Monastério de Poblet – Província de Taragona

O Monastério de Plobet é um dos mais importantes de toda a Espanha, e foi declarado, tanto por sua importância histórica, quanto por sua originalidade arquitetônica, como Patrimônio da Humanidade. Está situado na comarca da Cuenca de Barberá, na Província de Taragona, aos pés dos Montes de Prades e do denominado Bosque de Plobet, antigamente propriedade do monastério, e catalogado desde 1984 como Reserva Natural. Integra a denominada Rota do Císter, formada por outros dois monastérios cistercenses, o de Santes Creus e o de Vallbona de Les Monges.

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Atualmente, o monastério está rodeado por vinhedos, que deixam a paisagem circundante ainda mais bela. Este entorno rico em paisagens naturais foi exatamente o que encontraram os primeiros monges que aqui chegaram, no séc. XII.

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Além do esplendor natural, outros fatores contribuíram para a fundação do monastério neste local, como o clima temperado, sua localização estratégica, rica em recursos naturais e, ao mesmo tempo, distante das grandes cidades, aspecto fundamental para o sossego espiritual.

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No séc. XII, estas terras tinham acabado de serem reconquistadas pelos cristãos, então sob poder muçulmano. Desta forma, era fundamental repovoá-las, e para tanto, nada melhor que fundar um monastério. O conde Ramón Berenguer IV escolheu para sua fundação, a ordem com mais prestígio da época, os monges brancos do Císter. Para alcançar seu objetivo fundacional, o conde dirigiu-se ao abade do monastério principal da ordem, situado na França, e concedeu-lhe terras. Logo depois, os primeiros doze monges franceses chegaram à Taragona para constituir uma inicial organização monástica. A vida destes primeiros religiosos transcorria segundo os princípios de austeridade cistercense, reconhecidos na frase latina “Ora et labora”, reza e trabalha. Dormiam numa sala comum, encima de um colchão de palha e uma manta, suportando os largos dias do frio invernal.

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Os cistercenses são conhecidos historicamente como pertencente a uma ordem rebelde, pois desprezavam a riqueza na qual se havia convertido a Ordem Beneditina de Cluny. Pregavam, pois, um retorno aos primitivos conceitos de austeridade, pobreza e trabalho, que propunha a original regra de São Bento. Fundaram, então, um novo monastério em Cíteaux, na Borgonha francesa. Seu líder espiritual foi uma das figuras mais influentes e carismáticas da época, São Bernardo de Claraval. Para seguir a regra em toda a sua pureza, buscavam locais ermos, em pleno contato com a natureza. O Monastério de Poblet foi fundado segundo a advocaçao da Virgem Maria, segundo a tradição da ordem cistercense. Graças às doações das classes nobres, que deixavam seus bens para o monastério em benefício de sua alma, e também para obter o privilégio de nele ser sepultado, o patrimônio do monastério foi crescendo e, com o tempo, chegou a ser o mais extenso de toda a Catalunha. Seus abades participaram ativamente da política de seu tempo, e três deles presidiram a Generalitat (governo) da Catalunha. A partir do séc. XIV, Poblet passou a ser o Panteão Real da Coroa Aragonesa-Catala. Foi Pedro El Cerimonioso quem impôs a obrigatoriedade de que os reis aqui fossem sepultados. Foi ele também que fortificou o monastério no séc. XIV, para proteger a comunidade que nele vivia, bem como o cenóbio onde se encontravam as tumbas reais.

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A criação da Congregação Cistercense da Coroa de Aragón em 1616, provocou a separação com a “casa mãe “, na França. Com a Desamortizaçao de Mendizábal em 1835, o monastério e suas terras passaram ao controle do estado. Abandonado, seu rico patrimônio foi saqueado e incendiado. As tumbas reais foram profanadas em busca de tesouros, até que foram custodiadas na Igreja Paroquial de Espluga de Francolí, e depois levadas à Catedral de Taragona em 1843. Em 1930, foi criada uma comissão para a restauração do Monastério de Poblet e, a partir de 1940, uma nova comunidade de monges cistercenses, vindos da Itália, restabeleceram a vida monacal no local, presente até hoje.

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Dentro da comunidade que habitava o monastério, existiam duas classes sociais bem diferenciadas: os monges, sujeitos ao estrito cumprimento da regra beneditina, e os conversos, que não tinham obrigações litúrgicas e basicamente realizavam os trabalhos manuais e do campo. A austeridade e simplicidade dos monges se refletia na arquitetura do edifício, não havendo quase pinturas, nem esculturas que o decoram. Sua ornamentação existente é fruto de épocas posteriores.O conjunto monacal está formado por 3 portas, que encerram recintos perfeitamente delimitados. Junto à estrada, vemos a primeira delas, a Porta de Prades.

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Ao passar por ela, chama a atenção uma pequena capela dedicada a São Jorge, construída no séc. XV.

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A seu lado, vemos a segunda porta, denominada Dourada, também do séc. XV. Neste local, deixavam os cavalos os reis em suas visitas ao monastério, bem como eram recebidos os féretros reais para seu enterramento.

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Logo, encontramos um imenso pátio, que permite admirar a grandeza do monastério. Nele, se distribuíam algumas de sua dependências, como o edifício da administração, o hospital, etc, atualmente desaparecidos, e que foram substituídos por uma nova hospedaría.

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O serviço espiritual a hóspedes, peregrinos e habitantes da região realizava-se na Capela de Santa Catalina, românica do séc. XIII.

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No centro do pátio, vemos uma cruz construída em 1568 e, ao lado, as ruínas da antiga hospedaria, do séc. XV.

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A última porta, que permite o acesso ao monastério, é a chamada Porta Real, integrada nas muralhas que cercam o conjunto. Seu perímetro é de 608m, e está formada por 13 torres de aspectos e dimensões diferentes.

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A fachada que preside o conjunto monacal, apesar de barroca, representa em suas esculturas os postulados da Ordem Cistercense.

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Em sua parte superior, vemos a Virgem, uma tradição da ordem de consagrar suas igrejas à Santa Maria.

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Em sua parte inferior, vemos a duas esculturas, que representam a São Bento, fundador do monacato ocidental, e São Bernardo de Claraval, responsável pela reforma cistercense.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, conheceremos o interior do magnífico Monastério de Poblet.

Carrión De Los Condes – Palencia

Situada em pleno Caminho de Santiago, a cidade de Carrión de los Condes pertence à Província de Palencia, Comunidade de Castilla-León. Tradicionalmente se afirma que seu nome faz referência aos condes Gómez Dias, que no séc. XI realizaram importantes construções na cidade, como o Monastério de San Zoilo, uma ponte sobre o rio Carrión e um hospital para peregrinos.

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Durante a idade média, foi uma das cidades mais importantes dos reinos cristãos, e nela se celebraram cortes e sínodos. Seu rico patrimônio monumental engloba igrejas românicas e conventos de grande importância religiosa.

A mais antiga das igrejas é a de Santa Maria do Caminho, de estilo românico e edificada no séc. XII, e foi dedicada à Virgem das Vitórias.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADiante de sua construção, se observam as ruínas da antiga muralha medieval.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASuas dimensões permitem o acesso de um grande número de peregrinos e seu elemento mais notável é a Portada Sul, formada por 5 arquivoltas, sendo que a segunda de cima para baixo está profusamente decorada com personagens diversos, a primeira deste estilo realizada em Castilla-León. A igreja foi declarada Monumento Histórico-Artístico em 1931.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAInicialmente dedicado a São João Batista quando foi levantado no séc. X, o Monastério de San Zoilo mudou sua advocaçao no séc. XI, com a chegada das relíquias do santo, procedentes de Córdoba, e também na mesma época reformado. Tornou-se famoso pela permissão concedida aos peregrinos de consumir pão e vinho, alimentos abundantes na cidade e que a ela se refere o Códix Calistinus, guia medieval para aqueles que realizavam a rota de Santiago. Abaixo, vemos a fachada do monastério, de estilo barroco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1219, a princesa Beatriz de Suábia se casa com o rei Fernando III “El Santo” no monastério. Dos primeiros edifícios monásticos não se conserva praticamente nada, devido ao péssimo estado em que se encontravam nos séc. XIII e XIV. Por isso, foi reconstruído em 1392. Até o séc. XIV, dependeu da francesa Ordem de Cluny, mas a partir de 1531 se incorporou à congregação de Valladolid, momento em que iniciou-se outro período de esplendor do convento, que determinou a construção de seu famoso claustro e outras dependências.

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Sua parte mais valiosa, o claustro, foi projetado por Juan Badajoz em 1537 e finalizado apenas em 1604. De estilo plateresco, são abundantes as estátuas referentes a personagens religiosos e também civis.

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Posteriomente, o monastério passou à Companhia de Jesus e em 1854 converteu-se em colégio. Em 1960, já parte da diocese de Palencia, transformou-se em seminário e finalmente, em 1992, foi reabilitado como hotel, função que exerce atualmente.

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Por sua monumentalidade, a Igreja de San Andrés é conhecida como a “Catedral de Carrión de los Condes”, e é a atual paróquia da cidade. Foi construída segundo o projeto de Rodrigo Gil de Hontañón e concluída em 1574. A torre, sua estrutura mais chamativa no exterior, foi reconstruída depois de ter sido afetada pela Guerra da Independência, no séc. XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, continuaremos a visita por Carrión de los Condes…

Sahagun – Castilla y León

A vila de Sahagun localiza-se na Provínvia  de León (Comunidade Autônoma de Castilla-León), às margens dos rios Cea e Valderaduey. Desde a época romana, apresentou grande vitalidade econômica e cultural, graças à sua privilegiada localização, que a comunicava com as demais localidades do império através da calçada romana e a denominada Via Trajana, que ligava Astorga a Zaragoza e Tarragona. A eleição geográfica do pueblo foi conseqüência da veneração que os habitantes tiveram aos santos mártires Facundo e Primitivo, legionários romanos convertidos ao cristianismo e que foram perseguidos e martirizados, e cujos restos foram jogados ao rio Cea. (séc.III dC).

Os cristãos recuperaram seus corpos e levantaram um antigo santuário consagrado a ambos (Domnos Sanctos, donde origina-se o nome da vila), sendo devidamente sepultados. A tradiçao atribui a Alfonso III a restauração da antiga igreja no ano 872 dC. Foi, porém, durante o reinado de Alfonso VI de León que a cidade e o monastério alcançaram o apogeu, devido à implantação dos denominados ritos cluniaenses com a chegada da Ordem de Cluny, que substitui os anteriores ritos visigodos (1080), e o impulso dado pelo monarca ao Caminho de Santiago, do qual Sahagun se tornou um dos locais imprescindíveis.

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O comércio se intensificou e a influência do monastério beneditino estendia-se a quase uma centena de outros conventos e igrejas da região. O próprio rei e quatro de suas esposas foram enterrados no monastério. No entanto, o sepulcro que continha seus restos foi destruído por causa de um incêndio em 1810 e seus restos mortais foram levados ao monastério das monjas beneditinas situado bem próximo às ruínas do antigo monastério. Abaixo, vemos uma foto deste monastério, e que pode ser visitado, pois também sedia um museu religioso.

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No séc. XVI, o monastério perde importância com a construção do Monastério Beneditino de Valladolid, e finalmente sua decadência é culminada com a desamortizaçao de Mendizábal no séc. XIX. O Monastério de San Bento possuía extraordinárias dimensoes, e atualmente se conservam apenas a Torre do relógio (a única preservada, das duas que existiam originalmente), que alberga a Capela de San Mancio, e o Arco de San Benito, um dos acessos à igreja do monastério. Construído em 1662, substituiu uma portada românica em ruínas, e representa ao modo de arco triunfal, um manifesto do poder do monastério e de sua fundação real. No primeiro corpo, vemos as imagens dos santos mártires, e em sua parte superior relevos que simbolizam o poder eclesiástico e monárquico, bem como as esculturas de Alfonso III e Alfonso VI. A seguir, vemos fotos das mencionadas estruturas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO patrimônio histórico-monumental de Sahagun, além de suas festividades anuais, a transformaram num destino turístico não só nacional, como também a nível internacional. Sua importância cultural é acentuada por ser um dos locais fundamentais do Caminho de Santiago. Os peregrinos que chegam à cidade podem hospedar-se no Albergue a eles destinado, situado na antiga Igreja da Trindade, que também funciona como Oficina de Turismo e auditório municipal. A igreja está documentada desde o ano 1221, e a aparência que hoje observamos é resultado de numerosas reformas iniciadas a partir do séc. XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERABem em frente, situa-se a Igreja de San Juan, cuja construção iniciou-se em 1627, e as vivas cores da fachada recordam o aspecto do estilo neoclássico colonial.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa imagem abaixo, vemos o contraste entre os estilos de ambos os templos.

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A cidade é reconhecida no campo da arquitetura por possuir dois dos mais renomados exemplos de templos mudéjares de todo o território espanhol. Construídas praticamente em totalidade por tijolos, são parte integrante do denominado Românico de Ladrillo (tijolo, em espanhol).

A Igreja de San Lorenzo é a parroquia da vila. Obra do séc. XIII, possui 3 ábsides e uma esbelta torre, composta por 4 corpos que reduzem de tamanho à medida que ascendem. O resultado é uma estrutura de grandes dimensões, mas com um aspecto de leveza.

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Em 2011, seu mal estado de conservação a incluiu na lista de monumentos em perigo do patrimônio espanhol.

Já a Igreja de San Tirso é uma das mais célebres construções mudéjares de todo o país. Levantada no séc. XII, desde 1931 é considerada Monumento Nacional, e atualmente sedia um pequeno museu de arte sacra.

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Sua torre é magnífica, e igual que a de San Lorenzo, eleva-se a partir do ábside, característica singular das igrejas de Sahagun. Formada por dois corpos, o primeiro é maciço, para sustentar o peso da estrutura superior, e o segundo é oco. A torre original derrubou-se em 1948, e sua reconstrução, finalizada em 1960, reproduz fielmente o desenho original.

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Outra de suas atrações é a Ponte Canto, de origem romana, pois fazia parte da calçada que unia as diversas províncias do império. Foi reconstruída em 1085 durante o reinado de Alfonso VI e reformada nos séc. XVI e XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa imagem que segue, vemos a típica vegetaçao das margens do rio Cea.

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Atualmente, Sahagun possui menos de 3mil habitantes, e seu número decresce de forma contínua, devido ao envelhecimento populacional, a baixa taxa de natalidade e a emigração a outras zonas mais desenvolvidas economicamente, como as cidades de León e Palencia.

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