Igreja de San Juan del Mercado – Benavente

A outra igreja de origem românica de Benavente é a Igreja de San Juan del Mercado, também situada no centro da cidade.

20171013_121755Desta belíssima igreja, se sabe exatamente a data em que começou a ser construída, no ano de 1182, através dos documentos existentes. Seu nome é uma referência a que pertenceu a Ordem dos Hospitalários de San Juan, que colaborou ajudando financeiramente em sua construção. Da mesma forma que a Igreja de Santa María del Azogue, estava situada próximo ao mercado que se realizava na cidade em plena Idade Média. O templo possui três portas do mais puro estilo românico. Duas delas foram decoradas com figuras geométricas, motivos florais e animais.OLYMPUS DIGITAL CAMERA

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA outra porta é uma verdadeira maravilha do estilo, com uma grande riqueza escultórica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cena principal aparece no tímpano, com o tema da Epifania. No centro vemos a Virgem Maria segurando o Menino Jesus. À esquerda, os Reis Magos apresentam suas oferendas e no lado direito, vemos a São José apoiado num bastão.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm uma das arquivoltas foram representadas cenas relacionadas ao Nascimento de Jesus. No centro vemos a anjos anunciando o acontecimento e a Estrela de Belém. Nas colunas de ambos os lados da porta aparecem os profetas, como Moisés, David e Sao Joao Batista.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACuriosos capitéis completam o conjunto, inspirado no famoso Pórtico da Glória da Catedral de Santiago de Compostela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO templo foi edificado originalmente em pedra e finalizado posteriormente com tijolo, como podemos observar na primeira foto da matéria. Também românico sao os ábsides da igreja.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs ábsides estão escondidos e para que eu pudesse vê-los tive que entrar no edifício que se situa em uma das laterais da igreja, à direita na foto abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos um dos capitéis românicos que decoram um dos três ábsides que formam a estrutura da igreja…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior da igreja é muito bonito. A seguir, vemos imagens da nave central e do teto, talhado em madeira.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANos bancos aparecem a cruz da Ordem dos Hospitalários, como vemos acima, e também nos vitrais….

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior da igreja foi construído no período gótico, momento em que foi esculpida no século XIII esta imagem de Cristo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs pinturas do Altar Maior foram realizadas provavelmente no século XV, e representam o Batismo de Cristo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERACom esta matéria finalizo minha estadia em Benavente e minha viagem pelo norte e noroeste da Espanha. Em breve, publicarei mais lugares interessantes pelo país. Obrigado a todos (as) por me acompanharem e “un saludo”, como dizem os espanhóis…

Igreja de Santa María del Azogue – Parte 2

A Igreja de Santa María del Azogue constitui o principal monumento de Benavente. Está dedicada à Virgem Maria, e o termo “Azogue” é originário do árabe, relacionando-se com o mercado que se realizava nas proximidades durante a Idade Média. Como comentamos no post anterior, sua construção foi iniciada no estilo românico no século XII, mas as obras foram interrompidas durante um bom tempo e seu interior mostra características pertencentes ao gótico, como a bôveda de crucería que se eleva ao longo de sua nave central, construída no século XVI. Sua construção foi patrocinada pelos Condes de Benavente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo podemos observar na foto acima, a igreja possui dois belos órgãos, situados um em frente do outro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos uma foto de sua nave central

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Uma imagem do Retábulo Maior

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA igreja conserva outros retábulos do período barroco, como este que vemos na continuação.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABelas esculturas decoram o templo, como esta que vemos na foto abaixo…

OLYMPUS DIGITAL CAMERADo período românico, vemos a porta de entrada à sacristia…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO espaço dedicado à sacristia estava reservado a uma antiga capela…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInfelizmente, não obtive muitas informações a respeito de muitas das obras que vemos no interior do templo. Abaixo, a Pia Batismal

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlguns restos de pinturas murais sobreviveram à passagem dos séculos, como a dedicada a São Cristóvão, realizada no período gótico.

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Igreja de Santa María del Azogue – Benavente

Benavente possui em seu importante patrimônio histórico-artístico duas belíssimas igrejas construídas originalmente no estilo românico, razão principal de minha visita à cidade. Ambas estão situadas no centro da cidade, e hoje veremos uma delas, a Igreja de Santa María del Azogue.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADesde que cheguei à Espanha em 2006, o estilo românico me cativou por vários motivos. O primeiro se deve a que é considerado o primeiro estilo arquitetônico europeu, anterior ao gótico. Desenvolveu-se entre os séculos XI e XIII, e ainda hoje podemos admirar a simplicidade de suas construções e seu forte simbolismo religioso. A Igreja de Santa María del Azogue  foi iniciada no século XII, durante o reinado de Fernando II, e sua parte românica finalizou no século seguinte, sofrendo algumas reformas no século XVI, quando se dá por acabada a construção.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANum primeiro momento, o templo me impressionou por sua grandiosidade. Tanto a planta geral do edifício, quanto os 5 ábsides que compõem a cabeçeira, foram construídas no estilo românico. Abaixo, vemos os ábsides escalonados da estrutura, sendo o central maior que os demais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Estilo Românico foi assim designado por incorporar elementos arquitetônicos característicos próprios da arquitetura relacionada ao Império Romano. Um dos elementos principais é o arco semicircular, que podemos apreciar nas portas e nas janelas dos ábsides.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA escultura, esquecida durante um longo período histórico que se prolongou desde a queda do Império Romano até o século X, ressurge de forma maravilhosa no Românico, com um claro objetivo didático e pedagógico. Em suas representações, as mensagens eram “enviadas” a uma população analfabeta, com uma finalidade moral. Uma característica importante do românico é que os conjuntos escultóricos foram incorporados à arquitetura. Podemos observar sua beleza e singularidade em várias partes do templo religioso. Uma das esculturas habituais denominam-se, em espanhol, Canecillos, e normalmente situam-se na parte superior do ábside. Representam estranhas figuras humanas, animais reais e fantásticos, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro local em que a escultura românica desenvolveu-se nas igrejas foram nas portas de acesso ao interior. A Igreja de Santa María del Azogue possui duas portas românicas. Em uma delas, os motivos geométricos e florais caracterizam sua decoração nas arquivoltas, como vemos abaixo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa outra porta, um magistral conjunto escultórico atrai o olhar de todos aqueles que a contemplam. Ao contrário da porta de acima, apresenta um belo tímpano que representa o Agnus Dei, ou Cordeiro Eucarístico, rodeado por anjos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa arquivolta interna, observamos em sua parte central uma cabeça humana, que representa provavelmente a Adão, além de uma figura feminina associada a Eva e os símbolos zoomórficos relacionados aos 4 evangelistas (Marcos, Lucas, Mateus e Joao).

OLYMPUS DIGITAL CAMERANas arquivoltas central e superior, a decoração se restringe a motivos florais e geométricos. Os capitéis românicos também receberam uma curiosa, e muitas vezes enigmática, representação escultórica, como acontece nesta igreja de Benavente. Abaixo, vemos um deles, em que se reconhece a presença de dois leões que protegem o templo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA outra porta da igreja foi construída em época posterior…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a imponente torre da igreja, com um relógio em sua parte superior. Na Idade Média, a Torre do Relógio regulava a vida dos cidadãos em vários aspectos do cotidiano, além de chamar os fiéis para os cultos.

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Benavente – Parte 2

Permaneci dois dias em Benavente, tempo suficiente para conhecer a cidade e suas construções mais importantes. Alguns belos edifícios se destacam em seu urbanismo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABoa parte dos edifícios mais interessantes foram construídos no final do século XIX, dentro do contexto das correntes históricas da arquitetura. Um exemplo é a Casa del Cervato, de 1881.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA denominada Casa de los Ramos foi construída no estilo neomudéjar em 1900. Em sua fachada, vemos a influência da arquitetura islâmica em sua estrutura e elementos decorativos. Depois, passou a ser conhecida como Casa Donci

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADe grande beleza é o Teatro Reina Sofia, construído em 1928 pelo arquiteto Antonio Garcia Sánchez-Blanco. Construído sobre um antigo monastério, foi reformado e inaugurado pela Rainha Sofia em 1991.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa bela Plaza Mayor de Benavente se realiza o principal mercado da cidade, razão pela qual também é conhecida como Praça do Mercado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe um formato quadrangular, está formada por edifícios que, apesar das distintas épocas em que foram construídos, apresenta uma grande harmonia, graças aos materiais utilizados em sua edificação. Um exemplo é a Casa de las Pescaderías, cuja origem data do século XVI, mas reformado no XIX…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo acontece habitualmente, a praça está presidida pelo Edificio do Ayuntamiento, também chamado de Casa Consistorial, a sede da prefeitura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi construída em 1845 no estilo neoclássico

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERABem em frente da prefeitura, foi colocada no solo da praça o Escudo de Benavente, formado por dois castelos unidos por uma ponte. No meio dela, vemos a figura da Virgem Maria com o Menino Jesus.

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Benavente – Castilla y León

Lugo está situada a cerca de 500 km de Madrid. No meio do caminho entre ambas cidades situa-se Benavente, pertencente a Província de Zamora (Comunidade de Castilla y León), a última etapa de minha viagem pelo norte e noroeste da Espanha. Benavente é uma cidade que conta com um interessante patrimônio histórico-artístico, com destaque para duas belíssimas igrejas românicas. A cidade sempre foi um cruzamento de caminhos que ligam a zona central e sul com a região noroeste do país. Um dos mais conhecidos é a denominada Vía de la Plata, uma variante do Caminho de Santiago que passa pela cidade. O peregrino que deseje realizar esta rota deverá iniciá-la em Sevilha ou Mérida e chegar a Astorga, no norte do país, para então pegar o Caminho Francês que o levará até Santiago de Compostela.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABenavente foi palco de vários acontecimentos históricos relevantes. Em 1230 foi cenário do chamado “Convênio de Benavente“, que possibilitou a união dos reinos de Castilla e León, durante o reinado de Fernando III. Um dos grandes benfeitores da cidade foi Fernando II, que a repovoou e lhe concedeu um foro em 1167. Em 1398, reinando Enrique III, Benavente passa a ser um Condado pertencente a D.Juan Alonso Pimentel, cuja nobre dinastia se manteve vinculada à cidade até o século XIX. Atualmente, Benavente é um dos principais centros econômicos da província, tanto por seu dinamismo quanto por sua estratégica localizaçao.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos monumentos mais importantes da cidade é a Torre do Carracol, uma das poucas partes conservadas do antigo Castelo da Mota, propriedade dos Condes de Benavente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Castelo da Mota foi considerado uma das fortalezas mais suntuosas da Espanha, segundo os testemunhos de viajantes que visitaram o local. Infelizmente foi destruído pelos franceses durante a Guerra da Independência no início do século XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Torre do Caracol foi construída no princípio do século XVI pelos IV e V Condes de Benavente, combinado elementos do gótico e do renascimento. Atualmente integra as dependências do Parador de Turismo da cidade (rede hoteleira que se caracteriza por instalar seus estabelecimentos em edifícios históricos). A fachada principal conserva ainda o escudo dos proprietários…

OLYMPUS DIGITAL CAMERASempre que possível, visito os Paradores Nacionais para tomar um café e visitar algumas de suas dependências. O interior do Parador de Benavente é belíssimo, e pude tirar várias fotos…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos destaques da torre é o artesanato mudéjar que decora uma de suas salas, procedente de um antigo convento.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA Torre do Caracol foi declarada Monumento Nacional por sua importância histórica e artística.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra construção famosa de Benavente é o Hospital da Piedade, edificado como hospital de peregrinos pelo V Conde de Benavente e sua esposa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEmbora sua fachada esteja decorada com elementos próprios da Arte Gótica, é considerada um excelente exemplo da primeira fase do Renascimento Espanhol.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa parte central da fachada vemos uma escultura que representa a Piedade, franqueada pelos escudos dos fundadores. Na parte superior, uma concha recorda sua ligação como hospital de peregrinos.  Hoje em dia acolhe um asilo para idosos, mas é possível visitar seu belo pátio interior.

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Colegiata de Santa Maria – Toro

Na Idade Média era comum a existência de grupos religiosos que auxiliavam os bispos em suas funções e viviam de forma similar aos monjes em torno aos monastérios. Esta comunidade de clérigos ou colégios situavam-se em templos que não possuíam o caráter catedralício, e que recibiam o nome de Colegiatas.

A Colegiata de Santa Maria La Mayor de Toro adquiriu esta conotação até mediados do séc. XIX, mas é difícil precisar a partir de quando obteve tal distinção. Alguns autores afirman que desde a época dos Reis Católicos, outros desde sua origem.

A verdade é que se ignora quase toda sua história primitiva. As datas de sua construção tampouco são precisas. Um indício sería a primeira documentação bibliográfica em que aparece o templo, datado de 1139. Porém, a maioria dos estudiosos confirmam que se trata de uma data muito antiga para o estilo arquitetônico da construção. Provavelmente, se refere a um templo anterior, que foi substituído pela colegiata.

Atualmente aceita-se como válida que foi erguida na segunda metade do séc. XII. O que se sabe com certeza é que os trabalhos de construção avançaram com muita lentidão, pois em 1240 consta que ainda não havia sido concluída. Muito mais rapidamente se ergueu a Catedral de Zamora, que serviu de modelo para a Colegiata de Toro.

De estilo românico de transição ao gótico, trata-se de um edifício espetacular, que foi escassamente modificado depois de terminada.

O cruceiro, local onde se encontram as naves que conformam a planta de cruz latina de uma igreja, habitualmente situado aos pés do altar maior, é um ponto geométrico importante dentro da arquitetura do templo. Os arquitetos freqüentemente o utilizavam para a construção de uma estrutura denominada cimbório, que eleva a altura do teto e propicia uma iluminação especial ao interior. Geralmente sua base é quadrada, octagonal ou redonda. Quando possui forma esférica, é denominada de cúpula.

Entre finais do séc. XII e princípios do XIII, 3 templos localizados num entorno geográfico próximo incorporaram este elemento: a Catedral de Zamora, a Catedral Velha de Salamanca e a Colegiata de Toro. Em conjunto, são conhecidos como os “Cimbórios do Duero”, e sua principal influência é de origem bizantina. A seguir, vemos algumas fotos do cimbório da colegiata.

Na cabeceira do templo, existem 3 ábsides, dos quais o central é o maior.

O rosetón é uma estrutura usada tanto no românico, quanto no gótico, e seu simbolismo o vincula à Virgem Maria. A colegiata possui vários deles.

A Colegita possui 3 portadas de interesse. Duas delas estão situadas no exterior, são de estilo românico e foram realizadas aproximadamente em 1170. A portada meridional é mais simples, cuja decoração se limita a motivos geométricos e vegetais.

Já a portada septentrional, pela qual normalmente entramos na igreja, é muito mais complexa. Sem dúvida, é uma das estruturas românicas mais belas do estilo em toda a Província de Zamora. Está formada por várias arquivoltas, sendo que a interior está formada por ornamentos vegetais e anjos esculpidos de meio corpo. Na seguinte, ao lado de um Cristo bendizendo, aparecem 14 anjos com incensários. A terceira também está decorada com motivos vegetais e, na última, aparecem os 24 ancioes do Apocalipse, tocando instrumentos musicais, ao lado de Cristo, sua mãe e um santo de barba.

A última porta está situada no interior do edifício, conhecida como a Porta da Majestade. De estilo gótico, é uma das mais notáveis de todo o país, e dela falaremos no próximo post, quando veremos o interior da colegiata. Um abraço a todos (as)…

Toro – Castilla y León

A cidade de Toro, localizada no noroeste da península, pertence à Província de Zamora, Comunidade de Castilla y León. Banhada pelas águas do rio Duero, situa-se num cerro elevado.

Está identificada com a “Arcobala” que aparece nos textos antigos e que, juntamente com Salamanca, foi conquistada pelo general cartaginês Aníbal no séc. III aC. Antes da dominação romana, este território pertencia aos Vetones, um povo ibérico. Sua organização era basicamente militar, com uma classe guerreira e outra servil, dedicada à pecuária,  base de sua economia. A este povo se deve a cultura dos Verracos, por suas esculturas monolíticas, representando animais. Uma destas esculturas, um touro, esteve muito tempo junto à Colegiata de Santa Maria e, segundo uma teoria, pode ter originado o nome da cidade.

Depois da invaso muçulmana, foi reconquistada por Alfonso III (séc. IX). Mas foi somente com Alfonso VII que adquire importância, que não deixou de aumentar, até a época dos Reis Católicos.

Durante a Idade Média, tornou-se uma das mais prósperas cidades do Reino de León, principalmente por sua produção de vinho, famoso até os dias atuais.

Touro foi a sede das cortes reais em várias ocasiões, mas o acontecimento histórico mais relevante da vila foi sua participação na guerra pela sucessão do trono de Enrique IV de Castilla, entre Juana La Beltraneja e Isabel La Católica. Este conflito dividiu o Reino de Castilla, e contou também com a participação de Portugal e do Reino de Aragón. A cidade tomou parte por Juana, mas em 1476 as tropas isabelinas lograram a vitória na chamada Batalha de Toro, crucial para que chegasse ao poder.

Depois da morte de Isabel, seu marido, o rei Fernando El Católico, convocou as cortes na cidade em 1505, onde leu o testamento de Isabel e se proclamou rainha de Castilla a sua filha Juana. Diante de demonstraçoes de demência, foi nomeado regente seu pai, Fernando El Católico. A partir de então, inicia-se o declínio da cidade.

Atualmente, porém, Toro goza de uma intensa vida cultural, e seu vasto patrimônio é merecedor de muitos turistas que visitam a cidade. A porta de entrada de seu centro histórico é a Torre do Relógio, construída no séc. XVIII.

Diz uma lenda que na argamassa utilizada em sua construçao, foi usado vinho em vez de água, pois era mais barato utilizá-lo do que subir a água do rio Duero. A torre está situada sobre a antiga Porta do Mercado e foi levantada na época do rei Felipe V. O desenho do projeto foi obra de Joaquim Churriguera.

Depois de passar pelo arco da torre e descendo a rua, encontramos a Casa Consistorial, ou prédio da Prefeitura, de 1778.

Projetado pelo arquiteto Ventura Rodríguez, substituiu o antigo edifício, destruído por um incêndio. Na praça onde se situa, ocorrem as festas da cidade, com várias manifestações culturais.

A Igreja de San Salvador de Los Caballeros, é a típica construçao do Românico-Mudéjar, erguida com tijolos.

Do séc. XIII, a igreja pertenceu à Ordem Templária, até a extinção da mesma. Em 1929, foi declarada Monumento Histórico, o que evitou sua ruína. Atualmente, sedia o Museu de Arte Sacra, com uma bela coleção de esculturas medievais. Abaixo, vemos algumas delas, como este Cristo articulado pertencente ao séc. XIII.

No museu, encontramos belos sepulcros medievais esculpidos, como os de abaixo.

Na nave central, podemos admirar pinturas ao fresco de estilo mudéjar.

No ábside central, as pinturas que o decoram são posteriores, do séc. XVII. Devido às pinturas murais que acolhe em seu interior, o templo é conhecido também como San Salvador, El Pintado.

O Monastério de Sancti Spiritus, construído a partir de 1316, acolhe a freiras dominicanas e, no interior, acolhe o sepulcro de Beatriz de Portugal, seu maior tesouro. A instituição foi fundada pela infanta portuguesa D.Teresa Gil.

O Alcázar é o único resto conservado do antigo sistema defensivo da cidade. De planta quadrada, foi local de residência dos Reis Católicos e de Juan II de Castilla. Do protagonismo que teve durante a Batalha de Touro em 1766, no séc. XVI deixa de acolher os monarcas, iniciando sua decadência. Declarado Monumento Histórico-Artístico desde 1931.

No próximo post, seguiremos desvendando os segredos desta bela cidade…