Salou – Província de Tarragona

Para poder suportar o rigor do verão espanhol, nada melhor que descansar numa bela e relaxante praia. Com esta intenção, decidi, depois de sair de Reus, conhecer a cidade de Salou, uma cidade litorânea situada a meio caminho entre Reus (a apenas 8 km) e Tarragona (10 km). Salou, na época de calor, transforma-se num dos destinos turísticos mais procurados da Catalunha, motivo pelo qual é conhecida como a capital da Costa Dourada.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta cidade de 27 mil habitantes multiplica sua população nos meses de julho e agosto, quando suas praias são invadidas por milhares de turistas da própria Espanha e de outros países europeus, como Alemanha, Inglaterra, França, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATive a sorte de encontrar disponibilidade num bom hotel, sem que tivesse feito reserva prévia, algo muito difícil de conseguir nesta época do ano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASalou possui 4 praias principais e várias calas, como na Catalunha são conhecidas as praias mais pequenas. A praia central é conhecida como a Praia de Levante (1200m de areia fina), e concentra uma grande quantidade de turistas, como vemos nas fotos acima, que possibilita a prática de diversos esportes náuticos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASalou possui uma cuidada orla marítima, o Paseo de Jaume I, com uma grande quantidade de bares e restaurantes, além de uma excelente infraestrutura para os turistas que chegam à cidade. Passear por esta grande avenida repleta de palmeiras é muito agradável, e realizei seu trajeto inteiro diversas vezes…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO nome desta grande avenida homenageia o Rei Jaume I (Jaime I em espanhol), um monarca que foi apelidado de “EL Conquistador” por ter conquistado várias cidades em poder dos muçulmanos, como Valência a as Ilhas Baleares. Foi Rei de Aragón e de Valência, além de ter tido, entre outros, o título de Conde de Barcelona. Abaixo, vemos o monumento realizado em sua homenagem, inaugurado em 1965 pelo arquiteto Salvador Ripoll e pelo escultor Lluís Maria Saumell.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAInúmeras fontes embelezam a avenida, algumas das quais realizam espetáculos de luzes à noite. Outras são perfeitas para que as pessoas se refresquem, atraindo a crianças e adultos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro elemento que contribui para a beleza do lugar, as abundantes esculturas se combinam com as fontes, criando uma bela paisagem urbana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA histórica tradição portuária de Salou se percebe em outras peças navais que foram colocadas no Paseo de Jaume I.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASalou também é famosa por seu parque de diversões, situado a pouca distância do centro da cidade, o Port Adventure World, considerado um dos maiores parques temáticos do mundo.

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Tribunal das Águas de Valência – Patrimônio da Humanidade

A matéria de hoje está dedicada a uma das instituições mais veneradas pelos valencianos, cuja importância se reflete na declaração da Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, outorgada à cidade em 2009. O denominado Tribunal das Águas de Valência é considerado a instituição jurídica mais antiga da Europa, e seus habitantes se sentem orgulhosos disso. Sua finalidade é solucionar os conflitos derivados da utilização e aproveitamento da água entre os agricultores da comunidade.

20181004_163036Para entender sua importância, convêm mencionar que o Rio Turia, antes de entrar na cidade, distribui seu precioso líquido em 8 canais de irrigação principais, destinados aos campos de cultivo. Cada um deles constitui um sistema hidráulico próprio, cujas origens datam da época muçulmana, provavelmente do ano 960, durante o período conhecido como Califato de Córdoba. Em 1238, o Rei Jaime I, logo depois da reconquista da cidade, doou estes sistemas de irrigação aos camponeses, respeitando o chamado direito consuetudinário (que surge dos costumes de uma sociedade, não passando por um processo formal de criação de leis). O Tribunal das Águas está composto por 8 membros, também denominados síndicos, que representam cada uma das zonas de cultivo e que são indicados pelos próprios agricultores. Cada um dos membros é responsável por estabelecer a quantidade de água que cada região pode dispor e cada camponês deve acatar suas ordens, sob pena de severas multas. Vestem a tradicional roupa negra e se reúnem em conselho deliberativo e/ou executivo (em época de secas) todas as quintas feiras às 12:00 hs na Porta dos Apóstolos, cuja arquitetura gótica é uma dos principais atrações da Catedral Valenciana. Um dos síndicos é escolhido presidente, cujo mandato dura 2 anos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1960, se celebrou o milenário do Tribunal das Águas. Ainda que existisse no período romano algo parecido, sendo que alguns historiadores postulam que é originário desta época, a organização atual do tribunal se remonta à fase muçulmana. Este fato é respaldado por alguns detalhes, como o dia em que se realiza a reunião do tribunal, uma quinta feira, um dia antes da sexta, considerado festivo para os muçulmanos. Também o local escolhido, a catedral, antiga mesquita da cidade.

20181004_163022Reconhecido por todas as ideologias, culturas e povos que configuraram a Comunidade Valenciana, o Tribunal das Águas foi igualmente respaldado pela atual Constituição Espanhola, em vigor desde 1978. Sua estrutura, a participação dos camponeses e a rapidez em que os problemas são resolvidos projetaram o tribunal ao âmbito internacional. Especialistas em direito de todas as partes do mundo o consultam como modelo nos diversos foros, conferências e associações relacionadas à utilização da água. No entanto, sua continuidade depende da  sobrevivência dos campos de cultivo da Comunidade Valenciana, principalmente de sua zona norte, ameaçados pelo crescimento desordenado dos empreendimentos imobiliários. Finalizo a matéria com uma foto de um quadro que retrata o Tribunal das Águas, que decora uma das salas do Palácio de la Generalidad, que vimos no último post.

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Valencia Gótica

A Arte Gótica adquiriu um grande protagonismo em Valencia nos séculos XIV e XV, fruto do grande desenvolvimento alcançado pela cidade nesta época como centro mercantil. Num passeio por seu centro histórico, muitos foram os edifícios construídos neste estilo, tanto no plano religioso, quanto civil, como vimos na matéria anterior sobre a Lonja de Valencia. Outro exemplo da arquitetura gótica adaptada ao uso civil constitui o Edifício da Generalitat Valenciana, isto é, a sede do governo regional da Comunidade Valenciana. A Generalitat teve como origem a necessidade da Coroa para recadar impostos e logo o edifício passou a sediar o organismo representativo do Reino antes às cortes. Sua construção iniciou-se em 1421, e no século seguinte se colocou uma torre, já no estilo renascentista. Na foto vemos o edifício iluminado, pois estive na cidade em plena época natalina.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATambém pertencente ao Estilo Gótico Valenciano, o Almudín foi construído no princípio do século XV como um local de armazenamento e venda de trigo. Seu nome provém da palavra árabe Almud, uma medida relacionada aos graos. Considerado monumento histórico-artístico, desde 1996 funciona como um centro cultural. Vemos o edifício na foto abaixo, à esquerda.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAValencia conta com inúmeras igrejas góticas, apesar que as reformas subsequentes alteraram a fisionomia de muitas delas. A primeira que visitei foi a Igreja de San Agustín, que fazia parte do antigo Convento dos Frades da Ordem de Santo Agostinho.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO templo foi gravemente afetado, tanto na Guerra da Independência contra os franceses, quanto na Guerra Civil Espanhola do século XX. Por este motivo, a igreja teve que ser restaurada em 1940. Abaixo, vemos algumas fotos de seu belo interior, com destaque para um ícono bizantino situado no altar maior, denominado Nossa Senhora de Grácia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo Bairro da Catedral situa-se a Igreja de Santa Catalina, edificada a partir do ano 1300, num momento em que se começaram a construir templos católicos sobre as antigas mesquitas árabes. Recebeu este nome por um desejo expresso do Rei Jaime I, em honra a sua filha a Infanta Catalina.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1548, a igreja sofreu um grande incêndio, e foi parcialmente reconstruída. Entre 1688 e 1705, se construiu a torre campanário, obra de Juan Bautista Viñes, considerada uma das obras primas do Barroco Valenciano, e um dos símbolos da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1936, a igreja foi assaltada e incendiada. Na década de 50 foi restaurada, devolvendo-lhe seu aspecto gótico original.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABem em frente à Lonja de Valencia, na Praça do Mercado, se localiza a Real Paróquia de los Santos Juanes (São João Batista e São João Evangelista). Erguida sobre uma mesquita árabe, sofreu diversas remodelações ao longo de sua história. Erguida originalmente no século XIII, foi reconstruída nos séculos XIV e XV devido aos vários incêndios que foi vítima.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XVII e começo do XVIII, adquiriu seu aspecto barroco atual, sendo que sua parte exterior apresenta uma fachada a modo de retábulo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm sua parte central vemos uma escultura da Virgem do Rosário, realizada por Jacopo Bertesi. Sobre ela, a torre do relógio (imagem acima).

OLYMPUS DIGITAL CAMERASe intitula Real depois da visita que a Rainha Isabel II realizou ao templo em 1858. Em 1947, recebeu o título de monumento histórico-artístico. Uma pena que permaneceu fechada durante minha estadia, esta que é considerada uma das igrejas mais belas de Valencia

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFinalizo a matéria com o Real Convento de Santo Domingo, construído durante o reinado de Jaime I. Ampliado nos séculos XIV, XV e XVI, foi sede das Cortes do Reino de Valencia e nele se realizou o casamento de Felipe III com Mariana de Áustria. Lamentavelmente, também não pude visitá-lo e contemplar seu claustro gótico…

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