Museu do Romanticismo – Madrid

O Romanticismo foi um movimento político e cultural surgido na Europa a finais do séc. XVIII como uma reação contra o racionalismo da ilustração e do classicismo. Desenvolveu-se na primeira metade do séc. XIX, influenciando a música, a literatura e a pintura. Em Madrid, vale a pena conhecer o museu que retrata esta corrente estética, que contribuiu sobremaneira na forma de vida dos habitantes do séc. XIX.

O Museu do Romanticismo inclui-se dentro da filosofia da chamada casa-museu, e conserva uma importante coleção de objetos históricos e artísticos, relacionadas com os costumes e a vida cotidiana da época.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA instituição está sediada no antigo palácio do Marquês de Matallana, de estilo neoclássico e construído em 1776.

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Sua existência se deve ao filantropo e mecenas Benigno de la Vega-Inclán, que viveu na segunda metade do séc. XIX e na primeira do seguinte. É conhecido também por ter sido o fundador do museu dedicado a El Greco em Toledo.

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Em 1921, doou parte de seu acervo ao estado espanhol, com o objetivo de constituir uma coleção estável aberta ao público. Inicialmente recebeu a denominação de Museu Romântico, destinado a preservar a memória do romanticismo espanhol, época de grandes logros literários e artísticos, coincidindo com o reinado da rainha Isabel II.

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Inaugurado em 1924, estava composto por pinturas e mobiliários, e paulatinamente seu acervo foi sendo incrementado com doações e novas aquisições.

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O museu foi concebido não só como um local de exposição de objetos, mas com a intenção de recriar um ambiente de modo que o visitante pudesse ser “transportado” à época romântica. Dessa forma, o museu adquiriu grande prestígio precisamente graças a fidelidade, exatidão e autenticidade com que apresenta, em suas várias salas, o objetivo proposto.

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Seu acervo está representado pela pintura, miniaturas, mobiliários, estampas, artes decorativas, fotografias e desenhos. Um de seus aspectos mais notáveis é sua excelente galeria pictórica, formada pelos artistas mais relevantes da escola espanhola do séc. XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 2001, o museu foi fechado para obras de reabilitação e foi reaberto ao público em 2009, recebendo a atual denominação de Museu Nacional do Romanticismo.

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Depois de visitar a exposição permanente, uma boa pedida é tomar um cafezinho no jardim do museu, um belo e tranqüilo espaço, isolado no centro da capital espanhola.

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Real Alcázar de Sevilha

Dos lugares que conheci na Andaluzia, Sevilha foi aquele que mais me impressionou. Em parte, isso se deve à falta de conhecimentos que possuía da cidade, fazendo com que meu grau de expectativa não fosse muito elevado. Na maior parte das vezes, este nível de exigência com relação a lugares, coisas ou até mesmo pessoas, pode levar à decepção e até mesmo a indiferença. Tal não foi o caso da cidade andaluz, muito pelo contrário.

Entre os muitos monumentos que se pode conhecer, o Real Alcázar é uma maravilha, que por si só, torna recomendável uma visita à cidade de Velázquez. Tanto é, que lhe foi concedido o título de Patrimônio da Humanidade em 1984, junto com o Arquivo Geral das Índias e a Catedral.

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Na verdade, trata-se de um conjunto de palácios, em cuja construção foram desenvolvidos diferentes estilos ao longo de sua história, desde o islâmico de seus primeiros moradores, o mudéjar e o gótico do período posterior à reconquista da cidade pelas tropas castelhanas, além dos elementos renascentistas e barrocos incorporados em sucessivas reformas a partir de então.

O recinto, como o próprio nome indica, tem sido habitualmente usado como local de residência da Casa Real Espanhola e dos chefes de estado em suas visitas à cidade, sendo considerado o Palácio Real mais antigo da Europa em atividade, como reconheceu a Unesco.

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O Alcázar começou a ser construído no séc. X pelo primeiro califa andaluz Abderramán III, que aproveitou um antigo assentamento romano.

O primitivo palácio pertence à mesma época que a Alhambra de Granada, e foi ampliado durante o Emirato nos séculos XI e XII, bem como no período dos almohades. Atualmente, se conserva deste antigo palácio apenas o Pátio de Gesso. Depois da conquista de Sevilha pelo rei Fernando III em 1248, transformou-se na residência dos reis cristãos, e seu filho Alfonso X “EL Sábio”, ordenou a construção de três salões no estilo gótico. A sala gótica, também denominada sala das festas, foi utilizada no séc. XVI para a celebração de banquetes reais, como sucedeu no casamento do rei Carlos I.

DSC00263Durante o reinado de Felipe II (séc. XVI), foi reformada com toques renascentistas. O terremoto de Lisboa de 1755 afetou o conjunto, sendo restaurado dentro de uma estética barroca. Abaixo, vemos a capela e a sala dos tapetes, cujas peças que decoram o ambiente são de origem flamenca (Bruxelas).

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Em 1364, Pedro I de Castilla decidiu pela construção do denominado Palácio Mudéjar, que assombra pela riqueza e ornamentação decorativa. Hoje em dia, é célebre por ser considerado um dos conjuntos mais completos da arquitetura mudéjar de toda Espanha.

O palácio está constituído por vários recintos. O chamado Pátio das Donzelas é uma obra prima da arte mudéjar andaluz. De planta retangular, apresenta no seu nível inferior, uma série de arcos apoiados em colunas de mármore. Situados à direita do pátio, encontram-se a Alcova e a Sala reais.

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O Salão dos Embaixadores, onde realizavam-se as principais cerimônias da corte, é um dos mais importantes de todo o conjunto.

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O Pátio das Bonecas, cujo nome refere-se aos pequenos rostos visíveis em vários de seus arcos, está belissimamente decorado com azulejos, destacando as colunas e capitéis procedentes de Medina Azahara. O nível superior está composto pelos quartos ampliados e reformados na época dos Reis Católicos, mas não estão abertos à visitação pública, já que é um espaço destinado ao uso exclusivo da família real.

DSC00241DSC00247O Pátio da Montería permite o acesso ao palácio mudéjar.

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Os imensos e belos jardins que compõem o Real Alcázar estão compostos por terraças, fontes e esculturas, e é um verdadeiro prazer caminhar sem pressa, contemplando cada lugar que se descobre neste imenso espaço verde.

DSC00238Sevilha11DSC00283O acesso principal ao Real Alcázar se dá pela Porta do Leão, cujo painel de azulejos, com a figura do animal que lhe dá nome, data de 1894.

DSC00230Este incrível lugar foi cenário de vários filmes, entre eles, 1492- A Conquista do Paraíso, Lawrence de Arábia e o Reino dos Céus.

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Tarragona – Comunidade de Catalunha

Situada ao sul da Comunidade de Catalunha e capital da província homônima, Tarragona é um centro turístico importante, por estar banhada pelo Mar Mediterâneo, que lhe proporciona praias de águas cálidas, e por sua larga história de mais de dois milênios, oferecendo ao visitante um vasto repertório de monumentos históricos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua origem se deve aos romanos, que fundaram a antiga Tarraco como um acampamento militar durante a guerra que o império travou contra Cartago. Com o tempo, transformou-se na capital da Hispania Citerior Tarraconensis,a maior província romana da península ibérica, sendo considerada seu assentamento romano mais antigo. Antes de sua ocupação e incorporação romana, porém, esteve povoada pelos povos Ibéricos, que estabeleceram contatos comerciais com gregos e fenícios localizados na costa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO conjunto arqueológico romano conservado na cidade recebeu o título de Patrimônio da Humanidade, outorgado pela Unesco, no ano 2000. Seu período de maior esplendor ocorreu entre os séculos I e II dC, sendo que a maioria dos monumentos que vemos em Tarragona pertencem a esta época.

A muralha que rodeia parte de seu centro histórico é a parte mais antiga do recinto arqueológico. Construída no séc. II aC, se conserva 1km do seu perímetro original, que possuía aproximadamente 4 km.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Foro Romano era um conjunto monumental imenso, composto por duas grandes praças nas quais estavam edificadas as principais construções administrativas, religiosas e culturais. Erguido no ano 73 dC, durante o reinado do imperador Vespasiano, seu uso foi mantido até o séc. V dC. A denominada Torre do Pretório marcava a entrada ao foro, unindo a parte baixa da cidade e o circo (através de galerias subterâneas) com suas praças. Na Idade Média, a torre tornou-se propriedade da Coroa Aragonesa, passando a ser residência real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, alberga o Museu Arqueológico, com várias peças de grande valor histórico.

No museu, existe uma maquete que mostra a paisagem urbana da antiga Tarraco.

Do alto da torre, se contempla uma bela vista de Tarragona.

O Circo, situado nas proximidades do foro, foi construído no séc. I dC,e nele se celebravam as populares corridas de cavalos, e também cumpriu esta função até a desintegração do império no séc. V. Durante as épocas seguintes, a arena foi utilizada como espaço para novas construções residenciais, de modo que o circo permaneceu incrustado em pleno centro urbano, que dessa forma facilitou curiosamente sua conservação.

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Abaixo, vemos a galeria que comunicava o foro com o circo.

O Anfiteatro chama a atenção por sua localização, próximo ao mar. Esta construção do séc. II dC foi utilizada na centúria seguinte como local de execução de cristãos, durante a perseguição a que foram submetidos. Tal foi o caso do bispo da cidade Fructuoso e seus diáconos Augúrio e Eulogio, que se tranformaram nos primeiros mártires da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA No anfiteatro disputavam-se todos os tipos de espetáculos sangretos, como lutas de gladiadores e contra animais. Tinha capacidade para 15 mil pessoas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo séc. V, como conseqüência da política religiosa dos imperadores cristãos, foi perdendo sua função original e um século depois se aproveitaram suas pedras para a construção de uma basílica, na qual pudessem ser venerados os santos citados acima, já na época visigoda.

Ao redor do templo foram construídos também um cemitério com tumbas escavadas na arena e mausoléus funerários, adossados à igreja. A invasão muçulmana fez com que o local fosse abandonado, até que no séc. XII se ergueu, sobre os restos da antiga basílica, um novo templo românico dedicado a Santa Maria do Milagre. Esta igreja permaneceu de pé até 1915.

Outro dos monumentos romanos conservados é o Foro Colonial, espaço reservado aos assuntos comerciais e administrativos.

O Portal de San Antonio está situado nas muralhas, porém sua origem nao é romana. Foi levantada em 1737 (época barroca) e em sua parte superior vemos o escudo do rei Felipe V.

A Catedral de Tarragona é seu principal monumento religioso. Construída a partir de 1171, foi concluída em 1331, e apresenta um estilo de transição do românico ao gótico.

A portada central, por ex., pertence ao estilo gótico, e nela vemos a Virgem Maria no parteluz e a profetas e apóstolos esculpidos nas laterais.

Para conhecer melhor a catedral, visite o post publicado nos dias 8 e 9/3 de 2013. Outro local de interessante visita é a Casa Castellarnau, um palacete gótico do séc. XV, que sedia um Museu de História.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm suas dependências, podemos admirar móveis dos séc. XVIII e XIX.

O espaço conserva estruturas arquitetônicas de várias épocas, como o pátio e a escada com colunas góticas.

Uma das muitas tradições do povo catalão e representada nas datas festivas é o denominado Castells ou pirâmide humana. Em Tarragona há uma estátua que a homenageia. Existem concursos nos quais os vencedores são aqueles capazes de fazer a pirâmide mais alta e estável.

Finalizamos o post na Praça do Sedassos. Nela, vemos a original decoração do edifício que pertence ao pintor Carles Arola. O mural representa uma típica fachada do séc. XIX, composta por personagens tradicionais e incorpora elementos festivos próprios da cultura popular. Pintado em 1995, o artista utilizou recursos da técnica do claro-escuro e da perspectiva, conseguindo um efeito de realidade das pessoas e objetos. Dessa forma, a obra cria situações que parecem verdadeiras, aos olhos do observador.

Plasencia – Extremadura (Parte 2)

Desde sua fundaçao, Plasencia foi uma cidade de realengo, isto é, propriedade exclusiva da coroa e a partir de 1189 tornou-se sede episcopal.

Em 1488, passou a ser governada pelos Reis Católicos e Fernando de Aragón nela viveu desde 1515. Em 1446 foram criados os estudos universitários de Plasencia, os primeiros de Extremadura. A biblioteca do Monastério do Escorial foi criada com o acervo de livros pertencente ao Palácio Episcopal de Plasencia, levados ao monastério madrilenho por ordem do rei Felipe II.

A cidade conserva uma grande quantidade de palácios e casas senhoriais, como a Casa das Infantas, construída entre os séc. XVI/XVII.

A Casa del Deán  é uma casa-palácio do séc. XVII e seu destaque é o balcão em estilo neoclássico, coroado pelo escudo do proprietário.

Nas fotos seguintes, vemos outros exemplos de casas senhoriais da cidade.

Outro monumento emblemático é o Aqueduto Medieval, levantado no séc. XVI, em substituição ao anterior, do séc. XII. Com um comprimento de 200m, se conservam 55 arcos.

Plasencia é atravessada por duas rotas jacobeas, o chamado Caminho de Santiago do Levante, que parte de Alicante e finaliza em Plasencia, onde se une com o Caminho de La Plata. Os monumentos religiosos mais importantes são sua 2 catedrais, que serão tratadas em post à parte. A Igreja de San Esteban pertence ao séc. XV, e nela se casou o célebre poeta José Maria Gabriel y Galán.

A Igreja de San Nicolás existe desde o séc. XII e seu aspecto atual é fruto de várias reformas. A principal foi realizada no séc. XV, conferindo o estilo gótico que vemos atualmente.

O antigo Convento dos Dominicanos, do séc. XV, foi convertido em Parador Nacional, e enquanto tomamos um café em suas dependências, admiramos o histórico edifício.

O Convento de San Francisco Ferrer abriga uma excelente coleção de peças sacras, utilizadas pelas confrarias da cidade, principalmente durante as festas da Semana Santa.

O Museu Etnográfico-Textil Pérez Enciso encontra-se situado no antigo hospital de Santa Maria, fundado no ano 1300. Inaugurado em 1989, é o primeiro do gênero na comunidade. Exibindo um variado conjunto de objetos, reflexo de formas de vida tradicionais, como a manufatura da la e trajes típicos.

Plasencia – Extremadura

Plasencia situa-se na Província de Cáceres, ao norte da Comunidade de Extremadura, sendo a cidade mais populosa da província com aprox. 40mil hab. É conhecida como a Pérola do Vale, por estar localizada próxima ao belo Vale do Jerte, rio que cruza a cidade. Seu nome significa “cidade agradável”, dado pelo seu fundador, o rei Alfonso VIII de Castilla.

Durante o Império Romano, foi um acampamento militar para as legiões romanas. Posteriormente, tornou-se um alcázar (fortaleza) durante a ocupação muçulmana, até que foi reconquistado por Alfonso VIII em 1186. Ao fundar a cidade, seu objetivo era garantir o domínio militar que lhe permitisse proseguir o caminho da Reconquista ao norte e leste da Serra dos Gredos e de facilitar o repovoamento dos territórios conquistados. Esta origem militar e populacional explica a importância de seu sistema de fortificação.

Já no ano de sua fundação, iniciou-se a construção das muralhas defensivas. Porém, Plasencia foi tomada pelas tropas do caudilho árabe Almanzor em 1196, e uma vez mais Alfonso VIII reconquista a cidade um ano depois, reedificando definitivamente suas muralhas a finais do séc. XII.

Sobrevivem 21 das 71 torres que cobriam o perímetro da muralha e se conservam 2 que formavam parte do antigo alcázar.

A mais importante é a chamada Torre Lucía, cujo nome se deve porque em sua parte mais elevada se acendiam fogueiras pela noite para servir de referência aos caminhantes que se aproximavam da cidade. Atualmente o espaço sedia o Centro de Interpretação da Cidade Medieval de Plasencia.

Se conservam também 5 das portas de acesso ao interior da cidade. Abaixo, vemos algumas delas, como a Porta do Sol, a mais monumental de todas.

Abaixo, vemos a Porta del Clavero.

Curiosamente, algumas casas foram incorporadas às muralhas.

Devido ao seu caráter histórico e a grande quantidade de monumentos que possui, a cidade é um dos destinos preferentes da Comunidade de Extremadura.

A Praça Maior, por ex., é o local de celebração do mercado desde a Idade Média.

Nela se casaram, em 1475, a rainha Juana La Beltraneja e Alfonso V de Portugal, sendo proclamados reis de Castilla e Portugal. Num de seus extremos, localiza-se o Palácio Municipal, construído no séc. XVI e composto por uma dupla arcada renascentista.

Em sua parte mais alta, vemos um dos personagens mais queridos da cidade, o Abuelo Mayorga, responsável em fornecer as horas aos habitantes da cidade.

Ao redor da praça, sao vários os estilos arquitetônicos de seus edifícios.

No próximo post, seguiremos com seu patrimônio monumental…

Palácio Real – Madrid

O Palácio Real de Madrid é a residência oficial do rei de Espanha, embora seja utilizado somente para cerimônias oficiais, já que a família real reside no Palácio de La Zarzuela. É também conhecido com o nome de Palácio de Oriente, por estar situado ao lado da praça homônima, que foi matéria de um post publicado em 21/8/2012.

Considerado um dos maiores palácios de Europa, alberga um valioso patrimônio histórico-artístico, com obras pictóricas de mestres como Caravaggio, Goya, Velazquez, etc, esculturas e a maior coleção de stradivarius do mundo. Outra de suas destacadas coleções são a Armería Real, uma das mais prestigiadas em seu gênero, com armas e armaduras pertencentes a família real desde o séc. XIII, a coleção de porcelana, relógios, mobiliário e objetos de prata.

O palácio limita com a mencionada Praça do Oriente, com a Catedral de Almudena, e com os jardins do Campo de Moro e de Sabatini. Este último situa-se na parte norte do palácio, um espaço verde de estilo francês criado nos anos 30 do séc.XX. Seu nome homenageia a um dos arquitetos responsáveis pela construção do edifício. Ao redor de um lago, encontramos estátuas de reis espanhóis, que num princípio estavam destinadas a decorar o Palácio Real.

A origem do palácio remonta ao séc. IX, quando o reino muçulmano de Toledo construiu uma edificação defensiva, que posteriormente foi utilizado pelos reis de Castilla, até que se levantasse o Alcázar Real no séc. XVI, habitado pelos reis da dinastia austríaca dos Habsburgos. Apesar de não viver no Alcázar, o imperador Carlos I realizou reformas e melhorias em sua estrutura. Felipe II continuou o processo de revitalização do palácio, numa época em que Madrid acabava de converter-se na capital do reino. No seu interior, o pintor Diego de Velázquez possuía um estúdio onde trabalhava e que podemos apreciar no famoso quadro “As Meninas”.

No entanto um voraz incêndio destruiu o alcázar e o então rei Felipe V, o primeiro da dinastia borbônica, decidiu construir um novo palácio exatamente no mesmo local, porém com materiais não inflamáveis, como a pedra, o tijolo e o granito.

A construção iniciou-se em 1738, segundo o projeto do arquiteto italiano Juan Bautista Sachetti, e prolongou-se até 1764, quando o rei Carlos III tornou-se o primeiro monarca em habitar de forma contínua o novo palácio. O arquiteto real Francisco Sabatini se encarregou de concluir as obras.

No séc. XIX, o rei Fernando VII realizou a mais ampla remodelação do palácio, cujo objetivo era converter o então aspecto italianizante do edifício em uma moderna estrutura ao estilo francês.

Antes da reforma, porém, o palácio foi habitado por um rei estrangeiro, José I, irmão de Napoleão Bonaparte, e que foi nomeado pelo irmão Rei de Espanha, após a invasão das tropas francesas que desencadearam a denominada Guerra de Independência.

O último rei que viveu no palácio foi Alfonso XIII, até sua morte em 1931.

O interior é suntuoso e suas dependências estão decoradas ao estilo de distintas épocas, como a Sala do Trono, por ex., cujo aspecto se mantém intacto desde o reinado de Carlos III. Infelizmente, as fotos não estão permitidas…

Uma vez ao mês, podemos admirar a troca de Guarda que ocorre no pátio do palácio.

Abaixo, vemos na fachada da Praça do Oriente, o escudo real, e, a seu lado, duas estátuas representando a reis espanhóis de época visigoda.

 

 

 

Valladolid – Primeira Parte

Capital da província homônima e pertencente à Comunidade de Castilla-León, Valladolid é a décima terceira cidade mais populosa da Espanha com aprox. 320 mil habitantes. Situa-se ao noroeste da Península e até a Idade Média não possuiu uma população estável. Após a reconquista dos territórios até então sob poder muçulmano, o monarca Alfonso VI encargou ao conde Pedro Ansúrez o repovoamento da cidade, sendo este considerado, pois, seu fundador, no séc. XI.

A partir de 1072, inicia-se seu crescimento, com a construção de igrejas, universidade e o Alcázar Real, permitindo que Valladolid se convertesse na sede da corte castelhana.

Uma das hipóteses mais prováveis para a origem de seu nome provém da expressão celta Vallis Tolitum, que significa Vale das águas, já que a cidade está cortada por dois rios, o Pisuerga e o Esgueva. De forma popular, utiliza-se a palavra Pucela para denominar a cidade.

Durante os séc. XII e XIII, Valladolid expandiu-se favorecida pelos privilégios comerciais outorgados pelos reis Alfonso VIII e Alfonso X, El Sábio. Nesta época, a cidade servia ocasionalmente como residência real e em 1469 os Reis Católicos Fernando de Aragón e Isabel de Castilla celebraram seu matrimônio no Palácio De Los Vivero. Durante seu governo, viveu uma época de dinamismo universitário, com a criação dos Colégios Maiores de Santa Cruz e de San Gregório. Vale lembrar que a universidade de Valladolid é uma das mais antigas do mundo, do séc. XIII.

Em 1500 se estabelece o Tribunal da Inquisição, dando lugar a celebrações dos chamados Autos de fé. Em 1506, falece na cidade Cristóvão Colombo, sendo sepultado no Convento de San Francisco, hoje desaparecido. Em 1527 nasce no Palácio de Pimentel, o futuro rei Felipe II. Construído no séc. XV, atualmente é a sede da Deputação Provincial. Abaixo, vemos algumas fotos do palácio.

Arrasada por um incêndio em 1561, a cidade foi reconstruída pelo já rei Felipe II, dotando-lhe da primeira Praça Maior de Espanha. O projeto de Francisco de Salamanca colocou em prática, por primeira vez, as concepções do urbanismo moderno. As praças maiores de Salamanca e Madrid, mais famosas, foram inspiradas no modelo da praça de Valladolid. O núcleo histórico da cidade articula-se em seu entorno, e a Casa Consistorial, situada no meio da praça, é seu edifício mais representativo. Construída em 1908 pelo arquiteto Enrique Maria Repullés, imita os modelos da arquitetura renascentista espanhola.

Da época da construção da Praça Maior, Valladolid converteu-se, durante um breve período, entre 1601 e 1606, na capital do Império Espanhol. Depois que esta função passou definitivamente a Madrid, a cidade entrou num período de decadência, do qual somente se recuperará com a chegada da estrada de ferro Companhia do Norte em 1860 e com o processo de industrialização ocorrido em pleno séc. XX.

Atualmente, a economia baseia-se no setor terciário de serviços, com um comércio diversificado e uma potente indústria automobilística.

O centro histórico da cidade está repleto de lugares de interesse, relacionados com os relevantes episódios que se sucederam na cidade. Nest post e no próximo, veremos os principais pontos turísticos de Valladolid.

A Igreja Conventual de San Pablo é um de seus monumentos mais representativos. Pertence à Ordem Dominicana e está localizada na Praça de San Pablo, que também alberga o mencionado Palácio de Pimentel e o Palácio Real.

O convento foi fundado em 1276, porém o templo atual foi construído em 1445, através da iniciativa do cardeal Fray Juan de Torquemada, tio do inquisidor geral Tomás de Torquemada. Os arquitetos responsáveis pelo projeto foram Juan Guas e Simon de Colônia, e na igreja foram batizados os reis Felipe II e Felipe IV. O estilo é o habitual da época dos reis católicos, o denominado Gótico Isabelino.

No séc. XIX, com a invasão napoleônica, tanto a igreja quanto o convento foram profanados, causando sérios danos ao conjunto. A progresiva ruína, associada aos processos desamortizadores, em especial o verificado em 1835, destruíram as dependências conventuais, restando em pé somente a igreja. No séc. XX, foi obra de várias restaurações, entre as quais a que se realizou depois que foi vítima de um incêndio. Seu grande destaque é a ornamentada fachada, construída em 1500, obra de Simon de Colônia, e se assemelha a um grande retábulo em baixo-relevo, feito de pedra.

Da época renascentista, edificada no estilo florentino, é o Palácio do Marques de Valverde, um dos exemplos de casa palaciega da cidade.

Uma dos templos mais velhos da cidade, a Igreja de Santa Maria la Antigua é mencionada desde 1088. Porém, desta época primitiva não sobrou nada. Conserva, no entanto, uma esbelta torre românica de finais do séc. XII. O resto pertence aos estilos gótico e neogótico, pois foi restaurada no séc. XIV e reconstruída no séc. XX.

De princípio do séc. XX é a Academia de Cavalaria, situada em frente a maior área verde da cidade, o Parque Campo Grande.

Idealizado por Miguel Íscar, prefeito da cidade na segunda metade do séc. XIX, o Parque Campo Grande acolhe uma grande variedade de árvores, constituindo um verdadeiro Jardim Botânico. Outro aspecto digno de menção é a enorme quantidade de aves como, por exemplo, o pavão real.

A Fonte da Fama foi construída em homenagem a inesperada morte de Miguel Iscar em 1880, e inaugurada 3 anos depois.

Um dos edifícios históricos da Universidade de Valladolid é o que alberga o curso de direito, como mostra sua decorada fachada barroca de 1715. No interior, admiramos sua bela escada decorada com azulejos.