Museu das Campanas – Parte 2

Como instrumento dedicado ao culto, os sinos estão sujeitos ao ritual da bendição. A Sagrada Congregação de Ritos ordena que a cerimônia deve ser feita antes de serem colocados na torre e deve ser realizada pelo próprio Bispo ou algum sacerdote, em casos especiais. Logo, os sinos recebem um nome, no chamado Batismo das Campanas. Quase a totalidade das campanas apresentam inscriçoes com o nome de Cristo, Virgem ou santo a qual está dedicada, ficando  desta forma fixada sua denominação oficial. A campana “Maria” sempre foi considerada a maior do campanário…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre os santos, o nome que mais aparece é o de Santa Bárbara, por sua relação com os raios e tormentas. Frequentemente, recebem o nome do santo padroeiro da localidade, da confraria responsável por sua fundição ou do santo titular do templo. Além da inscriçao com seu “nome” oficial, aparecem muitas outras, como a sigla IHS, relacionada a Jesus, Maria e José, que também podemos ver na foto acima. Os eclesiásticos são os responsáveis pelo texto que devem aparecer nos sinos. Às vezes, aparecem frases piadosas e o nome do donante da campana. Habitualmente aparece também uma cruz latina. Algumas campanas possuem até mesmo frases de exorcismo, como esta: “Eis aqui a cruz do Senhor, fugir seres malignos!”. Em outras, aparecem textos relativos aos salmos e o evangelho.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja como instituição quase nunca era a responsável pelo pagamento da produção e instalaçao dos sinos. Normalmente a encarregada era a prefeitura, que possuía o direito de uso, ou por particulares e confrarias, que doavam o sino à igreja. Uma vez consagrados, passavam a ser propriedades da igreja, por serem considerados objetos sagrados dedicados ao culto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm relação à fabricação das campanas, a maioria dos chamados mestres fundidores trabalhavam de forma itinerante. Normalmente se construía um forno para a fundição do sino aos pés da torre. Antigamente, os mestres fundidores guardavam o segredo de sua própria fórmula, pois se acreditava que a sonoridade das campanas dependia da combinaçao de materiais utilizados. Em muitas ocasiões, se colocava níquel, prata e até mesmo ouro no momento da fundição do bronze, para que o som das campanas se tornasse mais claro. A partir do século XVI, se generalizou o costume de colocar-se o nome do fabricante na peça elaborada. Em muitos casos, aparece a expressão latina “Me fecit” seguido do nome do mestre e o ano de sua fundição.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA partir do século XV, o formato das campanas ficou estabelecido. Desde então e até hoje, existem dois tipos principais: A denominada Campana Romana possui um perfil retilíneo e se destaca por seu grande tamanho, como vemos abaixo numa peça do Museu das Campanas de Urueña.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJá a Campana Esquilonada possui um perfil mais estilizado e sinuoso, constituindo a forma mais utilizada no mundo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo vemos ambas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAté época recente tornou-se uma prática habitual refundir as peças quebradas, de forma que as peças históricas desapareceram, conservando-se poucos exemplares do século XV. Algumas destas fotos acima correspondem a raros exemplares desta época.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitas sao as lendas que correm pelos pueblos de Espanha em que as campanas possuem vida própria. O mais comum é que a campana fosse tocada desde o alto da torre, mas também é habitual que sejam colocadas cordas para que sejam tocadas desde abaixo. O número de sinos de um templo foi regulamentado em função de sua importância. As catedrais devem possui ao menos 5 campanas. As paróquias, de 2 a 3 sinos, e os pequenos oratórios, apenas 1.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAExistem muitos toques diferentes, segundo o objetivo. O principal é aquele que anuncia os ofícios religiosos, convocando os fiéis à missa. Mas existem toques para as festividades, solenidades, de defuntos, etc. Em muitos povoados, o falecimento de uma pessoa era anunciado com 3 toques para o homem e 2 para as mulheres. No caso de crianças, as badaladas eram diferentes. Também estipulavam a jornada de trabalho dos camponeses…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizo esta matéria sobre os sinos e o museu a eles dedicado em Urueña com um dito popular castelhano, um dos muitos recitados pela funcionária do museu, Aurora, nas quais destaca a importância das campanas na vida das pessoas desde séculos…

“Campana de mi lugar, tu sí que me quieres deveras, reíste cúando nascí, y llorarás cúando muera.” (original em espanhol)

Muchas gracias por todo, Aurora

 

 

Museu das Campanas (Sinos) – Urueña

A outra grande atração cultural do povoado de Urueña é o museu dedicado às campanas ou sinos, que despertou em mim um grande interesse sobre o universo destes instrumentos sonoros, de grande transcendência não só para a história das religiões e das grandes civilizações do mundo, como também nas lembranças de qualquer pessoa. Quem não se recorda das badaladas dos sinos em sua pequena cidade natal ou mesmo para aqueles que viveram nas grandes cidades? Este curioso e didático museu abriu suas portas em 1995, graças a um convênio entre a Fundação Joaquín Díaz e a Empresa Quintana S.A., que forneceu as peças pertencente à extraordinária coleção de Manuel Quintana, formada por sinos fabricados entre os séculos XV e XX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interesse por este objetos foi despertado através da paixão com que a funcionária do museu, chamada Aurora, transmitiu seus enormes conhecimentos sobre a história e os fatos interessantes relacionados aos sinos, com um entusiasmo contagiante. Dividirei com vocês um pouco deste conhecimento em duas matérias sobre o museu, onde abordarei temas associados à sua história e evolução, sempre mostrando peças que fazem parte do acervo desta instituição cultural e também de alguns exemplares de sinos de algumas igrejas da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO uso das campanas como instrumento sonoro está documentado desde a antiguidade, e já era utilizado no terceiro milênio aC pelos chineses e desde o segundo milênio pela Civilização Egípcia. Entre os romanos, as campanas eram utilizadas para convocar a população aos atos públicos, e também como instrumento lúdico. Os sinos adquirem grande importância na Civilização Cristã Ocidental ao ser incorporado nas torres das igrejas, com a função de chamar as pessoas a oração e ao culto religioso. Por este motivo, começou-se a equiparar seu som com a voz de Deus. Interpretado pela Igreja Católica como instrumento sonoro de comunicação e também como objeto sagrado, sua sonoridade constitui até os dias de hoje uma linguagem universal. Os sinos acompanham nossa vida desde tempos remotos, como vimos, e os principais fatos da vida, como nascimento, matrimônio e morte, foram celebrados por seu inconfundível toque.  Também os principais acontecimentos e festividades de cada cidade, além do perigo relacionados aos elementos naturais, como incêndios e tormentas, foram anunciados pelas campanas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASe acredita que foi a partir do século V dC quando as campanas começaram a ser instaladas nas igrejas. Tradicionalmente se atribui a San Paulino de Nola sua incorporação aos templos católicos. A cidade de Nola era a capital da região da Campania, situada no sul da Itália. San Paulino, bispo de Nola, tornou-se o padroeiro dos campaneros e as torres que passaram a alojar os sinos receberam o nome de Torre Campanário. No entanto, sua utilização receberá respaldo oficial da igreja somente no ano de 604, quando o Papa ordenou que as campanas fossem tocadas para avisar os fiéis do início dos cânticos canônicos realizados no interior das igrejas. Ao longo do século VIII se generalizou este costume e no século seguinte se produz a difusao total das campanas, sendo que cada paróquia deveria conter, ao menos, uma delas. Nos séculos XII e XIII, com a construçao das grandes catedrais e de suas imponentes torres, os sinos começaram a se destacar por suas grandes dimensões.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANetsa época, na Península Ibérica se travaram constantes enfrentamentos entre os muçulmanos e os cristãos, e as campanas passaram a ser consideradas como os objetos mais desejados para enaltecer uma vitória nos campos de batalha. Almanzor, um dos grandes generais árabes da história, ao chegar a Santiago de Compostela, se apoderou do grande sino da catedral compostelana e o levou consigo para ser instalado na Mesquita de Córdoba, neste período capital do Império de Al Andaluz. Posteriormente, com a reconquista de Córdoba pelos cristaos no século XIII, o monarca Fernando III o devolveu ao seu local de origem. Este costume de roubar as campanas das igrejas católicas e colocá-las nas mesquitas com o objetivo de transformá-la num objeto de iluminação foi muito comum na época, e mesmo hoje em dia muitos exemplares de sinos podem ser encontrados no interior de mesquitas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs campanas foram utilizadas também como forma de espantar os maus espíritos. O bronze, material empregado em sua fabricação, foi considerado em muitas culturas como um metal sagrado ao ser usado na elaboração de peças de culto. Por sua dureza e resistência constitui um símbolo de incorruptibilidade e imortalidade. No mundo católico, as campanas adquirem estas virtudes no momento em que são consagradas através o ritual da bendição, cuja finalidade era transformar um objeto profano em sagrado para o culto religioso. Num princípio, os sinos foram elaborados com ferro soldado, mas logo passou-se a utilizar o bronze, uma combinação de cobre e estanho. O denominado “Bronze Campana” está formado por uma mistura composta de 80% de cobre e 20% de estanho.

Museu de Belas Artes – Valencia

Valencia conta com um dos museus de arte mais importantes da Espanha, o Museu de Belas Artes, que segundo alguns estudiosos somente perde em quantidade e qualidade das obras expostas para o Museu do Prado de Madrid. Sua origem se remonta à Real Academia de Bellas Artes de San Carlos, cujos estatutos foram aprovados pelo rei Carlos III em 1769. O impulso definitivo para a criação do museu se deu através das medidas desamortizadoras realizadas no século XIX, sendo fundado em 1837. Desta forma, originalmente a coleçao artística esteve formada pelas obras pertencentes a conventos, igrejas e monastérios que foram suprimidos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInicialmente, o Museu de Belas Artes esteve situado no Convento Carmelita, abrindo suas portas ao público em 1839. Em 1936, com o início da Guerra Civil, o museu foi desmontado e seu espaço foi usado como armazém do tesouro artístico proveniente do Museu do Prado. Ao finalizar a guerra, o convento se encontrava num estado ruinoso, e sua coleção foi levada ao antigo Colégio Seminário de San Pio V, sua atual sede.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste magnífico edifício foi construído no final do século XVII para acolher um colégio de seminaristas. Depois passou a ser utilizado com outras funções, como Academia Militar, Casa de Beneficência e Hospital Militar. Desde 1946 acolhe o Museu de Belas Artes. No plano arquitetônico, destaca sua bôveda situada logo na entrada do museu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua riquíssima coleção engloba obras dos mais variados periodos históricos, estando representada por Velázquez, Goya, Murillo, pintores flamencos, etc. Valencia foi uma das primeiras cidades da Espanha em receber as influências da arte italiana, com notório reflexo em sua produção artística. Em relação à Pintura Gótica, o Museu de Belas Artes não possui nenhum rival em todo o país, com uma excepcional coleção de quadros que nos mostram a evolução deste estilo desde o século XIV até o XVI, em obras realizadas por pintores valencianos de grande qualidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs artes figurativas do gótico se preocuparam mais com a beleza formal que com o simbolismo característico do Românico, a corrente artística precedente. Os temas religiosos relacionados com a Virgem Maria e os Santos adquirem especial relevância. Sua primeira etapa se desenvolve entre 1175 e 1325, com alguns resquícios da arte românica. Também chamado de Gótico Lineal, a pintura se desenvolve como fruto das observações da realidade sensorial, na qual a expressão dos sentimentos é uma característica fundamental, bem como o caráter narrativo das cenas representadas. Na Espanha, a arte deste período recebeu as influências do gótico francês, com escassa representação em Valencia. A partir do século XIV, a influência italiana, principalmente das escolas de Florença e Siena, proporciona elementos inovadores, como o valor dedicado ao espaço arquitetônico e à luz. Entre 1400 e 1500, as formas italianas se difundem pela Europa, surgindo o denominado Gótico Internacional. Um exemplo é o Retábulo de San Martín com Santa Úrsula e Santo Antonio Abad, realizado por Gonçal Peris Sarrià (1380/1451). San Martín foi bispo da cidade de Tours (França), e aparece doando uma roupa a um mendigo, sua representação pictórica mais usual.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro santo bastante venerado no Reino de Aragón, San Miguel normalmente é representado vencendo o demônio, como vemos no retábulo abaixo, pintado por Jaume Mateu, cujo trabalho foi documentado em Valencia entre 1421 e 1452.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA mediados do século XV se produz uma profunda renovação da pintura espanhola com a introdução das técnicas e forma da Arte Flamenca. O emprego da pintura à óleo é difundido, conduzindo a uma maior riqueza cromática e grande variedade em suas tonalidades. Um exemplo é o Retábulo de San Jaime e San Boil, realizado pelo artista Jaume Baço Jacomart (1411/1461). O apóstolo aparece como uma figura idealizada, característica típica da arte flamenca do período, com um livro do evangelho e uma concha de peregrino.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe Jaume Jacomart vemos também o tema da Anunciação, com a Virgem Maria e o Arcanjo Gabriel. A monumentalidade e solenidade das figuras manifestam um conhecimento dos modelos procedentes dos Países Baixos. A Virgem aparece com os braços cruzados no peito, em sinal de aceitação ao receber o Espírito Santo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, veremos algumas das obras do Museu de Belas Artes que pertencem ao período Renascentista.

Cervantes em Ciudad Real

Ciudad Real localiza-se em plena Comunidade de Castilla La Mancha, região onde se desenvolve a novela mais famosa  da Literatura Espanhola, “El Ingenioso Hidalgo Don Quijote de La Mancha“, escrita por Miguel de Cervantes em duas partes, a primeira em 1605 e a segunda dez anos depois, em 1615. Na cidade, são abundantes os monumentos e estátuas relacionados ao escritor e sua universal obra. Bem no centro de Ciudad Real foi colocado o Monumento a Cervantes, esculpido em 1927 por Felipe Garcia Coronado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs famosos personagens da novela também foram homenageados com monumentos, como esta estátua de D.Quijote (Dom Quixote, em português), realizada em 1967 por Joaquín Garcia Donaire.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA mulher amada de Don Quijote na novela, Dulcinea de Toboso, podemos ver numa escultura colocada na parte traseira do Ayuntamiento de Ciudad Real em 2015, realizada por López-Arza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 2015 foram celebradas inúmeras exposições pelo país para comemorar o quarto centenário da publicação da segunda parte da novela. Ainda hoje, muitas continuam sendo realizadas, com o intuito de mostra quem foi realmente Miguel de Cervantes, o impacto de sua obra na época em que foi escrita e a importância que teve ao longo dos séculos. Um lugar perfeito para descobrir a “Alma de Cervantes” se encontra em Ciudad Real, o Museo del Quijote e a Biblioteca Cervantina.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs exposições realizadas no museu nos permitem conhecer Miguel de Cervantes através dos lugares e caminhos que transitou durante seus passeios por La Mancha, que afinal são os mesmos onde se desenrolam os episódios da novela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFotografias, desenhos, esculturas e modernas montagens multimídia nos ajudam a compreender a vida e a obra deste admirável escritor, bem como os capítulos principais da novela e fatos relacionados com sua vida. Cervantes lutou na famosa Batalha Naval de Lepanto, travada contra os turcos em 1571, e perdeu uma mão, ficando conhecido também pelo apelido de “El Manco de Lepanto“. Abaixo, vemos uma cópia do relevo de pedra que constitui uma das cenas do Monumento a Cervantes, que vimos na primeira foto, em que foi retratada a batalha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo mesmo monumento é a cena, também esculpida em pedra, em que Don Quijote é colocado numa jaula…

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu fiel escudeiro, Sancho Panza, aparece num mural de azulejos com sua esposa…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo museu foi ambientado uma imprensa de Madrid do século XVII, com os equipamentos destinados à publicação da obra.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Biblioteca Cervantina está composta por um acervo de mais de 3500 livros relacionados ao autor. Também podemos admirar o funcionamento de um moinho de vento, um dos episódios mais conhecidos da novela…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm frente ao museu aparecem os dois personagens principais, Don Quijote e Sancho Panza, montados no cavalo Rocinante e no burrinho Rucio, respectivamente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA visita ao Museo del Quijote é muito instrutiva e recomendável, e passei interessantes momentos em seu interior, contribuindo para o conhecimento deste escritor que transcendeu a literatura de seu país, tornando-se universal, e de sua imortal novela…

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Empúries – Província de Girona

Para os interessados no passado remoto da Península Ibérica, um dos passeios obrigatórios que se pode realizar pela Comarca de Alt Empordà (Província de Girona, Comunidade da Catalunha) é a visita ao recinto arqueológico de Empúries.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO local é considerado um dos parques arqueológicos de maior importância em toda a península, pois é o único que conserva restos de uma colônia grega (Emporion, fundada no século VI aC) e de uma cidade romana (Emporiae, fundada no século I aC), dentro de um espaço de grande beleza natural. Abaixo, vemos a entrada ao recinto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAnualmente, milhares de pessoas visitam seus restos e o Museu de Arqueologia de Catalunha-Empúries, situado dentro de seus limites, contendo as peças mais significativas encontradas nas escavações realizadas. Seu descobrimento está relacionado ao movimento cultural ocorrido no século XIX, sendo que um de seus principais objetivos era recuperar as origens da cultura catalã . Em 1908, a Junta de Museus de Barcelona iniciou as escavações oficiais de Empúries, sob a direção do famoso arquiteto Josep Puig i Cadafalch.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO local já havia sido habitada por comunidades indígenas, os Iberos, desde a fase final da Idade de Bronze (século IX ao VIII aC). A partir do século VII aC, estes povos mantiveram contatos comerciais com outras culturas mediterrâneas, como os gregos, fenícios e etruscos. Várias necrópoles encontradas (locais de enterramento) colaboraram para a compreensão desta etapa primitiva do assentamento. Dentro do museu, se exibem várias peças deste período, como uma ânfora ibérica usada para o transporte de matérias primas (séculos VI a I aC).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAObjetos de cerâmica relacionados ao ritual do vinho…

OLYMPUS DIGITAL CAMERARecipientes para perfumes realizados em pasta de vidro ( séculos V a IV aC).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEmpúries foi a porta de entrada das culturas clássicas na Península Ibérica. Por seu porto natural chegaram no século VI aC os gregos, e mais tarde o exército romano comandado por Cneo Cornelio Escipión, durante o desenlace da Segunda Guerra Púnica, fato que marcou o início da romanização do território (218 aC). É considerada a única cidade grega documentada arqueológicamente na península. Seu nome grego, Emporium, significa mercado, e desta denominação derivou o atual nome da comarca, Empordà. O centro da cidade grega chamava-se Ágora, local onde se desenvolviam as atividades políticas, sociais e comerciais, edificada no século II aC. Abaixo, vemos algumas das cisternas existentes em sua parte comercial, que abasteciam as famílias que não possuíam água em suas casas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte alta da cidade grega localiza-se a zona de templos religiosos, como o dedicado a Ísis e Serápis, divindades importadas da cultura oriental. A seguir, vemos o templo de Asclépio, deus da medicina.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMagnífica é a estátua grega do século II aC encontrada em 1909, que se exibe no museu, desta divindade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cidade grega ainda esconde grande parte de seus tesouros, pois apenas uma pequena parte do conjunto foi escavada. Estava protegida por um conjunto de muralhas, como vemos a seguir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAmbas cidades, a grega e a romana, encontram-se completas, pois a diferença de outras cidades antigas, em Empúries não existiram construções superpostas, possibilitando a compreensão da estrutura urbana das duas culturas. Por este motivo, é também denominada a Pompeia Catalã . No próximo post, veremos a antiga cidade romana´…

 

Museus de Badajoz

Badajoz possui uma interessante oferta cultural que pode ser admirada nos diversos museus da cidade. No plano artístico, de visita obrigatória é o Museu Provincial de Belas Artes. Inaugurado em 1920, ocupa três edifícios, sendo que o mais antigo pertence a um palácio do século XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste museu é considerado uma das mais importantes pinacotecas de toda a Comunidade de Extremadura. Seu acervo conta com mais de 2 mil obras, com destaque para os artistas que nasceram na comunidade, como Francisco de Zurbarán (1598/1664) e Luis de Morales (1509/1586). Devido à sua importância, os fundos artísticos do Museu de Belas Artes foram declarados Monumento Histórico-Artístico em 1962.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAcima, vemos um quadro em que Zurbarán retrata a Virgem das Nuvens, realizado entre 1636 e 1638. Logo depois de tirar a foto, me disseram que as mesmas estavam proibidas…De qualquer modo, valeu a pena contemplar a coleção do museu, que abrange um período que inicia no século XVI e se prolonga até o século XX. Abaixo, vemos imagens de outro dos edifícios que compõem o museu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro centro cultural de interesse é o Museu Ibero-americano de Arte Contemporânea.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO museu organiza exposições temporárias de diversos artistas da comunidade, portugueses e latino-americanos. Sua história é curiosa, pois o edifício sede foi construído nos anos 50 do século passado como prisão da cidade, até que foi abandonada nos anos 70 e reabilitado posteriormente como museu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAÉ sempre louvável esta mudança de paradigma, isto é, quando um edifício se transforma num local de entretenimento e cultura, quando sua função inicial era bem distinta.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO lugar inclui um agradável jardim, perfeito para um descanso…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma foto do interior do museu e de sua cúpula circular…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos com uma imagem do edifício abandonado, antes de se converter em museu…que diferença !!!

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Museu Arqueológico de Badajoz

Depois da reconquista de Badajoz em 1230, o recinto da Alcazaba passou a ser conhecido como “El Castillo“. Nele se estabeleceram as Ordens Militares de Santiago e Calatrava, passando a ser o local de residência das famílias mais importantes da cidade, mantendo seu papel como centro de poder. No séc. XIV, os assaltos sofridos motivados pelas guerras com Portugal fizeram com que estas famílias construíssem verdadeiros palácios -fortalezas, caso do denominado Palácio dos Duques de Feria, construído no século XV pelo regidor (cargo semelhante ao de um prefeito) da cidade, Lorenzo Suárez de Figueroa. De planta quadrada, está franqueado por 4 torres, apresentando linhas renascentistas com toques mudéjares.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVII, o palácio transformou-se em um local para o armazenamento de artilharia e, no seguinte, como quartel de infantaria. Uma de suas partes de maior interesse é o claustro interior, de estilo mudéjar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, este palácio de origem nobre foi convertido na sede do Museu Arqueológico de Badajoz. Conhecer a  coleção de suas peças nos permite realizar uma verdadeira trajetória pelo passado da cidade e da Província de Badajoz, pois possui abundantes achados arqueológicos pertencentes às mais diversas etapas históricas. Da pré-história destacam os restos de cerâmica encontrados, além de adornos pessoais e utensílios.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA partir dos séculos IX a VIII aC, na época final da chamada Idade de Bronze, os povos autóctonos começaram a realizar estelas com a representação de guerreiros. As razões para tanto ainda não foram devidamente explicadas, mas foram interpretadas como sinalizadoras de tumbas ou para delimitar o território. Na região de Badajoz se encontraram uma  grande quantidade delas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO período romano está muito bem representado no museu, com algumas peças realmente interessantes, como esta estátua do lar, uma divindade de culto doméstico, do século I dC e procedente de Mérida.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo mesmo período vemos uma estátua representativa do Imperador Tibério

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm se tratando da época romana, não poderia faltar os mosaicos, como o que vemos a seguir, cujas cenas narram o Mito de Orfeu (séc. IV dC). Uma pena que se encontra incompleto…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das salas de maior riqueza arqueológica pertence à época visigoda, tanto pela quantidade de peças, como pela raridade de algumas delas e seu excelente grau de conservação. Abaixo, vemos um tesouro encontrado na Sierra de la Martela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADeterminadas peças possibilitam uma melhor compreensão da arquitetura visigoda, que evoluiu através da tradição clássica, mas que se transformou notavelmente graças ao cristianismo e a reorganização política e social da época. A maior parte dos restos encontrados pertencem a locais de culto, como este fragmento de pedra, provavelmente procedente de uma igreja (séculos VI/VII dC). A tradução da inscrição que se vê esculpida na pedra seria: “Por aqui se entra ao altar sagrado de São Cristóvão. Paz perpétua para aqueles que entram e saem”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAVerdadeiramente impressionante é o conjunto de pilastras visigodas, decoradas com um grande simbolismo religioso. A cruz, por exemplo, passou a ser representada como símbolo cristão somente no século V, pois no mundo antigo estava relacionada como um signo de infâmia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs espigas de trigo e as uvas se relacionam à Eucaristia. Indicam fertilidade, prosperidade e abundância, e também representam a igreja e seus fiéis.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma foto da sala em que se exibem as pilastras visigodas

OLYMPUS DIGITAL CAMERADa época árabe destaca a lauda sepulcral de Sapur, o primeiro rei da Taifa de Badajoz, falecido no ano de 1022.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalmente, do período medieval cristão, vemos o escudo de Juana I, apelidada La Loca, e de seu marido, o rei Felipe I, chamado El Hermoso. Realizado em 1506, de procedência desconhecida.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos a matéria com um Escudo de Badajoz do século XVII. Nele observamos a Coluna de Hércules com o lema Plus Ultra (além da), um símbolo heráldico do monarca Carlos I, que foi incorporado ao escudo da cidade no início do século XVI. O leão simboliza o reino que reconquistou a cidade (Castilla y León) e seu uso como figura simbólica se deve a que Badajoz, depois da reconquista, se tornou uma vila de realengo, dependendo diretamente do rei.

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