Parque Natural do Monastério de Piedra

Antes da fundação de um novo monastério, os monges cistercenses tinham um especial cuidado na escolha do lugar para sua construção. Suas condições geográficas deveriam preencher alguns critérios básicos, que o local estivesse isolado, de preferência de grande beleza natural, e que tivesse uma fonte permanente de água. Desta forma. poderiam satisfazer os preceitos da Regra de San Benito, cujo lema “Ora et Labora“, prescrevia o modo de vida da comunidade religiosa. Um lugar silencioso e distante das cidades lhes proporcionaria o recanto ideal para rezar e meditar sobre os ensinamentos do Evangelho, e a água o recurso indispensável para sua sobrevivência e o cultivo de uma agricultura de subsistência. O Monastério de Piedra satisfazia todos estes requisitos, de sobra.

20160913_123602Além da visita a um monastério cistercence com muita história, podemos conhecer uma das paisagens mais belas da Província de Zaragoza e de toda a Comunidade de Aragón, o Parque Natural situado ao lado da abadia. Graças a ação do Rio Piedra, se formou um canyon deslumbrante, repleto de cachoeiras maravilhosas.

20160913_12240820160913_125431A reserva foi criada por Juan Federico Muntadas, depois que seu pai adquiriu os terrenos que pertenciam ao monastério em 1843, alguns anos depois que o monastério foi alvo da desamortização e os monges tiveram que abandoná-lo. Ele transformou a horta do monastério num Parque Natural que foi declarado Jardim Histórico por sua beleza incomparável e pela importância que teve ao longo dos séculos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Parque Natural do Monastério de Piedra se esconde nas serras escarpadas que fazem parte do denominado Sistema Ibérico, uma das principais formações montanhosas do país. As inúmeras cascatas existentes foram originadas pela dissolução calcária das rochas que a compõem. Uma das mais belas é a chamada Cola del Caballo, de 50m de altura.

20160913_134236A composição das rochas tornou-se um fator ideal para a formação de grutas, algumas das quais impressionam por seu tamanho, como a Gruta Íris.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA20160913_132725Esta belíssima gruta se esconde atrás da cascata da Cola del Caballo e o espetáculo de suas águas caindo de dentro da gruta é inesquecível…

20160913_132811O parque conta com uma excelente estrutura de serviços e uma rota circular, composta por passarelas, que conduz às principais atrações do parque.

20160913_142747Algumas construções históricas fazem parte do trajeto, como a Fonte dos Salmoes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das zonas onde a natureza se mostra em todo seu esplendor, o denominado Lago do Espelho recebe este nome graças ao reflexo das árvores e da própria serra que o circunda em suas águas. Absolutamente, sem palavras para descrevê-lo…

20160913_13560820160913_14022420160913_14071420160913_140916Juan Muntadas criou também um local para a criação de peixes, uma iniciativa pioneira na Espanha. Ainda hoje é possível ver os lagos cheios deles. Além do mais, o parque alberga um extraordinário ecossistema, com inúmeras espécies animais e vegetais. Se realizam, inclusive, exibições de aves de rapina, como águias, falcões e corujas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo outono, com o colorido das árvores, o parque fica ainda mais bonito, uma verdadeira façanha da natureza…

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Monastério de Piedra – Parte 2

Durante os quase 650 anos que o Monastério de Piedra foi habitado, os monges tiveram que abandoná-lo em três ocasiões. A primeira delas ocorreu em 1809, durante o contexto da Guerra da Independência. Um decreto do irmão de Napoleao, José I, supôs a supressão da comunidade religiosa. Os monges foram expulsos e o monastério foi saqueado pelo exército do imperador francês, transformando-se num hospital. Terminada a guerra em 184, o rei espanhol Fernando VII autorizou os monges sobreviventes a recompor a comunidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1820, durante o processo político conhecido como Triênio Liberal, a comunidade voltou a ser suprimida e os bens religiosos foram nacionalizados, sendo que alguns deles acabaram leiloados. Três anos depois, os monges novamente retornaram ao monastério.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalmente, em 1835, a rainha regente Maria Cristina de Borbón decretou a promulgação da lei de dissolução das ordens religiosas masculinas e a desamortização dos bens eclesiásticos, provocando o fim definitivo do Monastério de Piedra. Durante a visita que se realiza por suas dependências, observamos a grande quantidade de imagens que foram mutiladas durante o século XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja do século XII, edificada na fase final do estilo românico, foi destruída durante o início do século XIX. Acima e abaixo, podemos observar algumas imagens do templo que atualmente se conserva.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO claustro, um dos pilares da vida monacal, é robusto e austero, seguindo os ditames prescritos pela Ordem Cistercense. Recentemente foi restaurado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAo seu redor, se organizam as várias dependências do monastério. A Sala Capitular, por exemplo, constituía um local de reuniões em que se tomavam as principais decisões a respeito da vida na abadia, como seu planejamento econômico, a admissão de novos integrantes e a confissão pública de faltas cometidas. Nela eram lidos os capítulos da Regra de San Benito. Este emblemático espaço do século XII se conserva, felizmente, em boas condições.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm lugar impressionante dentro do monastério é o denominado “Passadizo de los Conversos“, uma espécie de túnel utilizado pela comunidade de conversos, formada por indivíduos que auxiliavam os monges nas tarefas diárias. Trata-se do único existente no país construído dentro do estilo românico que ainda se conserva.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO monastério possuía um local que servia como depósito de provisões e onde se guardava o vinho elaborado pelos monges.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente o local acolhe uma exposição de aparatos agrícolas e o Museu do Vinho da Denominação de Origem Calatayud.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm outra de suas dependências podemos admirar uma exposição de carruagens antigas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos fatos mais curiosos do monastério sucedeu  na cozinha, pois foi nela que se produziu por primeira vez o chocolate na Europa, quando um monge que pertencia ao monastério trouxe, em 1531, o cacau do continente americano e a receita do delicioso produto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1840, cinco anos depois do processo de desamortização, o monastério passou a ser uma propriedade privada, cujo dono se chamava D. Pablo Muntadas Campeny. Seu filho, Juan Federico Muntadas, transformou a horta do monastério num excepcional parque natural, que veremos no próximo post. Além do mais, converteu parte das instalações conventuais num hotel com funções hidroterápicas. Hoje em dia, podemos visitar o parque e o monastério e passar alguns dias na própria hospedaria do monastério, com conforto, excelente gastronomia, num ambiente perfeito que reúne  beleza natural e história.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA20160912_180846Em 1983, o Monastério de Piedra foi declarado Monumento Nacional.

Monastério de Piedra – Comunidade de Aragón

Um dos passeios mais interessantes que podemos fazer na bela Comunidade de Aragón, o Monastério de Piedra se destaca tanto por sua história secular quanto pela beleza espetacular da paisagem que o rodeia. Situa-se na Província de Zaragoza, a cerca de 20 km da cidade de Calatayud.

20160912_20030220160912_193852O Real Monastério de Santa María de Piedra, seu nome completo, foi fundado em 1195 dentro da política de repovoamento territorial promovida pelo Rei Alfonso II “El Casto”. Ele e sua esposa, a Rainha Sancha, solicitaram ao abade do Monastério de Poblet, situado  na Catalunha, a criação de um monastério no Reino de Aragón (para maiores informações deste impressionante monastério, ver as matérias publicadas entre 4/4 e 6/4/2013). Para tanto, doaram uma região chamada Castillo de Piedra, assim denominada por encontra-se às margens do Rio Piedra.

20160912_19313420160912_195400Ambas instituições religiosas, os Monastérios de Poblet e Piedra, pertenciam à Ordem Cistercense e sua vida comunitária seguia a Regra de San Benito (São Bento, em português). Depois da lei real para sua fundação, 12 monges saíram de Poblet para a construção do novo monastério, dirigidos por Gaufredo de Rocaberti, que se converteria no primeiro abade do Monastério de Piedra. Passados 23 anos, a igreja do convento foi consagrada (1218). Outras dependências, como o claustro, seriam finalizadas somente no século XV.

20160912_19330520160912_194744Todo o perímetro do monastério estava protegido por uma muralha

20160912_194903A denominada Torre de Homenagem constituía um dos principais pontos de sua defesa.

20160912_195923Os monges habitaram o monastério durante aproximadamente 650 anos, de 1195 a 1835. A construção monacal se desenvolveu ao longo de três etapas distintas: a primitiva românico-gótica (século XIII), a fase renascentista (XVI) e o período barroco (XVIII).

20160912_195102Com sua construção, os monges do monastério, graças às doações reais, detiveram o domínio e a jurisdição sobre um amplo território. Viviam segundo o lema principal da Ordem Cistercense e da Regra de San Benito, “Ora et Labora”, isto é, Reza e Trabalha.

20160912_194559No próximo post, veremos algumas das principais dependências conservadas deste importante monastério aragonês, e um pouco mais sobre sua complicada história…

 

Um Passeio por Calatayud

Em 1967, Calatayud foi declarada Conjunto Histórico-Artístico, graças a conservação e importância de seus monumentos. Hoje veremos alguns deles, num passeio pelo centro da cidade. Da antiga muralha medieval, se preservam algumas portas, como a Porta de Zaragoza, uma das principais vias de acesso ao seu interior, que foi reconstruída no séc. XVII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJá a Porta de Terrer impressiona por seu aspecto monumental. Construída no séc. XVI, está formada por duas torres cilíndricas, feitas de tijolo. Na parte inferior, vemos dois brasões, um representando a Dinastia dos Áustrias e o outro da própria cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABem em frente a esta bela porta, situa-se a Fonte dos Oito Canos, construída também no séc. XVI para trazer água a cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas residências nobres antigas ainda se conservam, apesar da passagem dos séculos. Uma delas é o Palácio de los Sese, um palácio renascentista do séc. XVI, realizado ao estilo aragonês.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAHistoricamente, uma das principais ordens religiosas que se instalaram em Calatayud foi a dos jesuítas, com o objetivo de criar centros de estudos superiores. O chamado Seminário de Nobres foi levantado com este fim no séc. XVIII. Com a posterior expulsão dos jesuítas da Espanha, o edifício passou a exercer outras funções, como Hospital Municipal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm pequeno monumento serve de homenagem a uma das manifestações culturais mais características da Comunidade, a Jota Aragonesa. Este gênero musical é encontrado em boa parte do pais, mas em Aragón adquiriu fama internacional por suas particularidades. Tal como se conhece atualmente, a jota foi criada no séc. XVIII ou princípio do XIX, e hoje em dia faz parte do folclore aragonês. Ao lado de uma típica dançarina de jota, vemos alguns dos monumentos da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASegundo algumas teorias, a jota originou-se na cidade de Valência. Por este motivo, existe uma pequena inscrição junto ao monumento, que devido ao pequeno tamanho não se pode ler, mas que diz o seguinte:

” La jota nasció en Valencia, Se crió en Aragón, Calatayud fue su cuna (berço), A la orilla (nas margens) del Jalón ( o nome do rio que atravessa a cidade)”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA jota se expressa através da combinação de dança, canto e interpretação instrumental. É acompanhada por castañuelas, e os participantes se vestem com trajes típicos. Um lugar que não poderia faltar em Calatayud é a Praça de Touros. O Coso Taurino, como muitas vezes se denominam estes espaços, da cidade foi construído em 1877.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADe forma octogonal, sua construção foi inspirada na arquitetura mudéjar, de cuja importância na cidade falaremos na próxima matéria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois de visitar a cidade, uma boa dica é conhecer uma das paisagens mais belas da comunidade aragonesa, o famoso Monastério de Piedra. Situado a pouca distância do centro de Calatayud, este monastério cistercense do séc. XII está localizado numa reserva natural de grande beleza. O Rio Piedra, num paciente processo de erosão, formou grutas e um relevo acidentado, responsável pela enorme quantidade de cachoeiras no local. Além do mais, é possível hospedar-se no próprio monastério e ver as ruínas do antigo convento cistercense. Um passeio imperdível…

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Paisagens de Aragón

A Comunidade de Aragón, apesar de nao ser dos destinos preferenciais quanto ao turismo em Espanha, reserva inúmeras surpresas relativas ao extenso patrimônio Artístico-Cultural que possui, como também referente às suas paisagens. Se ao norte reina soberano os Pirineus, nas demais regiões a natureza é igualmente generosa. Visitaremos, pois, algumas delas, já que são muitas, e em uma só publicação sería impossível retratar toda sua riqueza.

O Parque Natural do Monastério de Piedra localiza-se na Província de Zaragoza, a cerca de 1h30min da capital.

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Oculto entre as abruptas serras do denominado Sistema Ibérico, situa-se no município de Nuévalos. O parque oferece caminhadas, cuja protagonista indiscutível é a água, que moldou cascatas e grutas de inegável encanto.

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A cachoeira mais impressionante é a Cola de Caballo, cuja queda de 50m pode ser apreciada dentro de uma gruta.

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Dentro de seus limites, observam-se ecossistemas de grande valor biológico, onde a fauna e a flora são abundantes, em um espaço relativamente reduzido.

O Lago do espelho é um dos locais onde a natureza mais transborda magia e esplendor.

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Não bastasse seu fabuloso entorno natural, no parque encontra-se um monastério Cistercense construído entre os séc. XII/XIII e que também pode e deve ser visitado. A região passou a ser mais conhecida pelos brasileiros depois da publicação do livro “Na margem do Rio Piedra, eu sentei e chorei”, de Paulo Coelho.

Um dos lugares mais misteriosos de toda a comunidade é o Monte Moncayo, devido às histórias e lendas de tempos passados, que lhe conferiram o status de mágico, quando na Idade média bruxas reuniam-se para seus rituais nas imediações da montanha. Situado entre as províncias de Zaragoza e Sória, esta já em território de Castilla-León, o Moncayo é o pico mais alto do denominado Sistema Ibérico, cordilheira que separa a meseta central do Vale do Rio Ebro, com 2.314m de altitude

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Sua ascensão não apresenta grandes dificuldades, com exceção do inverno, quando o acúmulo de neve pode representar dificuldade e perigo para os montanhistas.

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Desde 1978, sua área foi protegida sob a designação de Parque Natural De La Dehesa del Moncayo.

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A paisagem aragonesa está repleta de represas, aqui chamadas de embalses, cujas construções para o plantio e a agricultura tornaram-se fundamentais, num ambiente árido e seco como o de boa parte da comunidade. Um dos exemplos é o embalse de Maideuera, cujas imagens abaixo refletem sua singular beleza.

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Outra das reservas dignas de visitação é o Parque Cultural del Rio Martín. Uma das trilhas mais populares é a chamada rota de Peñarroyas, próxima ao município de Montalbán, situado a nordeste da Província de Teruel.

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Ao longo do rio, abundam as formações areníticas e em seus barrancos encontramos mais de 40 grutas, muitas delas com pinturas rupestres.

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Finalizamos o post numa das trilhas da denominada Selva de Oza, situada ao norte da comunidade, numa porção em que os Pirineus não ganham tanta altura como em sua parte central.

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De qualquer modo, a paisagem é maravilhosa, embelecida com cachoeiras e rios. Originária do degelo, um mergulho em suas águas requer muita, mais muita coragem…

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