Alarcón – Castilla La Mancha

Antes de começar o post de hoje, gostaria de convidar a todos (as) que visitem e sigam minha nova página no Instagram, conta umbrasileironaespanha. Já publiquei várias fotos de minhas viagens pela Espanha, e muitas outras serão publicadas com o tempo…

No final do ano passado realizei outra excursão com meus professores de história, que continuamente organizam passeios históricos por lugares de grande interesse e beleza. Passamos o dia visitando dois pueblos da Província de Cuenca (Comunidade de Castilla La Mancha), San Clemente e Alarcón, que merecem ser conhecidos por seu rico patrimônio histórico. O primeiro a ser visitado foi Alarcón, catalogado como Conjunto Histórico-Artístico desde 1981, por sua importância e conservação, além de estar localizado num lugar privilegiado, num espécie de canyon formado pelo Rio Júcar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO território onde situa-se este pueblo de apenas 150 habitantes esteve habitado desde a pré-história, como demonstram os achados arqueológicos encontrados, como cerâmicas da cultura celtíbera. No entanto, a vila de Alarcón entra para a história durante a ocupação islâmica, no final do século VIII. Os árabes, a quem se deve o nome do povoado, que significa fortaleza, construíram um grande castelo que integrava o conjunto de fortificaçoes de Alarcón. Sua história está intimamente relacionada ao castelo e sua condição de recinto militar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO sistema defensivo desta grande fortaleza está composto por uma muralha que protegia a localidade e o castelo propriamente dito, além de outras 5 torres isoladas estrategicamente colocadas, e uma ponte.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1184, o Castelo de Alarcón foi conquistado pelas tropas do Rei Alfonso VIII, depois de 9 meses de assédio, ampliando a fortaleza e transformando-a num impressionante baluarte defensivo. O capitão do exército, Fernán  Martínez de Ceballos, como recompensa pela façanha, recebeu o privilégio de ostentar o nome da vila em seu sobrenome, passando a chamar-se Fernán Martínez de Alarcón, dando origem a esta nova linhagem senhorial.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADois anos depois da conquista do castelo, os reis castelhanos outorgaram um foro próprio à vila de Alarcón. Sua importância se comprova pela grande quantidade de outras aldeias que estavam submetidas a ela, mais de 60. Em 1194, passa a ser propriedade da Ordem Militar de Santiago.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo princípio do século XIV, o Infante Don Juan Manuel recebeu do monarca Fernando IV o Senhorio de Alarcón, com o castelo incluído. Neste local, escreveu algumas de suas principais obras literárias. Um pouco depois, o Rei Pedro I retomou a vila como patrimônio real. No século XV, Alarcón foi cedida ao Primeiro Marquês de Villena, Don Juan de Pacheco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm fato crucial negativo para a história da vila e seu castelo foi o apoio dado pelo Marquês de Villeña a Juana de Beltraneja, em contra de sua tia Isabel la Católica, durante a guerra pela sucessão do trono do Reino de Castilla. Com a chegada ao trono de Isabel, paulatinamente a vila entra em decadência, e o Castelo se deteriorou, passando por um longo período de abandono. Abaixo, vemos a Torre de Homenagem, na qual o senhor recebia a vassalagem de seus servos. Era independente do resto da fortificação, e possuía um aljibe (depósito de água), dispensas variadas e um salão de armas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1966, o Castelo de Alarcón foi reabilitado como Parador Nacional, fazendo parte desta rede hoteleira que utiliza construçoes históricas para seus empreendimentos. Este fato gerou um novo impulso ao povoado, e o turismo se converteu numa atividade que revitalizou sua economia.

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Palácio Real de Madrid – Parte 2

O Palácio Real de Madrid já foi tema de um post publicado em 5/10/2012. No entanto, este que é um dos principais monumentos da cidade, por ter sido a residência oficial dos Reis da Espanha, necessita de algumas informações complementares, que não foram abordadas na publicação inicial.  Foi dito que o atual Palácio Real foi construído no mesmo local do antigo Alcázar, que foi destruído sem misericórdia por um incêndio em 1734, durante o reinado do primeiro rei da Dinastia Burbônica do país, Felipe V. O Alcázar transformou-se na residência real depois que a cidade foi reconquistada em 1086, ocupando o local da antiga fortaleza árabe. Não se sabe ao  certo o início de sua construção, e o primeiro documento que a ele se faz referência data das reformas realizadas durante o reinado de Pedro I, a mediados do séc. XIV. A partir de Juan II, o Alcázar passou a ser a residência preferida dos reis da Dinastia dos Trastámaras. O edifício passou  a seu um palácio com as reformas e ampliações realizadas pelo rei Carlos I, que encarregou os arquitetos Luis de Vega e Alonso de Covarrubias para as obras. Com a chegada da corte em 1561 durante o reinado de Felipe II, o Alcázar se converteu na primeira residência real permanente do país. Não existem gravados nem planos do Alcázar anterior às reformas realizadas a partir do séc. XVI. Porém, abaixo vemos uma imagem do aspecto que possuía o Alcázar na primeira metade do séc. XVII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFelipe II prosseguiu com as reformas, acrescentando um novo pátio chamado Pátio de la Reina (Pátio da Rainha), já que o antigo Alcázar possuía apenas um. Dessa forma, a construção ficou dividida em duas: a ala oeste para o rei e a leste para a rainha. A seguir, vemos uma maquete do Alcázar, que mostra também o seu aspecto no séc. XVII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAmpliações e novas remodelações foram realizadas pelos demais reis da Dinastia dos Habsburgos. O incêndio que destruiu o Alcázar durou 3 dias, e lamentavelmente muitas obras de arte que o decoravam foram perdidas. O monarca Felipe V não gostava do antigo Alcázar (apesar de repleto de obras de arte, não possuía o mesmo conforto do Palácio de Versalhes, local onde viveu o rei ante de chegar ao trono espanhol), e este fato levantou suspeitas com respeito ao seu suposto vínculo com o incêndio. Atualmente, esta suposição parece infundada. Felipe V ordenou a construção do novo palácio ao melhor arquiteto da época, o italiano Filippo Juvara, que realizou um projeto de dimensões gigantescas que não contou com a aprovação real, já que Felipe V desejava que o novo palácio fosse construído no mesmo local que o alcázar destruído pelo fogo. Juvara, que chegou em Madrid em 1735, veio a falecer no ano seguinte. Felipe V contrata, então, seu discípulo Juan Bautista Sachetti, que modifica o projeto de seu mestre, adaptando-o ao gosto do monarca e à sua atual localização. Abaixo, vemos a fachada principal (sul), que dá de frente para a Catedral de Almudena.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA primeira pedra foi colocada em 1738 , e o Palácio Real finalizou-se em 1764 durante o reinado de Carlos III, que tornou-se o primeiro rei em habitá-lo. Abaixo, vemos a estátua do rei colocada logo na entrada do palácio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos um busto do rei que ordenou sua construção, Felipe V.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Palácio Real de Madrid possui uma planta quase quadrada, com 120m de comprimento e 28 de altura. Possui três níveis principais e dois subterrâneos, e se distribui em torno a um grande pátio. A fachada oeste oferece estupendas vistas do Campo del Moro e suas belas fontes…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA fachada norte tem como referência outra das áreas verdes que o circundam, os Jardins de Sabatini.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalmente, a fachada leste dá para a Praça do Oriente e o Teatro Real, de onde foi tirada a foto abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA construção combina o cinza do granito com o branco da pedra calcárea de Colmenar. Na sequência, vemos uma imagem do Palácio Real de Madrid visto desde as margens do Rio Manzanares.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, veremos a impressionante escada principal do palácio, que permite o acesso às dependências visitáveis do mesmo…

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Real Alcázar de Sevilha

Dos lugares que conheci na Andaluzia, Sevilha foi aquele que mais me impressionou. Em parte, isso se deve à falta de conhecimentos que possuía da cidade, fazendo com que meu grau de expectativa não fosse muito elevado. Na maior parte das vezes, este nível de exigência com relação a lugares, coisas ou até mesmo pessoas, pode levar à decepção e até mesmo a indiferença. Tal não foi o caso da cidade andaluz, muito pelo contrário.

Entre os muitos monumentos que se pode conhecer, o Real Alcázar é uma maravilha, que por si só, torna recomendável uma visita à cidade de Velázquez. Tanto é, que lhe foi concedido o título de Patrimônio da Humanidade em 1984, junto com o Arquivo Geral das Índias e a Catedral.

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Na verdade, trata-se de um conjunto de palácios, em cuja construção foram desenvolvidos diferentes estilos ao longo de sua história, desde o islâmico de seus primeiros moradores, o mudéjar e o gótico do período posterior à reconquista da cidade pelas tropas castelhanas, além dos elementos renascentistas e barrocos incorporados em sucessivas reformas a partir de então.

O recinto, como o próprio nome indica, tem sido habitualmente usado como local de residência da Casa Real Espanhola e dos chefes de estado em suas visitas à cidade, sendo considerado o Palácio Real mais antigo da Europa em atividade, como reconheceu a Unesco.

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O Alcázar começou a ser construído no séc. X pelo primeiro califa andaluz Abderramán III, que aproveitou um antigo assentamento romano.

O primitivo palácio pertence à mesma época que a Alhambra de Granada, e foi ampliado durante o Emirato nos séculos XI e XII, bem como no período dos almohades. Atualmente, se conserva deste antigo palácio apenas o Pátio de Gesso. Depois da conquista de Sevilha pelo rei Fernando III em 1248, transformou-se na residência dos reis cristãos, e seu filho Alfonso X “EL Sábio”, ordenou a construção de três salões no estilo gótico. A sala gótica, também denominada sala das festas, foi utilizada no séc. XVI para a celebração de banquetes reais, como sucedeu no casamento do rei Carlos I.

DSC00263Durante o reinado de Felipe II (séc. XVI), foi reformada com toques renascentistas. O terremoto de Lisboa de 1755 afetou o conjunto, sendo restaurado dentro de uma estética barroca. Abaixo, vemos a capela e a sala dos tapetes, cujas peças que decoram o ambiente são de origem flamenca (Bruxelas).

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Em 1364, Pedro I de Castilla decidiu pela construção do denominado Palácio Mudéjar, que assombra pela riqueza e ornamentação decorativa. Hoje em dia, é célebre por ser considerado um dos conjuntos mais completos da arquitetura mudéjar de toda Espanha.

O palácio está constituído por vários recintos. O chamado Pátio das Donzelas é uma obra prima da arte mudéjar andaluz. De planta retangular, apresenta no seu nível inferior, uma série de arcos apoiados em colunas de mármore. Situados à direita do pátio, encontram-se a Alcova e a Sala reais.

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O Salão dos Embaixadores, onde realizavam-se as principais cerimônias da corte, é um dos mais importantes de todo o conjunto.

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O Pátio das Bonecas, cujo nome refere-se aos pequenos rostos visíveis em vários de seus arcos, está belissimamente decorado com azulejos, destacando as colunas e capitéis procedentes de Medina Azahara. O nível superior está composto pelos quartos ampliados e reformados na época dos Reis Católicos, mas não estão abertos à visitação pública, já que é um espaço destinado ao uso exclusivo da família real.

DSC00241DSC00247O Pátio da Montería permite o acesso ao palácio mudéjar.

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Os imensos e belos jardins que compõem o Real Alcázar estão compostos por terraças, fontes e esculturas, e é um verdadeiro prazer caminhar sem pressa, contemplando cada lugar que se descobre neste imenso espaço verde.

DSC00238Sevilha11DSC00283O acesso principal ao Real Alcázar se dá pela Porta do Leão, cujo painel de azulejos, com a figura do animal que lhe dá nome, data de 1894.

DSC00230Este incrível lugar foi cenário de vários filmes, entre eles, 1492- A Conquista do Paraíso, Lawrence de Arábia e o Reino dos Céus.

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