Castelos e Fortalezas Árabes da Espanha – Parte 2

Além das Alcazabas que vimos no post anterior, várias outras fortificações espanholas que vemos hoje em dia tiveram sua origem no período árabe ou islâmico. Veremos algumas delas, como o impressionante Castelo de Frías, situado na Província de Burgos, Comunidade de Castilla y León. Sua origem se remonta ao século X, e no século XV foi cedido à família dos Fernández de Velasco, Duque de Frías.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERALocalizado na Província de Guadalajara (Comunidade de Castilla La Mancha), o Castelo de Molina de Aragón originou-se como um Alcázar muçulmano (palavra árabe que significa fortaleza), a residência dos governadores da Taifa de Guadalajara. Conquistado pelo Rei Alfonso I de Aragón em 1129, foi a partir deste momento reconstruído, dando-lhe o aspecto que vemos atualmente. Este belo castelo é considerado o maior de toda a Província de Guadalajara.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa Comunidade de Extremadura, Província de Cáceres, destaca o Castelo de Trujillo, construído entre os séculos IX e XII. Nele observamos detalhes arquitetônicos característicos  das construções islâmicas, como o Arco de Ferradura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, uma vista panorâmica da fortaleza de Trujillo e uma imagem de sua muralha defensiva.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANa Comunidade de Aragón, gostaria de mencionar duas fortalezas relevantes do período islâmico. Na cidade de Calatayud, Província de Zaragoza, situa-se o Castelo de Ayyub, de origem muçulmano e construída no século IX. O nome da fortaleza é uma referência ao fundador da cidade Ayyub Ben Habib Al Lajmi, que fundou Calatayud no ano 716. Este castelo é uma das 5 fortalezas existentes nos cerros que delimitam a cidade, unidos por 4 km de muralhas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAs vistas da cidade desde o alto do castelo impressionam, destacando suas belas igrejas mudéjares, que integram a lista deste tipo de edifícios aragoneses declarados Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa capital e maior cidade da Comunidade de Aragón, Zaragoza, se conserva uma fortaleza de grande importância histórica relacionada às fortificaçoes do período islâmico, o Palácio da Aljafería.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEste belíssimo palácio fortificado foi construído na segunda metade do século XI e reflete o esplendor alcançado pela Taifa de Zaragoza. Se considera o único palácio muçulmano que se conserva de toda a Espanha, relacionado ao período de Taifas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua parte mais antiga é a chamada Torre do Trovador, que vemos na esquina do lado direito na imagem acima. Esta fortaleza era um palácio de recreio dos governadores da Taifa de Zaragoza, e sua tradução significa “Palácio da Alegria“.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADepois da reconquista de Zaragoza pelo Rei Alfonso I “El Batallador” em 1118, a Aljafería passou a ser a residência dos reis aragoneses, quando a partir deste momento foi reformado no estilo mudéjar.

DSC_0195DSC_0194DSC04832O Palácio da Aljafería conserva inclusive sua mesquita

DSC00187Posteriormente, foi reformado durante o reinado dos Reis Católicos e transformou-se na prisão do Tribunal da Inquisição em Aragón. Também foi utilizado como quartel militar em séculos posteriores. Atualmente é a sede das Cortes de Aragón.

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Castelos e Fortalezas Árabes da Espanha

Muitas dos Castelos e Fortalezas da Espanha que hoje contemplamos pelo país originaram-se na época árabe, a partir do século VIII. Grande parte recebe a denominação de Alcazaba, uma palavra de origem árabe que designa um recinto fortificado de caráter urbano, cuja função primordial era servir de residência a um governador, além da defesa de um local determinado e seu entorno. Estavam constituídos por uma guarnição militar e frequentemente um bairro com casas e serviços variados, que formavam uma ciudadela. Em caso de assédio, os habitantes dos núcleos urbanos próximos se refugiavam detrás das muralhas das Alcazabas. Neste post, veremos algumas das principais hoje existentes na Espanha. A cidade de Badajoz (Comunidade de Extremadura) conserva uma das mais importantes do país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABadajoz foi fundada pelos muçulmanos no ano 875, e sua Alcazaba construiu-se entre os séculos IX e XIII, sendo considerada uma das maiores fortalezas de toda a Europa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de ter sido uma fortaleza muçulmana e residência dos governadores da Taifa de Badajoz nos séculos XI e XII, posteriormente tornou-se um castelo medieval cristão (entre os séculos XIII e XVI) e uma fortificação moderna dos séculos XVII ao XIX.

20160516_183237Os denominados Reinos de Taifa surgiram depois da desintegração do Califato de Córdoba no início do século XI, constituindo pequenos estados que se espalharam pela Espanha da época. As Taifas mais importantes eram a de Sevilha, Toledo, Badajoz e Zaragoza. Neste período histórico ocorreu um grande florescimento cultural, mas sua descentralização possibilitou o avanço cristão, que aproveitaram sua debilidade militar para submetê-las, principalmente através de um imposto chamado Párias, que os governadores muçulmanos eram obrigados a pagar aos monarcas católicos. Outra Alcazaba importante era a de Alicante, situada nesta cidade da atual Comunidade Valenciana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConstruída no final do século IX, na Alcazaba de Alicante foram encontrados restos de períodos anteriores, desde a idade do bronze, passando pelos iberos e os romanos. Também é conhecida como Castelo de Santa Bárbara, pois foi conquistada pelo infante Alfonso de Castilla, futuro Rei Alfonso X El Sábio, no dia 4/12/1248, no qual eram celebradas as festividades em homenagem a santa.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASituada num local de grande valor estratégico, no alto de um cerro, as vistas da cidade de Alicante são maravilhosas…

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa atual Comunidade de Andaluzia foram construídas algumas das Alcazabas mais importantes, como a de Málaga, por exemplo, também conhecida como Castelo de Gibralfaro.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi edificada sobre ruínas romanas pré-existentes por Abderramán III no século X. Em 1340, a Alcazaba de Málaga foi ampliada e convertida num Alcázar pelo Rei Yusuf I.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAConsiderada uma das fortalezas mais inexpugnáveis da Península Ibérica, representa o modelo da arquitetura militar andaluza dos Reinos de Taifas do século XI. Está formada por duas linhas de muralhas e 8 torres defensivas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEm muitas das fortalezas muçulmanas, podemos apreciar belíssimos jardins que representavam a idéia do paraíso muçulmano, como podemos ver na Alcazaba de Málaga.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Alcazaba de Málaga sofreu um forte assédio pelas tropas dos Reis Católicos em 1487, quando foi finalmente conquistada. Faz parte do escudo de Málaga e foi declarada Monumento Histórico-Artístico em 1931. Abaixo, vemos alguns detalhes do interior da Alcazaba.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASituada na Província de Málaga, a cidade de Antequera conserva sua Alcazaba, também edificada no alto do cerro onde se construiu o conjunto amuralhado da antiga medina muçulmana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERALevantada provavelmente sobre restos romanos, se desconhece a data exata de sua construção, sendo mencionada por primeira vez no século XII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Torre de Homenaje é a principal de todo o recinto. Em 1582, se construiu sobre a torre uma nova estrutura para acolher o sino principal da cidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo próximo post veremos outros  Castelos e Fortalezas da Espanha originários da época árabe

Valencia Árabe

Com a queda do Império Romano, a cidade de Valencia caiu sob o domínio dos visigodos em 497 dc. Pouco se conhece deste período histórico na cidade. No Museu de Almoina se conservam tumbas monumentais de finais do século VI, pertencentes à época visigoda. Possuíam um caráter familiar e coletivo, sendo que em algumas delas foram encontrados os restos de mais de 30 indivíduos. Foram construídas com grandes blocos de pedra e decoradas com motivos relacionados ao cristianismo. As sepulturas continham também ricas peças em forma de colares, anéis, pulseiras, etc.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAFoi com a chegada dos árabes em 718dc que a cidade alcançou um primeiro período de prosperidade. Permaneceram  mais de 500 anos, e passou a denominar-se Balansiya. Entre suas contribuições à cidade mencionamos o moderno sistema de plantio, numa zona de escassa pluviometria. No século X, alcançou uma população estimada em 15 mil habitantes, tornando-se a cidade mais populosa da zona oriental de Al Andaluz, nome com que se conhece o território árabe na Espanha. No século XI, durante o período conhecido como Reino de Taifas, no qual surgiram várias cidades independentes depois da desintegração do Califato de Córdoba, a cidade obteve um notável crescimento. Um excepcional conjunto de muralhas foi erguido. Apesar das reforma e ampliaçoes realizadas, o sistema defensivo permaneceu de pé até 1865. Ainda hoje podemos contemplar algumas de suas imponentes portas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo ano de 1094, El Cid conquista Valencia, depois de 8 meses de assédio, mas foi novamente retomada pelos árabes pouco tempo depois. A cidade é definitivamente reconquistada pelo Rei Jaime I, chamado de El Conquistador, e sua façanha foi celebrada em toda a Europa, já que o Papa Gregório IX havia outorgado à empresa um caráter de cruzada. Em 1238 entrava vitorioso na cidade, depois de realizar um pacto com o rei mouro Zayyan. Contou com o apoio das Ordens Militares do Templo, de Calatrava e do Hospital.No Edifício da Prefeitura de Valencia (Ayuntamiento) podemos ver um de seus objetos históricos de maior importância, o denominado Pendão da Reconquista, içado pelos árabes para indicar sua rendição às tropas de Jaime I.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAApesar de reconquistada, Jaime I teve que lutar contra os interesses das nobreza catalã e aragonesa, que pretendiam converter as terras conquistadas numa prolongação de seus territórios. Para impedi-lo, o monarca transformou a cidade num reino singular,criando uma nova unidade política e jurídica unida à Coroa de Aragón. Com a  outorgação dos Foros de Valencia, os reis que lhe sucedessem ao trono estariam submetidos às leis próprias dos valencianos. A cidade torna-se, deste modo, num estado soberano, mesmo estando incorporado ao Reino de Aragón. Além dos Foros, se redatou um código marítimo, considerado o mais antigo do continente. No entanto, algumas instituições criadas pelos árabes foram mantidas, como o famoso Tribunal das Águas, encarregado de regular sua utilização. Desde 1247, a cidade passou a ter moeda própria, o Real Valenciano. Abaixo, vemos o busto de Jaime I, também colocado no interior do Edifício da Prefeitura.

OLYMPUS DIGITAL CAMERABoa parte da população árabe abandonou a cidade após a reconquista, e os que nela permaneceram (conhecidos como mudéjares) passaram a viver num bairro próprio, a Morería, situado fora das muralhas. Muitas das mesquitas existentes foram transformadas em igrejas católicas. Um bom exemplo da arquitetura mudéjar de Valencia corresponde aos chamados Banhos do Almirante, por estarem situados no Palácio Gótico dos Almirantes de Aragón. Apesar de sua aparência árabe, foram construídos em 1313.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEstes banhos possuíam um caráter civil e sua funcionalidade e sistema construtivo foram herdados das antigas termas romanas. Divididos em salas fria,temperada e quente, é um dos poucos banhos desta época que se mantiveram ativos desde sua criação até o século XX.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERADesde a época romana, Valencia sempre se orgulhou de ter um excelente sistema de saneamento, que foi ampliado e aperfeiçoado com o tempo. Graças a ele, a cidade transformou-se numa das mais limpas de toda a Espanha. Em 1944, os Banhos do Almirante foram declarados Conjunto Histórico-Artístico. Fechados para o uso público em 1959, pouco depois funcionou como uma academia de ginástica. Em 1985 foi adquirido pelo governo que o restaurou, sendo aberto para a visitação pública.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAAbaixo, vemos as características aberturas situadas no teto, que proporcionam iluminação ao interior do banho, exemplos da arquitetura árabe destes espaços públicos.

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Arcos de la Frontera – Província de Cádiz

Na parte nordeste da Província de Cádiz situa-se uma belíssima região repleta de atrações naturais, a denominada Serra de Cádiz. Está formada por 19 pueblos com sua característica arquitetura branca em torno ao Rio Guadalete, que lhes confere uma certa unidade paisagística. Arcos de la Frontera, o maior povoado da comarca com cerca de 30 mil habitantes, é a porta de entrada para se conhecer esta zona maravilhosa da Comunidade de Andaluzia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASua peculiar localização, no alto de uma imponente formação rochosa, proporciona à `cidade um encanto irresistível. A própria montanha onde se assenta, a Peña de Arcos, foi declarada Monumento Natural, e as vistas que se contemplam desde o alto são incríveis.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERANão por acaso, Arcos de la Frontera sempre aparece na lista dos mais belos pueblos da Espanha. Além disso, possui um rico passado, quando tornou-se a capital de um Reino de Taifas no séc. XI (Taifa de Arcos) e um ducado a partir do séc. XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO povoado destaca-se também pela importância de seu patrimônio histórico, formado por muralhas, igrejas, casas senhoriais, onde podemos apreciar os estilos gótico, renascentista e barroco.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA proximidade com o Lago de Arcos permite a prática de esportes náuticos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAO seu traçado urbano, com ruas estreitas e empinadas, se originou na época árabe. Os grandes desníveis existentes constituem uma excelente maneira de exercitar-se, mas a beleza do lugar compensa todo o esforço.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAArcos de la Frontera é um povoado protegido, pois foi declarado Conjunto Histórico-Artístico. Quando lá estive, pude admirar um magistral presépio, realizado com grande delicadeza e variedade nos detalhes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA cidade dista apenas 67 km da capital provincial, Cádiz, e próxima também de Jerez de la Frontera. Pela facilidade de acesso, uma visita a este pueblo andaluz é uma perfeita opção de excursão para se passar o dia. No próximo post, veremos algumas de suas principais atrações…

Museu Arqueológico Nacional: Al Ándalus

A conquista muçulmana da Península Ibérica condicionou de forma significativa e permanente a história da Espanha. Basta observá-la nas inúmeras cidades fundadas pelos árabes, na sua gastronomia, vocabulário, arquitetura, etc. Depois da vitória sobre os visigodos na Batalha de Guadalete em 711, em poucos anos os muçulmanos se apoderaram de grande parte do território peninsular, com exceção feita ao Reino de Asturias, situado no norte do país.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAl Ándalus foi o nome que os muçulmanos deram ao império peninsular sob seu domínio, até sua dissolução em 1492, quando os Reis Católicos conseguiram conquistar o último reduto árabe, a cidade de Granada. Ou seja, permaneceram quase oito séculos. A fronteira de Al Ándalus foi variando na medida em que o processo cristão de reconquista passou a ocupar os territórios então sob o poder dos árabes. Abaixo, podemos ver outro mapa em que notamos a ampliação territorial  dos reinos cristãos, no séc. XI.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANuma primeira etapa, de 711 a 756, Al Ándalus foi um Emirato dependente do Califato de Damasco. Em 756, um príncipe da dinastia omeya de Damasco chamado Abderramán, conquistou o território árabe da península, fundando o Emirato de Córdoba, cidade que tornou-se desde o início do império sua capital. O estado cordobês se consolida com Abderramán II, o primeiro de uma série de excelentes governantes com interesses culturais e protetores das artes e das letras. Al Ándalus se transforma numa grande potência. No ano 929, Abderramán III instaura o Califato de Córdoba. Seu governo, junto com o de seu filho Al Hakam II representou a época dourada do império andalus. Abderramán III fundou a poucos quilômetros de Córdoba uma nova cidade residencial, cujo luxo e opulência impressionaram a todos aqueles que a conheceram. Atualmente, Medina Azahara é uma das grandes atrações turísticas da região de Córdoba, e sua visita é obrigatória para poder compreender o esplendor de Al Ándalus.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo período do Califato, Córdoba se destaca como a principal cidade de Europa, tanto no plano cultural, quanto artístico. Herdeiros do conhecimento da Antiguidade Clássica e do Oriente, os árabes contribuíram de forma extraordinária para o conhecimento científico e a filosofia, entre muitas outras áreas. O aparecimento de um guerreiro chamado Almanzor, que adquiriu poderes e prestígio superiores aos do califa está relacionado com o período de expansão dos reinos cristãos ao sul, provocando uma mudança radical no processo histórico. As campanhas vitoriosas de Almanzor o levaram desde Catalunha até Santiago de Compostela. Sua morte em 1002 marcou o início da decadência árabe, pois depois da hegemonia militar seguiu-se uma grande crise política pelo poder. O resultado final foi a desintegração do império árabe, que se fragmenta em diversos reinos independentes denominados Reinos de Taifa, a partir de 1031. Entre os mais importantes, destacaram-se a Taifa de Toledo e a de Zaragoza, cujo palácio muçulmano do séc. XI vemos abaixo (Aljafería de Zaragoza).

DSC04832Com a falta de um poder centralizador, os Reinos de Taifa facilitaram enormemente o avance cristão. A progressiva expansão dos reinos cristãos transformou o território. A população árabe das cidades reconquistadas, e que permaneceram nas mesmas, passou a ser chamada de mudéjares. No Museu Arqueológico Nacional estão expostas várias peças do legado artístico dos árabes que viviam sob domínio cristão, como estas cerâmicas, do séc. XV.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA  OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlém de grandes artesãos, os mudéjares eram hábeis construtores, erguendo várias igrejas que ainda hoje podemos ver em Toledo, Castilla, Aragón, etc. Decoravam também o interior dos templos e dos palácios com um típico artesanato feito de madeira, de grande qualidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOs mudéjares realizaram cúpulas para os recintos interiores verdadeiramente magistrais.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA seguir vemos outras obras do período árabe no museu, como um friso de gesso que fazia parte do Palácio da Aljafería de Zaragoza.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADesta peça de bronze do séc. X em forma de cervo, saía a água de uma fonte em Medina Azahara.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUm objeto de marfim de incrível refinamento…

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma pia de rituais religiosos pertencente a Almanzor, e também encontrada em Medina Azahara.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACom a reconquista, os edifícios árabes são adaptados às novas funções, os alcázares se transformam em palácios e as mesquitas, em igrejas e catedrais. No próximo post, veremos a seção do Museu Arqueológico Nacional dedicada aos Reinos Cristãos.

Mudéjar Toledano – Parte 2

Uma das características básicas do Estilo Mudéjar é o emprego do tijolo (ladrillo, em espanhol) como material construtivo, tanto na parte estrutural dos edifícios, quanto em sua decoraçao. Sua abundância e acessibilidade econômica tornavam o processo de construçao bastante rápido. Como vimos no post anterior , o Mudéjar é o estilo predominante em Toledo, que podemos apreciar em muitas de suas igrejas. Uma das mais antigas e desconhecidas é a de San Sebastián, e a principal razao é que se encontra um pouco afastada do centro da cidade. Origialmente, foi uma antiga mesquita, e serviu como templo religioso de forma contínua desde o séc. X. O edifício atual corresponde ao séc. XIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERASegundo a tradiçao, a Igreja de Santa Leocádia foi edificada sobre a casa natal da padroeira da cidade, na época de Alfonso VI. No seu exterior, a portada, a torre e o ábside sao mudéjares, da segunda metade do séc. XIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAInfelizmente, algumas das construçoes originais nao sobreviveram à passagem do tempo. A Igreja da Magdalena é uma delas. Fundada no séc. XI, depois da reconquista de Toledo, sofreu várias alteraçoes nos séc. XVI e XVII, e durante a Guerra Civil de 1936/1939 ficou praticamente destruída. Em 1946, procedeu-se à sua reconstruçao, que vemos atualmente. Sua torre, construída a finais do séc. XIV e princípio do XV, é um dos poucos elementos originais que se conservaram.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAA peculiar decoraçao das construçoes mudéjares pode ser vista no antigo Convento da Madre de Deus, fundado no séc. XIV. Depois da restauraçao finalizada em 2005, podemos admirá-la em todo seu esplendor. Apresenta a característica ornamentaçao de azulejos vidriados, típica do Mudéjar Toledano e também do Aragonês. Acolhe atualmente a Faculdade de Ciências Políticas e Sociais da Universidade de Castilla La-Mancha.

DSC09282O Mudéjar nao foi somente utilizado nos templos religiosos. A Arquitetura Militar também foi favorecida, como podemos observar na Porta do Sol, um dos acessos da muralha que rodeia Toledo. Foi construída durante os séc. X e XI, quando Toledo era um importante Reino de Taifa (cidades independentes que surgiram com a desintegraçao do Califato de Córdoba). Desta época inicial, se conservam os Arcos de Ferradura de seu interior. No séc. XIV, foi reedificada no estilo mudéjar.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo final do séc. XIX, as tendências nacionalistas na arquitetura foram recuperadas, dentro do Ecleticismo Historicista vigente na época. Na Espanha, o mudéjar foi considerado o estilo autóctono por excelência, e sua reinterpretaçao ficou conhecida como Neomudéjar. Um exemplo que podemos ver em Toledo é a Escola de Artes e Ofícios.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA fachada do conjunto de dois edifícios que a integram foi decorada com o escudo dos Reis Católicos, que vemos acima. Sua construçao iniciou-se em 1882, obra do arquiteto Arturo Mérida.

DSC09362Observamos o emprego de diversos mateiais decorativos empregados na Arquitetura Eclética, como o ferro forjado e a cerâmica.

DSC09367DSC09364A escola ocupa o espaço outrora pertencente ao Convento Franciscano de San Juan de los Reyes e de Santa Ana. No próximo post, veremos o edifício neomudéjar mais conhecido de Toledo, sua imponente e bela Estaçao Ferroviária. Até lá…

Alcazaba de Málaga

Um dos monumentos mais conhecidos e visitados de Málaga, a Alcazaba é um palácio fortificado de época muçulmana, construída sobre uma edificaçao anterior, de origem fenícia.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAEsta impressionante construçao encontra-se situada sobre a ladeira do Monte Gibralfaro, ao lado do Teatro Romano, e unida ao centro histórico de Málaga.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAA Alcazaba ocupava o extremo oriental do desaparecido recinto de muralhas da cidade. Sua superfície atual de 15 mil metros quadrados nao alcança nem a metade do tamanho que possuía em sua época de maior esplendor, como demonstram os documentos históricos conservados.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPrototipo da arquitetura militar da época dos Reinos de Taifa (séc. XI), está formada por um recinto duplo de muralhas, com uma grande quantidade de fortificaçoes.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASeu aspecto atual é o resultado de um longo processo histórico que iniciou-se no período árabe (séc. X ao XV), prolongando-se até depois da Reconquista de Málaga (séc. XV ao XVIII). Os séc. XIX e início do XX representaram um período de abandono e deterioraçao, e o monumento foi salvo, como muitas vezes ocorre na Espanha, ao ser catalogado como Monumento Histórico-Artístico a partir da década de 30 do século passado. A partir de entao, iniciou-se um processo de recuperaçao que permanece vigente até o presente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAPara sua construçao, foram utilizados o mármore, colunas, estátuas e capitéis do Teatro Romano adjacente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Durante a Reconquista de Málaga (1487), a Alcazaba constituiu um formidável enclave defensivo durante o assédio realizado pelos Reis Católicos. Depois de conquistá-la, Fernando El Católico içou  a cruz de Castilla sobre a Torre de Homenagem, entregando à cidade uma imagem da Virgem da Vitória que, a partir de entao, transformou-se na Padroeira de Málaga.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOs jardins do palácio sao uma maravilha, repleto de fontes, característica típica da arquitetura palacial árabe.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAO período de abandono e destruiçao que afetou a Alcazaba foi causado  pelo terremoto que assolou a cidade em 1680 e pelos distúrbios provocados pela guerra contra os franceses, no início do séc. XIX. Felizmente, hoje em dia podemos contemplá-la e disfrutar de seus encantos. No próximo post, conheceremos o palácio e suas maravilhosas dependências.