Cidade Universitária – Madrid

A Cidade Universitária de Madrid localiza-se na parte noroeste da cidade, no Distrito de Moncloa. Por este motivo, é também conhecido como Campus de Moncloa, e alberga a maior parte dos edifícios das Faculdades da Universidade Complutense e da Universidade Politécnica de Madrid, além de cerca de 30 colégios maiores. Ultimamente, estive várias vezes no campus fotografando suas principais faculdades, e decidi realizar uma matéria sobre a Cidade Universitária, por sua grande importância histórica, educacional e arquitetônica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInicialmente, a instituição de Ensino Superior de Madrid denominava-se Universidade Central e estava situada na Calle de San Bernardo, ocupando o antigo edifício do Noviciado de Jesuítas, fundado em 1602 e cuja finalidade principal era fornecer uma formação espiritual aos aspirantes a entrar na Companhia de Jesus. Abaixo, vemos o edifício…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJá a Universidade Complutense, uma das instituições educacionais mais relevantes da história da Espanha, foi fundada pelo Cardeal Cisneros em 1499, na cidade de Alcalá de Henares, terra natal de Cervantes, declarada Patrimônio da Humanidade e localizada a cerca de 20 km de Madrid (ver matérias publicadas entre 23/8 e 27/8/2016). Por incrível que pareça, mesmo sendo capital do país, Madrid nao teve universidade própria, até que em 1822, durante o período conhecido como Triênio Liberal, se decidiu trazer a Universidade Complutense a Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPor não existir locais adequados para a instalação da universidade, vários edifícios foram utilizados para suas funções educativas, até que em 1842 foi trazida para o edifício de Noviciado. Foi então que o edifício foi reconstruído pelo arquiteto Narciso Pascual y Colomer e adaptado para sediar a universidade. As classes universitárias iniciaram suas atividades durante o curso de 1844/1845, com a abertura das Faculdades de Direito e Filosofia e Letras. A Universidade Central continuou desempenhando seus serviços até o momento em que foi levado à Cidade Universitária.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar de ter sido construída e reconstruída no século XX (no próximo post falaremos um pouco de sua conturbada história), na Cidade Universitária podemos contemplar monumentos históricos, como a Portada que pertenceu ao Hospital de La Latina,que atualmente se encontra em frente à fachada da Faculdade de Arquitetura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste hospital também foi fundado no ano de 1499, por Beatriz Galindo e seu marido Francisco Ramírez. Ambos pertenceram ao círculo familiar dos Reis Católicos, Beatriz como responsável da educação dos filhos de Isabel La Católica e o marido como um tenente do exército de Fernando El Católico. Por seu domínio total do latim, Beatriz Galindo ficou conhecida como “La Latina” e realizou diversas obras assistenciais em Madrid naquela época. Este apelido passou a denominar o bairro onde foram criadas as principais instituições por ela fundada. O centro assistencial denominava-se Hospital de la Concepción de Nuestra Señora, mas sempre foi conhecido como Hospital de La Latina.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA portada foi edificada no estilo gótico-mudéjar pelo mestre Hazan, e consta de um arco gótico com três esculturas em sua parte superior e o escudo dos fundadores. O hospital esteve em funcionamento até 1899, e foi demolido em 1904 por reformas urbanas na Calle de Toledo, onde se localizava. Abaixo, vemos uma foto antiga do hospital e da portada em sua localização original.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA portada se encontra na Cidade Universitária desde os anos 60 e a estrutura de tijolo que a sustenta foi projetada pelo arquiteto Fernando Chueca Goitia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos aspectos mais importantes do projeto construtivo da Cidade Universitária foi que os edifícios deveriam situar-se dentro de um entorno natural com amplos espaços abertos dotados de vegetaçao. Esta idéia de um campus-parque se inspirou nos modelos das universidades americanas, adaptados às características espanholas. Abaixo, vemos o Real Jardim Botânico de Alfonso XIII, monarca que viabilizou o projeto da Cidade Universitária, formando parte do projeto original realizado em 1927 por encargo do rei.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPor uma série de razões históricas, que abordaremos na próxima matéria, o jardim botânico somente foi inaugurado em 2001 como um espaço propício para a investigação e divulgação de mais de 800 espécies botânicas. Atualmente também se realizam concertos nos limites do jardim.

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O Interior do Congresso Nacional

Poder visitar as instituições políticas mais representativas do povo (Congresso e Senado) é um direito do cidadão, e este exercício cívico foi plenamente alcançado pela Prefeitura de Madrid no final do ano passado, quando se realizou o evento de Jornadas de Portas Abertas, e muitos edifícios públicos foram abertos à visitação popular. Em novembro de 2015 realizei duas matérias sobre o Senado (8/11/2015) e o Congresso (10/11/2015), contando um pouco da história de ambas, mas enfocando somente a parte exterior dos edifícios.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATive a oportunidade de visitar o interior de ambas instituições, e a partir de hoje vocês poderão conhecer um pouco mais sobre estes emblemáticos edifícios. Iniciamos pelo Congresso Nacional, situado na Plaza de las Cortes de Madrid. Ao lado do edifício, vemos um monumento dedicado a Miguel de Cervantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO edifício do Congresso Nacional é um dos referentes da arquitetura neoclássica de Espanha, e foi concebido pelo arquiteto Narciso Pascual y Colomer entre 1843 e 1850. Sua bela fachada está composta por 6 colunas clássicas, um frotón triangular decorado com cenas relativas à justiça e dois leões de bronze, realizados por Ponciano Ponzano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo entrar no edifício, somos recepcionados no Vestíbulo, também conhecido como Sala de Isabel II, dedicada a rainha em cujo reinado se efetuou a construção do edifício. Preside o espaço uma escultura da monarca, feita de mármore de Carrara por José Piquer y Duart.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA sala possui um formato elíptico, e nas paredes foram colocados retratos de políticos destacados dos séculos XIX e XX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm seguida, passamos ao Salão de Conferências, uma das partes mais importantes do Congresso Nacional. Usado como local de recepção de chefes de estado em visita oficial ao país, nele se realiza também atos solenes como a comemoração anual da Constituição de 1978, em vigor na Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste espaço impressiona por sua riqueza decorativa. A bôveda foi executada por Vicente Camarón, com uma grande quantidade de alegorias sobre a justiça, lei, religião, abundância e os quatro continentes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPodemos observar 20 retratos com os políticos mais célebres do século XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASobre eles, vemos 12 quadros que representam alegorias relacionadas aos Reinos de Espanha, suas províncias e os principais rios do país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA sala é utilizada como local de encontro dos deputados, jornalistas e membros do governo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA visita continua nas salas utilizadas como escritórios, onde se desenvolvem os trabalhos dos deputados durante os dias de sessão plenária.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO denominado Escritório del Reloj foi assim chamado pelo maravilhoso relógio astronômico de 1857, um dos melhores do mundo no seu gênero.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo Escritório da Constituição vemos a Carta Magna de 1978 e um quadro do Rei Juan Carlos I e sua esposa a Rainha Sofia, pais de Felipe VI, atual Monarca da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, continuaremos com a visita pelo Congresso Nacional

Congresso dos Deputados – Madrid

O edifício do Congresso dos Deputados é considerado uma das construções neoclássicas mais relevantes da capital. Situa-se na Carrera de San Jerónimo, no trecho conhecido como Plaza de las Cortes. Este local já fez parte de uma matéria publicada nos dias 24 e 25/01/2014, mas hoje vamos conhecer mais a fundo a história deste belo monumento madrilenho.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConhecido também como o Palácio das Cortes Espanholas, o edifício foi construído no local onde antes se alçava o Convento do Espírito Santo. Em 1823, este convento sofreu um grande incêndio, que quase o destruiu completamente. No dia seguinte a morte do rei Fernando VII em 1833, a rainha Maria Cristina convocou as Cortes Gerais, e como não havia um local adequado aproveitou o espaço conventual, até que finalmente em 1841  devido ao estado lamentável em que se encontrava, decidiu-se pela construção de um novo edifício, que fosse digno dos representantes da nação.

DSC09407Porém, foi a rainha Isabel II quem colocou a primeira pedra do edifício, no dia em que celebrava seu aniversário (10/10/1843), sendo este seu primeiro ato oficial depois que adquiriu a maioridade. Dificuldades financeiras, no entanto, atrasaram a obra, que somente foi concluída em 1850. Neste período, as sessões da corte eram realizadas no salão de baile do Teatro Real. O edifício foi projetado pelo arquiteto Narciso Pascual y Colomer. Em sua fachada principal, o destaque fica por conta do pórtico central, erguido a modo de templo greco-romano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACompõem-se de 6 colunas, rematadas por capitéis de Ordem Coríntios.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte superior, vemos relevos que representam a Espanha Constitucional, obra do escultor Ponciano Ponzano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro do pórtico vemos uma bela porta, que somente se abre quando o rei procede a abertura das sessões do Congresso.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado, aparecem dois leões, símbolo do poder real. Estas esculturas são uma das mais conhecidas de Madrid, e  as que possuem mais história. Foram encarregadas também a Ponciano Ponzano em 1851, que teve que realizar ambas em gesso pintado para aparentar bronze, devido a falta de orçamento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm ano depois de finalizadas tiveram que ser retiradas, devido ao seu deterioro. Uma segunda obra foi encarregada ao escultor José Belverr, que foram muito criticadas pois pareciam mais a cachorros bravos que felinos. Finalmente, em 1860 foram capturados os canhões inimigos no continente africano, e Ponciano Ponzano pôde esculpir em bronze as belas esculturas que hoje contemplamos. Foram batizadas de Daoíz e Velarde, ambos heróis da Guerra da Independência Espanhola, mas na realidade representam a Hipomenes e Atalanta, personagens da mitologia grega que foram transformados em leões.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA parte traseira do Congresso dos Deputados se assemelha a um palácio italiano renascentista. A sobriedade decorativa e os critérios de simetria e proporção próprias da arquitetura clássica caracterizam ainda mais esta parte da construção. Segundo os princípios deste estilo arquitetônico, o edifício deve apresentar-se belo por si só, sem nenhum tipo de elemento ornamental.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1990, o Congresso dos Deputados foi ampliado, ganhando novos espaços e dependências anexas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADenominado de Câmara Baixa, o Congresso dos Deputados está composto por 350 membros escolhidos por voto direto, sendo que cada província tem o direito a 2 representantes no mínimo, exceção feitas às província insulares (Ilhas Canárias e Baleares). Uma outra parte dos congressistas nomeados estão relacionados ao percentual populacional de cada uma das províncias.

Palácios de Madrid

Nos cerca de 450 anos como capital da Espanha, Madrid acolheu uma enorme quantidade de nobres, religiosos e funcionários reais que nela se estabeleceram, dada a importância política, administrativa e econômica que adquiriu ao longo dos séculos. Por este motivo, Madrid conta com um grande número de palácios, das mais diferentes épocas e estilos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA grande maioria destes palácios pertenceram à classe aristocrática, evidentemente. Um exemplo é o Palácio do Marquês de Campo Real, situado no centro da cidade, como a maior parte dos Palácios Histórcos de Madrid.

DSC08473Abaixo, vemos um detalhe da porta deste palácio.

DSC08472Hoje, iniciamos uma série sobre alguns dos palácios mais importantes da cidade. Muitos já foram vistos no blog, mas a quantidade deles é tamanha, que decidi realizar uma matéria específica sobre os mesmos. O do Marquês de O Gavan, por exemplo, está situado próximo ao Paseo del Prado, e foi construído na metade do séc. XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe origem cubana, Bernardo Echevarría y O Gaván recebeu o título de marquês concedido pela rainha Isabel II em 1851 e no ano seguinte encarregou ao arquiteto Simeón de Ávalos a construçao de seu palácio residencial. Em 1909 foi reformado e dividido em 3 blocos para o aluguel de residências, funçao que cumpre até os dias de hoje.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe enormes dimensoes, o Palácio de Fontagud foi edifcado para ser a residência do banqueiro, empresário e político José de Fontagud y Gargollo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERALocalizado na Calle Barquillo, uma zona com belos edifícios e bem próximo à Gran Vía, o palácio foi construído a partir de 1861 por Narciso Pascual y Colomer, um arquiteto de grande importância na história de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, o antigo palácio foi transformado na sede de um órgao público, como ocorreu com muitos outros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitos dos palácios existentes pertenceram à igreja. Um dos mais famosos é o Palácio da Inquisiçao, por ter sido a sede do Tribunal Eclesiástico do Santo Ofício a partir da década de 1780.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma placa explicativa colocada na fachada comprova seu antigo proprietário.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Tribunal da Inquisiçao teve suas origens na Idade Média, criado para combater a heresía dos cátaros no sul da França. Na Espanha, foi introduzido pelos Reis Católicos em 1478, graças a uma bula papal autorizando sua instituiçao no país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante o reinado de José Bonaparte (1808/1814), o Tribunal da Inquisiçao foi suspenso, mas retornou com o regresso do rei Fernando VII, depois da expulsao dos franceses. Foi somente em 1834, durante o reinado de Isabel II, que o tribunal é definitivamente abolido.

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Real Observatório de Madrid

No final do séc. XVIII, o continente europeu atravessava um período de profundas transformaçoes sociais e culturais, fruto da Revoluçao Francesa, da independência dos EUA, etc. Este século ficou conhecido como o da Ilustraçao, corrente cultural filosófica que pregava o predomínio da razao sobre os preceitos e superstiçoes religiosas. Em Espanha, reinava o monarca Carlos III, conhecido pelo apelido de “El Rei Alcalde”, graças as obras realizadas durante seu governo, que modificaram o aspecto da capital. Madrid, como sede da corte, foi alvo de inúmeras mudanças que afetaram até hoje sua paisagem urbana. Na zona do atual Paseo do Prado, muitos foram os edifícios construídos, com o objetivo principal de desenvolver o estudo das ciências, entre os quais mencionamos o Gabinete de História Natural, hoje Museu do Prado, e o Real Jardim Botânico. Em suas proximidades, vemos uma esbelta cúpula, pertencente ao Real Observatório de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA construçao desta instituiçao de caráter científico se inseriu dentro deste contexto ilustrado. Sua origem está relacionada com a proposta feito pelo cosmógrafo Jorge Juan ao rei Carlos III em 1785, para que fosse construído um observatório para o estudo da astronomia, da geodésia, geofísica e cartografia. Sua construçao foi encarregada ao arquiteto mais famoso da época, Juan de Villanueva, autor entre outras obras, do edifício sede do Museu do Prado e da reconstrçao da Praça Maior de Madrid. O local escolhido para sua implantaçao situa-se ao lado do Parque do Retiro, precisamente chamado Cerillo de San Blás, cujo nome se deve a uma ermita dedicada ao santo, hoje desaparecida.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA O edifício principal, que vemos acima, começou a ser levantado em 1790, transformando-se num dos monumentos neoclássicos mais importantes de todo o país. Abaixo, vemos o pórtico, composto por 10 colunas de ordem coríntio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADevido a carência de uma tradiçao astronômica em Espanha, os primeiros astrônomos iniciaram sua aprendizagem profissional em outros países europeus. Infelizmente, com a invasao de Napoleao a partir de 1808, ocorreu uma dispersao dos profissionais do observatório, bem como a destruiçao de parte de seus equipamentos, como o famoso Telescópio de Herschel, considerado um dos mais modernos e importantes da época (no próximo post, conheceremos um pouco mais deste instrumento).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs atividades científicas no observatório foram retomadas em 1845, e a construçao do complexo se finaliza com o arquiteto Narciso Pascual y Colomer. Em 1865, passou a chamar-se Observatório Astronômico e Metereológico, ocupando-se das previsoes climáticas até 1904, ano em que é integrado ao Instituto Geográfico Nacional. Nas últimas décadas, o Real Observatório de Madrid dedicou um grande esforço para a conservaçao de seu valioso patrimônio arquitetônico e de seus instrumentos históricos. Abaixo, vemos a cúpula desde o interior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo salao principal do observatório foi instalado em 1990 um Pêndulo de Foucalt, um instrumento utilizado para observar o movimento de rotaçao da terra, em comemoraçao ao bicentenário do instituto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPara conhecer o observatório, é necessário reservar lugar numa das visitas guiadas que periodicamente sao realizadas em torno ao complexo onde está situado. Nela, podemos admirar lugares emblemáticos, como sua biblioteca, cuja enorme coleçao de livros está formada por exemplares tao antigos como do séc. XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, vemos outro dos edifícios que compoem o observatório, e a  fachada que serve de entrada ao mesmo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, conheceremos alguns dos instrumentos históricos do observatório, com destaque para a incrível reconstruçao do Telescópio de Herschel, além de algumas histórias vinculadas a esta instiuiçao científica de importância fundamental na vida cultural do país.

Fontes Históricas de Madrid – Parte 2

Algumas das Fontes Históricas mais antigas que se conservam em Madrid situam-se no Jardim do Campo de Mouro, localizado na parte detrás do Palácio Real. A Fonte dos Tritones (Tritoes, em português), por exemplo, foi realizada em 1656, sendo considerada a mais antiga de todas existentes na cidade. Inicialmente, foi colocada no Palácio Real de Aranjuez e em 1846 foi trazida para sua localizaçao atual.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInspirada na fonte realizada por Bernini para a Praça Navona de Roma, é toda feita de mármore, exceto o pilao, de granito. O Tritao é uma divindade marinha que aparece por primeira vez mencionado na Teogonia de Hesíodo e, junto com as Nereidas, faziam parte do cortejo das divindades principais dos mares, Poseidon e Anfitrite, seus pais. Representados com cabeça e tronco humanos e cauda de peixe, os Tritoes acalmam as águas do mar para que a carruagem de Poseidon possa deslizar com segurança pelos mares. A fonte está situada numa área inacessível para o público, num local privado do Palácio Real, dificultando o trabalho fotográfico e sua melhor apreciaçao. No meio do parque, encontramos a Fonte das Conchas, esculpida no séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATal como sucedeu com a Fonte dos Tritones, originalmente estava situada em outro local, concretamente no Palácio da Vista Alegre, até que em 1848, o arquiteto Narciso Pascual y Colomer trouxe a fonte para o Campo do Mouro, para integrar o projeto de revitalizaçao do parque promovida por ele.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta belíssima fonte foi realizada por Francisco Gutiérrez, que nela trabalhou até sua morte, sendo finalizada pelo artista Manuel Álvarez. O projeto artístico foi realizado por Ventura Rodríguez. No centro da fonte, observamos três Tritoes com as conchas em suas maos, que explicam a denominaçao da fonte. Segundo a Mitologia Grega, estas divindades apaziguavam as águas com seus cantos através das conchas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsculpida em mármore, distinçao explicada por sua origem palaciega é, certamente, uma das fontes mais elegantes de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas fontes sao conhecidas, nao por sua qualidade artística ou monumental, mas pelo poder curativo de suas águas, estando associada a algum personagem relevante da história de Madrid. Este é o caso da Fonte de San Isidro Labrador, padroeiro da cidade. Encontra-se situada junto à Ermita dedicada ao santo, e cuja existência se deve à própria fonte.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASegundo a tradiçao, Isidro, um humilde personagem da recém conquistada Madrid do séc. XII, estava trabalhando nas terras de Iván de Vargas, seu senhor, de linhagem nobre. Este solicitou a Isidro para que encontrasse alguma forma de matar a sede de todos aqueles que se encontravam no local. Confiando em Deus, Isidro golpeou uma pedra, e no mesmo instante começou a jorrar água. Como prova deste acontecimento, a fonte permanece, desde entao com fama de milagrosa, sendo frequente as curas documentadas graças a ela. Na própria fonte, vemos os nomes daqueles (as) beneficiados (as) pelo seu poder.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA fonte atual data provavelmente de 1725, quando a Ermita de San Isidro foi reformada. Depois de ter curado os monarcas Carlos I e Felipe II, os madrilenhos começaram a acudir em massa ao local, especialmente durante as festividades em honra ao santo padroeiro, cujas procissoes finalizam na ermita. Goya retrata o ambiente festivo da cidade durante as comemoraçoes ao santo no quadro “A Ermita e a Pradeira de San Isidro em dias de festa”, atualmente no Museu do Prado. Abaixo, vemos uma foto de 1936, tirada durante as festividades, na qual vemos muitas pessoas bebendo a água milagrosa.

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Praça das Cortes – Madrid

Um dos centros políticos de Madrid, a Praça das Cortes situa-se em frente ao conhecido Paseo do Prado, estando composta por edifícios emblemáticos, monumentos a personagens ilustres e um curioso relógio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA praça está dominada pelo Palácio das Cortes, o edifício que acolhe o Congresso de Deputados. Antigamente ocupado pelo Convento do Espírito Santo, que incendiou-se em 1823, converteu-se num dos edifícios mais representativos do neoclassicismo do séc. XIX na cidade. As obras foram iniciadas em 1843 durante o reinado de Isabel II, de acordo com o projeto do arquiteto Narciso Pascual y Colomer, sendo finalizado em 1850.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAModelo palacial de características renascentistas, o edifício está composto por um grande pórtico formado por 6 colunas de estilo coríntio, que sustentam uma estrutura triangular decorada com baixos relevos representando a Espanha Constitucional, acompanhada por imagens idealizadas da Fortaleza, Justiça, Valor, Ciências, Belas Artes, etc, obra do escultor Ponciano Ponzano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro, vemos uma bela porta feita de bronze, somente utilizada quando o rei realiza a abertura solene do Congresso. Habitualmente, se entra pela porta lateral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs leões que adornam a fachada representam um dos principais emblemas do conjunto, e foram fundidos em 1866. A matéria prima para sua execução foi obtida dos canhões capturados durante a Guerra de África de 1860. Os leões foram batizados de Daoz e Velarde, ambos heróis da resistência da cidade durante o 2 de Maio de 1808. (ver posts publicados em 7 e 8/5/2013). No entanto, originalmente os felinos representavam a Hipomenes e Atalanta, heróis da mitologia grega que foram transformados nestes animais. Um programa realizada por um canal de TV gerou uma polêmica, ao se constatar que um deles não tinha testículo, um grave erro, pois como dissemos, representava uma deusa…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA jovem democracia espanhola recebeu sua prova de fogo justamente neste palácio, quando em 23/2/1981 (data conhecida como 23-F), um grupo de militares e guardas civis, comandado pelo tenente coronel Antonio Tejero, realizou uma tentativa de Golpe de Estado, invadindo armados o Congresso. Nostálgicos do antigo regime ditatorial, o golpe fracassou graças à obstinada intervenção do Rei Juan Carlos, bem como o total desagrado da opinião pública. O resultado final consolidou o incipiente, mas já fortalecido, sistema democrático do país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado do Congresso, o Hotel Villa Real surpreende não só por sua boa relação preço-qualidade, mas também por possuir uma das mais belas coleções de mosaicos romanos da cidade, perfeitamente restaurados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASão  mais de 40 peças provenientes do Oriente Médio (principalmente Síria), datados entre os séc. II e VI dC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEspalhados pelas dependências e salões do hotel, a coleção pode ser visitada e oferece um amplo repertório temático (mosaicos geométricos, figurativos, vegetais).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado do hotel, uma bela estátua simboliza a celebração do aniversário de número 75 da Organização Nacional de Cegos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, conheceremos mais da Praça das Cortes….até lá!!!!