Palencia

Palencia situa-se às margens do rio Carrión e dista 235km de Madrid. Conta com aprox. 80mil habitantes. A origem do seu nome procede da palavra Pallantia, que designava um antigo povoado prerromano que existia no local. É considerada a cidade espanhola com a maior quantidade de área verde por habitante, além de ser considerada uma das mais limpas  e de alto grau de desenvolvimento sustentável. A maior parte do centro está formada por ruas habilitadas somente para pedestres, tornando o passeio deveras agradável.

A época visigoda foi um dos períodos mais esplendorosos de Palencia, pois se tornou sede episcopal, uma das mais antigas do país e na época superada apenas pela diocese de Toledo, e também sede da corte. Na Idade Média, seu grande impulsor foi o rei Alfonso VIII de Castilla, que lhe concedeu foros e fundou uma instituição educativa que se tornaria a Universidade mais antiga do país, recebendo a aprovação pontifícia em 1221 e , infelizmente, desaparecendo décadas depois.

A prosperidade  do séc. XVI transformou a cidade, junto a outras províncias castelhanas, no coração econômico e demográfico do Império Espanhol. A Primeira Guerra Mundial e a Guerra Civil Espanhola favoreceram, até certo ponto, o seu desenvolvimento, devido às industrias alimentícias e de armas que dispunha, indispensáveis para o abastecimento das tropas.

Atualmente, Palencia é uma cidade de serviços com um rico Patrimônio Histórico, prova de sua importância no passado. Apesar disso, o turismo cresce lentamente, não sendo uma das cidades mais visitadas de Espanha. Não obstante, recomendo uma excursão desde a capital, que apesar da distância, pode ser percorrida numa rápida viagem em Trem de Alta Velocidade.

Seu monumento mais conhecido, a Catedral de San Antolín, foi a matéria do post anterior. Na foto abaixo, vemos a bela praça onde o templo se localiza.

Outro monumentos religiosos de interesse são:

A Igreja de San Miguel  é considerada, arquitetonicamente, como de transição do Românico ao Gótico. Seu elemento de destaque é a torre de aspecto militar, que lhe confere mais uma aparência de fortaleza que de igreja. Nela foi realizado o casamento entre Rodrigo Diaz de Vivar, popularmente conhecido como El Cid,e sua esposa D. Jimena. No entanto, pode-se dizer que ainda o templo permanece desconhecido. Monumento nacional desde 1931.

A Igreja de San Francisco é uma construção do séc. XIII no estilo gótico, com ampliações renascentistas e barrocas. Declarada Monumento nacional desde 1992,  pertence à Ordem Jesuíta.

O Convento de San Pablo foi levantado pelo fundador da Ordem Dominicana , Santo Domingo de Guzmán, no séc. XIII. Porém, a igreja que hoje contemplamos, foi erigida nos séc. XIV e XVI.

Além dos monumentos religiosos, existem muitos outros de caráter civil de especial beleza. O Palácio da Deputação Provincial, por ex., é um edifício modernista construído em 1914, sendo responsável pelo governo e administração da província.

O Colégio de Villandrando, localizado na Calle Mayor, foi construído como asilo e instituição para crianças órfãs. Seu arquiteto, o palentino Jeronimo Arroyo, buscou uma reinterpretação do gótico veneziano e catalão, com destaque para sua bela fachada.

A Ponte Mayor sobre o rio Carrión foi erguida no séc. XVI  e reformada e ampliada no XVIII.

A estátua da mulher palentina causo polêmica na sua inauguração, por ser considerada moderna demais para o local onde foi colocada. Atualmente, porém, é um ponto de encontro e foi carinhosamente apelidada de “La Gorda”.

Catedral de Palencia

Palencia está localizada na Comunidade de Castilla-León e seu monumento mais significativo é a Catedral de San Antolín, padroeiro da cidade. Trata-se de uma construção predominantemente gótica, ainda que conserve elementos anteriores de época visigoda e românica, e elementos decorativos renascentistas, barrocos e neoclássicos. Seu comprimento de mais de 130m a converte na terceira maior de Espanha, depois das Catedrais de Toledo e Sevilha. O exterior carece de uma fachada principal e se apresenta austero e maciço, que não reflete a beleza encontrada no interior. Apesar da obra gótica ter demorado dois séculos em ser finalizada (séc. XIV- XVI), na realidade o templo que observamos atualmente tardou 14 séculos em finalizar-se, pois a parte mais antiga da cripta data do séc. VII.

No exterior, o elemento que mais chama a atenção é a torre, construída no séc. XV.

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A Catedral gótica foi construida a partir de 1321, sobre o anterior templo românico do séc. XI, que encontrava-se em um estado ruinoso, sendo terminada em 1516. A parte mais antiga da edificação gótica é a cabeceira, que segue fielmente os padroões do estilo, com seu formato poligonal e ábsides recortados por janelas.

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Na fachada meridional, a Porta do Bispo é a mais bela das 5 que possui. Data dos séc. XV e XVI, e na parte central observamos uma Virgem Maria gótica, rodeada de vidreiras em forma de flor. No entanto, a porta encontra-se bastante deteriorada devido à erosão.

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Se a sobriedade é a característica marcante do exterior, no interior sobressai uma rica decoração, de várias épocas e estilos. A catedral possui planta de cruz latina com 3 naves, separadas por pilares sobre os quais descansam os arcos apuntados e as bôvedas de crucería, típicas do gótico.

A cripta é uma de suas partes fundamentais, tanto por seu valor histórico, quanto por sua arquitetura representativa da época visigoda e do românico inicial. Se acede a ela por uma bela escada situada aos pés do trascoro.

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O Trascoro é uma obra do séc. XVI pertencente ao Renascimento Espanhol e apresenta no centro um dos conjuntos pictóricos mais representativos da pintura flamenca em Espanha. O quadro representa as 7 dores da Virgem.

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Na chamada nave do Evangelho, apreciamos o famoso Cristo das Batalhas, uma obra gótica muito venerada pelos palencianos.

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Já na nave da Epístola, o Altar do Salvador data de 1534, estilo plateresco, e é atribuído a Diego de Siloé e Felipe Vigarny.

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A catedral possui 2 Capelas Maiores, uma exceção à regra, já que na maioria dos casos as catedrais possuem apenas uma:  A Capela do Sagrário, que durante tempos foi denominada de capela maior, acolhe o sepulcro da rainha Urraca, esposa do rei Garcia Ramírez de Pamplona.

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Na atual Capela Maior, destacamos o retábulo construído em 1504, o exemplar renascentista mais antigo de Espanha.

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Dentro das capelas que rodeiam a cabeceira, a chamada dos Reis ou de San Pedro é uma das principais, devido ao seu grande valor artístico e  aos relevos de gesso que representam os Reis Magos. Construída no séc. XIV por artistas anônimos, foi reformada no séc. XVI. O retábulo que a decora  foi dedicado a San Pedro.

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Abaixo, a bôveda da Capela dos Reis.

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A seguir, uma foto do crucero e outra do coro.

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O claustro iniciou-se em 1439 e finalizou-se em 1516. De planta quadrada, nele trabalharam artistas de renome, como Juan Gil de Hontañon.

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O Altar plateresco de São Pedro e São Paulo foi terminado em 1534 e impressiona por sua realização.

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Um dos poucos restos da antiga catedral românica está representada pela porta que vemos a seguir.

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A catedral de San Antolín é conhecida como a “Bela desconhecida” e foi declarada Monumento Nacional em 1929.