Último Passeio por Santiago de Compostela

Finalmente, depois de mais de 40 posts e dois meses de publicações, finalizo minha recente viagem pela Galícia (que terá um complemento especial sobre o Apóstolo Santiago). Neste último post sobre Santiago de Compostela, veremos alguns lugares e atrações da cidade que não foram incluídos nas matérias anteriores. A capital galega possui inúmeras casas nobres de importância histórica, como o Palácio de Fonseca, que pertenceu a Alonso III de Fonseca, um dos principais impulsores da prestigiosa e histórica Universidade de Santiago de Compostela. O palácio foi construído na primeira metade do século XVI e foi projetada pelo famoso arquiteto Rodrigo Gil de Hontañón. Em sua fachada, vemos o escudo da família dos Fonseca.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm belo exemplo da Arquitetura Civil do período barroco é o Palácio de Fondevila, construído em 1760. Situa-se na chamada Calle de las Casas Reales, assim denominada pelos palácios que ainda conserva.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu nome é uma referência a D.Pedro Varela Fondevila, que foi o proprietário do imóvel e prefeito da cidade. Também destaca o escudo situado na fachada da construção.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo seu lado, um outro palácio, datado de 1500, conserva um portal composto por um Arco Conopial, algo raro na arquitetura civil…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos outra casa nobre, cuja história ignoro….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das ruas mais representativas do Centro Histórico, declarado Patrimônio da Humanidade, é a Rua del Villar, com abundantes casas dos séculos XVI, XVII e XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe todas as fontes da cidade a mais famosa é, sem dúvida, a Fonte dos Cavalos, situada na Plaza de las Platerías, em frente à famosa fachada românica da Catedral Compostelana. Nesta praça situava-se o grêmio que representava os artesãos que trabalham com a prata, em cujas lojas ainda podemos comprar objetos feitos de metal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANela os visitantes jogam uma moeda com o desejo de retornar à cidade. A fonte foi construída em 1825. Atrás da fonte, vemos a Casa do Cabildo, um edifício pertencente à segunda metade do século XVIII, também barroco. No lado esquerdo, o antigo Edifício do Banco de Espanha, que atualmente é uma das sedes do Museu das Peregrinações, que possui uma interessante coleção de objetos artísticos e arqueológicos encontrados na Catedral, enaltecendo a importância das rotas de peregrinações ao redor do mundo, especialmente o Caminho de Santiago.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, um detalhe da Fonte dos Cavalos

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Museu das Peregrinações possui uma outra sede, situada numa casa gótica do século XIV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPor sua vez, o denominado Museu Casa de la Troya recria o ambiente de uma pensão de estudantes do final do século XIX, no qual se inspirou o escritor Alejandro Pérez Lugín (1870/1926) para escrever sua célebre novela “La Casa de la Troya“, em 1915. Este autor espanhol frequentou a Universidade de Santiago de Compostela e muitas de suas obras retratam temas e ambientes galegos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo aspecto gastronômico, a Comunidade da Galícia destaca-se principalmente por seus pescados, como o Pulpo à Gallega, polvo feito ao modo tradicional da região. Outro prato de referência é o Caldo Gallego, uma deliciosa sopa feita com legumes, batatas, muito parecido ao Caldo Verde português. No Caminho de Santiago, os peregrinos reforçam a dieta com esta sopa, principalmente nos frios dias do inverno.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAinda tive tempo de conhecer a Ponte sobre o Rio Sar, que cruza a parte baixa da cidade, construída provavelmente no século XIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABem próximo, vemos juntos dois símbolos da comunidade, o cruzeiro e o hórreo, presentes na grande maioria das cidades e pueblos da Galícia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAproveito uma vez mais para agradecer aos meus queridos amigos Marcelo e Cristina, que me convidaram novamente para participar desta viagem por terras da Galícia. Amantes incondicionais desta região espanhola, ambos possuem uma autêntica alma de peregrinos, e caminhar pelas cidades e povoados da comunidade junto a eles foi um verdadeiro prazer, repleto de momentos que somente as inesquecíveis viagens podem produzir…

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Santiago de Compostela

Minha viagem com o Marcelo e a Cristina pela Galícia finalizou de forma maravilhosa em Santiago de Compostela, cidade monumental cujos adjetivos escasseiam para definir sua beleza e importância histórica. Capital da Comunidade da Galícia, sede do governo e do parlamento galhego, meta última dos milhares de peregrinos que realizam o Caminho de Santiago, pois acolhe o sepulcro do Apóstolo Santiago, padroeiro da Espanha, e Patrimônio da Humanidade desde 1985, Santiago de Compostela é uma destas cidades que merecem ser visitadas ao menos uma vez na vida.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASuas origens estão intimamente relacionadas ao culto do apóstolo que lhe dá nome, pois até o descobrimento de seus restos no início do século IX, se pode dizer que a cidade não existia. O crescimento e importância desta cidade se deve à enorme quantidade de peregrinos que desde a Idade Média visitam a tumba do apóstolo, situado em sua impressionante Catedral Românica, que recebiam o apelativo genérico de “francos“, independente de seu local de origem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO nome “Compostela” deriva da expressao latina “Campus Stellae“, que significa “Campo de Estrela“. Segundo a tradição medieval, no ano de 813 um eremita chamado Pelayo, alertado pelas estrelas que iluminavam o céu noturno num bosque denominado Libredón, encontrou os restos do Apóstolo Santiago e avisou ao Bispo Teodomiro de Iria Flávia sobre as relíquias do santo. A descoberta propiciou que o Rei Alfonso II de Asturias (760/842) realizasse a primeira peregrinação a este novo local sagrado para o Cristianismo, pois as outras rotas de peregrinação, como Roma, encontravam-se, naquele momento, num período de decadente, e Jerusalém estava sob o poder dos árabes. Abaixo, vemos a imagem do apóstolo que preside a incrível fachada barroca da Catedral de Santiago de Compostela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPouco a pouco a cidade começou a desenvolver-se devido a este protagonismo religioso, mas foi destruída pelo General Almanzor em 997, numa batalha situada dentro do processo de reconquista cristã das terras ocupadas pelos mouros. Almanzor, respeitou, no entanto, a tumba do apóstolo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra explicação para o nome da cidade vem da expressao “Composita Tella“, que significa “Tierras Hermosas“. A cidade foi reconstruída e fortificada a partir do século XI, momento em que se construiu uma nova muralha, além de transformar-se numa sede apostólica pelo Bispo Cresconio. Em 1075, o Bispo Diego Pelaéz ordenou a construção da Catedral Românica, que atualmente contemplamos apesar das reformas realizadas, principalmente em sua fachada principal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo ponto de vista político, destaca-se a coroação do Rei Alfonso VI (1040/1109) na catedral compostelana. Este monarca foi Rei de León, Castilla e da Galícia. Em 1181, o Papa Alexandro III concedeu o privilégio do Ano Santo Jacobeu. Nesta época foi redatado o famoso Códice Calixtino, um conjunto de textos que tornou-se uma fonte primordial para os peregrinos que realizavam o caminho, e que atualmente encontra-se protegido dentro da catedral, depois que foi roubado há poucos anos atrás e posteriormente reencontrado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra data fundamental para a cidade foi 1643, quando o Rei Felipe IV estabeleceu o Apóstolo Santiago como o Padroeiro da Espanha. A prosperidade alcançada fez com que se tornasse um grande centro artístico a partir da época barroca.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo vemos a Plaza del Obradoiro, a principal da cidade, onde situa-se a fachada principal da Catedral, a Prefeitura, um maravilhoso Parador de Turismo e um dos edifícios de sua famosa Universidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Atualmente, Santiago de Compostela é uma cidade de serviços em virtude do intenso turismo religioso e cultural que possui. Sua economia destaca-se também pela indústria de telecomunicações e do setor madeireiro, além de centro universitário e sede administrativa do Governo Autônomo da Galícia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATive o privilégio de ficar 4 dias na cidade, e conhecer boa parte de seus monumentos, igrejas, praças, ruas e pontos de interesse turístico. A partir de hoje, inicio uma extensa série de matérias, onde os leitores (as) do blog poderão conhecê-la com mais profundidade.

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Torre de Hércules – Patrimônio da Humanidade

Em maio de 2012 estive na cidade de La Coruña, uma das mais importantes da Galícia, e sobre ela publiquei um dos primeiros posts do blog, em 23/5/2012. Naquela oportunidade, comentei um pouco sobre a história da cidade, mencionando algumas de suas principais atrações. Retornei a La Coruña com o Marcelo e a Cristina para um passeio de um dia, partindo de Ferrol, e voltei a visitar a Torre de Hércules, um impressionante farol de origem romano que foi declarado Patrimônio da Humanidade em 2009.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO tempo não estava muito convidativo, com chuva, vento e um pouco de frio, mas não impediu que visitássemos o farol, situado numa colina a 60 metros sobre o nível do mar. A Torre de Hércules é considerado o único farol da antiguidade que segue em funcionamento. Foi construído pelos romanos, no século I dC, e sob a torre se encontram  restos arqueológicos e os cimentos originais da estrutura, além de construções que foram realizadas posteriormente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA lenda atribui ao herói grego Hércules sua construção, relatada pelo Rei Alfonso X “El Sábio” em 1270. Conta a história que Hércules venceu um gigante chamado Gerión, que ameaçava todos os habitantes da zona. Vitorioso, o herói enterrou a cabeça de seu inimigo e sobre ela ordenou que se edificasse uma torre. Em suas proximidades fundou uma cidade com o nome de Crunia, lembrança da primeira mulher que a habitou e da qual se apaixonou. Esta denominação latina evolucionou até o nome da cidade atual, La Coruña (em espanhol) ou A Coruña (em galhego). A origem lendária do farol podemos observar numa das portas da torre.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATrata-se do único farol romano de todo o mundo do qual se sabe o nome do arquiteto que o projetou, Caio Sevio Lupo, graças a uma inscrição conservada. A Torre de Hércules se iluminava com uma lâmpada de azeite, similar às de uso doméstico, mas de grande tamanho. Abaixo, vemos uma pedra circular que fazia parte do sistema de iluminação do farol, colocada sobre o recipiente que continha o azeite. Vemos na foto o orifício onde a mancha era acesa, projetando a luz sobre um espelho parabólico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOriginalmente o farol era mais baixo, com 41.5 metros de altura e mais largo, porque contava com uma rampa exterior através da qual se transportava o combustível que o alimentava. Atualmente, possui 59m de altura e possui uma planta quadrada, sendo que sua luz alcança as 24 milhas náuticas. Da parte subterrânea, onde se encontram os restos arqueológicos, começa uma escada que nos conduz ao alto da torre.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACartazes advertem que a subida não é apta para pessoas com problemas cardiorrespiratórios ou claustrofobia…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInfelizmente, em razão das medidas de segurança adotadas devido ao mau tempo, no dia em que estivemos no farol as visitas à parte mais alta da torre foram suspensas. De qualquer modo, pudemos admirar o núcleo interno desta maravilhosa obra de engenharia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAo longo de sua milenar história, o farol sofreu diversas modificações, sendo a mais importante realizada em 1788, durante o reinado de Carlos III, cuja estátua colocada em frente a torre celebra o fato.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA reforma recobriu a estrutura romana com fachada que vemos atualmente. Para recordar a antiga rampa existente, se introduziu na fachada uma faixa ascendente que percorre toda a altura da torre. Abaixo, vemos alguma imagens do farol tiradas em 2012, quando o sol embelezava este emblemático monumento da arquitetura romana na Espanha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizo o post com uma placa colocada na fachada que enaltece a importância da reforma de Carlos III.

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Os Pátios de Córdoba – Parte 2

Os Pátios de Córdoba ficaram famosos, em grande parte, graças ao impulso proporcionado pelo concurso municipal que se realiza anualmente na primeira quinzena do mês de maio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO primeiro concurso dos mais belos Pátios de Córdoba ocorreu em 1921, e o festival foi declarado de Interesse Turístico Nacional em 1980. Em 1974 foi criada a Associação dos Amigos dos Pátios Cordobeses, que divulga a festa e a beleza destes encantadores lugares.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADurante o festival, os proprietários das casas  decoram com esmero seus pátios, tornando-os ainda mais bonitos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo comentei no post anterior, muitos pátios da cidade encontram-se abertos à visitação pública. Além do mais, existem percursos pagos onde se podem conhecer os pátios particulares de outras residências, a grande maioria deles vencedores de concursos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO denominado Bairro de San Basilio, próxima a zona monumental da cidade, concentra vários destes pátios incluídos nestas visitas pagas. Em minha viagem por Córdoba, realizei duas destas rotas, sendo que cada uma custa 5 euros aproximadamente, com direito a visitar 5 pátios cada uma.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAo iniciar a rota prévio pagamento da visita, recebemos um folheto com o endereço de cada pátio que podemos visitar. O proprietário (a) de cada casa nos recepciona e nos conta a história do pátio e outros aspectos curiosos do mesmo, como suas peças históricas, como as fontes, poços, objetos relacionados à limpeza, colunas que datam da época romana, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASe algo chama a atenção dos proprietários é a simpatia e amabilidade de todos eles (as). Num dos pátios, fui recepcionado com uma taça de vinho, um detalhe que tornou a visita ainda mais agradável.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitos objetos históricos que se destacam por sua curiosidade fazem parte da visita, como esta espécie de filtro formado pelos recipientes que vemos abaixo. A água do poço é colocado nos recipientes da parte superior do móvel, que vai filtrando a água aos recipientes situados justo embaixo. Finalmente, a água que se consome é a que está no recipiente da parte inferior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPara finalizar a matéria, gostaria de enaltecer a paz de espírito que sentimos nos Pátios de Córdoba, favorecida pela contemplaçao de sua beleza, o aroma das flores e árvores frutíferas que o compõem, além da tranquilidade que reina nestes imperdíveis lugares da cidade.

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Os Pátios de Córdoba – Patrimônio da Humanidade

Visitar Córdoba e nao conhecer os pátios de suas casas, restaurantes, palácios, etc é um verdadeiro pecado. Isso porque constitui uma das mais agradáveis atrações da cidade, pela beleza decorativa de cada um deles e pela importância na vida dos seus habitantes ao longo dos séculos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs Pátios de Córdoba foram declarados Patrimônio Imaterial da Humanidade, aumentando para três os locais da cidade que receberam esta privilegiada distinção (os outros dois correspondem a Mesquita-Catedral e o Centro Histórico de Córdoba). Convertidos num verdadeiro símbolo da cidade, os pátios cordobeses originaram-se das antigas casas romanas, denominadas Domus.  As dependências das residências romanas estavam distribuídas ao redor de dois pátios, um utilizado como local de recepção (atrium) e outro como local de recreio e lazer, com jardins, fontes, etc (peristilo). O atrium encontrava-se aberto para recolher a água da chuva. Já o Peristilo, de influência grega, estava formado por um pátio porticado e ajardinado, que a partir do século II aC começou a adquirir protagonismo nas casas da elite romana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOs árabes introduziram na Península Ibérica o gosto pelo jardim, incorporando árvores frutíferas e plantas comestíveis, gerando o chamado Jardim Hispano-Muçulmano. Na Córdoba Omeya se consolida o pátio como uma parte fundamental da residência e também como uma zona privada, aberto ao céu mas fechado à visitação pública. O pátio passa a constituir o elemento articulador da casa, em torno do qual girava a vida familiar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASeus elementos mais comuns eram a fonte e o poço para o abastecimento de água, além das plantas. Originários de uma terra desértica e árida, a presença da fonte nos pátios da Córdoba Muçulmana criava uma espécie de oásis nos tórridos verões cordobeses. De fato, existe um certo microclima nos pátios, com temperaturas bem mais amenas que no exterior da casa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAntigamente vivam várias famílias numa mesma residência e o pátio representava a área comum. Sua conservação e manutenção se realizava de forma comunitária, servindo como ponto de encontro social.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACom o tempo, o pátio cordobês vai se enriquecendo com outros elementos decorativos, como a cerâmica, vasos, etc. A partir do século XVIII e, principalmente do século XIX, a emergente burguesia utiliza o pátio como símbolo de seu status social, adornando-o com plantas exóticas e peças arqueológicas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, muitos dos Pátios de Córdoba se encontram abertos ao exterior por meios de cancelas, de forma que possam ser apreciados desde a rua. Por isso recomendo que a todos (as) que visitem a cidade, quando observem uma porta aberta de uma casa com pátio, nao deixem de observá-lo e contemplar sua beleza…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo área comum para as famílias residentes, no pátio se encontra, além do poço e da fonte, as pias para lavar a roupa, muitas delas com objetos históricos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma característica essencial, a presença de inúmeros vasos com plantas nos muros dos pátios, faz com que regar todos elas seja uma tarefa árdua. Os cordobeses utilizam uma espécie de mangueira com uma caneca na ponta para regar as plantas e flores situadas em alturas elevadas, como demonstra esta escultura que encontrei no centro da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPor toda a cidade vemos cartazes com escritos, muitos deles realizados por autores famosos, sobre a importância dos Pátios de Córdoba…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm alguns pátios funciona uma pequena loja, onde se comercializam produtos típicos da tradição espanhola…

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Um Passeio por Córdoba

Para se conhecer o Centro Histórico de Córdoba, declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, o ideal é caminhar por suas ruas sem pressa, pois sempre existem lugares de interesse para os visitantes curiosos por sua milenar história. Ao redor da Mesquita-Catedral, por exemplo, existem várias construções que se destacam, como o antigo Hospital de San Sebastián, construído pelo arquiteto Hernán Ruiz “El Viejo” entre 1512 e 1516.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA instituição foi criada pela Confraria de San Sebastián, cuja origem se deve a grande quantidade de crianças abandonadas que haviam na época. Atualmente o edifício é a sede do Palácio de Congresso e Exposições, e conserva a bela fachada de sua igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado do Real Alcázar situa-se uma grande edifício, as Reales Caballerizas de Córdoba, fundada pelo Rei Felipe II com a finalidade de criar cavalos de pura raça espanhola para os serviços da Casa Real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1757 sofreu um incêndio, sendo reconstruído durante o reinado de Carlos III. Em 1822, os cavalos utilizados pela corte foram retirados, e o edifício passou a ser usado pelo Corpo de Cavalaria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 2002 foi adquirido pela Prefeitura de Córdoba como um espaço cultural. Atualmente se realizam espetáculos equestres no local, além de visitas guiadas pelo interior do edifício.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo vemos uma foto das Reales Caballerizas tirada desde o Real Alcázar

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro lugar emblemático do centro histórico é a Plaza de la Corredera, um verdadeiro ponto de encontro dos habitantes da cidade, declarada Bem de Interesse Cultural em 1981.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConsiderada a única praça de formato quadrangular de toda a Comunidade de Andaluzia, ao modo das praças castelhanas, possui 113m de comprimento por 55m de largura. Seu espaço foi sempre utilizado para a representação de espetáculos públicos, como as Corridas de Touros. Em uma delas, a arquibancada de madeira caiu, para o desespero das pessoas que se encontravam no local. Se projetou então uma nova praça, antes irregular, num espaço uniforme, alinhando as fachadas dos edifícios de três níveis de altura e melhorando a segurança dos espetáculos públicos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs obras da nova praça realizaram-se no final do século XVII e foram pagas pelos próprios habitantes da cidade. O projeto se deve ao arquiteto Antonio Ramós Valdés. Grandes personagens da época presenciaram as Corridas de Touros, como o Rei Felipe IV e inclusive Cosme de Médici. A Plaza de la Corredera conserva edifícios cuja construção é anterior a própria praça, como a antiga Casa Consistorial, erguida no final do século XVI pelo arquiteto Hernán Ruiz II.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de representar o centro político da cidade, nela se situava também a prisão, que permaneceu no local até 1821, quando foi levada ao Real Alcázar de Córdoba. Em 1846, o edifício foi adquirido por um empresário cordobês, José Sánchez Peña, que instalou uma fábrica de sombreros, colocando as residências dos trabalhadores em sua parte superior. Depois, passou a abrigar o Mercado da cidade. Outro espetáculo famoso realizado na praça, antes da reforma, ocorreu em 1571, durante as festividades celebradas pela vitória na Batalha de Lepanto contra os turcos otomanos, quando se organizou uma verdadeira batalha naval na praça.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Tribunal da Inquisição também escolheu a praça para a realização de vários autos de fé, quando foram julgados os condenados por cometer delitos contra os dogmas da igreja. Escavações realizadas na praça durante as reformas descobriram mosaicos romanos em seu subsolo, atualmente expostos no Real Alcázar, cujas imagens já publiquei na matéria sobre a Córdoba Romana. Durante a Guerra da Independência no início do século XIX, os franceses colocaram patíbulos na praça para execução pública.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XX,  a praça foi pintada nas cores vermelha, verde e ocre, retornando ao aspecto que tinha no final do século XVII. Se dizia que nesta época a tonalidade vermelha se conseguia com o próprio sangue dos touros sacrificados na praça. É mole?

As Muralhas de Córdoba

Outro monumento de Córdoba que reflete os vários períodos históricos que atravessou a cidade são suas muralhas, estas estruturas que cercavam as cidades antigas com uma clara função defensiva.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs primeiras muralhas edificadas em Córdoba foram realizadas no século II, durante a etapa romana. Possuía um perímetro de 2650m e continha 4 portas, orientadas aos pontos cardeais. Com a chegada dos árabes, seu estado era deplorável, motivo pelo qual teve que ser reconstruída e ampliada devido ao  grande crescimento urbano verificado a partir de então. As crônicas existentes relatam que o perímetro da muralha durante a fase final do Califato de Córdoba, no início do século XI, era de 22 km, ocupando um espaço maior que a atual cidade no século XXI. Chegou a ter 13 portas !!!

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm pouco antes da reconquista de Córdoba no século XIII pelo Rei Fernando III, se construiu  uma nova muralha anexa à existente, com o objetivo de proteger as residências situadas fora da primitiva muralha. Desta forma, o recinto de muralhas ficou dividido em duas partes. Por um lado, o antigo recinto histórico, denominado Medina, e o novo, situado em sua porção oriental, que passou a ser chamado de La Axerquía. Abaixo, vemos uma parte da Muralha del Marrubial, que integrava este novo conjunto defensivo, e que atualmente encontra-se em fase de restauração (séculos XI e XII).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADepois da reconquista, as muralhas foram conservadas e restauradas. Também se construíram novas portas e torres, que passaram a integrar o recinto de La Axerquía, caso da Torre de la Puerta del Rincón, edificada no século XIV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo século XV se conserva a Torre de la Malmuerta. Sua construção iniciou-se em 1404, durante o reinado de Enrique III de Castilla, sob os restos de uma torre muçulmana. De planta octogonal, está apoiada sobre um arco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma antiga lenda diz que seu nome se deve à morte de uma dama cordobesa por seu marido ciumento, cujo desenlace ocorreu junto à torre. Outra estória a respeito desta torre relata que se um cavalheiro, passando a cavalo por debaixo do arco, fosse capaz de ler toda a inscrição existente na torre, esta se derrubaria e de seu interior sairia um tesouro, que passaria a ser propriedade do afortunado leitor. Perdida sua função defensiva, foi utilizada como prisão para nobres. No final do século XX, foi a sede da Federação de Xadrez da cidade. O núcleo principal da muralha rodeia parte do Centro Histórico da cidade, declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste tramo da muralha possui 360m, estando formado por 7 torres. Abaixo, vemos a conhecida Porta de Almodóvar. Situada junto à Judería de Córdoba, sua origem é árabe, mas seu aspecto atual data do século XIV. Está composta por duas torres unidas a modo de uma ponte por um arco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAJá a Porta de Sevilha foi reconstruída, pois a original foi demolida em 1865. Diante dela, vemos o monumento em homenagem ao poeta, filósofo e teólogo cordobês Ibn Hazam (994/1064).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, publicarei uma matéria sobre um local representativo do Centro Histórico de Córdoba, a famosa Judería