Monastério de San Salvador de Oña

A história do povoado de Oña está intimamente relacionada com o poderoso Monastério de San Salvador, uma das instituições religiosas mais influentes do antigo Reino de Castilla. Tal era sua importância que os abades do monastério se converteram em Senhores de Oña.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Monastério de San Salvador foi fundado no ano de 1011 pelo conde castelhano Sancho García como um monastério duplo, isto é, feminino e masculino. O conde concedeu à sua filha Tigridia o destino da instituição até 1033, quando uma reforma introduziu a Ordem Beneditina em sua direção. É a partir deste momento quando maior crescimento e influência adquire. Abaixo, vemos uma estátua do conde fundador realizada pelo artista Bruno Cuevas e colocada na frente do monastério em 2011, com motivo da celebração de seu milenário.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO monastério chegou a ter sob sua jurisdição mais de 70 outros monastérios e igrejas espalhados pelo norte da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma nova fase de prosperidade ocorreu a partir de 1506, quando se integra à Comunidade Beneditina de Valladolid. No século XVI, nele se fundou a primeira escola de surdos-mudos de todo o mundo, graças ao trabalho desenvolvido pelo frade beneditino Fray Pedro Ponce de León, descobridor da linguagem utilizada até os dias de hoje pelos surdos. Também recebeu sua justa homenagem pela Confederação Nacional de Surdos da Espanha, em virtude da comemoração do quarto centenário de seu falecimento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Ordem Beneditina permaneceu no monastério até que a invasão francesa do início do século XIX e a posterior Desamortização de Mendizábal provocaram destruições na construção e seu posterior abandono. Abaixo, vemos o Pórtico dos Reis, situado na entrada do monastério.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA partir de 1835 a igreja do monastério se converte na Paróquia de Oña. As dependências do monastério somente voltarão a ser ocupadas em 1880, quando foram adquiridas pela Ordem dos Jesuítas, que instalaram um colégio com cursos de Teologia e Filosofia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalmente, em 1968 o monastério é adquirido pelo estado, que o transforma num hospital psiquiátrico e numa granja agrícola. O monastério é visitável, mas infelizmente as fotos não estão permitidas em seu interior, com exceção do claustro. A igreja foi construída no século XII e reformada no XV no estilo gótico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo interior da igreja encontra-se o Panteão Real dos Reis de Castilla, formado por arcas sepulcrais feitas com madeira de nogal e ricamente esculpidas, considerado um conjunto único na Espanha. Também se conserva o Panteão dos Condes Castelhanos, com os restos do conde fundador, Sancho García (falecido em 1017), de sua esposa Urraca e do filho de ambos, o infante García Sánchez, assassinado em 1029 na cidade de León, no dia de seu casamento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o Claustro, realizado no início do século XVI por Simón de Colonia no estilo gótico-flamígero.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO claustro possui dois níveis, sendo o inferior do século XVI e o superior do XVII…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO monastério conserva seus jardins, que permanecem abertos para o público.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAproveito para agradecer a hospitalidade e a simpatia da Veronica, proprietária do Hotel e Restaurante Rincón del Convento, estratégicamente localizado em frente ao monastério. Nele nos hospedamos durante os três dias em que permanecemos em Oña, disfrutando de seu conforto e de sua saborosa comida.

Monastério de San Martín Pinario

Depois da Catedral, o Monastério de San Martín Pinario é considerada a instituiçao religiosa mais importante de Santiago de Compostela e um de seus edifícios históricos mais relevantes. Situado na Plaza de la Inmaculada e bem próximo à Catedral, este monastério é um dos maiores de toda a Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Foi fundado no ano 900 pelo Bispo Sisnando, ao estabelecer uma pequena comunidade de monges beneditinos para que pudessem atender o culto relacionado ao Apóstolo Santiago. Escolheram uma zona denominada Pinario, assim chamada devido a grande quantidade de pinos no local. Desta época inicial, nada se conserva. No final do século XV, tornou-se o monastério mais rico de toda a Galícia, motivo pelo qual foi reedificado quase que completamente a partir do século XVI, sendo finalizado na segunda metade do século XVIII. Combina, devido ao tempo de construção, elementos renascentistas, barrocos e neoclássicos. Acima e abaixo, vemos a fachada principal do monastério, com destaque para as colunas gigantes de sua parte central. Na parte inferior, vemos uma imagem de San Benito (São Bento, em português). Na parte superior, o Escudo de Espanha e na parte mais alta uma imagem do santo titular, San Martín

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO monastério possui dois grandes claustros, e somente pude conhecer um deles, o chamado Claustro das Oficinas, que vemos a seguir, que se caracteriza por sua simplicidade decorativa, sendo construído em 1660. No alto, vemos um singular campanário barroco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja do Monastério de San Martín Pinario foi construída a partir de 1590, cujo projeto se deve ao arquiteto português Mateo López, que desenhou uma grande fachada a modo de um retábulo feito de pedra. Finalizou-se em 1652.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre decoradas colunas, vemos uma grande quantidade de personalidades, como os monarcas Carlos I e Felipe II, imagens de santos e profetas, a Virgem Maria, etc. Na parte superior, um frontón, como são conhecidas estas estruturas triangulares, acolhe uma imagem de San Martín a cavalo, oferecendo sua capa ao pobre, a representação mais difundida deste santo na história da arte.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja possui uma planta de cruz latina, com uma cúpula semiesférica projetada por Bartolomé Fernández Lechuga e construída a partir de 1626.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA austeridade que até então predominava na arquitetura do monastério se transformou radicalmente quando Fernando de Casas y Novoa, em 1730, é encarregado para o projeto do impressionante retábulo maior barroco que contemplamos atualmente. Considerado uma das obras primas do Barroco Espanhol, sua exuberância decorativa inclui figuras de anjos, santos, estando coroado por outra imagem de San Martín.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1742, os monges também encarregaram a Fernando de Casas y Novoa os retábulos situados no cruzeiro, dedicados à Virgem Maria e a San Benito.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADetrás do retábulo maior, situa-se o Coro Baixo, realizado por Mateo de Prado em 1639.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Coro Alto, como o próprio nome indica, está localizado na parte superior da igreja, e foi trazido da Catedral de Santiago de Compostela, pertencente ao século XVII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma foto com os dois órgãos barrocos da igreja do monastério e, depois, uma imagem de um deles (século XVIII).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACom o processo de Desamortização de 1835, o monastério passou a exercer funções variadas, entre as quais de Seminário Maior, desde 1868. Uma parte foi habilitada como Museu de Arte Sacra. Abaixo, vemos uma série de anjos portando os instrumentos da Paixão de Cristo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAParte do conjunto monacal está dedicado à residência universitária e também como sede do Instituto Teológico Compostelano. Abaixo, vemos fotos do interior da igreja, ressaltando sua bela arquitetura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO monastério possui uma grande quantidade de obras históricas, entre quadros, livros, etc, além de realizar interessantes exposições. Finalizamos com um livro sobre Anatomia, datado de 1745…

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Igreja de Santa Maria de Montserrat – Madrid

A Igreja de Santa Maria de Montserrat, situada em Madrid, pôde ter ido um dos templos mais espetaculares da capital espanhola, caso seu projeto construtivo tivesse terminado por completo. A igreja foi fundada pelo rei Felipe IV, para acolher os monges beneditinos expulsos do Monastério de Montserrat (Província de Barcelona), devido à Insurreição Catalã. Desde 1493, durante o reinado dos Reis Católicos, o monastério dependia da Congregação de Valladolid e em 1640 os religiosos catalães, cansados do domínio castelhano, aproveitaram a rebelião para expulsar os monges castelhanos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA construção do templo iniciou-se a partir de 1668, sob a direção do arquiteto Sebastian Herrera Barnuevo. Falecido apenas três anos depois, a continuidade do projeto recaiu sobre Gaspar de la Peña, que também não consegue finalizar os trabalhos. Problemas econômicos fizeram com que a obra ficasse interrompida até 1716, quando o famoso arquiteto Pedro Ribera retoma o complicado processo construtivo, dotando-o de seu peculiar estilo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERARespeitando o projeto original de Herrera, Pedro de Ribera construiu uma das mais imponentes torres da cidade, das duas que constavam o projeto, além de uma bela portada  barroca.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte superior da porta, vemos uma imagem de São Bento, realizada no séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém da outra torre, também não foi erguida a majestosa cúpula que remataria o conjunto. Com a expulsão dos religiosos provocada pela Desamortização de Mendizábal no séc. XIX, o templo transformou-se numa prisão para mulheres.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo princípio do séc. XX, a igreja foi devolvida aos monges beneditinos, estabelecendo-se um priorato dependente da Abadia de Santo Domingo de Silos em 1923. No entanto, com a Guerra Civil Espanhola, sua função religiosa se transforma radicalmente, e o espaço sagrado é convertido num salão de bailes. Finalizada a disputa, a Igreja de Santa Maria de Montserrat é novamente ocupada pela Ordem de São Bento. O interior da igreja foi restaurado a partir dos anos 80.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA bôveda foi realizada pela escola madrilenha no séc. XVII, e pode ser admirada atualmente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma pintura de São Bento, realizada no séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Altar Maior está presidido por uma imagem barroca da Virgem de Montserrat, esculpida pelo artista português Manuel Pereira.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADebaixo do Altar Maior, vemos o Coro, construído no séc. XVII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAos domingos, é possível assistir uma missa e deleitar-se com os cantos gregorianos, um motivo a mais para conhecer este templo  de complicada história, mas que não obstante, foi declarado Monumento Nacional.

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Vale dos Caídos – Comunidade de Madrid

A Abadia Beneditina de Santa Cruz do Vale dos Caídos encontra-se situada no município de San Lorenzo del Escorial (Comunidade de Madrid), a tão somente dez quilômetros do famoso monastério renascentista do Escorial. O monumento, um dos mais visitados na comunidade, foi construído entre 1940 e 1958,e seu conjunto está formado pela abadia mencionada e uma Basílica, que guarda os restos do General Francisco Franco e do fundador do Partido Falange Espanhola (partido de índole fascista reconhecido durante a ditadura franquista), José Antonio Primo de Rivera.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO monumento pertence ao Patrimônio Nacional desde 1957, ano de sua abertura ao público. Além dos personagens acima mencionados, estão sepultados aproximadamente 33 mil combatentes que pereceram na Guerra Civil Espanhola, tanto de nacionalistas, quanto de republicanos. No monastério encontra-se 19 arquivos com a identidade de metade destes combatentes. A outra metade é  desconhecida, pois até 1983 foram recolhidos de fossas comuns existentes em várias frentes de batalha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Abadia está administrada pela Ordem de São Bento, decisão tomada pelo próprio General Franco, que ordenou a construção do conjunto, e foi em parte reformada para acolher uma hospedaria. Abaixo, vemos uma imagem do interior do espaço monástico, que possui também um restaurante aberto ao público.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Vale dos Caídos como é geralmente conhecido, situa-se, na realidade, no denominado Vale de Cuelgamuros, com impressionantes vistas da Serra de Guadarrama e de seu entorno.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos outras fotos da Abadia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASobre a Basílica se alça a mais alta cruz católica de todo o mundo. Com cerca de 150m, é visível a 40km de distância.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAHá 5 anos atrás era possível, através de um funicular, subir à base da cruz. No entanto, o perigo ocasionado pelo despreendimento de rochas fez com que este serviço fosse abolido.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, vemos detalhes escultóricos da cruz.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstas figuras representam as 4 Virtudes Cardinais: Justiça, Prudência, Fortaleza e Temperança (ou Moderação). No próximo post, conheceremos a Basílica onde está enterrado Franco e as controvérsias em torno de sua construção.

Monastério de El Paular – Rascafría

O Real Monastério de Santa Maria de El Paular situa-se na Comunidade de Madrid, precisamente no município de Rascafría, na Serra de Guadarrama. Este histórico monastério conserva um importante legado artístico, e seu estado atual é impecável. O conjunto monástico foi declarado Monumento Nacional em 1876.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua construção iniciou-se em 1390, graças ao desejo do rei Enrique II, da dinastia dos Trastamara. O local para seus assentamento foi escolhido pelo próprio monarca, junto a uma ermita conhecida como Santa Maria de El Paular. No entanto, o processo construtivo realizou-se durante o reinado do rei Juan I. O monastério foi o primeiro fundado para a Ordem dos Cartuxos no então Reino de Castilla (Orden de los Cartujos, em espanhol).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO projeto constava de três edifícios principais: o monastério, a igreja e um Palácio Real para o desfrute dos monarcas. Um de seus principais realizadores foi o arquiteto Juan Guas, responsável pela remodelação do monastério durante o reinado dos Reis Católicos. Na foto a seguir, vemos o claustro que possibilita a entrada para a igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO monastério começou a funcionar quando foram trazidos monges procedentes do Monastério de Scala Dei, de Tarragona (Catalunha). Durante séculos, os monges exploravam a pesca no Rio Lozoya e os bosques próximos. Além do mais, possuíam um numeroso rebanho de ovelhas e uma indústria para a fabricação de papel, cuja importância foi comentada no post anterior. Do séc. XV ao XIX, todo o vale dependia da atividade agrícola, comercial e industrial do monastério.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a entrada do átrio, a dependência que possibilita a entrada à igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANele, existem vários elementos de interesse, como a belíssima portada de acesso à igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo outro lado da porta, um quadro representa a São Bruno e seus companheiros, fundadores da Ordem dos Cartuxos, surgida em 1084. Esta ordem de clausura monástica é considerada como a mais austera no modo de vida de seus membros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parede, vemos uma placa celebrando a fundação do Monastério de El Paular.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja foi finalizada somente no reinado de Isabel La Católica (1475/1504), constituindo a parte principal do conjunto. A reja (espécie de portão monumental que separa os fiéis dos monges) foi realizada por um frade da ordem, chamado Francisco de Salamanca. Uma verdadeira obra prima.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro elemento de incomensurável valor artístico é o Retábulo Maior, realizado durante a etapa final do período gótico (final do séc. XV). O material utilizado para sua execução foi o alabastro, e o conjunto está todo policromado. A obra de Juan Guas representa 17 cenas bíblicas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos um detalhe de sua composição central, com a Virgem Maria e o menino Jesus.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs fotos durante a visita estão permitidas, mas os monges solicitam que não sejam exageradas, para não atrapalhar o andamento da mesma. Por isso, fico devendo imagens do maravilhoso coro, que em 1883 foi levado à Basílica de São Francisco El Grande (Madrid), e talhado em madeira de nogal no séc. XVI. Em 2003, o coro foi devolvido ao monastério. Lamentavelmente, tampouco disponho de imagens da famosa Capela do Sagrário, uma das obras fundamentais do Barroco Espanhol (séc. XVIII). Abaixo, vemos a cobertura da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1835,  o processo de Desamotizaçao de Mendizábal repercutiu negativamente na vida monástica e os monges tiveram que abandonar o monastério. Boa parte das obras de arte, como retábulos e altares que o decoravam, se perderam, assim como milhares de livros que compunham sua magnífica biblioteca. Em 1876, como dito no princípio, foi declarado Monumento Nacional, fato que possibilitou seu salvamento da ruína total. Em 1954, foi cedido à Ordem Beneditina, que ainda permanece com 8 monges que mantém vivo o velho monastério. O Palácio Real foi transformado numa hospedaria, cujos horários seguem o ritmo da vida dos monges.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, conheceremos o claustro e a coleção única de quadros pintados por Vicente Carducho para sua decoração. Não percam…

Monastério de San Pedro de las Puellas – Barcelona

Existem muitos locais na parte antiga de Barcelona que recebem poucos turistas, que nao imaginam a beleza que se esconde por detrás de alguns de seus recantos mais ocultos. Um deles é a Praça de San Pedro, que está presidida por uma fonte neoclássica de ferro forjado, realizada por Pere Falqués, e inaugurada em 1897.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa praça, podemos conhecer um dos templos religiosos mais antigos da capital catala, o Monastério de San Pedro de las Puellas (em catalao, Monastério de Sant Pere de Les Puel-les). Trata-se do primeiro convento beneditino feminino da cidade, do qual se conserva apenas a igreja, transformada em paróquia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO monastério foi fundado pelos condes de Barcelona, e subsistiu como tal até o séc. XIX, quando em 1879, a comunidade de freiras foi levada para um outro local. A igreja foi consagrada em 16 de junho de 945. Existem referências a uma outra igreja anterior, dedicada a San Saturnino, sendo provável que ambos templos coexistiram durante um bom tempo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 985 dC, o monastério foi brutalmente atacado pelas tropas do guerreiro árabe Almanzor. As freiras foram assassinadas ou entao vendidas como escravas, e o convento sofreu vários danos. Depois do ataque, foram realizadas várias obras de restauraçao, que se prolongaram durante séculos, transformando o aspecto que tinha originalmente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das consequências destas contínuas reformas, que afetaram sua construçao, foi o desaparecimento da primitiva igreja de San Saturnino, bem como o claustro de duas plantas que possuía, o inferior de estilo românico, e o superior, gótico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO apogeu do monastério ocorreu no séc. XIII, quando se incrementou a comunidade de freiras, a maioria filhas de famílias nobres da época.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém das inclemências dos séculos, o convento sofreu dois incêndios, ambos no séc. XX, o primeiro em 1909, e o outro durante a Guerra Civil Espanhola, em 1939.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar de sua agitada história, a igreja conserva, do séc. X, parte de sua estrutura com formato de cruz grega, e uma série de colunas.

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Monastério de Poblet – Província de Taragona

O Monastério de Plobet é um dos mais importantes de toda a Espanha, e foi declarado, tanto por sua importância histórica, quanto por sua originalidade arquitetônica, como Patrimônio da Humanidade. Está situado na comarca da Cuenca de Barberá, na Província de Taragona, aos pés dos Montes de Prades e do denominado Bosque de Plobet, antigamente propriedade do monastério, e catalogado desde 1984 como Reserva Natural. Integra a denominada Rota do Císter, formada por outros dois monastérios cistercenses, o de Santes Creus e o de Vallbona de Les Monges.

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Atualmente, o monastério está rodeado por vinhedos, que deixam a paisagem circundante ainda mais bela. Este entorno rico em paisagens naturais foi exatamente o que encontraram os primeiros monges que aqui chegaram, no séc. XII.

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Além do esplendor natural, outros fatores contribuíram para a fundação do monastério neste local, como o clima temperado, sua localização estratégica, rica em recursos naturais e, ao mesmo tempo, distante das grandes cidades, aspecto fundamental para o sossego espiritual.

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No séc. XII, estas terras tinham acabado de serem reconquistadas pelos cristãos, então sob poder muçulmano. Desta forma, era fundamental repovoá-las, e para tanto, nada melhor que fundar um monastério. O conde Ramón Berenguer IV escolheu para sua fundação, a ordem com mais prestígio da época, os monges brancos do Císter. Para alcançar seu objetivo fundacional, o conde dirigiu-se ao abade do monastério principal da ordem, situado na França, e concedeu-lhe terras. Logo depois, os primeiros doze monges franceses chegaram à Taragona para constituir uma inicial organização monástica. A vida destes primeiros religiosos transcorria segundo os princípios de austeridade cistercense, reconhecidos na frase latina “Ora et labora”, reza e trabalha. Dormiam numa sala comum, encima de um colchão de palha e uma manta, suportando os largos dias do frio invernal.

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Os cistercenses são conhecidos historicamente como pertencente a uma ordem rebelde, pois desprezavam a riqueza na qual se havia convertido a Ordem Beneditina de Cluny. Pregavam, pois, um retorno aos primitivos conceitos de austeridade, pobreza e trabalho, que propunha a original regra de São Bento. Fundaram, então, um novo monastério em Cíteaux, na Borgonha francesa. Seu líder espiritual foi uma das figuras mais influentes e carismáticas da época, São Bernardo de Claraval. Para seguir a regra em toda a sua pureza, buscavam locais ermos, em pleno contato com a natureza. O Monastério de Poblet foi fundado segundo a advocaçao da Virgem Maria, segundo a tradição da ordem cistercense. Graças às doações das classes nobres, que deixavam seus bens para o monastério em benefício de sua alma, e também para obter o privilégio de nele ser sepultado, o patrimônio do monastério foi crescendo e, com o tempo, chegou a ser o mais extenso de toda a Catalunha. Seus abades participaram ativamente da política de seu tempo, e três deles presidiram a Generalitat (governo) da Catalunha. A partir do séc. XIV, Poblet passou a ser o Panteão Real da Coroa Aragonesa-Catala. Foi Pedro El Cerimonioso quem impôs a obrigatoriedade de que os reis aqui fossem sepultados. Foi ele também que fortificou o monastério no séc. XIV, para proteger a comunidade que nele vivia, bem como o cenóbio onde se encontravam as tumbas reais.

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A criação da Congregação Cistercense da Coroa de Aragón em 1616, provocou a separação com a “casa mãe “, na França. Com a Desamortizaçao de Mendizábal em 1835, o monastério e suas terras passaram ao controle do estado. Abandonado, seu rico patrimônio foi saqueado e incendiado. As tumbas reais foram profanadas em busca de tesouros, até que foram custodiadas na Igreja Paroquial de Espluga de Francolí, e depois levadas à Catedral de Taragona em 1843. Em 1930, foi criada uma comissão para a restauração do Monastério de Poblet e, a partir de 1940, uma nova comunidade de monges cistercenses, vindos da Itália, restabeleceram a vida monacal no local, presente até hoje.

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Dentro da comunidade que habitava o monastério, existiam duas classes sociais bem diferenciadas: os monges, sujeitos ao estrito cumprimento da regra beneditina, e os conversos, que não tinham obrigações litúrgicas e basicamente realizavam os trabalhos manuais e do campo. A austeridade e simplicidade dos monges se refletia na arquitetura do edifício, não havendo quase pinturas, nem esculturas que o decoram. Sua ornamentação existente é fruto de épocas posteriores.O conjunto monacal está formado por 3 portas, que encerram recintos perfeitamente delimitados. Junto à estrada, vemos a primeira delas, a Porta de Prades.

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Ao passar por ela, chama a atenção uma pequena capela dedicada a São Jorge, construída no séc. XV.

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A seu lado, vemos a segunda porta, denominada Dourada, também do séc. XV. Neste local, deixavam os cavalos os reis em suas visitas ao monastério, bem como eram recebidos os féretros reais para seu enterramento.

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Logo, encontramos um imenso pátio, que permite admirar a grandeza do monastério. Nele, se distribuíam algumas de sua dependências, como o edifício da administração, o hospital, etc, atualmente desaparecidos, e que foram substituídos por uma nova hospedaría.

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O serviço espiritual a hóspedes, peregrinos e habitantes da região realizava-se na Capela de Santa Catalina, românica do séc. XIII.

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No centro do pátio, vemos uma cruz construída em 1568 e, ao lado, as ruínas da antiga hospedaria, do séc. XV.

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A última porta, que permite o acesso ao monastério, é a chamada Porta Real, integrada nas muralhas que cercam o conjunto. Seu perímetro é de 608m, e está formada por 13 torres de aspectos e dimensões diferentes.

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A fachada que preside o conjunto monacal, apesar de barroca, representa em suas esculturas os postulados da Ordem Cistercense.

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Em sua parte superior, vemos a Virgem, uma tradição da ordem de consagrar suas igrejas à Santa Maria.

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Em sua parte inferior, vemos a duas esculturas, que representam a São Bento, fundador do monacato ocidental, e São Bernardo de Claraval, responsável pela reforma cistercense.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, conheceremos o interior do magnífico Monastério de Poblet.