Castelo e Muralhas de Burgos

Apesar das transformações ocorridas nos últimos séculos, a Idade Média deixou um importante legado em Burgos, ainda visível num passeio pela cidade. Uma das principais construções deste período histórico é o Castelo, situado no Cerro de la Blanca ou das Flores, que a 75m sobre a própria cidade, era um local perfeito para a edificação de uma fortaleza militar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Castelo de Burgos foi construído durante o reinado de Alfonso III no ano de 884, coincidindo com a fundação da própria cidade. Está constituído por uma muralha com 2.30m de grossura com torres almenadas em seu entorno. Entre os séculos XI e XIII a fortaleza tornou-se a residência dos reis castelhanos. O castelo carece de Torre de Homenagem, um dos elementos mais emblemáticos dos castelos europeus medievais. Em seu lugar se construiu um palácio para o rei Alfonso X. Foi utilizado eventualmente como local de alojamento de personalidades importantes, encontros diplomáticos, celebrações da corte e também como prisão.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO recinto está formado por uma série de poços e galerias subterrâneas, cuja finalidade principal era prover de água os ocupantes do castelo, principalmente durante os assédios. Um destes poços possui quase 70m de profundidade. Abaixo, vemos uma das zonas onde se realizam trabalhos arqueológicos no local.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo séc. XIV, passou a ser propriedade da nobreza, concretamente da família dos Stúñiga, que exerceu o governo da fortaleza até a chegada dos Reis Católicos. Posteriormente, funcionou como fábrica de pólvora e escola para artilheiros. No final do séc. XV ou princípio do XVI, o castelo foi reconstruído.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1736, sofreu um incêndio, mas durante a Guerra da Independência contra os exércitos de Napoleão os franceses reativaram suas funções militares, graças a sua estratégica localização. Antes de ser abandonado em 1813, as tropas do imperador francês explodiram o castelo. O acontecimento ocorreu sem que houvesse tempo para a evacuação total dos soldados, de modo que mais de 200 faleceram durante a sua destruição.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADa parte mais alta da fortificação, podemos contemplar toda a cidade de Burgos…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro elemento característico de toda a cidade medieval são suas muralhas, que em Burgos se conservam em algumas partes, como no recinto onde localiza o castelo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa época de sua fundação, os pequenos núcleos habitáveis existentes ao redor do castelo foram unidos por uma muralha no séc. IX. Os restos da muralha que se conservam atualmente pertence ao séc. XIII, quando o rei Alfonso X decidiu reconstruir a primitiva muralha em 1276, já que se encontrava em péssimas condições e deixavam fora boa parte dos novos bairros que surgiram nos séculos XII e XIII.

20150727_102333Uma boa forma de conhecer os restos preservados é percorrer o chamado Paseo de los Cubos, assim denominado pelas torres circulares que aparecem junto ao muro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cerca tinha a função principal de separar fisicamente a cidade, com seus foros e privilégios, do campo e aldeias circundantes, além de exercer o controle de impostos. No geral, possui de 8 a 10m de altura. A Muralha de Burgos foi declarada Monumento Histórico-Artístico por sua importância histórica. No próximo post, veremos as principais portas que a compunham e que sobreviveram a passagem dos séculos, algumas das quais se tornaram verdadeiros símbolos da cidade.

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Úbeda – Patrimônio da Humanidade

Encantadora, monumental, formosa. Poderia citar muitos mais adjetivos que definissem esta cidade da Província de Jaén, localizada na Comunidade de Andalucía. O título concedido pela Unesco de Patrimônio da Humanidade a Úbeda, juntamente com sua cidade-irma, Baeza, é mais que merecido e justificado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo Baeza, Úbeda  está situada no alto de um cerro, com belas vistas do Vale do Rio Guadalquivir. O centro da cidade encontra-se na chamada Plaza de Andalucía, também conhecida como Praça Velha por sua origem medieval, já que servia de porta de entrada a cidade através da Porta de Toledo, atualmente desaparecida.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADesde épocas passdas, nesta praça instalou-se o mercado. A praça está presidida pela Torre do Relógio, antigamente uma das torres que compunham a muralha da cidade. Construída no séc. XIII, no séc. XVI decidiram utilizar a torre para albergar o relógio e um campanário.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte inferior da torre, vemos uma imagem de N.Sra dos Remédios. Diante dela, tanto os reis Carlos I, quanto seu filho Felipe II, juraram preservar os foros de Úbeda.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar da destruiçao de parte da muralha, a cidade conserva um bom trecho de seu  antigo recinto defensivo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Torre e a Porta de Santo Cristo é uma das portas de acesso da muralha que foram preservadas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA denominada Puerta del losal é a melhor conservada de todas. De estilo mudéjar, é um exemplo das técnicas construtivas muçulmanas que continuaram sendo utilizadas, mesmo depois da reconquista crista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das características que mais chamam a atençao do visitante numa excurçao a Úbeda é a beleza e monumentalidade de suas praças. Abaixo, vemos a Praça de San Pedro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADominando a praça, vemos a Igreja de San Pedro, uma das mais antigas da cidade, provavelmente uma antiga mesquita que foi convertida ao culto católico. Na fachada lateral, vemos um relevo com a representaçao do santo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm frente a igreja, situa-se o Palácio de los Orozo, de influência francesa e construído no séc. XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, vemos os detalhes de outro palácio da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos esta matéria inicial sobre Úbeda com uma foto da Plaza Vázquez de Molina, uma das mais bela, nao só da Andalucía, como de toda Espanha. Evidentemente, vocês verao muito mais imagens dela no decorrer dos posts sobre a cidade…

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Salamanca Romana e Românica

Os primeiros povoadores do que hoje conhecemos como a cidade de Salamanca se assentaram nas margens do Rio Tormes há cerca de 2500 anos atrás. No ano de 220 aC, Aníbal, o grande general de Cartago, em seu avanço pela Península Ibérica, sitiou e conquistou a antiga cidade de Helmántica. Finalizada a II Guerra Púnica, o vitorioso exército romano expandiu-se pela península, anexionando a cidade, que passou a integrar a Província Romana da Lusitânia. Durante este período, se construiu uma enorme ponte que cruza o Rio Tormes, também conhecida como Ponte Maior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERARestaurada em diversas ocasioes, dos 26 arcos que está constituída, 15 sao de época romana. Sua data de construçao nao se conhece com precisao, estando situada entre os mandatos dos imperadores Augusto e Vespasiano, durante o séc. I dC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA construçao da ponte visava oferecer uma estrutura que cruzasse o rio para os viajantes que percorriam a denominada Via de la Plata, que comunicava as antigas cidades romanas de Emérita Augusta (hoje Mérida) com Astorga. Entre os séculos XII e XIII, se reconstruiu a parte da ponte mais afastada do centro histórico da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1627, foram realizadas uma das maiores intervençoes em sua estrutura, devido às fortes enchentes provocadas pelo rio. Declarada Monumento Histórico-Artístico em 1931, seu uso atualmente é exclusivo para pedestres, que aproveitam o espaço criado em seu entorno para a prática desportiva.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASalamanca esteve fortificada em vários períodos de sua história. A chamada Cerca Velha foi levantada durante a dominaçao romana. A muralha nova foi erguida na Idade Média (séc. XIII),mas grande parte de seu perímetro se perdeu durante o processo de expansao da cidade, conhecido como Ensanche.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPouco se sabe da época visigoda de Salamanca, exceto que foi sede episcopal já no séc. VI dC. Conquistada pelos muçulmanos no séc. VIII, ficou praticamente destruída durante as frequentes invasoes a que foi submetida, e a cidade foi abandonada. Salamanca foi reconquistada pelos Reinos Cristaos e repovoada por Raimundo de Borgonha, genro do monarca Alfonso VI, da mesma forma que sucedeu com a cidade de Segóvia. A partir de entao, se formam as bases da cidade atual. Muitas das construçoes desta época foram edificadas no estilo em voga naquele momento, o Românico. Um exemplo é a Igreja de San Marcos, que foi construída num pouco habitual formato circular, no final do séc. XI ou no começo do séc. XII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs estudiosos nao chegam a uma conclusao defintiva sobre o porquê e com que finalidade foi levantada desta forma, já que a planta circular é rara dentro dos templos religiosos românicos. A construçao se caracteriza também pela quase total ausência decorativa de seus muros, compondo uma estrutura sóbria e austera.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPróxima à belíssima Praça Maior de Salamanca, que em breve veremos com detalhes, encontramos a Igreja de San Martín, erguida no Estilo Românico no séc. XII. San Martin de Tours é um santo francês, e entre os episódios de sua vida se tornou famoso aquele que montado sobre um cavalo, divide suas roupas com um mendigo, fato retratado numa escultura policromada que decora a Porta do Bispo da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitas das construçoes pertencentes ao periodo românico se perderam, como a Igreja de San Cebrián, levantada no séc. XII e desaparecida no XVI. Se conserva apenas a cripta, um lugar lendário que, segundo a tradiçao popular, era o local onde lecionava aulas de ciências ocultas o próprio Satanás. Disfarçado de sacristao, dava cursos de adivinhaçao, magia, etc, a sete alunos durante sete anos, um dos quais permaneceria o resto de sua vida ao serviço do diabólico mestre. O escritor Miguel de Cervantes ofereceu um caráter burlesco a lenda em sua novela “A Cova de Salamanca”. A tradiçao foi levada a América Espanhola, e muitos dos lugares de reunioes de bruxas e demônios ficaram conhecidos como Salamancas….

OLYMPUS DIGITAL CAMERALogo depois da reconquista, a Diocese de Salamanca foi restaurada, iniciando-se a construçao da Catedral Românica no séc. XII, cuja matéria foi publicada em 24/07/2012. Abaixo, vemos uma foto da Capela Maior e seu impressionante retábulo, coroado por frescos representando o Juízo Final, realizado pelo pintor Nicolás Florentino em 1445.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO retábulo está presidido por uma imagem da Virgen de la Vega, padroeira da cidade. Finalizamos o post com uma imagem da Capela de San Martín, repleta de pinturas murais medievais.

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Castelo de Gibralfaro – Málaga

Além da Alcazaba, o denominado Monte Gibralfaro acolhe em sua parte mais elevada o Castelo, cujo nome se originou de um farol existente durante a época fenícia. Dessa forma, o Castelo de Gibalfaro e sua localizaçao estao relacionados às origens da cidade de Málaga, tanto no que se refere à sua funçao como posto de vigia, como no aspecto de assentamento humano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAÉ bem provável que durante o período romano já existisse uma fortaleza no local, mas foi na época árabe quando se construiu o castelo, que domina toda a regiao. Realmente, o chamado castelo é, na realidade, um grande recinto defensivo, e seu aspecto nao tem nada que ver com a imagem de um castelo, e sim de um Alcázar (fortaleza).

DSC09516As ruínas existentes no local foram transformadas num sistema defensivo pelo rei Abderramán III, sendo ampliadas e convertidas em Alcázar por Yusuf I, no séc. XIV. Sua funçao era de albergar as tropas e proteger a Alcazaba, situada na parte inferior do Monte Gibralfaro.

DSC09517Considerada durante uma época a fortaleza mais inexpugnável da Península Ibérica, o Castelo de Gibralfaro sofreu um forte assédio pelos Reis Católicos durante a reconquista da cidade no final do séc. XV. Depois de conquistada pelos monarcas, foi utilizado pelo rei Fernando El Católico como residência, enquanto a rainha Isabel preferiu viver na cidade.

DSC09518A estrutura geral do castelo está formada por uma linha dupla de muralhas e 8 torres, das quais a mais alta possui 17m de altura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi também durante o governo dos Reis Católicos quando a imagem do castelo foi incorporada ao escudo e a bandeira, tanto da província, quanto da cidade de Málaga.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma maquete situada no Centro de Interpretaçao do Castelo de Gibralfaro, onde podemos observar o Castelo na parte superior e a Alcazaba na inferior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA O Castelo de Gibralfaro foi declarado Monumento Histórico-Artístico em 1931, e pode ser visitado, depois de uma “boa” subida pelo monte. Para os que preferem uma excurçao mais “light”, existem ônibus que chegam no alto do monte, mas as vistas de todo o recinto defensivo formado pela Alcazaba e o Castelo aconselham a caminhada. Do alto, apreciamos toda a cidade de Málaga.

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Castelo Templário de Ponferrada

Situado numa colina à beira do rio, o Castelo Templário de Ponferrada se destaca imponente na paisagem da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo local ode se localiza atualmente, antigamente havia um castro (povoado fortificado) de origem celta. Depois, tanto os romanos, quanto os visigodos, se assentaram no local. Em 1178, o monarca Fernando II de León concedeu a posse da vila à Ordem Templária. Nesta regiao, eram cometidos  muitos atos de vandalismo contra os peregrinos, e por isso, os cavalheiros templários foram encarregados de proteger o local. Seu escudo embeleza os jardins da fortificaçao, lembrando a origem dos antigos proprietários.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA construçao iniciou-se em 1187, sendo concluída em 1282. Depois da dissoluçao da Ordem Templária em 1312, o castelo passou a ser propriedade de vários nobres, incluindo Pedro Fernández de Castro (mordomo maior de Alfonso XI), Pedro Álvarez Orozco (Conde de Lemos) e também dos Reis Católicos, a partir do séc. XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA partir de 1850, a fortaleza entrou num perído decadente, e a prefeitura de Ponferrada vendeu seus muros e utilizou suas pedras para a construçao de obras públicas. Inclusive permitiu a construçao de um campo de futebol no interior, que também serviu de pasto para o gado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEntramos no castelo através de uma rampa que atravessa o fosso que circunda em parte a fortificaçao. Todo seu perímetro possui um muro duplo, que permite o acesso às suas 3 torres, chamadas Cabrera, Malpica e Malvecino.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1924, o Castelo Templário de Ponferrada foi catalogado como Monumento Nacional, evitando desta forma seu total aniquilamento. A construçao possui uma forma de polígono irregular. Abaixo, vemos o recinto de muralhas que protegem o castelo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO aspecto que vemos hoje em dia se deve às reformas e ampliaçoes realizadas entre os séculos XIV e XVI, como a edificaçao do denominado Castelo Velho, cujas imagens vemos a seguir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior do castelo guarda uma impressionante coleçao de documentos e cópias exatas de manuscritos medievais, que conformam uma coleçao única, tema que será abordado na próxima publicaçao. Nao percam…

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A Muralha de Segóvia – Parte 2

A Muralha de Segóvia foi construída mediante técnicas tradicionais, principalmente com alvenaria, e aproveitando-se a cal e a areia como argamassa. Para preencher os espaços entre as pedras, foram usados barro e restos de cerâmica. Os tipos principais de pedras utilizadas foram a calcárea e o granito, além do tijolo como material decorativo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA muralha possui um adarve, isto é, uma zona que pode ser percorrida sobre ela, cuja funçao era facilitar a ronda dos sentinelas e uma distribuiçao defensiva correta de seus membros. Atualmente, constituem excelentes mirantes da cidade, como o existente no chamado Jardim de los Poetas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra característica presente em sua estrutura sao as almenas, como sao denominados os remates superiores de uma construçao defensiva. A sucessao de almenas formam pequenos vaos chamados de cañoneras, onnde os canhoes eram introduzidos em caso de ataque.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADas 5 grandes portas que originalmente existiam, se conservam 3 delas. Além de permitir o trânsito dos habitantes, possuiam também  finalidades jurídica, policial e fiscal, neste caso para a entrada de mercadorias. A Porta de San Andrés é uma das mais importantes, estando franqueada por duas torres, uma quadrada ( feita de pedra calcárea e rematada com tijolos e arcos de meio ponto) e outra poligonal, mais robusta e construída com granito.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa torre de granito, podemos observar as chamadas Saetera, uma fina abertura usada para o lançamento de flechas (saetas), que constituiam uma excelente proteçao para o atirador.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta porta possui um claro aspecto militar-defensivo, de proporçoes monumentais. Mencionada já no ano de 1120, sofreu reformas importantes no séc. XV. Foi restaurada no final de séc. XX e em 2010. Dela, podemos realizar um percursso tanto pela parte externa (vista no post anterior), quanto por seu lado interno, que chega até o Alcázar de Segóvia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte intramuros da Porta de San Andrés, vemos a Plaza del Socorro, presidida pela imagem da Virgem de mesmo nome. Esta porta permite acesso ao bairro da comunidade judaica de Segóvia, cuja história conheceremos em breve.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra porta destacável é a de Santiago, cujo nome foi tomado de uma paroquia dedicada ao santo situada próxima a ela, e derrubada em 1836. Em sua origem, integrava uma das torres da muralha. No séc. XVII, transformou-se numa torre almenada de caráter defensivo, e posteriormente foi reformada dando-lhe um aspecto mais ornamental. Em 1887, foi adaptada como refúgio para pobres, funçao exercida até 1929.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1945, foi reformada para acolher a residência do pintor Santos Sanz. Em 2011 foi novamente restaurada e atualmente alberga uma coleçao visitável de fantoches. Ao corpo principal da Porta de Santiago se acede através de um arco de tijolo em forma de ferradura construído no séc. XIII. Já no interior da porta, dois arcos de meio ponto completam sua estrutura geral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém das portas principais, a Muralha de Segóvia está composta pelos Postigos, uma abertura de menor porte que se utilizavam somente para o trânsito de pessoas. Abaixo, vemos o Postigo del Consuelo, localizada no ponto em que a muralha se encontra com a parte elevada do aqueduto, que se introduz na cidade amuralhada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalmente, vemos os Postigos del Sol e de La Luna (Lua), que comunicavam a antiga juderia com a parte extramuros da cidade de Segóvia.

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A Muralha de Segóvia

Segóvia (Comunidade de Castilla y León) está situada na confluência entre os rios Clamores e Eresma, e sua privilegiada localizaçao a converteu numa cidade de fácil defesa contra ataques externos. Esta característica fundamental repercutiu positivamente ao longo de sua dilatada história, pois Segóvia jamais foi conquistada. Além disso, o sistema de muralhas fortaleceu o poderoso conjunto defensivo, proporcionado por sua excepcional geografia. A muralha atua como um limite e elo de conexao entre a parte da cidade situada fora de seus limites (extramuros) e aquela situada no seu interior (intramuros).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Muralha de Segóvia se mantém conservada em quase todo o seu traçado, da mesma forma que as famosas Muralhas de Ávila e Lugo. É difícil precisar com exatidao o momento de sua construçao. Possui elementos de origem romano, principalmente pedras de granito que foram reutilizadas. Supoe-se que foi iniciada durante o período da reconquista crista, depois que a cidade foi repovoada apartir de 1088 por Raimundo de Borgoña.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo séc. XVI, as denominadas Guerras das Comunidades do Reino de Castilla (movimento popular de protesto contra o rei Carlos I, por ser estrangeiro e pelo temor da instalaçao de leis opressoras e impostos elevados) causou profundos danos em Segóvia, como a destruiçao de sua antiga Catedral Românica. O recinto de muralhas também foi afetado, sofrendo graves prejuízos. A partir de entao, a muralha perde seu valor defensivo, e muitas casas foram construídas adossadas aos seus muros e mesmo sobre ela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA partir do séc. XVII, as pestes e a decadência da indústria textil, base de seu desenvolvimento econômico, provocaram a deterioraçao do centro urbano de Segóvia e, como consequência, da própria muralha. No séc. XIX, transformou-se numa cidade pobre e arruinada. As muralhas, que durante séculos foram consideradas um símbolo de seu progresso, riqueza e segurança, agora eram vistas como um estorvo para seu crescimento. Surge, de uma forma generalizada em toda a Espanha, um movimento popular que percorreu todo o país, aos gritos de “Abaixo as Muralhas”, cujo propósito era a adoçao de medidas higiênicas nos grandes centros urbanos, algo que as muralhas nao favoreciam.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas das antigas portas de acesso da muralha foram derrubadas, como as de San Martín e a de San Juan. Com o advento no séc. XX de uma nova mentalidade conservacionista, a Muralha de Segóvia escapou da destruiçao e os trabalhos de recuperaçao continuam até os dias de hoje. Em 1985, a Unesco declarou o recinto amuralhado de Segóvia e seu impressionante aqueduto como Patrimônio da Humanidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAExiste uma rota externa que possibilita percorrer boa parte do perímetro da muralha, como vemos na imagem acima. Sua estrutura adapta-se à rocha sobre a qual se assenta a cidade. Possui um comprimento total de 3406 metros, e sua altura média é de 9,47m. Seus muros atingem 2,5m de espessura. O traçado da muralha está composto por torres, cubos defensivos e construçoes fortificadas, abrindo-se 3 portas principais de acesso ao recinto intramuros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOriginalmente, a muralha estava formada por 86 (ou 92, segundo alguns estudos) cubos e torres, dos quais se conservam 80. Estas estruturas auxiliam na estabilidade e defesa da própria muralha, reforçando as zonas mais débeis sob o ponto de vista construtivo. Sua forma é variada, podendo ser encontradas retangulares, circulares ou poligonais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma imagem geral da cidade de Segóvia, com vistas da catedral e do sistema defensivo proporcionado pela muralha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, continuaremos conhecendo os segredos da Muralha de Segóvia.

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