Monastério de Piedra – Comunidade de Aragón

Um dos passeios mais interessantes que podemos fazer na bela Comunidade de Aragón, o Monastério de Piedra se destaca tanto por sua história secular quanto pela beleza espetacular da paisagem que o rodeia. Situa-se na Província de Zaragoza, a cerca de 20 km da cidade de Calatayud.

20160912_20030220160912_193852O Real Monastério de Santa María de Piedra, seu nome completo, foi fundado em 1195 dentro da política de repovoamento territorial promovida pelo Rei Alfonso II “El Casto”. Ele e sua esposa, a Rainha Sancha, solicitaram ao abade do Monastério de Poblet, situado  na Catalunha, a criação de um monastério no Reino de Aragón (para maiores informações deste impressionante monastério, ver as matérias publicadas entre 4/4 e 6/4/2013). Para tanto, doaram uma região chamada Castillo de Piedra, assim denominada por encontra-se às margens do Rio Piedra.

20160912_19313420160912_195400Ambas instituições religiosas, os Monastérios de Poblet e Piedra, pertenciam à Ordem Cistercense e sua vida comunitária seguia a Regra de San Benito (São Bento, em português). Depois da lei real para sua fundação, 12 monges saíram de Poblet para a construção do novo monastério, dirigidos por Gaufredo de Rocaberti, que se converteria no primeiro abade do Monastério de Piedra. Passados 23 anos, a igreja do convento foi consagrada (1218). Outras dependências, como o claustro, seriam finalizadas somente no século XV.

20160912_19330520160912_194744Todo o perímetro do monastério estava protegido por uma muralha

20160912_194903A denominada Torre de Homenagem constituía um dos principais pontos de sua defesa.

20160912_195923Os monges habitaram o monastério durante aproximadamente 650 anos, de 1195 a 1835. A construção monacal se desenvolveu ao longo de três etapas distintas: a primitiva românico-gótica (século XIII), a fase renascentista (XVI) e o período barroco (XVIII).

20160912_195102Com sua construção, os monges do monastério, graças às doações reais, detiveram o domínio e a jurisdição sobre um amplo território. Viviam segundo o lema principal da Ordem Cistercense e da Regra de San Benito, “Ora et Labora”, isto é, Reza e Trabalha.

20160912_194559No próximo post, veremos algumas das principais dependências conservadas deste importante monastério aragonês, e um pouco mais sobre sua complicada história…

 

Monastério de Poblet – Última Parte

A igreja do Monastério de Poblet foi construída no último terço do séc. XII, possui planta basilical formada por uma nave central e duas laterais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO ábside está composto por uma girola, que reúne 7 capelas de grande sobriedade, como corresponde ao estilo cistercense.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma antiga porta românica permitia o acesso à igreja desde o exterior, e ainda podemos ver parte de sua policromia, principalmente no tímpano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO órgao data de 1961, mas está documentada a utilizaçao do instrumento desde 1436, muito embora os antigos foram destruídos com o tempo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO excepcional retábulo que vemos no altar maior foi realizado pelo escultor valenciano Damián Forment, entre 1527 e 1529. É considerado a primeira obra renascentista realizada na Catalunha, e nele vemos representadas cenas das vidas de Jesus e da Virgem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Panteao Real é, sem dúvida, um dos elementos fundamentais de todo o conjunto. Desde Alfonso El Casto até os Reis Católicos, 8 dos 13 reis aragoneses, assim como 6 rainhas e numerosos príncipes e infantes estao enterrados aqui, cujas tumbas principais situam-se no cruceiro da igreja (Jaime I, Juan I e II, etc).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAJá a tumba de Martin I destaca pela  elaboraçao de suas formas, e está situada numa das naves laterais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos outra imagem geral da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA denominada Sacristía Nova foi erguida no séc. XVIII, no estilo barroco, mas perdeu toda sua rica decoraçao num incêndio, no séc. XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA visita ao monastério finaliza-se no antigo Palácio de Martin I, considerado como uma das jóias do Gótico Civil Catalao. Foi iniciado em 1397, um desejo do monarca de ter seus aposentos reais no monastério. Porém, o rei faleceu antes de terminada a obra, e consequentemente,  o palácio permaneceu inacabado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, o palácio é a sede do museu do monastério, onde se exibe o tesouro, composto por uma coleçao de esculturas, quadros, objetos litúrgicos, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERA

Monastério de Plobet – Segunda Parte

Imagem

A visita pelo interior do monastério inicia-se num pátio (final do séc. XIV) que comunica várias dependências, como o palácio inacabado do rei Martin I, hoje habilitado como museu e a clausura. Em seguida, chegamos a um átrio, que comunica o antigo dormitório dos conversos com o claustro, com destaque para sua porta românica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

O dormitório dos conversos situava-se precisamente próximo à saída do monastério, já que constantemente saíam do recinto para o trabalho nas granjas e campos das proximidades. No séc. XIV, esta estância mudou de função, agora dedicada à elaboração do vinho. O refeitório dos conversos transformou-se em bodega.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

O claustro representava o centro da vida monacal, e ao seu redor situavam-se as principais dependências do monastério. Segundo pequenas variações, esta distribuição é característica dos demais monastérios cistercenses existentes. Iniciado no séc. XII, caracteriza-se por sua uniformidade e simplicidade, como pregava São Bernardo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Em seu muros, vemos as tumbas de nobres que aqui tiveram o privilégio de repousar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

A primeira estância que vemos no claustro é a cozinha, uma ampla sala coberta com bôveda de crucería, em cujo centro constava uma clarabóia para a saída da fumaça. Nas laterais, duas pequenas janelas permitiam que os pratos fossem deixados no refeitório.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERA

O refeitório foi finalizado no séc. XII, e nele vemos o púlpito, onde um monje recitava as escrituras, enquanto os demais permaneciam em silèncio. A regra postulava apenas uma refeição ao dia que, no entanto, podia variar segundo a época do ano e os trabalhos agrícolas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Em frente ao refeitório, ergue-se uma maravilhosa fonte românica do séc. XII. Servia para que os monges lavassem as maos antes de entrar no refeitório, quando retornavam dos campos. A fonte é um elemento clássico de todos os monastérios cistercenses. 

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERA

Ao lado do refeitório, situava-se o calefatório, local onde uma chaminé aquecia os monjes nos duros dias de inverno (séc. XIII). Na Sala Capitular, realizavam-se os atos mais importantes do cotidiano monacal, como a eleiçao do abade, entrega dos hábitos aos noviços e também como lugar de enterramento dos abades. Nela, eram lidos os capítulos da regra de São Bento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Construída no séc. XIII, representa a fase final do românico e o incipiente estilo gótico.  Está formada por 4 torres octogonais com delicados capitéis, dos quais arrancam os nervos das bôvedas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

O sobreclaustro ou claustro superior foi edificado na época dos Reis Católicos. A partir dele, obtemos uma bela vista do cimbório e da torre campanário.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPelo monastério, foram realizados várias estruturas de ferro, no estilo modernista, que dao um toque especial ao conjunto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Abaixo, vemos o dormitório dos monges, uma imensa nave com quase 90m. No teto, por primeira vez as bôvedas de pedra foram substituídas por uma estrutura de madeira, solução utilizada em outros locais do monastério.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, veremos a última parte da matéria sobre o Monastério de Poblet, quando conheceremos sua igreja e o Panteao Real.

Monastério de Poblet – Província de Taragona

O Monastério de Plobet é um dos mais importantes de toda a Espanha, e foi declarado, tanto por sua importância histórica, quanto por sua originalidade arquitetônica, como Patrimônio da Humanidade. Está situado na comarca da Cuenca de Barberá, na Província de Taragona, aos pés dos Montes de Prades e do denominado Bosque de Plobet, antigamente propriedade do monastério, e catalogado desde 1984 como Reserva Natural. Integra a denominada Rota do Císter, formada por outros dois monastérios cistercenses, o de Santes Creus e o de Vallbona de Les Monges.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERA

Atualmente, o monastério está rodeado por vinhedos, que deixam a paisagem circundante ainda mais bela. Este entorno rico em paisagens naturais foi exatamente o que encontraram os primeiros monges que aqui chegaram, no séc. XII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Além do esplendor natural, outros fatores contribuíram para a fundação do monastério neste local, como o clima temperado, sua localização estratégica, rica em recursos naturais e, ao mesmo tempo, distante das grandes cidades, aspecto fundamental para o sossego espiritual.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

No séc. XII, estas terras tinham acabado de serem reconquistadas pelos cristãos, então sob poder muçulmano. Desta forma, era fundamental repovoá-las, e para tanto, nada melhor que fundar um monastério. O conde Ramón Berenguer IV escolheu para sua fundação, a ordem com mais prestígio da época, os monges brancos do Císter. Para alcançar seu objetivo fundacional, o conde dirigiu-se ao abade do monastério principal da ordem, situado na França, e concedeu-lhe terras. Logo depois, os primeiros doze monges franceses chegaram à Taragona para constituir uma inicial organização monástica. A vida destes primeiros religiosos transcorria segundo os princípios de austeridade cistercense, reconhecidos na frase latina “Ora et labora”, reza e trabalha. Dormiam numa sala comum, encima de um colchão de palha e uma manta, suportando os largos dias do frio invernal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Os cistercenses são conhecidos historicamente como pertencente a uma ordem rebelde, pois desprezavam a riqueza na qual se havia convertido a Ordem Beneditina de Cluny. Pregavam, pois, um retorno aos primitivos conceitos de austeridade, pobreza e trabalho, que propunha a original regra de São Bento. Fundaram, então, um novo monastério em Cíteaux, na Borgonha francesa. Seu líder espiritual foi uma das figuras mais influentes e carismáticas da época, São Bernardo de Claraval. Para seguir a regra em toda a sua pureza, buscavam locais ermos, em pleno contato com a natureza. O Monastério de Poblet foi fundado segundo a advocaçao da Virgem Maria, segundo a tradição da ordem cistercense. Graças às doações das classes nobres, que deixavam seus bens para o monastério em benefício de sua alma, e também para obter o privilégio de nele ser sepultado, o patrimônio do monastério foi crescendo e, com o tempo, chegou a ser o mais extenso de toda a Catalunha. Seus abades participaram ativamente da política de seu tempo, e três deles presidiram a Generalitat (governo) da Catalunha. A partir do séc. XIV, Poblet passou a ser o Panteão Real da Coroa Aragonesa-Catala. Foi Pedro El Cerimonioso quem impôs a obrigatoriedade de que os reis aqui fossem sepultados. Foi ele também que fortificou o monastério no séc. XIV, para proteger a comunidade que nele vivia, bem como o cenóbio onde se encontravam as tumbas reais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

A criação da Congregação Cistercense da Coroa de Aragón em 1616, provocou a separação com a “casa mãe “, na França. Com a Desamortizaçao de Mendizábal em 1835, o monastério e suas terras passaram ao controle do estado. Abandonado, seu rico patrimônio foi saqueado e incendiado. As tumbas reais foram profanadas em busca de tesouros, até que foram custodiadas na Igreja Paroquial de Espluga de Francolí, e depois levadas à Catedral de Taragona em 1843. Em 1930, foi criada uma comissão para a restauração do Monastério de Poblet e, a partir de 1940, uma nova comunidade de monges cistercenses, vindos da Itália, restabeleceram a vida monacal no local, presente até hoje.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Dentro da comunidade que habitava o monastério, existiam duas classes sociais bem diferenciadas: os monges, sujeitos ao estrito cumprimento da regra beneditina, e os conversos, que não tinham obrigações litúrgicas e basicamente realizavam os trabalhos manuais e do campo. A austeridade e simplicidade dos monges se refletia na arquitetura do edifício, não havendo quase pinturas, nem esculturas que o decoram. Sua ornamentação existente é fruto de épocas posteriores.O conjunto monacal está formado por 3 portas, que encerram recintos perfeitamente delimitados. Junto à estrada, vemos a primeira delas, a Porta de Prades.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Ao passar por ela, chama a atenção uma pequena capela dedicada a São Jorge, construída no séc. XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

A seu lado, vemos a segunda porta, denominada Dourada, também do séc. XV. Neste local, deixavam os cavalos os reis em suas visitas ao monastério, bem como eram recebidos os féretros reais para seu enterramento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Logo, encontramos um imenso pátio, que permite admirar a grandeza do monastério. Nele, se distribuíam algumas de sua dependências, como o edifício da administração, o hospital, etc, atualmente desaparecidos, e que foram substituídos por uma nova hospedaría.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

O serviço espiritual a hóspedes, peregrinos e habitantes da região realizava-se na Capela de Santa Catalina, românica do séc. XIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

No centro do pátio, vemos uma cruz construída em 1568 e, ao lado, as ruínas da antiga hospedaria, do séc. XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

A última porta, que permite o acesso ao monastério, é a chamada Porta Real, integrada nas muralhas que cercam o conjunto. Seu perímetro é de 608m, e está formada por 13 torres de aspectos e dimensões diferentes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERA

A fachada que preside o conjunto monacal, apesar de barroca, representa em suas esculturas os postulados da Ordem Cistercense.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Em sua parte superior, vemos a Virgem, uma tradição da ordem de consagrar suas igrejas à Santa Maria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Em sua parte inferior, vemos a duas esculturas, que representam a São Bento, fundador do monacato ocidental, e São Bernardo de Claraval, responsável pela reforma cistercense.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, conheceremos o interior do magnífico Monastério de Poblet.