Praça Espanha de Barcelona

Uma das mais movimentadas praças de Barcelona, a Praça de Espanha possui um formato circular, inspirado na Praça de Sao Pedro, no Vaticano. Tanto este conjunto monumental, quanto muitos dos principais edifícios que a rodeam, foram construídos para a Exposiçao Internacional que realizou-se na cidade, em 1929. Com 34 mil metros  quadrados, é a segunda maior com esta denominaçao do país, superada somente pela praça homônima de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa imagem acima, vemos uma panorâmica da praça, com destaque para as duas torres, denominadas Venezianas, pois foram construídas segundo o modelo das torres existentes na Praça de Sao Marcos, em Veneza. As torres foram erguidas graças ao projeto do arquiteto Ramon Reventós. Também vemos na foto, a antiga Praça de Touros Arenas, construída no estilo neomudéjar, pelo arquiteto August Font i Carreras. Com capacidade para 15 mil espectadores, converteu-se numa das melhores de toda Espanha. Inaugurada em 1900, substituiu a anterior, que havía ficado pequena, ante a popularidade que as touradas alcançaram na cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a Guerra Civil, a Praça de Touros transformou-se em quartel do exército republicano. A última tourada realizada ocorreu em 1977, e a partir de entao, decidiu-se adaptá-la ao uso comercial. Em 2011, inaugurou-se o Centro Comercial Las Arenas, em cuja parte superior podemos provar pratos típicos da Catalunha em seus inúmeros restaurantes, além de admirar a bela vista que oferece de toda a zona da Praça de Espanha.

DSC07408DSC07411Do outro lado da praça, vemos o Mnac, o Museu Nacional de Arte da Catalunha, cuja sede principal encontra-se no Palácio Nacional, situado na Montanha de Montjuic.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe estilo eclético, combina elementos clássicos, renascentistas e barrocos, e possui uma das melhores coleçoes de Arte Românica de todo o mundo.

DSC07373OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro Centro Cultural relevante, situado nas proximidades, é a Fundaçao “La Caixa”, que oferece excelentes exposiçoes temporais durante todo o ano. Está sediada num edifício modernista, construído entre 1909/1912 pelo arquiteto Puig i Cadafalch. O projeto foi realizado para o industrial Casimir Casaramona, que no espaço instalou sua enorme fábrica. Por este motivo, se conhece também pelo nome de Casa Casaramona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADa construçao, destacam as duas grandes torres utilizadas antigamente como depósitos de água, uma medida adotada contra a propagaçao de incêndios. A fábrica nao possuía chaminés, pois utilizava energia elétrica, contribuindo para a sensaçao de limpeza que se observava no local.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra construçao de visita imprescindível é o Pavilhao de Mies Van Der Rohe. Também construído para a Expo de 1929, é considerado um dos marcos da arquitetura moderna.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizada a exposiçao em 1930, o pavilhao foi desmontado e ficou desaparecido durante mais de 50 anos. Entre 1983/1986, a prefeitura de Barcelona reconstruiu o pavilhao no mesmo local de origem. Os principais materiais utilizados por Mies foram o vidro, que ocupa um grande espaço de sua superfície total, a pedra, além de colunas de aço com uma alta concentraçao de chumbo. Nas paredes e no solo utilizou diferentes tipos de mármore.

DSC07393Atualmente, a casa pertence à Fundaçao Mies Van Der Rohe, uma entidade pública que objetiva o estudo e a preservaçao da arquitetura modernista e contemporânea.

DSC07401Na foto acima, vemos a chamada Cadeira Barcelona, um expoente da história do desenho industrial do séc. XX, projetada por Mies. Este arquiteto alemao é considerado um dos arquitetos mais influentes do século, no mesmo nível de Le Corbusier e Frank LLoyd Wright. Foi, durante algum tempo, professor da famosa escola de arquitetura, a Bauhaus, e um dos criadores do International Style, estilo que se caracteriza pelo racionalismmo, a utilizaçao geométrica do espaço e a sofisticaçao.DSC07395

Arte Românica (MNAC) – Barcelona

Localizado em Barcelona, o Museu Nacional de Arte de Catalunha, popularmente conhecido como MNAC, foi inaugurado em 1934, e nele contemplamos um panorama global da arte catalana, desde o românico até mediados do séc. XX.

A sede principal situa-se no Palácio Nacional, construído para a Exposição Internacional que celebrou-se na cidade em 1929. O local onde se encontra o palácio é o bairro de Montjuic, o centro museístico por excelência da capital catalana, com uma ampla e variada oferta cultural. Além do MNAC, podemos visitar outros museus de importância, como o dedicado a Juan Miró e o Museu de Arqueologia, entre outros. Abaixo, vemos algumas fotos mais do interior do MNAC.

O grande destaque do MNAC é o seu acervo de Arte Românica, que pela qualidade e quantidade das obras expostas, o torna o melhor do mundo no gênero. A coleção abrange pinturas, esculturas, objetos de metal e de madeira, do período que se extende do séc. XI ao XIII, época de difusão do românico.

A série de Pinturas Murais são únicas no mundo, e a maior parte das obras são exemplos da Arte Românica encontradas na própria Catalunha. Procedem, em grande parte, das Igrejas Românicas situadas nos Pirineus, como aquelas que ainda podemos visitar no chamado Vale de Boí, que por sua importância arquitetônica e artística foram declaradas Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Estas pinturas foram compradas, extraídas de seu local de origem de uma forma que não prejudicassem as pinturas e levadas à Barcelona, com o objetivo de evitar sua venda ao exterior, algo que infelizmente ocorreu muitas vezes com o patrimônio artístico espanhol, sobretudo aqueles relacionados ao período românico.

Este post está dedicado a este maravilhoso conjunto de obras. Antes, porém, uma pequena introdução à pintura românica, já que é necessário diferenciar os vários tipos que engloba, segundo a técnica e seu local de aplicação.

As denominadas pinturas murais em si decoravam os ábsides, naves, colunas e abóbadas das igrejas. Convém realçar que muitos templos românicos estavam completamente pintados no seu interior. Além de sua função estética, o objetivo pedagógico era primordial, numa época em que a grande maioria da população era analfabeta. Desta forma, as imagens serviam para a instrução dos fiéis, em relação aos ensinamentos bíblicos e aos dogmas da fé crista.

Na Espanha se considera, de forma simplificada, duas escolas representativas, a Castelhano-Leonesa e a desenvolvida em Catalunha.

As características formais da pintura mural coincidem com as encontradas nas esculturas, onde predominam a simetria e a justaposição dos elementos, cujos motivos são, em geral, as cenas bíblicas e a figura humana.

A técnica normalmente utilizada era o fresco, e os temas representados eram extraídos do último livro da Bíblia, o Apocalipse. Isso se deve à mentalidade da época, influenciada pelo término do primeiro milênio, ao qual se associava o fim do mundo e o Juízo Final.  As imagens não possuem movimento e são antinaturalistas, com uma desproporção anatômica e realizadas de maneira bidimensional, sem perspectiva.

A escola catalana possui uma forte influência da Arte Bizantina e dos íconos que decoram as Igrejas Ortodoxas.

No MNAC, admiramos alguns exemplos deste tipo de pintuas, qualificadas como uma das melhores do período românico. Considerada uma obra prima do românico europeu, as pinturas que decoravam o abside da Igreja de Sant Climent de Taull, são um dos seus destaques.

Datada de 1123, seu autor é conhecido como o Mestre de Taull, já que as pinturas nesta época não estavam assinadas. Representa a Cristo em majestade (Pantocrátor), rodeado pelos quatro evangelistas e seus símbolos: São Lucas (touro), São Marcos (leão), São João (águia) e São Mateus (anjo). No conjunto são conhecidos como os Tetramorfos. Cristo segura um livro aberto com uma inscrição latina, que significa: “Eu sou a luz do mundo”. Vemos também as letras gregas alfa e ômega, transmitindo a idéia de Deus como a origem e o fim de todas as coisas. A pintura combina a temática do Juízo Final, segundo a concepção de várias visões bíblicas, como o Apocalipse, o Livro de Isaías e Ezequiel.

Também da mesma época e autor, vemos abaixo as pinturas murais do abside da Igreja de Santa Maria de Taull. A cena mostra a Virgem em majestade, representando a Epifania. Outra das carcterísticas que podemos observar é o forte expressionismo das figuras e a grande importância dada ao desenho, além da falta de luz.

Procedente da Igreja de San Pere del Burgal, as pinturas a seguir são uma das mais antigas conservadas, de finais do séc. XI e princípios do XII.

As pinturas podiam também ser realizadas sobre as tablas, colocadas na parte frontal do altar. O MNAC expõe várias delas, e representam um dos conjuntos mais notáveis da pintura catalana.

O Frontal do altar de Durro (anônimo), de mediados do séc. XII, procede da Ermita de Sant Quirce de Durro.

O Frontal do altar dos arcanjos é do segundo quarto do séc. XIII, e seu autor é conhecido como o mestre de San Pau de Carseres.

O Frontal do altar da Igreja de Sant Andreu de Baltarga está datado do ano 1200.

Para realçar sua expressividade, as pinturas podiam ser aplicadas às esculturas. Abaixo, vemos um exemplo, procedente do frontal do altar da Igreja de Santa Maria de Taull (anônimo). Datado do ano 1200, foi repintado em 1579.

Também da mesma igreja, vemos uma foto de uma escultura do Descendimento da cruz, sem policromia. De autor anônimo, foi realizado na segunda metade do séc. XIII.

As esculturas eram utilizadas na decoração dos capitéis que adornavam as colunas. O exemplo da foto de abaixo, mostra Adao e Eva e a cena da serpente e da árvore do bem e do mal.

As pinturas eram usadas também para a iluminação de códices (miniaturas), trabalho executado em monastérios, e que proporcionava uma maior liberdade formal. Um dos mais conhecidos é o Comentário do Apocalipse, atribuído ao Beato de Liébana.

Finalizamos o post com mais algumas imagens, como a do baldaquino de Toses do séc. XIII (anônimo),  e a pintura mural do ábside da Igreja de Santa Maria de Daneu, de finais do séc. XI e princípios do XII.

O Museu Nacional de Arte da Catalunha é um exemplo inigualável da vontade de um povo de reunir, conservar e mostrar aos demais as origens de sua cultura.

Até o próximo post…