Museu de Arqueologia Subaquática – Parte 2

Para qualquer pessoa interessada em arqueologia, o Museu Nacional de Arqueologia Subaquática de Cartagena é de visita obrigatória. Também para os curiosos (as) como eu, este centro oferece de forma moderna e didática uma aprendizagem dos quesitos principais desta ciência que remove o passado através de suas escavações, possibilitando uma maior compreensão da história, do estilo de vida dos antigos habitantes, etc. Muito se pode aprender neste museu, como os distintos tipos de materiais de que são feitos os objetos arqueológicos, e as alterações provocadas por fatores ambientais do entorno onde foram encontrados. A cerâmica, por exemplo, pode sofrer alterações irreversíveis, como sua perda cromática e da superfície decorada em virtude do seu prolongado tempo nas águas salgadas dos mares e oceanos, e da atuação da fauna marinha, entre outros fatores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFelizmente, em algumas ocasiões as peças encontradas, mesmo depois de um prolongado tempo submersas, são recuperadas em bom estado, limpas e colocadas para sua contemplação, como estes objetos de cerâmica da época púnica, ou seja, do período de fundação da cidade pelos cartagineses.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos aspectos mais interessantes mostrados no museu se refere à construção naval, e os diferentes tipos de barcos que foram construídos na antiguidade. O ser humano já era capaz de construir embarcações e navegar pelos oceanos há 10 mil anos aC. Até o séc. VI aC, o método mais generalizado na fabricação de barcos consistia na união das peças mediante pequenas cordas, sem utensílios como cravos ou outros elementos metálicos. A partir de então, os fenícios, considerados os grandes navegantes da antiguidade, foram responsáveis pela construção de cascos de alta qualidade, modelo que acabou se impondo no Mediterrâneo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs fenícios, antes de empreender uma viagem, pediam proteção ao deus Melkart. Além desta importante função, era considerado também um deus agrário e guardião da cidade de Tiro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro fato curioso em relação às crenças e superstições deste povo se relaciona com os Ovos de Avestruz, que possuíam um caráter sagrado, de renascimento. As cascas eram decoradas com símbolos vinculados à vida, e eram utilizados em enterramentos para auxiliar na ressurreição dos mortos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComa chegada dos cartagineses e dos romanos, o comércio se ampliou ainda mais na Península Ibérica. Os barcos transportavam principalmente azeite e vinho em ânforas como as que vemos abaixo, recuperadas de um barco romano que afundou na costa de Cartagena entre 155/150 aC. Seu principal carregamento, além de cerâmicas, era o vinho fabricado em Nápoles, destinado ao consumo do exército romano na península e também da população de origem itálica que vivia em Cartago Nova.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs barcos romanos se caracterizavam por sua boa hidrodinâmica, ao incorporar elementos como uma proa pontiaguda que reduzia a resistência da água. A velocidade média se situava em torno aos 3 nós, mas podiam alcançar até 6 ou 7 nós, um valor considerável mesmo durante a época moderna.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, vemos uma maquete de Cartago Nova e a importância que adquiriu seu porto durante o período romano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO museu possui uma parte ligada as rotas marítimas realizadas durante a chamada Era dos Descobrimentos, quando Portugal e Espanha tomaram a dianteira na exploração dos mares durante os séculos XIV, XV e XVI. Abaixo, vemos um barco medieval, do séc. XIV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar dos progressos da construção naval e dos utensílios de observação e localização, a vida dentro dos barcos estava muito longe de ser fácil, pois as epidemias se alastravam, normalmente provocados pelas fezes e excrementos dos ratos, que contaminavam os alimentos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos com uma foto em que os visitantes são convidados a realizarem os diferentes tipos de nós usados nas embarcações…

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Museu de Arqueologia Subaquática – Cartagena

Um dos passeios mais interessantes que podemos fazer pelo Porto de Cartagena é visitar o excelente Museu Nacional de Arqueologia Subaquática, um centro considerado referência deste tema a nível mundial.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO museu se originou em 1970, com a criação do antigo Patronato de Escavações Arqueológicas Submarinas. Em 1982, se inaugura o Museu Nacional de Arqueologia Marítima e Centro Nacional de Investigações Submarinas. Uma ordem ministerial de 1983 concebia este espaço como “responsável a nível estatal pela direção e coordenação dos estudos, inventários, tratamento, restauração e conservação dos materiais arqueológicos de âmbito marítimo, tanto procedentes do mar quanto da superfície, assim como os documentos e reproduções relacionados às antigas rotas marítimas.” Em 1986, se realizam seminários de Arqueologia Subaquática, destinados a arqueólogos e restauradores, que se especializam nesta modalidade. Finalmente, em 2008, a instituição inaugura uma nova sede, sendo rebatizada como Museu Nacional de Arqueologia Subaquática. Com 6 mil metros quadrados de superfície, o novo edifício foi projetado pelo arquiteto Guillermo Vázquez-Consuegra.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA exposição permanente do museu encontra-se abaixo do nível do mar, e se organiza em dois blocos que se complementam, proporcionando uma completa visão da arqueologia marítima.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO primeiro bloco denomina-se Patrimônio Cultural Subaquático e oferece uma ampla história da arqueologia como uma disciplina científica, originada no séc. XVIII e estando relacionada com o colecionismo de antiguidades. No séc. XIX, surge um novo método de mergulho que utiliza ar comprimido, permitindo a respiração debaixo da água durante horas. Nos anos 40 do séc. XX, Jaques Cousteau inventa um regulador automático unido às garrafas de oxigênio, permitindo uma maior autonomia para os mergulhadores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO segundo bloco foi chamado de Mare Hibericum, e comenta a história dos primeiros navegantes e a herança náutica dos fenícios, povo marinheiro por excelência da antiguidade. A exposição conta com diversos materiais desta época, destacando os restos de duas embarcações encontradas nas proximidades de Cartagena, na localidade de Mazarrón. O de abaixo pertence ao séc. VII aC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois, vieram os gregos, cartagineses e romanos. A exposição nos mostra vários cortes de embarcações com seus respectivos produtos, oferecendo uma interessante variedade de técnicas de construção naval, que compreende a antiguidade até a Era dos Descobrimentos, já no séc. XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASão abordadas também as crenças e superstições ligadas ao mundo marítimo, além das rotas comerciais mais importantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO museu conta com uma excepcional coleção de ânforas, destinada ao transporte de vários produtos que eram comercializados no passado distante, como o vinho, azeite, metais preciosos, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs objetos provenientes das escavações arqueológicas compreendem um período de mais de 2.500 anos, do séc. VII aC até o séc. XIX. A última coleção incorporada exibe parte do tesouro da fragata N.Sra de las Mercedes, composta por mais de 650 mil moedas de ouro e prata. Homenageia também as vítimas do naufrágio, ocorrido em 1804.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo Museu Nacional de Arqueologia Subaquática podemos conhecer as técnicas de exploração e prospecção arqueológicas realizadas no fundo marinho, os cuidados na remoção dos achados, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, publicarei a segunda parte deste incrível museu, e algumas das peças que mais me chamaram a atenção.