Neomudéjar em Madrid – Igreja de Santa Cristina

A Paróquia de Santa Cristina é um belo exemplo de templo católico construído no Estilo Neomudéjar em Madrid. Situada no Paseo de Extremadura, foi projetada pelo arquiteto Enrique Repullés y Vargas (1845/1922). Ainda que nao cultivou exclusivamente este estilo, é considerado um dos principais nomes do neomudejarismo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO desenho da igreja é um arquétipo do estilo desenvolvido pelo arquiteto, com a torre colocada em seu eixo longitudinal.

DSC08407Este modelo construtivo foi inspirado na Igreja de San Matías, situada no Distrito de Hortaleza e também realizada por Enrique Repullés y Vargas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInaugurada em 1879, a Igreja de San Matías é um dos primeiros exemplos do neomudéjar aplicado a arquitetura religiosa na capital. O templo original foi derrubado em 1850, sendo substituído pelo atual. A igreja sofreu grandes prejuízos com a Guerra Civil Espanhola, quando foi utilizado como armazém e quartel. Felizmente, foi restaurado em 1940, um ano depois do término das batalhas. Abaixo, vemos detalhes neomudéjares em um de seus muros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERARetornando a Igreja de Santa Cristina, é conveniente mencionar que ocupa o lugar da Ermita do Ángel de la Guarda, construída em 1606 e demolida em 1783. Enrique Repullés combina a arquitetura neogótica  (observada nos arcos ojivais, típicos do gótico) e a neomudéjar, com grande influência das igrejas mudéjares de Toledo. Sua ornamentaçao externa é muito rica, com várias tonalidades de cores, graças a utilizaçao de diversos tipos de tijolos. A história da igreja está relacionada com a rainha regente Maria Cristina, segunda esposa do rei Alfonso XII, que a finais do séc. XIX fundou um asilo para os meninos pobres de Madrid. Em 1904, anexa ao asilo, se construiu a igreja, finalizada em 1906. Abaixo, vemos um dos arcos da fachada, uma combinaçao da forma ogival do gótico com o arco de ferradura típico das costruçoes islâmicas.

DSC08405A parte interior da igreja surpreende por sua belíssima decoraçao.

DSC08384DSC08377A decoraçao interna foi inspirada numa corrente artística denominada Alhambrismo, cuja finalidade era recriar uma imagem idealizada do Palácio Nazarí da Alhambra, localizado em Granada.

DSC08379A seguir, vemos alguns detalhes decorativos e construtivos do interior da Igreja de Santa Cristina.

DSC08388DSC08391O teto da igreja foi construído com um artesanato de madeira, algo comum nos templos mudéjares.

DSC08393Quando conheci esta igreja, fiquei surpreso e admirado com sua construçao, além da alegre e colorida decoraçao de seu interior.

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Museu do Ratón Pérez – Madrid

Em muitos países do mundo, inclusive o Brasil, existem histórias relacionadas sobre a perda do primeiro dente de uma criança. Quando ocorre, as crianças devem deixá-lo debaixo de um travesseiro, e no dia seguinte será recompensada com uma moeda. Esta história é conhecida por todos e, na Espanha, o personagem que realiza a boa açao se chama Ratón Pérez (Rato Pérez, em português). Trata-se de um personagem popular em todo o mundo hispano, sendo que nos países anglosaxoes é conhecido como a Fada dos Dentes. Sua origem data de 1894, estando vinculada à figura do rei Alfonso XIII. Durante sua infância, era um menino problemático, e sua mae, a rainha regente Maria Cristina, solicitou ao padre jesuíta Luis Coloma, membro da Academia da Língua Espanhola, que escrevesse uma história para seu pequeno filho de 8 anos, que havia perdido seu primeiro dente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAColoma narra sua história no número 8 da Calle del Arenal, sendo que o Ratinho Pérez vivia com sua família dentro de uma caixa de biscoitos, dentro do armazém da antigamente famosa Confeitaria Prast, atualmente desaparecida.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADurante a noite, o pequeno roedor saía de sua “casa”, e através da rede de encanamento da cidade, chegava ao quarto de Alfonso XIII e de outras crianças que haviam perdido seu primeiro dente de leite.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO Ratón Pérez é um dos poucos personagens de ficçao que possui uma residência real, em plena Calle del Arenal.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, se pode conhecer com detalhes sua história no Museu a ele dedicado, e que atrai a muitas crianças e adultos, interessados por este popular personagem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAVale a pena conhecer o Museu do Ratón Pérez, outra das grandes atraçoes da Calle del Arenal. Pena que em seu interior as fotos nao estao permitidas…

Calle Mayor – Madrid

Uma das ruas mais populares e transitadas de Madrid, a Calle Mayor é o elo de ligação entre a Porta do Sol com a Catedral de Almudena e o Palácio Real.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASendo uma das ruas mais antigas da capital, sua história é um espelho da própria história de Madrid.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo princípio denominava-se Calle Almudena em seu primeiro trecho, Calle de las Platerías no segundo, e somente recebia o nome de Calle Mayor em sua parte final.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Calle Mayor, por sua localização, sempre foi um passo obrigatório para as comitivas reais, tanto do período dos Áustrias (dinastia dos Habsburgos), quanto dos reis da dinastia francesa dos Bourbones. Foi escolhida, também, como local de residência de ilustres personagens da vida cultural, como os dramaturgos Lope de Vega e Calderón de la Barca, que viveu no edifício abaixo, como indica a inscrição na fachada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANela se fixavam a classe comerciante, estando agrupadas segundo o ramo de atividade. A maior parte das ruas que atravessam a Calle Mayor recebem o nome dos grêmios existentes na época, como Calle de los Bordadores, por exemplo. Atualmente, está abarrotada de lojas de souvenirs, que vendem todos os objetos imagináveis relacionados à cidade e ao país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAMesmo hoje em dia, é possível visitar inúmeros estabelecimentos comerciais de caráter histórico, situados em seu perímetro. A Livraria Madrid, por ex., está dedicada ao comércio e publicação de obras relacionadas somente à história da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA pastelaria El Riojano foi fundada pelo pasteleiro pessoal da rainha Maria Cristina em 1855. Chamava-se Dámaso Maza, e veio a Madrid procedente de sua terra natal, a Rioja. O local apresenta a típica fachada comercial do séc. XIX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO interior conserva em grande parte seu aspecto original.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA prefeitura de Madrid homenageia todos os estabelecimentos comerciais com mais de 100 anos com uma placa colocada no chão, em frente ao mesmo, pelos serviços prestados a comunidade, como é o caso do El Riojano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACuriosa é a história da Farmácia Reina Madre. Considerada a mais antiga de Madrid, foi fundada em 1576, e sua primeira atividade estava vinculada à alquimia. Seu nome se explica porque nela compravam seus medicamentos a rainha regente Maria Cristina, no séc. XIX, assim como a rainha Isabel de Farnesio, esposa de Felipe V. A tradição diz que ambas evitavam os serviços da Famácia Real existente no palácio devido ao temor de serem envenenadas. No interior, que conserva a decoração original realizada em 1914, conservam-se mais de 300 objetos de cerâmica e cristal, com seu conteúdo de remédios dentro, dos séc. XVI e XVII. A funcionária da farmácia me contou que ainda existe o túnel secreto que a ligava com o Palácio Real. Infelizmente, as fotos não estão permitidas em seu interior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm frente à porta de entrada vemos sua placa comemorativa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe vida mais recente, encontramos uma rede de restaurantes especializada em servir jamón e derivados, conhecida como Museo del Jamón.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACriado há mais de 20 anos por um senhor procedente de Extremadura, destaca-se por seus preços econômicos. Com somente 2 euros, se pode tomar uma cerveja e comer um delicioso bocadillo. No andar superior de belo edifício onde se encontra, existe também o restaurante, onde podemos comer mais tranquilamente, pois o local costuma estar sempre lotado de gente.

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Panteao dos Homens Ilustres – Madrid

Pouco conhecido pelos turistas que visitam a capital espanhola, este é um lugar que merece a pena ser conhecido. Situado próximo à Estação de Atocha, o Panteão dos Homens Ilustres foi  construído no estilo neo-bizantino pelo arquiteto Fernando Arbós y Tramanti, entre 1892/1899.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO local destaca-se pelos interessantes monumentos funerários existentes, exemplos dos melhores escultores espanhóis da época. A ideia de criar-se um panteão que acolhesse os restos de importantes personagens da vida pública do país surgiu em 1837, quando as Cortes Gerais se reuniram e votaram um projeto para converter a Basílica de São Francisco (post publicado em 12 e 13/2/2013) num grande panteão. Quatro anos depois, a Real Academia de História propôs uma primeira lista de nomes, mas foi somente em 1869 quando nomeou-se uma comissão para encontrar os restos dos escolhidos. Porém, não foram achados, e se deram por perdidos, os restos dos escritores Miguel de Cervantes, Lope de Vega, Tirso de Molina, do arquiteto Juan de Herrera, do pintor Diego Velázquez, entre outros.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOs restos que acolheu este primeiro panteão pertenciam ao militar Gonzalo Fernández de Córdoba (“El Gran Capitán”), os escritores Francisco de Quevedo e Calderón de La Barca, e os arquitetos Ventura Rodriguez e Juan de Villanueva., entre outros personagens. Foram depositados numa capela, mas anos depois foram devolvidos ao seus locais de origem.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA ideia foi retomada através da rainha regente Maria Cristina, viúva do rei Alfonso XII, que decidiu pela construção de um novo panteão. Um concurso público foi realizado, e vários foram os projetos selecionados, sendo vencedor o do arquiteto Fernando Arbós, inspirado no Campo Santo da cidade de Pisa, na Itália.  Todo o espaço do monumento está cercado por um belo portão, feito de ferro forjado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, nele estão enterrados políticos relevantes da história espanhola, entre os quais mencionamos o de José Canalejas (1854/1912). Advogado e político liberal, foi Presidente do Congresso e Ministro. Morreu assassinado num atentado. Seu sarcófago foi construído pelo artista Mariano Benlliure, em 1915.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAManuel Gutiérrez de la Concha (1808/1874): militar e político, teve seu túmulo construído pelo arquiteto Arturo Mélida y Alinari, em 1880.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPráxedes Mateo Sagasta (1825/1903): Presidente do Conselho de Ministros. Sarcófago construído por Mariano Benlliure, em 1904.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEduardo Dato (1856/1921): Ministro de Estado e Presidente do Conselho de Ministros. Sarcófago também construído por Mariano Benlliure, em 1928.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAntonio de los Ríos Rosas (1812/1873): jurista, foi eleito Presidente da Câmara do Congresso de Deputados em várias ocasiões. Seu túmulo foi realizado pelo artista catalão Pedro Estany, em 1905.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAntonio Cánovas del Castillo (1828/1897): Presidente do Conselho de Ministros, é considerado uma dos políticos mais importantes da segunda metade do séc. XIX. Seu monumento funerário foi construído por Agustín Querol, em 1906.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos a decoração de uma das cúpulas que compõem o panteão.

OLYMPUS DIGITAL CAMERARodeando todo o espaço, vemos um pátio e um mausoléu, denominado Monumento à Liberdade, construído em 1857.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo alto do mausoléu, uma estátua similar a outra, bem maior e famosa,  símbolo de um país do outro lado do atlântico.

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Teatro Maria Guerrero – Madrid

Pertencente ao Ministério da Cultura de Espanha, o Teatro Maria Guerrero é a sede do Centro Dramático Nacional. Impulsionado pelo Marquês de Monastério, Alfonso Osorio de Moscoso (1857/1901), que ordenou a construçao do edifício, o teatro foi inaugurado em 1885, com o nome de Teatro de la Princesa. O acontecimento contou com a presença da rainha Maria Cristina e a destronada Isabel II.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO objetivo do marquês foi criar um local seleto, no qual nao havia localidades baratas. Desde finais do séc. XIX, começou a destacar no palco a figura da atriz Maria Guerrero, que entao possuía a licença de exploraçao do Teatro Espanhol, propriedade da prefeitura de Madrid. No entanto, seus compromissos artísticos na América Latina dificultavam suas obrigaçoes junto às autoridades municipais. O problema, cada vez maior, solucionou-se quando o marido de Maria Guerrero decidiu adquirir o Teatro de la Princesa em 1908, convertendo-o no centro de interpretaçao da atriz.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANesta época, sao encenadas obras de Jacinto Benavente, Valle-Inclán, etc. As dificuldades econômicas do casal aumentaram com a construçao do Teatro Cervantes, em Buenos Aires. Como consequência, tiveram que mudar-se para a parte superior do teatro, onde permanecerao até o falecimento de María Guerrero em 1928.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO imóvel foi, entao, comprado pelo estado espanhol, que muda o nome do teatro, em homenagem à atriz. O início da Guerra Civil em 1936 provocou seu fechamento, sendo reaberto somente em 1940, sob a denominaçao de Teatro Nacional.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1996, foi declarado Bem de Interesse Cultural, e em 2000 e 2003 foram realizadas obras que lhe devolveram seu aspecto original, segundo o projeto do arquiteto construtor do teatro, Agustín Ortiz de Villajos.

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