Castells – Parte 2

Neste segundo post sobre os Castells, ou torres humanas, veremos algumas curiosidades sobre este verdadeiro símbolo cultural da Catalunha. Em Tarragona é tão popular que existe um belíssimo monumento em sua homenagem, esculpido em bronze por Francesc Anglès e inaugurado em 29/5/1999. Sua localização, a Rambla Nova, uma das avenidas mais conhecidas da cidade, foi escolhida pelos próprios habitantes locais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO monumento possui 11 metros de altura e pesa 12 toneladas, e está formado por um total de 219 figuras. O curioso é que o escultor representou a vários personagens do mundo cultural e artístico espanhol, como Picasso, Miró, Paul Casals, e a si mesmo. Observando a escultura, vemos que se representam todos os elementos indispensáveis para sua construção. Antes de se começar a torre humana, uma banda de música começa a tocar peças musicais denominadas Toc de Castells, que somente finalizará ao término da torre, quando todos seus membros encontram-se novamente no solo. Um dos membros mais importantes durante a realização de um Castell é o chamado Cap de Colla, que dá orientaçoes precisas sobre a construção.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm Castell está composto por várias partes, começando pela Pinya, a base da torre, que concentra  a grande maioria dos participantes. Pode chegar a ter centenas de pessoas, incluindo não somente os membros da Colla Castellera, como também amigos, familiares e pessoas apaixonadas, que se unem espontaneamente e auxiliam em sua formação de suporte para o Castell. Está considerado o elemento mais complexo de toda a estrutura, principalmente no núcleo.

DSC02082A parte central de um Castell denomina-se Tronc, formado por vários pisos com a mesma quantidade de membros em cada um. Sua complexidade depende da altura e estrutura (quantidade de pessoas por piso).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA parte superior de um Castell, chamada Pom de Dalt, completa o tronco e possui a mesma composição em quanto a número de participantes. Normalmente inclui os 3 últimos andares da estrutura, nas quais as crianças sobem até chegar ao último nível.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs Castells possuem um vocabulário próprio no idioma catalão, que designam cada Castell em função de sua estrutura quanto ao número de membros em cada andar ou piso e o número de andares. Sua estrutura geral é cada vez mais complexa na medida em que ganha altura. Recebem uma denominação através de dois números. O primeiro descreve a quantidade de pessoas em cada piso, e o segundo número o total de pisos. Por exemplo, um “tres de vuit” ou três de oito. significa que o Castell está composto por 3 membros num total de oito andares. Alguns Castells recebem uma denominação própria, como o 5×8, chamado de “Catedral“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe acordo com o número de membros em cada andar os Castells recebem nomes específicos, como por exemplo: 1) Pilar: somente 1 pessoa por andar, que pode chegar ter até 8 pisos. 2) Dos de: formado por duas pessoas, pode alcançar 9 pisos, façanha realizada em 1993. 3) Trés de: três pessoas em cada andar, e pode chegar a 10 pisos, a altura máxima alcançada por um Castell nos registros históricos. Para muitos,  a torre humana de estética mais perfeita. 4) Quatre de: 4 pessoas por andar, de grande exigência física e técnica. Em 2015 se realizou um Castell de 4×10, algo que jamais havia sido possível até então. Para uma mesma altura, se valoriza mais um Castell com maior quantidade de pessoas por andar (um 5×8 vale mais que um 3×8). Existem Castells formado por 4 membros por andar com um pilar de vários andares no meio da estrutura principal, considerado um dos mais espetaculares por sua grande complexidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAQuando uma construção torna-se muito alta e com poucos participantes em cada piso, se necessita um apoio adicional  para suportar a estrutura e fornecer a devida estabilidade. Por exemplo, o denominado Foire consiste numa base construída no segundo andar sobre a Pinya, a base principal situada no solo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm Castell pode ser realizado total ou parcialmente, recebendo as seguintes expressões: Se diz que um Castell foi Descarregado quando atingiu o topo e foi desmontado com êxito. Carregado quando atingiu o topo mas desabou na desmontagem. Um Intent quando desabou antes de atingir o topo e um Intent Desmuntat quando a Colla (associaçao que está construindo a torre) decide desmontá-la antes de atingir o topo. Normalmente isso ocorre quando a construção está instável e corre o perigo de cair.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a história, foram documentados 3 acidentes mortais durante a realização de um Castell. O último deles ocorreu em 2006, quando se tornou obrigatório o uso de capacetes entre as crianças que sobem na parte mais alta da torre.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASegundo dados obtidos na Internet, em 2005 a porcentagem de Castells que não cairam foi de 96.3 %. A capacidade de absorção da energia produzida por uma queda na base da torre (Pinya) é de aproximadamente 40 a 60%.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Atualmente, as Collas de Castellers (agremiações que realizam os Castells) estão organizadas como qualquer associação ou clube, com sede própria ou local de reunião e treinamento. Uma das mais conhecidas da cidade chama-se Xiquets de Tarragona, e algumas de suas participantes, de forma amistosa e simpática, me permitiram tirar uma foto…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta Colla Castellera existe desde 1970, e originou-se com a fusão de duas outras entidades…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra parte integrante de um Castell é a banda de música, que começa a tocar quando inicia-se a construção da torre. Em caso de queda, a música para no ato…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADesde 1980 se realizam a cada 2 anos um Concurso de Castells na antiga Praça de Touros de Tarragona, chamada Tarraco Arena. É o único momento que os Castells adquirem um caráter competitivo. A antiga Praça de Touros foi reformada para abrigar estes eventos, com a instalaçao de um teto móvel para proteger os Castells em caso de chuva, pois nestas condições não são construídos, devido ao maior perigo de queda. Apesar de ser considerado o evento máximo dos Castellers, muitas associações se recusam a participam do concurso, por considerar que descaracterizam seu espírito comunitário. Em youtube existem muitos vídeos sobre estes impressionantes concursos. Selecionei um deles para que vocês tenham uma idéia…

Finalizo a matéria sobre os Castells, manifestação declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, e também sobre a cidade de Tarragona, depois de várias publicações. Gostaria de comentar que a maioria das fotos do post são de minha autoria, com exceção das fotos 7 e 11 (de cima para baixo), tiradas do livro “Castells – Torres Humanas”, escrito por Josep Almirall.

 

Castells – Torres Humanas da Catalunha

Dentro das festividades religiosas ocorridas durante minha estadia em Tarragona, tive a oportunidade e o privilégio de presenciar uma das manifestações culturais mais impressionantes da Catalunha, os denominados Castells, ou torres humanas de vários andares de altura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo idioma catalão, Castells significa “Castelos“, e pessoas de idades variadas de ambos sexos e constituição física participam em sua realização, gerando paixões e interesse equiparáveis aos esportes tradicionais. Constituem uma parte integrante da identidade da Catalunha, que se transmite de geração em geração, proporcionando aos seus membros um sentido de continuidade, coesão social e sentido de solidariedade. Além do mais, em 2010 foi declarado pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Normalmente, os Castells se formam nas praças principais, como na praça da sede da prefeitura (Ayuntamiento) ou diante da Catedral, como sucedeu em Tarragona ( que nao aparece nas fotos por minha posição lateral em relação à praça onde se situa). Antes de começar o espetáculo, uma multidão se aglutinou para ver e aplaudir os Castells.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANormalmente, centenas de pessoas participam em sua formação, e denomina-se Castellers as pessoas que integram as Colles Castellers, uma associação que organiza os Castells. Seus membros treinam durante todo o ano para que as apresentações nas várias cidades da comunidade sejam coroadas com êxito.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInicialmente os membros de um Castell se comprimem no solo formando um círculo, que serve de base para que a estrutura possa ganhar altura, chamada Pinya. Quando alcança uma altura determinada, crianças de entre 7 e 8 anos sobem pelas costas dos demais até chegarem na parte mais alta, levantando a mão e realizando uma Aleta, sinal que o Castell foi concluído. O público aplaude forma entusiasta…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm seguida, as crianças devem baixar, realizando o caminho inverso. Quando todos seus membros encontram-se novamente no solo, o público aplaude uma vez mais, sinal que o Castell foi definitivamente completado e não caiu.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAExiste uma máxima popular que diz que “Os Castells são feitos pelas crianças“, os verdadeiros heróis em sua realização, exigindo agilidade e valentia. Atualmente, participam homens e mulheres, mas até a década de 80 do século passado, os Castells constituíam uma atividade exclusivamente masculina. Para algumas posições, as mulheres oferecem vantagens físicas em relação aos homens (com uma mesma envergadura, geralmente o peso da mulher é inferior, sendo ideais para ocuparem as partes mais elevadas da estrutura).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERARealizados há cerca de 200 anos, existem referências de Castells já no século XVIII na cidade de Valls, considerada o berço dos Castells. Estreitamente relacionados com as festas populares, progressivamente estendeu-se por toda a Catalunha. A explicação mais aceita sobre sua origem diz que na segunda metade do século XVIII realizavam-se pequenas construções humanas que faziam parte de uma dança chamada “Baile dos Valencianos“, que eram realizadas em torno às procissões religiosas, criando uma certa rivalidade entre os grupos que as praticavam. Com o tempo, estas construções em forma de torre ganharam uma grande importância, tornando-se independentes do baile propriamente dito.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO primeiro Castell documentado data de 1770 e em 1790 já se utilizava a palavra para diferenciar do baile. O principal lema dos Castellers, “Força, Equilíbrio, Valor e Cordura (Sensatez)”, está relacionado às virtudes que seus membros devem possuir. Além delas, são fundamentais outras qualidades sociais como o trabalho e treinamento constantes, o esforço geral, a confiança no grupo, etc. Ainda que se recomende um bom preparo físico para participar num Castell, atualmente se valoriza mais a técnica que a força bruta.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO vestuário de um Casteller está composto por uma calça branca e uma camisa com a cor de sua agremiação. Um lenço tradicionalmente vermelho e uma faixa de algodão que se enrola ao redor da cintura (pode chegar a ter 5 metros), com a finalidade de dar consistência à escalada e proteger a zona lombar, completam a roupa tradicional. Muitos utilizam um lenço ao redor da cabeça para evitar que o suor atrapalhe a vista. Todos os membros sobem descalços.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA temporada de Castells inicia-se durante as festividades em honra a São Jorge (Sant Jordi, em catalão), Santo Padroeiro da Catalunha, no dia 23 de abril, e finaliza em novembro. Existe uma associação representativa, a CCCC (Coordinadora de Colles Castellers de Catalunha) que divulga as atuações em toda a comunidade (http://www.cccc.cat). Outra página interessante é a http://www.webcasteller.com

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, publicarei a segunda matéria sobre estas incríveis torre humanas, comentando sobre os diferentes tipos de Castells, curiosidades históricas, o impressionante concurso que se realiza a cada dois anos, etc.

Fórum Romano de Tarragona – Parte 2

Neste segundo post sobre o Fórum Romano de Tarragona veremos outros vestígios arqueológicos pertencentes ao incrível conjunto de restos romanos da antiga Tarraco que se conservam na cidade, declarados Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Como dito na matéria  anterior, o Fórum constituía o centro da vida pública de qualquer cidade romana, estando composto por seus principais edifícios administrativos, religiosos e jurídicos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta segunda zona pertencente ao Fórum Romano de Tarraco é visitável, mediante o pago de uma modesta entrada. Seus vestígios arqueológicos foram documentados por primeira vez na segunda metade do século XIX, com a derrubada das antigas muralhas renascentistas. Abaixo, vemos um busto em homenagem a Joan Serra i Vilaró, o primeiro em escavar as ruínas desta parte do Fórum Romano de Tarraco, em 1930.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO conjunto está formado por duas zonas separadas por uma rua e unidos por uma pequena ponte…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta é considerada a praça inferior do Fórum, ao estar situada numa zona mais baixa da cidade. Tinha umas dimensões impressionantes, de 318 m de comprimento por 175 m de largura, estando cercada em três de seus lados por uma complexa estrutura de pórticos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo Fórum situava-se o denominado Templo Capitolino, o principal de Tarraco, em homenagem à tríade romana formada pelas divindades Júpiter, Juno e Minerva. Sua parte conservada se restringe à sua fundação estrutural feita com o chamado cimento romano (Opus Caementicium).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma reconstrução gráfica idealizada do monumento…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro local imprescindível no Fórum Romano era a Basílica, um edifício de 3 naves separados por colunas, com finalidades administrativas, políticas e, principalmente, jurídicas, além de constituir um ponto de encontro social.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma sala central presidia o interior da Basílica, onde se reunia o senado local, ou Curia. Seu exterior estava formado por colunas de ordem coríntia, 14 delas dispostas em seu comprimento e 4 colunas em seu sentido lateral (14×4). Posteriormente, os cristãos utilizaram a estrutura das basílicas romanas para a construção de suas igrejas, motivo pelo qual muitas delas, principalmente catedrais, possuem uma planta basilical.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOs quarteirões das casas estavam delimitados por ruas de pedra com uma largura de 6 metros. O planejamento urbano das cidades romanas estava composto por duas ruas que se cruzavam perpendicularmente, o Decumano (sentido leste-oeste) e o Cardo (orientação norte-sul). O Decumano principal denominava-se Decumanus Maximus, que cruzava com o Cardo Maximus.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADentro desta zona do Fórum Romano de Tarraco se conservam também vestígios de casas e pequenos comércios. Abaixo, vemos uma cisterna que pertenceu a uma residência construída no século II aC, anterior portanto à própria construçao do Fórum.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cidade de Mérida (situada na Comunidade de Extremadura) foi, junto com Tarraco, uma das principais cidades romanas de Hispania. Antiga Emerita Augusta, foi a capital da Província da Lusitânia. Uma placa oferecida à cidade de Tarragona pela “hermana histórica” foi colocada dentro da área protegida do Fórum.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de todos estes monumentos pertencentes ao seu passado romano que estamos vendo no blog, se conservam outros lugares icônicos da antiga Tarraco, situados a poucos quilômetros da cidade, como o Aqueduto. Construído no século I dC, originalmente tinha 15 km de extensão, dos quais foram preservados “apenas” 217 m de comprimento e 27 m de altura em sua parte central. Uma pena que não tive a oportunidade de visitá-lo…

Tarragona Romana: Teatro e Anfiteatro

No mundo romano, os espetáculos populares constituíam uma parte fundamental da vida cotidiana. O dito latino “Panis et Circenses” refere-se justamente ao controle popular exercido pelos Imperadores Romanos através da organização destes espetáculos. Em Tarraco, nome romano de fundação da cidade de Tarragona, não era diferente. Atualmente se conservam os três edifícios públicos construídos para esta finalidade, o Circo, o Teatro e o Anfiteatro. Neste post, veremos os dois últimos. O Teatro Romano de Tarraco foi o primeiro em ser construído, no final do século I aC, em época de Augusto.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASituado próximo ao Fórum da Colônia, nele eram realizadas representações teatrais e foi construído aproveitando-se o desnível natural do terreno.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Teatro Romano de Tarragona deixou de ser utilizado no século III dC, e posteriormente novos edifícios foram construídos com seus materiais. Ao contrário dos outros dois espaços, o Teatro encontra-se abandonado e não está aberto à visitação pública, pois carece de infraestrutura para tal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAJá com o Anfiteatro, a situação é completamente distinta, pois representa uma das principais atrativos do Conjunto Arqueológico de Tarragona, estando aberto aos visitantes. O primeiro que chama a atenção do Anfiteatro Romano de Tarragona é sua excepcional localização, junto ao Mar Mediterrâneo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEste tipo de edifício era usado para os espetáculos com animais ferozes, lutas de gladiadores e também como local de execução pública. Nele, no ano de 259 dC, foram martirizados o Bispo Fructuoso e dois de seus diáconos, como foi dito anteriormente, dentro do contexto da perseguição religiosa contra a comunidade cristiana, ordenada pelo Imperador Diocleciano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruído no século II dC, num local que havia sido uma área funerária, foi reformado em 221 dC. O Anfiteatro foi construído junto ao mar com a finalidade de facilitar o acesso público e também para o desembarque de animais. Tinha capacidade para 15 mil espectadores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século V dC perdeu sua função original e no seu recinto foi edificada uma Basílica Visigoda de 3 naves no final do século seguinte, para celebrar o martírio do bispo e dos diáconos. Ao seu redor, se construiu um cemitério com tumbas escavadas na arena e mausoléus funerários adossados à igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XII se ergueu, sobre os cimentos da antiga Basílica Visigoda, um novo templo sob a titularidade de Santa María del Milagro. Esta igreja de estilo românico manteve-se de pé até 1915. No entanto, conservam-se os restos de ambas igrejas.

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Tarragona Romana – Patrimônio da Humanidade

O Conjunto Arqueológico de Tarragona, referente ao seu passado romano, é considerado um dos mais importantes de toda a Hispania, razão pelo qual foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 2000. Representa o assentamento romano mais antigo de toda a Península Ibérica, com muitos monumentos conservados.

DSC02067Dois foram os critérios estabelecidos pela Unesco para que a Tarragona Romana recebesse esse almejado título. O primeiro deles: “Os restos romanos de Tarraco são de uma importância excepcional no desenvolvimento do planejamento urbano romano, servindo de modelo para as capitais provinciais do Império Romano“. Em segundo lugar: “Proporcionam um testemunho eloquente e incomparável de uma etapa significativa na história das terras mediterrâneas da antiguidade”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASua muralha é a construção mais antiga de toda a Tarraco Romana. Foi construída no final do século III aC, e ampliada no século II aC.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOriginalmente, a muralha romana tinha 3500m de perímetro, dos quais se conservam 1100m, que rodeia o Centro Histórico de Tarragona.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas das torres originais foram preservadas, como a chamada Torre de Minerva e a do Arcebispo. A muralha pode ser conhecida em sua totalidade num Paseo Arqueológico, cuja entrada vemos abaixo:

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir, vemos uma das portas da muralha…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma foto da parte interior da muralha, junto ao centro histórico…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA muralha romana sofreu diversas modificações ao longo da história…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1368, se construiu uma nova muralha medieval denominada “La Muralleta“, cuja construção mais emblemática é a Torre de les Monges.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta torre de formato octogonal estava situada num dos extremos da Muralleta. Em 1530, diante do medo de um ataque marítimo, a torre transformou-se num ponto de vigilância costeira. Esta torre encontrava-se junto ao Circo Romano, que em breve veremos no blog, e sua fachada converteu-se no muro interno desta fortificaçao do século XIV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Muralleta estava composta por 4 torres, e esta é a única conservada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra modificação se realizou no século XVIII, em 1737, durante o reinado de Fernando VI. Uma antiga porta medieval, o chamado Portal de Sant Antoni, foi reformado no estilo barroco, adquirindo um aspecto de Arco de Triunfo. Em sua parte superior, foi colocado o escudo do monarca, que atualmente encontra-se bastante desgastado.

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Espanha: Patrimônios da Humanidade (Parte 7)

Finalmente chegamos à bela Andalucía, região situada no sul da Espanha e com várias localidades declaradas Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Trata-se da Comunidade Autônoma mais populosa do país e a segunda em extensão, somente superada por Castilla y León. Sua capital, Sevilha, foi congratulada como P.H. em 1987. Na lista organizada pela Unesco, fazem parte sua impressionante Catedral Gótica, o Alcázar e o histórico Arquivo das Índias, o maior centro de documentação existente sobre a colonização americana. Abaixo, vemos duas fotos da Catedral de Sevilha

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa Província de Málaga encontramos a cidade de Antequera, que possui um dos conjuntos de arquitetura pré-histórica mais importantes da Europa, os denominados Dólmenes de Antequera. São consideradas a primeira manifestação da arquitetura monumental da pré-história do continente (século V aC), motivo pelo qual foram declarados P.H. em 2016.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA cidade de Córdoba é a única do mundo que possui 4 lugares declarados Patrimônios da Humanidade. Inicialmente, sua incrível Mesquita-Catedral recebeu o título em 1984.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPosteriormente, em 1994, todo o Centro Histórico da cidade foi declarado Patrimônio da Humanidade….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 2018, a cidade palatina de Medina Azahara, localizada a pouca distância de Córdoba, foi a última em integrar a lista…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs pátios cordobeses constituem uma das principais atrações da cidade e a festa que se celebra anualmente no mês de maio foi designado Patrimônio Imaterial pela Unesco em 2012.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa Província de Jaén, as cidades de Úbeda e Baeza, situadas próximas uma da outra, foram catalogadas como Patrimônio da Humanidade em 2003 pelo excepcional conjunto renascentista que conservam…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEspero que esta série de posts tenha colaborado para mostrar a grande diversidade cultural e artística do patrimônio espanhol. Muitos outros lugares declarados Patrimônio da Humanidade pela Unesco na Espanha (exatamente 11) não foram incluídos nas matérias, pela simples razão que ainda não tive a oportunidade de conhecê-los. Espero, com o tempo, poder visitá-los e mostrá-los a vocês…

Espanha: Patrimônios da Humanidade (Parte 5)

Na matéria de hoje, veremos os lugares do norte da Espanha declarados Patrimônios da Humanidade pela Unesco. O Caminho de Santiago sempre foi, historicamente, um dos principais centros de peregrinação do mundo. Os peregrinos que caminhavam rumo ao sepulcro do Apóstolo Santiago, situado na Catedral de Santiago de Compostela, possibilitaram um fértil intercâmbio de idéias que favoreceu o desenvolvimento do norte do país. Por exemplo, uma das vías de entrada do Estilo Românico na Espanha foi justamente o Caminho de Santiago, e em seu trajeto podemos admirar várias construções emblemáticas do estilo, como a Igreja de San Martín de Frómista, entre muitas outras.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitas das cidades atualmente existentes foram fundadas graças a esta trilha sagrada, como Puente de la Reina, situada na Comunidade de Navarra, cuja ponte construída para a passagem dos peregrinos deslumbra a todos aqueles que a cruzam.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO mais frequentado de todos os Caminhos que levam à Santiago de Compostela, o denominado Caminho Francês, foi declarado P.H. em 1993. Em 2015, o chamado Caminho do Norte, cujo trajeto passa por belas paisagens e praias da costa norte do país, também foi incluído na lista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA bela capital do Principado de Asturias, Oviedo, possui um importante patrimônio histórico, repleto de monumentos de grande relevância, como sua catedral gótica, além de um excepcional conjunto de igrejas construídas no período pré românico, que foram designadas Patrimônios da Humanidade em 1985 e cuja lista ampliou-se em 1998.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAArte Paleolítica do Norte da Espanha, que inclui a famosa Caverna de Altamira, recebeu o título em 1986. Situada na Comunidade da Cantábria e próxima a um dos pueblos mais belos do país, Santillana del Mar, a Caverna de Altamira é considerada a “Capela Sixtina da Arte Paleolítica“, graças ao excepcional conjunto de pinturas rupestres que possui. Atualmente, perto da entrada da caverna, existe uma museu onde se pode contemplar uma réplica exata da caverna original, cuja visita somente é permitida para arqueólogos e estudiosos do tema.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Arquitetura Industrial também foi contemplada como P.H. na Espanha. Um exemplo é a magistral Ponte de Vizcaya, o principal monumento do município de Portugalete, situado a pouca distância de Bilbao, no País Vasco. Inaugurada em 1893, é também denominada Ponte Colgante e foi projetada pelo arquiteto Alberto Palácio Elissague. Uma das mais destacadas obras da arquitetura de ferro, decorrente da Revolução Industrial, esta ponte foi a primeira de sua tipologia construída em todo o mundo e recebeu o título de P.H. em 2006.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa Comunidade da Rioja, famosa internacionalmente por seus deliciosos vinhos, situa-se o município de San Millán de Cogolla, que acolhe dois monastérios construídos em épocas diferentes. O chamado de San Millán de Suso foi fundado no século VI por San Millán, enquanto San Millán de Yuso pertence ao século XI, embora se reconstruiu entre os séculos XVI e XVIII. Um dos centros espirituais mais importantes do antigo Reino de Castilla, neste monastério foi escrita a obra mais antiga do idioma castelhano, as “Glosas Emilianenses“, motivo pelo qual é considerado o berço do idioma espanhol. Foi declarado P.H. em 1997.

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