Catedral de Córdoba – Parte 3

Um dos elementos arquitetônicos mais emblemáticos da Mesquita-Catedral de Córdoba é a esbelta torre, que se eleva de forma imponente. Guarda em parte de sua estrutura, os vestígios de sua primitiva existência como Minarete, como são conhecidas as torres dos templos muçulmanos, cuja função principal é convocar os fiéis às cinco preces que devem ser realizadas diariamente pelo crente mulçumano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Minarete, também denominado Alminar, foi edificado em tempos do Califa Abderramán III (ano 951 dC), com 48 metros de altura. Parte de sua estrutura, de 22 metros, se encontra integrado na atual torre, construída pelo arquiteto Hernán Ruiz III como torre campanário. Inicialmente, projetou dois níveis para alojar as campanas e um relógio em 1593. Um pouco depois, em 1644, foi construído outro corpo, onde foi colocada uma estátua do protetor da cidade, o Arcanjo São Rafael. Em 1755, o Terremoto de Lisboa causou estragos em sua estrutura. É possível subir ao alto da torre para contemplar os sinos e também as maravilhosas vistas da cidade de Córdoba.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Catedral de Córdoba, além de seu núcleo central formado pela Capela Maior, o Coro e o Trascoro, que vimos na matéria anterior, está formada por mais de 50 capelas, boa parte delas construídas junto ao muro da antiga mesquita. Vejamos algumas das mais importantes. A denominada Capela Real, de estilo mudéjar, foi fundada em tempos do Rei Enrique II de Castilla como local de sepultamento dos monarcas Fernando IV e Alfonso XI. Em 1736 os sepulcros de ambos reis foram levados para outra igreja de Córdoba, a de San Hipólito, e neste templo permanecem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Capela de N.Sra La Antigua está decorada com uma bela imagem da Virgem realizada em 1641 pelo artista Francisco Vargas, inspirada na tradição bizantina.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe 1565 é a Capela da Natividade de Nossa Senhora, cujas pinturas do retábulo foram realizadas por Gabriel Rosales. Representa a Árvore de Jessé, como tradicionalmente se conhece a Árvore Genealógica de Cristo, iniciada partir de Jessé, pai do Rei Davi.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Capela de N.Sra do Rosário fundou-se em 1612. As coloridas colunas que compõem o retábulo simulam o mármore. Esta bela obra é atribuída ao pintor barroco, natural de Córdoba, Antonio del Castillo (1616/1668), considerado um dos grandes nomes do Século de Ouro Espanhol. No quadro vemos a Virgem do Rosário no centro, com São Sebastião no lado esquerdo e São Roque no direito. Na parte superior, aparece Cristo Crucificado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Capela de N.Sra da Concepção é uma das mais belas da Catedral de Córdoba. Também conhecida como Capela do Santíssimo Sacramento, foi construída a partir de 1679, estando decorada por pinturas em sua cúpula que representam ao Espírito Santo e os 4 evangelistas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra capela de grande beleza é a de Santa Teresa, fundada em 1697 pelo Cardeal Pedro de Salazar Gutiérrez de Toledo, grande admirador e devoto da santa de Ávila. De planta octogonal, está coberta por uma esplêndida cúpula.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANela se encontra o sepulcro do cardeal fundador, feito com mármore branco e negro, e com a estátua orante do cardeal, junto com querubins. A capela foi construída no começo do século XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta capela acolhe a Câmara do Tesouro, que exibe algumas das peças artísticas mais valiosas da catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA principal delas foi situada no centro da capela, uma custódia realizada por Enrique de Arfe no princípio do século XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte exterior da Mesquita-Catedral podemos admirar alguns altares, como o dedicado à Virgen de los Faroles (original em espanhol).

OLYMPUS DIGITAL CAMERABrasões do século XVIII com os escudos episcopais decoram um dos muros da catedral…

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom esta matéria, finalizo os posts dedicados a este templo sagrado universal, a Mesquita-Catedral de Córdoba. No entanto, as matérias sobre a cidade estão longe de finalizar-se devido a grande quantidade de locais de interesse histórico e artístico que podemos ver numa visita pela cidade. No próximo post, veremos outro lugar fundamental, o Alcázar dos Reis Cristianos

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Museu de Belas Artes – Parte 3

Uma parte importante da coleção de quadros do Museu de Belas Artes de Valencia está relacionada com a Pintura Barroca, na qual podemos admirar obras dos grandes artistas espanhóis do período. O Barroco foi um estilo artístico que sucedeu o Renascimento a partir do século XVII e se estendeu até boa parte do século XVIII, quando então aparece o neoclassicismo. A etapa barroca está, na Espanha, intimamente ligada ao Século de Ouro da Cultura Espanhola, quando surgiram as personalidades artísticas de maior renome do país em todos os campos, como na Literatura, Arquitetura, Escultura e Pintura. Um artista que serviu de elo entre o final do Renascimento e início do Barroco foi El Greco (1541/1614), cuja trajetória artística de maior transcendência ocorreu em Toledo, cidade na qual viveu boa parte de sua plenitude como pintor. No Museu de Belas Artes de Valencia podemos visualizar o quadro por ele pintado de “San Juan Bautista”. Algumas de suas características principais, como as figuras alargadas, típicas da corrente maneirista (última fase do Renascimento, anunciando a chegada do Barroco), a paisagem mágica e irreal, além dos fortes vínculos que tinha com a Arte Bizantina podem ser apreciadas nesta obra.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm aspecto marcante da Arte Barroca é sua íntima relação com a Contrarreforma, movimento católico que se contrapôs à Reforma Protestante de Lutero. A teatralidade, luxo e ornamentação dos templos barrocos visavam fomentar a devoção aos santos, à Virgem Maria e a Cristo, cujos modelos de conduta deveriam ser imitados. Apesar disso, definir o Barroco como a Arte da Contrarreforma pode resultar simplista, pois também existe o Barroco Protestante. Na realidade, o estilo barroco unificou os estados europeus, chegando a ter grande protagonismo no continente americano. Enquanto nos países centrais da Europa, a pintura barroca preconizava cenas domésticas e cotidianas , além de retratos, na Espanha e na Itália a arte é quase que exclusivamente religiosa. Abaixo, vemos um quadro de Jerónimo Jacinto de Espinoza (1600/1667), pintor valenciano que adquiriu grande prestígio na época, intitulado “Aparição de Cristo a San Ignácio“. Esta obra foi realizada em 1631 para a capela de Santo Ignácio de loyola, fundador da Ordem Jesuíta, situada na igreja da ordem de Valencia. A cena do quadro representa o momento em que Cristo aparece diante do santo, quando este se dirigia à Roma para defender, ante o Papa, o projeto de fundação da ordem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Barroco Espanhol se integra plenamente no século XVII, desenvolvendo-se curiosamente numa etapa de decadência de seu império, que perde sua hegemonia para a França, Inglaterra e Holanda. Uma das características mais importantes da Pintura Barroca é o naturalismo ou realismo, em contraposição ao idealismo renascentista. Ou seja, os pintores agora se preocupam mais com o real que com o belo. Outro ponto a se destacar é o movimento, oposto ao equilíbrio e repouso das cenas clássicas. As cores tornam-se fortes e variadas, com grandes efeitos de luz, criando contrastes que proporcionam um intenso dramatismo às cenas e figuras. Da escola valenciana, um dos destaques é José de Ribera (1591/1652). Este artista teve uma enorme repercussão na Europa graças à qualidade de suas obras. No Museu de Belas Artes existem vários quadros que nos permitem apreciar sua beleza, como por exemplo, “San Sebastián atendido por Irene e sua criada“. Ribera realizou inúmeros quadros sobre os santos mártires, muitos dos quais relacionado à São Sebastião. Enquanto seu corpo aparece iluminado, acentuando o drama da cena, as mulheres foram retratadas de forma mais naturalista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJosé de Ribera passou a maior parte de sua vida na Itália, sendo conhecido como “El Españoleto”. Nasceu em Játiva, cidade pertencente à Comunidade Valenciana, e foi um dos responsáveis em incorporar em sua pintura o tenebrismo, amplamente difundido por Caravaggio através do jogo de luzes e sombras e pelas tonalidade escuras em sua obras. Estabeleceu-se em Nápoles em 1616, tornando-se o pintor favorito da corte espanhola na cidade. O pintor retratou sábios da antiguidade, como Heráclito (1630) que podemos ver no museu valenciano. O filósofo grego aparece com um aspecto humilde e pobremente vestido, cuja riqueza que possui é o conhecimento. Destacam também a bela expressão facial e o contraste luminoso e as sombras.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos outro quadro de Ribera, “Santa Teresa escrevendo o ditado do Espírito Santo“, uma obra fundamental na representação da santa de Ávila, pintado em 1648. A presença da caveira está relacionada com a meditação sobre a morte e a fugacidade da vida.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém da escola valenciana, a Pintura Barroca Espanhola destaca-se pelo conjunto de pintores que trabalham para a corte de Madrid e da Andaluzia. Esta última é uma das mais famosas, graças à presença de nomes como Velázquez, Zurbarán e Murillo, entre muitos outros. Bartolomé Esteban Murillo (1617/1682) nasceu em Sevilha, e muitos de seus quadros que representam as Virgens Imaculadas e meninos tornaram-se sinônimos de graça, ternura e delicadeza. Em suas obras predominam as tonalidades alegres e luminosas. Abaixo, vemos um “São Francisco de Assis“, pintado entre 1645 e 1650 para o Convento Franciscano de Sevilha. O santo é retratado ajoelhado e ambientado numa paisagem fantástica, no instante da visão de Cristo, de quem recebe os estigmas.

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Entre 1660 e 1665, Murillo realizou o quadro de “Santo Agostinho lavando os pés de Cristo“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, continuaremos vendo algumas das obras principais do Museu de Belas Artes de Valencia.

 

Valencia Barroca

O estilo barroco deixou um importante legado artístico em Valencia, da mesma forma que as correntes precedentes, o gótico e o renascimento. Prova disso constituem os vários templos realizados ou mesmo reformados dentro da estética barroca. Um exemplo é a Igreja de Santo Tomás e San Felipe Neri, situada na Praça de San Vicente Ferrer.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja foi construída entre 1732 e 1736 e formava parte do Convento da Congregação do Oratório de San Felipe Neri. O projeto de sua construção se deve ao arquiteto Tomás Vicente Tosca, que utilizou como material construtivo o tijolo. Se inspirou nos modelos barrocos da cidade de Roma. A Igreja de Santo Tomás, situada nas proximidades, encontrava-se em ruína em 1836, e sua titularidade foi unida à Igreja de San Felipe Neri. Em 1982, foi declarada Monumento Histórico-Artístico. Em frente ao templo, se colocou uma fonte em 1853, época em que os habitantes da cidade ainda tinham que recorrer às fontes para o abastecimento de água. Uma estátua feminina simboliza a Sociedade dos Amigos do País, promotora de sua construção.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra igreja construída no período barroco, apesar dos diversos estilos que a compõem, é a Basílica da Virgem dos Desamparados, uma das mais importantes da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERALocaliza-se na Praça da Virgem, a principal praça do Centro Histórico de Valencia, assentada sobre o antigo Foro Romano. Ao seu lado, situa-se a Porta dos Apóstolos da Catedral. A Basílica da Virgem dos Desamparados foi a primeira construção barroca erguida na cidade, entre 1652 e 1657, cujo projeto se deve ao arquiteto Diego Martínez Ponce de Urrana. Foi edificada para acolher a imagem da Virgem dos Desamparados,  Santa Padroeira de Valencia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA O culto à Virgem dos Desamparados se remonta ao século XV, momento em que se fundou a Confradía de la Madre de Dios de los Inocentes y Desamparados, um patronato ligado a criação do primeiro hospital psiquiátrico que existiu no mundo, inaugurado em 1409, que prestou um grande auxílio aos indigentes, dementes e condenados. A fachada principal do templo responde ao período final da estética renascentista, dentro dos critérios de proporção, equilíbrio e simetria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja obteve o título de Basílica somente em 1948, outorgado pelo Papa Pio XII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAÉ no interior do templo onde podemos contemplar o magnífico edifício barroco. Sua planta oval foi a primeira que se construiu na cidade. A grande devoção dos valencianos a Virgem dos Desamparados e suas propriedades curativas influiu na escolha da planta oval do templo, pois na época existia uma relação entre este formato com o simbolismo mariano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAExcepcional por sua grandiosidade, a cúpula se destaca tanto em seu aspecto exterior quanto interior, pois foi totalmente decorada com frescos pelo pintor espanhol Antonio Palomino (1655/1726) em 1701.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA imagem que se venera da Virgem é gótica, talhada em madeira no século XV. Abaixo, vemos o belo altar construído entre 1683 e 1694 para acolhê-la.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta igreja é uma das preferidas dos habitantes da cidade para a celebração do casamento. Abaixo, vemos uma vista geral do interior.

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Museu de Arte Sacra – Jerez de los Caballeros

Jerez de los Caballeros, com uma grande tradição religiosa e um excepcional patrimônio em forma de igrejas, ermitas e sua popular e fervorosa Semana Santa, possui também um Museu de Arte Sacra que merece ser visitado. Situado um palácio do século XVIII, o museu é pequeno, mas acolhe belíssimas obras de temática religiosa, em sua maioria anônimas e pertencentes aos templos da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de contemplar esculturas, pinturas e objetos litúrgicos, o visitante poderá aprender muito sobre Arte Religiosa Espanhola dos séculos XVI ao XVIII. Por exemplo, a utilização da prata para a criação  de objetos litúrgicos na Espanha se remonta ao século XIII. No entanto, o período mais frutífero ocorreu durante o renascimento (século XVI), com a chegada da prata vinda do continente americano. A partir deste momento, a pratería alcança a categoria de arte e deixa de ser considerada um mero ofício mecânico no trabalho deste metal, conferindo prestígio e privilégios para os artesãos. Abaixo, vemos dois exemplos de custódias feitas de prata, ambas do período acima mencionado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm relação à escultura, várias são as peças de qualidade e grande expressividade, como esta imagem de São Pedro de Alcântara, do século XVIII e procedente da Igreja de Santa Catalina.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASão Miguel pesando as almas, do século XVII…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADestacam as esculturas representando a Virgem com o Menino Jesus, do século XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo Barroco, os escultores espanhóis se distinguem pelo virtuosismo entre a sobriedade clássica e a influência italiana. Abaixo, vemos uma excelente obra do chamado Cristo de la Victoria, do século XVIII e procedente da Igreja de Santa Catalina.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADe muito interesse, os Cantorales (também denominados Livros de Cânticos) são os livros de música religiosa, que são  cantadas no coro das igrejas e conventos, durante a celebração da liturgia. De grandes dimensões e com uma robusta encadernação de couro, estão formados pelos pergaminhos com as notas musicais. O país conta com uma grande tradição na elaboração e decoração destes livros. Um pesado móvel, denominado Facistól, suportava os manuscritos, permitindo que os religiosos pudessem seguir as notas a uma certa distância. Abaixo, vemos um cantoral do século XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Pintura Barroca Espanhola também pode ser apreciada no museu. Realizados no século XVIII, estes quadros pertenciam às igrejas da cidade. A seguir, vemos um Ecce Homo, inspirado nos modelos de Luis de Morales, artista a quem dediquei um post recentemente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Virgem Imaculada e a Dolorosa

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACom esta matéria, concluímos os posts sobre Jerez de los Caballeros e minha viagem à Comunidade de Extremadura. As próximas matérias estarão dedicadas à cidade de Alcalá de Henares,  condecorada com o título de Patrimônio da Humanidade, outorgado pela Unesco.

Real Monastério de Santa Clara – Parte 2

No post anterior, vimos como o antigo palácio árabe do séc. XIII se transformou na residência real dos monarcas castelhanos, depois da reconquista da cidade. Em 1365, o rei Pedro I “El Cruel” cedeu todas as estâncias do palácio à Ordem das Irmãs Pobres de Santa Clara, mais conhecida como Ordem das Clarissas, que desde então é a proprietária do monastério. Dois anos depois, as freiras obtiveram a permissão para adaptar o palácio às necessidades conventuais. No final do séc. XV, o monastério atingiu um momento de esplendor, quando recebeu a proteção pessoal dos Reis Católicos, momento em que se construiu o claustro e a igreja no estilo gótico. No séc. XVII parte do monastério foi reformado, incluindo a igreja, que adotou a estética barroca. No século seguinte, foi decorada no estilo rococó. Abaixo, vemos o coro alto do templo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja possui uma rica coleção de retábulos barrocos, mas o destaque é o baldaquino que preside a igreja, de inspiração italiana, realizado por José Ripoli e Francisco Salzillo, cuja obra vimos recentemente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cúpula da igreja recebeu uma esbelta decoração…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo séc. XX, o Monastério de Santa Clara viveu tempos difíceis, pois durante a Guerra Civil foi utilizado como quartel de tropas. Felizmente, nos anos 60 as freiras retornaram e na década de 80, este que é considerado o primeiro monastério feminino fundado em Murcia, foi restaurado. A seção de Arte Sacra que integra o museu acolhe importantes e belas peças artísticas, entre pinturas e esculturas, algumas das quais já vimos na matéria publicada sobre Francisco Salzillo. A seguir, vemos outras obras, pertencente principalmente ao período barroco. Abaixo, uma visão geral…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADa escola murciana, vemos esta Virgem do Rosário, do séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtribuído a Jerónimo de Ballesteros, o quadro abaixo retrata a Morte de Santa Clara, realizado entre 1595 e 1597.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém do séc. XVI, a representação da Última Ceia. Ignoro o autor….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtribuído a Roque López, vemos esta bela escultura do Menino Jesus com o Cordeiro, do séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas obras são anônimas, como as que vemos a seguir. Uma Imaculada, do séc. XVIII (lembra as virgens pintadas por Murillo…).

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém do séc. XVIII, a escultura de Santa Catalina de Bolonha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos o post com um quadro da Santa Face, do séc. XVII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, vocês conhecerão um dos locais mais surpreendentes e visitados da cidade, o Real Cassino de Murcia. Não percam !!!!

Museu Lázaro Galdiano – Pintura Espanhola

Um dos melhores motivos para se visitar o Museu Lázaro Galdiano é sua excelente pinacoteca. Formada tanto por artistas estrangeiros quanto espanhóis, nele estão representados alguns dos melhores pintores que a Espanha produziu. O acervo abarca desde a pintura gótica até o séc. XIX. Em sua atividade colecionista, Lázaro Galdiano tinha especial apreço pelas obras góticas e renascentistas. Com grande oportunismo, conseguiu adquirir quadros de grande qualidade por um bom preço. Os pintores góticos, denominados os Primitivos Espanhóis, na época eram pouco valorizados em seu próprio país. Lázaro Galdiano, ao comprar estes quadros, procurou que o público espanhol pudesse conhecer seu passado artístico e os artistas relacionados aos séc. XV e XVI, possibilitando uma nova visão de sua história cultural. Abaixo, vemos um quadro de Blasco de Grañén, pintado em 1439 com a representação da Virgem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1500, o chamado Mestre de Manzanillo realizou esta obra, em que aparecem os Reis Católicos junto com Santa Elena e Santa Bárbara.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO século XVI representou uma fase de transição para a Pintura Espanhola, quando os novos modelos e influências renascentistas, tanto de Itália, quanto de Flandes, propiciaram uma mudança estética em sua arte. O Renascimento Italiano ofereceu uma reflexão científica da imagem representada, enquanto a Arte Flamenca enfatizava uma visão mais naturalista, com predomínio dos valores expressivos e emocionais. Um dos primeiros representantes do Renascimento em Castilla é conhecido como o Mestre de Astorga. No museu podemos admirar duas de suas obras, em que representa o desembarque do corpo do Apóstolo Santiago e seu transporte a Santiago de Compostela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA riqueza e expansão marítima nos séculos XVI e XVII possibilitaram o florescimento das artes, dando início ao apogeu da cultura espanhola, momento em que surgiram os grande nomes de sua literatura e de sua produção pictórica, com nomes mundialmente famosos. O denominado Siglo de Oro (Século de Ouro) está muito bem representado no museu, com obras fundamentais para sua apreciação. El Greco, por exemplo, realizou este quadro de São Francisco de Assis (1577/1580), um dos muitos que pintou, com um perfeito desenho do rosto, belos efeitos de luz, refinado colorido e uma bela expressão do olhar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Seu filho Jorge Manuel realizou o quadro que vemos abaixo, em sua parte superior, entre 1609 e 1612.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom o advento do barroco no séc. XVII, a Pintura Espanhola rompe com o idealismo do período anterior, mostrando um acentuado realismo. Um dos pintores que melhor definem o Barroco Espanhol foi Bartolomé Esteban Murillo (Sevilha:1617/1652). Em suas obras, predomina a temática religiosa, mas também cultivou a pintura de gênero. Seu nome está associado aos quadros de Virgens que realizou, puras e delicadas. Sempre foi um artista mais conhecido e apreciado fora da Espanha. Dele é a representação de Santa Rosa de Lima, pintado em 1670.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFrancisco de Zurbarán (Fuente de Cantos-1598/Madrid-1664) é outro dos maiores expoentes da Pintura Barroca Espanhola. É considerado o máximo representante do denominado naturalismo tenebrista na Espanha, com grande influência do pintor italiano Caravaggio. Contemporâneo e grande amigo de Velázquez, destacou-se na pintura religiosa, com obras de um intenso misticismo, característico do período da Contrarreforma. A seguir, vemos dois quadros de Zurbarán expostos no museu, um que representa a Imaculada Conceição e outro com a imagem da Virgem da Merced.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro dos grandes pintores do Século de Ouro foi José de Ribera (Xátiva-1591/Nápoles-1652). Desenvolveu sua carreira na Itália, precisamente em Nápoles, onde era conhecido como “Lo Spagnoletto“, devido a sua baixa estatura. Realizou este quadro de São Bartolomeu, exposto no Museu Lázaro Galdiano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPertencente ao Barroco Pleno, Cláudio Coelho (1642/1693) nasceu e morreu em Madrid, lugar onde realizou inúmeros altares para as igrejas e conventos da cidade e região. No governo do monarca Carlos II, foi nomeado pintor real. Abaixo, vemos um quadro da Imaculada Conceição.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, veremos alguns belos retratos da Pintura Espanhola e um dos pintores mais apreciados por Lázaro Galdiano, Francisco de Goya.

Museu da Real Academia de San Fernando – Pintura Religiosa

O denominado Século de Ouro da Cultura Espanhola desenvolveu-se principalmente durante a época do barroco, estilo predominante da Contrareforma (séc. XVII). O Museu da Real Academia de Belas Artes de San Fernando de Madrid possui uma excelente coleçao de seus principais nomes, cuja temática religiosa foi um dos pilares de sua criaçao artística. Hoje conheceremos alguns deles, através de algumas obras expostas no museu. Iniciamos, porém, com um dos artistas mais importantes do Renascimento Espanhol, Juan de Juanes (1510/1579). Em sua obra, notamos a influência da pintura italiana, dedicando-se sobretudo à iconografia religiosa. Abaixo, vemos o quadro que realizou da Sagrada Família.

DSC08563Também ao séc. XVI pertence o pintor Luis de Morales (Badajoz- 1515/1586). Em sua obra, sao abundantes as cenas da Paixao de Cristo. Foi apelidado de “El Divino” pela intensidade e força expressiva de sua temática religiosa, fruto de sua profunda fé. Abaixo, vemos a “Piedade”, pintada em 1570.

DSC08560O tema da Piedade se renova na obra de Morales devido à sua intensidade. Em vida, alcançou grande fama, e seu principal protetor foi o Bispo de Badajoz, Juan de Ribera. No mesmo ano (1570), realizou o quadro intitulado “Cristo ante Pilatos”. Este episódio também se denomina Ecce Homo (Eis aqui o Homem), palavras ditas por Pilatos, segundo a Paixao de Sao Joao. O fundo negro da cena elimina toda a referência espacial e o olhar do espectador se concentra sobre as três figuras de meio corpo da cena. Cristo aparece no meio de dois personagens de cruel sarcasmo. O da esquerda possui traços caricaturescos, enquanto o outro, pela vestimenta, representa a Pilatos.

DSC08562Um dos pintores mais representativos da Contrareforma, Francisco de Zurbarán (1598/1664) destacou-se na pintura religiosa, na qual sua arte revela uma grande força visual e um profundo misticismo. Amigo de Velázquez, tornou-se famoso graças aos quadros encarregados para conventos e monastérios. É conhecido como o “Pintor dos Monjes”, tema em que foi um mestre indiscutível. Um exemplo é o quadro “Frade Francisco Zumel”, um monje nascido em Palencia, e um dos membros mais conhecidos da Ordem da Merced.

DSC08554Em 1639, Zurbarán realiza a obra “Agnus Dei”. O cordeiro, que aparece com as patas presas, se converte no símbolo da inocência e do próprio Cristo, cujo sacrifício significou o triunfo sobre a vida e a morte.

DSC08556O tema da Crucificaçao foi retratado por muitos artistas do barroco, entre os quais Alonso Cano (Granada-1601/1667). A seguir, vemos “Cristo na Cruz”, proscedente do Convento de San Martín de Madrid, inegável obra prima pela perfeiçao do desenho e o sentimento de solidao e morte que consegue expressar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlonso Cano foi um excepcional artista, destacando-se tanto na pintura, quanto na escultura e arquitetura. Realizou diversas obras para os conventos e igrejas de Madrid. Abaixo, contemplamos o quadro “Cristo recolhendo suas roupas”, um tema que aparece na Itália no séc. XVI. O pintor retrata o momento que segue à flagelaçao de Cristo, narrado no Evangelho.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJosé de Ribera (Xátiva, Prov. Valencia-1591/Nápoles-1652)  desenvolveu sua carreira artística em Nápoles, fato que contribuiu para que fosse conhecido como “El spagnoletto”. Foi um dos principais artistas que colaboraram na formaçao da Escola Napolitana de Pintura. Dele é a obra “Apariçao do Menino Jesus a Sao Antonio”, realizada em 1636. Sao Antonio de Pádua foi canonizado um ano depois de sua morte em 1232, sendo o santo mais popular da Contrareforma, superado apenas por Sao Francisco. Abaixo, vemos uma das melhores representaçoes do santo durante o período barroco, realizada por Ribera.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs obras de José de Ribera logo foram enviadas a Espanha, influindo de maneira decisiva na técnica e nos modelos pintados por Velázquez e Murillo. Um dos artistas espanhóis mais apreciados no exterior, Bartolomé Esteban Murillo (Sevilha-1618/1682) formou-se na chamada Pintura Naturalista. Com o tempo, evolucionou a formas próprias do barroco, antecipando o Rococó.  Além da Pintura Religiosa, cultivou continuamente a Pintura de Gênero. Em 1646, Murillo pintou o quadro “Sao Diego de Alcalá e os pobres”. O santo nasceu perto de Sevilha e faleceu em Alcalá de Henares. Seu corpo permaneceu incorrupto, suscitando a veneraçao popular. Murillo representa na obra tipos populares que reaparecerao em muitos outro quadros que realizou.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo séc. XVIII, destacamos dois pintores. O primeiro deles, Zacarias González Velázquez, já mencionamos no post anterior sobre retratos. Acadêmico de San Fernando e Pintor de Câmara, alcançou o posto de Diretor de Pintura e Diretor Geral da Real Academia. Quando solicitou ser nomeado para a instituiçao, apresentou a obra “Cristo Crucificado” em 1790. O aspecto neoclássico da obra é resultado da influência do mesmo tema realizado por Antonio Raphael Mengs, mestre do estilo.

DSC08537Finalizamos o post com o pintor Mariano Salvador Maella (Valencia-1739/Madrid-1819). Este importante artista foi acusado de “Afrancesado”, por ter servido ao rei José I, irmao de Napoleao. Por este motivo, quando Fernando VII retorna ao país e assume o trono, foi apartado de suas funçoes e substituído por Vicente López. Maella é considerado o pintor das Imaculadas por excelência do último terço do séc. XVIII, como podemos comprovar a seguir.

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