Catedral de Murcia – Parte 2

O interior da Catedral de Murcia possui a mesma riqueza estilística que em seu aspecto exterior. Belas obras de arte enriquecem e adornam o templo, das quais veremos as principais. Está composto por 3 naves, a central e duas laterais, e a girola, como se conhece a prolongação das naves laterais que rodeiam o Altar Maior. O Retábulo Maior é do séc. XIX, que substituiu o original renascentista do séc. XVI, destruído num incêndio em 1854. O Altar maior é considerado uma Capela Real por acolher o sepulcro com o coração do rei Alfonso X “El Sábio”, que passou longas temporadas na cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos um detalhe da Virgem que preside o Retábulo Maior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm frente ao Altar Maior situa-se o Coro, exemplo da Arte Plateresca, que foi trazido à catedral pela rainha Isabel II procedente do Monastério de San Martín de Valdeiglesias (Comunidade de Madrid), depois que o anterior coro e os órgãos nele situados ardessem no mesmo incêndio relatado acima. O órgão atual é de 1855.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte traseira do coro, por este motivo denominado Trascoro, vemos a Capela da Imaculada Conceição, realmente muito bonita. Construída no séc. XVII, é considerada uma das primeiras capelas de toda  Europa dedicada a ela. De estilo barroco, está ornamentada com abundantes mármores coloridos e uma imagem da Virgem do séc. XVIII, pertencente à escola madrilenha.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, a Capela do Nazareno, construída em 1479 e fundada pelo canônico D.Diego Rodríguez de Almeida, que nela está enterrado. Uma escultura de Jesus Nazareno do séc. XVIII preside a capela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJá a Capela de San Fernando foi fundada em 1477 e está adornada com um retábulo rococó do séc. XVIII, presidido por uma imagem do santo de autor desconhecido.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra bela capela é a do Socorro, construída no estilo renascentista em 1541 por Giovanni de Lugano. Tanto a capela quanto a imagem de N.Sra do Socorro foram realizados em mármore de Carrara.Famosa também é sua Pia Batismal, executada por Jacobo Florentino.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA gótica Capela de San Bartolomé acolhe um quadro do santo de começo do séc. XIX, atribuído a Manuel Lázaro Meroño, uma cópia do grande pintor espanhol José de Ribera.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo entanto, apesar da beleza e importância de cada uma destas capelas, a mais famosa é a Capela dos Vélez, situada na parte de trás do Altar Maior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta maravilhosa capela foi construída durante o reinado dos Reis Católicos. Sua construção foi encomendada por Juan de Chacón, Adelantado de Murcia, em 1490 e finalizada em 1507 por seu filho D. Pedro Fajardo, Marquês de Vélez.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO autor do projeto é desconhecido, e sua exuberante decoração lhe valeu o título de Monumento Nacional em 1928. Fiquei um bom tempo contemplando esta joia da catedral, uma das obras mais destacadas do Gótico Espanhol. A seguir, vemos sua bôveda de crucería em forma de estrela de oito pontas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, uma das pinturas murais que se conservam no interior da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConcluímos a matéria com a imagem de um dos vitrais da catedral, com a representação de São Francisco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo e último post sobre a Catedral de Murcia, veremos o interessantíssimo Museu Catedralício, que complementa a visita ao templo.

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Arévalo – Cidade Mudéjar

A Arquitetura Mudéjar é, indiscutivelmente, uma das características mais marcantes da cidade de Arévalo. Designamos Arte Mudéjar, especialmente no campo arquitetônico, a um estilo próprio da Península Ibérica desenvolvida nos Reinos Cristãos entre os séculos XII e XVI. O estilo distingue-se pela combinação das correntes artísticas européias da época (Românico e Gótico, principalmente) com os elementos da denominada tradição Hispano-Muçulmana. Seu surgimento foi possibilitado graças à convivência cultural entre povos de origens diversas na Espanha Medieval. O termo Mudéjar se refere à população muçulmana que permaneceu na península durante o Processo de Reconquista. Hábeis construtores, utilizavam para a construção de edifícios, normalmente de função religiosa, um material abundante e barato, o tijolo. Dois deles podem ser vistos na Praça Da Vila de Arévalo, por si só, uma verdadeira preciosidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Praça, historicamente falando, sempre representou o centro da localidade. Trata-se de uma típica praça castelhana porticada, cuja excelente conservação lhe valeu o título de Conjunto Histórico-Artístico.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANela, podemos apreciar exemplos da arquitetura popular medieval. As galerias que cumprem a função de suporte das construções estão formadas por 31 colunas de pedra e 25 de madeira.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm cada um de seus extremos, o espaço está delimitado pelas torres mudéjares das Igrejas de Santa Maria e San Martín.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Igreja de Santa Maria La Mayor é uma clara amostra do estilo mudéjar. Construída entre os séc. XII/XIII, nela destacam-se o ábside semicircular e a torre, a mais alta da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA parte inferior da torre está composta pelo Arco de Santa Maria, um dos principais acessos a esta belíssima praça.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante o processo de restauração do templo, foram encontrados em seu interior restos policromados de Pintura Mural da época em que a igreja foi erguida. A cena retrata uma imagem muito representada durante o período Românico, o denominado Pantocrátor ou Cristo em majestade. Com a mão direita e os dois dedos levantados (significando sua dupla natureza, divina e humana), Cristo bendiz a humanidade, enquanto a esquerda segura uma esfera, símbolo do universo. Ao seu lado, nos quatro ângulos da composição, vemos a representação simbólica dos quatro Apóstolos Evangelistas, denominados Tetramorfos. São eles: São João/Águia, São Marcos/Leão, São Mateus/Homem com Asas e São Lucas/Boi

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Igreja de San Martín foi construída em 1250, e se caracteriza por uma mistura estilística que engloba o românico, o mudéjar e o renascimento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja foi reformada nas etapas renascentista e barroca, quando perdeu seu ábside original. Ela é conhecida também pelo nome  “Torres Gêmeas”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa imagem acima, vemos o átrio românico que ainda se conserva, com os característicos Arcos de Meio Ponto. No séc. XX, foi usada como depósito de grãos e logo abandonada. Em 1931, a Igreja de San Martín foi declarada Monumento Nacional e realizou-se um intenso processo de restauração. Atualmente, não realiza cultos, como a Igreja de Santa Maria, e seu espaço interno está dedicado a eventos culturais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAntes de finalizar o post, convém salientar que Arévalo sediou recentemente a décima oitava edição da Exposição “As Idades do Homem”. Estas exposições possuem um caráter itinerante e são organizada por uma fundação de caráter religioso, cujo objetivo é a divulgação da riquíssima Arte Sacra da Comunidade de Castilla y León. Na presente edição, a temática abordada foi o Credo.  Iniciada em 1988, a Exposição “Idades do Homem” repercute positivamente em todas as cidades sedes escolhidas, e com Arévalo não foi diferente, tal a quantidade de visitantes que a cidade recebeu durante o evento.

Ermita de San Baudélio – Província de Sória

Situada a escassos quilómetros de Berlanga del Duero, a Ermita de San Baudélio representa um monumento de excepcional envergadura, tanto por sua singular arquitetura, quanto pelo conjunto de pinturas murais românicas que acolhe em seu interior. A ermita foi construída a finais do séc. XI por artesaos mozárabes, o seja, por cristaos que viviam nos territórios ocupados pelos árabes. Sua construçao coincide com a época de consolidaçao definitiva dos reinos cristaos na regiao (1060). A simplicidade e austeridade de seu aspecto exterior é quebrada apenas pela porta, formada por um arco de ferradura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo exterior do ábside, encontra-se uma necrópole rupestre composta por mais de 20 tumbas antropomórficas, toscamente talhadas, datadas do séc. X.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASegundo a tradiçao, uma pequena gruta existente no interior da ermita serviu de moradia a algum eremita. Em torno a ela, e ao manancial de água que brota de suas proximidades, desenvolveu-se a finais do séc. X um monastério que hipoteticamente esteve sob a advocaçao de San Baudélio, mártir francês do séc. IV. O interior da ermita está formado por apenas uma nave, que se conecta com um ábside quadrado. No centro, de uma grande coluna arrancam os arcos que sustentam a bôveda.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo extremo da nave, abre-se uma tribuna cujo peso é suportado por um conjunto de arcos de ferradura, semelhante a uma pequena mesquita.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA coluna de arcos permite o acesso à pequena cova eremítica, escavada na rocha (situada no fundo do lado esquerdo da foto abaixo).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs pinturas murais foram realizadas no séc. XII, e representam as mais antigas mostras de pintura românica no país. Surpreendem por sua beleza e porque combinam temáticas religiosas com elementos profanos. Por este motivo, foi apelidada de a “Capela Sixtina da Arte Mozárabe”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos pinturas que decoram o ábside, nas quais vemos uma imagem de San Baudélio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs pinturas do nível inferior se caracterizam por sua simplicidade e apresentam cenas profanas de caráter animalesco. Abaixo, vemos a figura de um camelo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs pinturas superiores, no entanto, possuem uma maior riqueza cromática e por reproduzirem cenas mais complexas, sempre com a vida de Cristo como elemento condutor. Na foto que segue, vemos a figura de um guerreiro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInfelizmente, em 1922, muitas de suas pinturas foram retiradas e vendidas, encontrando-se expostas atualmente em museus norte-americanos. A Ermita de San Baudélio é considerada como Monumento Nacional desde 1917.

Pueblos de Aragón – Parte 4

Hoje prosseguiremos com a série de posts dedicados aos pueblos da Comunidade Aragonesa. O primeiro deles é Alcaniz, capital da comarca de Bajo Aragón, situada na Província de Teruel. Seu grande destaque é o castelo, que foi cedido no ano de 1179 à Ordem de Calatrava, a primeira ordem militar do país, pelo rei Alfonso II.

Alcaniz1Parte de sua estrutura foi transformada na rede hoteleira dos Paradores Nacionais, e um de seus encantos é a decoração pictórica de época gótica que ainda se conserva.

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Próximo à Alcaniz, a cidade de Calanda é o berço de um dos grandes cineastas do séc. XX: Luis Buñuel. Além disso, faz parte da chamada Rota do Tambor e do Bombo, atração popular realizada na semana santa, que congrega a centenas de tocadores destes instrumentos, produzindo algo similar ao carnaval brasileiro.

Existem outros pueblos que também se tornaram conhecidos por terem sido a cidade natal de personagens ilustres da história. Tal é o caso de Fuendetodos, localizado na Província de Zaragoza. Nele, nasceu em 1746, um dos aragoneses mais conhecidos internacionalmente, e um gênio da arte universal: Francisco de Goya y Lucientes.

Fuedentodos3Fuedentodos4

Sua casa foi convertida em museu e declarada Monumento Histórico-Artístico em 1982. Construída a princípios do séc. XVIII, a casa recria os ambientes de uma típica residência da época. Por todos os lados, existe uma referência ao genial pintor. A escassos metros da casa, localiza-se o Museu dos Gravados. Inaugurado em 1989, exibe a obra gráfica do artista e sua técnica de execução.

Fuedentodos1Fuedentodos2Fuendetodos está situada na comarca de Belchite, cuja capital, situada a 19 km de distância, tornou-se conhecida por motivos menos nobres. A denominada Belchite velha foi destruída em 1937 durante a Guerra Civil Espanhola, e suas ruínas ainda recordam os horrores da contenda. Arrasada, a população abandonou a cidade, e a nova Belchite foi reconstruída a 500m das ruínas.

Belchite1Belchite2Utebo, também um pueblo da Província de Zaragoza, é conhecida por possuir uma das torres de estilo mudéjar mais belas de toda a comunidade. Ela é parte integrante da Igreja de N.Sra da Asunçao, construída em duas fases: a primeira, do séc. XVI, em que foi levantada a torre gótica-mudéjar e a segunda, do séc. XVIII, que incorporou elementos barrocos.

Utebo2Utebo1A torre foi apelidada de Torre dos Espelhos, devido à decoração de cerâmica e os mais de 8000 azulejos que a compõem. Sua beleza fez com que fosse o monumento escolhido para representar a comunidade no interessante Pueblo Espanhol de Barcelona, em que foram realizadas réplicas de monumentos que simbolizam cada comunidade do país.

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Toro – Castilla y León

A cidade de Toro, localizada no noroeste da península, pertence à Província de Zamora, Comunidade de Castilla y León. Banhada pelas águas do rio Duero, situa-se num cerro elevado.

Está identificada com a “Arcobala” que aparece nos textos antigos e que, juntamente com Salamanca, foi conquistada pelo general cartaginês Aníbal no séc. III aC. Antes da dominação romana, este território pertencia aos Vetones, um povo ibérico. Sua organização era basicamente militar, com uma classe guerreira e outra servil, dedicada à pecuária,  base de sua economia. A este povo se deve a cultura dos Verracos, por suas esculturas monolíticas, representando animais. Uma destas esculturas, um touro, esteve muito tempo junto à Colegiata de Santa Maria e, segundo uma teoria, pode ter originado o nome da cidade.

Depois da invaso muçulmana, foi reconquistada por Alfonso III (séc. IX). Mas foi somente com Alfonso VII que adquire importância, que não deixou de aumentar, até a época dos Reis Católicos.

Durante a Idade Média, tornou-se uma das mais prósperas cidades do Reino de León, principalmente por sua produção de vinho, famoso até os dias atuais.

Touro foi a sede das cortes reais em várias ocasiões, mas o acontecimento histórico mais relevante da vila foi sua participação na guerra pela sucessão do trono de Enrique IV de Castilla, entre Juana La Beltraneja e Isabel La Católica. Este conflito dividiu o Reino de Castilla, e contou também com a participação de Portugal e do Reino de Aragón. A cidade tomou parte por Juana, mas em 1476 as tropas isabelinas lograram a vitória na chamada Batalha de Toro, crucial para que chegasse ao poder.

Depois da morte de Isabel, seu marido, o rei Fernando El Católico, convocou as cortes na cidade em 1505, onde leu o testamento de Isabel e se proclamou rainha de Castilla a sua filha Juana. Diante de demonstraçoes de demência, foi nomeado regente seu pai, Fernando El Católico. A partir de então, inicia-se o declínio da cidade.

Atualmente, porém, Toro goza de uma intensa vida cultural, e seu vasto patrimônio é merecedor de muitos turistas que visitam a cidade. A porta de entrada de seu centro histórico é a Torre do Relógio, construída no séc. XVIII.

Diz uma lenda que na argamassa utilizada em sua construçao, foi usado vinho em vez de água, pois era mais barato utilizá-lo do que subir a água do rio Duero. A torre está situada sobre a antiga Porta do Mercado e foi levantada na época do rei Felipe V. O desenho do projeto foi obra de Joaquim Churriguera.

Depois de passar pelo arco da torre e descendo a rua, encontramos a Casa Consistorial, ou prédio da Prefeitura, de 1778.

Projetado pelo arquiteto Ventura Rodríguez, substituiu o antigo edifício, destruído por um incêndio. Na praça onde se situa, ocorrem as festas da cidade, com várias manifestações culturais.

A Igreja de San Salvador de Los Caballeros, é a típica construçao do Românico-Mudéjar, erguida com tijolos.

Do séc. XIII, a igreja pertenceu à Ordem Templária, até a extinção da mesma. Em 1929, foi declarada Monumento Histórico, o que evitou sua ruína. Atualmente, sedia o Museu de Arte Sacra, com uma bela coleção de esculturas medievais. Abaixo, vemos algumas delas, como este Cristo articulado pertencente ao séc. XIII.

No museu, encontramos belos sepulcros medievais esculpidos, como os de abaixo.

Na nave central, podemos admirar pinturas ao fresco de estilo mudéjar.

No ábside central, as pinturas que o decoram são posteriores, do séc. XVII. Devido às pinturas murais que acolhe em seu interior, o templo é conhecido também como San Salvador, El Pintado.

O Monastério de Sancti Spiritus, construído a partir de 1316, acolhe a freiras dominicanas e, no interior, acolhe o sepulcro de Beatriz de Portugal, seu maior tesouro. A instituição foi fundada pela infanta portuguesa D.Teresa Gil.

O Alcázar é o único resto conservado do antigo sistema defensivo da cidade. De planta quadrada, foi local de residência dos Reis Católicos e de Juan II de Castilla. Do protagonismo que teve durante a Batalha de Touro em 1766, no séc. XVI deixa de acolher os monarcas, iniciando sua decadência. Declarado Monumento Histórico-Artístico desde 1931.

No próximo post, seguiremos desvendando os segredos desta bela cidade…

Arte Românica (MNAC) – Barcelona

Localizado em Barcelona, o Museu Nacional de Arte de Catalunha, popularmente conhecido como MNAC, foi inaugurado em 1934, e nele contemplamos um panorama global da arte catalana, desde o românico até mediados do séc. XX.

A sede principal situa-se no Palácio Nacional, construído para a Exposição Internacional que celebrou-se na cidade em 1929. O local onde se encontra o palácio é o bairro de Montjuic, o centro museístico por excelência da capital catalana, com uma ampla e variada oferta cultural. Além do MNAC, podemos visitar outros museus de importância, como o dedicado a Juan Miró e o Museu de Arqueologia, entre outros. Abaixo, vemos algumas fotos mais do interior do MNAC.

O grande destaque do MNAC é o seu acervo de Arte Românica, que pela qualidade e quantidade das obras expostas, o torna o melhor do mundo no gênero. A coleção abrange pinturas, esculturas, objetos de metal e de madeira, do período que se extende do séc. XI ao XIII, época de difusão do românico.

A série de Pinturas Murais são únicas no mundo, e a maior parte das obras são exemplos da Arte Românica encontradas na própria Catalunha. Procedem, em grande parte, das Igrejas Românicas situadas nos Pirineus, como aquelas que ainda podemos visitar no chamado Vale de Boí, que por sua importância arquitetônica e artística foram declaradas Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Estas pinturas foram compradas, extraídas de seu local de origem de uma forma que não prejudicassem as pinturas e levadas à Barcelona, com o objetivo de evitar sua venda ao exterior, algo que infelizmente ocorreu muitas vezes com o patrimônio artístico espanhol, sobretudo aqueles relacionados ao período românico.

Este post está dedicado a este maravilhoso conjunto de obras. Antes, porém, uma pequena introdução à pintura românica, já que é necessário diferenciar os vários tipos que engloba, segundo a técnica e seu local de aplicação.

As denominadas pinturas murais em si decoravam os ábsides, naves, colunas e abóbadas das igrejas. Convém realçar que muitos templos românicos estavam completamente pintados no seu interior. Além de sua função estética, o objetivo pedagógico era primordial, numa época em que a grande maioria da população era analfabeta. Desta forma, as imagens serviam para a instrução dos fiéis, em relação aos ensinamentos bíblicos e aos dogmas da fé crista.

Na Espanha se considera, de forma simplificada, duas escolas representativas, a Castelhano-Leonesa e a desenvolvida em Catalunha.

As características formais da pintura mural coincidem com as encontradas nas esculturas, onde predominam a simetria e a justaposição dos elementos, cujos motivos são, em geral, as cenas bíblicas e a figura humana.

A técnica normalmente utilizada era o fresco, e os temas representados eram extraídos do último livro da Bíblia, o Apocalipse. Isso se deve à mentalidade da época, influenciada pelo término do primeiro milênio, ao qual se associava o fim do mundo e o Juízo Final.  As imagens não possuem movimento e são antinaturalistas, com uma desproporção anatômica e realizadas de maneira bidimensional, sem perspectiva.

A escola catalana possui uma forte influência da Arte Bizantina e dos íconos que decoram as Igrejas Ortodoxas.

No MNAC, admiramos alguns exemplos deste tipo de pintuas, qualificadas como uma das melhores do período românico. Considerada uma obra prima do românico europeu, as pinturas que decoravam o abside da Igreja de Sant Climent de Taull, são um dos seus destaques.

Datada de 1123, seu autor é conhecido como o Mestre de Taull, já que as pinturas nesta época não estavam assinadas. Representa a Cristo em majestade (Pantocrátor), rodeado pelos quatro evangelistas e seus símbolos: São Lucas (touro), São Marcos (leão), São João (águia) e São Mateus (anjo). No conjunto são conhecidos como os Tetramorfos. Cristo segura um livro aberto com uma inscrição latina, que significa: “Eu sou a luz do mundo”. Vemos também as letras gregas alfa e ômega, transmitindo a idéia de Deus como a origem e o fim de todas as coisas. A pintura combina a temática do Juízo Final, segundo a concepção de várias visões bíblicas, como o Apocalipse, o Livro de Isaías e Ezequiel.

Também da mesma época e autor, vemos abaixo as pinturas murais do abside da Igreja de Santa Maria de Taull. A cena mostra a Virgem em majestade, representando a Epifania. Outra das carcterísticas que podemos observar é o forte expressionismo das figuras e a grande importância dada ao desenho, além da falta de luz.

Procedente da Igreja de San Pere del Burgal, as pinturas a seguir são uma das mais antigas conservadas, de finais do séc. XI e princípios do XII.

As pinturas podiam também ser realizadas sobre as tablas, colocadas na parte frontal do altar. O MNAC expõe várias delas, e representam um dos conjuntos mais notáveis da pintura catalana.

O Frontal do altar de Durro (anônimo), de mediados do séc. XII, procede da Ermita de Sant Quirce de Durro.

O Frontal do altar dos arcanjos é do segundo quarto do séc. XIII, e seu autor é conhecido como o mestre de San Pau de Carseres.

O Frontal do altar da Igreja de Sant Andreu de Baltarga está datado do ano 1200.

Para realçar sua expressividade, as pinturas podiam ser aplicadas às esculturas. Abaixo, vemos um exemplo, procedente do frontal do altar da Igreja de Santa Maria de Taull (anônimo). Datado do ano 1200, foi repintado em 1579.

Também da mesma igreja, vemos uma foto de uma escultura do Descendimento da cruz, sem policromia. De autor anônimo, foi realizado na segunda metade do séc. XIII.

As esculturas eram utilizadas na decoração dos capitéis que adornavam as colunas. O exemplo da foto de abaixo, mostra Adao e Eva e a cena da serpente e da árvore do bem e do mal.

As pinturas eram usadas também para a iluminação de códices (miniaturas), trabalho executado em monastérios, e que proporcionava uma maior liberdade formal. Um dos mais conhecidos é o Comentário do Apocalipse, atribuído ao Beato de Liébana.

Finalizamos o post com mais algumas imagens, como a do baldaquino de Toses do séc. XIII (anônimo),  e a pintura mural do ábside da Igreja de Santa Maria de Daneu, de finais do séc. XI e princípios do XII.

O Museu Nacional de Arte da Catalunha é um exemplo inigualável da vontade de um povo de reunir, conservar e mostrar aos demais as origens de sua cultura.

Até o próximo post…

Catedral Velha de Lérida

A cidade de Lérida (Lleida em catalao), é uma das quatro capitais de província da Comunidade da Catalunha. A La Seu Vella ou catedral antiga é o seu monumento mais emblemático.
A persistência da arte românica até o séc. XIII em Catalunha produziu estruturas arquitetônicas como a Catedral de Lérida. Apesar de ter sido construída neste estilo, no interior da igreja se observam características do gótico, sendo considerada, portanto, um templo de transição entre um estilo e o outro.
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Como ocorre inúmeras vezes, no mesmo local onde se ergue a catedral, existiu uma primitiva igreja visigótica, utilizada posteriormente como mesquita durante a ocupação Islâmica. Com a reconquista da cidade em 1149, se consagrou a mesquita como catedral crista, sob a titulação de Santa Maria e regida pela ordem de Santo Agostinho.
Devido ao incremento populacional, decidiu-se em 1193 a construção de um novo templo. A primeira pedra foi colocada em 1203, como se pode ler em sua lápide fundacional, que ainda se conserva. Iniciada no estilo Românico, no final do séc. incorporam-se elementos góticos. A catedral é finalizada no séc. XV, com a construção da torre campanário e da denominada Porta dos Apóstolos, de inspiração gótica francesa. Uma das portas de acesso ao claustro, em 1936 foram mutiladas a grande maioria das estátuas que a decoravam.
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Abaixo, a gótica torre, de quase 70m de altura.

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No ano de 1707, devido à sua estratética localização, a igreja foi convertida em quartel militar, deixando de desempenhar funções religiosas. Apesar de ter sofrido momentos de abandono, a mudança do ofício religioso a um novo templo construído em época barroca, permitiu que se conservasse seu estilo original, sem modificações posteriores.
A catedral apresenta em seu interior uma planta de cruz latina, com 3 naves longitudinais, sendo a central mais alta e larga que as laterais.
No alto da nave, o teto composto com as características bôvedas de crucería do gótico.

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O cimbório, também de época gótica, favorece a iluminaçao do templo.

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Sobrevivem importantes restos de pintura mural e de escultura monumental, como na Capela de Santo Tomás, onde se representa o motivo de Agnus Dei, ou cordeiro de Cristo. Do séc. XIII, sao as mais antigas das que se conservam na catedral.

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Abaixo, um grupo de capitéis, entre os quais destaca um Atlante, segurando um rosetón. Na foto seguinte, esculturas que normalmente decoram a parte alta dos templos, ou entao na parte superior das portas, tanto no gótico como no Românico, e que são uma mostra da representaçao de bestas e animais fantásticos, o chamado Bestiário Medieval.

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O claustro, realizado entre os séc. XIII e XIV, é de excepcionais dimensões, um dos maiores da Europa.

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O acesso ao recinto fortificado onde se localiza a catedral se realiza através da Porta do Leão.

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Além dela, existem outras de maravilhosa fábrica, todas construídas no séc. XIII, no estilo Românico.
A Porta da Anunciata, por ex., foi construída em 1215, e seu nome deriva de uma inscrição esculpida da Ave Maria, em caracteres góticos.
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A de Fillols é decorada com numerosas arquivoltas embelezada com motivos geométricos.
Em 1918, a Catedral Velha de Lérida foi declarada Monumento Nacional.
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