Museu Catedralício de Valencia

A visita à Catedral de Valencia se completa com o Museu Catedralício, criado em 1954 com o objetivo de catalogar peças de destacado valor procedentes de várias instituições religiosas da cidade. Encontra-se ao lado da catedral, mas sua entrada se dá pelo interior da mesma.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua coleçao está composta de pinturas, esculturas e objetos religiosos de grande qualidade artística, e que abrangem várias épocas distintas. No Museu, por exemplo, podemos contemplar as estátuas originais dos apóstolos realizadas para a porta gótica da catedral, a Porta dos Apóstolos, que vimos recentemente (século XIV).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO fato de não apresentarem seus atributos (a chave do apóstolo Pedro, por exemplo) dificulta a identificação dos apóstolos representados. Outra escultura que me impressionou foi a do Mau Ladrão, realizada por Juan Muñoz no século XVI. Feita em madeira, formava parte de um calvário que decorava o retábulo renascentista da Igreja de San Martín de Valencia. Seu rosto mostra o desespero do condenado…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Museu Catedralício conta com uma coleção de pinturas maravilhosas, com destaque para os séculos XV e XVI. Abaixo, vemos o quadro intitulado “A Dúvida de Santo Tomás“, realizado em 1400 pelo artista Marsal de Sax. Nota-se uma congestão espacial dos personagens…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo século XVI vemos várias obras, entre as quais este Retábulo de San Narciso, pintado por Franci Joan. San Narciso foi um bispo de Gerona no século IV, e alguns dos episódios principais de sua vida foram retratados nesta série de 3 quadros. No primeiro, à esquerda, vemos um milagre a ele atribuído, a ressurreição de uma defunta. No quadro central, o martírio do santo e, à direita, o chamado Milagre das Moscas, quando uma epidemia deste inseto expulsou a Felipe de Borgoña, que havia saqueado a cidade de Gerona no século XIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADa escola valenciana de pintura, destaca esta obra onde se representa o momento em que Cristo é retirado da Cruz (em espanhol, Descendimiento). O dramatismo da cena é visível nos personagens retratados, as Três Marias (Salomé, Madalena e Cleofás), São João, a Virgem Maria, José de Arimatea e Nicodemo. No quadro vemos a influência do renascimento italiano no princípio do século XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo chamado Mestre de Alzira, vemos “Los Improperios“, uma obra encarregada pelo cabildo de Valencia com a finalidade de impor silêncio em algumas dependências religiosas, recordando que Jesus se calava enquanto o torturavam. A serenidade de Cristo é uma referência de como os cristãos deveriam comportar-se diante das adversidades da vida.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos grandes destaques da coleção pictórica do Museu Catedralício constituem as obras do grande pintor valenciano Juan de Juanes, considerado um dos expoentes máximos da Pintura Renascentista Espanhola. Criador de de imagens religiosas que se tornaram muito populares, nele se observa a influência da pintura italiana do período (século XVI), como no quadro da “Última Ceia“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos o quadro pintado por Juan de Juanes em que representa o Anjo Custódio do Reino de Valencia, protetor da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO pintor valenciano realizou inúmeros quadros com a temática do Salvador Eucarístico, como o que vemos a seguir. Seu modelo mais característico representa a Cristo de meio corpo, segurando a hóstia e o cálice na outra mão, ou então numa mesa. O fundo escuro ressalta o rosto de Cristo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOtro pintor valenciano de grande prestígio, Vicente López Portaña (1772/1850) ficou conhecido como um Mestre dos Retratos, mas deixou algumas obras de caráter religioso, como esta abaixo, intitulada “A Adoração dos Pastores“. Sua pintura se insere dentro do contexto neoclássico. Realizado em 1800, este quadro pertence à juventude do pintor, e impressiona a luz que irradia da Virgem Maria.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém dos quadros e esculturas, uma sala do museu exibe uma ampla coleção de relicários antigos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERALivros antigos feitos de pergaminho também podem ser admirados, como este, do século XVII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA visita inclui as zonas onde foram encontrados restos arqueológicos no subsolo da catedral. Podemos observar desde edifícios de época romana, um muro pertencente ao período islâmico, além de um cemitério antigo do século XIII que preserva enterramentos humanos.

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Luis de Morales

A matéria de hoje está dedicada a uma das mais importantes personalidades artísticas associadas a Badajoz, o pintor Luis de Morales. Considerado um dos grandes pintores do Renascimento Espanhol, foi chamado de “El Divino“, por sua predileção pelos temas sacros e por sua capacidade em expressar sentimentos religiosos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm muitos aspectos, sua biografia continua sendo um mistério. Nasceu em 1510 ou 1511 e faleceu provavelmente em 1586 (as contradições podem ser observadas na placa da rua que leva seu nome em Badajoz, onde se diz que faleceu um ano antes…). Se desconhece seu lugar de nascimento, embora em muitas fontes apareça a cidade de Badajoz. O que se sabe com certeza é que viveu e pintou em Extremadura, e durante mais de 50 anos foi o pintor mais ativo e de maior prestígio na região.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFamoso já em vida, Luis de Morales realizou inúmeros retábulos e quadros de altares para igrejas, tanto para as localidades próximas, como para o país vizinho, Portugal. Sua pintura está relacionada com a arte italiana e a flamenca, mas desenvolveu um estilo próprio. É considerado um pintor maneirista, e como El Greco, também alargava a figura humana, uma das características principais desta corrente da fase final do Renascimento, que anuncia o advento do Barroco. No Museu Provincial de Belas Artes de Badajoz, que vimos no post anterior, podemos contemplar algumas de suas obras.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAParece que Luis de Morales se estabeleceu em Badajoz em 1539, e hoje em dia podemos conhecer a casa onde viveu o pintor durante sua estadia na cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Museu da Cidade, o principal centro cultural para se conhecer a história de Badajoz, foi batizado com o nome do pintor, cuja fachada vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm suas diversas salas, o visitante poderá conhecer os períodos históricos e os acontecimentos mais relevantes da cidade, desde a pré-história até os dias atuais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO edifício sede do museu é, na realidade, uma casa do século XVI que foi reabilitada com fins culturais. Um dos escassos exemplos de palácio desta época, conserva um belo pátio, típico das casas nobres deste período.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAntes de ter sido transformado em museu, a casa cumpriu várias outras funções, como Convento da Ordem Trinitária, Capitania Geral de Extremadura e Escola de Artes e Ofícios. Alguns objetos presentes no acervo do museu me chamaram a atenção, como uma bandeira francesa capturada pelo exército inglês durante o assédio da cidade pelas tropas de Napoleão.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe época atual, fiquei impressionado com a enchente que varreu a cidade na madrugada do dia 6 de novembro de 1997, quando faleceram 21 pessoas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, a obra do pintor Luis de Morales se encontra espalhada por vários museus da Espanha e do mundo. Recentemente, o Museu do Prado realizou uma excelente exposição sobre sua vida e obra. Na Plaza de Espanha de Badajoz, uma escultura homenageia o artista, situada ao lado da catedral e em frente a prefeitura da cidade.

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Museu Lázaro Galdiano – Pintura Espanhola

Um dos melhores motivos para se visitar o Museu Lázaro Galdiano é sua excelente pinacoteca. Formada tanto por artistas estrangeiros quanto espanhóis, nele estão representados alguns dos melhores pintores que a Espanha produziu. O acervo abarca desde a pintura gótica até o séc. XIX. Em sua atividade colecionista, Lázaro Galdiano tinha especial apreço pelas obras góticas e renascentistas. Com grande oportunismo, conseguiu adquirir quadros de grande qualidade por um bom preço. Os pintores góticos, denominados os Primitivos Espanhóis, na época eram pouco valorizados em seu próprio país. Lázaro Galdiano, ao comprar estes quadros, procurou que o público espanhol pudesse conhecer seu passado artístico e os artistas relacionados aos séc. XV e XVI, possibilitando uma nova visão de sua história cultural. Abaixo, vemos um quadro de Blasco de Grañén, pintado em 1439 com a representação da Virgem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1500, o chamado Mestre de Manzanillo realizou esta obra, em que aparecem os Reis Católicos junto com Santa Elena e Santa Bárbara.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO século XVI representou uma fase de transição para a Pintura Espanhola, quando os novos modelos e influências renascentistas, tanto de Itália, quanto de Flandes, propiciaram uma mudança estética em sua arte. O Renascimento Italiano ofereceu uma reflexão científica da imagem representada, enquanto a Arte Flamenca enfatizava uma visão mais naturalista, com predomínio dos valores expressivos e emocionais. Um dos primeiros representantes do Renascimento em Castilla é conhecido como o Mestre de Astorga. No museu podemos admirar duas de suas obras, em que representa o desembarque do corpo do Apóstolo Santiago e seu transporte a Santiago de Compostela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA riqueza e expansão marítima nos séculos XVI e XVII possibilitaram o florescimento das artes, dando início ao apogeu da cultura espanhola, momento em que surgiram os grande nomes de sua literatura e de sua produção pictórica, com nomes mundialmente famosos. O denominado Siglo de Oro (Século de Ouro) está muito bem representado no museu, com obras fundamentais para sua apreciação. El Greco, por exemplo, realizou este quadro de São Francisco de Assis (1577/1580), um dos muitos que pintou, com um perfeito desenho do rosto, belos efeitos de luz, refinado colorido e uma bela expressão do olhar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Seu filho Jorge Manuel realizou o quadro que vemos abaixo, em sua parte superior, entre 1609 e 1612.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom o advento do barroco no séc. XVII, a Pintura Espanhola rompe com o idealismo do período anterior, mostrando um acentuado realismo. Um dos pintores que melhor definem o Barroco Espanhol foi Bartolomé Esteban Murillo (Sevilha:1617/1652). Em suas obras, predomina a temática religiosa, mas também cultivou a pintura de gênero. Seu nome está associado aos quadros de Virgens que realizou, puras e delicadas. Sempre foi um artista mais conhecido e apreciado fora da Espanha. Dele é a representação de Santa Rosa de Lima, pintado em 1670.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFrancisco de Zurbarán (Fuente de Cantos-1598/Madrid-1664) é outro dos maiores expoentes da Pintura Barroca Espanhola. É considerado o máximo representante do denominado naturalismo tenebrista na Espanha, com grande influência do pintor italiano Caravaggio. Contemporâneo e grande amigo de Velázquez, destacou-se na pintura religiosa, com obras de um intenso misticismo, característico do período da Contrarreforma. A seguir, vemos dois quadros de Zurbarán expostos no museu, um que representa a Imaculada Conceição e outro com a imagem da Virgem da Merced.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro dos grandes pintores do Século de Ouro foi José de Ribera (Xátiva-1591/Nápoles-1652). Desenvolveu sua carreira na Itália, precisamente em Nápoles, onde era conhecido como “Lo Spagnoletto“, devido a sua baixa estatura. Realizou este quadro de São Bartolomeu, exposto no Museu Lázaro Galdiano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPertencente ao Barroco Pleno, Cláudio Coelho (1642/1693) nasceu e morreu em Madrid, lugar onde realizou inúmeros altares para as igrejas e conventos da cidade e região. No governo do monarca Carlos II, foi nomeado pintor real. Abaixo, vemos um quadro da Imaculada Conceição.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, veremos alguns belos retratos da Pintura Espanhola e um dos pintores mais apreciados por Lázaro Galdiano, Francisco de Goya.