Palácio de Líria e Casa das 7 Chaminés

No post de hoje, conheceremos um dos palácios mais representativos da nobreza na capital espanhola, bem como uma de suas construçoes mais singulares. Situado na Calle Princesa, o Palácio de Líria é a residência madrilenha da Duquesa de Alba, recentemente falecida. Trata-se de um dos escassos exemplos de palácio, cujo proprietário (a) permanece o mesmo desde o séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA origem da Casa de Alba se remonta ao ano de 1429, quando o rei Juan II de Castilla concede o título de Senhor de Alba de Tormes ao Arçobispo de Sevilha e Toledo Gutierre Álvarez de Toledo. O projeto do palácio foi realizado pelo arquiteto Ventura Rodríguez e finalizado em 1779, inspirado no Palácio Real de Madrid. O arquiteto foi encarregado da construçao pelo Duque de Berwick (um dos títulos da Casa de Alba).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar de sua origem escocesa, o Duque de Berwick nasceu e foi criado na França. Tinha um grande talento militar, tornando-se chefe supremo do exército franco-espanhol que defendia o direito de Felipe V ao trono de Espanha, durante a denominada Guerra da Sucessao Espanhola. Com a vitória de Felipe V, o monarca lhe concede o título de Ducado de Líria, entre outros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABombardeado na Guerra Civil, o Palácio de Líria ficou arrasado, ficando em pé somente a fachada. Por sorte, boa parte da coleçao de quadros da família foi removida a tempo. No entanto, se perdeu uma grande quantidade de peças artísticas e livros de sua impressionante biblioteca. O palácio foi reconstruído após a guerra e concluído em 1956.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Palácio de Liria é visitável, mas a lista de espera é enorme….

A outra construçao que veremos é uma das mais antigas de Madrid. Sua história está repleta de intrigas, personagens famosos e inclusive apariçao de fantasmas. Porém, faremos apenas um breve resumo da chamada Casa das 7 Chaminés.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA explicaçao de seu nome está clara, vendo a foto acima, pois o palácio possui sete chaminés, que podem ser vistas desde o exterior. Seu documento mais antigo conservado data de 1567. Habitado por inúmeros personagens da nobreza e do corpo diplomático de Madrid, foi a residência do Marquês de Esquilache, homem de confiança e ministro do rei Carlos III.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1776, um decreto de Esquilache proibiu o uso do sombrero e da capa larga, ambas peças tradicionais do povo madrilenho (a medida visava impedir que os cidadaos levassem armas e ocultá-las debaixo das capas). O povo, passando fome, se revoltou, e uma multidao formada por cerca de mil pessoas invadiu a Casa das 7 Chaminés, destruindo seu interior, mas nao encontraram o marquês, que afinal foi destituído de seu cargo pelo rei Carlos III, que o enviou ao estrangeiro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADesde 1984, é a sede do Ministério da Cultura e declarado Monumento Histórico Artístico em 1948. Cabe ressaltar a beleza da praça onde se localiza, denominado Plaza del Rey, que vemos abaixo. À direita da foto, vemos o Palácio de Fontagud, situado quase em frente da Casa das 7 Chaminés, e que vimos há pouco tempo no blog.

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Os Comércios Históricos de Madrid – Parte 4

Hoje veremos mais alguns Comércios Históricos de Madrid, todos eles situados próximos à Porta do Sol. Uma das últimas fábricas remanescentes do comércio de luvas (guantes, em espanhol) é a denominada Casa Carlos Luque. O estabelecimento é um negócio familiar fundado em 1888.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA casa Carlos Luque fabrica todos os tipos de luvas imagináveis, destacando a variedade de estilos e materiais de confecção, seguindo a forma artesanal. No seu interior, algo desordenado, podemos confirmar o dito acima. Nos anos 30 do século XX, a organização do Miss Espanha completou os vestidos das candidatas com sofisticadas luvas, produzidas por Luque.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe 1867 é a casa Sobrinos de Pérez, especializadas em artigos religiosos. Inicialmente, foi aberta para o comércio têxtil, com uma seção de tecidos religiosos. Fundada pelos riojanos Basilio e Leoncio Pérez, o estabelecimento aparece citado na novela Fortunata e Jacinta, de Benito Pérez Galdós. Atualmente, o negócio pertence à quinta geração familiar, e a propriedade do imóvel passou sempre dos tios aos sobrinhos ou primos, daí sua denominação.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a placa comemorativa de Comércio Centenário, oferecido pela Prefeitura de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA chamada Capa Espanhola era o abrigo de uso comum para boa parte da população masculina do país até o princípio do séc. XX. Apesar de sua eminente  desaparição, um comerciante chamado Santos Seseña decidiu continuar fabricando as capas, como algo representativo e pleno de significado no tocante a moda do país. Dessa forma, fundou a Casa Seseña, especializada neste tipo de vestimenta, em 1901.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACriando modelos acordes com o novo tempo, mas sem abandonar o estilo clássico, a loja em seus mais de 100 anos vendeu capas para o mundo inteiro, e segue sendo propriedade da mesma família do fundador. Um episódio curioso envolvendo a utilização de capas ocorreu em 1766, durante o reinado de Carlos III, e ficou conhecido como o Motim de Esquilache.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsquilache era o nome do ministro de total confiança do rei Carlos III. Na época, a capital do reino e sede da corte ostentava a péssima condição de uma cidade suja, insalubre e violenta. O ministro propôs, então, um programa de modernização de Madrid, incluindo sua limpeza, pavimentação das ruas e a construção de fossas, além da criação de alamedas e jardins. Entre tais medidas incluiu, no entanto, uma que tornou-se muito impopular, a proibição de utilizar capas e um tipo de chapéu, denominado Chambergo. O argumento usado foi que a vestimenta tradicional permitia o anonimato, além da facilidade para esconder armas, enquanto o chapéu possibilitava seus usuários ocultar sua identidade, fomentando as desordens e a delinquência. A medida foi vista como uma imposição  de uma moda de procedência estrangeira, já que o ministro era de origem italiana. A gota da água para o descontento popular foi o aumento dos preços dos alimentos de primeira necessidade, produzindo uma situação geral de fome nas classes populares, naquele tempo maioria esmagadora da população. Carlos III, pressionado pelos cidadãos, destituiu o ministro, que voltou para a Itália. Ainda hoje, é possível ver, principalmente nos pueblos, o costume na utilização das capas. Na foto que segue, vemos um detalhe decorativo da Casa Seseña.

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