Museu Catedralício de Astorga

Uma visita à Catedral de Astorga nao estaria completa sem  conhecer o imprescindível Museu que integra o complexo catedralício, formado também pelo Arquivo Diocesano e Capitular e o Hospital de San Juan Bautista. O Museu Diocesano ou Catedralício situa-se nos espaços destinados anteriormente a escola da Catedral, Bibloteca e Arquivo. Foi projetado como tal em 1889, sendo inaugurado somente em 1954. Em suas numerosas salas, estao exposto mais de 500 peças de grande valor e qualidade  histórico-artística.

OLYMPUS DIGITAL CAMERANo post de hoje e no próximo, seleciono algumas das mais importantes. Prova da antiguidade da Diocese de Astorga, o sarcófago paleocrisiano é uma das peças mais antigas do museu (séc. III dC).

OLYMPUS DIGITAL CAMERANa foto de abaixo, vemos os bustos de alguns bispos que patrocinaram a construçao da catedral.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADa antiga Catedral Românica, se conservam algumas peças interessantes, como capitéis decorativos e esta cabeça românica, datada de finais do séc. XII e princípio do XIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs esculturas do período românico expostas estao bem conservadas, e nos permitem observar algumas de suas características principais. Com grande diferença, as esculturas da Virgem e de Cristo Crucificado foram as mais representadas a partir do séc. XII. A Virgem aparece sempre junto ao menino Jesus , como mae de Deus (Theotokos), como vemos na imagem a seguir, feita de madeira policromada no séc. XIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAs Esculturas Românicas caracterizam-se pelo antinaturalismo, possuindo um forte caráter simbólico. Se busca, principalmente, a expressao do conteúdo religioso. As figuras se deformam intencionalmente para alcançar um impacto emocional. Sao rígidas, com ausência geral de movimento. A simplicidade, estilizaçao e frontalidade sao outras de suas características. Muitas destas peças guardavam relíquias, colocadas em sua parte posterior através de um pequeno buraco. Neste caso, seu valor e devoçao aumentavam substancialmente. Abaixo, vemos a imagem de N.Sra. la Blanca, também do séc. XIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERACristo, na estética românica, aparece na maioria das vezes, na cruz. Esta representaçao é, provavelmente, de origem bizantina, expressando a vitória de Cristo sobre a morte e a salvaçao da humanidade. O corpo “repousa” sobre a cruz mediante 4 cravos, adotando uma postura simétrica. A cabeça aparece na posiçao frontal ou ligeiramente inclinada à direita, e os rosto apresenta uma expressao de absoluta serenidade. Na sequência, vemos um Calvário Românico de finais do séc. XII e início do XIII.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das peças mais interessantes é a Arca de Carrizo (segunda metade do séc. XIII), procedente do Monastério de Santa Maria de Carrizo, localizado na Província de León.

OLYMPUS DIGITAL CAMERASua funçao principal era de relicário, podendo ser colocada na parte frontal do altar. Na parte inferior, vemos as pinturas dos apóstolos, e na tampa, cenas da vida e paixao de Jesus Cristo.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAInegavelmente, uma das obras de maior valor artístico e histórico é a Arqueta de San Genadio, uma peça excepcional do Préromânico Asturiano. Este relicário foi um presente  oferecido pelo rei Alfonso III ao Bispo Genadio de Astorga, no séc. X. Apresenta uma grande riqueza iconográfica.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAUma das relíquias mais sagradas e desejadas na Idade Média por qualquer templo religioso era o Lignus Crucis, ou pedaço de madeira da cruz onde Cristo foi crucificado. O Museu da Catedral de Astorga possui um, protegido por uma estrutura de vidro, e colocada dentro de uma cruz feita com materiais preciosos.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Basílica de San Isidoro – León

A Real Colegiata de San Isidoro de León é um dos monumentos românicos mais destacados de toda a Espanha. Declarada Monumento Histórico-Artístico em 1910, toda sua parte ocidental está superposta à antiga muralha romana da Legio VIII Gemina, nome da cidade dada pelos romanos durante sua fundação. Sob os cimentos do atual edifício, também foram encontrados vestígios desta época inicial.

A basílica que hoje conhecemos aparece documentada por primeira vez no ano 956, durante o reinado de Sancho I, que construiu um templo para acolher as relíquias de Pelayo, um menino martirizado em Córdoba em 925, e cuja fama estendeu-se por todo o continente. O traslado do corpo, porém, só foi realizado por sua esposa, a rainha Teresa, e por sua irmã Elvira Ramírez. A vida monástica no local durou apenas 20 anos, devido ao ataque e a devastação provocada pelo caudilho árabe Almanzor em 988. Ao receber a notícia do ataque,a rainha Teresa se encarregou de levar o corpo do mártir a Oviedo, para que fossem preservadas as relíquias.

A reconstrução do monastério deveu-se a Alfonso V, onde foi posteriormente sepultado. Durante o reinado de sua filha, D. Sancha, e de seu esposo, o rei Fernando I, decidiu-se construir um novo templo no séc. XI. Reedificaram também o Panteão Real, onde foram enterrados. Segundo o costume da época, para engrandecer a igreja, era necessário contar com relíquias importantes. Trouxeram, então, desde Sevilha, o corpo do erudito e bispo San Isidoro, em 1062. No ano seguinte, a igreja foi consagrada sob a titularidade do santo sepultado.

Esta foi a primeira igreja românica erguida no Reino de León, conservando-se desta época, o Panteão Real, a Tribuna, os dois primeiros corpos da torre e os dois pórticos da fachada.

A igreja foi reedificada no séc. XII, graças a filha de Fernando I e D.Sancha, a infante Urraca. Este é o templo que contemplamos atualmente, bem como as portas românicas da fachada. Foi também a responsável pela decoração pictórica do Panteão Real. A nova igreja foi consagrada em 1149, transformando-se depois em Abadia.

Abaixo, uma imagem de San Isidoro, que decora o interior da igreja.

Além das reformas realizadas no período românico, a basílica sofreu outras nos séculos posteriores, como a que sucedeu no séc. XVI, quando se derrubou a antiga capela maior para a construção da atual, a cargo de Juan Badajoz El Viejo. De estilo gótico, foi encarregada em 1513 e o retábulo que a adorna  foi talhado entre 1525/1530, e procede de uma paróquia de Valladolid e que foi levado à basílica em 1920. No seu programa iconográfico, vemos cenas da vida da Virgem e da paixão de Cristo.

O séc. XIX foi o pior para a história do edifício, poi foi saqueado pelas tropas francesas e também depois da Desamortizaçao de Mendizábal (1835). No séc. XX, com a Guerra Civil, foi novamente ocupada pelos militares.

O templo possui 3 naves, com planta de cruz latina. O ábside central pertence ao séc. XVI, e os laterais, ao período românico.

No exterior destaca as duas portadas românicas, as primeiras construídas no Reino de León. A denominada do Cordeiro é a mais antiga e principal do templo. Seu tímpano está decorado com maravilhosos relevos românicos, representando o sacrifício de Isaac, com o cordeiro místico sustentado por dois anjos. Infelizmente, durante minha visita, a porta estava sendo restaurada, e não pude ver-la.

Já a Porta do Perdão era a entrada de acesso à igreja dos peregrinos  que faziam o Caminho de Santiago, para obter o perdão dos pecados e para que conseguissem as indulgências correspondentes. Seus relevos são atribuídos ao Mestre Esteban, que também trabalhou nas catedrais de Santiago e Pamplona. Por primeira vez, esculpe temas evangélicos, que seriam reproduzidos em outros lugares. No tímpano, observamos cenas da Ascençao, Descendimento da cruz e o sepulcro.

A Tribuna Real acolhe hoje em dia um excepcional museu, com valiosas peças de arte românico, e o espaço ficou conhecido como a “Câmara de D.Sancha”, pois era o palco exclusivo da rainha. Algumas das peças expostas foram encarregadas pela própia rainha e seu esposo, o rei Fernando I, para embelezar a igreja que ambos haviam mandado construir. Um exemplo destas magníficas obras é a arca de San Isidoro, construída em prata e realizada em 1065 e a arca onde foram guardados os restos de Pelayo e San Juan Batista, datada de 1059.

A galeria ou átrio também foram realizados no séc. XI, a primeira construída no estilo românico. Atualmente, se denomina Panteão dos Infantes, pois nele estão depositados restos de infantes reais, bem como membros da nobreza leonesa.

O Arquivo-Biblioteca, do séc. XVI, foi construído por Juan Badajoz El Moço, e possui grande quantidade de pergaminhos, códices e livros raros.

A Torre do Galo forma parte da muralha e tem um formato quadrado. O galo situado na parte mais alta foi considerado um dos símbolos mais queridos da cidade. Muito antigo, não se conhece sua história, nem quando e porque chegou à torre. No início do séc. XXI, foi retirado do local para estudos, e colocado uma réplica em seu lugar. Na foto a seguir, o sino de época medieval que situava-se no alto da torre.

Muitos dos capitéis que adornam a basílica sao considerados como exemplos para os demais, construídos em épocas posteriores.

Este post não teria sentido, se não mencionasse o inigualável Panteão Real da basílica de San Isidoro. Localizado aos pés da igreja, está decorado com pinturas murais que, por sua qualidade e grau de conservação, o tornam único na Espanha e em toda Europa. É conhecido como a “Capela Sixtina do Românico”. Suas fotos não estão permitidas no local. Recomendo, pois, sua visualização na Internet, é simplesmente maravilhoso…