Museu de Belas Artes – Parte 3

Uma parte importante da coleção de quadros do Museu de Belas Artes de Valencia está relacionada com a Pintura Barroca, na qual podemos admirar obras dos grandes artistas espanhóis do período. O Barroco foi um estilo artístico que sucedeu o Renascimento a partir do século XVII e se estendeu até boa parte do século XVIII, quando então aparece o neoclassicismo. A etapa barroca está, na Espanha, intimamente ligada ao Século de Ouro da Cultura Espanhola, quando surgiram as personalidades artísticas de maior renome do país em todos os campos, como na Literatura, Arquitetura, Escultura e Pintura. Um artista que serviu de elo entre o final do Renascimento e início do Barroco foi El Greco (1541/1614), cuja trajetória artística de maior transcendência ocorreu em Toledo, cidade na qual viveu boa parte de sua plenitude como pintor. No Museu de Belas Artes de Valencia podemos visualizar o quadro por ele pintado de “San Juan Bautista”. Algumas de suas características principais, como as figuras alargadas, típicas da corrente maneirista (última fase do Renascimento, anunciando a chegada do Barroco), a paisagem mágica e irreal, além dos fortes vínculos que tinha com a Arte Bizantina podem ser apreciadas nesta obra.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm aspecto marcante da Arte Barroca é sua íntima relação com a Contrarreforma, movimento católico que se contrapôs à Reforma Protestante de Lutero. A teatralidade, luxo e ornamentação dos templos barrocos visavam fomentar a devoção aos santos, à Virgem Maria e a Cristo, cujos modelos de conduta deveriam ser imitados. Apesar disso, definir o Barroco como a Arte da Contrarreforma pode resultar simplista, pois também existe o Barroco Protestante. Na realidade, o estilo barroco unificou os estados europeus, chegando a ter grande protagonismo no continente americano. Enquanto nos países centrais da Europa, a pintura barroca preconizava cenas domésticas e cotidianas , além de retratos, na Espanha e na Itália a arte é quase que exclusivamente religiosa. Abaixo, vemos um quadro de Jerónimo Jacinto de Espinoza (1600/1667), pintor valenciano que adquiriu grande prestígio na época, intitulado “Aparição de Cristo a San Ignácio“. Esta obra foi realizada em 1631 para a capela de Santo Ignácio de loyola, fundador da Ordem Jesuíta, situada na igreja da ordem de Valencia. A cena do quadro representa o momento em que Cristo aparece diante do santo, quando este se dirigia à Roma para defender, ante o Papa, o projeto de fundação da ordem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Barroco Espanhol se integra plenamente no século XVII, desenvolvendo-se curiosamente numa etapa de decadência de seu império, que perde sua hegemonia para a França, Inglaterra e Holanda. Uma das características mais importantes da Pintura Barroca é o naturalismo ou realismo, em contraposição ao idealismo renascentista. Ou seja, os pintores agora se preocupam mais com o real que com o belo. Outro ponto a se destacar é o movimento, oposto ao equilíbrio e repouso das cenas clássicas. As cores tornam-se fortes e variadas, com grandes efeitos de luz, criando contrastes que proporcionam um intenso dramatismo às cenas e figuras. Da escola valenciana, um dos destaques é José de Ribera (1591/1652). Este artista teve uma enorme repercussão na Europa graças à qualidade de suas obras. No Museu de Belas Artes existem vários quadros que nos permitem apreciar sua beleza, como por exemplo, “San Sebastián atendido por Irene e sua criada“. Ribera realizou inúmeros quadros sobre os santos mártires, muitos dos quais relacionado à São Sebastião. Enquanto seu corpo aparece iluminado, acentuando o drama da cena, as mulheres foram retratadas de forma mais naturalista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJosé de Ribera passou a maior parte de sua vida na Itália, sendo conhecido como “El Españoleto”. Nasceu em Játiva, cidade pertencente à Comunidade Valenciana, e foi um dos responsáveis em incorporar em sua pintura o tenebrismo, amplamente difundido por Caravaggio através do jogo de luzes e sombras e pelas tonalidade escuras em sua obras. Estabeleceu-se em Nápoles em 1616, tornando-se o pintor favorito da corte espanhola na cidade. O pintor retratou sábios da antiguidade, como Heráclito (1630) que podemos ver no museu valenciano. O filósofo grego aparece com um aspecto humilde e pobremente vestido, cuja riqueza que possui é o conhecimento. Destacam também a bela expressão facial e o contraste luminoso e as sombras.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos outro quadro de Ribera, “Santa Teresa escrevendo o ditado do Espírito Santo“, uma obra fundamental na representação da santa de Ávila, pintado em 1648. A presença da caveira está relacionada com a meditação sobre a morte e a fugacidade da vida.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém da escola valenciana, a Pintura Barroca Espanhola destaca-se pelo conjunto de pintores que trabalham para a corte de Madrid e da Andaluzia. Esta última é uma das mais famosas, graças à presença de nomes como Velázquez, Zurbarán e Murillo, entre muitos outros. Bartolomé Esteban Murillo (1617/1682) nasceu em Sevilha, e muitos de seus quadros que representam as Virgens Imaculadas e meninos tornaram-se sinônimos de graça, ternura e delicadeza. Em suas obras predominam as tonalidades alegres e luminosas. Abaixo, vemos um “São Francisco de Assis“, pintado entre 1645 e 1650 para o Convento Franciscano de Sevilha. O santo é retratado ajoelhado e ambientado numa paisagem fantástica, no instante da visão de Cristo, de quem recebe os estigmas.

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Entre 1660 e 1665, Murillo realizou o quadro de “Santo Agostinho lavando os pés de Cristo“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, continuaremos vendo algumas das obras principais do Museu de Belas Artes de Valencia.

 

Real Monastério de Santa Clara – Parte 2

No post anterior, vimos como o antigo palácio árabe do séc. XIII se transformou na residência real dos monarcas castelhanos, depois da reconquista da cidade. Em 1365, o rei Pedro I “El Cruel” cedeu todas as estâncias do palácio à Ordem das Irmãs Pobres de Santa Clara, mais conhecida como Ordem das Clarissas, que desde então é a proprietária do monastério. Dois anos depois, as freiras obtiveram a permissão para adaptar o palácio às necessidades conventuais. No final do séc. XV, o monastério atingiu um momento de esplendor, quando recebeu a proteção pessoal dos Reis Católicos, momento em que se construiu o claustro e a igreja no estilo gótico. No séc. XVII parte do monastério foi reformado, incluindo a igreja, que adotou a estética barroca. No século seguinte, foi decorada no estilo rococó. Abaixo, vemos o coro alto do templo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja possui uma rica coleção de retábulos barrocos, mas o destaque é o baldaquino que preside a igreja, de inspiração italiana, realizado por José Ripoli e Francisco Salzillo, cuja obra vimos recentemente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cúpula da igreja recebeu uma esbelta decoração…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo séc. XX, o Monastério de Santa Clara viveu tempos difíceis, pois durante a Guerra Civil foi utilizado como quartel de tropas. Felizmente, nos anos 60 as freiras retornaram e na década de 80, este que é considerado o primeiro monastério feminino fundado em Murcia, foi restaurado. A seção de Arte Sacra que integra o museu acolhe importantes e belas peças artísticas, entre pinturas e esculturas, algumas das quais já vimos na matéria publicada sobre Francisco Salzillo. A seguir, vemos outras obras, pertencente principalmente ao período barroco. Abaixo, uma visão geral…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADa escola murciana, vemos esta Virgem do Rosário, do séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtribuído a Jerónimo de Ballesteros, o quadro abaixo retrata a Morte de Santa Clara, realizado entre 1595 e 1597.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém do séc. XVI, a representação da Última Ceia. Ignoro o autor….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtribuído a Roque López, vemos esta bela escultura do Menino Jesus com o Cordeiro, do séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas obras são anônimas, como as que vemos a seguir. Uma Imaculada, do séc. XVIII (lembra as virgens pintadas por Murillo…).

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém do séc. XVIII, a escultura de Santa Catalina de Bolonha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos o post com um quadro da Santa Face, do séc. XVII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, vocês conhecerão um dos locais mais surpreendentes e visitados da cidade, o Real Cassino de Murcia. Não percam !!!!

Cartuja de Miraflores – Parte 2

Continuando a visita pela Cartuja de Miraflores, no post de hoje veremos seus lugares mais conhecidos e as obras mais destacadas do monastério. Na igreja, papel fundamental teve o artista Gil de Siloé, que realizou o maravilhoso Retábulo Maior entre 1496 e 1499.

20150726_133649OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cena principal corresponde à Crucificação de Cristo, como podemos ver acima e abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm frente ao retábulo e ocupando boa parte do presbitério, vemos o soberbo Sepulcro de Juan II e Isabel de Portugal, os pais de Isabel La Católica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste sepulcro é considerado uma das obras funerárias mais impressionantes da arte europeia. Também foi realizado por Gil de Siloé, entre 1489 e 1493.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPossui uma planta com forma de estrela de 8 pontas e foi feito em alabastro. O rei aparece com um cetro, símbolo do poder monárquico e a rainha, um livro de horas. Além do mais, foram representados em seu riquíssimo conjunto de esculturas personagens do Antigo Testamento, figuras de profetas, a imagem da Virgem com o Menino Jesus e os escudos reais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAo lado do sepulcro, foi colocada uma imagem do mesmo vista de cima, para que possamos ter uma ideia de sua beleza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte lateral do presbitério, situa-se o Sepulcro do Infante D. Alonso (filho de Juan II e Isabel de Portugal), igualmente esculpido por Gil de Siloé.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste espaço da Cartuja de Miraflores nos mostra a elegância e sofisticação alcançadas na última fase da Arte Gótica em Burgos. De fato, trata-se de um dos mais notáveis conjuntos da Escultura Gótica de todo o continente. Em seguida, passamos para a Capela da Virgem de Miraflores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta capela nos surpreende por estar totalmente decorada com pinturas murais barrocas do séc. XVIII, tanto no teto, quanto nos muros. Representam cenas marianas, inspiradas no livro Flores de Miraflores, escrito pelo cartujo burgalês Fray Nicolás de la Iglesia.

20150726_135737OLYMPUS DIGITAL CAMERAO monastério acolhe alguns dos quadros mais importantes da Arte Espanhola, como a Anunciação de Pedro Berruguete (1450/1503). O pintor foi um dos primeiros em refletir o Renascimento Italiano em suas obras no país. Este quadro foi por ele pintado em 1500.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Cartuja de Miraflores está sob a advocaçao da Anunciação da Virgem. Esta cena do Evangelho de São Lucas foi frequentemente representada pelos pintores castelhanos, influenciados pela Pintura Flamenca. Berruguete consegue um excelente ponto de vista da perspectiva, graças a utilização de formas arquitetônicas e da luz. O rosto da Virgem foi realizado com extrema delicadeza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConsiderada uma obra prima de Pedro de Berruguete, seu virtuosismo se manifesta nas roupas do Arcanjo Gabriel e na jarra de vidro com 3 lírios, uma homenagem a pureza da Virgem Maria. O quadro incorpora as formas góticas dentro de um âmbito espacial tipicamente renascentista.

Museu da Real Academia de San Fernando – Pintura Religiosa

O denominado Século de Ouro da Cultura Espanhola desenvolveu-se principalmente durante a época do barroco, estilo predominante da Contrareforma (séc. XVII). O Museu da Real Academia de Belas Artes de San Fernando de Madrid possui uma excelente coleçao de seus principais nomes, cuja temática religiosa foi um dos pilares de sua criaçao artística. Hoje conheceremos alguns deles, através de algumas obras expostas no museu. Iniciamos, porém, com um dos artistas mais importantes do Renascimento Espanhol, Juan de Juanes (1510/1579). Em sua obra, notamos a influência da pintura italiana, dedicando-se sobretudo à iconografia religiosa. Abaixo, vemos o quadro que realizou da Sagrada Família.

DSC08563Também ao séc. XVI pertence o pintor Luis de Morales (Badajoz- 1515/1586). Em sua obra, sao abundantes as cenas da Paixao de Cristo. Foi apelidado de “El Divino” pela intensidade e força expressiva de sua temática religiosa, fruto de sua profunda fé. Abaixo, vemos a “Piedade”, pintada em 1570.

DSC08560O tema da Piedade se renova na obra de Morales devido à sua intensidade. Em vida, alcançou grande fama, e seu principal protetor foi o Bispo de Badajoz, Juan de Ribera. No mesmo ano (1570), realizou o quadro intitulado “Cristo ante Pilatos”. Este episódio também se denomina Ecce Homo (Eis aqui o Homem), palavras ditas por Pilatos, segundo a Paixao de Sao Joao. O fundo negro da cena elimina toda a referência espacial e o olhar do espectador se concentra sobre as três figuras de meio corpo da cena. Cristo aparece no meio de dois personagens de cruel sarcasmo. O da esquerda possui traços caricaturescos, enquanto o outro, pela vestimenta, representa a Pilatos.

DSC08562Um dos pintores mais representativos da Contrareforma, Francisco de Zurbarán (1598/1664) destacou-se na pintura religiosa, na qual sua arte revela uma grande força visual e um profundo misticismo. Amigo de Velázquez, tornou-se famoso graças aos quadros encarregados para conventos e monastérios. É conhecido como o “Pintor dos Monjes”, tema em que foi um mestre indiscutível. Um exemplo é o quadro “Frade Francisco Zumel”, um monje nascido em Palencia, e um dos membros mais conhecidos da Ordem da Merced.

DSC08554Em 1639, Zurbarán realiza a obra “Agnus Dei”. O cordeiro, que aparece com as patas presas, se converte no símbolo da inocência e do próprio Cristo, cujo sacrifício significou o triunfo sobre a vida e a morte.

DSC08556O tema da Crucificaçao foi retratado por muitos artistas do barroco, entre os quais Alonso Cano (Granada-1601/1667). A seguir, vemos “Cristo na Cruz”, proscedente do Convento de San Martín de Madrid, inegável obra prima pela perfeiçao do desenho e o sentimento de solidao e morte que consegue expressar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlonso Cano foi um excepcional artista, destacando-se tanto na pintura, quanto na escultura e arquitetura. Realizou diversas obras para os conventos e igrejas de Madrid. Abaixo, contemplamos o quadro “Cristo recolhendo suas roupas”, um tema que aparece na Itália no séc. XVI. O pintor retrata o momento que segue à flagelaçao de Cristo, narrado no Evangelho.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJosé de Ribera (Xátiva, Prov. Valencia-1591/Nápoles-1652)  desenvolveu sua carreira artística em Nápoles, fato que contribuiu para que fosse conhecido como “El spagnoletto”. Foi um dos principais artistas que colaboraram na formaçao da Escola Napolitana de Pintura. Dele é a obra “Apariçao do Menino Jesus a Sao Antonio”, realizada em 1636. Sao Antonio de Pádua foi canonizado um ano depois de sua morte em 1232, sendo o santo mais popular da Contrareforma, superado apenas por Sao Francisco. Abaixo, vemos uma das melhores representaçoes do santo durante o período barroco, realizada por Ribera.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs obras de José de Ribera logo foram enviadas a Espanha, influindo de maneira decisiva na técnica e nos modelos pintados por Velázquez e Murillo. Um dos artistas espanhóis mais apreciados no exterior, Bartolomé Esteban Murillo (Sevilha-1618/1682) formou-se na chamada Pintura Naturalista. Com o tempo, evolucionou a formas próprias do barroco, antecipando o Rococó.  Além da Pintura Religiosa, cultivou continuamente a Pintura de Gênero. Em 1646, Murillo pintou o quadro “Sao Diego de Alcalá e os pobres”. O santo nasceu perto de Sevilha e faleceu em Alcalá de Henares. Seu corpo permaneceu incorrupto, suscitando a veneraçao popular. Murillo representa na obra tipos populares que reaparecerao em muitos outro quadros que realizou.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo séc. XVIII, destacamos dois pintores. O primeiro deles, Zacarias González Velázquez, já mencionamos no post anterior sobre retratos. Acadêmico de San Fernando e Pintor de Câmara, alcançou o posto de Diretor de Pintura e Diretor Geral da Real Academia. Quando solicitou ser nomeado para a instituiçao, apresentou a obra “Cristo Crucificado” em 1790. O aspecto neoclássico da obra é resultado da influência do mesmo tema realizado por Antonio Raphael Mengs, mestre do estilo.

DSC08537Finalizamos o post com o pintor Mariano Salvador Maella (Valencia-1739/Madrid-1819). Este importante artista foi acusado de “Afrancesado”, por ter servido ao rei José I, irmao de Napoleao. Por este motivo, quando Fernando VII retorna ao país e assume o trono, foi apartado de suas funçoes e substituído por Vicente López. Maella é considerado o pintor das Imaculadas por excelência do último terço do séc. XVIII, como podemos comprovar a seguir.

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Monastério de El Paular – Segunda Parte

Um dos principais tesouros do Real Monastério de Santa Maria de El Paular encontra- se no claustro, construído no estilo gótico (séc. XV) por Juan Guas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1626, o então abade do monastério, Juan de Baeza, encarregou ao pintor Vicente Carducho uma série de quadros de grande tamanho (3.45 x 3.15m) para decorar o claustro. O artista realizou, num prazo de 6 anos, um total de 56 obras, considerada a obra pictórica mais completa e ambiciosa jamais realizada sobre a Ordem dos Cartuxos, na época responsável pelo Monastério de El Paular. Vicente Carducho (nascido em Florença em 1576 ou 1578 e falecido em Madrid em 1638) foi um pintor barroco de origem italiana que trabalhou para a corte espanhola. Além de um respeitado teórico da arte, era considerado um dos melhores da época, reunindo as condições necessárias para a realização do projeto. Entre elas, um amplo conhecimento no desenho de composições de grande tamanho, habilidade para expressão de sentimentos e gestos, assim como a destreza no emprego de cores que amenizassem o dramatismo das cenas. Estes aspectos definiam um gênero artístico com uma alta cota de consideração no séc. XVII, a Pintura Histórica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe todos os quadros realizados, dois deles foram perdidos na Guerra Civil Espanhola. Os 54 restantes se dividem em dois grupos. Os 27 primeiros ilustram a vida do fundador da Ordem dos Cartuxos, São Bruno (1035/1101), desde o momento em que decide abandonar a vida pública e retirar-se aos Montes de Chartreuse (França), até sua morte. Estão representados o impulso fundacional da ordem e seus diversos aspectos, o retiro em paisagens remotas, sua vida de humildade, mortificação e penitência, a dedicação ao estudo e a oração, etc. Na foto abaixo, vemos um quadro em que a Virgem Maria e São Pedro aparecem aos primeiros monges cartuxos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois de iniciar a construção do primeiro recinto monástico, Sao Bruno e seus companheiros perceberam que o local não contava com água suficiente. Deus escutou suas preces, e fez brotar um manancial. O milagre foi retratado no primeiro quadro da esquerda, que vemos abaixo. Nele, São Bruno agradece a Deus, enquanto os demais manifestam seu espanto com o acontecimento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANuma outra representação, Hugo, Bispo de Grenoble, veste o hábito dos Cartuxos, em  reconhecimento ao acético modo de vida destes religiosos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma forte carga dramática se observa no quadro dedicado à morte de São Bruno, acentuada pelo emprego da técnica do claro-escuro, recordando ao mestre Caravaggio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO segundo grupo de pinturas está relacionado aos feitos mais notáveis da história da ordem, desde o séc. XI até o XVI. Em algumas delas, foram representadas cenas heróicas, relativas às perseguições e martírios padecidos por algumas comunidades cartuxas nos séc. XV e XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO quadro acima,  por exemplo, retrata a prisão e morte de 10 membros da Comunidade Cartuxa de Londres, detidos e assassinados pela oposição em aceitar o poder religioso do rei Enrique VIII sobre a Igreja Católica. A seguir, vemos a Morte do Venerado Odón de Novara, no quadro de fundo da foto abaixo. Segundo a tradição, Odón faleceu com mais de 100 anos no Monastério Cartuxo de Tagliacozzo, Itália, onde passou seus últimos anos caracterizados por um exemplar ascetismo. No quadro, Jesus aparece ante o falecido para levar sua alma. A seu lado e ajoelhados, vemos da direita para a esquerda, ao escritor Lope de Vega, o próprio pintor Vicente Carducho, e o abade Juan de Baeza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA A série de pinturas reflete a predileção barroca pela religiosidade, a oração, milagres e o dramatismo dos martírios. Depois da Desamortização de Mendizábal (1835), o Monastério de El Paular foi abandonado e suas obras de arte foram levadas a outros locais. De forma surpreendente, os quadros de Carducho permaneceram na Espanha, sendo que o Museu do Prado guardava a maior parte da série, seguido do Museu Provincial de La Coruña. Depois que o magnífico coro que decorava a igreja foi devolvido (encontrava-se desde o séc. XIX na Basílica de São Francisco El Grande de Madrid), iniciou-se uma campanha para a devolução dos quadros de Vicente Carducho ao seu local original, o claustro do Monastério de El Paular. Em 2006, os quadros foram restaurados pelo Museu do Prado, depois de 4 anos de um intenso trabalho, e em 2011 foi concretizado o antigo sonho de vê-los novamente e em perfeito estado de conservação, no local para os quais foram destinados.

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San Isidro Labrador

Um dos personagens religiosos mais importantes de toda Espanha, San Isidro (1070/1130) é o padroeiro de Madrid desde 1619, quando foi beatificado pelo papa Paulo V. Seu nome, uma derivaçao de San Isidoro, foi dado em homenagem ao arçobispo de Sevilha e erudito da época visigoda (556/636 dC). Devido a sua profissao, labrador, é considerado também o padroeiro dos agricultores, sendo venerado em muitos pueblos de tradiçao agrícola, nao só na Espanha, como em muitos países sul-americanos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANascido na capital, quando Madrid foi conquistada pelo rei muçulmano Alí, San Isidro, como muitos outros cristaos, abandonou a entao vila e se dirige a Torrelodones, onde conhecerá a uma jovem chamada Maria da Piedade, com quem casará e que posteriormente também será venerada nos altares sob a denominaçao de Santa Maria de la Cabeza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPessoa de grande generosidade e simplicidade, sua sensibilidade espiritual o relaciona com Sao Francisco de Assis. De volta à Madrid, estabelece residência junto à Igreja de San Andrés, situada no bairro da Latina, cujo edifício será transformado no Museu da Cidade, que acolhe quadros, esculturas e acontecimentos relacionados à sua vida. Na foto abaixo, vemos o museu, localizado na Praça do Humilhadeiro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAVários sao os milagres a ele atribuídos. O do poço, um dos mais conhecidos, conta que graças às suas oraçoes, as águas de um poço subiram, podendo assim resgatar o filho que nele havía caído. O dito poço é uma das grandes atraçoes do museu, fato que inspirou a arte barroca espanhola, como neste quadro de Claudio Coelho, em que o pintor retrata o mencionado milagre (séc. XVII).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADentro do museu, no local onde a tradiçao diz que passou boa parte de sua vida, vemos atualmente uma bela capela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo dia 15 de maio, data em que se celebram suas festividades, se realiza em Madrid uma procissao com sua imagem, venerada na que foi a Catedral de Madrid durante o período compreendido entre 1885 e 1993, a chamada Colegiata de San Isidro, cujas imagens vemos a seguir.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruída entre 1626/1664, a Colegiata deixou de ser a catedral quando foram finalizadas as obras da Catedral de Almudena. Também se festeja, em nome do santo, uma das celebraçoes taurinas mais importantes do mundo, a Feria de San Isidro. Existem outros locais em Madrid relacionado à vida do santo, como a Ermita de San Isidro, em que uma fonte de água é reverenciada. Segundo a lenda, a mesma que fez o santo jorrar em época de seca.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa foto acima, se narra o poder curativo da fonte, e uma grande lista de nomes de pessoas que foram beneficiadas ao tomá-la. Em frente à ermita, um parque também leva o nome do santo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASan isidro trabalhava nos campos, numa regiao conhecida atualmente como Carabanchel, onde em sua época se localizava uma igreja dedicada à Maria Madalena. No local, hoje podemos contemplar a Ermita de Nossa Senhora La Antigua, construída no estilo românico-mudéjar (séc. XIII), a mais antiga do estilo em toda a Comunidade de Madrid.

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