O Museu de Antequera

No post de hoje conheceremos o interessantíssimo Museu de Antequera, uma das principais instituições culturais, não só da cidade, como de toda a Comunidade de Andalucía. Sua origem situa-se no antigo Museu Arqueológico Municipal, criado em 1908. Em 1966, o Museu Municipal foi levado ao Palácio de Nájera, sua atual localização.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA importância do museu se comprova pela elevada qualidade artística das obras expostas, seu excelente estado de conservação e a variedade histórica  das peças arqueológicas, pinturas e esculturas de seu acervo permanente. Depois de uma ampla reforma realizada em 2009, o museu conta com 5 mil metros quadrados de área construída, e seu acervo está dividido em 20 salas expositivas, realizada de forma cronológica. Veremos, pois, algumas das obras mais relevantes do Museu de Antequera. O período romano está muito bem documentado, com algumas obras únicas a nível nacional. Um exemplo é o monumental mausoléu pertencente à família de Acilla Plecusa, uma das mais influentes da época. Datada do séc. II dC, esta tumba familiar é do tipo “columbário“, sendo que as urnas funerárias eram colocadas na parte lateral da estrutura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos maiores tesouros do patrimônio romano espanhol encontra-se exposto no museu. Trata-se do Éfebo de Antequera, uma estátua de bronze do séc.I dC inspirada no original grego. Para muitos estudiosos, é considerada a escultura romana mais bela do país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra obra de importância fundamental é a Vênus de Antequera (séc.II dC),  uma das representações mais belas da Deusa do Amor, esculpida em mármore grego.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm relação à Arte Sacra, o Museu de Antequera possui obras notáveis, como a escultura da madeira policromada de São Francisco de Assis, realizada pelo grande Pedro de Mena (1628/1688) em 1663. Originalmente, a peça foi talhada para a Catedral de Toledo, e descreve visão que o Papa Nicolás V teve ao contemplar a múmia do santo em sua visita à cripta de Assis: de pé, olhando ao céu, com as mãos ocultas nas mangas, descalço e com os estigmas nos pés e no costado. Por este motivo, a escultura possui um grande naturalismo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém de madeira é a escultura de Santa Eufemia, padroeira da cidade de Antequera, anônima do séc. XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir vemos uma escultura de São José com o Menino Jesus, anônima do séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInúmeras e de qualidade são as esculturas religiosas existentes no acervo do museu…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das peças mais singulares é esta Pia Batismal do séc. XV, feita de barro e vidro de cor verde no estilo mudéjar renascentista, uma das poucas que se conservam em todo o país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte pictórica, destaca a presença de alguns pintores antequeranos de grande maestria, como José María Fernández (1881/1947), que doou a maior parte de suas obras ao museu. Abaixo, vemos uma das salas, dedicada à pintura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAVerdadeiramente curiosa é a obra do artista Cristóbal Toral, caracterizada por sua obsessão pelas malas de viagem, como podemos ver, tanto nas esculturas, como nos quadros que realizou.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACristóbal Toral iniciou sua formação na Escola de Artes e Ofícios de Antequera e completou seus estudos na Real Academia de San Fernando de Madrid. Em 1975, participou na Bienal de São Paulo. Abaixo, vemos sua singular interpretação do famoso quadro de Velázquez, “Las Meninas“, em que os personagens foram substituídos pelas maletas….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas dependências do museu constituem, por si só, verdadeiras obras de arte, como vemos na imagem abaixo.

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Igreja de Santa Cruz de Madrid – Parte 2

Na matéria de hoje veremos o interior da Igreja de Santa Cruz de Madrid. Como em sua parte exterior, o estilo construtivo do interior é o neogótico, que podemos notar nos arcos ojivais presentes em sua estrutura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstá formado por uma só nave e oito capelas laterais. Possui uma bôveda de crucería característica da arquitetura gótica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe muito interesse é o cimbório, sustentado por arcos escalonados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERALamentavelmente, o templo foi bombardeado durante a Guerra Civil e muitos dos retábulos e esculturas tiveram que ser refeitos. O Retábulo Maior, por exemplo, foi realizado pelo artista Emilio Tudanca em 1962.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo altar maior se venera um “Lignun Crucis“, uma das relíquias mais sagradas do cristianismo, pois se trata de um pedaço da cruz onde Cristo foi crucificado. Abaixo vemos o órgão e o belo rosetón situado no transepto, ou o braço transversal em relação à nave do templo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANas capelas podem ser admiradas muitas imagens veneradas pelos madrilenhos. A de São Judas Tadeu, por exemplo, é uma das que oferecem a maior devoção. Muitos fiéis acodem ao interior da igreja para adorar sua imagem e solicitar pedidos ao santo dos desejos impossíveis. A imagem vemos abaixo, do lado direito da foto, com o Cristo Nazareno no centro e a escultura da Esperança da Triana no lado esquerdo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Capela de San Antonio de Pádua conserva um belo quadro do séc. XVII .

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra Capela significativa é a da Sagrada Família, constituída por um retábulo de estilo barroco com colunas salomônicas, realizado por Francisco Palma Burgos em 1943. O grupo escultórico é de autoria de Ricardo Pons. Embaixo do retábulo vemos uma escultura de Cristo jacente, realizada por Jacinto Higueras em 1941, que substituiu uma anterior do grande Pedro de Mena, queimada durante a Guerra Civil.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEspecialmente bonitos são os vitrais, fabricados pela conhecida Casa Maumejeán. Esta empresa familiar foi fundada pelo francês Jules Pierre Maumejeán. Seus 5 filhos continuaram o trabalho artístico do pai, seguindo a tradição na fabricação de vitrais de grande qualidade durante mais de 150 anos.Vários dos membros da família se estabeleceram na Espanha, contribuindo com a decoração de pinturas sobre o vidro para inúmeros edifícios, tanto civis quanto religiosos. Por seu talentoso trabalho, receberam vários prêmios internacionais, que ratificaram sua fama como um dos fabricantes mais importantes de vitrais dos séculos XIX e XX.

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Real Monastério de la Encarnación – Madrid

O Real Monastério de la Encarnación é outro dos “sobreviventes” da cidade conventual que havia se transformado Madrid depois de tornar-se capital do Reino Espanhol e também um exemplo do costume tradicional da monarquia e da nobreza em patrocinar construçoes religiosas. Localiza-se no centro histórico de Madrid, na denominada Plaza de la Encarnación.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO monastério foi fundado por Margarita de Áustria, esposa do rei Felipe III, no começo do séc. XVII e construído pelo arquiteto Fray Alberto de la Madre de Dios entre 1611 e 1616.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua fachada, inspirada no modelo do estilo Herreriano (de Juan de Herrera, arquiteto construtor do Monastério de El Escorial), caracteriza-se pela austeridade decorativa e criou escola, sendo muito imitada ao longo dos séculos. Apresenta o escudo de Margarita de Áustria e um relevo da Anunciaçao, feito em mármore.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEste monastério foi criado para as religiosas da Ordem de Agostinas Recoletas e acolheu, ao longo de sua história, muitas damas da alta nobreza espanhola, sendo fundado para celebrar a Expulsao dos Mouros em 1609. Devido a sua proximidade com o Real Alcázar, a família real podia entrar diretamente à igreja, através de uma construçao que ligava o antigo palácio real com o monastério, infelizmente desaparecida. Em 1611, a Rainha Margarita faleceu, sem que pudesse apreciar a obra finalizada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATal como o Monastério de las Descalzas Reales, o Monastério de la Encarnación possui uma rica coleçao artística, com obras do pintor Luca Jordán, dos escultores Gregório Fernández e Pedro de Mena, etc. Abaixo, vemos duas imagens do interior da igreja, reformada pelo arquiteto real Ventura Rodríguez no séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Real Monastério de la Encarnación foi aberto ao público somente em 1965, e atualmente é considerado um dos melhores e mais importantes exemplos do Barroco em Madrid.

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Monastério de las Descalzas Reales – Madrid

A pessoa que visitasse Madrid no início do séc. XVII teria visto uma cidade repleta  de torres e cúpulas, pertencentes a grande quantidade de igrejas e monastérios que possuía. De fato, depois que se tornou capital em 1561, Madrid acolheu a distintas ordens religiosas, que nela se estabeleceram. Em apenas 30 anos, foram fundados 17 novos monastérios (14 masculinos e 3 femininos). A capital da Espanha havia se transformado numa Cidade Conventual. Lamentavelmente, a maior parte deles foram derrubados para a construçao de praças e ruas, principalmente a partir do séc. XIX, durante o reinado de José Bonaparte, e devido à desamortizaçao dos bens eclesiásticos, sucedida em 1836 e conhecida como Desamortizaçao de Mendizábal, o ministro que a impulsionou. Com a destruiçao destas instituiçoes, se perdeu também uma considerável quantidade de obras de arte. No entanto, Madrid conserva alguns monastérios antigos, verdadeiras jóias que podem e devem ser visitadados. Um dos mais importantes é o Monastério de N.Sra. de la Visitación, mais conhecido como das Descalzas Reales.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste monastério é uma das contruçoes mais antigas de Madrid, já que foi fundado em 1559 por Juana de Áustria, irma do rei Felipe II, e mae do futuro rei português D.Sebastiao, pois era casada com o príncipe Joao Manuel de Portugal. Situado em pleno Centro Histórico de Madrid, é um monastério de clausura, pertencente a Ordem Clarissa. Parte do mesmo pode ser visitado, como disse acima, pois foi transformado num museu. O Monastério das Descalzas Reales chegou quase intacto aos dias de hoje, apesar da destruiçao  generalizada destas instituiçoes religiosas. O monastério foi levantado sobre um antigo palácio, um dos primeiros que teve a capital.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1339, foram celebradas neste palácio as primeiras cortes de Madrid e em 1580 acolheu a María de Áustria, viúva do imperador Maximiliano II de Habsburgo, que adotou o regime conventual do monastério. O espaço monacal era enorme, compreendendo uma horta, além de suas dependências e da igreja. Ao longo dos anos, nele ingressaram as mulheres da família real e da alta aristocracia, que doaram uma impressionante coleçao de obras de arte, que podem ser admiradas atualmente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA mencionada Juana de Áustria havia nascido no antigo palácio, e por uma razao sentimental, adquiriu o imóvel, transformando-o num complexo formado pelo convento, residência real, hospital, panteao e num colégio para crianças órfas. O nascimento da entao infanta ocorreu no palácio porque o Alcázar Real estava sendo reformado na época. Juana de Austria era uma mulher avançada e sua imensa biblioteca estava formada por uma grande quantidade de livros proibidos pela igreja (evidentemente, o rei Felipe II a protegia…)

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma foto antiga do Monastério de las Descalzas Reales (anos 30 do séc. XX).

DSC07967A sobriedade e austeridade de seu exterior constrata com a riqueza de suas dependências interiores. Infelizmente, as fotos nao estao permtidas durante a visita. Por isso, publico algumas imagens tirada do excelente livro “Iglesias y Conventos del Antiguo Madrid”, escrito por Ramón Guerra. A igreja, por exemplo, foi finalizada em 1564 e atribuída a Juan Bautista de Toledo, arquiteto responsável pelo projeto do Monastério do Escorial.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1862, um incêndio destruiu parte do interior da igreja, inclusive o Retábulo Maior de Gaspar Becera, considerado uma obra prima. Abaixo, vemos uma foto do retábulo atual.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, vemos o impressionante espaço formado por uma escada renascentista e frescos realizados no séc. XVII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas peças integrantes da coleçao do monastério sao verdadeiras jóias artísticas, como este “Ecce Homo”, realizado por Pedro de Mena, artista fundamental do barroco da Andalucía.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOu entao o “Cristo Jacente” de Gaspar Becerra, considerado uma obra prima da escultura renascentista espanhola.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJuana de Áustria está sepultada junto ao altar maior, no local onde sempre quis ser enterrada. O Monastério das Descalzas Reales, por sua importância histórica e  sua coleçao de objetos artísticos, dos quais vimos apenas uma diminuta parte, se insere dentro dos locais de visita imprescindível de Madrid.

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Catedral de Málaga – Parte 2

Na matéria de hoje, veremos alguns dos elementos mais importantes do interior da Catedral de Málaga, formado por 3 naves de igual altura (41,79m), sendo que a central é mais larga que as laterais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma de suas partes mais valiosas é o Coro, considerado uma obra prima do Barroco Espanhol, onde o grande Pedro de Mena deixou um maravilhoso trabalho escultórico em suas 42 imagens repletas de misticismo e expressividade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANas laterais do Coro, vemos dois órgaos barrocos, formados por 4 mil tubos e fabricados entre 1779 e 1781.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo Trascoro destaca a imagem da Piedade, esculpida em mármore branco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO espaço compreendido pelo Presbitério possui um formato semi-decagonal, estando delimitado por 6 colunas suspensas por arcos de meio ponto. O Altar Maior foi realizado por Diego de Vergara em 1541 e presidido por um tabernáculo construído no séc. XIV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO templo possui inúmeras obras de arte destacáveis, como o mausoléu renascentista do arçobispo Luis de Torres. Construído por Guglielmo Della Porta, seu grande valor artístico reside na combinaçao cromática dos materiais empregados em sua execuçao (mármore branco e negro, além do bronze na escultura).

OLYMPUS DIGITAL CAMERATodo o perímetro da catedral está formado por Capelas Laterais, construídas em várias épocas em que participaram grandes figuras da Arte Espanhola. Abaixo, vemos a Capela de Santa Bárbara, com um retábulo gótico do séc. XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém do séc. XVI, a Capela de Sao Francisco possui um amplo repertório de santos franciscanos (além de Sao Francisco de Assis, vemos a Santo Antônio de Pádua, Sao Diego de Alcantara, etc).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPertencente ao séc. XVII existem várias capelas, como a da Concepçao, com um quadro da Imaculada realizado por Mateo Cerezo, embora alguns eruditos atribuem a obra a Cláudio Coelho.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa Capela do Rosário, destaca um quadro realizado por Alonso Cano entre 1665 e 1666.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Capela da Encarnaçao, também conhecida como Capela Dourada por sua decoraçao, foi projetada por Ventura Rodríguez ou Juan de Villanueva. Seu retábulo do séc. XVIII reflete o gosto artístico da Corte Espanhola, ditado pelos princípios estéticos  neoclássicos da Real Academia de Belas Artes de San Fernando.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMais recente é a Capela da Virgem do Pilar, com um retábulo construído em 1946.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos destaques do interior da Catedral de Málaga se encontra na Capela dos Caídos, com um conjunto escultórico belíssimo de Cristo Crucificado e uma imagem da Virgem Dolorosa, realizados pelo acima citado Pedro de Mena e também por Alonso de Mena.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Sala Capitular é apresentada como um verdadeiro museu, com obras de artistas como José de Ribeira, representado por um quadro de Sao Paulo Ermitao, realizado em 1630.

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Museu da Real Academia de San Fernando – Esculturas

Hoje iniciamos uma série de matérias sobre algumas das obras mais representativas expostas no Museu da Real Academia de Belas Artes de San Fernando de Madrid. Evidentemente, nao se trata de um catálogo de todas as obras, algo impossível e que foge do objetivo principal das matérias que serao publicadas. No entanto, escolhi algumas obras tanto de artistas estrangeiros, quanto, principalmente, de autores espanhóis, já que o blog é um veículo de divulgaçao do Patrimônio Artístico e Cultural de Espanha. No post de hoje, veremos a parte de esculturas que integram a coleçao permanente do museu.

DSC08497Desde suas orígens, a Real Academia de Belas Artes teve especial interesse em reunir uma galeria de esculturas em gesso, cópias das mais conhecidas e apreciadas da Antiguidade Clássica, com o objetivo de auxiliar na formaçao artística de seus alunos. Um dos fundadores da academia, o escultor Domenico Olivieri, estabelece entao uma lista das principais obras a serem adquiridas em Roma, para a realizaçao das cópias. Duas delas decoram o salao de entrada do museu, a escultura de Flora Farnese e a de Hércules.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAMuitas das esculturas pertencem ao Barroco Espanhol, um período prolífico na realizaçao de imagens religiosas. O escultor português Manuel Pereira (Porto-1588/Madrid-1683), por ex, é considerado um dos melhores artistas correspondentes à época do reinado de Felipe IV. Dele é esta excelente imagem de San Bruno, fundador da Ordem dos Cartuxos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATrata-se de uma peça rara no conjunto de esculturas barrocas espanholas, já que foi realizada em pedra, ao contrário da grande maioria de imagens religiosas, feitas em madeira policromada. A obra emana um grande realismo. Manuel Pereira deixou um rico legado em muitas cidades espanholas, como Madrid, Burgos, Alcalá de Henares, etc. Trabalhou com vários materiais além da pedra, como o alabastro e a madeira.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFeita de madeira é uma maravilhosa peça denominada de “La Dolorosa”, do escultor Pedro de Mena (Granada-1628/Málaga-1688), um dos mais interessantes e bem documentados escultores do Barroco Andaluz. Dedicou-se basicamente às imagens religiosas, ofício que também havia se especializado seu pai, Alonso de Mena.

DSC08564Um conjunto que impressiona pelo dramatismo das cenas foi realizado por José Ginés (Polop, Prov. Alicante-1768/Madrid-1823). O artista elaborou uma grandiosa cena retratando a Matança dos Inocentes entre 1789 e 1794, um encargo do rei Carlos IV para a decoraçao do Palácio Real.

DSC08506Realizado em barro cozido policromado, segue uma estrutura a modo de presépio, sendo considerado uma ponte entre o barroco e o neoclassicismo. Destaca sua enorme capacidade expressiva, bem como os detalhes, alguns deles representando a extrema crueldade alusiva ao episódio em que o rei Herodes de Judéia ordena a execuçao de todos os meninos com menos de dois anos de Belén, para evitar que o recém nascido Jesus Cristo ocupe o seu trono (Evangelho de Sao Mateus).

DSC08504José Ginés obteve vários prêmios da academia e tornou-se diretor da seçao de esculturas em 1817.

DSC08503Mariano Benlliure Gil (Valencia-1862/Madrid-1947) foi um dos expoentes máximos do Realismo Naturalista de finais do séc. XIX e primeira metade do XX. Formou-se escultor tanto na Academia de Valencia, quanto na de San Fernando de Madrid. Uma de suas capacidades como artista era a de materializar o caráter e a vitalidade de seus retratos escultóricos, como neste busto do amigo e escultor português Antonio Teixeira López (1866/1942).

DSC08491A escultura foi realizada em 1938, em bronze. Outro dos personagens representados por Benlliure foi Francisco de Goya, cujo busto foi executado em 1902, sendo considerado uma das maiores representaçoes do genial pintor aragonês.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO detalhismo naturalista e a minuciosidade das composiçoes sao características deste escultor valenciano. Participou de inúmeras exposiçoes internacionais e em Madrid sao abundantes os monumentos realizados por ele. Em parte, isso se explica porque vencia quase todas as convocaçoes públicas da cidade para a realizaçao de obras comemorativas. Em breve, realizarei um post sobre este magnífico artista. Finalizamos o post com outro excepcional escultor, considerado um dos maiores de todo o séc. XX, Pablo Gargallo (Maella, Prov. Zaragoza-1881/Reus, Prov. Taragona-1934).

DSC08495Esta obra, intitulada “Academia”, foi realizada por Gargallo em mármore branco no ano de sua morte, em 1934. Um dos escultores mais inovadores do século passado, combinou ao longo de sua trajetória artística tanto as formas clássicas, quanto o experimentalismo. Em Zaragoza, existe um maravilhoso museu, dedicado ao seu trabalho.

Museu Nacional de Escultura – Segunda Parte

Neste post, veremos algumas das obras do incomparável acervo do Museu Nacional de Escultura, em ordem cronológica, segundo o estilo que representam.

No entanto, começamos pela capela, um dos espaços mais autênticos do museu. Quando passou a integrar o museu em 1933, se instalaram algumas obras que evocassem seu antigo esplendor. Algumas dela são:

Retábulo Maior do Monastério de La Mejorada de Olmedo (Província de Valladolid). Realizado por Alonso Berruguete (1523/1526). Foi instalado onde situava-se o antigo retábulo original feito por Gil de Siloé para a decoraçao da capela, e que foi destruído durante a invasao napoleônica. De estilo renascentista, exibe cenas da vida de Jesus e Maria.

Sepulcro de alabastro de Diego de Avellaneda: Felipe Vigarny –  1536/1542. Procedente do Monastério de San Juan Bautista e Santa Catalina (Prov. De Sória).

Estátua orante de bronze do Duque de Lerma: Pompeo Leoni/Juan de Arfe (1601/1608). Procedente da Igreja Convento de San Pablo de Valladolid. A solenidade do retrato e o modo de conceber a imagem no contexto de uma atmosfera sacra e suntuosa forma parte do desejo de vencer a morte com a fama póstuma e perpetuar-se.

Iniciamos nossa visualização cronológica através do estilo românico. Depois de um largo período de tempo, que começou com a queda do império romano (séc. V) e prolongou-se até o surgimento do românico ( séc. XI), ocorreu um empobrecimento e até mesmo um desaparecimento da escultura como forma artística, e com a chegada do novo estilo houve um ressurgimento, propiciado pela integração da escultura de pedra com a arquitetura, que podemos observar nos templos e igrejas do período, bem como na escultura em madeira, da qual se conservam numerosos exemplos com sua policromia original. A iconografia básica destas talhas está representada pela Virgem com o menino Jesus, o cristo crucificado e o descendimento de seu corpo da cruz.

A finalidade destas obras não eram meramente decorativas ou narrativas, e sim comover o fiel, mostrando-lhes imagens concretas da divindade. No geral, as figuras são tratadas de forma pouco natural, sem proporções entre as diferentes partes do corpo e em posição rígida, hierática e frontal. Abaixo, vemos alguns exemplos de estátuas românicas do museu.

Na sala dedicada ao séc. XV, um período de transição do gótico ao renascimento, destacamos o retábulo da vida da Virgem, um anônimo flamenco. Procedente do Convento de San Francisco (Valladolid), é um exemplo de como eram apreciadas no Reino de Castilla a arte flamenca (Países Baixos). Na parte central, observamos o pranto da Virgem por seu filho morto.

Da época renascentista (séc. XVI), veremos várias obras:

Retábulo Maior de San Benito El Real (Valladolid): realizado por Alonso Berruguete entre 1526/1532, a obra revela o aprendizado adquirida pelo autor durante sua estância na Itália com os mestres renascentistas. Representa a imagem da Jerusalém Celestial, a cidade de Deus,com cenas do Novo e velho Testamento, em torno a San Benito.

Silhería do Coro do Monast. San Benito El Real: André de Nájera (1504/1533).

Enterro de Cristo: Juan de Juni (1541/1544), procedente do Convento de San Francisco(Valladolid). O conjunto oferece um marcado caráter cenográfico. O movimento e a atitude de uma figura é realizado de maneira similar nas figuras posicionadas no lado oposto, de forma a propiciar uma visualizaçao geral e frontal de toda a obra.

Tentações de San Antonio Abad: Diego Rodrigues e Leonardo de Carrión (1553/1559). Procedente do hospital de San Antonio Abad (Valladolid).

Redenção dos cativos por San Pedro Nolasco: Pedro De La Cuadra (1599). Fazia parte do retábulo maior do Convento de la Merced Calzada (Valladolid). A cena representa um fato freqüente no séc. XVI, a compra de cristãos, presos por africanos em batalhas ou através da pirataria, por frades da Ordem da Merced, fundada por San Pedro Nolasco, com esta intenção libertadora.

O barroco representou, no plano artístico, o que a contra-reforma significou no religioso, uma tentativa de deter o avance protestante pela Europa. Algumas das medidas utilizadas foram a propagação na crença dos milagres e o culto às relíquias, expostas em obras exuberantes. Impulsou também a canonização de santos mártires e popularizou as festas de devoção coletivas. Neste ambiente, as ordens religiosas, em especial a jesuíta, converteu-se em grandes patrocinadoras artísticas.

As artes plásticas, transformadas em um decisivo meio de propaganda, alcança uma dramática expressividade. Os temas religiosos incluem o arrebatamento do êxtase, as visões celestiais, a renúncia ao mundo profano, a ansiedade espiritual e, sobretudo, ao aspecto macabro da morte, através de formas violentas, insólitas e impressionantes.

Veremos, agora, algumas da obras do período expostas na coleção permanente do museu:

Retábulo Relicário de San Diego de Valladolid: Juan de Muniátegui e irmaos Vicente e bartolomé Carducho (pinturas). Os relicários expostos no interior refletem a relaçao entre estátuas e relíquias. A imagem foi o catalizador do seu poder, cuja veneração era o essencial, situando-a num cenário que cativasse a imaginação dos fiéis.

Paso de la Sexta Angústia: Gregório Fernández (1616), procedente da Confradia das Angústias (Valladolid). A composiçao adota a fórmula estabelecida em 1522, na qual Jesus não aparece situado no joelho da mãe, mas estendido no solo com a cabeça apoiada no seu regaço. Observamos a maneira naturalista das figuras, a expressividade nos rostos e mãos e a qualidade plástica anatômica, características deste que é considerado um dos maiores escultores espanhóis de todos os tempos. Além disso, detalhe para o contraste cromático e os excepcionais estudos anatômicos que podemos contemplar na figura dos dois ladrões.

Batismo de Cristo: Gregório Fernández (1624), procedente do Convento del Carmen Descalzo (Valladolid). Integrava o retábulo principal do convento, e magnífica é o detalhe da mão esquerda de Jesus.

San Juan Evangelista: Juan Martinez Montañés (1638), procedente do Convento de Santa María de la Pasión (Sevilha). Escultura pertencente ao retábulo a que estava destinada. Trata-se de uma visao de San Juan já maduro, como corresponderia à época de seu exílio na ilha grega de Patmos, onde redatou o Apocalipse, sentado e escrevendo, acompanhado de seu atributo habitual, a águia. Obra de grande qualidade técnica, deste artista que é conhecido como o “Deus da madeira”.

Alegoria da Virgem Imaculada: Juan de Roelas (1616), procedente do Monastério de San Benito El Real (Valladolid). O quadro reflete o documento fundamental para entender-se o dogma, no qual diz que a Virgem foi concebida sem o pecado original, e venerada na procissão que se celebra em Sevilha, em que participam todas as classes sociais.

Menino Jesus: Alonso Cano (séc. XVII).

Madalena Penitente: Pedro de Mena (1664), procedente da casa da Companhia de Jesus (Madrid). Inspirado em Gregório Fernández, é uma obra prima das artes plásticas espanholas por sua alta expressividade e soberba policromia naturalista.

Do séc. XVIII, admiramos a escultura de Sao Miguel Arcanjo, de Felipe Espinabete. Santo de grande devoção na época medieval, seu culto decaiu durante a contra-reforma, mas ganhou um novo impulso para defender o triunfo do catolicismo sobre o culto protestante. Obra plenamente rococó, personifica o triunfo do bem sobre o mal de uma forma preciosa.

Espero que tenham gostado. Quando de viagem por Espanha, nao deixem de visitar o museu e a cidade de Valladolid.