Bairro das Letras – Madrid (Parte 2)

Continuando nosso passeio pelo Bairro das Letras de Madrid, o escritor mais universalmente conhecido da Literatura Espanhola, Miguel de Cervantes, não só viveu, como também foi enterrado no bairro. Abaixo, vemos sua residência, da época em que viveu na cidade.

Na calle de Atocha, encontra-se a editora responsável pela primeira edição de sua obra máxima, O Fidalgo Don Quixote de La Mancha, em 1604.

O escritor está sepultado no Convento das Trinitárias Descalças, fundado pelo rei Felipe II em 1612. O atual edifício data de 1673 e foi declarado Monumento Nacional em 1921.

Nas ruas que compõem o bairro, foram travadas famosas disputas entre alguns de seus mais afamados literatos. Uma das mais célebres foi a de Francisco de Quevedo (1580-1645) e Luis de Góngora (1561-1627). Situada em frente ao Convento das Trinitárias, está a casa onde viveu Quevedo. A placa que alude ao fato, no entanto, não explica que havia sido anteriormente o lar de Góngora.

Os ilustres personagens tinham personalidades opostas. Enquanto Quevedo caracterizava-se por seu forte temperamento, assíduo dos prostíbulos e dos ambientes marginais da época, além de querido por sua proximidade às pessoas mais humildes, Góngora, por sua vez, gerava antipatia por sua forma de ser. A rivalidade entre ambos era tal que Quevedo decidiu comprar a casa que pertencia a seu inimigo, para depois botá-lo para fora, pobre e sem apoio. Outra fonte de conflitos foi entre Cervantes e Lope de Vega, e o fato curioso é que a rua onde morou Lope de Vega chama-se Calle Cervantes, enquanto que o Convento onde está sepultado Cervantes, se chama Calle Lope de Vega. É como se a rivalidade entre ambos perdurasse mesmo depois de suas mortes…

No século XIX, o bairro continuou sendo o centro intelectual da cidade, como comprova o Ateneo, instituição cultural privada inaugurada em 1835. Seu objetivo era a divulgação do saber, e para tanto possui uma das melhores bibliotecas do país, no que se refere aos séculos XIX e XX. Muitos dos maiores literatos do país pertenceram à instituiçao. Abaixo, vemos a foto da fachada e do teatro que alberga no interior.

Outro dos locais de convivência que se tornaram famosos no Bairro das Letras eram os denominados mentideros, onde poetas, dramaturgos, atores de teatro, etc, se reuniam para conversar, extender rumores ou compartilhar experiências. Um deles situava-se na Calle León, cujos relevos abaixo recordam o nome do lugar.

O Corral de Comédias de la Cruz, hoje desaparecido, tornou-se na época do século de ouro um local obrigatório para ver as  obras teatrais dos grandes dramaturgos, que nele estreavam suas peças. Uma placa e um mural pintado com cenas da época recordam sua localização exata.

Os palácios nobres também podem ser vistos, como o de abaixo, denominado Palácio de Santoña , cujo marquês foi um de seus proprietários. O edifício pertence ao séc. XVII, e em 1953 foi comprado pela Câmara de Comércio e Indústria de Madrid, sua proprietária atual. Como destaque exterior, a bela fachada, criada pelo arquiteto barroco Pedro de Ribera.

Outros edifícios chamam a atenção pela beleza de suas linhas e decoração escultórica.

A Basílica de Jesus de Medinaceli é uma das que provocam o maior fervor religioso de toda a capital. Isso porque é depositária da imagem mais venerada pelos madrilenhos.

Na primeira sexta feira de março, milhares de fiéis aguardam para beijar os pés do Cristo de Medinaceli e pedir 3 desejos, dos quais é concedido apenas um. O porquê, é realmente um mistério…A igreja, na época dourada do bairro, era assiduamente visitada por Lope de Vega, Calderón de la Barca e Tirso de Molina, escritores que haviam sido ordenados sacerdotes.

Hoje em dia, o Bairro das letras não é somente percorrido para melhor conhecer a história de Madrid, mas também para desfrute da noite, embalada por bares com música ao vivo e restaurantes para todos os bolsos. O Villa Rosa, por ex., é um clássico da noite da cidade. Inaugurado em 1915, desde sua fundação esteve ligado ao mundo taurino e ao flamenco. Sua época de maior esplendor foi nos anos 20, quando personagens como o novelista Ernest Hemingway e a aristocracia local se reuniam para conversar e ouvir uma boa música. O bar está decorado com cerâmicas que representam monumentos típicos de várias cidades espanholas.

Opções para curtir não faltam no bairro, e a oferta musical é ampla, para todos os gostos.

Bem, com estas fotos encerramos os posts pelo Bairro das Letras, este interessante local do centro de Madrid, que combina o agito noturno com a história e a cultura da cidade.