente Calderón, que abaixo vemos ao fundo de um dos arcos que constituem a ponte.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1956 foi declarada Monumento Histórico-Artístico e em 1966 passou a ser utilizada somente para pedestres.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom esta matéria, finalizo a série sobre o Parque Madrid Rio…até o próximo post !!!!

Pedro de Ribera

Depois de alguns dias de férias, retorno com uma vontade redobrada para mostrar a vocês mais lugares referentes do patrimônio espanhol e os personagens mais ilustres de sua cultura. O post de hoje e o próximo estarao dedicados a Pedro de Ribera, um dos arquitetos barrocos mais importantes do panorama artístico do país, que deixou uma marca inconfundível na paisagem urbana de Madrid. A matéria serve também como conclusao da série de posts sobre o Bairro de Lavapiés, pois na Calle del Oso nasceu o arquiteto em 1681 e no bairro residiu ao longo de sua vida, como comprova o edifício de sua propriedade que vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPedro de Ribera é considerado um arquiteto autodidata, que foi capaz de criar um estilo próprio. No início, Ribera alistou-se no exército de Felipe V, levantando as barracas de campanha feitas de madeira, ofício que aprendeu de seu pai, que era carpinteiro. Já como arquiteto, trabalhou com Teodoro Ardemans e José Benito de Churriguera, do qual é considerado discípulo, que também viveu no Bairro de Lavapiés. Estes três nomes formam o grupo mais representativo do chamado Barroco Castizo de Madrid, pertencente à fase final do estilo. No entanto, a fama que Ribera adquiriu atualmente, nao coincide com o desprezo que a Real Academia de Belas Artes outorgava às suas obras, bem como pelo monarca Felipe V e sua esposa Isabel de Farnésio, que nao eram partidários da arquitetura barroca realizada pelos arquitetos espanhóis, preferindo a  estética neoclássica que se estava desenvolvendo na Itália e na França no séc. XVIII. Abaixo, vemos uma escultura do monarca, que podemos ver no Palácio Real deMadrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar da ditadura do neoclacissismo imposta na época, Pedro de Ribera logrou um êxito profissional que se deve em parte ao bom relacionamento que possuía com o Marquês de Vadillo, considerado um dos melhores prefeitos que Madrid já teve, que o apoiou em muitas de suas obras. Abaixo, vemos um retrato do marquês, realizado em 1729 pelo pintor Miguel Jacinto Meléndez,  no ano de seu falecimento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA colaboraçao entre ambos se manteve até o final da vida do marquês, que foi enterrado num sepulcro existente na Ermita de la Virgen del Puerto, realizado por Ribera. Esta foi a primeira obra de importância do arquiteto em Madrid, considerada um dos primeiros edifícios barrocos do país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruída entre 1716 /1718, foi destruída durante a Guerra Civil Espanhola, pois se encontrava numa das frentes de batalha da disputa. Foi reconstruída em 1945, depois de ter sido declarada Monumento Nacional. Para maiores informaçoes, ver o post publicado em 13/7/2013. Abaixo, vemos o sepulcro do Marquês de Vadillo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1718, Ribera é nomeado ajudante de Teodoro Ardemans, entao Mestre Maior das Obras e Fontes de Madrid, cargo que passa a ocupar depois da morte deste último. Nesta privilegiada posiçao, Pedro de Ribera começa a realizar obras para a corte, apesar da preferência do rei pelos arquitetos estrangeiros. Um dos encargos recebidos por Felipe V foi a construçao da Ponte de Toledo, a terceira existente no local, sendo que as duas anteriores forma destruídas com as enchentes provocadas pelo Rio Manzanares. Construída com granito, foi edificada entre 1718 e 1732, e declarada Monumento Histórico-Artístico em 1956 (publicada em 18/4/2012).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERARibera edificou, total ou parcialmente, algumas das igrejas mais conhecidas da cidade, como a Igreja de San José, entre 1730 e 1748 (matéria publicada em 10 e 11/4/2014).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERALevantou também a torre da Igreja de Montserrat em 1729 (publicada em 20/1/2014), cuja técnica e esmero empregado é uma marca característica do arquiteto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das principais senhas de identidade de Ribera sao as fachadas de pedra dos edifícios que construiu. Um exemplo notável vemos no Quartel do Conde Duque, cuja matéria foi publicada em 12/4/2015.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFelipe V ordenou ao arquiteto a construçao deste edifício, o maior de Madrid na época (224m de comprimento x 82m de largura). A fachada é um exemplo do estilo churrigueresco, realizada como se fosse um retábulo de pedra. No alto vemos o escudo do monarca com a inscriçao: “Reinando Felipe V, ano 1720”.

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Quartel do Conde Duque – Madrid

Os guardas da monarquia espanhola tiveram que esperar até princípios do séc. XVIII para ter um local que lhes acolhessem no centro da cidade de Madrid. Como vocês viram no post anterior, depois que Madrid tornou-se capital da Espanha em 1561, os soldados inicialmente se hospedaram nas próprias casas dos moradores da cidade, desde que a residência tivesse mais de um andar, segundo ditava a lei da Regalía do Aposento instituída por Felipe II. Somente a partir de 1717, durante o reinado de Felipe V, o primeiro monarca da Dinastia dos Bourbones, se construiu um quartel para albergar a Real Guardia de Corps, um corpo militar de elite criado para a custódia pessoal do rei em 1704.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo começo do séc. XVIII, o exército espanhol passava pelos piores momentos de sua história, devido a uma série de derrotas sofridas no continente europeu naquele período. Por isso, no início de seu reinado, Felipe V construiu vários quartéis na cidade, dos quais o chamado Quartel do Conde Duque tornou-se o mais famoso. Durante muito tempo foi considerada a maior construçao da capital, com 224m de comprimento por 82m de largura. O quartel foi edificado sobre o solar do antigo Palácio do Conde de Lemos e III Duque de Berwick y Líria, que se casou com a filha do Duque de Alba, família proprietária dos terrenos da regiao. Daí vem a explicaçao de seu nome.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA grandiosidade da construçao se explica porque foi concebida para acolher 600 sodados da Guardia de Corps, além de 400 cavalos. Felipe V ordenou ao prefeito de Madrid na época, o Marquês de Vadillo, a construçao deste magnífico edifício. Este, por sua vez, encarregou o arquiteto Pedro de Ribera, que projetou a última amostra do Barroco Madrilenho, visível principalmente na fachada feita de pedra pelo grande arquiteto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO escudo de Felipe V preside a maravilhosa fachada do edifício, que vemos na parte superior. Exemplo da arquitetura militar francesa, o Quartel do Conde Duque possui 3 enormes pátios, sendo o central maior que os demais, e utilizado para os exercícios de cavalaria da Real Guardia de Corps.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAExistem visitas guiadas que possibilitam conhecer zonas que normalmente nao estao permitidas nos dias normais, como a parte superior da construçao, com amplas vistas da cidade. Em 1869, um incêndio devastador provocou a decadência do Quartel do Conde Duque.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANos anos 50 do século passado, foi quase derrubado, mas em 1969 foi adquirido pela prefeitura que o converteu num centro cultural, depois de uma reforma de reabilitaçao para tal fim.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1976, foi declarado Monumento Nacional. Suas antigas funçoes militares deram lugar a um centro cultural repleto de atividades, como conferências, exposiçoes, além de sediar a Biblioteca Pública Municipal e o Arquivo Histórico da Vila de Madrid, entre outras entidades.

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Ermita de la Virgen del Puerto – Madrid

Esta famosa ermita madrilenha situa-se no Paseo de la Virgen del Puerto, próximo às margens do Rio Manzanares. Foi construída pelo arquiteto Pedro de Ribera, uma de suas primeiras obras na cidade, sendo o encarregado também da construção da avenida onde se localiza em 1726, como parte de um projeto de renovação urbana ordenado por Felipe V, para reorganizar e embelezar as proximidades do antigo Alcázar (hoje Palácio Real).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInaugurada em 1718, a ermita representa um dos primeiros exemplos da arte barroca na capital espanhola. Durante séculos, era o destino de uma romaria que se realizava em adoração à imagem da virgem, cujo culto originou a existência do templo. A obra foi impulsionada pelo Marquês de Vadillo, então prefeito de Madrid, cujo sepulcro encontra-se no interior da ermita, obra igualmente executada por Pedro de Ribera.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA ermita constitui uma curiosa combinação de elementos arquitetônicos da cidade na época dos Habsburgos, e a arquitetura barroca do séc. XVIII. A fachada está marcada por duas torres, cada qual coroada com seus sinos e capitéis.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPraticamente destruída durante a Guerra Civil, o edifício atual é uma reconstrução realizada em 1945. A imagem da Virgen del Puerto, que se encontrava no interior, também foi afetada, e a atual é uma cópia. A Virgem é a padroeira da cidade natal do Marquês de Vadillo, Plasencia, da qual era muito devoto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs festividades em honra à Virgem ocorrem anualmente no dia 8 de setembro, e são conhecidas como as Festas de la Melonera, graças aos postos de vendas de melões que se instalam nas proximidades da ermita durante os dias festivos. A tradição conta que as moças madrilenhas, antes de casarem-se, pediam à Virgem que o noivo fosse um bom marido. Para que o desejo se cumprisse, a tradição obrigava a compra de um melão, que seria dividido entre o casal. Abaixo, vemos uma foto do interior do templo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Ermita de la Virgen del Puerto foi declarada Monumento Nacional em 1945. Finalizamos a matéria com uma foto da ermita, de princípio do séc. XX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAobs: no post, adotei o nome da ermita em seu original em castelhano, ao contrário das referências à Virgem, escritas em português.