Monastério de la Encarnación: Ávila

O Monastério de la Encarnación é um lugar de visita obrigatória para as pessoas que desejam realizar o itinerário turístico existente em Ávila, relacionado com a vida de Santa Teresa. Nele, a santa viveu 30 anos, dos quais 27 como freira e posteriormente 3 anos em que exerceu o cargo de Priora.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPrimeira comunidade feminina da Ordem das Carmelitas em Ávila, o Monastério de la Encarnación foi fundado em 1479 por um desejo de D.Elvira González de Medina. Inicialmente situado em residências nobres, foi levado ao local atual em 4 de Abril de 1515, no mesmo dia em que Santa Teresa foi batizada na Igreja de San Juan Bautista. Durante muitos anos, tornou-se o monastério preferido pelas famílias da nobreza, chegando a contar com 200 freiras em 1565. Foi neste momento quando passou por dificuldades econômicas, por não poder alimentar a todas elas com o monastério ainda em construção.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAQuando foi fundado, a instituição era uma espécie de casa de oração, um Beatério, para mulheres solteiras, viúvas, ou em situação de desamparo. Não constituía ainda um monastério ou convento, pois não pertencia a nenhuma ordem religiosa. Adotou a Regra Carmelita em 1515, ano de nascimento de Santa Teresa. Este lugar transformou-se num local simbólico, pois nele Santa Teresa realizou a Reforma Carmelita.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASanta Teresa nele ingressou em 1535, quando tinha 20 anos de idade. Entre 1571 e 1574 tornou-se sua Priora. Seu estado atual pouco mudou desde que nele viveu a santa. O melhor de tudo é que o monastério é visitável, sendo que seu museu conta com diversas lembranças materiais da época de Santa Teresa e várias relíquias, como uma parte do seu braço.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos um pedaço de madeira que Santa Teresa usava como uma espécie de almofada…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo Monastério de la Encarnación Santa Teresa viveu suas experiências religiosas mais intensas, e muito dos quadros e pinturas conservadas  retratam suas vivências místicas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa escada principal, que vemos abaixo, a santa encontrou-se com o Menino Jesus

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO monastério conserva 3 locutórios, espaços sagrados que foram testemunhos dos momentos místicos da santa. Em um deles, teve a visão de Cristo preso à coluna.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAConserva sua cela original e a chave da mesma, onde experimentou a “Transverberación“, quando foi atingida pelo “fogo divino”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o quadro doado por D.Alonso, pai da santa, quando sua filha ingressou no monastério. Este quadro representa o encontro de Jesus com a Samaritana, episódio bíblico que Santa Teresa tinha especial devoção. Devido as dificuldades econômicas por que passava sua família na época, seu pai em vez de realizar doações em dinheiro, decidiu fazê-lo com obras de arte, como esta que decorava sua casa natal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1628, o Bispo de Ávila Francisco Márquez Gaceta ordenou que a cela da santa fosse transformada na Capela da Transverberación, o momento espiritual mais transcendental de sua vida. Abaixo, vemos outras dependências do monastério.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Monastério de la Encarnación também está ligado à figura de San Juan de la Cruz, que nele viveu entre  1573 e 1577. Este grande poeta místico colaborou de forma decisiva na Reforma Carmelita, pois enquanto a santa fundou Conventos Femininos da Ordem das Carmelitas Descalças, San Juan de la Cruz foi o responsável pela fundação de Conventos Masculinos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPodemos apreciar também uma bela coleção de instrumentos antigos…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1562, Santa Teresa saiu do Monastério de la Encarnación e fundou o Convento de San José de Ávila, o primeiro da Ordem das Carmelitas Descalças na Espanha. Posteriormente, regressa ao monastério, já como Priora. A visita do Papa João Paulo II em 1982 representou um momento auge na vida deste espaço sagrado, um dos referentes de todo o mundo em relação à Ordem do Carmelo.

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Breve História do Teatro Espanhol

A partir de hoje, iniciamos uma série de matérias sobre o Teatro Espanhol, começando por um breve resumo de sua história. Como o teatro europeu, surgiu vinculado ao culto religioso. As representaçoes, realizadas dentro das igrejas, no coro ou na parte central da nave foi, paulatinamente, tornando-se mais largas e espetaculares. Assim, foi aparecendo uma espécie de teatro religioso, que é considerado o teatro medieval por excelência. Posteriormente, foram sendo colocados elementos profanos e cômicos nas obras que, por razoes óbvias, tiveram que abandonar os templos para serem encenadas em locais públicos. Em Espanha, se conservam poucos documentos escritos e ainda menos obras teatrais desta época. A mostra mais antiga do teatro castelhano é a obra Auto de los Reyes Magos, de finais do séc. XII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs parâmetros medievais seguirao relevantes no teatro espanhol até o séc. XVI, quando inicia-se um processo modernizador que cria vária tendências, como o classicismo, influências italianas ( cujo principal representante foi Juan de Encina), e as de tradiçao nacionalista (Juan de La Cueva). A obra dramática mais importante do período é denominada de “A Celestina”, de Fernando de Rojas, de complicada estrutura, com mais de 20 atos, e que continua atualmente com enorme dificuldade para ser representada. A época auge, nao só do teatro, como também de toda a cultura espanhola, é o séc. XVII, também chamado “Século de Ouro”, pela quantidade e qualidade de personagens que se desenvolveram em todos os campos artísticos. A representaçao pública converte-se num princípio moral e estético.  O mundo é um teatro e, como tal, é a arte mais adequada para representar a vida. Sao criadas as primeiras salas teatrais, chamadas de Corrales de Comédias, gestionadas pelas hermandades, verdadeiros precedentes  dos empresários do teatro moderno. Abaixo, vemos uma imagem do local onde antigamente se situava o famoso Corral de la Cruz, em Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADurante este século, proliferam os grandes artistas e as companhias teatrais. Entre os grandes dramaturgos, destacamos Lope de Vega, um dos mais prolíficos, já que escreveu mais de 1500 peças teatrais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo Bairro das Letras de Madrid (post publicado em 27 e 29/11/2012), é possível visitar a casa-museu onde viveu o artista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa foto a seguir, vemos uma estátua que homenageia Lope de Vega, situada em frente ao Monastério de la Encarnación, também em Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATirso de Molina foi outro grande dramaturgo do Século de Ouro e, na sequência, vemos sua estátua, localizada na praça que também leva seu nome.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACalderón de la Barca foi o autor de uma das obras fundamentais do Teatro Espanhol, “La vida és sueño”. Abaixo, vemos sua estátua, localizada na Praça de Santa Ana, na capital espanhola.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra praça de Madrid presta homenagem a Francisco de Quevedo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, veremos a segunda parte desta matéria introdutória sobre o Teatro Espanhol.

Santa Teresa e Ávila

Situada na Comunidade de Castilla-León, Ávila é a capital de Província mais alta da Espanha (1100m) e seu centro histórico, em excelente estado de conservação, foi declarado Patrimônio da Humanidade em 1985. A cidade possui atualmente 60mil habitantes e foi fundada no séc. V aC pela tribo dos  Vetones, que a denominaram Óbila. Mais tarde, foi povoada pelos romanos, que deram-lhe o nome de Abila. O interior da cidade ainda conserva seu traçado romano. A cidade é conhecida mundialmente por suas muralhas, que foram tratadas num post à parte.

No séc. XI, a cidade , junto com Salamanca e Segóvia, foi repovoada para proteger a cidade de Toledo. Posteriormente, o repovoamento foi transferido para as terras do sul e Ávila foi deixada num segundo plano.

Na foto de abaixo, vemos uma ocasiao festiva, que em nada recorda os tempos de abandono por que passou a cidade.

Na época dos reis católicos (séc. XV), de Carlos I e seu filho Felipe II (séc. XVI) a cidade volta a renascer graças as idas e vindas da corte. Ávila prospera novamente, sendo o local de nascimento de dois dos personagens religiosos mais ilustres da história espanhola: Santa Teresa e San Juan de La Cruz.

Teresa de Cepeda y Ahumada, mais conhecida como Santa Teresa de Jesus, ou simplesmente Teresa de Ávila, nasceu na cidade em 1515. Sua mae faleceu quando ela tinha apenas 12 anos. Nesta época, sua vocação religiosa já havia sido demonstrada em várias ocasiões. Em 1533, deixou a casa paterna e entra para o Monastério da Encarnación de Ávila. Sua saúde já debilitada piorou ainda mais, sofrendo moléstias e uma cardiopatia não definida. Em 1539 recupera a saúde e pretende fundar na cidade um monastério para a estrita observância da regra carmelita, que compreendia os votos de pobreza,  silêncio e solidão. Depois de anos de luta, o papa Pio IV redige a bula autorizando a religiosa a fundar o Convento de San José, que seria então regulamentado pela nova ordem das Carmelitas Descalças. Sua reforma compreendia também os monastérios masculinos, cuja função recaiu sobre San Juan de la Cruz, considerado um dos maiores poetas místicos da literatura espanhola.

Teresa de Jesus inaugura vários conventos por todo o país, vindo a falecer em 1582. Foi declarada santa em 1622 e em 1970 se converteu, junto com Santa Catarina de Siena, na primeira mulher elevada a condição de Doutora da Igreja. Além da Reforma Carmelita, cultivou a poesia lírica-religiosa e escreveu centenas de cartas e obras literárias, como sua autobiografia, cujo original encontra-se no Monastério de San Lourenço del Escorial.

O Convento de Santa Teresa foi edificado  no mesmo local de nascimento da santa e inaugurado em 1636. O edifício foi projetado pelo arquiteto e frei Alonso de San José, e seu destaque é a fachada barroca e o interior, que alberga valiosas obras do mestre Gregório Fernandez.

No Monastério da Encarnación, Teresa de Jesus fez seus votos em 1537 e nele viveu durante 27 anos. Atualmente, o convento funciona também como museu. San Juan de la Cruz também passou aí uma temporada, como capelao e confessor.

Na cidade encontramos também a Igreja de San Juan Bautista, local onde a santa foi batizada.