Colegiata de Santa Maria – Úbeda

Nao bastasse seus magníficos edifícios públicos e a Sacra Capela do Salvador do Mundo, na Plaza de Vázquez de Molina situa-se também o templo mais importante de Úbeda, a Colegiata de Santa María de los Alcázares. A igreja ocupa o mesmo local da antiga mesquita da cidade. Depois de reconquistada em 1234 por Fernando III, transformou-se em templo católico, como tantas vezes ocorreu na história espanhola.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADesde o séc. XIV, a igreja sofreu inúmeras reformas, motivo pelo qual carece de unidade arquitetônica. Seu aspecto original possuía um caráter de fortaleza, estando adossada aos muros do antigo Alcázar, derrubado pelos Reis Católicos no séc. XV. No século seguinte, foram realizadas as reformas mais importantes do templo, que lhe conferiram a forma que vemos atualmente. A fachada principal, que vemos acima, possui duas colunas de estilo coríntio de cada lado. Em sua parte central, vemos as estátuas de Isaías e Moisés e o grande relevo representando a Adoraçao dos Pastores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1888, foram construídas as duas espaldanas (estrutura superior da fachada principal, que vemos na primeira foto acima), que substituiram a primitiva torre campanário. A outra porta da Colegiata de Santa Maria chama-se Portada de la Consolada, com destaque para uma imagem da Virgem Maria e o Menino Jesus, acompanhada pelo escudo do bispo Sancho De Ávila, promotor das reformas do templo no séc. XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior está composto por 5 naves separadas por Arcos Ojivais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Coro desapareceu na Guerra Civil e das 32 capelas existentes, se conservam 16. A mais importante é a Capela Maior, local em que, segundo a tradiçao, foi realizada a primeira missa na cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA capela está presidida pelo Cristo dos 4 Cravos, uma imagem do séc. XV realizada numa postura retorcida.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa cúpula, de estilo barroco, vemos representados os 4 Evangelistas em cada uma de suas esquinas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA denominada Capela de Yedra é a segunda em importância, depois da Capela Maior. O seu destaque fica por conta da excepcional reja policromada. Nela, observamos cenas como o abraço entre Sao Joaquim e Santa Ana, acompanhados por anjos e pastores. Na parte superior, vemos a Árvore de Jessé, que nos mostra a Genealogia de Cristo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa Capela Batismal, podemos contemplar uma Pia Batismal gótico-mudéjar do séc. XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra capela interessante é a do Cristo da Caída, com uma escultura de um dos grandes artistas do séc. XX na Espanha, Mariano Benlliure.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA porta de acesso à Sacristia fazia parte da antiga Capela de la Merced. Esta belíssima porta possui duas partes. A superior é gótica, com um grande Arco Conopial e as imagens de Sao Joao, Sao Paulo e a Virgem. A Inferior é barroca, com uma Arco de Meio Ponto e um tímpano decorado com um relevo do Escudo da Colegiata.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, uma foto da Sacristia

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro elemento destacável é o Claustro Gótico. De finais do séc. XV., possui um curioso formato de trapézio irregular. Ao seu redor, se abrem várias capelas funerárias e um pátio, parte integrante da antiga mesquita.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACom esta matéria, finalizo a “viagem” às cidades irmas de Baeza e Úbeda, mas a Província de Jaén ainda nos reserva muitas surpresas, como sua capital provincial, que em breve veremos no blog. Como dizem os espanhóis, un saludo a todos (as) que visitam o blog, até a próxima !!!!!.

A Concatedral de Guadalajara

No plano religioso, Guadalajara conta com vários conventos e igrejas, que em breve veremos no blog. Seu principal templo é a Concatedral de Santa Maria, uma das mais peculiares do território espanhol. O termo concatedral designa um templo com nível de catedral, mas que divide a diocese local com outra catedral. Abaixo, vemos um plano geral da Concatedral de Guadalajara.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo acontece em muitos casos no país (Toledo, Zaragoza, etc) a igreja foi construída sobre a antiga mesquita da cidade. Originária do séc. XIII, foi edificada no estilo mudéjar, como podemos observar em sua sóbria torre.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua característica principal é a combinaçao de estilos artísticos, devido às reformas e ampliaçoes realizadas durante os séculos posteriores à sua construçao. O pórtico, por exemplo, rodeia todo o átrio e foi incorporado ao templo apenas no séc. XVI, dentro da estética renascentista.

DSC07862Um dos principais aspectos que chamam a atençao da Concatedral de Guadalajara sao as 3 portadas formadas por Arcos de Ferradura, que lhe conferem uma personalidade própria e um aspecto exótico. Cada uma delas comunica com as 3 naves do interior do templo.

DSC07857DSC07859Atualmente, o interior encontra-se bastante modificado em relaçao ao aspecto original que possuía no séc. XIV, quando foi finalizada sua construçao. Ainda assim, nos revela belas perspectivas, com um belo conjunto dde retábulos barrocos.

DSC07950DSC07959A seguir vemos um dos retábulos que decoram as naves laterais da igreja, com uma interessante estátua do papa Joao Paulo II.

DSC07955O Retábulo Maior foi realizado em 1624 pelo frade Francisco Mir no estilo barroco.

DSC07951Na sequência, vemos uma imagem da parte superior do Retábulo Maior.

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Tudela – Navarra

Segunda cidade mais populosa de Navarra, com aprox. 35 mil habitantes, Tudela localiza-se no sul da comunidade e é banhada pelas águas do Rio Ebro. Fundada em 802 durante o reinado de Al Hakan I, é considerada uma das cidades de origem muçulmana mais importantes da Espanha e mesmo da Europa. Durante o domínio árabe, adquiriu grande protagonismo, econômico e social.

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Durante o momento de ampliação da cidade, entre os séc. IX e X, a chegada dos Judeus transforma o núcleo urbano, que chegou a possuir um dos bairros judaicos (juderia) mais importantes do reino. Dessa forma, durante séculos, e tal como sucedeu com Toledo, Tudela obrigou comunidades das três religiões monoteístas: cristãos, árabes e judeus.

Em 1119, foi reconquistado pelo rei Alfono I “El Batallador”, e o rei Carlos III “El Noble”, outorgou-lhe o título de cidade em 1390. Na época do reinado de Fernando Católico, foi a última cidade em rendir-se às tropas reais. Apesar da rendição, obrigou o rei a respeitar e manter o foro da cidade.

No séc. XIX, durante a Guerra da Independência, a cidade mais uma vez se inserre na história militar, combatendo as tropas francesas na Batalha de Tudela. Devido à vitória das tropas napoleônicas, o nome da cidade foi inscrito no Arco do Triunfo de Paris.

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Um passeio por suas ruas nos permite retornar ao passado, e conhecer suas atrações.

Do séc. XII, a Igreja da Magdalena é o maior expoente da arquitetura românica da cidade e foi construída sob um templo mozárabe pré-existente, reservada ao culto dos cristãos que viviam sob a dominação árabe.

tudela17Abaixo, vemos o tímpano com a representação de Cristo em majestade (pantocrátor), rodeado pelos símbolos dos 4 evangelistas e duas figuras de joelhos, Madalena e Marta (ou Lázaro).

DSC01405O Palácio do Deán foi levantado no estilo gótico mudéjar (séc. XV) e sedia o museu da cidade, com um belo acervo de obras, entre as quais um quadro atribuído a El Bosco.

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A casa do Almirante é um excelente exemplo da arquitetura civil renascentista (séc. XVI).

DSC01413Um dos locais mais conhecidos da cidade, na Praça dos Foros transcorre a vida social de seus habitantes.

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Construída no séc. XVIII, num princípio realizavam-se corridas de touro na praça.

DSC01416As casas estao decoradas com escudos de famílias nobres.

DSC01415Porém, o edifício principal de Tudela é a Catedral de Santa Maria. Construída a partir de finais do séc. XII (1168), durante o reinado de Sancho VI “El Sábio”, é uma obra de transição dos estilos românico ao gótico.

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Para sua construção, foram utilizados alguns materiais da antiga Mesquita maior que havia na cidade (séc. IX/X). Inicialmente possuía o título de colegiata, tornando-se templo catedralício apenas no séc. XVIII. No exterior, a torre foi levantada a finais do séc. XVII (1682/1697), substituindo a anterior românica finalizada em 1228 e que ruiu em 1676. A catedral possui 3 portas, das quais a chamada do Juízo Final é a mais importante.

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Também denominada Porta Pintada, pois originalmente estava policromada, é considerada uma das mais impressionantes do período românico tardio europeu, por suas dimensões e profusão decorativa. Devido ao formato ogival ou apuntado de seus arcos e o conjunto estilístico de suas esculturas, é também qualificada como pertencente ao início do período gótico. Falta-lhe a cena do tímpano, que certamente existia, e consta de 8 arquivoltas em que se narra de forma detalhada e exuberante o Juízo Final (na parte direita, estão representados os castigos infernais, enquanto do lado esquerdo, vemos personagens saindo de suas tumbas, acompanhados por anjos).

DSC01403DSC01407O claustro do séc. XII (1180/1206) é um dos expoentes máximos do românico Navarro, formando um conjunto escultórico de grande beleza, destacando capitéis que nos contam histórias bíblicas.

tudela2DSC01411DSC01410O interior nos reserva muitas surpresas, como o maravilhoso retábulo maior. Construído entre 1487/1492 por Pedro Díaz de Oviedo e Diego de Águila, é uma obra típica do denominado gótico hispano-flamenco.

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O coro, magnífico, é do séc. XVI, e nele vemos o órgão, do séc. XVIII.

DSC01391DSC01385DSC01383Das capelas que acolhe, a de Santa Ana, padroeira de Tudela, se destaca por seu barroquismo e adornos decorativos.

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O sepulcro de Francisco Villaespesa, um nobre eclesiástico falecido em 1421, chama a atenção por sua beleza. Realizado em alabastro policromado, é de estilo gótico, e ricos são seus elementos decorativos e sua iconografia.

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Toledo – Cidade das 3 Culturas

A espetacular cidade de Toledo é, desde 1983, capital da Província homônima e da Comunidade de Castilla- La Mancha. Situada a tão somente 70 km da capital Madrid, é conhecida como “Cidade Imperial”, por ter sido a sede da corte real durante o reinado de Carlos I, e também como a “Cidade das 3 culturas”, por ter sido povoada durante séculos por cristãos, judeus e muçulmanos.
Está localizada numa colina a 100m de altura sobre o rio Tajo, o mais longo da Península Ibérica e que deságua no Atlântico, em plena capital portuguesa.

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A história da cidade se remonta à época do bronze e foi durante a ocupação romana que adquiriu o nome, Toletum, em função de sua singular localização.
Deste período foram deixados vestígios, como os restos do aqueduto e o circo, parcialmente desenterrado. A maior parte dos edifícios romanos foram desmontados e seus materiais utilizados para novas construções, como a muralha que rodeia a cidade. É bem provável que sua maior riqueza arqueológica se encontre soterrada atualmente. As muralhas, apesar de existirem na época romana, foram reformadas em 674 pelo rei Visigodo Wamba. As que atualmente se conservam pertencem á época árabe e foram concluídas durante o reinado de Alfonso VI.

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Depois da queda do Imperio Romano, a península foi invadida pelos povos germânicos e os chamados Visigodos conquistaram a cidade no séc. V. Com o Rei Leovigildo converteu-se na sede eclesiástica e capital do reino.
Em 711 dC, foi conquistada e submetida ao poder muçulmano. A tomada da cidade foi realizada mediante sua capitulação, já que boa parte de seus moradores fugiram. O predomínio da população Mozárabe, como são conhecidos os cristãos que viveram nesta época, representou um constante conflito com o Califato de Córdoba, sede do poder imperial. Finalmente, em 932 dC, foi incorporada ao Califato, depois de dois anos de assédio.
Depois da desintegração do Califato de Córdoba, Toledo transformou-se num importante Reino de Taifa e para manter sua independência, teve que pagar tributos ao Reino de Castela.

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A cidade foi reconquistada em 1085 pelo Rei de Castilla-León Alfonso VI, que garantiu às variadas etnias sua segurança e bens. Em seguida, sobreveio o período de maior esplendor de Toledo, de grande intensidade social, cultural e política. A famosa Escola de Tradutores, florescente nos séc. XII e XIII, bem como numerosas obras de arte, civis e religiosas, comprovam sua prosperidade.
Não obstante, esta tolerância não durou muito, pois os cristãos levantaram sua nova catedral sobre a antiga Mesquita Maior da cidade, que por sua vez havia sido edificada sobre a anterior construção Visigoda.
Durante o reinado dos Reis Católicos, a cidade foi urbanizada e engrandecida.
Com a decisão de mudar a capital do reino a Madrid em 1561, por iniciativa do Rei Felipe II, a cidade perdeu grande parte de seu poder político.
Durante a Guerra Civil Espanhola, Toledo permaneceu na zona republicana. Porém, o assédio do Alcázar, sede da Academia de Infantaria, onde um grupo de sublevados refugiou-se, tornou-se um  episódio de ressonância mundia e foi amplamente utilizado como propaganda pelos franquistas.
Atualmente, a cidade conta com aprox. 83.000hab. A indústria metalúrgica foi, historicamente, a base de sua economia, com grande tradição na fabricação de espadas e facas.  Hoje em dia, Toledo transformou-se numa cidade de serviços, onde o turismo representa grande parte de sua receita.
Em 1940, foi declarada Conjunto Histórico-Artístico e em 1987, a Unesco concedeu-lhe o título de Patrimônio da Humanidade.

Neste post veremos algumas das construções mais representativas da cidade e que lhe conferiram a alcunha de Cidade das 3 culturas.
A Mesquita de Bab Al Mardum, posteriormente denominada Igreja do Cristo da Luz, é a mais conservada das 10 que haviam na cidade. Foi construída no ano 999 dC, como testemunha uma inscrição no próprio templo. O ábside levantou-se na época de Alfonso VI, quando a construção foi cedida à Ordem dos Cavalheiros de San Juan, estabelecendo ali a ermita de Santa Cruz. Esta ampliação é considerada a mais antiga amostra de Arte Mudéjar de que se tem constância.
O nome do templo cristão provém do Cristo crucificado que foi colocado quando a ermita foi consagrada. De planta quadrada, recentemente o templo foi objeto de restauração, descobrindo-se em seu jardim uma antiga necrópole, além de uma via romana.

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A Igreja do Salvador, originalmente também uma mesquita, conserva no interior os típicos Arcos de Ferradura da arquitetura islâmica. A torre corresponde ao antigo minarete da mesquita.

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Da mesma forma, a Igreja de São Tomé foi  construída sobre o solar de uma antiga mesquita do séc. XI. A princípios do séc. XIV, por encontrar-se em ruínas, foi totalmente reformada por Gonzalo Ruiz de Toledo, o Senhor de Orgaz, e o antigo minarete foi transformado numa torre campanário de estilo mudéjar.

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Sua fama reside por acolher em seu interior a obra prima de El Greco, o quadro “O Enterro do Conde de Orgaz”. Aos pés da nave, na Capela da Conceição, encontra-se enterrado , por desejo próprio, o benfeitor da igreja e alcaide de Toledo, Gonzalo Ruiz, falecido em 1323.

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Segundo a lenda, durante seu sepultamento, apareceram San Esteban (considerado o primeiro Mártir Cristão) e Santo Agostinho, para colocá-lo na sepultura. O mencionado milagre é o tema central do quadro de El Greco, realizado em 1584. Pintado à óleo, a obra impressiona por seu tamanho (4,80×3,60m) e maestria. Representa as dimensões da existência humana: abaixo a morte e na parte superior, o céu, a vida eterna, iluminada por Jesus Cristo.
O centro é ocupado pelo cadáver, que vai ser depositado com toda veneração e respeito no sepulcro. Em cima, a Virgem Maria acolhe maternalmente a alma do defunto que chega ao céu. El Greco utilizou personagens reais da aristocracia da época para imortalizá-los no quadro. Na parte inferior esquerda, o artista retrata seu filho, como comprova um papel que sai do bolso de seu traje de gala: Domenico Theotocopuli- 1578, data de nascimento do seu filho.
Muitos consideram esta obra, não apenas o apogeu criativo do autor, mas o expoente máximo de toda a pintura ocidental. Pintado em sua madurez artística, o quadro apresenta uma unidade extraordinária, apesar das duas partes em que está composto. Nele observamos todas as características de sua linguagem maneirista: figuras alongadas, cores brilhantes e cálidas, corpos vigorosos, etc.
O fato de El Greco ter representado personagens contemporâneos de sua época transformou o quadro no primeiro retrato coletivo da história da arte espanhola.
O local onde situa-se é o mesmo para o qual foi concebido, e nele perdura, transcorrido mais de 4 séculos, e seu estado de conservação é excelente.

Abaixo, vemos o interior da Igreja de São Tomé e o retábulo que adorna o Altar Maior.

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A semana Santa é uma das mais festivas de todo o calendário toledano, como podemos apreciar na foto a seguir, tirada em pleno centro histórico da cidade, a Praça de Zocodover.

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A cultura hebraica da cidade, representada por suas magníficas sinagogas foram retratadas num post à parte.

Finalizando, os interessados em conhecer a cidade e que estão hospedados em Madrid, podem tranqüilamente num dia conhecer o básico de Toledo, numa agradável e rápida viagem de trem. Na chegada à cidade, a bela estação ferroviária, inaugurada em 1920, é apenas o início de um passeio que inegavelmente será inesquecível.

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Catedral de Toledo- Parte I

Situada na praça onde também estão localizados a Prefeitura e o Palácio Arçobispal, a Catedral de Toledo se destaca por sua magnifiscência. Sua grandiosidade e riqueza impedem uma completa descrição em apenas uma publicação. Portanto, neste post falaremos um pouco sobre sua história e aspecto exterior, deixando a parte interior para o próximo post.

A Catedral de Santa Maria de Toledo, também chamada de Catedral Primada e sede da arquidiocese da cidade, é considerada  um dos expoentes máximos da Arquitetura Gótica na Espanha.
Sua construção iniciou-se em 1226 durante o reinado de Fernando III “El Santo” e através do incentivo do Arçobispo Rodrigo Ximénez de Rada. A catedral foi levantada sob os alicerces da antiga basílica Visigoda do séc. VI, que por sua vez também foi utilizada como mesquita maior durante a ocupação muçulmana.

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Durante a época do Reino Visigodo ( séc. V ao VIII ), Toledo era a capital e sede eclesiástica, cuja importância se constata através dos numerosos concílios realizados na cidade. Em 1085, foi reconquistada pelo rei Alfonso VI de Castilla-León e um dos apectos que tornou possível a recapitulação da cidade sem derramamento de sangue foi a promessa real em conservar e respeitar os edifícios de culto religioso das comunidades judias e muçulmanas que habitavam na urbe.
Com o tempo, porém, a mesquita acabou sendo consagrada ao culto católico e em 1086 o templo foi colocado sob a advocaçao da Virgem Maria. No final do séc. XI, o papa Urbano II reconhece o templo como o mais importante do reino, explicando desta forma, sua denominação de Catedral Primada. A Mesquita-Catedral manteve-se intacta até o séc. XIII, quando foi autorizada a construção do novo templo.
A estrutura do edifício foi inspirada no gótico francês, apesar de ter sido adaptada ao gosto espanhol.
Durante os séc. XVI, XVII e XVIII, foram sendo realizadas obras complementares, de acordo com o estilo de cada época.

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O visitante que contempla a catedral pela primeira vez certamente se impressionará com a esbelta torre-campanário, que medindo 92m de altura, se tornou uma das referências visuais do centro da cidade. Possui 2 partes, sendo a inferior de planta quadrada e a superior de planta octogonal. Foi a única construída das duas que estavam previstas para realçar a fachada.

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Outro aspecto digno de atenção refere-se às suas numerosas portas de acesso ao interior.

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Na fachada principal, observamos 3 dels:
– No centro, a Porta do Perdao, cuja construção iniciou-se em 1418 e seu nome se explica pela concessão de indulgências que eram oferecidas aos penitentes que por ela entravam. Atualmente permanece fechada e é utilizada apenas em ocasiões especiais, quando um novo bispo toma posse, por exemplo.
Possui um grande arco constituído por arquivoltas góticas. No tímpano,  vemos a escultura da Virgem impondo a vestimenta a San Ildelfonso e nas colunas laterais, os apóstolos.

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– Do lado direito, a Porta do juízo final, a mais antiga de todas.

– Do lado esquerdo, a porta do Inferno, com uma decoração baseada em elementos vegetais.

 A fachada foi modificada em 1787, devido à deterioração da pedra.
No lado norte do templo, apreciamos a magnífica Porta do Relógio, com uma esmerada decoração constituída com cenas da vida de Cristo: Anunciaçao, Nascimento, Adoraçao dos Reis Magos, Degolaçao dos Inocentes, Fuga ao Egito, etc.
Em sua parte superior, aparece o trânsito da Virgem e no Parteluz, a Virgem com o menino Jesus.
Em cima da portada, vemos uma obra neoclássica do séc. XVIII, com o relógio que dá nome ao conjunto.

A mais moderna de todas é a chamada Porta dos Leões, construída entre os séc. XV e XVI. Também denominada de Porta Nova, representa um dos conjuntos escultóricos hispano-flamenco mais destacados do país, devido ao trabalho de artistas originários dos Países Baixos, tais como Egas Cueman, Juan Guas, Juan Alemán, etc.