A Constituiçao de Cádiz

Um dos fatos históricos mais importantes sucedidos em Cádiz foi a promulgação da Constituição de 1812, um acontecimento fundamental na vida do país por ter sido a primeira carta magna elaborada na Espanha. Foi aprovada em plena Guerra da Independência (1808/1814), num período em que o país foi governado por José Bonaparte, irmão do imperador Napoleão.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Constituição de Cádiz foi a resposta do povo espanhol à invasão  comandada pelo imperador francês. Considerada uma das mais liberais de sua época, tornou-se conhecida como “La Pepa“, uma alusão a José Bonaparte, vulgo Pepe Botella. Apesar de sua transcendência, a constituição teve uma vida efêmera, pois foi abolida quando o monarca Fernando VII retorna de seu cativeiro na França no final da guerra, implantando o mais duro absolutismo no governo do país durante 6 anos (1814-1820). Atualmente, podemos visitar vários lugares associados a este grande momento histórico da cidade, como o Monumento à Constituição de 1812, erguido em 1912 para celebrar seu primeiro centenário.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta bela homenagem foi projetada pelo arquiteto Modesto López Otero (1885/1962) e o escultor Aniceto Marinas (1866/1953).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Constituição de Cádiz foi promulgada no Oratório de San Felipe Neri, um templo barroco de grande relevância no panorâmico artístico de Andaluzia, por ser um dos poucos existentes construídos numa planta elíptica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO local foi declarado Monumento Histórico-Artístico em 1907, tanto por sua singularidade arquitetônica, quanto por sua importância histórica, pois tornou-se a sede da corte durante a elaboração da constituição. No exterior, várias lápides comemorativas celebram este grande momento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABem próximo ao Oratório situa-se o Museu Iconográfico e Histórico das Cortes e do Sítio de Cádiz, também inaugurado em 1912 como comemoração de seu primeiro centenário. O edifício foi projetado pelo arquiteto Juan Cabrera Latorre, que concebeu uma fachada de inspiração neoclássica. Acolhe abundantes objetos dos séculos XVIII e XIX, principalmente aqueles relacionados com o assédio das tropas francesas ocorrido entre 1810 e 1812. Evidentemente, conta também a história da Constituição de 1812

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro aspecto pelo qual Cádiz é conhecida internacionalmente se deve ao famoso carnaval realizado anualmente. Uma de suas maiores atrações, o desfile de fantasias, pode ser admirado no Teatro Falla, o mais importante da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta bela construção neomudéjar foi iniciada em 1884, sendo finalizada somente em 1910, pelo mesmo arquiteto do Oratório de San Felipe Neri, Juan Cabrera de Latorre. Possui um formato de ferradura, e se assemelha muito às Praças de Touros edificadas no mesmo estilo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Teatro Falla foi construído no mesmo lugar onde anteriormente se erguia um teatro feito de madeira, incendiado em 1881. Os elementos da arquitetura islâmica destacam-se na fachada do edifício…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos nosso passeio por esta bela cidade com uma das joias de sua arquitetura contemporânea, o Hotel Parador Atlântico, que oferece estupendas vistas de Cádiz.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInaugurado em 1929, foi totalmente reformado há alguns anos atrás, segundo os critérios mais avançados da tecnologia construtiva. O projeto se deve ao arquiteto Luis Collarte, que enfatizou a amplitude dos espaços e o aproveitamento da luz.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA reforma do hotel levou em conta as modernas normas ambientais, com painéis solares, coletores de águas pluviais, utilização de energia renovável, etc. Tive a oportunidade, junto com minha esposa, de saborear um almoço em seu restaurante, e provar sua deliciosa gastronomia.

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Igrejas de Jaén – Parte 2

No post de hoje, conheceremos a Igreja de San Ildelfonso, a maior e mais importante da cidade, depois da catedral. Nela está sepultado o arquiteto Andrés de Vandelvira, falecido em 1575 e personagem artístico fundamental na história da província.Seu exterior parece uma fortaleza, devido a presença de poderosos contrafortes semicirculares.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA origem da igreja está vinculada ao milagre do descenso da Virgem Maria à cidade em 1430, e sua chegada numa ermita, situada no local onde foi levantada a igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO templo possui três fachadas de estilos diferentes: gótica, renascentista e neoclássica. Abaixo, vemos a portada lateral renascentista, realizada por Francisco Castillo El Mozo em 1550. O relevo representa a imposiçao da clausura a San Ildelfonso.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA A fachada neoclássica foi projetada pelo arquiteto Ventura Rodríguez no séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA torre foi erguida entre os séculos XVI e XVII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior, de três naves, apresenta características góticas, e guarda a imagem da Virgen de la Capilla (Virgem da Capela), padroeira da cidade de Jaén. Em 2010, a Igreja de San Ildelfonso foi declarada Basílica Menor pelo Papa Benedicto XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro local de importância religiosa é o Hospital de San Juan de Dios, construído no séc. XVI. O conjunto está formado, além do próprio hospital, por dois pátios e uma igreja, que sofreu um incêndio devastador em 1916 e reconstruída três anos depois.

DSC00097O local foi fundado sob a advocaçao de Santa Misericórdia, e posteriormente passou a ser propriedade da Ordem de San Juan de Dios, cujo escudo vemos na fachada principal, acima e abaixo.

DSC00114Abaixo, vemos algumas imagens de um dos pátios…

DSC00111DSC00100DSC00112Atualmente, o Hospital é a sede dos Estudos Giennenses da Deputaçao Provincial de Jaén. A seguir, vemos uma foto da igreja, hoje em dia sem culto.

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Palácio de Buenavista – Madrid

Um dos mais antigos e importantes de Madrid, o Palácio de Buenavista ergue-se soberano na Calle de Alcalá. Ao longo de sua longa história, foi habitado tanto pelos monarcas, quanto pela nobreza. Já estava construído na época de Felipe II (séc. XVI), sendo utilizado pelo rei durante o período de reformas do antigo Alcázar.

DSC09415 O Palácio de Buenavista está situado num terreno elevado, com amplas vistas à Praça de Cibeles e ao Paseo del Prado, daí seu nome. Abaixo, vemos uma foto panorâmica da praça, com os jardins do palácio no lado direito da imagem. À esquerda, o Banco de España e o início do Paseo del Prado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, uma foto da famosa Fonte de Cibeles, também com os jardins do palácio de fundo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois de ter sido a residência temporária de Felipe III (filho de Felipe II), no séc. XVII o palácio  pasou a ser propriedade da nobreza.

DSC09423No séc. XVIII, novamente a corte adquire o imóvel, quando a esposa de Felipe V, Isabel de Farnésio, compra o palácio em 1759 e o transforma num verdadeiro museu, com uma grande coleçao de obras de arte adquirida em sua vida. Abaixo, vemos um quadro realizado em 1836 por José María Avrial y Flores, intitulado “Vistas de Cibeles e o Palácio de Buenavista”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom o falecimento de Isabel de Farnésio, o edifício passa a ser propriedade da Casa de Alba, que derruba o palácio e constrói um novo, no estilo neoclássico. A partir de 1816, torna-se sede do Real Museu de Artilharia e depois, do Ministério da Guerra. O palácio é  entao ampliado para exercer suas novas funçoes militares.

DSC09425Na fachada do palácio vemos as estátuas de dois heróis do país, Rodrigo Díaz de Vivar, mais conhecido como El Cid Campeador (1043/1099) e Gonzalo Fernández de Cordoba, um militar a serviço dos Reis Católicos que obteve várias vitórias militares na Itália, passando à história com o título de El Gran Capitán (1453/1515).

DSC09418DSC09419Abaixo, uma foto de princípios do séc. XX do Palácio de Buenavista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, o palácio é a sede do Quartel Geral do Exército, e os jardins podem ser visitados, quando é utilizado como local de exposiçoes.

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Palácios de Madrid – Parte 4

Na matéria de hoje veremos 5 palácios, todos eles pertencentes à nobreza, que se instalou em Madrid principalmente a partir do séc. XVI. Dois deles estao situados na Calle de San Bernardo, bem próximos um do outro. O denominado Palácio de Antonio Barradas foi construído em 1799, sendo considerado um exemplo de palácio neoclássico em Madrid. O proprietário era o Inspetor Geral de Cavalaria do rei Carlos IV, Antonio Barradas. Atualmente, se transformou em estabelecimentos comerciais no seu nível inferior e em uma residência para estudantes no superior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJá o Palácio do Conde de Agrela converteu-se em uma das sedes do Ministério da Justiça.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASituado no coraçao da Madrid Medieval, o Palácio do Conde de Barajas deu nome a praça onde se localiza. Os terrenos do atual palácio pertenceram à família dos Zapata, de origem aragonesa. Em 1572, foram condecorados por Felipe II Condes de Barajas. Sobre a antiga construçao se ergueu este outro palácio em 1888 para Gabriel de Abreu, segundo um projeto do Marquês de Cubas, arquiteto responsável pelo projeto da Catedral de Almudena.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa Calle de Santa Engrácia situa-se o Palácio da Condesa de Adanero, levantado no local onde antes existia a antiga Real Fábrica de Tapetes, fundada por Felipe V em 1720. Depois de derrubada, se construiu este suntuoso palácio entre 1911/1913 para a Condesa de Adanero, segundo um projeto do arquiteto Joaquín Saldaña. Atualmente, é a sede do Ministério de Política Territorial.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAfastado do centro, no Bairro de Chamartín, encontramos o Palácio da Quinta San Enrique, situado no Paseo de la Havana. Chamartín foi um antigo município que acabou sendo incorporado à cidade, com o crescimento verificado no séc. XX. De 1837, o palácio destaca-se pelas 4 torres em suas esquinas, e foi levantado para o francês Louis Guihou.

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Real Observatório de Madrid

No final do séc. XVIII, o continente europeu atravessava um período de profundas transformaçoes sociais e culturais, fruto da Revoluçao Francesa, da independência dos EUA, etc. Este século ficou conhecido como o da Ilustraçao, corrente cultural filosófica que pregava o predomínio da razao sobre os preceitos e superstiçoes religiosas. Em Espanha, reinava o monarca Carlos III, conhecido pelo apelido de “El Rei Alcalde”, graças as obras realizadas durante seu governo, que modificaram o aspecto da capital. Madrid, como sede da corte, foi alvo de inúmeras mudanças que afetaram até hoje sua paisagem urbana. Na zona do atual Paseo do Prado, muitos foram os edifícios construídos, com o objetivo principal de desenvolver o estudo das ciências, entre os quais mencionamos o Gabinete de História Natural, hoje Museu do Prado, e o Real Jardim Botânico. Em suas proximidades, vemos uma esbelta cúpula, pertencente ao Real Observatório de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA construçao desta instituiçao de caráter científico se inseriu dentro deste contexto ilustrado. Sua origem está relacionada com a proposta feito pelo cosmógrafo Jorge Juan ao rei Carlos III em 1785, para que fosse construído um observatório para o estudo da astronomia, da geodésia, geofísica e cartografia. Sua construçao foi encarregada ao arquiteto mais famoso da época, Juan de Villanueva, autor entre outras obras, do edifício sede do Museu do Prado e da reconstrçao da Praça Maior de Madrid. O local escolhido para sua implantaçao situa-se ao lado do Parque do Retiro, precisamente chamado Cerillo de San Blás, cujo nome se deve a uma ermita dedicada ao santo, hoje desaparecida.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA O edifício principal, que vemos acima, começou a ser levantado em 1790, transformando-se num dos monumentos neoclássicos mais importantes de todo o país. Abaixo, vemos o pórtico, composto por 10 colunas de ordem coríntio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADevido a carência de uma tradiçao astronômica em Espanha, os primeiros astrônomos iniciaram sua aprendizagem profissional em outros países europeus. Infelizmente, com a invasao de Napoleao a partir de 1808, ocorreu uma dispersao dos profissionais do observatório, bem como a destruiçao de parte de seus equipamentos, como o famoso Telescópio de Herschel, considerado um dos mais modernos e importantes da época (no próximo post, conheceremos um pouco mais deste instrumento).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs atividades científicas no observatório foram retomadas em 1845, e a construçao do complexo se finaliza com o arquiteto Narciso Pascual y Colomer. Em 1865, passou a chamar-se Observatório Astronômico e Metereológico, ocupando-se das previsoes climáticas até 1904, ano em que é integrado ao Instituto Geográfico Nacional. Nas últimas décadas, o Real Observatório de Madrid dedicou um grande esforço para a conservaçao de seu valioso patrimônio arquitetônico e de seus instrumentos históricos. Abaixo, vemos a cúpula desde o interior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo salao principal do observatório foi instalado em 1990 um Pêndulo de Foucalt, um instrumento utilizado para observar o movimento de rotaçao da terra, em comemoraçao ao bicentenário do instituto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPara conhecer o observatório, é necessário reservar lugar numa das visitas guiadas que periodicamente sao realizadas em torno ao complexo onde está situado. Nela, podemos admirar lugares emblemáticos, como sua biblioteca, cuja enorme coleçao de livros está formada por exemplares tao antigos como do séc. XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, vemos outro dos edifícios que compoem o observatório, e a  fachada que serve de entrada ao mesmo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, conheceremos alguns dos instrumentos históricos do observatório, com destaque para a incrível reconstruçao do Telescópio de Herschel, além de algumas histórias vinculadas a esta instiuiçao científica de importância fundamental na vida cultural do país.

Igreja de San Ginés – Madrid

Na Calle del Arenal encontra-se um dos templos mais antigos de Madrid, a Igreja de San Ginés. Nao se sabe exatamente qual sua origem, mas já existia no séc. XII, sendo frequentemente visitada pelo santo padroeiro de Madrid, San Isidro. As primeiras referências datam de 1358, através de uma bula papal de Inocêncio VI, na qual concedia indulgências aos fiéis que realizassem doaçoes para a igreja. Na fachada lateral neoclássica do templo, vemos um relevo com o escudo do Papa Inocêncio VI.

DSC09326O titular da paróquia, San Ginés de Arlés, foi um santo francês nascido em data desconhecida e decapitado no início do séc. IV, sendo considerado o padroeiro dos notários, escrivaos e secretários. A igreja que vemos atualmente pouco se parece com o templo original, devido às muitas reformas realizadas e a sua dilatada história. Em 1641, por ex., foi parcialmente derrubada e reconstruída 4 anos depois. Sofreu três incêndios, em 1724, 1756 e 1824. Entre 1870 e 1872, a prefeitura ordenou a remodelaçao da fachada que dá para a Calle del Arenal, mudando por completo o estilo anterior, quando se constrói o átrio que vemos atualmente.

DSC09328Abaixo, vemos a Calle del Arenal, desde o átrio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a Guerra Civil Espanhola, a Igreja de San Ginés permaneceu fechada ao público, quando converteu-se num quartel militar republicano, sofrendo o impacto de vários disparos. Entre 1956 e 1964 foi realizada a última intervençao no templo, e a fachada exterior foi totalmente transformada, adquirindo o aspecto que tinha no séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante as reformas, foi mantida a torre, feita de tijolo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO antigo cemitério de San Ginés situava-se no patio de entrada do átrio. Debaixo dele, existe um poço com 9m de profundidade, que funcionava como crematório na época da Inquisiçao, e também onde eram enterrados os enforcados na Praça Maior. O interior está repleto de obras de arte, inclusive com um quadro de El Greco, situado na Capela do Santíssimo Sacramento, de grande veneraçao e que serviu de paróquia durante as reformas realizadas depois do incêndio de 1824. A atual decoraçao interior foi realizada pelo arquiteto Juan de Villanueva, encarregado pela Real Academia de San Fernando depois do referido incêndio. Abaixo, vemos algumas imagens das capelas do interior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADSC09330Acima, vemos a chamada Virgen de la Cabeza, uma talha do séc. XX, pois a original do séc. XII foi destruída no incêndio de 1824. Abaixo, vemos uma belíssima escultura de Cristo caído com a cruz, obra de Nicolo Fumo, que a realizou em 1698.

DSC09333Também queimado no incêndio de 1824 foi o Retábulo Maior, que representava o Martírio de San Ginés, realizado por Francisco Ricci. Foi refeito pelo artista José de San Martin. No entanto, existem estudiosos que afirmam que o retábulo é o original de Ricci, que pôde ser salvo das chamas. Duvidas à parte, o Retábulo é muito bonito.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa Igreja de San Ginés casou-se o famoso escritor Lope de Vega e foi batizado  Francisco de Quevedo, dois “gigantes” da Literatura Espanhola, como informa uma placa situada no átrio.

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Museu da Real Academia de San Fernando – Esculturas

Hoje iniciamos uma série de matérias sobre algumas das obras mais representativas expostas no Museu da Real Academia de Belas Artes de San Fernando de Madrid. Evidentemente, nao se trata de um catálogo de todas as obras, algo impossível e que foge do objetivo principal das matérias que serao publicadas. No entanto, escolhi algumas obras tanto de artistas estrangeiros, quanto, principalmente, de autores espanhóis, já que o blog é um veículo de divulgaçao do Patrimônio Artístico e Cultural de Espanha. No post de hoje, veremos a parte de esculturas que integram a coleçao permanente do museu.

DSC08497Desde suas orígens, a Real Academia de Belas Artes teve especial interesse em reunir uma galeria de esculturas em gesso, cópias das mais conhecidas e apreciadas da Antiguidade Clássica, com o objetivo de auxiliar na formaçao artística de seus alunos. Um dos fundadores da academia, o escultor Domenico Olivieri, estabelece entao uma lista das principais obras a serem adquiridas em Roma, para a realizaçao das cópias. Duas delas decoram o salao de entrada do museu, a escultura de Flora Farnese e a de Hércules.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitas das esculturas pertencem ao Barroco Espanhol, um período prolífico na realizaçao de imagens religiosas. O escultor português Manuel Pereira (Porto-1588/Madrid-1683), por ex, é considerado um dos melhores artistas correspondentes à época do reinado de Felipe IV. Dele é esta excelente imagem de San Bruno, fundador da Ordem dos Cartuxos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATrata-se de uma peça rara no conjunto de esculturas barrocas espanholas, já que foi realizada em pedra, ao contrário da grande maioria de imagens religiosas, feitas em madeira policromada. A obra emana um grande realismo. Manuel Pereira deixou um rico legado em muitas cidades espanholas, como Madrid, Burgos, Alcalá de Henares, etc. Trabalhou com vários materiais além da pedra, como o alabastro e a madeira.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFeita de madeira é uma maravilhosa peça denominada de “La Dolorosa”, do escultor Pedro de Mena (Granada-1628/Málaga-1688), um dos mais interessantes e bem documentados escultores do Barroco Andaluz. Dedicou-se basicamente às imagens religiosas, ofício que também havia se especializado seu pai, Alonso de Mena.

DSC08564Um conjunto que impressiona pelo dramatismo das cenas foi realizado por José Ginés (Polop, Prov. Alicante-1768/Madrid-1823). O artista elaborou uma grandiosa cena retratando a Matança dos Inocentes entre 1789 e 1794, um encargo do rei Carlos IV para a decoraçao do Palácio Real.

DSC08506Realizado em barro cozido policromado, segue uma estrutura a modo de presépio, sendo considerado uma ponte entre o barroco e o neoclassicismo. Destaca sua enorme capacidade expressiva, bem como os detalhes, alguns deles representando a extrema crueldade alusiva ao episódio em que o rei Herodes de Judéia ordena a execuçao de todos os meninos com menos de dois anos de Belén, para evitar que o recém nascido Jesus Cristo ocupe o seu trono (Evangelho de Sao Mateus).

DSC08504José Ginés obteve vários prêmios da academia e tornou-se diretor da seçao de esculturas em 1817.

DSC08503Mariano Benlliure Gil (Valencia-1862/Madrid-1947) foi um dos expoentes máximos do Realismo Naturalista de finais do séc. XIX e primeira metade do XX. Formou-se escultor tanto na Academia de Valencia, quanto na de San Fernando de Madrid. Uma de suas capacidades como artista era a de materializar o caráter e a vitalidade de seus retratos escultóricos, como neste busto do amigo e escultor português Antonio Teixeira López (1866/1942).

DSC08491A escultura foi realizada em 1938, em bronze. Outro dos personagens representados por Benlliure foi Francisco de Goya, cujo busto foi executado em 1902, sendo considerado uma das maiores representaçoes do genial pintor aragonês.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO detalhismo naturalista e a minuciosidade das composiçoes sao características deste escultor valenciano. Participou de inúmeras exposiçoes internacionais e em Madrid sao abundantes os monumentos realizados por ele. Em parte, isso se explica porque vencia quase todas as convocaçoes públicas da cidade para a realizaçao de obras comemorativas. Em breve, realizarei um post sobre este magnífico artista. Finalizamos o post com outro excepcional escultor, considerado um dos maiores de todo o séc. XX, Pablo Gargallo (Maella, Prov. Zaragoza-1881/Reus, Prov. Taragona-1934).

DSC08495Esta obra, intitulada “Academia”, foi realizada por Gargallo em mármore branco no ano de sua morte, em 1934. Um dos escultores mais inovadores do século passado, combinou ao longo de sua trajetória artística tanto as formas clássicas, quanto o experimentalismo. Em Zaragoza, existe um maravilhoso museu, dedicado ao seu trabalho.