Último Passeio por Salou

Em minhas andanças por Salou tive a oportunidade de conhecer sua antiquíssima história, apesar dos edifícios modernos que se destacam em sua paisagem litorânea. A cidade foi fundada pelos gregos no século VI aC, sendo que a primeira fonte documental que a menciona foi realizada pelo escritor romano Avieno no século IV, a “Ora Marítima“, no qual descreve a geografia do litoral mediterrâneo de Hispania. No período romano ficou conhecida como Salauris, mas durante a invasão muçulmana padeceu de um progressivo despovoamento até ficar abandonada. Salou voltou a florecer depois de ser reconquistada a partir de 1211, quando passa a pertencer ao Arcebispo de Tarragona. Devido às excepcionais condições de seu porto marítimo, transformou-se num dos mais importantes do antigo Reino de Aragón, que esteve em funcionamento até o século XIX, quando entra numa etapa decadente. Em 1530, o arcebispo ordenou a construção de uma torre para proteger a costa de ataques piratas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente conhecida como Torre Vella, sua parte interior foi reformada com os anos, mas seu aspecto exterior se conserva como era originalmente, com o escudo de Pere de Cardona, arcebispo que patrocinou a construção.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAHoje em dia, a torre acolhe um centro cultural e um edifício anexo construído no século XVIII, com uma ponte que une ambas construções, realizada ja no século XX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos um grupo escultórico que decora o jardim da torre, intitulado “A Dança das Graças“, realizada por Artur Aldomà Puig

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo século XX, Salou começou a destacar-se como um importante centro turístico, experimentando um grande crescimento a partir da década de 60. Dentro deste contexto, o papel do estilo modernista foi crucial no início do século XX, fomentando a construção de diversas mansões para a burguesia local, aqui conhecidas como Chalets (Xalets no idioma catalao). Muitos deles foram construídas em frente a praia principal de Salou, embelezando sua paisagem. A maior parte deles pertencia às famílias acomodadas de Reus, que passaram a frequentar a cidade em busca de belas praias e tranquilidade. Um dos primeiros foi o denominado Xalet Bonet, considerado uma verdadeira jóia da última fase do Modernismo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA casa foi projetada por um discípulo de Gaudí, o arquiteto Domènech Sugranyes i Gras. Seu interior foi decorado com pinturas murais, mas o local não é visitável. Abaixo, vemos alguns detalhes da construção.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Xalet Vila Enriqueta é de 1923, e foi estreado durante o casamento da filha do proprietário. Durante a Guerra Civil Espanhola tornou-se a sede do bando republicano na cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruído em 1929, o Xalet Torremar foi projetado pelo arquiteto Josep Bofarull, e atualmente acolhe a Oficina de Turismo de Salou.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOutra bela construção, o Xalet Loperena foi construído em 1925, também obra do arquiteto Domènech Sugranyes. Destaca sua torre com função de mirante e a cerâmica vidriada como elemento decorativo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERA Finalizo a matéria sobre Salou com o Xalet Miarnau Navas, também de estilo modernista

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Valencia Árabe

Com a queda do Império Romano, a cidade de Valencia caiu sob o domínio dos visigodos em 497 dc. Pouco se conhece deste período histórico na cidade. No Museu de Almoina se conservam tumbas monumentais de finais do século VI, pertencentes à época visigoda. Possuíam um caráter familiar e coletivo, sendo que em algumas delas foram encontrados os restos de mais de 30 indivíduos. Foram construídas com grandes blocos de pedra e decoradas com motivos relacionados ao cristianismo. As sepulturas continham também ricas peças em forma de colares, anéis, pulseiras, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi com a chegada dos árabes em 718dc que a cidade alcançou um primeiro período de prosperidade. Permaneceram  mais de 500 anos, e passou a denominar-se Balansiya. Entre suas contribuições à cidade mencionamos o moderno sistema de plantio, numa zona de escassa pluviometria. No século X, alcançou uma população estimada em 15 mil habitantes, tornando-se a cidade mais populosa da zona oriental de Al Andaluz, nome com que se conhece o território árabe na Espanha. No século XI, durante o período conhecido como Reino de Taifas, no qual surgiram várias cidades independentes depois da desintegração do Califato de Córdoba, a cidade obteve um notável crescimento. Um excepcional conjunto de muralhas foi erguido. Apesar das reforma e ampliaçoes realizadas, o sistema defensivo permaneceu de pé até 1865. Ainda hoje podemos contemplar algumas de suas imponentes portas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo ano de 1094, El Cid conquista Valencia, depois de 8 meses de assédio, mas foi novamente retomada pelos árabes pouco tempo depois. A cidade é definitivamente reconquistada pelo Rei Jaime I, chamado de El Conquistador, e sua façanha foi celebrada em toda a Europa, já que o Papa Gregório IX havia outorgado à empresa um caráter de cruzada. Em 1238 entrava vitorioso na cidade, depois de realizar um pacto com o rei mouro Zayyan. Contou com o apoio das Ordens Militares do Templo, de Calatrava e do Hospital.No Edifício da Prefeitura de Valencia (Ayuntamiento) podemos ver um de seus objetos históricos de maior importância, o denominado Pendão da Reconquista, içado pelos árabes para indicar sua rendição às tropas de Jaime I.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar de reconquistada, Jaime I teve que lutar contra os interesses das nobreza catalã e aragonesa, que pretendiam converter as terras conquistadas numa prolongação de seus territórios. Para impedi-lo, o monarca transformou a cidade num reino singular,criando uma nova unidade política e jurídica unida à Coroa de Aragón. Com a  outorgação dos Foros de Valencia, os reis que lhe sucedessem ao trono estariam submetidos às leis próprias dos valencianos. A cidade torna-se, deste modo, num estado soberano, mesmo estando incorporado ao Reino de Aragón. Além dos Foros, se redatou um código marítimo, considerado o mais antigo do continente. No entanto, algumas instituições criadas pelos árabes foram mantidas, como o famoso Tribunal das Águas, encarregado de regular sua utilização. Desde 1247, a cidade passou a ter moeda própria, o Real Valenciano. Abaixo, vemos o busto de Jaime I, também colocado no interior do Edifício da Prefeitura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABoa parte da população árabe abandonou a cidade após a reconquista, e os que nela permaneceram (conhecidos como mudéjares) passaram a viver num bairro próprio, a Morería, situado fora das muralhas. Muitas das mesquitas existentes foram transformadas em igrejas católicas. Um bom exemplo da arquitetura mudéjar de Valencia corresponde aos chamados Banhos do Almirante, por estarem situados no Palácio Gótico dos Almirantes de Aragón. Apesar de sua aparência árabe, foram construídos em 1313.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstes banhos possuíam um caráter civil e sua funcionalidade e sistema construtivo foram herdados das antigas termas romanas. Divididos em salas fria,temperada e quente, é um dos poucos banhos desta época que se mantiveram ativos desde sua criação até o século XX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADesde a época romana, Valencia sempre se orgulhou de ter um excelente sistema de saneamento, que foi ampliado e aperfeiçoado com o tempo. Graças a ele, a cidade transformou-se numa das mais limpas de toda a Espanha. Em 1944, os Banhos do Almirante foram declarados Conjunto Histórico-Artístico. Fechados para o uso público em 1959, pouco depois funcionou como uma academia de ginástica. Em 1985 foi adquirido pelo governo que o restaurou, sendo aberto para a visitação pública.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos as características aberturas situadas no teto, que proporcionam iluminação ao interior do banho, exemplos da arquitetura árabe destes espaços públicos.

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Alicante – Comunidade Valenciana

No verão deste ano (meses de julho e agosto) conheci por primeira vez a cidade de Alicante, um dos destinos de férias preferidos para muitos espanhóis, inclusive os madrilenhos. Situada no leste do país e banhada pelo Mar Mediterâneo, Alicante é uma das três capitais de província que compõem a Comunidade Valenciana (as outras duas são Valencia e Castellón).

OLYMPUS DIGITAL CAMERACidade mais importante da denominada Costa Blanca, Alicante (Alacant, no idioma valenciano) possui aproximadamente 340 mil habitantes, o que a torna o segundo município mais populoso da comunidade, depois da cidade de Valencia.

20160808_174120Na época mais quente do ano, a cidade atrai a uma enorme quantidade de turistas, tanto nacionais quanto estrangeiros, em busca de suas praias e do sol que brilha intensamente. Em pleno centro urbano, a Praia de El Postiguet fica lotada com a presença de turistas ingleses, alemães, etc, além da presença dos próprios alicantinos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOs jovens preferem a Praia de San Juan, um pouco afastada do centro…

20160811_171151Alicante não é apenas sinônimo de sol e belas praias, e possui uma história milenária. Pelo seu porto natural, inúmeras culturas como os Iberos, Fenícios e Gregos desenvolveram uma intensa atividade mercantilista. No entanto, na antiguidade foram os Cartagineses os povoadores de maior destaque, que transformaram sua costa no centro mais importante de suas bases navais, até que foram expulsos pelos Romanos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois da dominação romana, Alicante pertenceu a Bizancio e em seguida ao Reino Visigodo. Uma das épocas mais prósperas ocorreu a partir do século VIII, quando passa a integrar o Império Árabe de Al Andaluz, sendo então denominada Medina Laqant. A cidade foi muçulmana até o século XIII, quando foi incorporada ao Reino de Aragón pelo monarca Jaime I. No século XVI, durante o reinado de Felipe II, os mouriscos (muçulmanos convertidos ao catolicismo) foram expulsos do país, fato que alterou enormemente sua produção agrícola, já que a maioria deles trabalhavam no campo. As consequências econômicas logo se fizeram sentir. Durante o século XVIII, a cidade se recupera, momento em que se transforma na terceira cidade mercantil da Espanha, depois de Barcelona e Cádiz.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlicante ostenta o título de cidade desde 1490, concedido durante o reinado de Fernando II de Aragón. Atualmente, o turismo é uma importante fonte de ingressos. Uma das razões para tanto é a qualidade de suas águas. Mesmo as praias urbanas possuem um excelente nível de qualidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUma de suas avenidas mais populares é a Explanada de España, um dos símbolos da cidade. Situada paralela ao mar, é exclusiva para pedestres e está repleta de palmeiras.  Toda sua extensão foi decorada com mosaicos de formato ondulado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANas próximas matérias, vocês poderão conhecer um pouco mais sobre Alicante e seus principais monumentos. As fotos panorâmicas deste post foram tiradas do alto do Castelo de Santa Bárbara, situado num cerro em frente à Praia de El Postiguet. Esta imponente construção militar e defensiva será o tema do próximo post…

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Molina de Aragón – Prov. de Guadalajara

Molina de Aragón é um belíssimo pueblo situado na Província de Guadalajara, pertencente à Comunidade de Castilla-La Mancha. Como centro de uma comarca economicamente voltada à agricultura e pecuária, Molina possui cerca de 4 mil habitantes, e situa-se numa das zonas mais frias do país, com registros históricos de temperaturas inferiores a  28 graus negativos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO pueblo é uma típica vila senhorial da Idade Média, e foi catalogada como Conjunto Histórico-Artístico.  Depois de originalmente povoada por tribos ibéricas durante séculos, houve um período de desolação que afetou toda a região, interrompido com a chegada dos muçulmanos e a posterior criação dos denominados Reinos de Taifa no séc. XI. A cidade aparece, então, governada pelo rei  mouro Abengalbón, amigo pessoal de El Cid. A ocupação árabe termina com a reconquista, efetuada pelo rei cristão Alfonso I “El Batallador” em 1129.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComo terra de fronteira, Molina esteve sob domínio tanto de castelhanos, quanto de aragoneses. Durante apenas 6 anos (1369/1375), pertenceu ao Reino de Aragón, época em que mudou o nome de Molina de los Caballeros para Molina de Aragón, e que conserva ainda hoje. A partir de então, volta a ser propriedade do Reino de Castilla, graças ao casamento da infanta Leonor de Aragón com o castelhano infante Juan. Um século depois, a rainha Isabel “La Católica” concede um privilégio, a partir do qual Molina pertencerá sempre a Castilla. Abaixo, vemos a Praça de Espanha, situada no centro do povoado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMolina de Aragón viveu seus dias gloriosos no séc. XVI, devido ao aumento populacional e a exploração econômica de seus recursos. No séc. XIX, o valor  heróico demonstrado por seus habitantes durante a Guerra de Independência outorgou ao pueblo o título de cidade, concedido por Fernando VII em 1812. Abaixo, vemos parte do recinto de muralhas conservados, como a Porta de Medina e a Porta do Banho, ambas levantadas no séc. XIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAtualmente, podemos observar pequenas partes dos muros que formavam as muralhas, que cercava toda a localidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar de seu reduzido tamanho, em Molina sobrevivem numerosos templos religiosos, edificados em várias épocas. A Igreja de San Pedro, por ex., foi construída originalmente no estilo românico no séc. XIII, mas reformada nos séc. XVI/XVII, apresentando uma mistura de estilos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Igreja de San Francisco, também fundada no séc. XIII, foi reformada na etapa gótica e barroca, quando foi levantada a torre no séc. XVIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo alto da torre, vemos uma estátua denominada de Giraldo, uma referência à famosa estrutura que coroa a parte superior da Catedral de Sevilha (La Giralda).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA vila está atravessada pelo Rio Gallo, um afluente do Tajo (Tejo, em português). Um de seus símbolos é a ponte medieval, construída entre os séc. XII/XIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruída com pedra arenítica, está formada por três arcos. A imagem que contemplamos de sua localização é um dos cartões postais de Molina de Aragón, com a imponente visão  do castelo ao fundo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post, seguiremos conhecendo este pueblo castelhano.

Teruel – A Cidade das Torres

Dentro do campo artístico e arquitetônico que se desenvolveu ao longo de toda a história da humanidade, existe um estilo excepcional único, que encontrou no território espanhol um local perfeito para seu florescimento. No post de hoje, conheceremos a tradição Mudéjar, uma notável combinação das técnicas artísticas muçulmanas, executadas e aperfeiçoadas dentro do contexto dos Reinos Cristãos Ibéricos. Dentro do blog, inúmeras vezes realçamos sua importância, nas matérias dedicadas a Toledo, Zaragoza, Daroca, somente para citar alguns exemplos. Na Comunidade de Aragón, a Arte Mudéjar alcançou as maiores cotas de refinamento, sendo reconhecido pela Unesco como Patrimônio da Humanidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAÀ medida que os reinos cristãos medievais seguiam avançando sobre os antigos territórios peninsulares anteriormente ocupados pelos árabes, muitos deles permaneceram vivendo nas cidades conquistadas. Essa população muçulmana ficou conhecida como Mudéjares. Organizadas em comunidades denominadas de Aljamas ou Morerías (onde habitavam os mouros), seguiam praticando sua religião, possuindo um certo grau de autonomia política. Em geral, dedicavam-se aos trabalhos agrícolas e à construção. Foram eles os criadores deste singular  e formidável estilo, que na cidade de Teruel, situada no sul de Aragón, legaram um patrimônio peculiar e único. O Mudéjar desenvolveu-se entre os séc. XII e XVI, e incorporou elementos das correntes românica e gótica, como os arcos de meio ponto e os ojivais, juntamente com a cerâmica vidriada e o tijolo, materiais mudéjares por excelência. Neste caso, são empregados tanto como elementos construtivos, como decorativos. Em Teruel, suas inúmeras torres, todas elas construídas segundo este padrão, propiciaram o enriquecimento da paisagem urbana, realmente maravilhosa. A primeira das torres que vamos conhecer é a de San Martín.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAErigida em 1316, é o único resto mudéjar sobrevivente da antiga paróquia dedicada ao santo, reformada na época barroca. A torre foi reformada no séc. XVI, período em que as casas adossadas ao conjunto foram derrubadas, criando-se uma praça aberta diante da torre que possibilita sua inteira contemplação. Entre 2002/2007, foi alvo de uma restauração completa, que lhe devolveu toda sua beleza original.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA torre imita a estrutura de um minarete islâmico (local das mesquitas cuja função é chamar os fiéis às orações diárias, um dos pilares básicos do Islã). Como nas demais torres da cidade, a de San Martín possui um arco aberto em sua parte inferior, permitindo a passagem de pedestres e veículos, estando, dessa forma, plenamente integradas em seu urbanismo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANela, admiramos sua decoração, baseada na utilização de cerâmicas verdes e brancas. No caso mudéjar, utiliza as denominadas formas alicatadas, que consiste na associação de peças de distintas formas, que combinadas, criam motivos geométricos. Sobressaem, também, os chamados Arcos Mixtilíneos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAJá a Torre de El Salvador está localizada em pleno centro urbano. A grande quantidade de edifícios que a cercam dificulta a tomada de boas fotografias. Como a Torre de San Martín, possui planta quadrada e foi construída na mesma época, no séc. XIV, durante um período de esplendor do Reino de Aragón, no qual vivia uma grande quantidade de população árabe, graças ao foro concedido pelo rei Alfonso II.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA torre integrava o conjunto medieval da Igreja de El Salvador, que ruiu em 1677, sendo novamente reconstruída no estilo barroco. Na realidade, está formada por duas torres, uma construída dentro da outra. Na torre exterior, predomina exclusivamente o tijolo, enquanto a estrutura interior está composta por mampostería de gesso. Entre ambas, uma escada conduz o visitante à sua parte superior.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Torre de El Salvador é visitável, pois sedia o Centro de Interpretação da Arte Mudéjar, uma exposição que inclui vídeos, fotos, maquetes e vários painéis explicativos que ajudam na compreensão do estilo. Na parte superior da torre podemos ver os sinos, e a visão urbana que oferece de seus arcos é incrível.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAExistem outras torres maravilhosas na cidade de Teruel, como as que formam a Catedral e a Igreja de San Pedro, que veremos em breve nos próximos posts…

Vielha – Vale de Arán

O Vale de Arán é uma comarca da Província de Lérida, na Catalunha, encravada no meio dos Pirineus Centrais. De fato, 30% d seu território situa-se a uma altitude superior aos 2.000m. Cerca de 10mil habitantes vivem na região, na qual convivem 3 idiomas co-oficiais: o castelhano, o catalão e o aranês, uma variedade da língua occitana.

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Tradicionalmente, sua economia baseia-se na pecuária e na exploração florestal. Porém, atualmente o turismo tornou-se o motor de desenvolvimento do vale. Dois fatores contribuíram para tal mudança. Por um lado, a abertura do Túnel de Vielha possibilitou a comunicação da zona, anteriormente isolada, com as demais cidades da comunidade.

Por outro, a Estação de Esqui de Baqueira-Beret promoveu o chamado turismo de montanha, principalmente na alta temporada do inverno. Com o aumento da oferta turística, incrementou-se o desenvolvimento do vale, fazendo com que sua renda per capita seja uma das mais altas do país.

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As primeiras referências concretas sobre o Vale de Arán apareceram no séc. X, quando encontrava-se vinculado ao Condado de Ribagorza. No séc. XII, passa a integrar o Reino de Aragón e posteriormente ao Principado de Catalunha. Sua capital e município mais importante é Vielha e Mijaran, e é a base para conhecer-se a região.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA cidade lota na temporada de verão, quando os turistas buscam suas belas paisagens para atividades ecoturísticas, bem como no inverno, quando o esqui atrai milhares de praticantes. O município está formado por 13 pequenos povoados, e possui uma população de 4.500hab.

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Seu monumento mais destacável é a Igreja de San Miguel, construída em várias épocas. Apesar de ser um edifício predominantemente gótico, conserva elementos românicos de sua primeira construção, no séc. XII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA portada principal pertence ao séc. XIII, e nela observamos  as 59 figuras esculpidas em suas arquivoltas, representando anjos, santos, músicos e apóstolos.

DSC07488OLYMPUS DIGITAL CAMERANo centro, aparece São Miguel Arcanjo, titular da igreja, e nos dois lados, Jesus Cristo flagelado e curando a um enfermo.

DSC07485A torre foi levantada em época posterior, no séc. XVI, por ordem expressa do rei Fernando Católico. No interior, vemos uma das mais belas imagens românicas de todo o vale, uma talha conhecida pelo nome de Cristo de Mijaran, do séc. XII.

DSC07479Do mesmo século e estilo é a Pia batismal.

DSC07480O retábulo é do séc. XV, e nele vemos cenas da vida de Maria e de San Miguel.

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Outro dos atrativos do templo são suas pinturas murais conservadas.

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O órgão foi construído em 1778.

DSC07483Passeando pela cidade, descobrimos casarões antigos e casas rústicas, que conferem uma atmosfera acolhedora à localidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADSC07504Neste palácio com torres fortificadas funciona o Museu Etnológico da cidade.

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Em 1976, o centro antigo de Vielha foi declarado Conjunto Histórico-Artístico.

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Cardona – Catalunha

Situada num vale na parte central da Catalunha, a cidade de Cardona é considerada como Conjunto Histórico-Artístico desde 1992. Tal distinção se deve ao seu rico passado medieval, conservado em seus monumentos e ruas.

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Cardona sempre foi um enclave estratégico, e na idade média fazia fronteira com a Al Andaluz, o reino árabe peninsular. Sua maior riqueza, responsável por sua existência e esplendor, é o denominado Vale Salino, explorado desde tempos antigos. A exploração e comercialização deste fundamental produto no passado explica seu desenvolvimento e importância, convertendo-se num centro comercial e ponto de encontro de viajantes, que chegavam dos Pirineus e do sul da França. Por este motivo, gozava de uma carta que lhe conferia um excepcional regime de liberdade civil, um privilégio na época. Abaixo, vemos a igreja gótica de San Miguel, construída entre os séc. XIII e XIV, além de sua atmosfera medieval.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO Castelo da cidade, localizado no alto de um cerro é, possivelmente, a fortaleza medieval mais importante de toda a Catalunha. Jamais conquistado pelas armas, foi construído no séc. IX e sua história está relacionada com a poderosa família ducal da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADe fato, no séc. XV, os Duques de Cardona foram a família mais importante do então Reino de Aragón, exceptuando-se a casa real. Eram considerados “reis sem coroas”, tal seu poderio, que se manifestavam em extensas propriedades em Catalunha, Aragón e Valencia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAEm 1714, depois de um assédio que destruiu boa parte de suas muralhas, Cardona foi um dos últimos redutos em entregar-se às tropas borbônicas de Felipe V, durante a chamada Guerra de Sucessão espanhola. O recinto do castelo igualmente nao pôde ser dominado pelo exército de Napoleão. Em 1794, foi convertido em quartel militar pelo exército espanhol.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAUm dos elementos mais impressionantes do castelo é a Torre de Homenagem, também chamada de Minyona. Localizada na parte mais alta da montanha, sua fisionomia atual se deve às reformas realizadas entre 1794/1810, para evitar que se tornasse um ponto de referência de tiro para a artilharia, em caso de sítio. Com mais de 12m de altura (chegou a ter 25m, nos séc. X/XI), deve seu nome a uma lenda do séc. XVIII, que narra o amor de uma das filhas do senhor do castelo, chamada Minyona, por um guerreiro muçulmano.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANo pátio de armas da torre, conserva-se uma cisterna, que abastecia de água o castelo. Outro pátio de armas, situado dentro do castelo, corresponde à residência dos viscondes e duques da cidade, até o séc. XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOutro destaque do conjunto é a Colegiata de San Vicente, erguida entre 1029/1040, em perfeito estado de conservação e integra os monumentos relacionados à primeira etapa do denominado Românico Catalão.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO templo impressiona por suas dimensões, sendo que o interior está formado por 3 naves e seus respectivos absides semicirculares, além do transepto, distribuição que lhe confere a típica planta de cruz latina.

OLYMPUS DIGITAL CAMERATanto o presbitério, quanto o abside central encontram-se num nível mais elevado, pois no espaço inferior situa-se a cripta, local de enterramento e de abrigo das relíquias que possuía.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANas naves laterais, estão conservados dois sepulcros, sendo um deles do Conde Joan Ramon Folc I (1375/1442), construído em 1668, em mármore.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAJá o Panteão do Duque Ferran I (1513/1543), é de estilo renascentista (séc. XVI).

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO claustro pertence ao séc. XIV e nos capitéis podemos observar os símbolos dos duques de Cardona.

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O átrio, espaço de transição entre o claustro e a igreja, estava decorado por pinturas murais, que foram levadas ao Museu Nacional de Arte da Catalunha, em Barcelona.

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Atualmente, o castelo sedia um Parador Nacional, rede de hotéis cuja carcterística principal é a reabilitação de edifícios históricos para suas dependências, e foi eleito um dos 10 melhores castelos europeus para hospedar-se, segundo os usuários da Tripadvisor. O castelo de Cardona foi declarado Monumento Nacional em 1949 e a Colegiata de San Vicente, em 1931.

Finalizamos com um detalhe realmente curioso sobre o castelo. Histórias que relacionam castelos com fenômenos paranormais sempre existiram, porém parece que no de Cardona, sua crença chegou até mesmo a modificar o dia a dia do local. Segundo testemunhas, que incluem hóspedes e funcionários que trabalham no hotel, o quarto de número 712 registra fenômenos estranhos, como aparições espirituais, móveis que se movem, etc. O fato foi comentado na TV espanhola pelo programa Quarto Milênio, e o espaço permanece fechado, só podendo ser reservado por hóspedes através de um pedido expresso. No andar onde se situa o “embruxado” quarto, o serviço de limpeza sempre é composto por, no mínimo, duas pessoas. Como dizem os espanhóis, por si acaso…