Monastério de San Antonio El Real – Parte 2

Neste segundo post sobre o Monastério de San Antonio El Real de Segóvia, veremos as principais dependências que o compõem, todas elas belíssimas e caracterizadas por uma esbelta decoração. Desde a igreja, que vimos na matéria anterior, passamos à Sacristia, um espaço coberto por um teto feito de madeira policromada e decorado com motivos vegetais e o escudo de Enrique IV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADa Sacristia chegamos ao Claustro Principal, também chamado dos Franciscanos. Como se fosse um verdadeiro museu, nele encontramos diversas obras de arte. Além do mais, também está coberto por um incrível teto decorado com artesanato mudéjar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADentre todos os objetos expostos no claustro, destacam os denominados Trípticos Flamencos de Utrech, nos quais observamos uma feliz combinação de pintura e escultura, realizados por artistas flamencos. Em um deles, vemos uma cena central realizada em alto-relevo e feita de barro policromado com o tema do Calvário. Em outro, se representa o Santo Enterro. Nas laterais vemos pinturas de santos da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEstas obras são uma referência ao período em que Segóvia manteve um estreito contato com Flandres, quando exportava tecidos aos Países Baixos (séc. XV). Desde o claustro se abrem alguns dos recintos mais belos do conjunto conventual. O refeitório, por exemplo, está formado por uma grande sala retangular, com um banco que a rodeia e utilizado pelas freiras na hora das refeições.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASuas paredes estão repletas de pinturas murais, com a representação de santos e motivos florais. Entre todas as pinturas, destacam a de Cristo com Santa Clara e a Imaculada Conceição, situada no centro do refeitório.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO púlpito, do séc. XV e profusamente decorado, está situado no centro da sala, e era utilizado durante as refeições para a leitura da bíblia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, vemos a chamada Sala dos Frailes, com uma grande quantidade de objetos religiosos de interesse. Está coberta por um teto decorado, similar ao da Sacristia. Nela foram encontrados recentemente dois registros de água que conectavam diretamente com um canal procedente do famoso Aqueduto de Segóvia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOs detalhes decorativos tornam a visita ao Monastério de San Antonio El Real uma experiência inesquecível…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAE finalmente chegamos à Sala Capitular, um maravilhoso espaço formado por um teto de formato octogonal, também mudéjar. Sua vista impressiona ainda mais pela baixa altura em que se encontra. Estrelas de 12 pontas decoram o teto, com os símbolos da Ordem Franciscana e as armas do rei Enrique IV e sua esposa Joana. No centro da sala, vemos um retábulo do séc. XVIII, com as imagens de São Francisco e Santa Clara.

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Monastério de San Antonio El Real – Segovia

Outro lugar que tive a oportunidade de visitar em minhas viagens a Segovia foi o Monastério de San Antonio El Real, um local realmente surpreendente.Como já foi dito em outra ocasião, o séc. XV representou uma época de prosperidade para Segovia, cujo esplendor podemos observar neste monastério.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta instituição religiosa foi fundada em 1455 pelo rei Enrique IV, que manteve uma estreita ligação com a cidade de Segovia desde que nela passou a viver, sendo um de seus lugares favoritos, junto com Madrid. Em 1440, Juan II cedeu o senhorio de Segovia a seu filho Enrique IV, que contribuiu com várias obras para a cidade. O monastério foi construído numa zona de recreio que o rei possuía fora do recinto amuralhado da cidade, chamado El Campillo. O local foi cedido à Ordem dos Franciscanos para a construção de um convento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO documento fundacional de 1455 parece indicar a existência de uma construção prévia ao monastério, provavelmente a conhecida Casa do Príncipe, mandada construir por Juan II para seu filho. Com a construção do monastério, esta edificação passou a funcionar como enfermaria. Abaixo, vemos a porta principal do convento, atribuída aos arquitetos Juan Guas e Enrique Egas, onde podemos apreciar dois escudos de armas de Enrique IV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1488, Isabel la Católica, irmã de Enrique IV, cedeu o conjunto à Ordem das Clarissas, que realizou várias reformas para adaptar o espaço às suas necessidades conventuais. Uma outra porta foi erguida no séc. XVIII, e nela estão representados Enrique IV junto a San Antonio de Pádua e sua irmã Isabel, com Santa Clara. Ambos monarcas aparecem em atitude orante.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO estado de conservação do monastério é excelente, e podemos conhecê-lo da mesma forma em que foi concebido originalmente. A seguir vemos o Claustro dos Franciscanos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo final do séc. XV, se construiu um monastério independente, organizado em torno a outro claustro, que dividia com o Monastério das Clarissas a Capela Maior. No entanto, esta parte do conjunto foi abandonada e transformada num armazém, e em 2007 se converteu numa hospedaria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja do Monastério de San Antonio possui um aspecto sóbrio, em contraste com a Capela Maior, ricamente decorada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Retábulo Maior  foi  realizado em 1730, em madeira dourada. Um dos grandes tesouros do monastério é a grande quantidade de tetos decorados com artesanato mudéjar. Um deles decora Capela Maior, bem em cima do retábulo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO artesanato mudéjar está composto por estrelas de 5 e 10 pontas e policromado em azul, vermelho e ouro. Sua conotação simbólica está relacionado com a vitória do rei Enrique IV sobre os muçulmanos na Batalha de Jimena, além de ser também uma representação celestial. Na nave encontramos uma obra de arte excepcional, o Retábulo da Paixão. Realizado por um artista flamenco no séc. XV em madeira talhada e policromada, consta de 135 figuras que se caracterizam pela expressividade e individualização dos gestos e rostos, dotando o conjunto de um grande caráter teatral. Este retábulo foi inspirado nas obras dos geniais artistas flamencos Jan Van Eyck e Roger Van Der Weiden. Uma estrutura de vidro o protege e as fotos não saíram boas. mesmo assim, vale a pena reproduzi-las aqui, para que tenham uma ideia de sua beleza.

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