Paisagens de Aragón – Parte 2

A Comunidade de Aragón localiza-se no nordeste da Espanha, e faz fronteira ao norte com a França, com a qual divide o maciço dos Pirineus, seu marco divisório natural.

É a quarta comunidade em extensão territorial, com um pouco menos de 50mil quilômetros quadrados (9,43% da superfície total). Por outro lado, é uma das regiões com a menor densidade populacional do país, sendo que metade de sua população total encontra-se na capital, Zaragoza.

Além dos Pirineus, possui outra cadeia montanhosa, o denominado Sistema Ibérico, e conta com o ponto culminante de ambas cordilheiras. O Pico do Aneto (3404m), localizado no Parque Natural Posets-Maladeta (município de Benasque, Província de Huesca) é o mais alto de toda a cordilheira pirenaica, e o Moncayo, mítica montanha que, com 2313m, é a maior elevação do Sistema Ibérico (matéria publicada em 21/6/2012).

Aragón conta com várias reservas naturais e um Parque Nacional, o de Ordesa-Monte Perdido, situado em pleno Pirineus, e declarado Patrimônio da Humanidade (matéria publicada em 19/6/2012). Abaixo, vemos várias fotos que não haviam sido publicadas deste incrível espaço natural.

O clima, no geral, é classificado como mediterâneo continental, embora a irregular geografia do território propicie a existência de microclimas ao longo de toda a comunidade. Suas principais carcterísticas são o inverno rigoroso, principalmente nas zonas mais elevadas, e altas temperaturas no verão. As precipitações são irregulares, e a aridez uma constante da paisagem de sua zona central (Província de Zaragoza).

Um exemplo é a Comarca dos Monegros, que possui um clima semidesérico e que sofre com constantes secas.

No entanto, possui um ecossistema único na Europa, próprio das estepes orientais. Sua riqueza biológica se comprova pelas mais de 5400 espécies que acolhe, com um alto grau de endemismo. Situado na Depressão do Vale do Ebro, a escassos quilômetros de Zaragoza, sua paisagem é inóspita e pouco povoada. Formações rochosas fortemente erosionadas caracterizam a região.

A maior parte dos rios aragoneses são afluentes do Ebro, o curso fluvial de maior volume de água de todo o país. Os afluentes de sua margem esquerda são de origem pirenaica, e entre eles,destacam os rios Aragón, o Gállego e o Cinca, cuja imagem vemos a seguir.

Os espaços naturais protegidos são administrados pela Rede Natural de Aragón, entidade criada em 2004 para proteger as zonas de alto valor ecológico, paisagístico e cultural.

O Parque Natural da Serra e dos Canyons de Guara (Prov. Huesca) é a maior reserva aragonesa protegida, com cerca de 33mil hectares. Sua natureza de caráter carstico faz com que sejam abundantes as dolinas, grutas e canyons, sendo um local apropriado para a prática de esporte radicais. O parque possui uma grande extensão de trilhas sinalizadas, de diferentes graus de dificuldade.

A Reserva Natural dos Galachos de Julisbol situa-se nos limites da cidade de Zaragoza. A palavra galacho é de origem aragonesa e significa um meandro de rio abandonado, no caso mencionado, pelo rio Ebro. Foi formado depois da grande inundação verificada em 1961, sendo o mais recente e provavelmente o último, pois o rio atualmente está controlado por represas. Árvores e outras plantas colonizaram suas margens, segundo sua resistência a enchentes e necessidades de água, tais como Álamos, Olmos, Fresnos,etc.

A Energia Eólica é uma constante na paisagem de Aragón. O país foi pineiro na utilização desta fonte renovável, convertendo-se no país líder em investigação e desenvolvimento da tecnologia. Recentemente, tornou-se a fonte de eletricidade mais utilizada, respondendo por aprox. 21% da potência elétrica instalada, e ultrapassando as demias fontes tradicionais, como a nuclear (19%), hidroelétricas (17%) e termoelétricas (13%).

Conhecer a comunidade é uma excelente proposta turística, rica em paisagens e patrimônio cultural.

Fim de Semana – La Mancha

A Comunidade de Castilla La Mancha oferece uma excelente oportunidade para os turistas que se encontram em Toledo, ou mesmo em Madrid, de passar um fim de semana com muitos atrativos. Em um passeio de dois dias, podemos disfrutar de caminhadas ecológicas, da gastronomia manchega, através da visita a uma de suas inúmeras bodegas de vinho, e da parte cultural, conhecendo alguns de seus pueblos mais acolhedores. E tudo isso a poucas horas da capital.

Iniciando a excurçao sábado pela manha, nosso primeiro destino será o Parque Nacional de Los Cabañeros, situado entre as províncias de Toledo e Ciudad Real. O local integra a rede de 14 Parques nacionais de Espanha, e está catalogado também como Zona Especial de Proteção das Aves (ZEPA).

Com uma superfície aprox. de 41mil hectares, é um dos espaços naturais de maior relevância da Península Ibérica, já que protege os bosques mediterâneos, tão devastado no resto do país.

Dentre as várias rotas para conhecê-lo, visitamos o denominado “Sendero del Boqueron del Estena”, que parte do povoado de Navas de Estena. O caminho está apto para todos, já que apresenta baixa dificuldade nos seus 8km (ida/volta), ao longo da trilha que margeia o rio Estena. Apresenta uma típica vegetação mediterânea e também àquela associada às ribeiras fluviais da zona.

O Parque Nacional abriga uma grande biodiversidade, devido à variedade de ambientes que acolhe. Na sua fauna avícola destacam espécies em perigo de extinção, como a águia imperial ibérica e o buitre negro. Cabe ressaltar a grande quantidade de aves, 198, das quais 3% estão ameaçadas a nível mundial, como as duas espécies citadas acima.

Os mamíferos estão representados pelo javali, a lebre, o raro lince ibérico, a cabra montês e o cervo, animal encontrado nas regiões planas da reserva e que, junto as árvores dispersas, deram ao parque o apelido de “Serengueti Espanhol”.

Possui também uma importante e diversa população de anfíbios, répteis e peixes. Da mesma forma que a fauna, a flora também apresenta espécies ameaçadas.

Outro aspecto notável é a sua geologia. Os montes de Toledo, local onde se localiza o parque, formam a cadeia montanhosa mais antiga da Península Ibérica e o desgaste do relevo associado à erosão cria uma insólita paisagem. Além disso, na trilha que percorremos, podemos observar restos fósseis de 400 milhoes de anos, quando este território estava submergido pelas águas oceânicas. Recentemente, foi encontrado os restos fossilizados de atividade de um Gusano Gigante, o mais antigo descoberto até o momento.

Em 1982, o local passou a ser conhecido por todo o país, devido a intenção do Ministério da Defesa de transformar a área em um campo de tiro e de manobras do exército. Graças a pressão popular e política que foi gerada, e dada sua riquesa ambiental, o território foi declarado Parque Natural e em 1995 obteve o grau máximo de uma unidade de conservação, o de Parque Nacional.

As cabanas, utilizadas pelos pastoreiros e carvoeiros da região, eram tão características da comarca, que deram o nome à nova reserva criada. Eram construções temporárias, usadas durante a temporada de atividades no local.

Atualmente, existem 11 pueblos dentro dos limites da reserva e seu isolamento, ainda hoje, permitiu sua conservação. A escassa população utilizava técnicas tradicionais para a obtenção de seus recursos e a economia familiar se baseava principalmente na agricultura e pecuária de subsistência, assim como na elaboração de produtos para a venda. A aparição de novas tecnologias fez com que muitos destes ofícios, a maioria deles passado de pai para filho, estejam desaparecendo. Porém, graças a iniciativa de alguns e a tradição local, ainda sobrevivem.

Terminada a caminhada, fomos conhcer um dos belos pueblos da regiao. Antes, porém, fizemos uma parada para contemplar as vistas de um embalse (represa), elemento comum na paisagem espanhola.

Puerto Lápice é dos inúmeros pueblos que compõem a chamada “Ruta Del Quijote”, elaborada a partir da novela de Cervantes. A localidade possui belos exemplos de arquitetura tradicional, como sua pitoresca Praça Maior.

Não podia faltar, é claro, os famosos Moinhos, cujo episódio da obra cervantina é dos mais relembrados. No próximo post, seguiremos com o passeio…

Pirineus e P.N. Ordesa-Monte Perdido

A Cordilheira Pirenaica formam a fronteira natural entre Espanha e França. Estendem-se por aprox. 415km, desde o mar Cantábrico, no Golfo de Vizcaya (País Vasco) até o Cabo de Creus, no mar Mediterâneo (Catalunha). Os Pirineus subdividem-se em Ocidentais ou Atlânticos, Centrais (onde encontram-se as montanhas mais altas) e Orientais. O ponto culminante da cordilheira é o Monte Aneto, com 3404m de altitude e existem cerca de 200 montanhas acima dos 3000m. Sua aparência maciça e conservada deve-se à abundância de granito, particularmente resistente à erosão.  Em sua parte ocidental as montanhas estão formadas por uma camada de calcário. Segundo a lenda, a origem da palavra procede da mitológica filha de Atlas, Pirene, a qual Hércules levou consigo em uma de suas viagens. Quando faleceu, o herói acumulou pedras para selar sua tumba, originando a cadeia montanhosa.

A flora pirenaica conta com aprox. 4500 espécies, das quais 160 são endêmicas, e sua representante mais conhecida é a denominada flor de neve ou Edelweiss, encontrada nos Pirineus Aragoneses. Entre as quase 200 espécies de animais que sobrevivem na região, destacamos a presença do Urso Pardo, cuja populaçao lentamente se recupera após séculos de perseguição. Não obstante, estima-se que apenas de 20/25 exemplares buscam refúgio em seu território. Em melhores condições, estão o Cervo, a marmota e o onipresente Javali. Em relação às aves, a grande predadora é a Águia Real, embora o Quebrantahuessos seja o símbolo inegável da região, já que foi exterminado em todo o continente, encontrando nos Pirineus seu último hábitat.

Um dos Espaços naturais protegidos mais importantes de toda a cordilheira é o Parque Nacional de Ordesa-Monte Perdido, localizado em território aragonês, ao norte da Província de Huesca. Criado em 1918, é o segundo parque mais antigo do país, e conta com uma extensão de 15.608 hectares. Em 1977, a zona foi declarada Reserva da Biosfera e 20 anos depois foi incluída na lista de Patrimônio da Humanidade concedida pela Unesco. Dentro de seus limites, destaca o imponente maciço das Três Sórores, cuja montanha denominada Monte Perdido é considerada a mais alta formação calcária de toda Europa, com 3350m. O parque está formado por vales glaciares, situados entre imensos paredões rochosos. O mais visitado é o Vale de Ordesa, que pode ser atingido desde trilhas que começam  desde a bela cidade de Torla.

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O chamado Circo de Soaso oferece as mais belas vistas do Monte Perdido e o Rio Arazas o acompanha, formando cachoeiras maravilhosas.

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Uma das mais conhecidas é a Cola del Caballo, situada aos pés do Monte Perdido.

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Igualmente impressionante, o Vale do Rio Bellós forma o Cânion de Anisclo, que pode ser percorrido a pé em grande parte de sua extensão.

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Já o Vale de Escuaín, por onde passa o Rio Yaga, oferece caminhadas ao borde do penhasco, com excelentes panorâmicas das montanhas circundantes.

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Dominado pelo Rio Cinca, o Vale de Pineta é um destino muito popular, e no inverno é uma delícia caminhar sobre suas montanhas nevadas.

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Em minha opiniao, a melhor época para visitar o parque é no outono, quando a paisagem se trona multicolorida…

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O Dólmen de Pineta é testemunho da presença humana na regiao há milenios.

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Cabe ressaltar que, no lado francês, os Pirineus também estão protegidos por reservas, como o Parque Nacional dos Pirineus, que no denominado Circo de Gavarnie encontramos a cascata mais alta de Europa, com mais de 400m de queda vertical. É imprescindível sua visita no verao, já que no inverno (época de minha visita), não se aprecia a cachoeira, já que tudo está congelado. Burro…

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Paisagens Espanholas

Além do seu vasto patrimônio histórico-artístico, o país ibero goza de uma natureza privilegiada e diversa. Conta também com uma ampla variedade de reservas naturais protegidas, entre as quais destacam seus parques nacionais.
São 14 e o Parque Nacional de Ordesa – Monte Perdido, o segundo em ser criado no país (1918), é um paraíso encravado nos Pirineus. Seus vales, cascatas e a aquarela de cores que brotam de suas árvores durante o outono é realmente um colírio para os olhos. Frequentado por alpinistas de toda a Europa, guarda dento de seus limites o maciço do monte Perdido, considerada a montanha calcária mais alta da Europa.

Parque Nac. Ordesa no outono

Parque Nac. Ordesa no outono

O Parque Nac. Tablas de Daimiel , situada na comunidade de Castilla la Mancha, preserva um ecossistema completamente diferente do anterior. Trata-se de um humedal, uma região alagada possuidora de uma fauna repleta de aves aquáticas e de grande valor ecológico.

Parque Nac. Tablas de Daimiel

Parque Nac. Tablas de Daim

Para nós, brasileiros, uma bela praia faz parte do imaginário do nosso “consciente coletivo”, enaltecida pela extensão da nossa costa.
O arquipélago das ilhas Baleares é famoso por sua agitada vida noturna, bem como por suas praias. A ilha de Menorca tem uma enorme quantidade delas, muitas ainda virgens.

Playa de la Madalena - Menorca

Playa de la Madalena - Menorca

Valeu galera, até a próxima.