A Muralha de Cáceres

Desde a antiguidade, as cidades estavam protegidas por um recinto defensivo, as denominadas muralhas, que cercavam todo o seu perímetro. Muitas destas cidades perderam, com o tempo, total ou parcialmente, o seu caráter militar, com o objetivo de expandir seu núcleo urbano e um número reduzido delas conservam o traçado de suas muralhas. A cidade de Cáceres teve sua primeira muralha ao redor do ano 900 aC, quando uma tribo celtíbera construiu um castro, um povoado fortificado pré-romano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a chegada dos romanos e a fundaçao de Norba Caesarina, origem da atual Cáceres, se construiu uma nova muralha no século I aC, composta por 4 portas de acesso ao interior da cidade. Posteriormente, no século XII, os almohades, uma tribo árabe proveniente do Marrocos, conquistou a cidade e ergueu uma outra muralha, que se conserva em sua boa parte e um dos motivos principais pelo qual a cidade foi declarada Patrimônio da Humanidade em 1986. Atualmente esta muralha faz parte do patrimônio histórico da cidade e percorrer o seu perímetro permite conhecê-la a fundo. A primeira coisa que fiz ao chegar a Cáceres foi caminhar por seu recinto defensivo, descobrindo as partes que foram preservadas de sua muralha medieval.  A denominada Puerta do Consejo (Porta do Conselho, em português) é a única que se conserva do período romano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado desta porta, se construiu no período almohade (século XII) uma torre destinada a protegê-la e que se ergue ao seu lado…

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém edificada pelos almohades, a Torre del Horno foi construída sobre uma base da anterior muralha romana. Seu nome se deve que em sua proximidade se localizava um forno para a fabricação de pão (horno, em espanhol) e se considera uma das mais conservadas do período árabe da cidade, entre as 40 torres existentes originalmente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra torre preservada do mesmo período é a Torre del Aver, igualmente de planta quadrada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos outra parte da muralha árabe, situada na parte lateral da Plaza Mayor de Cáceres.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois da reconquista da cidade no século XIII pelo Rei Alfonso IX de León, se construiu outra porta de entrada, o chamado Arco de Santa Ana, cujo nome se deve à imagem de Santa Ana que foi colocada posteriormente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA denominada Torre de Bujaco, situada em plena Plaza Mayor, que vimos no post anterior, integrava o recinto fortificado do período árabe.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado da Torre de Bujaco, localiza-se o Arco da Estrela, o principal acesso ao Centro Histórico de Cáceres. Foi construída no século XVIII sobre uma anterior porta do século XIV, denominada Porta Nova.

dsc02088OLYMPUS DIGITAL CAMERAA anterior “Porta Nova” foi destruída porque não permitia a passagem das carruagens. Diante dela, a Rainha Isabel la Católica jurou manter em 1477 os foros da cidade, como podemos comprovar numa placa situada junto ao Arco da Estrela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte interna do Arco vemos uma imagem da Virgem da Estrela, que deu o nome à construção.

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A Muralha de Ávila

Na Espanha, quando nos referimos às muralhas que circundavam as cidades em tempos antigos, existem duas referências obrigatórias: a Muralha de Lugo, construída em época romana, e a Muralha de Ávila. Digo isso em função do seu grau de conservação e de seu  extenso perímetro, constituindo os exemplos perfeitos do sistema defensivo básico existente desde o período romano, que atingiu seu ápice na Idade Média. A Muralha de Lugo ainda nao tive a oportunidade de conhecer, mas pude contemplar inúmeras vezes a Muralha de Ávila

20160612_124733Existem várias teorias a respeito de sua construção, e a mais aceita diz que foi levantada no século XII, durante a reconquista da cidade e seu posterior repovoamento. Este dado lhe confere a designação de um cerco defensivo pertencente à arquitetura militar do período românico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Muralha de Ávila é monumental por sua data construtiva, tamanho e grau de conservação. Ao contrário da maioria das cidades, que perderam suas muralhas medievais em função do processo de ampliação urbana que sucedeu em toda a Europa a partir do século XVIII, a Muralha de Ávila pôde sobreviver graças ao título de Monumento Nacional que recebeu em 1884.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi levantada, provavelmente, sobre os restos de muralhas anteriores. Inclusive, foram utilizadas peças procedentes de outras épocas, como estelas funerárias provenientes de um antigo cemitério, que incluíam inscrições com o nome do defunto, sua origem e profissão. Podemos observar em seus grossos muros tumbas datadas de época romana, denominadas Cistas, onde eram depositadas as cinzas dos corpos incinerados. Algumas delas eram talhadas em cerâmica, outras em pedra, como as que vemos a seguir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPossui um perímetro de 2545m, estando composta por 87 cubos (torres defensivas) e 9 portas de acesso, que veremos na próxima matéria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAÉ possível percorrer todo seu perímetro pelo lado exterior, algo que recomendo num passeio pela cidade. Algumas zonas habilitadas como O Paseo del Rastro, por exemplo, se tornaram um local de ócio para a população local, e um bom ponto para contemplar sua grandeza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA parte superior da muralha está formada por um passeio de ronda denominado Adarve. Trata-se de um corredor situado sobre o conjunto defensivo que permitia o rápido deslocamento das tropas em seus trabalhos de vigilância ou durante os combates frente ao inimigo. Mediante uma pequena entrada, foi habilitada uma zona de cerca de 1700m, onde podemos percorrer a muralha desde o adarve e vê-la sob uma perspectiva diferente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADepois de sua declaração como Monumento Nacional em 1884, a Muralha de Ávila recebeu outros títulos que reafirmaram sua importância, como Conjunto Histórico-Artístico em 1982 e Patrimônio da Humanidade em 1985, junto com o centro histórico da cidade.

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A Muralha de Antequera

O recinto militar e residencial da Alcazaba de Antequera estava protegido por sólidas muralhas, que foram levantadas no final do séc. XII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACaminhando pela cidade, podemos encontrar as várias portas de acesso à antiga medina, como a Porta de Málaga, construída no séc. XIV em pedra arenítica e com um belo arco de ferradura, feito de tijolo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERABem próximo a esta porta monumental, encontramos outro acesso da muralha, muito mais simples, a Puerta del Água.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo dia 6 de setembro de 1410, depois de um longo assédio, as tropas castelhanas comandadas pelo Infante D.Fernando conseguiram romper o sistema defensivo da cidade através de seu ponto mais débil, situado na atual Plaza del Carmen.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA população muçulmana da Medinat Anteqira, vendo que a cidade estava perdida, se refugiou na parte alta, mas 8 dias depois se produziu sua rendição definitiva.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitos migraram à cidade de Granada, onde fundaram o famoso bairro de Antequeruela. Em frente à torre de assalto, vemos um monumento aos Antiqiriés, como foram chamados aqueles que partiram rumo à Granada. A escultura foi realizada por Jesús Gavira e inaugurada em 2010, com motivo do VI centenário da incorporação de Antequera ao Reino de Castilla. Representa uma família de muçulmanos que abandonam as muralhas da cidade de seus antepassados e olhando para Granada, seu próximo destino.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApós a difícil tarefa de conquistar a cidade, o exército cristão, com medo de uma retomada muçulmana, voltou a reforçar o complexo defensivo da cidade e várias novas portas foram erguidas com o tempo. Uma das mais importantes é o Arco dos Gigantes, também conhecido como Porta de Hércules.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASituada na parte alta de Antequera, permite o acesso à Alcazaba e também à Real Colegiata de Santa María, que em breve veremos no blog. Foi levantada em 1585 pelo corregidor (cargo administrativo com as funções de prefeito) Juan Porcel de Peralta, que mandou derrubar uma antiga porta muçulmana para sua construção. A novidade foi a incorporação de diversas lápides e esculturas de época romana em seus muros, que foram encontradas na cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASobre o arco foi colocado uma escultura de Hércules, da qual se conserva apenas os pés e uma pequena parte da túnica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA maior parte das peças romanas foram tiradas, depois da inauguração do Museu Arqueológico Municipal em 1908. Porém, em 1985, com a comemoração de seu V centenário, a maior parte das peças voltaram ao seu lugar original. Abaixo, vemos imagens do interior do Arco dos Gigantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe 1748 é a Porta de Granada, cujo aspecto atual é fruto de uma reforma realizada em 1942. No centro, o escudo de Fernando VI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa mesma época, durante o reinado de Fernando VI, se levantou a Puerta de Estepa, erguida no caminho real que levava à Sevilha. Composta por 3 arcos de meio ponto, o central é mais largo, para a passagem de carruagens.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte superior do arco central foi colocada uma imagem em terracota da Virgem do Rosário, de Andrés de Carvajal. Em 1931, se procedeu a demolição da porta, e em 1998 foi reconstruída no mesmo lugar da original.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo final do século passado, a Prefeitura de Antequera promoveu a recuperação das muralhas que estavam ocultas sob as casas, que foram demolidas para a o aparecimento e conservação das mesmas.

A Muralha de Segóvia – Parte 2

A Muralha de Segóvia foi construída mediante técnicas tradicionais, principalmente com alvenaria, e aproveitando-se a cal e a areia como argamassa. Para preencher os espaços entre as pedras, foram usados barro e restos de cerâmica. Os tipos principais de pedras utilizadas foram a calcárea e o granito, além do tijolo como material decorativo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA muralha possui um adarve, isto é, uma zona que pode ser percorrida sobre ela, cuja funçao era facilitar a ronda dos sentinelas e uma distribuiçao defensiva correta de seus membros. Atualmente, constituem excelentes mirantes da cidade, como o existente no chamado Jardim de los Poetas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra característica presente em sua estrutura sao as almenas, como sao denominados os remates superiores de uma construçao defensiva. A sucessao de almenas formam pequenos vaos chamados de cañoneras, onnde os canhoes eram introduzidos em caso de ataque.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADas 5 grandes portas que originalmente existiam, se conservam 3 delas. Além de permitir o trânsito dos habitantes, possuiam também  finalidades jurídica, policial e fiscal, neste caso para a entrada de mercadorias. A Porta de San Andrés é uma das mais importantes, estando franqueada por duas torres, uma quadrada ( feita de pedra calcárea e rematada com tijolos e arcos de meio ponto) e outra poligonal, mais robusta e construída com granito.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa torre de granito, podemos observar as chamadas Saetera, uma fina abertura usada para o lançamento de flechas (saetas), que constituiam uma excelente proteçao para o atirador.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta porta possui um claro aspecto militar-defensivo, de proporçoes monumentais. Mencionada já no ano de 1120, sofreu reformas importantes no séc. XV. Foi restaurada no final de séc. XX e em 2010. Dela, podemos realizar um percursso tanto pela parte externa (vista no post anterior), quanto por seu lado interno, que chega até o Alcázar de Segóvia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte intramuros da Porta de San Andrés, vemos a Plaza del Socorro, presidida pela imagem da Virgem de mesmo nome. Esta porta permite acesso ao bairro da comunidade judaica de Segóvia, cuja história conheceremos em breve.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra porta destacável é a de Santiago, cujo nome foi tomado de uma paroquia dedicada ao santo situada próxima a ela, e derrubada em 1836. Em sua origem, integrava uma das torres da muralha. No séc. XVII, transformou-se numa torre almenada de caráter defensivo, e posteriormente foi reformada dando-lhe um aspecto mais ornamental. Em 1887, foi adaptada como refúgio para pobres, funçao exercida até 1929.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1945, foi reformada para acolher a residência do pintor Santos Sanz. Em 2011 foi novamente restaurada e atualmente alberga uma coleçao visitável de fantoches. Ao corpo principal da Porta de Santiago se acede através de um arco de tijolo em forma de ferradura construído no séc. XIII. Já no interior da porta, dois arcos de meio ponto completam sua estrutura geral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém das portas principais, a Muralha de Segóvia está composta pelos Postigos, uma abertura de menor porte que se utilizavam somente para o trânsito de pessoas. Abaixo, vemos o Postigo del Consuelo, localizada no ponto em que a muralha se encontra com a parte elevada do aqueduto, que se introduz na cidade amuralhada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalmente, vemos os Postigos del Sol e de La Luna (Lua), que comunicavam a antiga juderia com a parte extramuros da cidade de Segóvia.

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A Muralha de Segóvia

Segóvia (Comunidade de Castilla y León) está situada na confluência entre os rios Clamores e Eresma, e sua privilegiada localizaçao a converteu numa cidade de fácil defesa contra ataques externos. Esta característica fundamental repercutiu positivamente ao longo de sua dilatada história, pois Segóvia jamais foi conquistada. Além disso, o sistema de muralhas fortaleceu o poderoso conjunto defensivo, proporcionado por sua excepcional geografia. A muralha atua como um limite e elo de conexao entre a parte da cidade situada fora de seus limites (extramuros) e aquela situada no seu interior (intramuros).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Muralha de Segóvia se mantém conservada em quase todo o seu traçado, da mesma forma que as famosas Muralhas de Ávila e Lugo. É difícil precisar com exatidao o momento de sua construçao. Possui elementos de origem romano, principalmente pedras de granito que foram reutilizadas. Supoe-se que foi iniciada durante o período da reconquista crista, depois que a cidade foi repovoada apartir de 1088 por Raimundo de Borgoña.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo séc. XVI, as denominadas Guerras das Comunidades do Reino de Castilla (movimento popular de protesto contra o rei Carlos I, por ser estrangeiro e pelo temor da instalaçao de leis opressoras e impostos elevados) causou profundos danos em Segóvia, como a destruiçao de sua antiga Catedral Românica. O recinto de muralhas também foi afetado, sofrendo graves prejuízos. A partir de entao, a muralha perde seu valor defensivo, e muitas casas foram construídas adossadas aos seus muros e mesmo sobre ela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA partir do séc. XVII, as pestes e a decadência da indústria textil, base de seu desenvolvimento econômico, provocaram a deterioraçao do centro urbano de Segóvia e, como consequência, da própria muralha. No séc. XIX, transformou-se numa cidade pobre e arruinada. As muralhas, que durante séculos foram consideradas um símbolo de seu progresso, riqueza e segurança, agora eram vistas como um estorvo para seu crescimento. Surge, de uma forma generalizada em toda a Espanha, um movimento popular que percorreu todo o país, aos gritos de “Abaixo as Muralhas”, cujo propósito era a adoçao de medidas higiênicas nos grandes centros urbanos, algo que as muralhas nao favoreciam.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas das antigas portas de acesso da muralha foram derrubadas, como as de San Martín e a de San Juan. Com o advento no séc. XX de uma nova mentalidade conservacionista, a Muralha de Segóvia escapou da destruiçao e os trabalhos de recuperaçao continuam até os dias de hoje. Em 1985, a Unesco declarou o recinto amuralhado de Segóvia e seu impressionante aqueduto como Patrimônio da Humanidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAExiste uma rota externa que possibilita percorrer boa parte do perímetro da muralha, como vemos na imagem acima. Sua estrutura adapta-se à rocha sobre a qual se assenta a cidade. Possui um comprimento total de 3406 metros, e sua altura média é de 9,47m. Seus muros atingem 2,5m de espessura. O traçado da muralha está composto por torres, cubos defensivos e construçoes fortificadas, abrindo-se 3 portas principais de acesso ao recinto intramuros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOriginalmente, a muralha estava formada por 86 (ou 92, segundo alguns estudos) cubos e torres, dos quais se conservam 80. Estas estruturas auxiliam na estabilidade e defesa da própria muralha, reforçando as zonas mais débeis sob o ponto de vista construtivo. Sua forma é variada, podendo ser encontradas retangulares, circulares ou poligonais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma imagem geral da cidade de Segóvia, com vistas da catedral e do sistema defensivo proporcionado pela muralha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, continuaremos conhecendo os segredos da Muralha de Segóvia.

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Laguardia – País Vasco

Hoje vamos conhecer um dos pueblos mais belos de todo o território espanhol. Chama-se Laguardia, e está localizado próximo a Logroño, concretamente ao sul do País Vasco, na Província de Álava. Esta regiao, produtora de excelentes vinhos, é conhecida também pelo nome de Rioja Alavesa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERALaguardia nasceu como uma localidade militar, com a construçao de um castelo erguido no séc. X, cuja finalidade era a guarda e defesa do entao Reino de Navarra, acossada por cristaos e muçulmanos. Em muitas ocasioes, a fortaleza serviu como residência real dos soberanos navarros, e permaneceu de pé até 1875, quando foi derrubado. O povoado situa-se numa zona elevada, estando cercado por uma muralha levantada no séc. XIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAntes de conhecer o centro da vila, é possível percorrer o perímetro da muralha, com excelentes vistas da regiao.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO foro do pueblo foi concedido em 1164 pelo rei Sancho “El Sábio” de Navarra. Em suas proximidades, foram descobertos restos arqueológicos que demonstram a presença humana desde épocas remotas, como monumentos funerários datados de 3.000aC, situados no Povoado de La Hoya. O exterior das muralhas nos reserva locais de intensa beleza, como o Paseo del Collado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstao conservadas 5 portas de acesso ao interior desta vila medieval.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUma delas é a monumental Porta de San Juan.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado desta magnífica porta, vemos a Igreja de San Juan, inicialmente construída no estilo românico e finalizada no período gótico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO templo representa um protótipo da denominada Igreja-Fortaleza. Sua torre gótica foi uma das portas da muralha, sendo reformada no séc. XVI, para servir como campanário.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeus murros estao decorados com pequenas esculturas denominadas de canecillos, representando uma excelente amostra do Bestiário Medieval.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPercorrer a pé as ruas do pueblo é um convite a respirar sua atmosfera medieval.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom um pouco de sorte, podemos visualizar o interior de suas casas de pedra, ocultando cuidados jardins.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Plaza del Gaitero é um ótimo local para descansar e contemplar a magia do pueblo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANela, estao expostas um conjunto de esculturas denominadas “Viajeros”, do artista Koko Rico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, continuaremos a visita pelo pueblo de Laguardia.

As Muralhas de Madrid

Como toda cidade européia de origem medieval, Madrid estava cercada por um recinto de muralhas. Na verdade, nao apenas por uma delas, e sim por várias, ao longo de sua história. No post publicado em 27/02/2013, referente às “Portas Monumentais de Madrid”, comentamos um pouco a respeito delas. Vimos que Madrid já possuía um sistema defensivo em sua época fundacional, entao sob ocupaçao árabe, no séc. IX, quando se chamava Mayrit. Durante o período cristao, foi construída uma nova muralha, no séc. XII, sobre a primitiva base da muralha árabe. Já no séc. XV, para conter a peste que assolou a cidade, foi erguida a denominada Cerca del Arrabal, e nos séculos subsequentes, os reis Felipe II e Felipe IV ordenaram construir novas cercas ao redor da capital.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa foto acima, vemos uma maquete que reproduz a primitiva muralha árabe, no núcleo central, e as ampliaçoes realizadas pelos reis cristaos. Poucos sao os restos das muralhas sobreviventes que se podem contemplar atualmente pela cidade, a maioria em um estado degradado, e sem soluçao de continuidade. No entanto, existem partes das muralhas que se podem ver nos locais mais curiosos possíveis. Por exemplo, durante a remodelaçao da Praça do Oriente, no final do séc. XX, foram descobertas as ruínas de uma atalaia árabe, do séc. IX. Denominada de Torre dos Ossos, por sua proximidade com um antigo cemitério islâmico chamado de Huesa del Raf, pode ser contemplada no subsolo do estacionamento existente na mencionada praça.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA torre possuía uma funçao de vigilância, e com a conquista de Madrid por Alfonso VI de Castilla em 1083, foi incorporada à muralha crista, que os castelhanos levantaram como uma ampliaçao da primeira construçao defensiva árabe, já durante o reinado de Alfonso VII, no séc. XII. Esta muralha tinha um perímetro tres vezes maior que a muralha árabe, estando composta por 4 portas de acesso, uma das quais denominada Porta Cerrada, cuja placa comemorativa vemos abaixo, situada em sua localizaçao original.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABem próximo à Porta Cerrada, na Calle de los Mancebos, se conserva uma parte bastante deteriorada da muralha crista, protegida por um portao de ferro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa Praça de Isabel II, no subsolo de uma rede de restaurantes, vemos outra parte da antiga muralha crista, curiosamente situada ao lado dos banheiros do estabelecimento comercial.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Bairro da Latina, uma das zonas mais antigas da cidade, fazia parte da linha defensiva da muralha crista, e nele encontramos alguns restos. Na conhecida Calle da Cava Baja, uma das principais no que se refere à oferta gastronômica da cidade, estao preservadas um conjunto de 12m da muralha, protegida por um solo de cristal que atualmente serve como uma bodega de vinhos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO local é um restaurante histórico do bairro, chamado de Posada León de Oro, e nao deixa de ser peculiar fazer uma refeiçao sob os restos de uma muralha medieval.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado, outro restaurante, denominado Posada del Dragón, também conserva ruínas da muralha, em condiçoes similares. Convém relembrar que as posadas (em português, pousadas), acolhiam os antigos mercadeiros que chegavam a Madrid para vender seus produtos no mercado, durante a Idade Média (ver post sobre o bairro, publicado em 18/04/2013).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado da Igreja de San Andrés, situa-se a Praça dos Carros, onde antigamente se alugavam carroças para o transporte de pessoas e mercadorias. Nela, localiza-se o bar Aroca Siglo XI, que conserva uma parte da muralha de 6.40m de extensao.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAExistem na cidade outros locais onde se conservam restos das muralhas. No entanto, sao edifícios residenciais privados, nao estando abertos à visitaçao pública.