Catedral de Barcelona

Situada em pleno Bairro Gótico, a Catedral de Santa Cruz e Santa Eulália é um dos mais significativos monumentos da arquitetura gótica catalã. Sua construção iniciou-se em 1298, durante o reinado de Jaime II. O templo foi construído sobre os restos de uma basílica paleocristiana, cujos restos se podem ver no subsolo do Museu de História da cidade, e também sobre a anterior catedral românica. A catedral somente foi definitivamente finalizada na época moderna, quando a finais do séc. XIX se levantou a atual fachada. Desde 1929, a Catedral de Barcelona é considerada Monumento Histórico-Artístico Nacional.

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O templo está dedicada à Santa Cruz desde o ano 599, e a partir de 877, também recebeu a advocaçao de Santa Eulália, uma jovem de 13 anos que foi martirizada na época romana (304 dC), e que converteu-se na padroeira da cidade.

Devido à Exposição Universal realizada em 1888 em Barcelona, as obras da catedral foram retomadas depois de 400 anos para a realização da fachada, no mesmo estilo que o resto da igreja. Desta forma, a fachada neogótica está composta por uma portada e duas torres com seus respectivos pináculos, estando decorada com todos os elementos da arquitetura gótica e com uma profusão de imagens de santos e anjos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAProjetada pelo arquiteto Josep Oriol i Mestres, está formada por um grande arco gótico com arquivoltas, presidida por uma escultura de Cristo, e em ambos lados por imagens dos Apóstolos. Além destas, um total de 76 figuras, representando também profetas e reis, adornam a fachada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém da porta principal, que dá para a Praça da Catedral, existem outras 4, de diferentes épocas. A mais antiga é a Porta de San Ivo, cujo nome se deve ao edifício situado em frente, que durante muitos anos foi a sede dos advogados, que tem como padroeiro a San Ivo. Durante 5 séculos foi o acesso principal ao templo. Realizada em mármore e pedra extraída da montanha de Montjuic, foi uma das primeiras portas em utilizar os arcos ojivais, típicos do gótico, na Catalunha (1298). No tímpano, vemos uma imagem de Santa Eulália, pertencente a finais do séc. XIV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA porta situa-se bem embaixo de uma das torres campanários da catedral. Nela, vemos também um relevo, que representa a luta entre um homem e uma fera, que provavelmente procede da antiga catedral românica, já que data do séc. XII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, outro detalhe escultórico da Porta de San Ivo.

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Uma das poucas partes da anterior catedral românica é a Porta de Santa Lúcia, que serve de entrada exterior à capela de dita santa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa foto que segue, vemos a decoraçao escultórica em seus capitéis.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADuas outras portas permitem o acesso direto ao claustro, a de Santa Eulália e a da Piedade. No tímpano desta última, vemos uma cópia do relevo original, realizado em madeira, e que se conserva no museu catedralício, com a representação da Piedade, rodeada com os símbolos da paixão.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos elementos mais curiosos de qualquer catedral gótica são as gárgolas e a de Barcelona possui uma grande quantidade delas. Normalmente representam seres fantásticos, e sua finalidade principal é escorrer a água das chuvas, além de espantar os maus espíritos. As mais antigas situam-se acima da Porta de San Ivo (séc. XIV).

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Segundo uma tradição popular, são bruxas que, durante a procisao do Corpus Christi, cuspiam nos devotos, sendo castigadas a permanecerem petrificadas como figuras monstruosas, com a missao de “cuspir” a água dos telhados da catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos grandes atrativos do templo é que está permitida a subida à terraça. Nela, vemos as torres campanários, as duas agulhas góticas e a parte exterior do cimbório, decorado com uma imagem de Santa Eulália.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA catedral possui duas torres campanários. Com uma altura de 53m, foram levantadas no final do séc. XIII. As torres receberam até nomes, a de Honorata e a de Eulália.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo alto da terraça, contemplamos uma bela vista de Barcelona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO claustro gótico está situado no mesmo local que seu precedente românico. Datado dos séc. XIV/XV, a ele se pode aceder a partir das portas mencionadas acima, bem como por outra situada dentro da catedral, que acredita-se  era uma das portas laterais do antigo templo românico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO claustro está rodeado por capelas em três de seus lados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro, se encontra um jardim, renovado no final do séc. XIX, com árvores e um grupo de 13 cisnes brancos, que recordam a idade do martírio de Santa Eulália.

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Uma fonte de 1448 representa a São Jorge lutando contra o dragão.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, daremos continuidade sobre a Catedral de Barcelona, comentando o seu espetacular interior.

Bairro Gótico – Barcelona

O Bairro Gótico de Barcelona forma o distrito da cidade velha, e é considerado um dos centros medievais mais extensos de Europa. Não é somente uma grande concentração de edifícios antigos, e nele se encontram o centro cívico e religioso da cidade. Atrai milhares de visitantes por seu aspecto singular, composto por um labirinto de ruelas medievais. Como comentamos no post dedicado à Barcelona Romana (5/2/2013), o bairro gótico foi o lugar escolhido pelos romanos para fundar a nova colônia, precisamente onde situa-se atualmente a Praça de Sant Jaime.

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Sobre os cimentos da Barcino Romana, surgiu a Barcelona medieval. Embora pouco se conserve de seu período românico, condenado devido à prosperidade econômica, que substituiu o velho estilo pelo novo gótico, o bairro se caracteriza pelo acúmulo de construções deste último, uma das maiores de todo o continente.

O centro político da cidade está localizado na Praça de Sant Jaume, uma das mais antigas, pois já na época romana centralizava os principais edifícios administrativos. A praça recebeu o nome de uma igreja demolida em 1824, e nela situa-se a sede da prefeitura da cidade, cuja fachada neoclássica não desperta muito interesse, mas que conserva em seu interior sua grandeza gótica. Infelizmente, não tive acesso a uma visita, e não pude conhecê-la. Em frente da prefeitura, vemos o Palácio da Generalidade Catalã, ou sede do governo da Comunidade da Catalunha, um conselho permanente das chamadas Cortes Catalãs, reunidos por primeira vez no ano de 1283.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Palau da Generalitat, como é denominado no idioma catalão, é considerado um dos poucas construções medievais da Europa que se mantêm como sede de governo, função que exerce desde 1403.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA fachada atual é renascentista (1596), e no interior vemos um magnífico pátio gótico, construído em 1416 por Marc Safont.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO palácio possui uma fachada na Carrer del Bisbe, cuja passarela coberta parece genuinamente gótica, porém foi construída em 1926. Inspirada na Ponte dos Suspiros de Veneza, une o Palau com a casa dels Canonges, e se converteu num dos símbolos do Bairro Gótico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA fachada está composta por esculturas que representam episódios da vida do padroeiro da cidade, São Jorge (San Jordi em catalão).

DSC04751Abaixo, outra imagem de Sao Jorge, na fachada do Palau da Generalitat da Praça de Sant Jaume (Sao Jaime, em catalao).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra das praças cuja visita é imprescindível é a Praça do Rei, que desde o começo da Idade Média foi a sede do Palácio Real, uma das principais residências dos Condes de Barcelona. A estrutura original da praça, construída sobre as muralhas romanas, era semelhante a uma fortaleza. Quase todos os edifícios que atualmente a constitui pertencem aos séc. XIV/XV. Nesta foto, vemos uma panorâmica da praça, com o denominado Salão de Tinell ao fundo, a Capela de Santa Ágata à direita e o Palau de Lloctinent à esquerda.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANesta outra, uma imagem noturna.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJuntamente com os vestígios arqueológicos romanos encontrados no subsolo, estes edifícios são os grandes atrativos do fascinante Museu de História da cidade. A instituição está sediada na Casa Padellàs, um palácio de estilo gótico catalão, construído nos séc. XV/XVI, com influências renascentistas em sua ornamentação. O elegante pátio e a escalinata são típicos das casas nobres da cidade, e o Bairro Gótico conserva muitos deles.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Salão de Tinell é um dos três edifícios que compõem o Palácio Real. Nele realizavam-se as cerimônias do antigo palácio e, desprovido de decoração, é uma obra magnífica por sua amplitude e sobriedade. Todo o peso do edifício está sustentado pelos 7 arcos, de 15m cada, que o compõem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO salão foi construído entre 1359/1370, por encargo do rei Pedro “El Ceremonioso”, e é considerado um excelente exemplo do gótico civil catalão. No séc. XVI foi transformado em Audiência Real a adaptado para sediar o Tribunal da Inquisição. Tradicionalmente, é aceito que nele se deu a entrevista de Cristóvão Colombo com os Reis Católicos em 1493, depois de sua primeira viagem à América.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1718, as monjas do Convento de Santa Clara nele se estabeleceram, convertendo-o numa capela, e ocultando seu passado gótico debaixo de uma camada de ornamentação barroca. Depois que deixou de ter a função religiosa, foi restaurado em 1936, readquirindo seu aspecto original. Durante as obras, foram descobertas pinturas murais realizadas no final do séc. XIII, que retratam a conquista de Mallorca pelo rei Jaime I.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Real Capela gótica de Santa Ágata, que substituiu a anterior românica, foi mandada construir em 1302 pelo rei Jaime II de Aragón, para integrar o Palácio Real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADedicada num princípio a Santa Maria, por guardar em seu interior as relíquias de Santa Ágata, em 1601 mudou sua advocaçao, depois de receber uma bula papal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAcima vemos a torre octogonal, que se ergue por detrás das muralhas romanas. O retábulo, obra de Jaume Huguet, data de 1465, e representa em sua parte central a Adoração dos Reis Magos e, na superior, a crucificação. Ao lado, 6 painéis ilustram episódios da vida de Cristo e Maria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa imagem a seguir, o belo teto de madeira que cobre o recinto da capela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, na capela podemos ver exposições temporais de alto nível, como a que pude presenciar, sobre o período inicial do cinema, que forma parte de uma das melhores coleções privadas relacionadas ao audiovisual e à sétima arte de toda a Europa, pertencente a Josep M. Queraltó.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, seguiremos nosso passeio pelo Bairro Gótico de Barcelona.

Barcelona Romana

As colinas que fazem parte da paisagem de Barcelona já estavam ocupadas desde o séc. IV aC, principalmente no atual bairro de Montjuic. Devido à sua localização, próximo ao porto formado pela desembocadura do rio Llobregat, e por situar-se numa zona mais elevada que as demais, adquiriu uma posição estratégica no controle das rotas comerciais da região. Os povos autóctonos comercializavam produtos agrícolas, vinho e azeite de oliva por recipientes de cerâmica e utensílios de metal com a cidade de Empúries, situada ao norte da península, e também com os centros comerciais controlados pelos cartagineses na costa sul e Ilhas Baleares.

Esta situação modificou-se com as chamadas Guerras Púnicas entre Cartago e Roma, que lutavam pelo domínio do Mediterâneo. Dessa forma, os romanos invadiram a Península Ibérica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO primeiro assentamento romano na futura Barcelona situou-se no monte Táber e foi utilizado como posição defensiva. Depois da vitória sobre os cartagineses, iniciou-se o processo de colonização e pacificação do território conquistado. Barcino foi fundada entre os anos 15 e 10 aC, durante o reinado de Augusto. No princípio, o povoado carecia de importância dentro do império, ma devido à sua estratégica localização, seu papel foi tornando-se cada vez mais relevante. A prosperidade econômica fez com que  o povoado se transformasse de colônia em civitas durante o governo de Caracalla (211/217 dC).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA mediados do séc. III, porém, a cidade foi invadida e arrasada pelos francos. Posteriormente, para evitar novos ataques, o imperador Cláudio ordenou a construção de uma poderosa muralha, transformando Barcelona na cidade melhor defendida do território catalão nos dez séculos seguintes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA fortificação estava composta por 76 torres, sendo que duas delas sustentavam a porta de entrada da cidade, e que podemos contemplar atualmente na Praça Nova, ao lado da catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAdossada a uma das torres, vemos os restos do aqueduto que levava água à cidade.

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Muitas das seções desta antiga muralha estão integradas a edifícios de épocas posteriores, como podemos ver no emblemático bairro gótico de Barcelona.

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A cidade romana estruturava-se ao redor do Monte Táber, onde situava-se o fórum e os principais edifícios públicos e políticos e que hoje em dia continua como o centro político da capital catalã, na conhecida Praça de Sant Jaime, que acolhe a sede da prefeitura e da Generalitat da Catalunha.

Uma excelente maneira de conhecer a antiga Barcino é visitar o Museu de História da cidade, localizado na Praça do Rei. Situado num palácio do séc. XV, tanto o pátio quanto a escada de acesso ao interior do museu são de época gótica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo subsolo da instituição, podemos conhecer um de seus maiores atrativos, um impressionante trajeto que cobre uma área de 4000 metros quadrados com os vestígios arqueológicos da época romana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs escavações realizadas permitem contemplar ruas, casas com mosaicos e até uma instalação vinícola, em que se pode conhecer a elaboração da apreciada bebida durante o séc. III dC.

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Além disso, o museu conserva em seu acervo estátuas e bustos de personagens romanos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo museu vemos também restos de pinturas que decoravam as casas de Barcino.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm outro centro cultural fundamental da cidade, o museu Frederic Marès, existem esculturas relativas à época da dominaçao romana.

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Um dos legados da época romana mais incríveis existentes na cidade está atualmente localizado num edifício que sedia o Centro Excurcionista de Catalunha. Trata-se do templo de Augusto, datado da época da fundação da cidade (séc. I aC). Conservam-se 4 colunas coríntias do templo que foi consagrado ao culto imperial. A estrutura dominava a paisagem do fórum, ao estar situado num local elevado.

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