Os Amantes de Teruel e a Igreja de San Pedro – Parte 2

A Igreja de San Pedro e o Mausoléu dos Amantes encontram-se situados na Praça dos Amantes, local imprescindível para conhecer esta história, cuja fama extrapolou os limites da cidade aragonesa, tornando-se conhecida em toda Espanha. A Fundação dos Amantes de Teruel é uma instituição  que se encarrega de difundir as tradições relacionadas a esta trágica história de amor. A visita ao complexo inclui o mausoléu e todas as dependências da igreja, seu interior, o claustro e a torre mudéjar. O claustro é um dos poucos do estilo mudéjar conservado em todo o país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADe planta quadrada, foi construído no séc. XIV. Antes da construção do mausoléu, os restos dos amantes se encontravam aqui. O claustro foi restaurado  no séc. XX, com uma nova ornamentação neogótica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Igreja de San Pedro é um templo formado de somente uma nave, contando com uma série de capelas laterais que rodeiam todo o interior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior está coberto por uma bela bôveda de crucería.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO espaço foi totalmente restaurado nos séc. XIX e XX, cujo responsável foi o arquiteto Pablo Monguió, impulsor do movimento modernista na cidade. A decoração  foi realizada por Salvador Gisbert.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos as vidreiras policromadas que proporcionam ao templo uma intensa luminosidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Retábulo Maior foi realizado no séc. XV no estilo renascentista, e dedicado ao titular do templo, San Pedro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom este post, finalizamos as matérias realizadas sobre esta belíssima cidade de Teruel, cuja visita recomendo a todos (as) que desejam conhecer uma parte da Espanha que não integra as rotas turísticas tradicionais, mas que nos surpreendem por sua beleza urbanística, riqueza monumental e tradições seculares.

O Modernismo em Teruel

Como a Arquitetura Mudéjar, o Movimento Modernista deixou, apesar de não tão conhecido, um importante legado na cidade de Teruel.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO estilo desenvolveu-se graças à conjunção de 3 fatores, que se complementaram perfeitamente: o poder econômico da burguesia no final do séc. XIX, a excelência dos artesãos da cidade e a capacidade criativa do arquiteto Pablo Monguió, autor da grande maioria dos edifícios representativos do Modernismo Terulense.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa central Praça do Torico, por ex., vemos duas obras emblemáticas do arquiteto. A primeira é a Casa de tecidos El Torico, construída em 1912, cuja data aparece na fachada. Seu nome está relacionado a um antigo comércio que existia no térreo, embora atualmente seja propriedade de uma instituição financeira.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERABastante próxima, localiza-se a Casa Madrileña, também nome de uma antiga loja existente. O edifício e seus elementos modernistas são um notável exemplo de adaptação do estilo a um espaço reduzido.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Casa Ferrán, construída em 1910, é uma das principais obras de Pablo Monguió  na cidade aragonesa. Nascido em Tarragona em 1865, trabalhou em Teruel de 1897 a 1923. Faleceu em 1956.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo detalhe, vemos o delicado trabalho dos artesãos locais, que utilizavam o ferro de maneira funcional e decorativa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Casa Ferrán é uma maravilhosa combinação de pedra, ferro e madeira.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma imagem de sua parte inferior, que dá para a rua, com uma singular elaboração decorativa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPor sua vez, a denominada Casa Bayo, construída em 1903, é reconhecida por sua fachada azulada e os balcões de ferro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERARecentemente restaurada, a Casa Doña Blanca foi construída em 1874, embora sua fachada modernista fosse realizada em 1902 ou 1912 (a dúvida existe pela data pintada na fachada, mas que um pouco borrada provoca a confusão).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO edifício foi transformado na sede da Comarca da Comunidade de Teruel, e em sua bela fachada, destaca a balconada, situada em sua parte central.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Modernismo também favoreceu a edificação de templos religiosos, como a Ermita da Virgem del Carmen. O monumento foi realizado pelo arquiteto valenciano José María C. Pérez em 1903.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa realidade, a ermita enquadra-se dentro da corrente eclética, mediante a combinação de elementos mudéjares, góticos e modernistas.

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A Catedral de Teruel

A Catedral de Santa Maria de Mediavilla de Teruel é uma das construções mais importantes da Arte Mudéjar de toda a Espanha, sendo um dos escassos templos catedralícios construído neste estilo em todo o país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua origem encontra-se na antiga Igreja de Santa Maria, edificada no estilo românico em 1171, e finalizada com a construção da excepcional torre mudéjar em 1257. Logo depois, a obra românica foi reformada, dotando o templo de 3 naves mudéjares. No séc. XIV, foi a vez do antigo ábside românico ser substituído por outro no estilo gótico-mudéjar. Em 1423, foi elevada à condição de Colegiata.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo séc. XVI (1538), ergue-se o maravilhoso cimbório da nave central, de planta octogonal e decoração combinando os estilos plateresco e mudéjar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a criação da Diocese de Teruel, foi promovida a catedral, e consagrada como tal em 1587. Finalmente, no séc. XIX (1909), realiza-se uma nova fachada no estilo neomudéjar pelo arquiteto catalão Pablo Monguió. O pórtico se fecha com uma reja  (portão de ferro que delimita as capelas, coros, pórticos, etc) do séc. XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA torre da Catedral de Teruel é considerada uma das torres mudéjares mais antigas do país. De planta quadrada, possui 3 corpos profusamente decorados com azulejos e cerâmica vidriada, e rematada por uma estrutura octogonal, colocada no séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASe o exterior do templo é formidável, o interior guarda um dos tesouros mudéjares mais impressionantes que existem. Toda a parte superior da nave central está coberto por um teto mudéjar de 32m de comprimento, feito de madeira no séc. XIV. Sua função, além de decorativa, é estrutural, algo raro neste tipo de estrutura, que normalmente possuem somente a função ornamental. Infelizmente, está terminantemente proibido tirar fotos do interior. Há alguns anos atrás, pude tirar apenas uma foto, que não ficou nada boa…Para que vocês tenham uma ideia desta beleza, abaixo vemos a imagem, com seu plano geral.

DSC01495Nele, vemos representações históricas, religiosas e de costumes da época. Permaneceu em perfeito estado devido a que foi coberto por um teto falso no séc. XVIII, fato decisivo para a sua conservação. Para os (as) interessados em conhecer a fundo esta incrível obra de arte, sugiro uma  página sobre a Arte Mudéjar Aragonesa, como fonte de consulta e visualização:

http://www.aragonmudejar.com/teruel/…catedral/techumbre…

A torre, o cimbório e o teto interior compõem a lista de monumentos mudéjares da catedral, incluídos como Patrimônio da Humanidade pela Unesco. A Catedral de Teruel foi catalogada também como Monumento Nacional em 1931.

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