Museu do Azeite – Illescas (Parte 2)

Neste segundo post sobre o Museu do Azeite de Illescas veremos outros aspectos deste produto de grande tradição na Espanha, destacando principalmente seu método tradicional de fabricação. Para a comercialização do produto, e dependendo de sua qualidade, existem três tipos de azeite: O Azeite de Oliva Virgem Extra é aquele de máxima qualidade, sendo obtido diretamente das azeitonas unicamente através de procedimentos mecânicos. O seu grau de acidez não pode superar 0.8 %. O Azeite de Oliva Virgem segue os mesmos parâmetros de qualidade do anterior. A diferença é que não pode superar os 2 % de acidez. Por último, o Azeite de Oliva é obtido a partir do refinamento dos azeites que não alcançaram os critérios de qualidade dos demais (não pode superar o 1% de acidez).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs componentes principais das azeitonas constituem o azeite (23%), açúcares (19%), água (de 50 a 60%), celulose (6%) e proteína (menos de 2%). Sua cor pode variar do amarelo/dourado ao verde mais acentuado, dependendo dos pigmentos predominantes da azeitona no momento da colheita. No início, será mais verde devido à presença de clorofila. Na medida em que fica mais madura, perde clorofila, tornando-se mais amarelada. A variedade de Azeitona predominante na região de Illescas é a Cornicabra, ligeiramente amarga e um pouco picante. A Comunidade de Castilla La Mancha é a maior produtora da Espanha deste tipo de azeitonas. Abaixo, vemos uma foto da Almazara (fábrica onde se elabora o azeite) de Illescas

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos motivos para a criação do Museu do Azeite na cidade foi o excelente estado de conservação das máquinas da Almazara, que seguia o padrão tradicional de fabricação do azeite de oliva. Evidentemente, o primeiro passo para a obtenção do azeite é a colheita das azeitonas de sua árvore, a Oliva ou Oliveira. Realizava-se manualmente com um golpe que se dava na árvore com uma vara flexível. Depois, separavam-se as azeitonas procedentes da mesma daquelas caídas no solo. Na Espanha, a colheita é realizada entre outubro e dezembro. Em seguida, efetua-se o transporte das azeitonas à Almazara.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa chegada das azeitonas na Almazara, inicialmente se separavam as azeitonas defeituosas das normais, que passavam por distintos processos de fabricação. A segunda etapa envolve processos de limpeza da azeitona, com o objetivo de eliminar folhas, pequenos talhos e pó, através de ventiladores de ar. Em seguida, se procede à lavagem das azeitonas com água para eliminar barro ou possíveis pedras.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois, a azeitona é triturada por um moinho com o objetivo de facilitar a extração do azeite. O moinho da Almazara de Illescas está praticamente em desuso por sua baixa rentabilidade em relação aos atuais métodos utilizados. Por outro lado, é considerado um moinho de grande importância histórica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO rompimento da azeitona efetuada pelo moinho produz uma pasta que é pressionada para a saída do azeite. As gotas de azeite se aglutinam formando uma etapa oleosa com a finalidade de separar a água, a pele, a pulpa e o osso da fruta. Em seguida, se realiza um processo intermediário de separação dos componentes sólidos e líquidos, momento no qual é obtido o azeite de máxima qualidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA separação do azeite dos demais componentes realiza-se tradicionalmente pelo método de prensado. O método clássico é o que se realizava na Almazara de Illescas. A pasta oleosa é colocada sobre discos porosos feitos de fibra, colocados uma encima do outro. Os discos se colocam numa prensa, liberando a parte líquida da pasta. Atualmente esta parte do processo de fabricação do azeite é realizada pelo método de centrifugação, com a pasta sendo colocada num cilindro horizontal que gira a grande velocidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA próxima etapa do processo é a decantação, que se baseia na diferença de densidade, realizado em depósitos comunicados entre si nos quais o líquido permanece em repouso. Uma vez terminado e antes de ser engarrafado, o  azeite é filtrado para eliminar possíveis materiais indesejados em suspensão.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO azeite é armazenado e posteriormente envasado. Abaixo, vemos outras imagens do interior da Almazara de Illescas

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos a matéria um um poema de Federico García Lorca denominado “Paisaje“, no qual o grande poeta rende uma homenagem aos campos de cultivo da Oliva, que podemos admirar em boa parte do território espanhol.

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Museu do Azeite – Illescas

Quando viajamos, muitas vezes no surpreendemos positivamente quando conhecemos algo que não esperávamos encontrar. Isso foi exatamente o que sucedeu comigo quando visitei o Museu do Azeite, situado em Illescas. A cidade situa-se numa zona plana com pequenas ondulações, um terreno propício para o cultivo da oliva. Foi a primeira vez que tive a oportunidade de conhecer um museu dedicado a um produto de grande tradição na Espanha, o Azeite de Oliva, e pude observar o processo tradicional de fabricação, as origens do cultivo da oliva, curiosidades a respeito da árvore e seu fruto, a azeitona, a história do museu, tudo isso com a ajuda das atentas e simpáticas funcionárias do museu. Na Espanha, as instalações onde se obtém o azeite de oliva denomina-se Almazara e foi em um destes locais onde se inaugurou o Museu do Azeite de Illescas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Almazara de Illescas está incluída dentro do patrimônio industrial e etnográfico da cidade, estando sediada numa típica construção castelhana do século XX. O lugar chama-se “El Molino del Marqués“, apesar de nunca ter sido propriedade de um marquês. O moinho, construído sobre um anterior que foi derrubado, é de mediados do século XX,  estando situado num local que compreendia três propriedades diferentes. Uma delas incluía o pátio, a fábrica de azeite, armazéns e um palomar (uma pequena construção que serve como “residências de palomas”, isto é, de pombas). Em outra situava-se a horta, jardins, a casa do proprietário e outras dependências.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERA Em 1947, a Almazara foi adquirida por uma família de Madrid e os últimos proprietários realizaram as gestões administrativas para que o local fosse vendido à Prefeitura de Illescas, em 2003. A partir deste momento, o local foi adaptado para sediar um Centro Turístico e Cultural, que inclui o Museu do Azeite, além de outros espaços, como Oficina de Turismo e salas onde podemos realizar atividades culturais relacionadas a gastronomia, artesanato e artes cênicas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Oliva ou Oliveira, uma árvore pertencente a família das Oleáceas, foi cultivado por primeira vez durante o período inicial do desenvolvimento da agricultura, há 7 mil anos atrás na região da Ásia Menor. Adaptou-se bastante bem às condições climáticas e de relevo na zona mediterrânea, que desde então tornou-se o principal centro de produção de azeitonas e do azeite de oliva. Foram os fenícios que levaram seu cultivo às costas do sul a Península Ibérica ao longo do século XI aC. Com a chegada dos romanos, sua expansão levou o cultivo a todas as partes do império. Os primeiros documentos escritos conhecidos sobre a Oliva constituem tábuas de barro de época micênica, realizadas durante o reinado do Rei Minos (2500 aC). Na Bíblia encontramos inúmeras referências a ela, bem como na Mitologia Clássica. A oliva cultivada é uma espécie de tamanho médio, de 4 a 8m de altura, dependendo da variedade. Possui um tronco grosso, como podemos ver no exemplar abaixo, cuja foto tirei no Parque Municipal de Illescas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma oliveira pode permanecer viva e produtiva durante séculos. Suportam altas temperaturas no verão, se possuem suficiente humidade no solo, e temperaturas de até 12 graus negativos no inverno. Sua fruta, a azeitona, e o azeite produzido possuem uma grande quantidade de efeitos benéficos para o organismo, pois facilitam o processo digestivo, são antioxidantes e previnem doenças cardiovasculares. Possui um valor calórico de 167 calorías para cada 100g.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Azeite de Oliva é considerado um azeite vegetal de uso predominantemente culinário, mas também tradicionalmente e ainda hoje empregado para usos cosméticos, medicinais, nas cerimônias religiosas e na iluminação. Quase um terço da polpa da azeitona está composta pelo azeite. Por isso, desde a antiguidade foi extraído através de uma pressão realizada por um moinho. Atualmente, cerca de 90 % da produção mundial de azeitona está destinada para a fabricação do azeite. A Espanha é o maior produtor mundial de Azeite de Oliva, produzindo quase a metade do total, seguido pela Itália e a Grécia. Abaixo, vemos algumas das variedades de azeitonas produzidas no país, dentro das mais de 260 cultivadas nos solos espanhóis.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATradicionalmente, se armazenava o Azeite de Oliva em cântaros de cerâmica. Hoje em dia, os recipientes mais utilizados são feitos de garrafas PET, vidro, lata e papel revestido. Recomenda-se sempre a utilização de embalagens opacas que não permitam a entrada de luz, para que o sabor do azeite não seja alterado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cor do Azeite de Oliva não constitui um parâmetro nem é indicativo de sua qualidade. Por este motivo, durante as provas de degustação do produto, utilizam-se copos de cristais de cor azul translúcido, para que nao se possa distinguir sua cor e se deixe influenciar por ela, realizando a valorização de sua qualidade de forma adequada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo todo produto tradicional comercializado no país, como o Jamón e o Vinho, entre outros, existe um órgão regulador da qualidade do azeite de oliva, denominado “Denominación de Origen“. Na região de Illescas, chama-se D.O.Montes de Toledo, com uma grande quantidade de municípios produtores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, publicarei a segunda parte desta matéria sobre o Museu do Azeite de Illescas, enfatizando o processo de elaboração tradicional do produto…

Ampliação do Museu Reina Sofia

O Museu Reina Sofia de Madrid é considerado um dos museus de Arte Contemporânea mais importantes de todo o mundo. Sua exposição permanente exibe obras dos artistas mais influentes dos séculos XIX e XX, como Picasso, Dalí, Miró, etc. Entre todas as pinturas deste museu imprescindível destaca-se o famoso quadro de Picasso “Guernica“, possivelmente o quadro mais importante do século XX (ver post publicado em 17/5/2012). Realizei também, entre 29/6 e 4/7/2016, uma série de publicações sobre as obras primas do museu, que servem de referência a uma visita ao Reina Sofia. O museu encontra-se sediado no edifício do antigo Hospital de San Carlos, entidade fundada no século XVI pelo Rei Felipe II com a finalidade de centralizar todos os serviços de atendimento hospitalar que se encontravam dispersos pela capital da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVIII, o monarca Carlos III decidiu construir um novo edifício para o hospital, já que as instalações do edifício anterior ficaram insuficientes com o crescimento populacional da cidade. O projeto foi encarregado aos arquitetos José de Hermosilla e, principalmente, a Francisco Sabatini. Ainda hoje, a sede principal do museu é conhecida como Edifício Sabatini. O hospital foi clausurado em 1965, e o edifício sobreviveu apesar dos rumores sobre sua demolição, principalmente depois que foi catalogado como Monumento Histórico-Artístico em 1977, garantindo sua continuidade. Em 1980 inicia-se sua restauração e em 1986 se inaugura o Centro de Arte Reina Sofia, utilizando os primeiros andares do edifício como salas de exposições temporárias. No final de 1988 se construíram as torres de aço e vidro para servir de elevadores. A coleção permanente do Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, seu nome completo, foi inaugurada em 1992, com a presença do Rei Juan Carlos I e sua esposa, a Rainha Sofia, com os fundos artísticos provenientes do antigo Museu Espanhol de Arte Contemporânea.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre 2001 e 2005, o museu foi alvo de uma grande ampliação, a cargo do arquiteto francês Jean Nouvel, cujo resultado contribuiu para transformar o aspecto do museu e da própria paisagem urbana de Madrid.

20190202_125010O custo da obra foi de 92 milhões de euros e possibilitou um aumento de 60% da superfície do museu. Uma praça, decorada com uma escultura de Roy Lichtenstein, conecta o Edifício Sabatini com as estruturas de ampliação realizadas por Jean Nouvel.

20190202_132209Jean Nouvel (França – 1945) é considerado atualmente um dos arquitetos de maior prestígio internacional e recebeu em 2008 o Prêmio Pritzker de arquitetura. Para ele, a arquitetura constitui uma arte visual, uma produção de imagens que provocam emoções e sensações, algo que podemos comprovar numa visita ao museu.

20190202_13222920190202_133023A ampliação do museu possibiltou a construção de uma excelente biblioteca, duas novas salas para exposições temporais, dois auditórios, uma loja e um restaurante, cujas imagens vemos abaixo…

20190202_13014720190202_131525Qualquer pessoa pode conhecer esta parte do museu, sem a necessidade de pagar entrada para ver o acervo permanente, visita que evidentemente recomendo. A seguir vemos o contraste entre os dois edifícios, o histórico de Sabatini e a obra realizada por Jean Nouvel.

20190202_13365220190202_133630Vale a pena subir na parte mais alta do edifício e contemplar as vistas que oferece, principalmente da Estação Ferroviária de Atocha, situada nas proximidades do museu.

20190202_133239Finalizo o post com outras fotos do Museu Reina Sofia

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Museu de Cáceres

Para se conhecer as etapas históricas de Cáceres, bem como poder contemplar inúmeras peças artísticas, recomendo visitar o Museu da cidade, situado na Plaza de San Mateo. O museu encontra-se sediado no Palácio de los Veleta, um dos inúmeros palácios existentes no Centro Histórico da cidade, declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo local onde atualmente se ergue o edifício, no século XIII se levantava o antigo Alcázar Árabe. Na segunda metade do século XV, o Rei Enrique IV concedeu a Diego Gómez de Torres a possibilidade de construir sobre a fortaleza um novo palácio, com a condição que não tivesse elementos defensivos. No entanto, o edifício que vemos atualmente se deve a Lorenzo de Ulloa y Torres. Na fachada, vemos os escudos de ambas as linhagens, dos Ulloa e da família Torres.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das grandes atrações do museu é que se conserva o antigo Aljibe Árabe, um local utilizado como depósito de água. Excavado em parte na rocha, o espaço ocupado pelo Aljibe está formado por 5 naves separadas por arcos de ferradura. Suas colunas conservam elementos de épocas romana, que foram reutilizados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Museu de Cáceres foi inaugurado em 1933, cuja origem se deve a sua importante coleção de peças arqueológicas, formada a partir do final do século XIX e que abrangem desde o Paleolítico até a Idade Média. Do período ibérico estão expostos vários Verracos, como se conhecem as esculturas zoomórficas feitas de granito, que representam touros, porcos ou javalis e utilizados como marcadores de territórios.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutras peças de grande interesse histórico constituem as Estelas, monumentos funerários onde guerreiros são representados de maneira heróica. O Museu de Cáceres possui uma das maiores coleções deste tipo de obras da Idade de Bronze. Os guerreiros aparecem junto às suas armas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERATambém relacionado à cultura ibérica, o denominado Tesouro de Aliseda foi descoberto em 1920, estando considerado uma importante façanha da Arqueologia Espanhola.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém da seção de arqueologia, o Museu de Cáceres está composto pelo acervo de Etnografía e Belas Artes, esta com várias peças de interesse, tanto na pintura quanto na escultura. Abaixo, vemos um Cristo Crucificado de marfim, feito por um artista anônimo das Filipinas, no século XVII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste outro foi esculpido em madeira, no século XV, por um artista espanhol anônimo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a representação da Santíssima Trindade, uma escultura feita de alabastro do século XVI (anônimo).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm relação à Pintura, vários quadros despertaram meu interesse, entre os quais um de El Greco (1541/1614), com a representação de Jesus Salvador.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, um belíssimo tríptico flamenco da Paixão de Cristo, anônimo do século XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERALuca Giordano (1632/1705), um pintor italiano que realizou diversas obras em solo espanhol, realizou este quadro de Santo André

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPintura Contemporânea Espanhola também faz parte do acervo pictórico do museu. Um exemplo é o pintor Darío Villalba (1939/2018), que realizou esta obra intitulada “Noche 81” em 1981.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra obra interessante, o quadro feito de acrílico intitulado “Agressión” em 1976 foi realizado pelo artista valenciano Juan Genovés, nascido em 1930.

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Museu Oceanográfico – Valência

Depois de conhecer a maravilhosa Província de Burgos, eu e meu irmão Marcelo decidimos visitar Valência, uma cidade que já havia estado antes, mas que meu irmão não conhecia. A terceira maior cidade da Espanha foi o tema de uma grande série de posts publicados entre 24/3 e 12/5/2017. Desta vez, aproveitei para conhecer lugares novos, como o Museu Oceanográfico, que faz parte do espetacular complexo da Cidade das Artes e das Ciências (posts publicados em 8/5 e 9/5/2017).

20181003_154935Este impressionante complexo cultural produziu uma grande revitalização urbana, e conhecê-lo é obrigatório numa viagem a Valência. Das duas vezes que lá estive, contemplei sua espetacular arquitetura desde o exterior, mas desta vez tivemos a oportunidade de realizar visitas guiadas pelos edifícios que o integram. O Museu Oceanográfico, por exemplo, foi projetado pelos arquitetos Félix Candela e José María Tomás Llavador, constituindo um excelente passeio para todas as idades.

20181003_135904Inaugurado em 2003, o Museu Oceanográfico de Valência é considerado um dos melhores da Europa, com cerca de 110 mil metros quadrados de área construída.

20181003_132058Está composto por várias construções que representam diversos ecossistemas marinhos, como o Mar Mediterrâneo, mares e oceanos tropicais, ambientes frios como o Ártico, etc.

20181003_13472520181003_135542Mais de 40 mil animais, de 500 espécies diferentes, vivem no maior aquário da Europa. Entre outros, podemos observar tubarões, morsas, baleias beluga, etc, etc.

20181003_13542920181003_132722A sensação de percorrer os túneis existentes no aquário é maravilhosa, pois uma infinidade de peixes, mamíferos e invertebrados nos rodeiam inteiramente…

20181003_153711A água salgada do aquário é bombeada diretamente da Praia de Malvarrosa, uma das mais frequentadas e famosas da cidade.

20181003_143121Várias espécies de aves também podem ser observadas no museu….

20181003_133829O local possui um curioso restaurante submarino, com um aquário circular que o envolve…

20181003_14273920181003_142626O Museu Oceanográfico conta também com um delfinário, com apresentações destes inteligentes animais, os golfinhos…

20181003_14041720181003_140749Como atração opcional, existe a possibilidade de presenciar projeções de Cinema 4D…

20181003_141355Finalizo a matéria com outras fotos do Museu Oceanográfico de Valência. A entrada para adultos custa 30 euros e sua visita é mais que recomendável…

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Museu Nacional do Teatro – Almagro

A fundamental relação de Almagro com o teatro vai mais além de seu famoso Corral de Comédias, pois num dos extremos laterais de sua Plaza Mayor situa-se outro local de visita indispensável, o Museu Nacional do Teatro. Está sediado no Palácio Maestrales, construído a mediados do século XIII como residência dos membros mais importantes da Ordem de Calatrava.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVI, o palácio passou a ser a residência do governador de Almagro e no século XVIII converteu-se num quartel de cavalaria. Em 1802, uma parte do palácio acolheu um novo convento da Ordem de Calatrava, mas com a Desamortizaçao de Mendizábal (1836), o edifício passou a ser propriedade de particulares. De seu aspecto original conserva a robusta torre em uma de suas esquinas (foto acima) e um belo pátio central arqueado, formado por arcos de ferradura feitos de tijolo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre 1994 e 2001, o edifício foi reabilitado para acolher o museu, considerado um dos poucos Museus Nacionais situados fora de Madrid. Ocupa três andares, sendo o único museu dedicado exclusivamente à história do teatro no país. Está administrado pelo Instituto Nacional de Artes Cênicas e da Música, um organismo dependente do Ministério de Educação, Cultura e Deporte.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASuas salas nos mostram uma interessante trajetória histórica do Teatro Espanhol, desde seus inícios em época romana, até o século XX, passando por seus maiores dramaturgos, atores e atrizes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Museu Nacional de Teatro de Almagro possui um acervo de mais de 12 mil obras, entre desenhos, gravados, quadros, maquetes e esculturas. Abaixo, vemos um retrato do grande poeta e dramaturgo Federico García Lorca (1898/1936), realizado pelo pintor valenciano Alejandro Cabeza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA grande atriz María Guerrero (1867/1928) aparece retratada pelo pintor Anselmo Miguel Nieto (1881/1964) num quadro realizado em 1914.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir vemos um gravado realizado por Salvador Dalí (1904/1989) para a peça “Don Juan Tenorio“, sendo responsável por sua decoração e vestuário. A peça estreou em 1949 no Teatro María Guerrero de Madrid, sendo considerada uma das melhores adaptações do clássico de José Zorrilla (1817/1893), publicada por primeira vez em 1844.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO museu conta com inúmeras e formidáveis maquetes que retratam a história do teatro na Espanha. Abaixo, vemos uma delas, em que aparece o Parque do Retiro de Madrid, quando a partir do século XVII foi utilizado como cenário de representação teatral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO denominado Século de Ouro da Cultura Espanhola (XVII) está muito bem documentado no museu. Seus grandes dramaturgos realizaram obras eminentementes populares. Neste prolífico período cultural, todas as manifestações teatrais erm conhecidas como comédias, independente se a obra representada era um drama ou tragédia. A exceção constituíam os denominados Autos Sacramentais. A seguir, vemos um deles, realizado por Calderón de La Barca, um dos maiores expoentes do Teatro Espanhol.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo campo escultural, o museu conta com vários bustos, entre os quais o de Fray Gabriel Téllez (1579/1648), mais conhecido por seu pseudônimo, Tirso de Molina, considerado um dos grandes dramaturgos do Barroco Espanhol. O busto foi realizado pelo escultor Lorenzo Coullaut Valera (1876/1932).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos escultores espanhóis que mais admiro, o valenciano Mariano Benlliure (1862/1947), realizou esta bela obra em que retrata a bailarina sevilhana Pastora Rojas Monje (1889/1979), uma das figuras mais representativas da história do flamenco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAVários trajes também podem ser vistos, como o que vemos abaixo, utilizado pela atriz Cristina Higueras, nascida em 1961, para a representaçao da peça “Doña Rosita la Soltera“, de Federico García Lorca, em 1980.

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Plaza del Potro – Córdoba

Dentre todas as praças de Córdoba, a chamada Plaza del Potro (original em espanhol) é uma das mais representativas da cidade. A explicação de seu nome se deve ao fato que nela havia um local onde se comercializavam mulas e potros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo entanto, outros historiadores admitem que seu nome se refere à Fonte do Potro que preside a praça, de estilo renascentista e esculpida em 1577, com a finalidade de melhorar o abastecimento de água da zona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta praça possui diversos locais de interesse, como a Posada del Potro. Sua disposição interna é de uma corrala, isto é, uma espécie de bloco residencial característico de algumas cidades espanholas, formado por um corredor feito com uma armação de madeira, cujos balcões estão cercados por um pátio interior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOriginalmente foi utilizada como uma pousada, função que exerceu até o século XIX, e também como prostíbulo. Com a decadência comercial da zona, converteu-se num local residencial. Abaixo, vemos uma foto antiga do lugar….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Posada del Potro foi citada por Miguel de Cervantes em sua famosa novela “El Ingenioso Hidalgo Don Quijote de La Mancha”, que nela se hospedou. Um azulejo colocado num dos muros da praça celebra este acontecimento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO bairro onde se localiza a praça sempre foi considerado um centro comercial e econômico na cidade, concentrando grande parte dos grêmios artesanais e atraindo a comerciantes, feirantes, viajantes, propiciando a existência de um grande número de pousadas, restaurantes, etc. Atualmente, a Posada del Potro é sede de um centro cultural dedicado à história do Flamenco e a um de seus grandes personagens, o cantor cordobês Antonio Fernández, apelidado de “Fosforito“, nascido em 1932.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANum primeiro momento, a Plaza del Potro possuía uma forma quadrada e fechada e não retangular e aberta como nos dias atuais. A primeira reestruturação realizada na praça foi feita devido à construção do extinto Hospital da Caridade, criado pelos Reis Católicos no final do século XV e atendido pela Ordem Franciscana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAHoje em dia, o antigo hospital alberga dois museus de grande interesse, o Museu de Belas Artes de Córdoba, que vemos abaixo, numa foto tirada no interior do pátio do edifício. Seu acervo está constituído por pintores espanhóis de grande relevância histórica, como Zurbarán, Valdés Leal, Rusiñol, Zuloaga, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo outro lado do pátio está situado um dos museus mais visitados de Córdoba, dedicado ao pintor nascido na cidade Julio Romero de Torres (1874/1930).

OLYMPUS DIGITAL CAMERA O pintor viveu nesta casa, com uma belíssima fachada policromada realizada em 1752.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma placa que comprova o local de residência do pintor cordobês.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJulio Romero de Torres nasceu numa família de artistas, e sua temática gira em torno aos aspectos regionalistas, do mundo taurino e da cultura flamenca. No entanto, mais da metade de sua obra pictórica está composta por retratos (realizou mais de mil quadros), gênero que soube explorar com grande maestria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANenhum outro pintor soube representar com tamanha beleza a sensualidade da mulher andaluza em inúmeros quadros que podemos contemplar no museu, aberto ao público em 1931 com um acervo doado pelos familiares do pintor e de outros colecionadores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma pena que nao se fotografar o interior do museu e suas obras, mas selecionei um vídeo no Youtube onde vocês poderão apreciar a obra deste grande pintor espanhol:

Finalizando a matéria, em 1924 foi colocada no outro extremo da praça um monumento dedicado ao Triunfo de São Rafael, santo padroeiro de Córdoba.

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