Castells – Parte 2

Neste segundo post sobre os Castells, ou torres humanas, veremos algumas curiosidades sobre este verdadeiro símbolo cultural da Catalunha. Em Tarragona é tão popular que existe um belíssimo monumento em sua homenagem, esculpido em bronze por Francesc Anglès e inaugurado em 29/5/1999. Sua localização, a Rambla Nova, uma das avenidas mais conhecidas da cidade, foi escolhida pelos próprios habitantes locais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO monumento possui 11 metros de altura e pesa 12 toneladas, e está formado por um total de 219 figuras. O curioso é que o escultor representou a vários personagens do mundo cultural e artístico espanhol, como Picasso, Miró, Paul Casals, e a si mesmo. Observando a escultura, vemos que se representam todos os elementos indispensáveis para sua construção. Antes de se começar a torre humana, uma banda de música começa a tocar peças musicais denominadas Toc de Castells, que somente finalizará ao término da torre, quando todos seus membros encontram-se novamente no solo. Um dos membros mais importantes durante a realização de um Castell é o chamado Cap de Colla, que dá orientaçoes precisas sobre a construção.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm Castell está composto por várias partes, começando pela Pinya, a base da torre, que concentra  a grande maioria dos participantes. Pode chegar a ter centenas de pessoas, incluindo não somente os membros da Colla Castellera, como também amigos, familiares e pessoas apaixonadas, que se unem espontaneamente e auxiliam em sua formação de suporte para o Castell. Está considerado o elemento mais complexo de toda a estrutura, principalmente no núcleo.

DSC02082A parte central de um Castell denomina-se Tronc, formado por vários pisos com a mesma quantidade de membros em cada um. Sua complexidade depende da altura e estrutura (quantidade de pessoas por piso).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA parte superior de um Castell, chamada Pom de Dalt, completa o tronco e possui a mesma composição em quanto a número de participantes. Normalmente inclui os 3 últimos andares da estrutura, nas quais as crianças sobem até chegar ao último nível.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs Castells possuem um vocabulário próprio no idioma catalão, que designam cada Castell em função de sua estrutura quanto ao número de membros em cada andar ou piso e o número de andares. Sua estrutura geral é cada vez mais complexa na medida em que ganha altura. Recebem uma denominação através de dois números. O primeiro descreve a quantidade de pessoas em cada piso, e o segundo número o total de pisos. Por exemplo, um “tres de vuit” ou três de oito. significa que o Castell está composto por 3 membros num total de oito andares. Alguns Castells recebem uma denominação própria, como o 5×8, chamado de “Catedral“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe acordo com o número de membros em cada andar os Castells recebem nomes específicos, como por exemplo: 1) Pilar: somente 1 pessoa por andar, que pode chegar ter até 8 pisos. 2) Dos de: formado por duas pessoas, pode alcançar 9 pisos, façanha realizada em 1993. 3) Trés de: três pessoas em cada andar, e pode chegar a 10 pisos, a altura máxima alcançada por um Castell nos registros históricos. Para muitos,  a torre humana de estética mais perfeita. 4) Quatre de: 4 pessoas por andar, de grande exigência física e técnica. Em 2015 se realizou um Castell de 4×10, algo que jamais havia sido possível até então. Para uma mesma altura, se valoriza mais um Castell com maior quantidade de pessoas por andar (um 5×8 vale mais que um 3×8). Existem Castells formado por 4 membros por andar com um pilar de vários andares no meio da estrutura principal, considerado um dos mais espetaculares por sua grande complexidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAQuando uma construção torna-se muito alta e com poucos participantes em cada piso, se necessita um apoio adicional  para suportar a estrutura e fornecer a devida estabilidade. Por exemplo, o denominado Foire consiste numa base construída no segundo andar sobre a Pinya, a base principal situada no solo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm Castell pode ser realizado total ou parcialmente, recebendo as seguintes expressões: Se diz que um Castell foi Descarregado quando atingiu o topo e foi desmontado com êxito. Carregado quando atingiu o topo mas desabou na desmontagem. Um Intent quando desabou antes de atingir o topo e um Intent Desmuntat quando a Colla (associaçao que está construindo a torre) decide desmontá-la antes de atingir o topo. Normalmente isso ocorre quando a construção está instável e corre o perigo de cair.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a história, foram documentados 3 acidentes mortais durante a realização de um Castell. O último deles ocorreu em 2006, quando se tornou obrigatório o uso de capacetes entre as crianças que sobem na parte mais alta da torre.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASegundo dados obtidos na Internet, em 2005 a porcentagem de Castells que não cairam foi de 96.3 %. A capacidade de absorção da energia produzida por uma queda na base da torre (Pinya) é de aproximadamente 40 a 60%.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Atualmente, as Collas de Castellers (agremiações que realizam os Castells) estão organizadas como qualquer associação ou clube, com sede própria ou local de reunião e treinamento. Uma das mais conhecidas da cidade chama-se Xiquets de Tarragona, e algumas de suas participantes, de forma amistosa e simpática, me permitiram tirar uma foto…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta Colla Castellera existe desde 1970, e originou-se com a fusão de duas outras entidades…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra parte integrante de um Castell é a banda de música, que começa a tocar quando inicia-se a construção da torre. Em caso de queda, a música para no ato…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADesde 1980 se realizam a cada 2 anos um Concurso de Castells na antiga Praça de Touros de Tarragona, chamada Tarraco Arena. É o único momento que os Castells adquirem um caráter competitivo. A antiga Praça de Touros foi reformada para abrigar estes eventos, com a instalaçao de um teto móvel para proteger os Castells em caso de chuva, pois nestas condições não são construídos, devido ao maior perigo de queda. Apesar de ser considerado o evento máximo dos Castellers, muitas associações se recusam a participam do concurso, por considerar que descaracterizam seu espírito comunitário. Em youtube existem muitos vídeos sobre estes impressionantes concursos. Selecionei um deles para que vocês tenham uma idéia…

Finalizo a matéria sobre os Castells, manifestação declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, e também sobre a cidade de Tarragona, depois de várias publicações. Gostaria de comentar que a maioria das fotos do post são de minha autoria, com exceção das fotos 7 e 11 (de cima para baixo), tiradas do livro “Castells – Torres Humanas”, escrito por Josep Almirall.

 

Castells – Torres Humanas da Catalunha

Dentro das festividades religiosas ocorridas durante minha estadia em Tarragona, tive a oportunidade e o privilégio de presenciar uma das manifestações culturais mais impressionantes da Catalunha, os denominados Castells, ou torres humanas de vários andares de altura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo idioma catalão, Castells significa “Castelos“, e pessoas de idades variadas de ambos sexos e constituição física participam em sua realização, gerando paixões e interesse equiparáveis aos esportes tradicionais. Constituem uma parte integrante da identidade da Catalunha, que se transmite de geração em geração, proporcionando aos seus membros um sentido de continuidade, coesão social e sentido de solidariedade. Além do mais, em 2010 foi declarado pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Normalmente, os Castells se formam nas praças principais, como na praça da sede da prefeitura (Ayuntamiento) ou diante da Catedral, como sucedeu em Tarragona ( que nao aparece nas fotos por minha posição lateral em relação à praça onde se situa). Antes de começar o espetáculo, uma multidão se aglutinou para ver e aplaudir os Castells.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANormalmente, centenas de pessoas participam em sua formação, e denomina-se Castellers as pessoas que integram as Colles Castellers, uma associação que organiza os Castells. Seus membros treinam durante todo o ano para que as apresentações nas várias cidades da comunidade sejam coroadas com êxito.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInicialmente os membros de um Castell se comprimem no solo formando um círculo, que serve de base para que a estrutura possa ganhar altura, chamada Pinya. Quando alcança uma altura determinada, crianças de entre 7 e 8 anos sobem pelas costas dos demais até chegarem na parte mais alta, levantando a mão e realizando uma Aleta, sinal que o Castell foi concluído. O público aplaude forma entusiasta…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm seguida, as crianças devem baixar, realizando o caminho inverso. Quando todos seus membros encontram-se novamente no solo, o público aplaude uma vez mais, sinal que o Castell foi definitivamente completado e não caiu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAExiste uma máxima popular que diz que “Os Castells são feitos pelas crianças“, os verdadeiros heróis em sua realização, exigindo agilidade e valentia. Atualmente, participam homens e mulheres, mas até a década de 80 do século passado, os Castells constituíam uma atividade exclusivamente masculina. Para algumas posições, as mulheres oferecem vantagens físicas em relação aos homens (com uma mesma envergadura, geralmente o peso da mulher é inferior, sendo ideais para ocuparem as partes mais elevadas da estrutura).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERARealizados há cerca de 200 anos, existem referências de Castells já no século XVIII na cidade de Valls, considerada o berço dos Castells. Estreitamente relacionados com as festas populares, progressivamente estendeu-se por toda a Catalunha. A explicação mais aceita sobre sua origem diz que na segunda metade do século XVIII realizavam-se pequenas construções humanas que faziam parte de uma dança chamada “Baile dos Valencianos“, que eram realizadas em torno às procissões religiosas, criando uma certa rivalidade entre os grupos que as praticavam. Com o tempo, estas construções em forma de torre ganharam uma grande importância, tornando-se independentes do baile propriamente dito.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO primeiro Castell documentado data de 1770 e em 1790 já se utilizava a palavra para diferenciar do baile. O principal lema dos Castellers, “Força, Equilíbrio, Valor e Cordura (Sensatez)”, está relacionado às virtudes que seus membros devem possuir. Além delas, são fundamentais outras qualidades sociais como o trabalho e treinamento constantes, o esforço geral, a confiança no grupo, etc. Ainda que se recomende um bom preparo físico para participar num Castell, atualmente se valoriza mais a técnica que a força bruta.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO vestuário de um Casteller está composto por uma calça branca e uma camisa com a cor de sua agremiação. Um lenço tradicionalmente vermelho e uma faixa de algodão que se enrola ao redor da cintura (pode chegar a ter 5 metros), com a finalidade de dar consistência à escalada e proteger a zona lombar, completam a roupa tradicional. Muitos utilizam um lenço ao redor da cabeça para evitar que o suor atrapalhe a vista. Todos os membros sobem descalços.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA temporada de Castells inicia-se durante as festividades em honra a São Jorge (Sant Jordi, em catalão), Santo Padroeiro da Catalunha, no dia 23 de abril, e finaliza em novembro. Existe uma associação representativa, a CCCC (Coordinadora de Colles Castellers de Catalunha) que divulga as atuações em toda a comunidade (http://www.cccc.cat). Outra página interessante é a http://www.webcasteller.com

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, publicarei a segunda matéria sobre estas incríveis torre humanas, comentando sobre os diferentes tipos de Castells, curiosidades históricas, o impressionante concurso que se realiza a cada dois anos, etc.

Fórum Romano de Tarragona

Nas antigas cidades romanas, o denominado Fórum constituía o principal espaço públicos dentro de seu planejamento urbano. Nele encontravam-se os edifícios administrativos de maior importância, além de ser um local onde se situavam os edifícios jurídicos e de culto ao poder imperial, representando também um ponto de encontro social e de transações comerciais através das tabernas e mercados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Fórum Romano como espaço ordenado desenvolveu-se a partir das ágoras e acrópoles gregas, tornando-se parte integrante de todas as províncias romanas. Além de constituírem centros da vida pública, nele eram realizadas cerimônias triunfais. Nos períodos eleitorais, os candidatos usavam os degraus dos templos para seus discursos, contando com o apoio dos ouvintes. Na cidade romana de Tarraco, a chegada ao poder de Vespasiano no ano 70 dC ocasionou uma série de transformações na estrutura administrativa das províncias hispânicas. A concessão da cidadania latina a seus habitantes representou o fato primordial em sua reorganização e uma ampla reforma urbana realizou-se. No ano 73, iniciou-se na parte alta da cidade, correspondente ao atual Centro Histórico de Tarragona, a construção do Fórum Provincial, convertendo-se com o tempo no símbolo do poder de Roma no território. Seu monumental tamanho, de cerca de 18 hectares, o transformou no maior de todo o mundo imperial, e incluía o Circo Romano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Fórum Provincial de Tarraco foi estruturado em duas grandes praças porticadas que acolhiam os principais edifícios religiosos, culturais e administrativos da cidade. Estas praças estavam situadas em níveis de alturas diferentes, devido ao desnível do terreno. A praça superior, cujas imagens vemos acima, foi destinada ao culto imperial e possuía 153 m de comprimento x 126 m de largura. Estava cercada por pórticos em três de seus lados, estando presidida por um templo aos imperadores divinizados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANesta parte do Fórum situava-se o antigo templo dedicado a Augusto, cuja localização exata se desconhece, provavelmente próximo à catedral. Abaixo, vemos a atual Plaza del Pallol, que em época romana constituía a Praça da Representação do Fórum Provincial de Tarraco, conservando vários vestígios arqueológicos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Fórum Provincial de Tarraco foi utilizado até o século V dC, quando seus edifícios foram ocupados como residências privadas. A partir do século XII, a praça foi reurbanizada, definindo a estrutura urbana que se conserva atualmente, correspondente ao Centro Histórico de Tarragona, de origem medieval, portanto. Dentro do conjunto arqueológico da cidade, conservam-se as galerias (bôvedas) que faziam parte do Fórum, como a denominada Bôveda de Tecleta, assim chamada por uma escultura feminina feita de mármore branco no século I/II dC, provavelmente parte de um antigo monumento funerário. Este fato se explica porque foi encontrada no atual parque da cidade em 1992, uma zona que no período romano fazia parte de seu subúrbio e constituía uma área funerária.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta galeria acolhe uma excelente amostra de coleção epigráfica romana, que faziam parte de tumbas funerárias.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma delas, com uma inscrição funerária de um liberto chamado Victor, que viveu no século II dC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta bôveda correspondia à parte inferior da Praça de Representação do Fórum Provincial. Na sequência vemos a Bôveda Superior

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro podemos contemplar um dos sarcófagos romanos mais bem conservados da antiga Tarraco, o Sarcófago de Hipólito, datado do século III dC, e decorado com cenas relativas ao mito deste herói.

DSC02054No próximo post, publicarei a segunda parte da matéria sobre o Fórum Romano de Tarragona.

Circo Romano de Tarragona

Um dos destaques do Conjunto Arqueológico de Tarragona, declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, o Circo Romano é considerado um dos mais conservados de todo o Ocidente, ainda que boa parte de sua estrutura se encontre oculta debaixo dos edifícios pertencentes ao século XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi construído no século I dC pelo Imperador Domiciano, na parte inferior da parte alta da cidade, separando a zona imperial, representada pelo Fórum, dos bairros comerciais e residenciais. Tinha a particularidade de estar situado dentro das muralhas, algo pouco habitual neste tipo de construção, devido ao seu grande tamanho. O Circo Romano de Tarragona media 325 m de comprimento por 115 m de largura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASuas arquibancadas (gradas) estavam dispostas em 3 de seus lados, sendo que no outro lado situava-se a porta principal e o lugar de saída dos carros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs corridas de carros puxados por cavalos que se disputavam no Circo foram os espetáculos mais populares do mundo romano. Os condutores eram chamados de Aurigas, e normalmente pertenciam às classes menos favorecidas, frequentemente escravos ou libertos. Quando o carro era puxado por 2 cavalos denominavam-se bigas, e quando puxados por 4 cavalos, quadrigas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste tipo de espetáculos constituem uma das tradições mais antigas do Império Romano, estando documentados desde o século VIII aC. Os carros, sejam bigas ou quadrigas, tinham que dar 7 voltas na pista, dividida em duas pela denominada espina. O Circo Máximo de Roma foi o maior do mundo antigo, com capacidade para acolher 125 mil espectadores. O de Tarraco tinha capacidade para receber 25 mil pessoas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs Aurigas corriam por dinheiro e prestígio e muitos deles tornaram-se famosos por seu desempenho. Os cavalos também tinham nome e eram conhecidos pelo grande público. As denominadas esquadras, formadas pelos Aurigas e respectivos cavalos, eram propriedades de ricos empresários. Os melhores Aurigas foram venerados pelos torcedores de sua esquadra, e odiados pelos rivais. Abaixo, vemos um epitáfio construído pelos companheiros de um Auriga chamado Fuscus, de finais do século I dC, cuja inscrição o retrata como um personagem honrado e vitorioso.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo Circo Romano de Tarragona haviam tabernas onde se podia adquirir bebidas e comidas, além de locais para realizar as apostas. Os espetáculos duravam todo o dia e eram gratuitos, sendo realizados por influentes personalidades da cidade, que ocupavam cargos públicos de relevância.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das principais construções arquitetônicas do Circo Romano de Tarragona eram os túneis que permitiam o acesso dos espectadores à parte norte do recinto. Denominam-se Bôvedas, e uma das mais conservadas é a Bôveda de San Hermenegildo. Originalmente tinha aproximadamente 100 m de comprimento, dos quais se conservam a metade. O túnel situava-se paralelo à muralha e conectava com uma grande escalinata monumental existente em seu final. Seus muros laterais foram feitos de concreto, assim como o arco de meio ponto da cobertura. Em um de seus lados haviam 6 portas, também formada por arcos semicirculares.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos outra das bôvedas preservadas, com um comprimento de 93 m…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComunicada com o Circo através de galerias subterrâneas, a denominada Torre do Pretório integrava sua estrutura geral, e possibilitava o acesso da parte baixa da cidade com a zona do Fórum, através de uma série de escadas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruída no século I dC, teve vários usos durante a história, e foi denominada Palácio de Augusto em época romana. No século XII foi utilizado como fortaleza pelos normandos, e depois converteu-se num palácio para os Monarcas do Reino de Aragón.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVI transformou-se num quartel militar e sofreu danos em sua estrutura durante a conquista de Napoleão no início do século XIX. Depois, a torre foi usada como prisão, quando começou a ser denominada “Prisão de Pilatos“. Durante a Guerra Civil Espanhola do século XX, continuou sendo utilizada como local de confinamento. Durante 10 anos, cerca de 6500 inimigos do regime franquista foram presos e 60 faleceram no local devido às péssimas condições existentes. Uma de suas salas, de estilo gótico, foi reservada aos condenados à morte, e aproximadamente 650 prisioneiros dela saíram para serem executados, entre 1939 e 1945.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta sala conduz a uma terraça, com umas impressionantes vistas da cidade de Tarragona e também do Circo Romano

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Tarragona Romana

Qualquer pessoa que visite Tarragona ficará surpreendida com sua impressionante e longa história. O território onde se situa atualmente a cidade foi habitada por tribos ibéricas no século VaC, que travaram contato com gregos e fenícios que haviam se estabelecido na costa mediterrânea. No entanto, Tarragona entra na história com os romanos, dentro do contexto da Segunda Guerra Púnica, disputada entre as duas potências da época, Roma e Cartago, no início do século III aC. No ano 218 aC, Cneu Cornélio Escipión estabelece uma guarnição militar, que com o tempo se transformaria na principal base militar de Hispania. Desde a cidade, os romanos conquistariam nos seguintes 200 anos toda a Península Ibérica, levando a cultura latina a todo o território.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATarraco, como foi denominada pelos romanos, tornou-se a principal cidade de Hispania, convertendo-se na capital da Província da Hispania Citerior, a maior de todas as províncias do território controlado pelos romanos na península. Seu nome completo era Colonia Iulia Urbs Triumphalis Tarraco. Seu incrível patrimônio histórico ligado a esta época foi reconhecido pela Unesco como Patrimônio da Humanidade em 2000, convertendo-se na única cidade da Catalunha em receber esta distinção.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século II aC, Tarraco foi estruturada com a construção de uma muralha e o estabelecimento de uma rede viária. Sua importância foi aumentando com a chegada de novos povoadores entre os séculos II e I aC. Recebeu o título de Colônia provavelmente em 45 aC, outorgado pelo Imperador Júlio César. Entre os anos 26/25 aC, o Imperador Augusto residiu na cidade, governando o império, por primeira vez, fora de Roma. Nos séculos I e II dC, Tarraco alcançou o período de máximo esplendor, com a construção de uma grande quantidade de monumentos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma maquete elaborada pelo Museu de História de Tarragona, na qual se representa a cidade de Tarraco no seu momento de maior importância.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATarraco teve moeda própria durante as épocas de Augusto e Tibério, e Vespasiano concedeu a cidadania latina a seus habitantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a reforma administrativa realizada por Diocleciano, a Península Ibérica ficou dividida em 6 províncias. Tarraco permaneceu sendo capital, mas de uma província menor. No ano 259, foram martirizados no Anfiteatro Romano de Tarraco o Bispo Fructuoso e os diáconos Augurio e Eulogio, demonstrando que já nesta época existia uma comunidade cristiana organizada. Abaixo, vemos uma foto do Anfiteatro

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA crise do Império Romano no século III afetou gravemente a cidade, que se recuperaria lentamente nos séculos seguintes, mas algumas zonas foram abandonadas. A partir deste momento, o poder do Bispado de Tarragona cresceu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAcima vemos um monumento esculpido em homenagem ao Imperador César Augusto. Abaixo, uma réplica da Loba Capitolina, cuja estátua original se encontra no Museu Capitolino  de Roma.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de visitar os monumentos de época romana, para conhecer mais a fundo a história de Tarraco recomendo visitar o Museu Arqueológico, fundado no século XIX com uma valiosa coleção de peças romanas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANas próximas matérias, veremos com mais profundidade os monumentos conservados de Tarragona pertencentes ao período romano, não percam !!!

Castelos Reais da Espanha – Parte 2

Seguindo com esta extensa matéria sobre os Castelos e Fortalezas da Espanha, no post de hoje veremos outros exemplos de fortificações que foram propriedades reais. Um dos principais castelos do país, o Castelo de la Mota situa-se na cidade de Medina del Campo (Província de Valladolid, Comunidade de Castilla y León).

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu nome se deve a que foi edificado sobre um cerro ou mota. Foi inicialmente construído pela família dos Fonseca no século XV, sob mandato do Rei Juan II de Castilla, sobre os restos de uma fortaleza muçulmana anterior do século XII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa época dos Reis Católicos, o Castelo de la Mota transformou-se num dos melhores castelos europeus, com um complexo sistema defensivo, formado por fosso, baluartes, torres e muralha. Sua Torre de Homenaje é a mais alta da comunidade, com 40 m de altura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa fortaleza viveu durante vários anos Juana La Loca (1479/1555), filha dos Reis Católicos e mãe do Imperador Carlos I. Foi apelidada de louca por sua suposta doença mental, alegada tanto pelo pai quanto pelo filho, com a intenção de afastá-la do trono, sendo encerrada num palácio de Tordesilhas, onde faleceu depois de 46 anos de reclusão forçada.  Abaixo, vemos o aparato defensivo do castelo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUma foto do pátio interior do castelo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre os Castelos e Fortalezas da Espanha, destacam os denominados Alcázares, palavra de origem árabe que significa “Palácio Fortificado“. Como o próprio nome indica, o Real Alcázar de Córdoba (Comunidade de Andalucía) pertenceu aos monarcas desde sua construção no século XIV, também sobre uma anterior fortaleza muçulmana, durante o reinado de Alfonso XI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste maravilhoso edifício encontra-se em pleno Centro Histórico de Córdoba, declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, e sua visita interior é obrigatória, por possuir esplêndidos jardins.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADesde este palácio, os Reis Católicos organizaram a investida que culminaria com a Conquista de Granada, o último reduto muçulmano da Península Ibérica, em 1492. Neste mesmo ano, o navegante genovês Cristóvão Colombo descobre o continente americano, cujo projeto e expedições haviam sido financiados pelos Reis Católicos. A seguir, vemos uma estátua na qual aparecem o casal real Fernando e Isabel e o explorador.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAReal Alcázar de Córdoba converteu-se também na sede do Tribunal da Inquisição. Na visita que se realiza pelo interior, podemos conhecer as diferentes partes do palácio e admirar mosaicos romanos originais, como vemos em uma de suas salas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizo a matéria com outras fotos de seus magníficos jardins…

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Castelos e Fortalezas da Espanha

Poucas construções da Europa estão tão vinculadamente associadas a ela como seus Castelos e Fortalezas,  abundantes por todos os países constituintes do “Velho Continente”. De fato, poder admirar estes edifícios resulta sempre numa experiência inesquecível e jamais me canso de apreciá-los, apesar de viver na Espanha há 13 anos. Símbolo de uma época, o feudalismo, e uma etapa histórica, a Idade Média, o poder simbólico dos castelos permanecem ainda em vigor no imaginário coletivo.

DSC00704Poucos países europeus possuem uma quantidade tão grande de castelos quanto a Espanha. Basta dizer que o nome de duas de suas comunidades autônomas se relacionam diretamente com eles, Castilla La Mancha e Castilla y León. Por este motivo, e também pela importância histórica que desempenharam, decidi realizar uma série de posts sobre os Castelos e Fortalezas da Espanha, salientando diversos aspectos sobre estas magníficas construçoes. Abaixo, uma foto minha no Castelo de Coca (Província de Segóvia, Castilla y León), um dos castelos mais famosos do país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO termo Castelo é originário do latim “Castellum“, diminutivo da palavra “Castrum“, que significa “lugar fortificado“. Da origem latina desenvolveram-se palavras em vários idiomas para designar estas estruturas, como o “Château” francês, o “Castello” italiano, e o “Castillo” espanhol. A partir do século XI em Portugal, a palavra “Castelo” passa a ser utilizada como sinônimo de estruturas defensivas. O termo “Castle” do inglês foi introduzido um pouco antes da conquista dos Normandos. Segundo o dicionário da Real Academia Espanhola, castelo significa “Uma praça forte, cercada por muralhas, baluartes, fossos e outras fortificações”. No dicionário Aurélio, a palavra também possui este significado, atribuindo-se também o sinônimo de “Residência nobre ou real fortificada”. Abaixo, vemos o belíssimo povoado aragonês de Uncastillo, com as ruínas de seu antigo castelo em sua parte mais elevada, e o Castelo de Molina de Aragón, situado neste povoado da Comunidade de Castilla La Mancha.

DSC01783OLYMPUS DIGITAL CAMERAFrequentemente, o termo “Castelo” é utilizado de forma genérica para muitos tipos de fortificaçoes edificadas com propósitos distintos. Um exemplo é o Castelo da cidade aragonesa de Jaca, que na realidade trata-se de um forte, como conhecemos no Brasil.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste tipo de estruturas militares possui, na Espanha, uma analogia com os castelos, da mesma forma que as palavras Alcázar, Atalaya, Torre e Alcazaba. Num período de constantes guerras entre países, e devido aos conflitos internos de cada região, as cidades medievais estavam fortificadas, e muitas de suas construções integravam o sistema defensivo, como as pontes, por exemplo. A seguir, vemos a Ponte de Alcántara, situada aos pés do famoso Alcázar de Toledo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA ponte romana de Córdoba, com suas torres defensivas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAE a ponte medieval do povoado de Frías, localizado na Província de Burgos, Comunidade de Castilla y León. Ao fundo, vemos o Castelo da localidade…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs construções religiosas, muitas vezes, apresentam um aspecto de fortaleza, caso da Igreja Românica de Portomarín, situada na Galícia, que integra o patrimônio histórico do Caminho de Santiago.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO mesmo se pode dizer da Catedral de Ávila

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConventos e Monastérios de grande importância histórica foram devidamente fortificados, caso do Monastério de Poblet, situado na Catalunha e designado Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA necessidade de construir-se estruturas defensivas surgiu com o crescente acúmulo de riquezas e recursos, como os alimentos, por exemplo. Normalmente associados à Idade Média na Europa, as primeiras fortificações apareceram na zona do Crescente Fértil, no Vale do Indo, no Egito e na China, onde os assentamentos humanos estavam protegidos por grandes muros ou muralhas. Foi somente na Idade de Bronze que os chamados “Castros“, povoados fortificados, começaram a espalhar-se pelo continente europeu. Localizavam-se normalmente no alto de uma colina, e um muro cercava suas casas feitas de barro com telhados de palha. Na Espanha, se conservam muitos castros relacionados à cultura pré-romana dos celtíberos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs fortificações romanas incluíam desde simples obras de caráter temporário levantadas pelos exércitos de campanhas militares até impressionantes construções permanentes feitas de pedra, como o Muro de Adriano (Inglaterra) ou a Muralha de Lugo (Galícia), cuja maravilhosa estrutura se conserva ainda hoje, justamente declarada Patrimônio da Humanidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs castelos como tal surgiram na Europa depois da queda do Império Carolíngio no século X. Inicialmente edificados com terra e madeira, sua evolução arquitetônica fez com que fossem construídos em pedra, fato que colaborou decisivamente para seu aspecto robusto e imponente. Abaixo, vemos o castelo do bonito povoado de Morella, Província de Castellón, situada na Comunidade Valenciana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a época das Cruzadas, os castelos espalham-se rápidamente por todo o Oriente Médio. Atualmente existem inumeráveis referências aos castelos em todos os campos artísticos, como elementos imprescindíveis para compreender a história da arquitetura,  como inspiração e relatos históricos na música, na literatura e na pintura, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, continuaremos descobrindo a história dos Castelos e Fortalezas da Espanha, cuja matéria está apenas começando…