Centenário do Metrô de Madrid- Parte Final

Neste último post sobre o Centenário do Metrô de Madrid veremos uma das mais interessantes iniciativas organizadas pela companhia metroviária para sua comemoração. Trata-se de uma exposição de trens históricos que podemos ver na Estação de Chamartín.

20190416_110440O visitante poderá contemplar na exposição 4 trens históricos considerados clássicos na história do Metrô de Madrid, que circularam desde a inauguração da primeira linha em 1919 até o momento em que foram substituídos por veículos mais modernos.

20190416_111044A maior parte destes  trens circularam até 1965, mais uma pequena série adicional que foi colocada em serviço em 1976. Muitos deles depois prestaram seus serviços como veículos auxiliares.

20190416_11060320190416_111747Algumas das características básicas destes trens são sua estrutura metálica com motores fabricados pelas empresas General Eletric e Westinghouse, que foram construídos na Espanha sob licença. O sistema de freios também foi fabricado pela Westinghouse. Abaixo, vemos o interior de um destes trens históricos…

20190416_110832Muitos destes trens originais foram designados pelo nome das estações de metrô a que estavam destinados. O denominado de “Cuatro Caminos“, a estação final da linha inaugural de 1919, por exemplo, foi construído entre 1919 e 1921 por uma empresa de Zaragoza, com a parte elétrica e o sistema de freios sendo fabricados nos EUA e França. Estes trens foram os primeiros em serem construídos com estrutura metálica em toda a Espanha. Na época, foram admirados pelo conforto em comparação com os veículos de transporte existentes e alcançavam uma velocidade de 55 km/h. Foram retirados de serviços no final da década de 80. Abaixo, vemos um destes trens em serviço numa foto antiga…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, vemos o interior restaurado deste tipo de trens…

20190416_112257Já na época estava proibido fumar no interior como podemos observar na placa existente…

20190416_112358O Metrô de Madrid investiu um grande esforço na restauração destes trens históricos. Abaixo vemos o aspecto que tinham antes do processo de recuperação…

20190416_111954A seguir vemos um trem histórico numa foto de 1966…

20190416_111613Na sequência, o interior de outro veículo, com acentos reservados para pessoas mutiladas, abundantes no período da Guerra Civil Espanhola (1936/1939).

20190416_11302820190416_113112Abaixo vemos trens atuais que circulam pelas linhas do Metrô de Madrid, evidentemente muito mais modernos que os chamados “trens históricos”, em quanto a design, tecnologia e infraestrutura que oferecem.

20190220_085559OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlguns dos modernos trens que circulam pela linha 1 foram pintados à maneira dos trens antigos, para comemorar o Centenário do Metrô de Madrid, como vemos na foto a seguir…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEspero que vocês tenham gostado desta série de matérias publicadas em homenagem ao Metrô de Madrid, que está cumprindo seus 100 anos de vida. Aproveitem para utilizá-lo quando venham visitar a cidade…

 

Centenário do Metrô de Madrid – Parte 3

Outra das interessantes iniciativas realizadas para se comemorar o Centenário do Metrô de Madrid foram os ensaios fotográficos nos quais vemos várias personalidades do mundo cultural e esportivo da Espanha e também do exterior. Um exemplo foi o cantor e compositor Joaquin Sabina, que mencionou o Metrô de Madrid em uma de suas canções, intitulada “De caballo de cartón“, na qual diz: “Tirso de Molina, Sol, Gran Vía, Tribunal, dónde queda tu oficina para irte a buscar ?”

20190416_110217O jogador de futebol Koke, do Atlético de Madrid, também participou das sessões fotográficas, salientando a importância do metrô para os torcedores que utilizam o transporte público para chegar ao Wanda Metropolitano, o novo estádio do clube.

20190416_110255A atleta paraolímpica de esgrima e primeira deportista a alcançar uma montanha com mais de 3 mil metros com uma cadeira de rodas, Gema Hassen-Bay, foi outra personalidade participante…

20190416_110334Como comentei no post anterior, o Metrô de Madrid é considerado um dos mais acessíveis do mundo. As primeiras escadas rolantes foram instaladas no começo da década de 60, e atualmente 63 % de toda a rede metroviária possuem elevadores e escadas rolantes (com quase 1700 escadas rolantes em suas linhas), cifra superada somente pelo Metrô de Shangai, na China. Abaixo vemos uma delas na Estação de Chamartín, que foi devidamente decorada para a comemoração do centenário.

20190416_11374920190416_113831 Até 1931, os trens do metrô possuíam um escudo com símbolos monárquicos, devido à participação do Rei Alfonso XIII como acionista da Companhia Metropolitana Alfonso XIII. O escudo foi inspirado no Escudo da cidade de Madrid da época, com o “Urso e o Madroño” no lado direito e um “dragão” no lado esquerdo. Atualmente o escudo da cidade está composto apenas pelo urso e a árvore, denominada Madroño

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1932, com a implantação da Segunda República, os símbolos monárquicos foram proibidos e, durante algum tempo, os trens deixaram de ter o escudo. A partir de 1942 se adotou outro escudo, formado por uma letra C com 2 letras M, iniciais da Cia Metropolitana de Madrid, a nova denominação da empresa…

20190416_112957Já o logotipo da empresa foi criado pelo arquiteto Antonio Palacios, responsável pelas primeiras estações e sua decoração, inspirando-se no “Underground” de Londres, com as mesmas cores, vermelho e azul, mas com um formato diferente. Abaixo, vemos a evolução dos logotipos do Metrô de Madrid

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma séries de logotipos representando várias estações do Metrô de Madrid

20190416_110139Na década de 60, devido ao incremento do número de passageiros, o Metrô de Madrid decidiu ampliar o comprimento das plataformas de 60 a 90 m, com a finalidade de colocar trens com maior capacidade, de até 6 vagões. A Estação de Chamberí, que integrava a linha original de 1919 e também projetada por Antonio Palacios, foi fechada em 1966 pela impossibilidade de se realizar a reforma, pois encontrava-se numa curva. Durante anos esteve abandonada, mas foi restaurada e hoje em dia é um museu que se pode visitar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERA Hoje em dia, o Metrô de Madrid alcança 294 km, formado por 12 linhas principais e chegando a 12 municípios situados próximo à cidade. Abaixo, vemos uma plataforma atual da linha 1, com fotos antigas que pertencem ao arquivo histórico do Metrô de Madrid, colocadas para a comemoração do centenário, muitas das quais estou publicando nesta série…

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Centenário do Metrô de Madrid – Parte 2

Nesta segunda matéria sobre o Centenário do Metrô de Madrid veremos outros aspectos históricos de interesse deste popular sistema de transporte público da capital espanhola, através de fotos antigas pertencentes ao arquivo do Metrô e de fotos realizadas por mim. Como comentei no primeiro post, a linha inaugural ligava a Puerta del Sol, no centro da cidade, com o bairro de Cuatro Caminos, uma zona industrial importante na época, cuja imagem vemos abaixo, uma foto tirada no início do século XX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANeste bairro se construíram as oficinas mecânicas da companhia metroviária, que foram utilizadas durante um bom tempo no século XX, como podemos ver a seguir…

20190416_11214620190416_111453Abaixo, vemos o local em construção…

20190416_112223O Metrô de Madrid foi pioneiro na inserção da mulher no mercado de trabalho. Aquelas que conseguiram um posto de trabalho nas bilheterias foram as primeiras, junto com as telefonistas empregadas na empresa Telefônica, cuja sede se encontra também em Madrid. Somente podiam ocupar o emprego se estivessem solteiras. No momento em que se casavam, eram obrigadas a abandonar o trabalho, segundo o costume da época. Esta norma esteve vigente até 1984 ! A primeira mulher maquinista apareceu somente em 1983.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, o corpo de funcionários do Metrô de Madrid está formado por mais de 7 mil funcionários. Abaixo, vemos outra foto antiga de empregados da empresa…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a Guerra Civil Espanhola, o metrô serviu como local de refúgio para a população, como aconteceu com muitas outras cidades européias durante a Segunda Guerra Mundial.

20190220_085904Muitos trens do metrô passaram a ser utilizados como ambulância durante o conflito…

20190416_111333Em 1924 se inaugurou a central elétrica que abasteceu de energia o sistema metroviário da cidade. Composta por 3 motores Diesel, foi a estação elétrica de maior potência da Espanha na época, sendo desativada nos anos 50. Durante a Guerra Civil foi a responsável do abastecimento de energia elétrica da cidade, Atualmente forma parte do patrimônio industrial de Madrid e pode ser visitada, pois foi transformada num museu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas das primeiras estações construídas na linha inaugural contavam com elevadores manejados por ascensoristas, sendo que o primeiro elevador foi instalado em 1920. Abaixo, vemos a entrada da Estação de Gran Vía, projetada pelo arquiteto Antonio Palácios. Feita de granito, ferro e vidro, funcionou até 1970, quando foi desmontada e levada até o povoado de Porriño, situado na Galícia, local de nascimento do famoso arquiteto espanhol.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAté 1960, a profundidade médias das estações do Metrô de Madrid era de 9m. Em 1962, chegou aos 18m, quando as escadas rolantes começaram a funcionar. No final do século passado, a profundidade média chegou aos 25m. Atualmente, o Metrô de Madrid é considerado um dos sistemas de transporte de maior acessibilidade do mundo. Abaixo, vemos a Estaçao de Chamartín

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitos cartazes comemorativos foram colocados nas estações da linha 1 com a celebração do centenário do Metrô. Neles podemos observar as diferenças na evolução  tecnológica dos trens ao longo dos anos, além da inclusão de novos “passageiros”…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizo a segunda parte desta série com uma foto atual da Estação Sol, a primeira em ser construída em 1919…

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Centenário do Metrô de Madrid

O Sistema Metroviário de Madrid foi tema de duas matérias publicadas em 4/12 e 5/12/2012, momento em que abordei vários aspectos curiosos do transporte público da cidade. Este ano de 2019 constitui um ano especial, pois o Metrô de Madrid está completando seu centenário, e muitas iniciativas interessantes estão sendo realizadas pela companhia para celebrá-lo, como exposições de fotos antigas pertencentes ao arquivo histórico do Metrô, que podemos ver nas estações da primeira linha inaugurada em 17/10/1919.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO sistema metroviário de Madrid foi pioneiro na Espanha, revolucionando a mobilidade urbana e tornando-se com o tempo no transporte por excelência de seus habitantes. O primeiro metrô construído no mundo foi o de Londres, inaugurado em 1863. Depois vieram o de Chicago (1892), Budapest e Glasgow (1896), Boston (1897), Paris (1900), Berlín (1902), Atenas e Nova York (1904), Filadélfia (1907), Hamburgo (1912), Buenos Aires (1913) e Madrid (1919). A chegada do Metrô à capital da Espanha representou uma grande transformação para Madrid, convertendo-se numa cidade moderna como muitas outras metrópoles européias.

DSC03506Para a construção da primeira linha do metrô, o custo foi de 8 milhões de pesetas, dos quais a metade foi patrocinado pelo Banco Vizcaya, 3 milhões provenientes dos engenheiros fundadores da companhia e de particulares e 1 milhão de pesetas pagos pelo próprio Rei Alfonso XIII, na época monarca reinante da Espanha. Por este motivo, inicialmente o Metrô de Madrid recebeu a denominação de Companhia Metropolitana Alfonso XIII, sendo o rei um de seus principais acionistas e a primeira pessoa em realizar o trajeto inaugural da linha norte-sul, que ligava a Puerta del Sol (centro da cidade) com o Bairro industrial de Cuatro Caminos, uma zona industrial com uma grande quantidade de população obreira residente. Abaixo, vemos o Rei Alfonso XIII  no centro da foto no dia inaugural da linha.

20190416_113721OLYMPUS DIGITAL CAMERAO primeiro trecho compreendia 8 estações, com um trajeto de quase 4km, sendo que o trem realizava o percurso numa velocidade de 25 km/h. O trajeto era realizado em cerca de 10 minutos e o bilhete custava 15 centavos de peseta. Na época, Madrid tinha uma população de 750 mil habitantes, e no primeiro dia da inauguração do metrô utilizaram o novo sistema de transporte público 56 mil pessoas. Atualmente, Madrid é a maior cidade espanhola com aproximadamente 3.2 milhões de habitantes e diariamente utilizam o metrô 2.3 milhões de viajantes. Abaixo, vemos duas fotos em que vemos as primeiras obras de construção da linha 1 na Puerta del Sol, em 1917, e na então estação final de Cuatro Caminos, em 1918.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, a linha inaugural norte-sul está integrada na Linha 1 do Metrô de Madrid e conta com 33 estações num total de 24 km, unindo 8 distritos de Madrid e considerada a segunda em número de passageiros, superada apenas pela linha circular que rodeia a cidade. A seguir vemos uma foto atual da Puerta del Sol, um local emblemático da capital, e uma de suas portas de acesso ao metrô…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO arquiteto Antonio Palacios, personagem imprescindível da arquitetura madrilenha da primeira metade do século XX, foi durante os primeiros 25 anos da Cia Metropolitana Alfonso XIII o responsável pelo projeto das estações e também do logotipo da empresa. Inspirado na Arte Decô, Palácios proporcionou o estilo decorativo dos vestíbulos e das portas de acesso ao interior do Metrô de Madrid. Abaixo, vemos a entrada da Estação Sol, numa imagem dos anos 20 do século passado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo elemento decorativo principal, Antonio Palacios utilizou azulejos brancos com a finalidade de criar um ambiente interno acolhedor, como podemos observar na Estaçao Tirso de Molina, que conserva seu aspecto original.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, vemos uma aquarela pintada pelo próprio arquiteto representando o interior da Estação Sol

20190416_111106Finalizo esta primeira matéria sobre o Centenário do Metrô de Madrid com duas fotos em que vemos a Estação Sol nos anos 60…

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Antonio Palacios – Parte 2

A transformação de Madrid numa grande metrópole, nos moldes das grandes capitais europeias a partir do início do séc. XX, se deve em grande parte ao arquiteto Antonio Palácios. Na capital espanhola, se conservam aproximadamente 30 obras de sua autoria, algumas delas executada junto com seu amigo Joaquín Otamendi, como vimos no post último. Uma de suas maiores influências foi a Escola  de Chicago, que começou a impor-se nos Estados Unidos no final do séc. XIX. Podemos notar esta influência nos edifícios realizados pelo arquiteto nas principais avenidas de Madrid, como por exemplo, na Gran Vía. A denominada Casa Matezans, por exemplo, foi sua primeira construção na emblemática rua madrilenha, e tornou-se um ícone da mesma. Finalizada em 1923, seu nome procede do sobrenome de seu primeiro proprietário, sendo considerada um dos primeiros centros comerciais construídos no estilo americano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO edifício combinava escritórios com estabelecimentos comerciais, e caracteriza-se pela utilização do vidro, que proporciona uma excelente fonte de iluminação e as colunas de ordem gigantes, uma das marcas registradas do autor. Bem próximo, também na Gran Vía, situa-se outro edifício de Palacios, o Hotel Avenida, o único edifício realizado com a função de hotel em toda a sua carreira. Atualmente, é propriedade da cadeia hoteleira Tryp.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa Calle Mayor, encontramos a Casa Palazuelo, finalizada dois anos antes que a Casa Matezans. Trata-se do primeiro edifício construído em Madrid com finalidade exclusivamente comercial. Antonio Palacios, além dos projetos que executava, cuidava de todos os detalhes decorativos, como vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs pessoas que passeiam pela Calle Mayor não imaginam a verdadeira joia que se encontra no interior deste edifício, que pode ser visitado nos horários comerciais. Abaixo, vemos algumas imagens, em que observamos a complexidade e beleza de sua construção, iluminada por um grande vitral situado no alto edifício.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAntonio Palacios desempenhou também um papel decisivo nas obras do Metrô de Madrid, cuja primeira linha inaugurou-se em 1919. Ele foi o responsável pela decoração interna das linhas. Além de azulejo branco, ideal para a iluminação das estações e para diminuir a sensação claustrofóbica, incorporou a utilização de materiais cerâmicos realizados por artistas de renome, colaborando para o desenvolvimento das Artes Decorativas. Apesar das inúmeras reformas realizadas no metrô desde então, em algumas estações ainda podemos contemplar o trabalho de Palácios, como na Estação Tirso de Molina, que integra a primeira linha do transporte metroviário da capital.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra estação que conserva os elementos originais elaborados por Palácios é a de Chamberí, que foi desativada há décadas e hoje é um museu no qual podemos observar como eram as antigas estações de Metrô da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAntonio Palacios foi também o idealizador do logotipo da companhia…

OLYMPUS DIGITAL CAMERARealizou algumas das entradas de estações mais belas do Metrô de Madrid, na Puerta del Sol e na Gran Vía, seguindo a estética modernista. Infelizmente, ambas desapareceram, mas se conserva uma imagem da entrada da Gran Vía, que foi desmontada e hoje pode ser vista no povoado natal do arquiteto, Porriño, na Província de Pontevedra, em Galícia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém do mais, projetou o edifício para alojar as oficinas centrais e a impressionante central elétrica do metrô.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA central foi dotada de dois poderosos motores, que durante a Guerra Civil proporcionaram energia aos habitantes da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstas instalações podem ser visitadas dentro do programa de edifícios históricos do Metrô de Madrid. Denominam-se Andén Zero-Nave de Motores, e encontram-se na Estação Pacífico, que forma parte da linha circular que rodeia a cidade. No próximo post, veremos a última matéria sobre este arquiteto imprescindível para se conhecer a evolução arquitetônica de Madrid, e o impressionante  Hospital de Maudes.

Estação Paco de Lucía – Madrid

Em março de 2015, o Metrô de Madrid inaugurou mais uma estação de sua extensa rede de transporte público, precisamente a de número 301. E não se trata de uma estação qualquer, pois homenageia um dos grandes músicos espanhóis do séc. XX, Francisco Sánchez Gómez (Algeciras-Espanha/1947 – Playa del Carmen-México/2014). Este verdadeiro mestre da Guitarra Flamenca tornou-se conhecido universalmente pelo seu nome artístico, Paco de Lucía.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA nova estação integra a linha 9, uma das mais extensas do Metrô de Madrid, com aproximadamente 40 km e composta por 30 estações, que cortam a cidade no sentido norte-sul. Conta com elevadores, escadas rolantes e outros itens básicos, como lixo reciclável.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO mais interessante da Estação Paco de Lucía é o enorme painel de 300m quadrados com o rosto do artista colocado na parte de cima da plataforma e da via do trem. A obra, realizada por Rosh333 e Okuda, com a colaboração do arquiteto Antonyo Marest, foi intitulada de “Entre dois Universos“, uma referência a uma canção do músico, chamada “Entre duas águas“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPela primeira vez, foi realizada no Metrô de Madrid uma intervenção artística de forma permanente, criada por artistas urbanos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPaco de Lucía foi um dos maiores responsáveis pela internacionalização do estilo que dominava como poucos, o Flamenco. Graças ao seu virtuosismo com o instrumento, transformou-se num dos mais respeitados artistas da Músíca Espanhola do último século. Realizou uma criativa fusão com os demais estilos musicais, com resultados originais e sempre de muita qualidade. Gravou 38 discos, colaborando com outros grandes nomes, como Chick Corea, Al Di Meola, John Mclaughin, Toquinho, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO músico faleceu no município mexicano de Playa del Carmen em 2014, depois de sofrer um ataque cardíaco, e nos deixou a todos órfãos da boa música. No entanto, pra sempre sua memória será recordada, toda vez que escutemos suas belíssimas canções, como também quando sejamos transportados pelos trilhos da vida, na linha 9 do Metrô de Madrid

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Metrô de Madrid – Parte 3

Em 2014, o Metrô de Madrid completou 95 anos de existência. Um resumo de sua história, bem como algumas estações interessantes, como a de Chamberí, que deixou de funcionar, mas permanece aberta para visitação, foram a matéria dos posts publicados em 4 e 5/12/2012. Muitas coisas interessantes ainda podem ser ditas e vistas a respeito do metrô da cidade. Por isso, dedico mais esta matéria a rede metropolitana de transporte público de Madrid. Em 1919, ano de sua inauguração, a linha 1 possuía apenas 8 estações e uma extensão de 4km.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe lá para cá, muita coisa mudou, e o Metrô de Madrid transformou-se num dos melhores do mundo. Por exemplo, em número de estações, num total de 301, é a terceira maior existente atualmente, superada apenas pelos Metrôs de Nova York e Paris. No quesito extensão da rede, com 294 km, é a quarta do mundo, superada pelas redes de Nova York, Londres e Moscou. O Metrô de Madrid conta hoje em dia com 13 linhas, a maior parte delas subterrâneas. Este dado converte o metrô madrilenho no maior do mundo em quilômetros de túneis, bem como no número de escadas rolantes (1698), seguido de longe pelo de Moscou, com apenas 598, como também na quantidade total de elevadores, com 522. Estes números transformam o Metrô de Madrid no de maior acessibilidade do mundo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA A maior parte das estações de metrô da cidade possuem um acesso facilmente identificável com o logotipo da empresa e relativamente uniforme do ponto de vista construtivo. No entanto, existem alguns acessos realmente singulares, como  a da Estação de Lago, integrante da linha 10, e situada próximo ao Parque da Casa de Campo. Esta estação foi inaugurada em 1961, e possui um acesso arquitetonicamente curioso.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA rede metropolitana possui uma linha circular, a de número 6, que facilita muito a integração com as demais linhas e o acesso aos distintos pontos da cidade. A Estação de Quatro Caminos, que integra a linha 6, é a mais profunda de todas, estando  situada a quase 50m do nível da rua. Para chegar até a plataforma, são necessários 6 lances de escada rolante, não sendo recomendada para claustrofóbicos…Por sorte, a estação conta também com elevadores. Já a que oferece a maior quantidade de conexões com outras linhas é a Estação  Avenida de América, que integra as linhas 4,6,7 e 9.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Estação  Avenida de América funciona como um Intercambiador, pois nela funciona também uma estação terminal de ônibus urbano, interurbano e de longa distância. Organizada em vários níveis, os 3 superiores conformam o terminal de ônibus, enquanto os níveis inferiores conectam com as linhas de metrô. Inaugurada em 1979, foi recentemente reformada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa saída do metrô desta estação foi colocado um belo painel que representa a conquista do continente americano em 1492 por Cristóvão Colombo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Aeroporto de Barajas também possui uma conexão com o metrô, algo indispensável nas grandes cidades. É a linha 8, que une os Novos Ministérios com o Aeroporto. O bilhete unitário atualmente custa de 1.5 a 2 euros, dependendo do destino. Para se chegar aos 4 terminais do aeroporto se paga um suplemento adicional de 3 euros. Esta linha possui algumas estações curiosas, como a de Colombia, onde foi colocado um avião de estrutura metálica em escala real, chamada Madrid Despega (em português, Madrid Decola…).

OLYMPUS DIGITAL CAMERA OLYMPUS DIGITAL CAMERANa Estação de Campo de las Naciones, que também integra a linha 8, a plataforma foi decorada com bandeiras de todo o mundo, como símbolo de integração entre os povos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAComplementando a rede de transporte público de Madrid (metrô, ônibus e trem), o denominado Metro Ligero (em espanhol) une a periferia da cidade, com conexões diretas ao metrô convencional e as estações ferroviárias. Inaugurado em 2007, o Metro Ligero é uma empresa independente, com seu próprio logotipo. Conta com 4 linhas e um total de cerca de 35 km. Ao contrário do metrô convencional, seu traçado discorre em superfície, na maior parte de sua extensão. O sistema de transporte utilizado é do tipo Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro fato curioso é que boa parte dos trens do Metrô de Madrid circulam pela esquerda, pois na época de sua inauguração este era o sentido usado. O Metro Ligero utiliza o sentido convencional, pela direita. Como conclusão, aproveito para comentar que nos quase 10 anos vivendo na Espanha, aprendi que a melhor e mais barata forma de locomoção nas grandes cidades é utilizando o serviço de Transporte Público, quando o mesmo oferece boas condições e eficiência, e deixar o carro na garagem. Além do mais, o trânsito e a qualidade do ar agradecem…