Valencia

Capital da província homônima e da Comunidade Valenciana, a cidade de Valencia é a terceira maior em populaçao da Espanha, com aprox. 800mil hab., e na área metropolitana, chega a 1milhao e 800mil, sendo superada apenas por Madrid e Barcelona. Está situada às margens do rio Turia, na costa mediterânea. Seu centro histórico representa um dos mais extensos do país, graças ao seu grande patrimônio monumental.

Fundada pelos romanos em 138 aC, constitui uma das urbes mais antigas do país, que a denominaram Valentia Edetanorum. Na época visigótica foi sede episcopal e os edifícios de culto cristão foram erguidos sobre os templos romanos. No ano de 711 foi ocupada pelos muçulmanos. Porém, o crescimento surgiu durante o período conhecido como Reino de Taifas, no séc. XI, do qual Valencia era um deles. Nesta época, levantaram-se as muralhas, cujos partes se conservam pela cidade velha. As denominadas Torres gêmeas de Quart eram uma das portas de acesso da antiga muralha, e no alto se admira boa parte da cidade.

O nobre castelhano Rodrigo Diaz de Vivar, o El Cid, conquistou a cidade e o poder passou às tropas cristianas entre 1094 e 1102. Depois de sua morte, no entanto, foi recuperado pelos árabes.

Em 1238 o rei cristão Jaime I de Aragón reconquista a cidade e a população muçulmana foi expulsa. O rei outorga novas leis, os denominados Foros de Valencia.

No séc. XIV, a cidade foi quase dizimada pela peste negra de 1348.

O séc. XV foi  um período de esplendor, que ficou conhecido como o século de ouro valenciano, tornando-se a cidade mais populosa do Reino de Aragón. A finais do século, ergue-se a Lonja da Seda e dos Mercadores, transformando-a num empório comercial que atraiu comerciantes de toda a Europa, refletindo-se também no plano artístico-cultural. A  Lonja da Seda é considerada uma obra prima do gótico civil e situa-se em pleno centro histórico. Construída entre 1482/1548, é um edifício representativo do século de ouro  valenciano e um exemplo da Revolução Comercial que caracterizou a Idade Média. Por isso, foi declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1996.

Com o descobrimento da América, a economia européia dirigiu-se ao Atlântico, em detrimento das zonas localizadas no Mediterâneo, fazendo com que a cidade entrasse num período de crise, acentuado por revoltas sociais e a expulsão de judeus e muçulmanos em 1609. A decadência aumentou ainda mais com a Guerra da Sucessão Espanhola no início do séc. XVIII, que significou o fim da independência política do Reino de Valencia. De 1808 a 1814, foi ocupada pelo exército de Napoleão. Com o final da Guerra da Independência, pouco a pouco foram sendo realizadas obras de infra-estrutura e no final do séc. XIX  as antigas muralhas foram derrubadas, para permitir a expansão da cidade.

Abaixo, vemos a Torre da Igreja de Santa Catalina Mártir, construída entre 1688/1705 que, com sua planta hexagonal, é uma obra prima do barroco valenciano.

No séc. XX, a população de Valencia triplicou em 100 anos, tornando-se o terceiro pólo industrial e comercial do país. Com a chegada da democracia, o antigo reino foi novamente instituído na Comunidade Autônoma de Valencia. Desde então, sofreu um grande desenvolvimento e tornou-se também um verdadeiro centro turístico, graças à sua oferta cultural e histórica. Além da Catedral e das Cidades das Artes e Ciências, Valencia possui inumeráveis atrativos por conhecer.

Acima, vemos a Torre de Miguelete e a Cidade das Artes e Ciências, que foram retratadas num post à parte.

O Museu Nacional de Cerâmica González Marti, localizado no palácio do marques de Dos Águas, foi criado em 1947, a partir da doação que o próprio marques efetuou ao estado. Inaugurado em 1954, possui a mais completa coleção de cerâmicas de Espanha  e uma das mais importantes do continente. O palácio, por sua vez, é uma atração à parte, com destaque para sua fachada rococó, de 1740.

Na sequência, imagens do interior do palácio.

Já a neoclássica Praça de Touros, construída entre 1850/1860, é uma das maiores do país.

Existem muitos exemplos de obras modernistas em Valencia, como o edifício abaixo.

Destacamos o mercado central (1914) e a Estação ferroviária Norte (1906/1917).

Devido a sua larga história, são inúmeras as festas e tradiçoes, entre as quais mencionamos as Fallas, declaradas Festas de Interesse Turístico Internacional em 1965 e o Tribunal das Águas, declarado em 2009 Patrimônio Imaterial da Humanidade.

Além do castelhano, fala-se o valenciano, uma variedade do catalão, como idoma próprio e co-oficial da comunidade, segundo o Estatuto de Autonomia.

Não podemos finalizar o post sem mencionar sua parte gastronômica, cujo carro chefe, de enorme tradição e história, difundiu-se pelo país e pelo mundo, com uma amplíssima varirdade: a Paella.

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Toledo – Cidade das 3 Culturas

A espetacular cidade de Toledo é, desde 1983, capital da Província homônima e da Comunidade de Castilla- La Mancha. Situada a tão somente 70 km da capital Madrid, é conhecida como “Cidade Imperial”, por ter sido a sede da corte real durante o reinado de Carlos I, e também como a “Cidade das 3 culturas”, por ter sido povoada durante séculos por cristãos, judeus e muçulmanos.
Está localizada numa colina a 100m de altura sobre o rio Tajo, o mais longo da Península Ibérica e que deságua no Atlântico, em plena capital portuguesa.

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A história da cidade se remonta à época do bronze e foi durante a ocupação romana que adquiriu o nome, Toletum, em função de sua singular localização.
Deste período foram deixados vestígios, como os restos do aqueduto e o circo, parcialmente desenterrado. A maior parte dos edifícios romanos foram desmontados e seus materiais utilizados para novas construções, como a muralha que rodeia a cidade. É bem provável que sua maior riqueza arqueológica se encontre soterrada atualmente. As muralhas, apesar de existirem na época romana, foram reformadas em 674 pelo rei Visigodo Wamba. As que atualmente se conservam pertencem á época árabe e foram concluídas durante o reinado de Alfonso VI.

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Depois da queda do Imperio Romano, a península foi invadida pelos povos germânicos e os chamados Visigodos conquistaram a cidade no séc. V. Com o Rei Leovigildo converteu-se na sede eclesiástica e capital do reino.
Em 711 dC, foi conquistada e submetida ao poder muçulmano. A tomada da cidade foi realizada mediante sua capitulação, já que boa parte de seus moradores fugiram. O predomínio da população Mozárabe, como são conhecidos os cristãos que viveram nesta época, representou um constante conflito com o Califato de Córdoba, sede do poder imperial. Finalmente, em 932 dC, foi incorporada ao Califato, depois de dois anos de assédio.
Depois da desintegração do Califato de Córdoba, Toledo transformou-se num importante Reino de Taifa e para manter sua independência, teve que pagar tributos ao Reino de Castela.

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A cidade foi reconquistada em 1085 pelo Rei de Castilla-León Alfonso VI, que garantiu às variadas etnias sua segurança e bens. Em seguida, sobreveio o período de maior esplendor de Toledo, de grande intensidade social, cultural e política. A famosa Escola de Tradutores, florescente nos séc. XII e XIII, bem como numerosas obras de arte, civis e religiosas, comprovam sua prosperidade.
Não obstante, esta tolerância não durou muito, pois os cristãos levantaram sua nova catedral sobre a antiga Mesquita Maior da cidade, que por sua vez havia sido edificada sobre a anterior construção Visigoda.
Durante o reinado dos Reis Católicos, a cidade foi urbanizada e engrandecida.
Com a decisão de mudar a capital do reino a Madrid em 1561, por iniciativa do Rei Felipe II, a cidade perdeu grande parte de seu poder político.
Durante a Guerra Civil Espanhola, Toledo permaneceu na zona republicana. Porém, o assédio do Alcázar, sede da Academia de Infantaria, onde um grupo de sublevados refugiou-se, tornou-se um  episódio de ressonância mundia e foi amplamente utilizado como propaganda pelos franquistas.
Atualmente, a cidade conta com aprox. 83.000hab. A indústria metalúrgica foi, historicamente, a base de sua economia, com grande tradição na fabricação de espadas e facas.  Hoje em dia, Toledo transformou-se numa cidade de serviços, onde o turismo representa grande parte de sua receita.
Em 1940, foi declarada Conjunto Histórico-Artístico e em 1987, a Unesco concedeu-lhe o título de Patrimônio da Humanidade.

Neste post veremos algumas das construções mais representativas da cidade e que lhe conferiram a alcunha de Cidade das 3 culturas.
A Mesquita de Bab Al Mardum, posteriormente denominada Igreja do Cristo da Luz, é a mais conservada das 10 que haviam na cidade. Foi construída no ano 999 dC, como testemunha uma inscrição no próprio templo. O ábside levantou-se na época de Alfonso VI, quando a construção foi cedida à Ordem dos Cavalheiros de San Juan, estabelecendo ali a ermita de Santa Cruz. Esta ampliação é considerada a mais antiga amostra de Arte Mudéjar de que se tem constância.
O nome do templo cristão provém do Cristo crucificado que foi colocado quando a ermita foi consagrada. De planta quadrada, recentemente o templo foi objeto de restauração, descobrindo-se em seu jardim uma antiga necrópole, além de uma via romana.

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A Igreja do Salvador, originalmente também uma mesquita, conserva no interior os típicos Arcos de Ferradura da arquitetura islâmica. A torre corresponde ao antigo minarete da mesquita.

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Da mesma forma, a Igreja de São Tomé foi  construída sobre o solar de uma antiga mesquita do séc. XI. A princípios do séc. XIV, por encontrar-se em ruínas, foi totalmente reformada por Gonzalo Ruiz de Toledo, o Senhor de Orgaz, e o antigo minarete foi transformado numa torre campanário de estilo mudéjar.

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Sua fama reside por acolher em seu interior a obra prima de El Greco, o quadro “O Enterro do Conde de Orgaz”. Aos pés da nave, na Capela da Conceição, encontra-se enterrado , por desejo próprio, o benfeitor da igreja e alcaide de Toledo, Gonzalo Ruiz, falecido em 1323.

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Segundo a lenda, durante seu sepultamento, apareceram San Esteban (considerado o primeiro Mártir Cristão) e Santo Agostinho, para colocá-lo na sepultura. O mencionado milagre é o tema central do quadro de El Greco, realizado em 1584. Pintado à óleo, a obra impressiona por seu tamanho (4,80×3,60m) e maestria. Representa as dimensões da existência humana: abaixo a morte e na parte superior, o céu, a vida eterna, iluminada por Jesus Cristo.
O centro é ocupado pelo cadáver, que vai ser depositado com toda veneração e respeito no sepulcro. Em cima, a Virgem Maria acolhe maternalmente a alma do defunto que chega ao céu. El Greco utilizou personagens reais da aristocracia da época para imortalizá-los no quadro. Na parte inferior esquerda, o artista retrata seu filho, como comprova um papel que sai do bolso de seu traje de gala: Domenico Theotocopuli- 1578, data de nascimento do seu filho.
Muitos consideram esta obra, não apenas o apogeu criativo do autor, mas o expoente máximo de toda a pintura ocidental. Pintado em sua madurez artística, o quadro apresenta uma unidade extraordinária, apesar das duas partes em que está composto. Nele observamos todas as características de sua linguagem maneirista: figuras alongadas, cores brilhantes e cálidas, corpos vigorosos, etc.
O fato de El Greco ter representado personagens contemporâneos de sua época transformou o quadro no primeiro retrato coletivo da história da arte espanhola.
O local onde situa-se é o mesmo para o qual foi concebido, e nele perdura, transcorrido mais de 4 séculos, e seu estado de conservação é excelente.

Abaixo, vemos o interior da Igreja de São Tomé e o retábulo que adorna o Altar Maior.

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A semana Santa é uma das mais festivas de todo o calendário toledano, como podemos apreciar na foto a seguir, tirada em pleno centro histórico da cidade, a Praça de Zocodover.

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A cultura hebraica da cidade, representada por suas magníficas sinagogas foram retratadas num post à parte.

Finalizando, os interessados em conhecer a cidade e que estão hospedados em Madrid, podem tranqüilamente num dia conhecer o básico de Toledo, numa agradável e rápida viagem de trem. Na chegada à cidade, a bela estação ferroviária, inaugurada em 1920, é apenas o início de um passeio que inegavelmente será inesquecível.

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