Castelos e Fortalezas da Espanha

Poucas construções da Europa estão tão vinculadamente associadas a ela como seus Castelos e Fortalezas,  abundantes por todos os países constituintes do “Velho Continente”. De fato, poder admirar estes edifícios resulta sempre numa experiência inesquecível e jamais me canso de apreciá-los, apesar de viver na Espanha há 13 anos. Símbolo de uma época, o feudalismo, e uma etapa histórica, a Idade Média, o poder simbólico dos castelos permanecem ainda em vigor no imaginário coletivo.

DSC00704Poucos países europeus possuem uma quantidade tão grande de castelos quanto a Espanha. Basta dizer que o nome de duas de suas comunidades autônomas se relacionam diretamente com eles, Castilla La Mancha e Castilla y León. Por este motivo, e também pela importância histórica que desempenharam, decidi realizar uma série de posts sobre os Castelos e Fortalezas da Espanha, salientando diversos aspectos sobre estas magníficas construçoes. Abaixo, uma foto minha no Castelo de Coca (Província de Segóvia, Castilla y León), um dos castelos mais famosos do país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO termo Castelo é originário do latim “Castellum“, diminutivo da palavra “Castrum“, que significa “lugar fortificado“. Da origem latina desenvolveram-se palavras em vários idiomas para designar estas estruturas, como o “Château” francês, o “Castello” italiano, e o “Castillo” espanhol. A partir do século XI em Portugal, a palavra “Castelo” passa a ser utilizada como sinônimo de estruturas defensivas. O termo “Castle” do inglês foi introduzido um pouco antes da conquista dos Normandos. Segundo o dicionário da Real Academia Espanhola, castelo significa “Uma praça forte, cercada por muralhas, baluartes, fossos e outras fortificações”. No dicionário Aurélio, a palavra também possui este significado, atribuindo-se também o sinônimo de “Residência nobre ou real fortificada”. Abaixo, vemos o belíssimo povoado aragonês de Uncastillo, com as ruínas de seu antigo castelo em sua parte mais elevada, e o Castelo de Molina de Aragón, situado neste povoado da Comunidade de Castilla La Mancha.

DSC01783OLYMPUS DIGITAL CAMERAFrequentemente, o termo “Castelo” é utilizado de forma genérica para muitos tipos de fortificaçoes edificadas com propósitos distintos. Um exemplo é o Castelo da cidade aragonesa de Jaca, que na realidade trata-se de um forte, como conhecemos no Brasil.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste tipo de estruturas militares possui, na Espanha, uma analogia com os castelos, da mesma forma que as palavras Alcázar, Atalaya, Torre e Alcazaba. Num período de constantes guerras entre países, e devido aos conflitos internos de cada região, as cidades medievais estavam fortificadas, e muitas de suas construções integravam o sistema defensivo, como as pontes, por exemplo. A seguir, vemos a Ponte de Alcántara, situada aos pés do famoso Alcázar de Toledo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA ponte romana de Córdoba, com suas torres defensivas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAE a ponte medieval do povoado de Frías, localizado na Província de Burgos, Comunidade de Castilla y León. Ao fundo, vemos o Castelo da localidade…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs construções religiosas, muitas vezes, apresentam um aspecto de fortaleza, caso da Igreja Românica de Portomarín, situada na Galícia, que integra o patrimônio histórico do Caminho de Santiago.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO mesmo se pode dizer da Catedral de Ávila

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConventos e Monastérios de grande importância histórica foram devidamente fortificados, caso do Monastério de Poblet, situado na Catalunha e designado Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA necessidade de construir-se estruturas defensivas surgiu com o crescente acúmulo de riquezas e recursos, como os alimentos, por exemplo. Normalmente associados à Idade Média na Europa, as primeiras fortificações apareceram na zona do Crescente Fértil, no Vale do Indo, no Egito e na China, onde os assentamentos humanos estavam protegidos por grandes muros ou muralhas. Foi somente na Idade de Bronze que os chamados “Castros“, povoados fortificados, começaram a espalhar-se pelo continente europeu. Localizavam-se normalmente no alto de uma colina, e um muro cercava suas casas feitas de barro com telhados de palha. Na Espanha, se conservam muitos castros relacionados à cultura pré-romana dos celtíberos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs fortificações romanas incluíam desde simples obras de caráter temporário levantadas pelos exércitos de campanhas militares até impressionantes construções permanentes feitas de pedra, como o Muro de Adriano (Inglaterra) ou a Muralha de Lugo (Galícia), cuja maravilhosa estrutura se conserva ainda hoje, justamente declarada Patrimônio da Humanidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs castelos como tal surgiram na Europa depois da queda do Império Carolíngio no século X. Inicialmente edificados com terra e madeira, sua evolução arquitetônica fez com que fossem construídos em pedra, fato que colaborou decisivamente para seu aspecto robusto e imponente. Abaixo, vemos o castelo do bonito povoado de Morella, Província de Castellón, situada na Comunidade Valenciana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a época das Cruzadas, os castelos espalham-se rápidamente por todo o Oriente Médio. Atualmente existem inumeráveis referências aos castelos em todos os campos artísticos, como elementos imprescindíveis para compreender a história da arquitetura,  como inspiração e relatos históricos na música, na literatura e na pintura, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, continuaremos descobrindo a história dos Castelos e Fortalezas da Espanha, cuja matéria está apenas começando…

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Casa de las Conchas – Salamanca

Qualquer pessoa que caminhe pelo Centro Histórico de Salamanca se surpreenderá com a grande quantidade de palácios nobres existentes, que integram o patrimônio histórico da cidade declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Um dos que mais chamam a atenção do visitante é, sem dúvida nenhuma, a famosa Casa de las Conchas, assim denominada pela grande quantidade de conchas que aparecem como elemento decorador de sua fachada principal. 

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa segunda metade do século XV, com o final das lutas nobiliárias e a derrota definitiva dos muçulmanos com a conquista de Granada, sucedida durante o reinado dos Reis Católicos em 1492, as cidades tornam-se um espaço mais seguro. A nobreza abandona os castelos rurais e retornam ao mundo urbano, construindo palácios que se convertem no símbolo de seu poder. Neles se observan, no entanto, reminiscências das antigas fortalezas medievais, como as altas torres. Os muros, tanto exteriores, quanto interiores, se ornamentam com os brasões do proprietário, como ocorre com a Casa de las Conchas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm ano depois da descoberta do continente americano e da conquista de Granada, um alto funcionário do reino, Don Rodrigo Arias Maldonado, ordenou a construção deste original edifício, cujas obras finalizaram em 1517. Trata-se de um dos melhores exemplos da Aquitetura Gótica Civil da Espanha. No princípio, os Reis Católicos haviam ordenado a derrubada de vários palacetes nobres erguidos com torres, principalmente daquelas famílias que contestavam seu poder. Aqueles que apoiaram a monarquía foram favorecidos, como no caso de Don Rodrigo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAExistem aproximadamente 300 conchas na fachada do palácio, e muito se especula sobre a presença deste elemento na decoração. Don Rodrigo, embaixador do rei em Paris e Lisboa, foi também catedrático na Universidade de Salamanca e membro da Ordem de Santiago, sendo que as conchas são consideradas um símbolo do Apóstolo Santiago. Sua presença demonstra o orgulho que sentia o proprietário por pertencer à ordem. Seu emblema, formado por 5 flores de lis, se combina com o de sua esposa Dona Juana, pertencente a família dos Pimentel, que também utilizava em sua heráldica as conchas como motivo principal. Sua presença na fachada seria, portanto, uma prova de amor. As conchas se destacam na fachada, junto com as janelas góticas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAExistem várias lendas a respeito de tesouros ocultos que foram colocados debaixo das conchas pelos proprietários do palácio. No entanto, era comum na época colocar moedas de ouro na estrutura do edifício para atrair boa sorte. Outra lenda postula que a família escondeu umas jóias debaixo de uma das conchas, deixando documentada a quantidade escondida, mas não a concha escolhida. Aquele que tentasse desvendar o mistério e a localizaçao exata das jóias deveria aportar antecipadamente a quantidade estipulada como fiança. Se lograsse encontrar as jóias, ficaria com o tesouro descoberto e recuperaria a fiança. Do contrário, perderia a fiança…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior do palácio se organiza em torno a um pátio, algo habitual nos edifícios nobres. Nele convivem vários estilos artísticos, cuja coexistência marcou o final do século XV, pois o gótico, em sua última fase, na Espanha denominado Gótico Isabelino, se mistura com o Estilo Mudéjar, tradicional no país, como podemos observar no artesanato que decora o teto do nível superior do pátio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstes dois estilos artísticos se combinam com as novas formas renascentistas, enriquecidas por fantásticos personagens grotescos, abundantes no pátio sob o aspecto de gárgulas. Esta nova corrente importada da Itália foi trazida ao país pela nobreza e o clero, grande parte formada na Universidade de Salamanca.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERATodo o pátio foi decorado com o escudo dos proprietários, como vemos a seguir. Ao fundo, aparece o Ernesto, que me foi apresentado pelos meus amigos Marcelo e Cristina, e que tive o prazer de sua companhia em Ávila e Salamanca.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO nível inferior do pátio está formado pelos denominados Arcos Mixtilíneos

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO nível superior foi feito com mármore branco, possivelmente de Carrara. Abaixo, vemos a bela escada que conduz à parte superior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Casa de las Conchas também exerceu como função ser prisão da Universidade. Está situada em frente a Igreja de la Clerecía, cuja parte da fachada principal vemos desde o pátio…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1929, a Casa de las Conchas de Salamanca foi declarada Monumento Nacional e atualmente alberga a Biblioteca Municipal, além de converter-se num espaço para exposições culturais.

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Um Passeio por Salamanca

Depois de deixar Ávila, eu, o Marcelo, a Cristina e o Ernesto nos dirigimos a Salamanca, outra das cidades imprescindíveis da Espanha. Esta maravilhosa cidade da Comunidade de Castilla y León já apareceu no blog diversas vezes, com a publicação de boa parte dos pontos de interesse de maior importância histórica e cultural. No entanto, é sempre bom poder rever Salamanca, e descobrir seus inumeráveis encantos. A melhor forma de conhecê-la é caminhando, pois a maior parte de seus monumentos encontram-se próximos, como podemos ver no mapa turístico da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASalamanca possui cerca de 150 mil habitantes, dado que a converte na terceira maior cidade da comunidade, depois de Valladolid e León. Seu imenso patrimônio histórico-artístico foi reconhecido pela Unesco como Patrimônio da Humanidade em 1988. Sua história se remonta a cerca de 2700 anos atrás, com a ocupação dos primeiros povoadores que se assentaram nas margens do Rio Tormes. Desde então, a cidade foi testemunha da presença de vários povos, os celtíberos, romanos, visigodos, muçulmanos. Finalmente no início do século XII a cidade foi repovoada por Raimundo de Borgoña, tal como sucedeu com Ávila e Segóvia, outras duas cidades castelhanas. O aspecto que vemos atualmente de seus principais monumentos data do período medieval, depois de ter sido reconquistada por Alfonso VI. Logo que chegamos à cidade, eu e meu amigo Marcelo realizamos um agradável passeio pela zona situada junto ao entorno do Rio Tormes, um afluente do Rio Duero, que atravessa as Províncias de Ávila, Salamanca e Zamora, desembocando no Duero depois de um percurso de 284 km.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAntes de chegarmos ao rio, realizávamos diversas paradas para admirar as construções da cidade e curtir cada momento do passeio. Abaixo, vemos o Marcelo junto a um cruzeiro, um elemento religioso muito habitual em muitas das regiões espanholas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Ponte Romana de Salamanca (post publicado em 10/2/2015), além de constituir um monumento fundamental na evolução histórica da cidade, proporciona excelentes vistas do centro, como podemos ver a seguir. O melhor é que atualmente é exclusiva para pedestres…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtravessando a ponte temos, como recompensa, incríveis panorâmicas da cidade, destacando a presença de suas duas catedrais (matérias publicadas em 23 e 24/4/21012).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado do Rio Tormes, vemos um Verraco, uma escultura zoomórfica dos antigos povos celtiberos (vetones), cuja existência ao lado do rio está documentada desde o século XIII. Sobre estas esculturas de pedra, realizei uma matéria em 24/1/2017. Neste caso, simboliza um touro…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado desta milenar escultura, com a Igreja de Santiago ao fundo, vemos um monumento em homenagem ao “Lazarillo de Tormes“, uma novela espanhola anônima, cuja edição mais antiga data de 1554. Nos primeiros capítulos da obra se narra a história de Salamanca e, na continuação, relata de forma autobiográfica a vida de um menino chamado Lázaro de Tormes, desde seu nascimento até o casamento, em companhia de um cego.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta obra é considerada a precursora da denominada novela picaresca, e uma amostra irônica e mordaz da sociedade do século XVI, com seus vícios e hipocrisias, principalmente em relação aos clérigos. O livro foi proibido pela Inquisição e somente voltou a ser publicado no século XIX. O monumento foi inaugurado em 1974 e realizado pelo escultor Agustín Casillas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm passeio por Salamanca inclui, necessariamente, sua impressionante Plaza Mayor (post publicado em 21/2/2015), uma das mais belas da Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERARecomendo uma caminhada tranquila e relaxada pelas ruas da cidade, explorando cada espaço de seu centro histórico. Abaixo, vemos a torre da Catedral Nova de Salamanca sobressaindo-se entre os edifícios circundantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASalamanca é eminentemente uma cidade renascentista, com uma grande quantidade de edifícios construídos neste estilo, além daqueles pertencentes ao período barroco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAVale a pena deambular pela cidade à noite, e contemplar seus edifícios sob uma ótica diferente. Abaixo, vemos a Igreja de la Clerecía (matéria publicada em 22/2/2015).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizo a matéria com um belo jardim, onde descansava durante a caminhada, depois de percorrer o centro histórico em busca dos edifícios pertencentes à Universidade de Salamanca, uma das mais importantes instituições educacionais do ponto de vista histórico de todo o continente europeu, e que será o tema do próximo post.

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Caminhando pela Muralha de Ávila

Qualquer pessoa que tenha a oportunidade de conhecer a cidade de Ávila se impressiona por sua muralha, uma das estruturas de caráter defensivo de maior relevância em todo o continente europeu. A Muralha de Ávila foi o tema de dois posts publicados em 17 e 19/1/2017, e em minha recente visita com meus amigos brasileiros tivemos o privilégio de conhecer outra parte da estrutura que eu ainda não tinha visitado. Abaixo, vemos uma panorâmica da muralha, cuja foto foi tirada desde o chamado mirante dos Quatro Postes.

20160612_124733Esta incrível estrutura militar data do período românico, e segundo numerosos estudiosos é considerada a maior e mais conservada muralha desta época, sendo construída no final do século XI. De fato, trata-se da única construção defensiva da Europa Cristã que se conserva tal e como foi edificada originalmente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua construção foi realizada logo depois que a cidade foi reconquistada pelo Rei Alfonso VI de Castilla, que encarregou seu genro Raimundo de Borgoña (casado com a Infanta D.Urraca, filha do monarca) que repovoasse a cidade e construísse a muralha. A construçao durou apenas 9 anos, de 1090 a 1099, e segundo a tradição o projeto foi realizado por dois mestres da geometria, o romano Casandro e o francês Florín de Pituenga.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Muralha de Ávila possui 2516 metros de perímetro, estando composta por 87 torres e 9 portas de acesso. Seus muros possuem cerca de 3m de grossura e sua altura alcança os 12m. Seu perímetro exterior pode ser percorrido à pé, algo que recomendo, pois o passeio nos permite observá-la de vários ângulos diferentes e compreender sua real dimensão. O mais interessante é que se pode percorrer a parte mais elevada da estrutura, num percurso de cerca de 1700 metros (entrada de 5 euros). Abaixo vemos uma grande maquete da muralha…

20161120_125219A parte superior de uma muralha se conhece como Adarve, uma estreita passagem onde os guardas que a protegiam realizavam o denominado caminho de ronda. O trecho principal que se pode caminhar possui 1400m, e já tinha realizado diversas vezes. O trecho menor, de 300 metros, percorri por primeira vez com meus amigos. O caminho não é contínuo devido à presença da Catedral de Ávila, cujo ábside faz parte da própria muralha, algo realmente insólito.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO passeio pelo Adarve proporciona belíssimas vistas da cidade intramuros…

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OLYMPUS DIGITAL CAMERAPara que fosse construída se utilizou pedra de granito de cores negra e cinza, e alguns materiais procedem de uma antiga necrópole romana, além de edifícios civis e das anteriores muralhas romana e do período visigodo. Podemos admirar também as vistas exteriores da cidade, com muitas das igrejas românicas que integram o excepcional patrimônio histórico desta cidade castelhana, declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos elementos de maior destaque da Muralha de Ávila é a Porta do Alcázar, formada por duas grandes torres semicirculares unidas por uma ponte, singular e única entre as muralhas européias.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATanto esta porta, quanto a similar Porta de San Vicente, encontram-se situadas num terreno plano. Por este motivo, estavam mais expostas ao ataque inimigo, de forma que foram melhor fortificadas. Abaixo e acima,vemos fotos da Igreja de San Pedro, de estilo românico e situada numa praça onde se celebram os grandes eventos festivos da cidade, além do mercado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs muralhas constituem um aspecto fundamental do urbanismo das cidades medievais e historicamente contribuíram de forma decisiva na distribuição do espaço urbano entre os diversos grupos sociais que nelas viviam. Representavam a separação do mundo civilizado, situado no interior da muralha, com o mundo selvagem. No campo viviam os camponeses, a classe social menos favorecida, e sobre eles recaiam 80% dos custos da infraestruturas urbanas, como a manutenção da própria muralha. Incrível, verdade ?

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Cáceres – Patrimônio da Humanidade

O Centro Histórico de Cáceres é considerado um dos mais preservados da Europa. Por este motivo, a cidade é um dos destinos turísticos mais importantes da Comunidade da Extremadura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1968, foi considerado o terceiro conjunto monumental do continente, depois de Praga, capital da República Tcheca, e Tallinn, capital da Estônia. Graças à conservação de seu patrimônio histórico, o Centro Antigo de Cáceres foi declarado Patrimônio da Humanidade em 1986.

dsc02093OLYMPUS DIGITAL CAMERAA melhor forma de conhecê-lo é caminhando por suas ruas e praças, sem seguir um itinerário pré-concebido, de forma a descobrir seus encantos secretos….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEu permaneci dois dias inteiros na cidade, tempo suficiente para conhecer Cáceres com tranquilidade…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAdmirar e contemplar o Centro Histórico de Cáceres constitui um autêntico retorno ao passado e uma experiência inesquecível para qualquer turista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO centro antigo possui uma quantidade enorme de palácios bem conservados, alguns dos quais se pode visitar, e belas igrejas. Nas próximas matérias, vocês poderão conhecer boa parte deles aqui no blog. Suas ruas possuem nomes curiosos, como Calle de la Amargura,  Calle del Mono (Rua do Macaco), etc…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERATambém vale a pena afastar-se um pouco dos monumentos mais visitados e percorrer o Bairro Judeu, ou Judería

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A Muralha de Cáceres

Desde a antiguidade, as cidades estavam protegidas por um recinto defensivo, as denominadas muralhas, que cercavam todo o seu perímetro. Muitas destas cidades perderam, com o tempo, total ou parcialmente, o seu caráter militar, com o objetivo de expandir seu núcleo urbano e um número reduzido delas conservam o traçado de suas muralhas. A cidade de Cáceres teve sua primeira muralha ao redor do ano 900 aC, quando uma tribo celtíbera construiu um castro, um povoado fortificado pré-romano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a chegada dos romanos e a fundaçao de Norba Caesarina, origem da atual Cáceres, se construiu uma nova muralha no século I aC, composta por 4 portas de acesso ao interior da cidade. Posteriormente, no século XII, os almohades, uma tribo árabe proveniente do Marrocos, conquistou a cidade e ergueu uma outra muralha, que se conserva em sua boa parte e um dos motivos principais pelo qual a cidade foi declarada Patrimônio da Humanidade em 1986. Atualmente esta muralha faz parte do patrimônio histórico da cidade e percorrer o seu perímetro permite conhecê-la a fundo. A primeira coisa que fiz ao chegar a Cáceres foi caminhar por seu recinto defensivo, descobrindo as partes que foram preservadas de sua muralha medieval.  A denominada Puerta do Consejo (Porta do Conselho, em português) é a única que se conserva do período romano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado desta porta, se construiu no período almohade (século XII) uma torre destinada a protegê-la e que se ergue ao seu lado…

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém edificada pelos almohades, a Torre del Horno foi construída sobre uma base da anterior muralha romana. Seu nome se deve que em sua proximidade se localizava um forno para a fabricação de pão (horno, em espanhol) e se considera uma das mais conservadas do período árabe da cidade, entre as 40 torres existentes originalmente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra torre preservada do mesmo período é a Torre del Aver, igualmente de planta quadrada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos outra parte da muralha árabe, situada na parte lateral da Plaza Mayor de Cáceres.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois da reconquista da cidade no século XIII pelo Rei Alfonso IX de León, se construiu outra porta de entrada, o chamado Arco de Santa Ana, cujo nome se deve à imagem de Santa Ana que foi colocada posteriormente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA denominada Torre de Bujaco, situada em plena Plaza Mayor, que vimos no post anterior, integrava o recinto fortificado do período árabe.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado da Torre de Bujaco, localiza-se o Arco da Estrela, o principal acesso ao Centro Histórico de Cáceres. Foi construída no século XVIII sobre uma anterior porta do século XIV, denominada Porta Nova.

dsc02088OLYMPUS DIGITAL CAMERAA anterior “Porta Nova” foi destruída porque não permitia a passagem das carruagens. Diante dela, a Rainha Isabel la Católica jurou manter em 1477 os foros da cidade, como podemos comprovar numa placa situada junto ao Arco da Estrela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte interna do Arco vemos uma imagem da Virgem da Estrela, que deu o nome à construção.

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Plaza Mayor de Cáceres

Cáceres é uma das cidades mais visitadas de toda a Comunidade de Extremadura, fato que ocorreu principalmente depois que seu centro histórico foi declarado Patrimônio da Humanidade em 1986.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma visita a cidade começa na Plaza Mayor, considerada a antesala para descobrir os encantos do centro antigo. Esta bela praça de formato retangular sempre esteve intimamente relacionada a vida de seus habitantes, desde épocas remotas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA praça foi fundada no século XIII como uma zona comercial, aspecto que ainda podemos observar na grande quantidade de bares e restaurantes existentes. Além do mais, acolheu espetáculos diversos, desde torneios medievais até corridas de touros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstive na cidade um pouco antes do Natal, e a praça foi decorada com uma bela árvore situada em frente ao Ayuntamiento de Cáceres, construído na segunda metade do século XIX no estilo neoclássico, e situado num dos lados da praça. Ao lado da sede da Prefeitura, vemos uma das torres de origem árabe que integram a muralha da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs duas fotos acima foram tiradas nas primeiras horas da manhã, quando a praça encontrava-se vazia. Com o passar das horas, o movimento de pessoas que circulavam por ela aumentava, e à noite estava lotada de turistas nacionais e estrangeiros. No centro da praça foi montada uma pista de patinagem no gelo que fez a alegria das crianças…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma foto tirada à noite com a àrvore de Natal iluminada…

20181209_190239Uma das construções que mais se destacam em sua paisagem é a Torre de Bujaco, de origem árabe. Seu nome é uma referência a Abu Yaqub, que em 1173 ordenou assassinar a 40 cavalheiros que faziam parte de sua defesa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe formato quadrado, a torre possui 25m de altura e pode ser visitada. Sua parte mais elevada está rematada com almenas, uma estrutura típica da arquitetura militar que se parecem a pequenas chaminés. Aos pés da torre, encontra-se a Ermita de la Paz, reformada no século XVIII sobre uma anterior capela de estilo renascentista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua parte externa está composta por 3 arcos de meio ponto e em seu interior vemos um retábulo barroco com a imagem da Virgen de la Paz. Também foi montado um dos inúmeros presépios que  pude admirar em minha visita pela cidade, no qual aparecem a própria Torre de Bujaco e a ermita…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro elemento representativo da praça é o Arco da Estrela, a porta de entrada ao Centro Histórico de Cáceres.

20181209_191008Na Plaza Mayor situa-se a Oficina de Turismo, cujos guias realizam instrutivos passeios diurnos e noturnos pelas principais atrações da cidade. As festas mais importantes do calendário anual de Cáceres também tem como cenário este emblemático lugar, como as que ocorrem durante a Semana Santa, com o desfile de suas confrarias e procissões religiosas.

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