Castelo de Montalbán

Antes de visitar o povoado de La Puebla de Montalbán, visitamos dois locais de grande interesse histórico situados em sua proximidade, uma igreja visigoda (que veremos no próximo post) e uma das fortalezas mais espetaculares da Província de Toledo, o Castelo de Montalbán.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConsiderado o castelo mais extenso e robusto de toda a província, a fortaleza situa-se sobre um terreno escarpado de 100 m sobre o rio que corre em sua parte baixa, sendo utilizado como fosso natural em três de seus lados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASobre sua origem, alguns autores sustentam que foi levantado em época visigoda, e que existiria um túnel subterrâneo que ligava a fortaleza com o templo visigodo situado perto do castelo. No entanto, a maior parte dos historiadores afirmam que  se trata de uma fortaleza erguida pelos Templários, sobre uma anterior construção muçulmana, que foi abandonada depois da Reconquista de Toledo.OLYMPUS DIGITAL CAMERA

OLYMPUS DIGITAL CAMERADevido à sua robustez, o Castelo de Montalbán nunca foi atacado, segundo os documentos históricos. Com o final da Ordem Templária no século XIV, o castelo passou a ser propriedade real. O acontecimento histórico de maior importância relacionado à fortaleza foi quando o Rei Juan II, presente no castelo, esteve sitiado pelas tropas de seu primo e cunhado, o Infante Don Enrique de Aragón, que almejava o trono. Graças ao apoio prestado pelos habitantes de La Puebla de Montalbán, este abandonou o castelo e o povoado recebeu um privilégio real para realizar um mercado semanal, algo importante naquela época, em que apenas poucas cidades contavam com esta oportunidade de grande relevância econômica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois, o castelo passou a pertencer à nobreza, quando foi doado pelo Rei Alfonso XI ao cavalheiro Alfonso Fernández Coronel. Chegou a pertencer também a Álvaro de Luna, e depois de sua morte foi habitado por sua esposa. Já durante o reinado de Enrique IV, a fortaleza passou a ser propriedade de Juan Pacheco, I Marquês de Villena. Desde este momento, passou aos seus descendentes até os dias atuais. A fortaleza conta com imponentes portas, uma das quais possui um arco com 10 m de altura, que vemos acima e abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, vemos algumas fotos tiradas no interior do Castelo de Montalbán….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a visita, a história e importância deste castelo foi comentada com grande riqueza de detalhes por um simpático guia local.

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La Puebla de Montalbán – Parte 2

Neste segundo post sobre La Puebla de Montalbán veremos outras atrações da cidade, relacionadas com seu patrimônio histórico religioso, bem como sobre um de seus filhos ilustres, o escritor Fernando de Rojas. O Convento de San Francisco foi fundado em 1560 no estilo renascentista, e reformado em época barroca.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPróximo à Plaza Mayor situa-se o Monastério das Religiosas Concepcionistas, instituição fundada no século XVI pelo Cardeal Pacheco, personagem de grande transcendência histórica na cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa sequência, vemos o interior da igreja deste monastério….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADe grande devoção popular, a Capela do Santíssimo Cristo de la Caridad fazia parte de um antigo hospital, fundado em 1532 pelo I Marquês de Villena, Juan Pacheco. Abaixo, vemos a porta que permite o acesso ao interior, formado por um pátio onde antigamente situava-se o hospital, e a capela ao fundo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADentro da capela encontra-se a imagem do Cristo de la Caridad, padroeiro da cidade…

OLYMPUS DIGITAL CAMERALa Puebla de Montalbán também tornou-se famosa porque é a cidade natal de uma das principais figuras da Literatura Espanhola, Fernando de Rojas (1470-La Puebla de Montalbán/1541-Talavera de la Reina). Este dramaturgo foi o autor de uma das principais obras no idioma espanhol, conhecida como La Celestina. Existe na cidade um museu onde se pode conhecer a vida e obra do dramaturgo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm várias partes da cidade foram colocadas placas com trechos da clássica obra de Fernando de Rojas. La Celestina é considerada uma obra de transição da Idade Média ao Renascimento, e a primeira ediçao conhecida data de 1499.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEntre 17 e 26 de agosto celebra-se na cidade o Festival de la Celestina, com representações teatrais em vários lugares do centro histórico, alguns dos quais deveras curiosos, como nas abundantes cuevas existentes no subterrâneo de La Puebla de Montalbán.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Tive a oportunidade de conhecer estas cuevas, pertencentes aos séculos XVI/XVII e formadas por diversas galerías comunicadas entre si.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFernando de Rojas foi enterrado em Talavera de la Reina, mas a cidade acabou doando restos ósseos para que fossem colocados no interior de um monumento em La Puebla de Montalbán, construído em homenagem ao famoso escritor.

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La Puebla de Montalbán – Prov. Toledo

Antes de publicar a matéria de hoje, gostaria de comentar que para todas aquelas pessoas que desejam conhecer Madrid e cidades próximas, como Toledo, Segovia e Ávila, continuo realizando meu trabalho como guia de turismo. Recentemente, tive o prazer de conhecer uma simpática família de Ribeirão Preto (interior de SP), com a qual estive juntos dois dias, e pude mostrar ao casal Enoch e Paula e seus filhos Lourenço e Eduardo muitos dos principais lugares da capital espanhola, como o Palácio de Cristal, situado no belo Parque do Retiro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo final do ano passado, uma vez mais com meus professores de história e um grande grupo de curiosos pelo patrimônio histórico da Espanha, do qual fazia parte, pude realizar um passeio pela Província de Toledo e visitar a interessante cidade de La Puebla de Montalbán. Esta cidade castelhana possui cerca de 8 mil habitantes, estando localizada entre Toledo e Talavera de la Reina, duas cidades que já foram temas de vários posts publicados no blog. A palavra Montalbán significa “monte branco”, uma referência às canteiras de pedra calcária existente em suas proximidades.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta cidade pertenceu à famosa Ordem dos Templários, depois que o Rei Alfonso VII no século XII doasse o local a esta ordem militar. Em 1308 passou a pertencer à Coroa de Castilla e um pouco mais tarde tornou-se uma vila senhorial, pertencendo a Álvaro de Luna, mestre da Ordem de Santiago. Depois de sua morte, passou a ser propriedade de sua esposa Juana de Pimentel. Em seguida, outro nobre, o I Marquês de Villena, Juan Pacheco, tornou-se o senhor da vila. Desde 1573, seus descendentes ostentam o título de Condes de La Puebla de Montalbán. O centro da cidade está formado por uma bonita Plaza Mayor, tipicamente castelhana. A construção  mais famosa da praça é o Palácio dos Condes de Montalbán, considerado o edifício civil mais importante da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe estilo renascentista e portada plateresca, o palácio foi declarado Bem de Interesse Cultural (BIC) por sua importância histórica. Foi projetado pelo arquiteto toledano Alonso de Covarrubias (1488/1570), que desenvolveu um plano fundamental de reformas na cidade de Toledo. A construção do edifício foi ordenada por Juan de Pacheco no final do século XV, sendo que seu filho Alonso Téllez Girón lhe sucedeu no prosseguimento das obras.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAVárias personalidades históricas se relacionam com este palácio, como o Cardeal Pacheco, que nasceu no edifício. Foi de grande importância para a cidade e participou no Concílio de Trento, onde defendeu o dogma da Imaculada Conceição. Também no palácio veio a falecer Diego de Colombo, filho primogênito do navegante genovês Cristóvão Colombo, em 1526.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma passagem lateral formada por dois arcos comunica o palácio com a Igreja Paroquial de N.Sra de la Paz, situada no centro da praça.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo extremo oposto do palácio foi colocado mais um arco que serve de passagem para outra rua…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro lugar icônico de La Puebla de Montalbán é a Torre de San Miguel, feita de tijolo. De 1604, é o único resto conservado de uma antiga igreja e cemitério.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADurante o passeio observei vários exemplos da arquitetura tradicional local, como esta casa abaixo, além de vários elementos rústicos e curiosos na decoração de suas residências…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, publicarei a segunda parte da matéria sobre este povoado de Castilla La Mancha.

 

 

Museu do Azeite – Illescas (Parte 2)

Neste segundo post sobre o Museu do Azeite de Illescas veremos outros aspectos deste produto de grande tradição na Espanha, destacando principalmente seu método tradicional de fabricação. Para a comercialização do produto, e dependendo de sua qualidade, existem três tipos de azeite: O Azeite de Oliva Virgem Extra é aquele de máxima qualidade, sendo obtido diretamente das azeitonas unicamente através de procedimentos mecânicos. O seu grau de acidez não pode superar 0.8 %. O Azeite de Oliva Virgem segue os mesmos parâmetros de qualidade do anterior. A diferença é que não pode superar os 2 % de acidez. Por último, o Azeite de Oliva é obtido a partir do refinamento dos azeites que não alcançaram os critérios de qualidade dos demais (não pode superar o 1% de acidez).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs componentes principais das azeitonas constituem o azeite (23%), açúcares (19%), água (de 50 a 60%), celulose (6%) e proteína (menos de 2%). Sua cor pode variar do amarelo/dourado ao verde mais acentuado, dependendo dos pigmentos predominantes da azeitona no momento da colheita. No início, será mais verde devido à presença de clorofila. Na medida em que fica mais madura, perde clorofila, tornando-se mais amarelada. A variedade de Azeitona predominante na região de Illescas é a Cornicabra, ligeiramente amarga e um pouco picante. A Comunidade de Castilla La Mancha é a maior produtora da Espanha deste tipo de azeitonas. Abaixo, vemos uma foto da Almazara (fábrica onde se elabora o azeite) de Illescas

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos motivos para a criação do Museu do Azeite na cidade foi o excelente estado de conservação das máquinas da Almazara, que seguia o padrão tradicional de fabricação do azeite de oliva. Evidentemente, o primeiro passo para a obtenção do azeite é a colheita das azeitonas de sua árvore, a Oliva ou Oliveira. Realizava-se manualmente com um golpe que se dava na árvore com uma vara flexível. Depois, separavam-se as azeitonas procedentes da mesma daquelas caídas no solo. Na Espanha, a colheita é realizada entre outubro e dezembro. Em seguida, efetua-se o transporte das azeitonas à Almazara.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa chegada das azeitonas na Almazara, inicialmente se separavam as azeitonas defeituosas das normais, que passavam por distintos processos de fabricação. A segunda etapa envolve processos de limpeza da azeitona, com o objetivo de eliminar folhas, pequenos talhos e pó, através de ventiladores de ar. Em seguida, se procede à lavagem das azeitonas com água para eliminar barro ou possíveis pedras.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois, a azeitona é triturada por um moinho com o objetivo de facilitar a extração do azeite. O moinho da Almazara de Illescas está praticamente em desuso por sua baixa rentabilidade em relação aos atuais métodos utilizados. Por outro lado, é considerado um moinho de grande importância histórica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO rompimento da azeitona efetuada pelo moinho produz uma pasta que é pressionada para a saída do azeite. As gotas de azeite se aglutinam formando uma etapa oleosa com a finalidade de separar a água, a pele, a pulpa e o osso da fruta. Em seguida, se realiza um processo intermediário de separação dos componentes sólidos e líquidos, momento no qual é obtido o azeite de máxima qualidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA separação do azeite dos demais componentes realiza-se tradicionalmente pelo método de prensado. O método clássico é o que se realizava na Almazara de Illescas. A pasta oleosa é colocada sobre discos porosos feitos de fibra, colocados uma encima do outro. Os discos se colocam numa prensa, liberando a parte líquida da pasta. Atualmente esta parte do processo de fabricação do azeite é realizada pelo método de centrifugação, com a pasta sendo colocada num cilindro horizontal que gira a grande velocidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA próxima etapa do processo é a decantação, que se baseia na diferença de densidade, realizado em depósitos comunicados entre si nos quais o líquido permanece em repouso. Uma vez terminado e antes de ser engarrafado, o  azeite é filtrado para eliminar possíveis materiais indesejados em suspensão.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO azeite é armazenado e posteriormente envasado. Abaixo, vemos outras imagens do interior da Almazara de Illescas

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizamos a matéria um um poema de Federico García Lorca denominado “Paisaje“, no qual o grande poeta rende uma homenagem aos campos de cultivo da Oliva, que podemos admirar em boa parte do território espanhol.

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Museu do Azeite – Illescas

Quando viajamos, muitas vezes no surpreendemos positivamente quando conhecemos algo que não esperávamos encontrar. Isso foi exatamente o que sucedeu comigo quando visitei o Museu do Azeite, situado em Illescas. A cidade situa-se numa zona plana com pequenas ondulações, um terreno propício para o cultivo da oliva. Foi a primeira vez que tive a oportunidade de conhecer um museu dedicado a um produto de grande tradição na Espanha, o Azeite de Oliva, e pude observar o processo tradicional de fabricação, as origens do cultivo da oliva, curiosidades a respeito da árvore e seu fruto, a azeitona, a história do museu, tudo isso com a ajuda das atentas e simpáticas funcionárias do museu. Na Espanha, as instalações onde se obtém o azeite de oliva denomina-se Almazara e foi em um destes locais onde se inaugurou o Museu do Azeite de Illescas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Almazara de Illescas está incluída dentro do patrimônio industrial e etnográfico da cidade, estando sediada numa típica construção castelhana do século XX. O lugar chama-se “El Molino del Marqués“, apesar de nunca ter sido propriedade de um marquês. O moinho, construído sobre um anterior que foi derrubado, é de mediados do século XX,  estando situado num local que compreendia três propriedades diferentes. Uma delas incluía o pátio, a fábrica de azeite, armazéns e um palomar (uma pequena construção que serve como “residências de palomas”, isto é, de pombas). Em outra situava-se a horta, jardins, a casa do proprietário e outras dependências.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERA Em 1947, a Almazara foi adquirida por uma família de Madrid e os últimos proprietários realizaram as gestões administrativas para que o local fosse vendido à Prefeitura de Illescas, em 2003. A partir deste momento, o local foi adaptado para sediar um Centro Turístico e Cultural, que inclui o Museu do Azeite, além de outros espaços, como Oficina de Turismo e salas onde podemos realizar atividades culturais relacionadas a gastronomia, artesanato e artes cênicas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Oliva ou Oliveira, uma árvore pertencente a família das Oleáceas, foi cultivado por primeira vez durante o período inicial do desenvolvimento da agricultura, há 7 mil anos atrás na região da Ásia Menor. Adaptou-se bastante bem às condições climáticas e de relevo na zona mediterrânea, que desde então tornou-se o principal centro de produção de azeitonas e do azeite de oliva. Foram os fenícios que levaram seu cultivo às costas do sul a Península Ibérica ao longo do século XI aC. Com a chegada dos romanos, sua expansão levou o cultivo a todas as partes do império. Os primeiros documentos escritos conhecidos sobre a Oliva constituem tábuas de barro de época micênica, realizadas durante o reinado do Rei Minos (2500 aC). Na Bíblia encontramos inúmeras referências a ela, bem como na Mitologia Clássica. A oliva cultivada é uma espécie de tamanho médio, de 4 a 8m de altura, dependendo da variedade. Possui um tronco grosso, como podemos ver no exemplar abaixo, cuja foto tirei no Parque Municipal de Illescas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma oliveira pode permanecer viva e produtiva durante séculos. Suportam altas temperaturas no verão, se possuem suficiente humidade no solo, e temperaturas de até 12 graus negativos no inverno. Sua fruta, a azeitona, e o azeite produzido possuem uma grande quantidade de efeitos benéficos para o organismo, pois facilitam o processo digestivo, são antioxidantes e previnem doenças cardiovasculares. Possui um valor calórico de 167 calorías para cada 100g.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Azeite de Oliva é considerado um azeite vegetal de uso predominantemente culinário, mas também tradicionalmente e ainda hoje empregado para usos cosméticos, medicinais, nas cerimônias religiosas e na iluminação. Quase um terço da polpa da azeitona está composta pelo azeite. Por isso, desde a antiguidade foi extraído através de uma pressão realizada por um moinho. Atualmente, cerca de 90 % da produção mundial de azeitona está destinada para a fabricação do azeite. A Espanha é o maior produtor mundial de Azeite de Oliva, produzindo quase a metade do total, seguido pela Itália e a Grécia. Abaixo, vemos algumas das variedades de azeitonas produzidas no país, dentro das mais de 260 cultivadas nos solos espanhóis.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATradicionalmente, se armazenava o Azeite de Oliva em cântaros de cerâmica. Hoje em dia, os recipientes mais utilizados são feitos de garrafas PET, vidro, lata e papel revestido. Recomenda-se sempre a utilização de embalagens opacas que não permitam a entrada de luz, para que o sabor do azeite não seja alterado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cor do Azeite de Oliva não constitui um parâmetro nem é indicativo de sua qualidade. Por este motivo, durante as provas de degustação do produto, utilizam-se copos de cristais de cor azul translúcido, para que nao se possa distinguir sua cor e se deixe influenciar por ela, realizando a valorização de sua qualidade de forma adequada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo todo produto tradicional comercializado no país, como o Jamón e o Vinho, entre outros, existe um órgão regulador da qualidade do azeite de oliva, denominado “Denominación de Origen“. Na região de Illescas, chama-se D.O.Montes de Toledo, com uma grande quantidade de municípios produtores.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, publicarei a segunda parte desta matéria sobre o Museu do Azeite de Illescas, enfatizando o processo de elaboração tradicional do produto…

Illescas – Segunda Parte

O motivo principal de minha visita à cidade de Illescas foi conhecer o Hospital Santuario de Nuestra Señora de la Caridad, o monumento mais famoso deste município castelhano. Minha curiosidade era poder admirar o legado que o grande pintor El Greco deixou para a posteridade neste lugar, sob a forma de vários quadros de temática religiosa, que ainda adornam suas dependências. No início do século XVI, o Cardeal Cisneros, um dos personagens religiosos mais importantes da Espanha, solicitou uma permissão à vila de Illescas para a construção de um convento  para a Ordem Franciscana no local que antigamente ocupava um monastério beneditino erguido por San Ildefonso (santo padroeiro de Toledo) no século VII. Em troca, o cardeal ordenou que fosse construído um hospital beneficente no local mais central do povoado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAIniciado no início do século XVI, o hospital foi levantado junto com uma capela, onde se colocou uma imagem da Virgem da Caridade. Constituído por dois andares, sendo o inferior destinado às dependências hospitalarias e hospedagem e o superior para as tarefas administrativas, o edifício se conserva integralmente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa segunda metade do século XVI, o Hospital chegou a ser o mais frequentado de toda a Espanha. No ano de 1600 foi inaugurado o Santuário em homenagem a N.Sra da Caridade, que se comunica com o hospital através de um acolhedor pátio. De estilo renascentista, a igreja foi projetada por Nicolás Vergara El Joven, o mais importante representante da arquitetura toledana do século XVI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATanto o hospital, quanto o santuário, albergam inúmeros tesouros artísticos, com destaque para os quadros pintados por El Greco, como o retábulo maior em honra à Virgem da Caridade, realizado em 1603, e outros com temas relacionados à Virgem Maria. Sua importância radica em que permanece no mesmo local onde os quadros foram realizados, e não num museu, como normalmente ocorre com as obras de El Greco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente o hospital e o santuário são administrados pela Funcave, uma fundação que permanece realizando as finalidades benéficas da instituiçao, de caráter social, sanitário, educativo e religioso. Sua origem se remonta ao final do século XIX, quando Don Manuel de Vega y López realizou um donativo para que a instituição pudesse manter seus objetivos originais. No pátio podemos ver um busto em sua homenagem, além de uma placa comemorativa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO local possui também um interessante museu inaugurado em 2005, com pinturas, esculturas e objetos litúrgicos. Lamentavelmente as fotos, tanto das obras de El Greco, como do interior do santuário, estão proibidas, de forma que abaixo adiciono o site da fundação, onde vocês poderão apreciar os quadros do famoso pintor:

Depois de realizar uma visita guiada a este interessantíssimo lugar de Illescas, ainda tive tempo de conhecer outros monumentos da cidade, como o Ayuntamiento da cidade, e um belo parque…
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Na hora de almoçar, escolhi um restaurante que pertence a um hotel da cidade, com um atraente Menú que incluía uma Parrillada de Verduras de primeiro prato, Lombo de Lubina com um delicioso molho de segundo e morango com chantilly de sobremesa, além de pão, azeitonas e vinho, com um custo total de 20 euros…
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Depois do almoço, fui conhecer o Museu do Azeite, um lugar que vale a pena visitar, e que será o tema do próximo e último post sobre Illescas

 

Illescas – Castilla La Mancha

Minha grande curiosidade pelo patrimônio histórico e artístico da Espanha me levou desta vez a conhecer a cidade de Illescas , situada na Comunidade de Castilla La Mancha. Localizada apenas a 40 km do centro de Madrid, Illescas encontra-se a meio caminho entre a capital do país e Toledo. Esta localização estratégica possibilitou que a cidade adquirisse uma grande importância histórica ao longo dos séculos, transformando-se na terceira maior cidade da Província de Toledo, com cerca de 30 mil habitantes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASegundo os restos arqueológicos encontrados, Illescas esteve habitada desde a pré-história. Também existiu um povoado celtíbero desde finais do século V ao II aC, e no período romano contou com um povoamento. Em época árabe, se construiu um Alcázar (fortaleza defensiva) que foi tomado pelo Rei Alfonso VI logo depois de ter sido reconquistada em 1085. O mesmo rei foi o responsável por sua reconstrução e repovoamento. Com  crescimento da vila, Alfonso VI ordenou sua fortificação, através da construção de uma muralha formada por 5 portas de acesso. A única que se conservou é o denominado Arco de Ugena, por onde se realizava a fiscalização e o controle de mercadorias.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACom o tempo, Illescas passou a ser propriedade do Arcebispado de Toledo, condição que manteve até 1575, quando se submete a jurisdição real. Abaixo, vemos o escudo da cidade

OLYMPUS DIGITAL CAMERAIllescas conta com um importante patrimônio religioso, com destaque para a Igreja Paroquial de Santa María

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEdificada entre os séculos XIII e XVI, apresenta uma curiosa combinação de estilos, devido às distintas etapas construtivas de sua dilatada história.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOriginalmente construída no estilo românico-mudéjar, seu aspecto atual data de uma reforma realizada nos séculos XV e XVI. Sua esbelta torre mudéjar é uma maravilha…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja, por sua importância histórica, foi declarada Monumento Nacional em 1920. Abaixo, vemos detalhes mudéjares da torre…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa praça onde se localiza a igreja apreciamos também uma farmácia histórica, fundada em 1888.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro edifício religioso que integra o patrimônio histórico de Illescas é o Convento de la Concepción de la Madre de Dios, fundado por uma bula papal em 1514, cuja iniciativa de sua construção se deve a um dos personagens religiosos mais relevantes da história da Espanha, o Cardeal Cisneros, que teve um papel fundamental no desenvolvimento da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, publicarei a segunda matéria sobre esta cidade castelhana…